os benefícios da atividade física para autistas

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Texto de apoio ao curso de Especialização
Atividade física adaptada e saúde
Prof. Dr. Luzimar Teixeira
UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto-Campus Guarujá
Curso de Educação Física
OS BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA AUTISTAS
Maristela Cortese Cardoso
Guarujá
2004
Maristela Cortese Cardoso
OS BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA AUTISTAS
Monografia
apresentada
ao
curso
Educação Física
da Unaerp-–
Guarujá,
como
requisito
obtenção
do
título
de
de
Campus
parcial
Licenciado
para
em
Educação Física.
Orientador: Prof. Dr. José Medalha
Guarujá
2004
RESUMO
O trabalho pretendeu mostrar a importância da atividade física para a vida social
de um autista, havendo uma melhora na hiperatividade, nos movimentos
estereotipados, na aquisição de independência nas habilidades da vida diária. Com
base nas definições atuais da “Síndrome de Autismo”, e as estudando podemos obter
um diagnóstico precoce no qual cabe diferenciar o autismo de outras deficiências e
estruturar programas específicos de tratamento, uma gama de métodos que
melhoram ou amenizam o transtorno comportamental, beneficiando os pais que
aprendem a lidar e aceitar seu filhos ditos como
“estranhos” e “indiferentes”,
geralmente marginalizados pela sociedade por total falta de conhecimento. Após
extensa literatura, avaliando os métodos para tratamento de autistas e para outras
pessoas portadoras de necessidades especiais conhecidos como terapia da vida
diária e reorganização neurológica concluiu-se que a atividade física é um fator
fundamental na interação do autista com o seu meio social.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 9
1.1 Problema ............................................................................................................ 9
1.2 Objetivo .............................................................................................................. 9
1.3 Justificativa ....................................................................................................... 10
2. REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................ 10
2.1. Definição de autismo ....................................................................................... 10
2.2 Diagnóstico diferencial ..................................................................................... 14
2.3 Planejamento terapêutico ................................................................................. 16
2.4. Educação e treinamento.................................................................................. 17
2.5.Métodos de educação ...................................................................................... 18
2.6. Modificação de comportamento ...................................................................... 19
2.6.1. Uso da modificação de comportamento em educação física e esportes
adaptados............................................................................................................ 20
2.7. Reorganização neurológica ............................................................................. 21
2.8. Terapia da vida diária ...................................................................................... 24
2.9. Atividade fisica ................................................................................................ 26
2.10. Estudos de casos .......................................................................................... 28
2.10.1Comportamento motor de um autista, durante três anos .......................... 28
2.10.2 Efeitos de exercícios intensos no comportamento
estereotipado em
autistas ................................................................................................................ 29
3.CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 30
4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 31
5. APÊNDICE ............................................................................................................ 34
5.1 Entrevista com mãe de um autista hoje com 27 anos. ..................................... 34
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo elencar os benefícios da atividade
física para pessoas portadoras de autismo, entre os quais a grande melhora no
transtorno comportamental e em atividades cotidianas básicas como vestir uma
roupa, escovar os dentes, tomar banho, enfim, proporcionar sua independência
mínima, mas significativa. Também é de grande valia no trabalho mostrar
claramente a definição do autismo como sendo uma síndrome, além de citar
alguns meios de tratamentos possíveis como a reorganização neurológica e a
terapia da vida diária, sendo estas opostas na metodologia de trabalho.
1.1 PROBLEMA
Um dos aspectos mais difíceis em relação ao autista é a introspeção e a
indiferença, que apresentam em qualquer relacionamento, notando-se uma
ausência do sorriso social, aparente aversão a contato físico, tendência a se
interessar apenas por parte da pessoa e o relacionamento anormal com objetos,
usados para rodá-los, jogá-los e sacudí-los e, como não tem a menor
compreensão de regras sociais básicas, costuma, ao sair de casa, gritar na rua,
chutar as pessoas, riscar paredes, etc. Faz-se necessário reavaliar a maneira de
lidar com essas pessoas, “entrando em seu mundo”,
determinação, sendo que
com muita paciência e
isto não se torna possível nos primeiros contatos.
Através da atividade física estes contatos podem se tornar mais acessíveis
facilitando a intervenção educador/aluno, já que esta é um fator importante para a
possível
diminuição
da
hiperatividade,
agressividade
e
movimentos
estereotipados.
1.2 OBJETIVO
Pretendeu-se mostrar através da literatura o papel fundamental da
Educação Física para pessoas autistas, sendo a atividade física um dos fatores
mais importantes para acalmar a natureza destas pessoas
e torná-las mais
sociáveis e independentes. Procurou-se evidências de que através dos jogos e
brincadeiras o autista passa a fazer parte de um grupo e não vive isolado do
mundo.
1.3 JUSTIFICATIVA
Para o profissional de Educação Física conhecer, diferenciar, trabalhar e
entender uma criança autista é de suma importância no tratamento e na evolução
do prognóstico. Verifica-se a melhora em relação a família, sendo esta alvo de
muitas críticas e incompreensões. A diminuição do transtorno comportamental,
torna essas pessoas um pouco mais sociáveis e com uma independência, mesmo
que mínima, mas significativa.
Além desses conhecimentos das características do autista, é importante
que seus familiares saibam que existem ações que possibilitam a melhora de seu
comportamento.
A literatura, embora escassa, apresenta essas ações através das atividades
físicas, o que justificou plenamente o presente trabalho.
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. DEFINIÇÃO DE AUTISMO
Em 1943 um psiquiatra infantil americano, Leo Kanner, descreveu pela
primeira vez o problema com o nome de Early Infantile Autiem (Autismo infantil
precoce). A palavra autismo vem da raiz grega “ autos” que quer dizer si mesmo.
Kanner utilizou este nome porque as crianças “autistas” passam por um estágio
em que são bastante voltadas para dentro de si mesmas e não demostram muito
interesse em outras pessoas (GAUDERER, 1993).
Nos anos que se seguiram muito foi estudado sobre o autismo e hoje as
definições são abrangentes e calcadas em estudos de especialistas, sendo uma
das definições mais utilizadas a da National Society to Autistic Children. Eis a
seguir, uma definição resumida desta entidade.
“O autismo é uma inadequacidade no desenvolvimento que se
manifesta de maneira grave durante toda a vida. É incapacitante e aparece
tipicamente nos três primeiros anos de vida. Acomete cerca de cinco entre
cada dez mil nascidos e é quatro vezes mais comum em meninos que
meninas. É encontrada em todo mundo e em famílias de qualquer
configuração social, racial, étnica.
Os sintomas são causados por disfunções físicas do cérebro,
verificadas pela anamnese ou presentes no exame ou entrevista com o
indivíduo. Incluem:
1. Distúrbios no ritmo de aparecimentos de habilidades físicas,
sociais e lingüística;
2. Reações anormais a sensações. As funções ou áreas mais
afetadas são: visão, audição, tato, dor, equilíbrio, olfato, gustação
e maneira de manter o corpo.
3. Fala
e
linguagem ausentes ou
atrasadas.
Certas áreas
específicas do pensar presentes ou não. Ritmo imaturo da fala,
restrita compreensão de idéias. Uso de palavras sem associação
com significado.
4. Relacionamento anormal com objetos, eventos, e pessoas.
Respostas não apropriadas a adultos ou crianças. Objetos e
brinquedos não usados da maneira devida.
O autismo ocorre isoladamente ou em associação com outros
distúrbios que afetam o funcionamento do cérebro, como infecções
viróticas, distúrbios metabólicos e epilepsia.
A pessoa portadora de autismo tem uma expectativa de vida normal.
Uma reavaliação periódica é necessária para que possam ocorrer ajustes
necessários quanto às suas necessidades, pois os sintomas mudam e
alguns podem até desaparecer com a idade”(RITVO, FREDMAN In:
GAUDERER, 1993).
Ainda a respeito do tema os autores descrevem que as formas mais graves
dessa
síndrome apresentam sintomas como os de autodestruição, gestos
repetitivos e, raramente, comportamento agressivo que muitas vezes é
acompanhado por mudanças de rotina, necessitando, freqüentemente, de
tratamento e técnicas de aprendizagem muito criativas e inovadoras .
Cabe salientar outras características, segundo GILBERG (1990), como,
respostas extremas a estímulos sensoriais, hipersensibilidade a luz, som, toque e
fascinação por certos estímulos auditivos e visuais, além de medo excessivo em
situações corriqueiras, ou perda do medo em situações de risco.
Para BARBANTI (2003) “o autismo é uma desordem psicológica
caracterizada pela absorção em uma atividade mental subjetiva voltada para si
mesmo, especialmente quando acompanhada por um profundo abandono da
realidade, com a criação mental de um mundo autônomo” (p.58).
Existem, também, outros países que se preocupam em diminuir o erro no
diagnóstico do autismo, como é
caso da Alemanha, que desenvolveu um
Catálogo de Características e Sintomas para o reconhecimento da Síndrome de
Autismo, feito no Instituto de Pesquisa sobre o autismo. Este catálogo é muito
extenso e, assim sendo, procurou-se fazer uma síntese das principais
características citadas a seguir:
“Problemas de Percepção.
Reações estranhas a sons / ruídos, fascinação por sons de baixa
tonalidade e música, reações de medo inexplicáveis.
Evita contato visual, olha de lado as pessoas, através do canto do
olho, fechando ou cobrindo os olhos.
Movimentos estereotipados de partes do corpo, como mãos, dedos ,
tendência à auto-agressão: bater com a cabeça em objetos duros, furar
olhos, ouvidos, morder-se, coçar-se muito etc.
Reações paradoxais a estímulos sensoriais tais como cobrir os olhos
quando ouve um ruído, tampar os ouvidos diante de estímulos luminosos.
Insensibilidade estímulos de dor, frio, calor, ou gosto desagradável.
Reações estranhas a contatos físicos como a recusa de abraços e
beijos.
Problemas de Linguagem.
Não fala e em vez disto, puxa, empurra ou conduz o parceiro de
comunicação para expressar seu desejo, como também há ausência de
compreensão da fala.
Retardo no desenvolvimento da fala. Regressão da capacidade de
fala adquirida até o emudecimento perda da fala).
Uso de expressão com uma ou até duas palavras, em vez de
elaborar frases e quando as
elabora , normalmente são
incorretas
gramaticalmente.
Troca de palavras com o mesmo som /significado.
Dificuldade de compreender informações /significados através de
gestos, mímicas, acentuações.
Problemas da Motricidade, da Orientação Espacial e Funções
Autônomas.
Inicialmente há baixo nível de agitação, apatia, comportamento geral
extremamente tranqüilo e posteriormente, agitação acentuada, inquietação
e hipercinesia.
Pular, andar de lá pra cá, mexer os braços, andar sem flexão dos
joelhos, girar em torno de si mesmo.
Sono irregular e normalmente perturbado, aparentemente pouca
necessidade de sono, insônia, sono leve.
Problemas de comportamento e outros.
Tentativas de contato anormais, ou seja, recusa de contato físico.
Sempre os mesmos rituais de rotina, na interrupção apresenta
agressões, choros, confusão.
Ausência de noção de real perigo, por outro lado possibilidade da
existência de mesmo de objetos e situações inofensivas.
Tendência em prestar atenção em aspectos não importantes, triviais,
desconhecendo o sentido da situação como prestar atenção num brinco e
não na pessoa, numa roda e não no veículo num interruptor e não no
aparelho todo.
Risos aparentemente sem razão” ( KEHRER In: GAUDERER 1993,
p.143).
Segundo KEHRER é muito possível que o Autismo seja subdivido em uma
série de síndromes, já que não existe nenhuma doença no cérebro que seja
encontrada em todos os casos de autismo.
Entre as síndromes que existem e que podem desenvolver características
autistas destacam-se:
Sindrome de Willians.
Síndrome de Cornélia de Lange.
Sindrome de Angelman.
Sindrome de Rett ( ligada ao X).
Sindrome do X Frágil.
2.2 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Surdez
Segundo LEBOYER (1987) a ausência de respostas aos sons, observados
nos autistas, sugere freqüentemente o diagnostico de surdez. Todavia o autista
responde a sons fracos ou a música quando cooperativos. Já as pessoas que
apresentam surdez congênita, tendem a desenvolver comportamentos autísticos
como o isolamento, as estereotipais e a resistência à mudanças, mas estas por
sua vez aprendem a se comunicar quando
lhes é ensinada, perdendo as
manifestações autísticas.
A presença de defeitos na comunicação não verbal diferencia crianças
autistas das surdas ou das que têm afasia do desenvolvimento. Estes defeitos
ocorrem em todas as formas de comunicação não verbal (gestos, expressão
facial, postura), características das crianças autistas, apesar de sua habilidade
verbal. Tanto a compreensão quanto a expressão são deficientes e, ao contrário
das crianças surdas ou afásicas, elas não tentam compensar por gestos ou
expressão facial o que não conseguem comunicar verbalmente (GAUDERER
1993).
Cegueira
A cegueira congênita é associada a movimentos dos braços e mãos
semelhantes aos dos autistas, mas esses movimentos estão ligados as respostas
às estimulações do ambiente (LEBOYER,1987). As crianças cegas estabelecem
relações sociais normais quando nenhuma patologia do SNC é associada à sua
cegueira.
Retardo Mental
Segundo a definição da American Association of Mental Deficiency, uma
criança para ser classificada como Deficiente Mental deverá apresentar as
seguintes características:
“ Inteligência global significantemente abaixo da média (medidas por testes
padronizados);
Existência concomitante de déficits de comportamentos adaptativos;
Manifestação durante o período de desenvolvimento”( GAUDERER, 1993
p.136).
Dois terços das crianças autistas mostram algum grau de comprometimento
do funcionamento intelectual global. Quase todo autista tem retardo mental, mas
nem todo deficiente mental tem autismo. As crianças com retardo mental,
comparadas com autistas, têm um atraso motor maior e grau variável de aquisição
de habilidade e comprometimento menor das capacidades cognitivas (TANGUAY
In: GAUDERER, 1993).
Esquizofrenia
O autismo se diferencia da esquizofrenia por vários fatores, entre eles a
instalação do quadro levando-se em conta a idade. No autismo o início é
freqüentemente antes dos 30 meses de idade e na esquizofrenia ocorre
posteriormente ou na adolescência, sem apresentar retardo mental, mas sim um
grau de comunicação verbal maior e procurando comunicar-se claramente,
diferente do que ocorre com autismo (ORNITZ In: GAUDERE, 1993).
Segundo RUTTER In: GAUDERER, 1993 há relatos de crianças que
apresentaram um sério distúrbio do desenvolvimento desde o início da infância
(em alguns casos antes dos trinta meses), que indicam um início incomumente
precoce de esquizofrenia, diferenciando-se do autismo nos seguintes aspectos:

Relações sociais relativamente satisfatórias com uso normal do contato olho-aolho.

Presença de distúrbio de pensamento.

Algumas vezes, a presença de delírios e alucinações (apesar de extremamente
difícil determiná-lo em crianças).

Hipotonicidade significativa

Freqüente história de esquizofrenia na família.
2.3 PLANEJAMENTO TERAPÊUTICO
Segundo GAUDERER (1993), todo tratamento nesta área deve ter quatro
metas principais:
1. A estimulação de um desenvolvimento normal.
2. A redução de rigidez e da esteriotipia que caracterizam o funcionamento da
criança autista.
3. A eliminação de comportamentos mal adaptativos não específicos.
4. A diminuição do sofrimento familiar.
A primeira meta é bastante óbvia e para alcançá-la deve-se conhecer bem
o desenvolvimento normal de uma criança. A criança normal aprende com
experiências corriqueiras, desenvolvendo e estimulando o cognitivo, enquanto as
crianças lesadas não têm estas experiências diárias e quando deixadas sozinhas
tendem a estabelecer atividades solitárias, esteriotipadas e repetitivas. Segundo
RUTTER In: GAUDERER (1993), é necessário estruturar e objetivar o ensino para
que um aprendizado razoável seja obtido. As comunicações devem ser mantidas
de forma simples, direta e de preferência, concreta.
A segunda meta do tratamento consiste na redução da rigidez, repetição de
esteriótipos, através de muita rotina,
ambientes muito bem estruturados e
atividade motora.
A terceira meta do tratamento consiste em tentar eliminar comportamentos
mal adaptativos, tais como medo, acessos de raiva e violência, autodestrutividade
etc. Métodos comportamentais, baseados na análise funcional de comportamento,
têm-se mostrado muito eficientes como a modificação de comportamento.
Independente da técnica utilizada é muito importante dividir comportamentos
complexos em unidades menores tornando-se, assim, mais fáceis de serem
analisados e trabalhados (RUTTER, In: GAUDERER, 1993).
A quarta meta é o alívio do nível de tensão e sofrimento familiar. A família
tem dificuldade de lidar com situações anormais causadas pelo autista e também
não sabe quais as providências tomar. A demanda emocional é muito estafante e
todos necessitam de fibra e paciência para conseguir supervisionar, estruturar e
controlar o meio ambiente. De acordo com o autor, a abordagem terapêutica deve
lhes proporcionar a oportunidade de falar sobre essas preocupações, ansiedades
e sensações de culpa consciente ou inconsciente.
2.4. EDUCAÇÃO E TREINAMENTO
As crianças autistas quando são retardadas mentais leves conseguem
aprender habilidades práticas e alguns aspectos do trabalho escolar, mas a
compreensão do significado das coisas limitará um pouco o progresso.
Para as crianças gravemente retardadas, observa-se um menor progresso.
Segundo WING In: GAUDERER, (1993), algumas dessas crianças podem ter uma
ou duas áreas de maior habilidade, mas existirão muitas para os quais o único
objetivo possível é ensinar-lhes atividades básicas da vida diária e isso pode ser
alcançado ensinando um passo de cada vez e com constante repetição .
Todos os autistas necessitam de rotina, porém para o grupo mais deficiente
isso passa a ser uma necessidade fundamental.
O programa deve incluir uma variedade de atividades simples que não
necessitam de compreensão de linguagem, nem imaginação, incluindo brinquedos
apropriados de montar, tanque de areia e água, balanço, gangorra, passeios e pic
nic,
como
atividades
externas,
sempre
com
supervisores
experientes
(GAUDERER,1993).
2.5.MÉTODOS DE EDUCAÇÃO
O primeiro passo é ajudar as crianças a se comportarem mais
apropriadamente. É impossível ensinar uma criança inquieta, destrutiva e que grita
o tempo todo. Ela precisa ficar quieta pelo menos por um período de tempo para
poder aprender qualquer coisa. A única forma de conseguir isso é através de um
enfoque firme e consciente. É importante que a criança perceba que gritar, dar
pontapés, bater ou destruir objetos não produz uma recompensa e que
comportamentos apropriados têm conseqüências agradáveis (WING, 1990 In:
GAUDERER, 1993).
Esta fase pode ser muito cansativa para pais e professores, mas com
paciência, determinação e firmeza produzem resultados positivos.
O próximo passo é ensinar tarefas simples como abotoar, comer com o
garfo e faca, que podem ser ensinados através da ajuda física (ajudar a criança
fisicamente), fazendo-se com os membros e dedos da criança os movimentos
desejados. Inicialmente seus dedos parecem bastantes moles, mas com o tempo
pega o ritmo e começa a mexer as mãos da forma certa, sendo que necessitará
do professor até que consiga executar a tarefa sozinha (WING In: GAUDERER,
1993). Esse procedimento também é muito eficaz para ensinar comportamentos
que exigem um controle motor como se vestir, comer, dar laço no sapato , jogar
uma bola etc.
2.6. MODIFICAÇÃO DE COMPORTAMENTO
“Modificação de comportamento é um programa para enfraquecer,
diminuir ou eliminar uma resposta pela mudança ou alteração dos eventos
precedentes ou ambientais antes da reposta, ou das conseqüências
imediatamente após a resposta. Também chamado de administração de
comportamento” (BARBANTI 2003, p.404).
Segundo WINNICH (2004), a modificação de comportamento é um
processo sistemático em que o ambiente é organizado de modo a facilitar a
aquisição de habilidades ou a modelar o comportamento social. É a aplicação da
teoria da aprendizagem por reforço e envolve procedimentos como:

Condicionamento respondente: controle automático do comportamento por
meio de estímulos antecedentes.

Condicionamento Operante: controle de comportamento pela regulação das
conseqüências que seguem a um comportamento.

Controle de Contingência: relação entre um comportamento e os eventos
subseqüentes a ele.
Todos estes procedimentos têm algo em comum, ou seja, a organização
sistemática e planejada das conseqüências, com o objetivo de alterar a resposta
de um indivíduo, ou pelo menos a freqüência dessa reposta. Essa organização
sistemática é influenciada por dois fatores:
1) Estímulo é um evento mensurável que pode ter influência sobre o
comportamento.
2) Reforço é um evento de estímulo que aumenta ou mantém a freqüência de uma
resposta.
“Na educação física pode-se entender como reforço um feedback
oferecido de forma direta ou indireta pelo técnico ou professor. Os
reforçadores podem ser físicos, verbais, visuais, comestíveis ou ativos.”
(WINNICH 2004, p.107).
Por outro lado verifica-se também a influência de reforços na aprendizagem
caracterizados como reforço positivo, que é um dos princípios básicos do
condicionamento operante e reforço negativo sendo a presença de estímulos
aversivos ou maus, pode caracterizar punição que enfraquecendo ou eliminando
um comportamento.
Ao contrário da punição, a suspensão de reforço negativo ou positivo, após
uma resposta que antes havia sido reforçada, causa a extinção ou cessação de
um comportamento.
Tipos de Reforçadores
Vários tipos de reforçadores podem ser empregados no controle de
comportamento entre os quais se destacam:
Reforçadores
primários
ou
não
condicionados:
são
estímulos
de
sobrevivência, como água, comida e outros como sono , aquecimento e estímulo
sexual.
Reforçadores secundários ou condicionados: adquirem propriedades de
reforço por meio da aprendizagem. Como elogios, notas, dinheiro, participação em
uma tarefa.
Reforçadores Vicariantes: consiste na observação das conseqüências de
reforço ou da punição sobre o comportamento de outra pessoa.
2.6.1. USO DA MODIFICAÇÃO DE COMPORTAMENTO EM EDUCAÇÃO
FÍSICA E ESPORTES ADAPTADOS
DUNN e FREDERICKS In: WINNICH (2004) sugerem existir evidências que
apoiam o uso da modificação de comportamento em programas segregados e
inclusivos para alunos com necessidades especiais, além de fornecerem regras
práticas para utilização de técnica no ensino de habilidades ou na modificação de
comportamento social envolvendo uso de reforçadores que ocorrem naturalmente,
como um elogio social e a extinção ( ato de ignorar um comportamento),
reforçadores tangíveis como alimentos brinquedos ou atividades desejadas.
“Para os programas de aquisição de habilidades as fases e os passos da
análise de tarefas são determinados individualmente e os alunos progridem
dentro da seqüência num ritmo condizente com as suas capacidades”
(DUNN e FREDERICKS In: WINNICH p.114, 2004)
Observam-se
várias
vantagens
no
emprego
da
modificação
do
comportamento, já que tal procedimento considera apenas os comportamentos
precisamente definidos e visíveis; Pressupõe que o conhecimento da causa de um
determinado comportamento não é pré-requisito para altera-lo; Incentiva uma
análise completa das condições ambientais dos fatores que podem influenciar o(s)
comportamento(s) em questão; Facilita a independência funcional mediante a
utilização de um sistema com menos sugestões; Requer medição precisa para
demonstrar a relação de causa e efeito entre a intervenção comportamental e o
comportamento que é modificado.
Todavia há também desvantagens no emprego da modificação de
comportamento, pois as técnicas comportamentais podem falhar, porque um
determinado estímulo pode ser considerado controlador, quando, na verdade, não
o é além do que podem não funcionar no começo, exigindo que o professor faça
uma análise mais completa para verificar se algumas técnicas adicionais seriam
úteis.
2.7. REORGANIZAÇÃO NEUROLÓGICA
A reorganização neurológica é um método desenvolvido por Temple Fay e
seus seguidores, Glem Domam, Carl Delacato, Raimundo Véras e outros,
baseado nos ensinamentos de Rudolf Stainer.
Rudolf Stainer foi um filósofo e pedagogo alemão austríaco ( 1861-1925).
Ao longo de sua vida dedicou-se a uma atividade intensa como conferencista
sempre expondo suas pesquisas científicas com conotação espiritual, de início no
âmbito da sociedade Teosófica e mais tarde da Sociedade Antroposófica, por ele
fundada.
Para
Stainer
(1994),
uma
das
conexões
mais
importantes
para
conhecimento e aplicação na educação é, por extensão, também num processo
terapêutico, o que se refere as relações entre andar , falar e pensar. Afirma que
estas três atividades define o ser humano como tal. “O homem é o ser que anda
ereto, usa linguagem codificada e elabora idéias, isto é o ser que pensa” (p.16).
A organização neurológica é um processo dinâmico e complexo, mas
natural, que leva a uma maturação do Sistema Nervoso Central (SNC), o próprio
desenvolvimento ontogenético (rolar, rastejar, engatinhar), que é de fundamental
importância na definição do esquema corporal e lateralidade.
De acordo com PADOVAN (1994), quando o processo de Organização
Neurológica apresenta alguma falta ou falha em seu desenvolvimento, pode-se,
através da reorganização neurológica, impor os movimentos de cada fase,
iniciando-se com a recapitulação dos exercícios específicos do processo ANDAR,
desde os mais primitivos até o indivíduo alcançar a postura ereta, com certa
dominância de espaço e ritmo.
Com a maturação do andar, a segunda etapa é a do FALAR, que também é
trabalhado com exercícios para reeducação das funções reflexo-vegetativas orais
(respiração, sucção, mastigação e deglutição).
Concluindo o ciclo, é trabalhado o PENSAR, que é conseqüência do falar,
abrangendo também áreas específicas da percepção auditiva e visual (atenção,
memória, análise-síntese), processos do desenvolvimento da fala, linguagem
espontânea (fluência) e da leitura escrita .
Para PADOVAN (1994) a Reorganização Neurológica trabalha o corpo e
devemos trabalhá-lo porque ele, por assim dizer, é precursor da linguagem, da
aprendizagem da leitura e da escrita. A linguagem gestual e a mímica vêm muito
antes da fala articulada.
Consta-se que o desenvolvimento sensório motor, que é o alicerce da
aprendizagem da habilidade motora, é adquirido a partir da experiência com o
meio. E estas áreas se envolvem conjuntamente e dependem uma das outras. A
fala reforça o movimento e vice-versa. O indivíduo utiliza o movimento para
trabalhar a percepção, as atividades perceptivas e os movimentos para
desenvolver a linguagem.
EXERCÍCIOS DO MÉTODO
O método de Reorganização Neurológica preconiza uma rotina de
atividades diárias entre as quais destacam-se as seguintes:
Padronização Homolateral: feita em decúbito ventral, com o rosto voltado
para o mesmo lado em que um dos membros inferiores e superiores estão
flexionados. Os membros do outro lado ficam em extensão para baixo ao longo do
corpo. Troca-se de lado, alternadamente.
Padronização Cruzada.: também em decúbito ventral. A cabeça continua
voltada para o lado do braço que está flexionado, O outro membro superior fica
com a mão sobre as costa e é a perna deste lado que vai ser flexionada, enquanto
a outra sempre em extensão. Assim braço e perna flexionados se opõem. Trocase o lado alternadamente.
Rolar: Com os braços e pernas estendidos sobre o eixo do tronco
Rastejar Homolateral: Na mesma posição usada na padronização
homolateral. O indivíduo impulsiona o corpo com o halux do membro inferior
flexionado e, com a mão do mesmo lado aderida ao solo, puxa o corpo todo para
frente, sempre alternando os lados.
Rastejar Cruzado: Com o corpo um pouco mais elevado, o indivíduo
procura
rastejar sozinho. Caso não consiga fazê-lo de forma coordenada
(movimento cruzado), a melhoria nos exercícios de padronização cruzada o levará
a execução por si próprio.
Engatinhar: de forma natural.
Exercício do macaco: Engatinhar com as pernas em extensão. Trabalha-se
muito com a força do braço neste exercício.
Ficar de cócoras e levantar: Deve ser feito com a planta dos pés apoiada no
chão. Nota-se que há uma fase na evolução das crianças, na qual ficam muito
tempo de cócoras, brincando.
Marcha Cruzada: De pé, a marcha deve ser feita com movimentos
acentuados para se estimular bem os proprioceptores. Uma das mãos toca as
costas enquanto a outra bate no terço distal da coxa oposta, que deve ser
elevada. Esse exercício é recomendado para crianças maiores de três anos.
Porém deve ser contra indicado para indivíduos que, mesmo em idade superior a
três anos , ainda não tenha alcançado esta idade neurológica.
Pular Corda: È um exercício muito importante para a aquisição e melhoria
da orientação têmporo-espacial.
Há ainda outros exercícios, tais como, pular em um só pé, saltitar, marchar
saltitante com ritmo, etc. Pode-se incluir algumas brincadeiras infantis, pois fazem
parte do desenvolvimento natural da criança.
Os exercícios acima devem ser feitos na mesma ordem em que foram
apresentados. Pode-se notar que nessas atividades o indivíduo passa da posição
horizontal para a postura vertical, tal como ocorre no desenvolvimento normal
(PADOVAN, 1994).
Os resultados em geral, para qualquer idade, apresentam uma melhora na
capacidade global das funções do indivíduo, inclusive na fala, linguagem e escrita
coerente com seu sistema nervoso sensitivo e motor.
Ao citar a Reorganização Neurológica, não se pode esquecer do papel
fundamental exercidos pelos pais. São eles que passam a maior parte do dia, da
semana, da vida com seus filhos e, assim sendo, devem motivar e conduzir seus
filhos a prática constante dos exercícios trabalhando com eles estimulando-os
muitas vezes ao dia e pôr vários minutos.
“Somente esses pais são capazes de reabilitar seu filho, de dedicar horas e
horas, sem cobrá-los para vê-los bem” (DOMAN, 1989 p.246.).
2.8. TERAPIA DA VIDA DIÁRIA
A terapia da vida diária é um método desenvolvido por Dr. Kiyo Kitharara
em 1967 no Japão, para atender pessoas autistas. Seus resultados considerados
ótimos levaram a fundação de uma escola denominada Higashi em Boston em
1987.
De acordo com o Escola Higashi, este método estabelece três focos de
atuação a saber:
1. Estabelecer estabilidade de emoções conquistada através da busca da
vida independente. Os autistas aprendem seu endereço, comem bem, e
usam o toilet independentemente.
2. A prática de exercício físico intenso para estabelecer um ritmo de vida.
O exercício físico proporciona benefícios, tais como liberação de
endorfina, que ajuda a inibir a ansiedade. Os autistas aprendem a
controlar seu próprio corpo e como conseqüência controlam também
seu comportamento. Através de jogos e atividade física desenvolvem
auto controle e aprendem a cooperar e coordenar exercícios com outros
colegas. Educação física é vista como uma ponte do desenvolvimento
social incluindo corridas três vezes por dia por 20 minutos, ginastica
uma hora por dia e atividades esportivas diárias como futebol e
basquetebol.
3. O terceiro foco é estimular o intelecto através da arte e música,
permitindo que possam desenvolver a criatividade e expressar suas
habilidades artísticas.
Segundo ROCHA (1993) o sistema destina-se a acalmar e organizar o
cérebro, de forma que a pessoa possa aprender as atividades básicas da vida e
se tornar independente, tanto física como emocionalmente, tendo no exercício
físico uma de suas principais características, baseado na idéia que a atividade
física liberta a enorme ansiedade sentida pelos autistas.
Em um estudo feito por LEVISIN e REID (1993) em pessoas com autismo,
por nove semanas, verificou-se que os exercícios mais intensos diminuem os
comportamentos estereotipados e a hiperatividade, do que exercícios com menor
intensidade, e a melhor indicação é fazer atividade física mais que uma vez ao dia,
aumentando a intensidade gradativamente.
A essência do método determina que o dia de trabalho na escola é
estruturado com períodos de sala de aula para aprender a “ficar quieto” com
intervalos de atividade física que ajuda a criar um sentido de ordem e
companheirismo, principalmente em atividades feitas em grupo.(ROCHA In:
GAUDERER 1993).
Um dos problemas do autista é a hiperatividade e como conseqüência disso
não dorme a noite, perambulando insone, normalmente destruindo coisas e/ou se
automutilando. Quando submetido a uma atividade física intensa este fato é difícil
de ocorrer na escola. “As horas de atividade física queimam toda a energia que
podia ser aplicada em destruição, tranqüilizando-os. A noite estão exaustos e só
querem dormir” afirma o Dr Kitharara.
O regime de internato é um dos métodos utilizados na terapia da Vida
Diária.Não se admitindo que os pais visitem os filhos nos primeiros três meses.
Depois disto à visita é feita com agendamento uma vez por semana.
A filosofia do método é poupar a mãe, visto que programas que a evolvem
numa rotina de 24 horas, podem destruir a vida familiar. A adoção desse método
para autistas contrabalança os conceitos modernos de educação que foram muito
desconfigurados pela permissividade e tolerância, que deseducam e reforçam
estereotipias, prejudicando o seu desenvolvimento (ROCHA, 1993).
“Passamos a entender que a terapia, na verdadeira acepção da
palavra, deveria ser um processo contínuo e integral, portanto,
educacional, de forma que o indivíduo receba estímulos em todos os
momentos do seu dia. Assim toda a sua atividade tanto na vida diária
como na vida social e cultural, seria parte integrante” (LORENZINI
2003,p. XIV).
2.9. ATIVIDADE FÍSICA
De modo geral, os alunos com autismo mostram pouca habilidade motora.
Segundo WINNICK (2004), os programas motores devem enfatizar habilidade e
padrões motores fundamentais, jogos e esportes individuais e atividades de
desenvolvimento que aumentem a proficiência física.
Foi provado que os programas de exercícios exercem uma influência
positiva sobre os comportamentos disruptivos, (LEVISIN e REID In: WINNICK
2004).
O tipo de programação está diretamente relacionada com o grau de
agressividade demonstrado pelos alunos durante a atividade. Algumas das
variações específicas que parecem controlar a agressividade são:

Diminuição do contato corpora;

Simplificação das regras;

Menor exigência de habilidades.
Para os alunos com distúrbios severos de comportamento, os professores
devem considerar a hipótese de modificar o ensino de modo a incluir a
organização do espaço. De acordo com WINNICH (2004), inclusive a colocação
dos equipamentos para ajudar na funcionalidade independente e evitar a
distração, facilitar o acesso aos equipamentos e identifica-los claramente, designar
áreas de trabalhos com limites bem definidos e oferecer roteiros individuais.
Ao ensinar um aluno com autismo, descartando o nível de comportamento
que apresenta, a superseletividade de estímulos é uma característica muito
importante. Seletividade significa que durante a aquisição da habilidade, o
indivíduo da atenção a aspectos vagos de comandos relevantes ou se fixa
completamente em comandos irrelevantes.
A partir daí este fato tem implicações no modo dos professores e técnicos
de oferecer estímulos sensoriais, sugerir uma ação, esvanecer uma questão
quando esta não é mais necessária ou adequada (WINNICH 2004).
O modo de organizar a prática também é uma questão importante.
“A prática que emprega variação de tarefas também conhecida como
prática distribuída parece ser muito benéfica ao ensinar habilidades.”
(WEBER e THORPE In: WINNICH, 2004 p.177-178, 4).
Está pratica de várias tarefas intercaladas com períodos de repouso tem
duas importantes utilidades para os alunos com autismo:

Oferece a oportunidade de administrar reforço com maior freqüência;

E se adapta aso âmbitos curtos de atenção que é caracterizado nesses alunos.
A educação física tem seu papel importante uma vez que indivíduo consiga
interiorizar as ações como: ficar de pé, ficar sobre um pé só, andar, correr, pular
por cima de saltitar, rastejar , e ainda, nadar brincar de pega-pega, trepar em algo,
equilibrar objetos enfim, controlando-as de modo consciente, desenvolverá e
enriquecerá muito sua linguagem”. (BROW, In: GAUDERER, 1993 ). Todos estes
exercícios auxiliam no desenvolvimento da tonicidade muscular, controle do corpo
e imagem corporal, além de dar-lhes a noção de pertencer a um grupo.
2.10. ESTUDOS DE CASOS
2.10.1COMPORTAMENTO MOTOR DE UM AUTISTA, DURANTE TRÊS
ANOS.
Em um estudo feito por FRANÇA et al. o (2003), analisou-se o
comportamento motor de um autista atualmente com 13 anos, em três anos de
atividade motora adaptada.
Na coleta de dados utilizou-se:
1) Filmagem de 18 aulas no programa de atividade motora adaptada.
2) Registro cursivo (técnica para registrar sistematicamente as ocorrências
nas aulas, sendo descrito todos os acontecimentos durante a aula).
3) Sistema de categorias de comportamento motor (avaliando as
facilidades, dificuldades, auxílios necessários durante as atividades
desenvolvidas.).
Segundo FRANÇA et al (2003) foi possível observar que durante o período
analisado o sujeito executou todas as atividades, não sendo necessário adaptalas, apenas acompanha-lo e incentiva-lo, porém ao mesmo tempo o adolescente
apresentou algumas dificuldades na realização das atividades proposta pelos
acadêmicos as quais exigiam saltos, equilíbrio e movimentos rápidos.
O sujeito deixou de realizar algumas atividades, por motivos diversos, mas
não por algum tipo de dificuldade motora, sendo que as atividades que
envolveram bolas e balões despertaram o maior interesse do aluno, e as aulas
com participação de mais colegas foram nas que o alunos apresentou melhores
resultados.
O estudo teve como resultado a ausência dificuldade motora na realização
da atividade em si. Mas, em ações da vida diária como vestir o uniforme sozinho,
houve a necessidade do auxilio de uma outra pessoa. Também foi possível
observar o benefício da atividade física quanto às habilidades e destrezas
motoras, principalmente no saltar.
2.10.2 EFEITOS DE EXERCÍCIOS INTENSOS NO COMPORTAMENTO
ESTEREOTIPADO EM AUTISTAS
Um estudo feito por LEVINSON e REID (1993), analisou os efeitos dos
exercícios intensos no comportamento estereotipado de três autistas (2 meninos e
1 menina , todos com 11 anos)
Estes adolescentes estavam devidamente matriculados em um escola
especial para ensinar autistas em Montreal, Quebec e classificados como autistas
através do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ( Associação de
Psiquiatria Americana, 1987).
Para o presente estudo foi utilizado um campo (quadra) para realizar os
programas de atividade física leve (caminhadas) e atividade intensa (corridas) e
uma sala de aula para as observações dos seus comportamentos.
O estudo durou nove semanas e dividiu-se em 3 fases de análise.
A primeira fase foi uma observação que durou duas semanas. Com o
objetivo de analisar e ter uma base dos comportamentos dos autistas no ambiente
da sala de aula. A segunda parte do estudo consistiu na administração de dois
programas de exercícios físico (exercícios leves e intensos), tendo a duração de
cinco semanas. A terceira fase foi outro período de observação igual ao da
primeira fase, analisando as mudanças ocorridas, tendo duas semanas de
duração.
Com o término das nove semanas, verificou-se que houve um decréscimo
nos comportamentos estereotipados logo após os exercícios intensos, em todos
os sujeitos analisados, perdurando até três horas do término. Notou-se ainda que
exercícios leves não influenciaram na mudança de comportamento estereotipado.
3.CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao
analisar
minuciosamente
as
características
de
um
autista,
compreendeu-se que é de suma importância um tratamento diferenciado, tendo
como base a disciplina, rotina, paciência e, em especial, a atividade física, um dos
fatores mais importantes para acalmar a natureza dessas pessoas e integra-lás à
sociedade, utilizada, em alguns programas de tratamento
Como se observou no trabalho, existem divergências em alguns programas
de tratamento no que diz respeito a filosofia do método. Existem correntes que
pregam ser a família a principal responsável pela melhora dos seus filhos e outras
tendo a família como influenciadora negativa defendendo o afastamento do
contato, praticamente total, dos pais
Poderia obter-se melhor resultado se essas duas vertentes se unissem,
mesclando seus programas, incluindo a prática da atividade física, onde os pais
seriam bem vindos e participassem das programações, não sendo os principais e
únicos responsáveis pela melhora ou não do comportamento de seus filhos.
Concluiu-se, portanto, que a atividade física beneficia a integração dos
autistas com sua família, diminuindo a distância da falta de comunicação que
existe ente os “técnicos”, professores e os pais.
4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Manole, 2003.
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GAUDERER, E.C. Autismo. 3ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1993. p.139-163.
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educação física
Esportes
e esporte adaptado In: WINNICK, J.P. Educação Física e
Adaptados.
tradução
Fernando
Augusto
Lopes
São
Paulo:
Manole,2004.p.114.
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autista durante três anos de atividade motora adaptada. Revista da Sobama, São
Paulo, v.8, n.1, p.13, dez.2003.
GAUDERER, E.C. Autismo. 3ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1993.GAUDERER, E.C.
Autismo e outros atrasos de desenvolvimento: uma atualização para os que
atuam na área: do especialista aos pais, Brasília: Corde, 1993.
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LEBOYER, M. Autismo Infantil.  tradução Rosana Guimarães Dalgalarrondo
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LEVINSON,L.; REIR, G. The effects of exercise intensity on stereotypic behaviors
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1993
LORENZINI, M.V. Brincando a brincadeira com a criança deficiente: novos
rumos terapêuticos, São Paulo: Manole, 2002.
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Autismo. 3ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1993. p. 61-62.
PADOVAN,B. Reorganização Neurológica. Temas sobre desenvolvimento. São
Paulo. Ano 3,n.17, p. 13-21, mar/abr.1994.
RITVO, E.; FREDMAN, B. National Society for Autistic Children’s: Definition of
syndrome of autism. In: GAUDERER, E.C. Autismo. 3ed. Rio de Janeiro:
Atheneu,1993. p.3-4.
ROCHA,P, P. A terapia da vida diária In: GAUDERER, E.C. Autismo e outros
atrasos de desenvolvimento: uma atualização para os que atuam na área: do
especialista aos pais, Brasília: Corde,1993 p.240-242.
RUTTHER, M Autismo: etiologia, terapia e a família In: GAUDERER, E.C.
Autismo. 3ed. Rio de Janeiro: Atheneu,1993 p.69-76.
STEINER, R. Andar, Falar, Pensar: atividade lúdica tradução Jacira Cardoso
4ed. São Paulo: Antroposófica, 1994.
TANGUAY Proposta para uma nova classificação de psicopatologia grave em
crianças. In: GAUDERER, E.C. Autismo. 3ed. Rio de Janeiro: Atheneu,1993. p.
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WING, L. Crianças à parte: o autista e sua família. In: GAUDERER, E.C. Autismo.
3ed. Rio de Janeiro: Atheneu,1993.p.109-138.
WINNICK, J.P. Educação Física e Esportes Adaptados. tradução Fernando
Augusto Lopes São Paulo: Manole,2004.
WEBER, R,C.; THORPE, J. Distúrbios severos de comportamento: estratégia
específica de ensino In: WINNICK, J.P. Educação Física e Esportes Adaptados.
tradução Fernando Augusto Lopes São Paulo: Manole,2004.p.177-178.
5. APENDICE
5.1 Entrevista com Libera Stela, mãe de um autista hoje com 27 anos.
1. Quando criança seu filho apresentava alguma diferença em relação as
outras crianças o desenvolvimento motor e social ?
Apresentou baixo peso e baixa estatura no nascimento e com o passar do
tempo constatou-se um quadro de grande flacidez e quase nenhuma resposta
sensório–motora. Não segurava o pescoço, tinha pouca força de sucção, chorava
pouco e não se mexia no berço, com estes sintomas fomos encaminhados a uma
clínica de fisioterapia, onde começou a trabalhar
equilíbrio sendo que tal tratamento foi
tônus muscular, sução, e
gratificante pois começou a segurar o
pescoço, aprendeu a sentar e começou a engatinhar mas sem coordenação. Aos
2 anos começou a andar e sua consistência física era muito frágil, magro e osso
finos , pois alimentava-se muito pouco.
Com o passar dos anos começou a
apresentar grande dificuldade de comunicação, a fala era nula, só apontava e
usava nossas mãos como suas, por exemplo: apontava a torneira d’água quando
tinha sede e assim a comunicação era feita, ou seja, basicamente por mímica. A
cada dia aumentava sua hiperatividade, não ficando muito tempo em um lugar e
nem fazendo a mesma coisa, não se interessava por brinquedos convencionais,
os quais destruía rapidamente, e sim por objetos estranhos tais como, panelas,
escova de cabelo, pneus etc, nos quais esfregava fortemente a mão ou giravaos.
A comunicação com outras crianças era difícil, pois como não falava e era
arredio, não gostava de muito contato físico, sempre procurando se isolar. Este
quadro foi se agravando pois o comportamento foi ficando cada vez mais
estereotipado, com várias manias, como girar tudo que pegava, esfregar a mão e
como tinha dificuldade de expressão, desenvolveu-se a agressividade como
chutar as pessoas, arrancar brincos etc.
È necessário explicar que apesar de todo esse quadro, com quase 6
anos
de
idade,
e
sempre
acompanhado
fonoaudióloga, terapeuta ocupacional,
por
neurologista,
por nenhum momento
psicólogo,
indicou sua
condição Autista, diagnóstico que compreendi mais tarde.
2. Quais foram os tratamentos feitos. ?
Consultas
com
psicólogo,
fonoaudióloga,
neurologista,
terapeuta
ocupacional, foi matriculado em escola para crianças especiais, freqüentou clinica
de fisioterapia onde aplicavam o método bobat, mas quando estava com 9 anos e
a agressividade, a falta de comunicação, a dificuldade de convivência familiar e
social estavam muito graves, conhecemos a Reorganização Neurológica aplicada
em uma escola de semi- internato juntamente com um método de disciplina onde
havia uma rotina diária. Daí foram introduzidos uma série de exercícios diários
como rastejar, engatinhar, saltar, correr, rolar, estímulos tácteis , visuais,
sensoriais, além de uma disciplina rígida.
3. As conseqüências da atividade física foram percebidas logo no começo?
Quais foram as atitudes que marcaram depois da intervenção de um programa de
atividade física?
Os resultados começaram a aparecer dentro de seis meses tais como:

Melhora da ansiedade,

Começou a prestar mais atenção as coisas ao seu redor,

Dormiu melhor,

Desenvolveu a fala, inicialmente algumas palavras curtas e com significado
como chamar os irmãos pelos nomes.
4. A relação familiar ajudou, inibiu ou atrasou o desenvolvimento global de
seu filho?
Acredito que a relação familiar é sempre inibidora do desenvolvimento em
qualquer deficiência, pois é da própria relação humana termos muitos
preconceitos que na maioria das vezes começa mesmo em casa. A família
superprotege não acreditando na capacidade de realização de seus filhos,
procurando fazer coisas que ele, com certeza, saberia realizar sozinho, inibindo
assim seu crescimento e muitas vezes sua auto-estima;
Porém, essa situação prevalece até hoje em relação a todas as
deficiências, porque ainda falta uma orientação familiar por parte dos técnicos
médicos e profissionais da saúde.
5. Qual o aspecto mais difícil de se ter um filho autista?
Um dos aspectos mais difícil é o isolamento social que o autista relega a
família, pôr sua dificuldade de comunicação e agressividade. O convívio familiar e
social é muito prejudicado, assim a família fica desestruturada, pois os outros
irmãos muitas vezes são impedidos de conviver com amigos, parentes e acabam
isolando-se.
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