AGK Corretora de Câmbio S.A. A G E N D A E T E N D Ê N C I AS PARA A S E M A N A DE 04 À 08 DE FEVEREIRO DE 2013 Cenário de Longo Prazo Cenário internacional surge como menos adverso em 2013 Tendências Consultoria – Análise Semanal – 04.01.2013 “A expectativa é de que o crescimento global seja de 3,3% em 2013, pouco acima do desempenho esperado para 2012 (3,1%).” O ano de 2013 começa sob perspectivas menos sombrias para a economia internacional, diferentemente da situação verificada há um ano, quando ainda eram maiores os riscos de colapso da Zona do Euro, de um pouso forçado na China e de um duplo mergulho nos Estados Unidos. De fato, as condições econômicas evoluíram ao longo do ano em direção oposta a este cenário pessimista, chegando ao início de 2013 com uma conjuntura mais favorável, mesmo que grandes desafios ainda prevaleçam nas principais regiões. Desta forma, para 2013 fica mantido e reforçado o cenário básico considerado pela Tendências para o contexto internacional, que envolve a sobrevivência do euro, a condução suave da desaceleração da China e a recuperação moderada da economia norte-americana. Do ponto de vista do crescimento global, a projeção é de uma alta de 3,3% em 2013, pouco acima do desempenho esperado para 2012 (3,1%). Na Zona do Euro, ações incisivas das autoridades reduziram drasticamente o risco de ruptura no bloco, tendo como principal mote a afirmação de que “o euro é irreversível”. Medidas como a concessão ilimitada de liquidez aos bancos, compras de títulos soberanos pelo Banco Central Europeu, pacotes de ajuda à Grécia e aos bancos espanhóis, avanços nas reformas estruturais nos países e a criação de uma supervisão bancária unificada foram fundamentais para a redução da percepção de risco ao euro, culminando na recuperação do valor da moeda única. Nos Estados Unidos, a recuperação econômica foi ameaçada pelo impasse fiscal, que colocou o país à beira de um forte choque contracionista para 2013. Com o acordo alcançado, embora ainda com alguns aspectos a serem resolvidos, a economia tende a manter a gradual retomada, com melhora moderada do mercado de trabalho e da confiança dos agentes. Finalmente, na China, a desaceleração da atividade observada até o terceiro trimestre do ano foi estancada, conforme números do quarto trimestre. Com grande capacidade de estímulos e em meio a uma lenta mudança do seu motor de crescimento, o país deve atingir sua meta de expansão de 7,5% do PIB em 2013, após desempenho semelhante esperado para 2012. Europa – menor risco de ruptura, mas economia segue fraca É consenso que a possibilidade de um evento extremo na região, envolvendo a saída de alguma nação do bloco do Euro ou mesmo o colapso da moeda, reduziu-se drasticamente com o passar de 2012, em meio às ações citadas acima. Porém, mesmo tendo sido reforçado nosso cenário de não ruptura, é preciso considerar a manutenção de um contexto delicado no continente. Do ponto de vista econômico, as perspectivas seguem negativas na Zona do Euro, para a qual projetamos contração de 0,2% do PIB em 2013 ante estimativa de –1,0% em 2012. A Alemanha, principal economia da região, também tem fornecido evidentes sinais de contágio da fraqueza na União Europeia, algo natural tendo em vista que cerca de 60% das exportações do país tem como destino a própria UE. Após crescer em torno de 0,7% em 2012, a economia alemã deve desacelerar o ritmo para 0,5% neste ano. Itália e Espanha, que concentram ainda boa parte das preocupações no continente, devem seguir com suas economias em contração em 2013, em 0,5% e 1,0% respectivamente, embora seja preciso ressaltar as importantes reformas que ambos os governos têm conduzido e que devem trazer resultados positivos gradativamente. Fora da Zona do Euro, o Reino Unido deve seguir uma recuperação modesta, saindo de um recuo de 0,3% previsto para 2012, na direção de um crescimento de 1,0% em 2013. Quanto à crise das dívidas, a despeito do menor risco de colapso, alguns elementos preocupantes ainda merecem atenção para 2013. Na Itália, o processo eleitoral previsto para fevereiro ainda não causa maior apreensão, diante das declarações apaziguadoras tanto do ex-primeiro ministro Mario Monti, quanto do candidato favorito de centro-esquerda Pier Luigi Bersani, que tem defendido a manutenção das reformas do governo de Monti, as quais contribuíram para acalmar os mercados. A incerteza fica em relação à participação do também ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi, que voltou a atacar as reformas realizadas. Na Espanha, os problemas seguem diversos, com o desemprego extremo, recessão econômica e bancos em dificuldades. Porém, cabe atentar especialmente para o aspecto político, envolvendo as demandas separatistas da Catalunha, o que pode causar períodos de nervosismo durante o ano. Na Grécia, os acordos firmados até agora garantem a manutenção do país no bloco, mas a difícil situação social representa um risco, caso os protestos da população se acentuem. Em suma, a Europa continuará como um fator de preocupação para este ano. Porém, em comparação com o período em que havia incertezas quanto à própria sobrevivência do euro, as perspectivas atuais certamente são menos nebulosas. Será crucial que novas reformas e avanços institucionais sejam promovidos durante o ano, a fim de construir uma visão mais promissora também para médio e longo prazo, tendo em vista que os desequilíbrios entre as nações da região persistem. De qualquer forma, a situação de curto prazo está mais bem equacionada, como é possível visualizar em indicadores como o custo de financiamento dos países e os prêmios de risco do setor bancário, conforme indicadores selecionados na figura a seguir. Figura 1: Índice iTraxx setor financeiro europeu e yield de 10 anos do título soberano da Itália Fonte: Bloomberg China – consolidação de um novo e positivo ritmo de crescimento Após alguns meses de enfraquecimento da atividade econômica, que acentuaram as preocupações dos analistas em torno de um eventual pouso forçado, os indicadores do último trimestre voltaram a reagir, reforçando a visão de que a China terá condições de estabilizar seu crescimento em patamar ainda substancial. A meta estipulada para 2012, de 7,5%, deve ser superada (a projeção da Tendências é de +7,7%) e mantida pelo governo para 2013. O processo recente de transição política ocorreu de maneira tranquila, sem causar qualquer tipo de efeito no ambiente econômico, em meio à continuidade da orientação do governo de impulsionar gradativamente o consumo doméstico. Ainda que o contexto internacional mais favorável permita um comportamento mais benigno das exportações líquidas chinesas, o aumento da participação do consumo doméstico em relação aos investimentos no PIB, pode não ser totalmente compensado pela melhora das exportações, o que explica a expectativa de crescimento ligeiramente menor em 2013 (7,5%), ainda que em linha com a meta do governo. Desde agosto, quando a taxa de crescimento anual da produção industrial atingiu 8,9%, ritmo mais baixo desde o início de 2009, houve uma trajetória contínua de aceleração nos meses seguintes. Em novembro, a expansão já havia retornado para dois dígitos (10,1%), sinalizando a que a perda de força da economia havia sido contida. Não foram necessários esforços substanciais em termos de políticas econômicas para obter a reversão da tendência, considerando que o último movimento de afrouxamento monetário foi realizado no início de julho e que não houve grandes aportes fiscais e de crédito como forma de reação. Ou seja, diante das condições atuais, que envolve um ambiente internacional desafiador, a China está encontrando, naturalmente, uma velocidade de cruzeiro para seu crescimento, em ritmo ainda substancial ao redor de 7,5%. Figura 2: China: preço spot do minério de ferro (US$/ton) e produção industrial (Y/Y) Fonte: Bloomberg Desta forma, para 2013, está mantida a visão positiva para o gigante asiático. No caso de a economia fraquejar, as autoridades seguem dotadas de diversos instrumentos de estímulos, capazes de manter o crescimento em linha com o objetivo traçado pelo governo. Os mercados já anteciparam uma tendência benigna para o país nos próximos meses, como pode ser observado nos preços à vista do minério de ferro no mercado local, que encerraram dezembro no maior patamar desde abril. Estados Unidos: redução nas incertezas favorece crescimento O desempenho econômico dos Estados Unidos neste ano deve ser melhor do que o de 2012, uma vez que o país tem dado sinais mais sólidos de recuperação, além de ter conseguido mitigar boa parte das incertezas com a questão fiscal. Em meio à gradual recuperação do mercado de trabalho e da confiança dos agentes, o cenário para o consumo e, em menor grau, para os investimentos, surge como moderadamente positivo. Assim, projetamos um crescimento do PIB norte-americano da ordem de 2,3% no ano, o que representaria uma aceleração em relação ao avanço de 2,0% estimado para 2012. Dentre os fatores que devem explicar o ritmo de crescimento mais forte nos próximos trimestres está a continuidade da recuperação gradual do emprego no país. Em 2012 o mercado de trabalho criou 1,8 milhão de vagas, patamar semelhante ao de 2011. Enquanto isso, a taxa de desemprego cedeu de 8,5% em dezembro de 2011 para 7,8% no final de 2012. Em 2013, essa melhora paulatina do mercado de trabalho deve continuar a sustentar o consumo das famílias, que seguirá fornecendo a principal contribuição para o crescimento do PIB. Outro aspecto positivo para as famílias vem do mercado imobiliário residencial, que desde meados de 2011 mostra uma retomada nas vendas, preços e investimentos no setor. Ou seja, o efeito riqueza gerado pelos preços dos imóveis voltou a atuar positivamente, após anos de baixa. Adicionalmente, o acordo no Congresso entre democratas e republicanos ao início deste ano contribuiu para reduzir as incertezas políticas relacionadas ao abismo fiscal, mesmo que alguns aspectos ligados ao tema sigam não equacionados. O impasse teve impacto não desprezível no sentimento dos agentes, de modo que os menores riscos, especialmente em relação aos aumentos de impostos, devem reverter parte da cautela recente. Ainda assim, cabe atentar para as novas discussões políticas que terão que ocorrer nos próximos meses, relacionadas aos cortes automáticos de gastos e ao teto do endividamento do país. Do ponto de vista da política monetária, a gradual melhora da economia pode precipitar algumas mudanças em sua condução, conforme sinalizado pela ata da última reunião do Fomc. Embora não exista qualquer expectativa de alteração na taxa de juros próxima a zero, diante das referências assumidas de 6,5% para o desemprego e de 2,5% para a inflação projetada, o Fed indicou que há membros que defendem uma redução ou mesmo o fim das compras de ativos ainda em 2013. Em suma, o cenário para 2013 é moderadamente favorável para a economia norteamericana, que terá como desafios manter a recuperação do mercado de trabalho e da atividade, diante dos ajustes fiscais que serão promovidos, além de evitar efeitos negativos decorrentes da forte polarização política. Desta forma, diante da manutenção de alguns riscos adversos, nossa projeção para o crescimento do país em 2013 está na ponta inferior do intervalo estimado pelo Fed, entre 2,3% e 3,0%. Ainda assim, o desempenho esperado é satisfatório, o que mostraria que a economia norteamericana está conseguindo sustentar uma retomada mais firme após os graves impactos da crise de 2008 e 2009. Figura 3: Projeções de crescimento nas principais economias (2012 e 2013) Brasil: Crescimento, Investimento e Contas Públicas Brasília e a Engrenagem Por Delfim Neto Antes de lembrar os inegáveis sucessos desses dois anos de governo da presidenta Dilma Rousseff na administração dos problemas da economia, decidi entrar direto na discussão do que me parece o maior desafio que ela terá de enfrentar (e vencer) nos dois anos que começam hoje, janeiro de 2013. O Brasil precisa aumentar fortemente o ritmo dos investimentos para voltar a crescer 5% ao ano, o que vai acontecer quando funcionar a engrenagem fundamental que move todo o sistema das economias de mercado, a confiança que deve existir entre o setor privado e o Estado. Os investimentos retornarão quando se reforçar nos empreendedores a certeza de que serão tratados com justiça, com regras de jogo amigáveis aos mercados, claras e definitivas e com a garantia de que haverá respeito rigoroso à estabilidade dos contratos. De um lado, é vital que o setor privado entenda as dramáticas dificuldades que cercam a administração do Estado, aceitando o fato de que o poder incumbente é o regulador dos mercados para aumentar a competição num ambiente favorável aos negócios. Por sua vez, a administração do Estado deve manobrar com inteligência e paciência e obter a cooperação do setor privado para a realização de seus objetivos. Nesses dois primeiros anos, desde a posse em janeiro de 2011, a presidenta Dilma Rousseff enfrentou e venceu outros graves desafios que pareciam insuperáveis, o maior deles uma elevadíssima taxa de juros que se eternizava. Administrado com extrema competência, o Banco Central comandou um sofisticado e cauteloso processo de redução dos juros, sustentado na mais alta instância política pela atenção direta da presidenta Dilma, até trazer o juro básico ao nível mais civilizado de 7,25%, em 12 meses. Isso depois de 15 anos de prática da mais alta taxa de juros do mundo, que alimentou uma sobrevalorização cambial, causando enormes prejuízos à manufatura nacional. É de justiça reconhecer que, no exercício da política monetária, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mostrou-se muito mais antenado com a realidade brasileira e com a situação da economia mundial do que a maioria dos nossos “especialistas” do mercado financeiro e das próprias autoridades monetárias dos países ditos “centrais”. A redução da taxa de juros real foi um passo muito importante que vai ter consequências sérias no futuro. Não é sem motivo que nossos mais ativos e ousados fundos de investimento estão buscando, no exterior, alternativas para a redução dos rendimentos que obtinham no Brasil. De dezembro de 2011 a novembro de 2012, a Bolsa mexicana aumentou 15% em moeda local e 23% em dólares; a colombiana, 14% e 22%, respectivamente, enquanto a Bovespa aumentou 1,6% em reais e perdeu 10% em dólares. Isso explica “o porquê” de o Brasil ter deixado de ser o queridinho que era do mercado financeiro, quando as aplicações rendiam, aqui, 30% ao ano, em dólares, graças à soma do crescimento da Bovespa e da valorização do câmbio… Muitos ainda choram o fato de o Brasil não ser mais o pernil com farofa e ameixa oferecido nas festas neste fim de 2012 na City londrina ou em Wall Street. O investidor nos setores de produção de bens não financeiros dá menos importância a esse fato, porque olha o mercado com “olhos mais longos” e vê um país com 200 milhões de habitantes, com renda per capita de 12 mil dólares, que, entre 2006 e 2011, cresceu à taxa anual de 3,2%, com uma inflação média de 5%, com uma sólida política fiscal (gráfico) e que recentemente foi classificado, pela Boston Consulting Group (BCG), entre 150 países, como o que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos seis anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população (em meio à crise que continua massacrando boa parte do mundo). O resultado da consulta é explicado pela inserção no mercado de uma ampla classe média, que vai diversificar seu consumo e exigir cada vez mais qualidade dos bens e serviços no futuro. E também explica a “sustentabilidade” em alto nível do prestígio internacional (e nacional) do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff (gráfico: Inclusão Social das Classes C e D). A presidenta frequenta, ainda, nestes momentos finais do Ano-Velho e início do AnoNovo, a pedreira da questão energética e não é só no caso da renovação das concessões das usinas hidrelétricas, mas também da partição da produção no pré-sal entre os entes da Federação. O encaminhamento das discussões para as Casas do Congresso Nacional é a solução correta. Não houve quebra de contrato no caso da energia nem de outros setores. Não é justo calcular a indenização das usinas pelo valor residual contábil, como pretendem alguns estados, porque ele incorpora todos os tropeços na construção de cada uma delas. Não foi razoável, porém, desrespeitar as relações impostas pela Federação, depois de ter rejeitado os pedidos de renovação que os estados fizeram no passado. A presidenta Dilma agiu bem ao buscar solução para o sério problema do excessivo custo da energia no Brasil, uma questão complicada que está procurando corrigir, talvez, de uma maneira um pouco mais dura do que seria necessário, mas que precisa ser feita. Espera-se, finalmente, a convocação no segundo semestre de 2013 dos prometidos leilões. As medidas tomadas no exercício das políticas monetária, fiscal e cambial estão na direção correta. Pode-se discutir a forma, mas elas estão corrigindo, ou tentando corrigir, alguns dos defeitos fundamentais da economia brasileira. Isso contempla desde a bem-sucedida política de queda da taxa de juros real, a recuperação da taxa de câmbio proporcionada pelo controle do movimento de capitais, as desonerações das folhas salariais, e o excepcional esforço para aumentar a inclusão social. O governo, quando facilita o acesso ao crédito, quando estimula sua expansão, está promovendo o crescimento do consumo, deixando claro que esse modelo ainda tem muito que contribuir para a inclusão social. O que falta agora é um poderoso estímulo ao investimento privado e o restabelecimento de uma relação de confiança entre o governo e o setor privado. (Artigo publicado na revista Carta Capital) DANIELA MILANESE: FIM DA INDEPENDÊNCIA DOS BCS E GUERRA CAMBIAL (24/01/2013) Um grande tema caminha novamente para o centro das discussões no exterior: o uso da política monetária para a obtenção de desvalorizações cambiais competitivas. Estão de volta, e a pleno vapor, os debates sobre o risco de uma guerra cambial, motivada principalmente pela percepção de que a independência dos bancos centrais fica para trás. Nos últimos dias, diversas autoridades passaram a alertar para os perigos trazidos pela ânsia de conseguir um câmbio mais favorável, na busca da recuperação econômica. O assunto pode, inclusive, voltar à mesa do G-20, liderado neste ano pela Rússia. Levantamento realizado pelo RBC Capital Markets mostrou aumento da menção ao termo "guerra cambial" no noticiário, indicando que a ansiedade sobre o tema entre os emergentes está no nível mais elevado em dois anos. Mais uma vez, a liquidez artificial criada pelos grandes bancos centrais estimula a tomada de risco e amplia o fluxo de capital para os países em desenvolvimento. Trata-se, portanto, da retomada de uma discussão que já teve o Brasil como centro. Agora, o assunto da guerra cambial não parece ecoar muito por aqui porque o País já adotou controles de capital e deixou claro ao mercado que fará isso sempre que necessário. Acabou virando, inclusive, o principal exemplo das consequências que o debate pode gerar. Já quando o tema é a (falta de) independência dos bancos centrais, os debates seguem acesos no Brasil. Desta vez, o maior impulsionador da polêmica é o Banco do Japão. Por lá, a política monetária virou tema da campanha que levou o Partido Liberal-Democrata de volta ao poder. Em decisão tomada nesta semana, o BoJ dobrou a meta de inflação para 2% e criou um novo programa de relaxamento quantitativo ilimitado a partir de 2014. Não existe a menor dúvida da influência do novo governo para a estratégia do BC japonês. O iene já vinha há tempos acumulando quedas diante da sinalização clara de que a política monetária ficaria ainda mais frouxa. O próprio ministro de Economia, Akira Amari, participou da reunião do BOJ nesta semana. Também foi emitido um comunicado conjunto definindo que, a partir de agora, a política monetária, entre outros, passa a ser escopo do Conselho sobre Política Econômica e Fiscal, presidido pelo primeiro-ministro Shinzo Abe e formado também pelo presidente do BoJ, ministros e representantes de empresas e universidades. "Isso efetivamente encerra a independência do Banco do Japão", escreve Raymond Van Der Putten, economista do BNP Paribas. As investidas ainda mais ousadas dos grandes bancos centrais para enfrentar a crise de fato levantam essa questão. Muitos veem o afrouxamento quantitativo do Federal Reserve como uma estratégia para desvalorizar o dólar. O último lance do Fed foi a adoção de meta de desemprego, para garantir liquidez até que a economia efetivamente se recupere. "Washington estipulou uma barreira muito baixa para as desvalorizações competitivas", avalia Chris Turner, estrategista-chefe de câmbio do ING, em relatório a clientes. Em artigo recente, o economista-chefe global do HSBC, Stephen King, apontou que as decisões tomadas pelos BCs estão mais políticas do que econômicas. "Não é tanto se a independência (dos BCs) é boa ou ruim. Mais do que isso, a política monetária não é mais um trabalho para tecnocratas", escreveu no Financial Times. O fato é que, desde o anúncio dos passos do Japão, diversas autoridades se manifestaram sobre o risco de uma guerra cambial. O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, afirmou na segunda-feira (21) que a erosão da independência dos BCs ao redor do mundo ameaça gerar uma rodada de desvalorizações cambiais competitivas. Em discurso na terçafeira à noite, o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, afirmou que um número crescente de países adota a visão de que somente uma taxa de câmbio baixa poderá fornecer o estímulo necessário para suas economias. Para ele, essa é uma "receita para desvalorizações competitivas, o que alguns chamam de guerra cambial". Antes disso, o então presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, alertou que o euro estava num nível "perigosamente alto". Como o Banco Central Europeu é o menos atrevido entre as maiores autoridades monetárias, embora já tenha flexibilizado bastante sua posição, a moeda comum se sustenta acima de US$ 1,30. O patamar é justificado pela onda de apetite ao risco gerada pela forte liquidez internacional, e não pelas condições econômicas da zona do euro. Como o tema realmente ganha força lá fora, é bem possível que volte à agenda do G20 na reunião ministerial marcada para fevereiro. Até porque, a própria Rússia, país anfitrião do grupo neste ano, também já verbalizou a preocupação com o assunto. Daniela Milanese é jornalista da Agência Estado e escreve coluna semanalmente ESTIMATIVAS PARA O CÂMBIO EM 2013 Pesquisa da Agência Estado realizada nesta quinta-feira (14/02) pelo AE Dados mostra que as expectativas das instituições dealers que atuam junto ao Banco Central para a taxa de câmbio no curtíssimo prazo (7 dias à frente) ficaram entre 1,9600 R$/US$ e 2,0000 R$/US$. Com base neste intervalo de previsões, a mediana atingiu 1,9800 R$/US$, uma queda de 0,50% em relação ao projetado anteriormente abaixo de 2,0000 R$/US$ (1,9900 R$/US$). A mediana da pesquisa para o câmbio ao final de fevereiro deste ano também ficou levemente abaixo de 2,0000 R$/US$ - em 1,9900 R$/US$ (desvalorização de 0,75%) . A mínima foi de 1,98000 R$/US$ e a máxima ficou em 2,0300 R$/US$ As medianas das previsões para o câmbio do primeiro e do segundo trimestres de 2013 intensificaram o ritmo de queda esta semana, conforme levantamento da Agência Estado. No primeiro caso, a taxa ficou em 2,0000 R$/US$, uma queda de 1,72% ante a pesquisa anterior, com a mínima foi de 1,98000 R$/US$ e a máxima ficou em 2,0500 R$/US$. Para o segundo trimestre, a mediana atingiu 2,0100 R$/US$ e teve uma recuo de 1,47% ante a pesquisa da semana anterior. Por fim, para o fim de 2013, ao contrário das demais pesquisas da Agência Estado realizadas pelo AE Dados, que indicaram queda nas medianas para o câmbio, o levantamento com projeções das instituições dealers que atuam junto ao Banco Central para a cotação ao final do ano mostra alta. A mediana subiu 1,20%, com a previsão para o câmbio ficando em 2,1000 R$/US$ - que é a aposta dos bancos internacionais. Cenário de Curto Prazo para os Mercados Comportamento dos mercados na semana de 11 à 15 de fevereiro de 2013 Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais tiveram uma semana de acomodação, e as bolsas sustentaram os elevados patamares alcançados em meio a sinais econômicos ainda instáveis e à intensificação das discussões sobre as taxas globais de câmbio. As declarações de autoridades, que se seguiram à reunião do G-7 e antecederam o encontro do G-20, foram majoritariamente na direção de minimizar a importância da chamada “guerra cambial”, sendo que boa parte dos líderes defendeu a definição das taxas de câmbio pelas condições dos mercados. As atenções concentraram-se na Zona do Euro, dado que as discussões sobre o patamar atual do euro geram especulações sobre uma eventual redução de juros por parte do BCE. No campo econômico, os dados do PIB do quarto trimestre das principais regiões foram decepcionantes, mas os indicadores deste início de ano continuam a traçar um cenário mais promissor para o ano. No Brasil, segundo a Agência Estado, na semana encurtada pelo feriado de carnaval, o temor com a aceleração da inflação voltou a dar o tom aos negócios, após a divulgação de novos indicadores. Primeiro, a Focus, do Banco Central, trouxe que a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2013 subiu de 5,68% para 5,71%. Em seguida, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que a inflação na cidade de São Paulo, apesar de ter desacelerado na primeira quadrissemana de fevereiro (1,01%), ante 1,15% no fechamento de janeiro, continua em nível elevado. O destaque absoluto no retorno dos feriados de Carnaval, porém, foi a mudança da percepção dos mercados acerca do uso das variáveis câmbio e juros com a finalidade de controlar as pressões inflacionárias. A declaração dada pelo ministro Mantega na sexta-feira foi interpretada como um sinal verde para que o BC suba a Selic em breve, evitando permitir uma valorização mais forte do real. Neste contexto, no câmbio global, segundo o AE Broadcast, no exterior, o foco se concentrou mais uma vez no G-20. Diversas autoridades voltaram a falar sobre a chamada "guerra cambial", mas deixaram claro que o Japão não será acusado de manipular sua moeda. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou ainda que as principais moedas estão em patamares equilibrados. Neste contexto, no final da tarde em Nova York, o dólar estava em 93,49 ienes de 92,69 ienes no fechamento da semana anterior. Já o euro estava em US$ 1,3362 de US$ 1,3367 na sexta-feira da semana anterior. O impacto das palavras do ministro se estenderam para as cotações do dólar ante o real, com os investidores testando novamente, na manhã da última sexta-feira, a disposição do BC em usar o câmbio como instrumento para ajudar no combate à inflação. Segundo o Cenário-2 do AE Broadcast, o dólar à vista chegou a recuar para a mínima de R$ 1,9520 no balcão, com especulações sobre um piso para a moeda americana. A autoridade monetária, no entanto, atuou imediatamente para segurar a cotação, por meio de leilão de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro), conduzindo a moeda à vista para o território positivo, fazendo-a fechar na máxima de R$ 1,9670 (+0,41%). À tarde, o avanço do dólar em relação a divisas que, como o real, são bastante ligadas a commodities, contribuiu para o movimento de alta. Assim, o dólar encerrou a semana a R$ 1,9670, de R$ 1,9720 no final da semana anterior, acumulando queda de 0,26% na semana. Na renda variável, a percepção de que a taxa básica de juros da economia do País deve entrar em trajetória de elevação antes do previsto causou reações distintas sobre os papéis do Ibovespa. Se por um lado os bancos foram beneficiados e apresentaram alta consistente na sessão de sexta-feira, os setores de consumo e construção civil amargaram perdas diante do possível aumento do custo do crédito. O Ibovespa encerrou o pregão desta última sexta-feira aos 57.903,30 pontos, pior nível desde 6 de dezembro (57.656,42 pontos). Na semana, a Bovespa acumulou perda de 1,01%. No mês de fevereiro, a Bolsa acumula perda de 3,11% e, no ano, tem declínio de 5,00%. No segmento de juros local, segundo o AE Broadcast, o mercado já dá como certo que o Banco Central subirá a Selic no primeiro semestre deste ano. As taxas dos contratos de juros futuros mostram 100% de chance de uma alta de 0,25 ponto porcentual entre as reuniões de abril e maio do Comitê de Política Monetária do BC. Até o fim do ano, a expectativa embutida nas taxas é de um aperto monetário superior a 1 ponto. Ao mesmo tempo, as taxas longas cederam, com as preocupações inflacionárias de longo prazo sendo minimizadas. O estopim para a puxada na curva de juros foi a declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a taxa de juros e não o câmbio - é o principal instrumento de controle da inflação. Ainda de acordo com o ministro, o Banco Central deve tomar "as devidas providências" na hipótese de o índice de preços não desacelerar "espontaneamente". A fala foi entendida como um aval da Fazenda para que o BC inicie um ciclo de alta da Selic. Perspectivas para a semana de 18 à 22 de fevereiro de 2013 Segundo a Tendências Consultoria, a agenda externa nos próximos dias é moderada. A segunda-feira será vazia em indicadores, mas devem ser repercutidas as discussões no âmbito do G-20, cuja reunião se encerra neste sábado. A partir de então, nos Estados Unidos serão apresentados dados de atividade, além de números do setor imobiliário, que devem manter a percepção relativamente favorável da economia. Ainda nos EUA, a ata da última reunião do Fomc também merece atenção, já que deve trazer a visão atualizada do Fed acerca das perspectivas econômicas no primeiro trimestre. Na Europa, os diversos indicadores de sentimento econômico na Zona do Euro e Alemanha devem manter a sinalização de melhora da confiança dos agentes. Neste ambiente, considerando os níveis já valorizados das principais bolsas globais, os movimentos nos mercados devem continuar contidos. No Brasil, os analistas e investidores devem avaliar de maneira mais criteriosa a sinalização recente trazida pelo Banco Central e, principalmente, pelas declarações do ministro Guido Mantega na sexta-feira. Ao afirmar que o controle da inflação deve ser feito via taxa de juros e não de câmbio, o ministro deixou no ar a possibilidade de que o Copom já tenha o aval do governo para elevar a Selic em breve, situação que gerou forte pressão na curva de juros. Por outro lado, em conjunto com o novo leilão de swap reverso promovido pelo BC também na sexta-feira, Mantega sinalizou que não há o interesse em permitir uma valorização mais forte do real neste momento. Ou seja, ficou implícita a visão de que, enquanto o câmbio deve seguir mais estabilizado em nível pouco acima de R$ 1,95/US$, caberá à elevação da Selic o combate à alta da inflação. Como o BC ainda não sinalizou nenhum movimento neste sentido, a autoridade monetária teria a reunião de março para comunicar tal decisão ao mercado. Finalmente, a Bovespa ganhou, desta forma, mais um fator negativo. Ao crescer a expectativa de elevação dos juros, a renda variável é prejudicada neste cenário. Na agenda doméstica da semana, destaque para os índices semanais de inflação, que devem gradativamente apontar a esperada desaceleração neste mês, para a Pesquisa Mensal do Comércio de dezembro e para o IPCA-15 de fevereiro, que também deve desacelerar, mas trazer núcleos ainda pressionados. Fontes: Tendências Consultoria e AE-Broadcast Elaborada por Miriam Tavares Diretora de Câmbio AGK Corretora de Câmbio S.A. ___________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________ Rua Barão de Itapetininga,298–1ºand.– República – CEP 01042-000–São Paulo–SP Tel.:Mesa Op.55 11 3123 7166 – [email protected]