Baixe o Artigo aqui

Propaganda
48
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
IDENTIFICAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS AOS MEDICAMENTOS EM
PACIENTES HIPERTENSOS
IDENTIFICATION OF NEGATIVE RESULTS TO MEDICINES IN HYPERTENSIVES
PATIENTS
MACHADO, Vander Pereira1; COELHO, Fabiana Chagas2; GARBINATO, Lígia Regina2
Resumo
A partir da década de 50 iniciou em nosso país um significativo aumento na prevalência das doenças crônicas
não transmissíveis. A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) acomete 30% da população adulta brasileira, sendo
esta de causas multifatoriais, é caracterizada pela presença de valores superiores a 120 mmHg para pressão
sistólica e 80 mmHg para pressão diastólica num contexto sindrômico. Geralmente a HAS é tratada com a
associação de fármacos e este fato pode levar ao surgimento de Resultados Negativos aos Medicamentos (RNM)
e de Problema Relacionados aos Medicamentos (PRM). Este estudo tem como objetivo identificar possíveis
RNMs existentes na farmacoterapia utilizada pelos pacientes atendidos pela Unidade Básica de Saúde do Bairro
Maria de Lourdes em Nova Alvorada do Sul – MS. A coleta de dados foi realizada no domicilio dos pacientes,
por meio do acompanhamento do pesquisador as visitas dos Agentes Comunitários de Saúde. Foram encontrados
RNMs nos pacientes em estudo, sendo que os mais prevalentes foi o do tipo 4, seguido pelo do tipo 6, do tipo 1 e
do tipo 2 e os RNMs do tipo 3 e 5 não foram encontrados. Estes resultados demonstram a importância do
farmacêutico no Sistema Único de Saúde.
Palavras-chave: Hipertensão Arterial Sistêmica, Assistência Farmacêutica, Resultados Negativos aos
Medicamentos.
Abstract
From the decade of 50 started in our country a significant increase in the prevalence of chronic non
communicable diseases. The arterial high blood pressure affects 30% of the adult Brazilian population, this being
of multifactorial causes, it is characterized by the presence of values greater than 120 mmHg for systolic blood
pressure and 80 mmHg for diastolic blood pressure in a context syndromic. Usually the HAS is treated with the
drug association and this fact can lead to the appearance of Negative Results to Medicines and the Problems
Related to Medicines. This study expect to identify possible RNM's existing in the pharmacotherapy used by
patients attending the basic health unit of the district Maria de Lourdes in Nova Alvorada do Sul - MS. The
collection Data was done in the patients’ home, by means of monitoring the researcher in visits of community
health agents. RNMs were found in patients in the study, and was the most prevalent type 4, followed by the type
6, type 1 and type 2 and type 3 and RNMs 5 were not found. These results show the importance of the
pharmacist in the Unified Health System.
Keywords: Arterial High Blood Pressure, Pharmaceutical Assistance, Negative Results to Medicines
1
Discente do curso de Farmácia do Centro Universitário da Grande Dourados, Dourados / MS.
[email protected]
2
Docente do curso de Farmácia do Centro Universitário da Grande Dourados, Dourados / MS.
[email protected]
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
49
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
Introdução
O Brasil, a partir da década de 50,
começou
a
sofrer
uma
transição
epidemiológica, as principais causas de
morte
que
antes
eram
doenças
infectocontagiosas, doenças parasitárias e as
doenças relacionadas à falta de saneamento
básico começaram a dar espaço para as
doenças crônicas não transmissíveis, como
por exemplo, hipertensão arterial e diabetes
mellitus (CONVERSO; LEOCÁDIO, 2005).
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é
uma
entidade
clínica,
de
causas
multifatoriais, caracterizada pela presença
de valores superiores a 120 mmHg para
pressão sistólica e 80 mmHg para pressão
diastólica, num contexto sindrômico e
estima-se que atualmente acometa 30% da
população adulta do Brasil (ANDRADE,
2010).
A
importância
de
estudos
relacionados a esta patologia se relaciona ao
fato da mesma ser determinada como
precursora de complicações de diversos
tipos, entre as quais, incluem-se as doenças
cerebrovasculares, arterial coronariana e
vascular de extremidades, além de
insuficiência cardíaca e de insuficiência
renal crônica (CONVERSO; LEOCÁDIO,
2005). A emergência relacionada a este
tema vincula-se aos dados que demonstram
que nas últimas décadas as doenças
cardiovasculares estão elencadas como as
principais causas de morte no País,
chegando a proporcionar 27% dos óbitos,
elevando consideravelmente o custo médio
social
brasileiro,
sendo
também,
responsáveis por 40% das aposentadorias
precoces. Estudos apontam que a baixa
adesão ao tratamento e o diagnóstico tardio
levam ao aumento da gravidade do quadro,
sobrecarregando os serviços de saúde
pública (FARIA, 2008).
Na maioria dos casos a HAS é
tratada com a associação de fármacos, e este
fato pode levar ao surgimento de Resultados
Negativos Relacionados à Medicação
(RNM), estes são definidos como resultados
clínicos negativos, que surgem de um
tratamento farmacológico que por algumas
causas não alcançam o objetivo terapêutico
desejado ou pelo aparecimento de efeitos
indesejáveis (VICTÓRIO et al., 2008).
Ao praticar a Atenção Farmacêutica
(Atenfar), o profissional farmacêutico pode
detectar, prevenir e resolver os RNMs
evitando a instalação dos Problemas
Relacionados aos Medicamentos (PRM),
antes que estes levem a morbimortalidade
relacionada com o uso de medicamentos de
forma irracional (OLIVEIRA et al., 2010).
Diagnosticar os RNMs prevalentes
em uma população, também pode direcionar
ações de assistência farmacêutica e fornece
diretrizes para ações que visam prevenir a
ocorrência dos eventos adversos detectados
e do uso irracional praticado (VICTÓRIO et
al., 2008).
Na Estratégia da Saúde da Família
(ESF), o farmacêutico assegura que os
medicamentos estejam disponíveis aos
pacientes, enfatizando os grupos de risco,
bem como, garante o uso racional de
medicamentos. Com esta atuação ele
complementa os outros serviços de atenção
à saúde, contribuindo de maneira eficaz e
efetiva para transformar o investimento com
medicamentos em incremento de saúde e
qualidade de vida (OLIVEIRA, 2010).
O objetivo deste trabalho foi
conhecer o tratamento medicamentoso
utilizado pelos pacientes hipertensos,
cadastrados no Programa HIPERDIA e
atendidos na rede básica de saúde do
município de Nova Alvorada do Sul – MS,
quanto à existência de RNMs.
Material e Métodos
Este trabalho tratou-se de um estudo
descritivo, de campo e transversal. Foi
aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisas
do Centro Universitário da Grande
Dourados – UNIGRAN e os participantes
assinaram o Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido (TCLE) alegando informação,
compreensão, capacidade e voluntariedade
em participar da pesquisa.
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
50
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
A pesquisa foi realizada na área
atendida pela Unidade Básica de Saúde
(UBS) Izabel Menezes Coelho na Cidade de
Nova Alvorada do Sul – MS e a população
em estudo são pacientes hipertensos,
cadastrados
no
Programa
Hiperdia,
incluindo um total de 400 pessoas, sendo
determinada por meio do cálculo de
amostragem, que considerou uma margem
de erro igual 0,05. Para a realização do
cálculo foi aplicada fórmula indicada por
Barbeta (2007), obtendo-se uma amostra de
202 participantes, selecionados de forma
aleatória, por meio do acompanhamento do
pesquisador nas visitas domiciliares dos
Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da
referida unidade. Foram incluídos na
pesquisa, pacientes hipertensos com mais de
18 anos, capazes de se comunicar e que
aceitaram fazer parte da pesquisa e
excluídos os pacientes indígenas, menores
de 18 anos e que estavam impossibilitados
de se comunicar.
A coleta dos dados iniciou-se com a
aferição da Pressão Arterial (PA) do
paciente, dando sequência, iniciou-se o
preenchimento do formulário proposto no
estudo.
Com os resultados foi realizada uma
análise uni-variada, por meio do Software
Estatístico
SPSS®
versão
12.0,
determinando-se as porcentagens relativas
às variáveis estudadas apresentadas no
formulário de coleta. Os RNMs depois de
identificados foram classificados para
calcular a porcentagem presente de cada um
dos mesmos na amostra estudada.
Resultados e Discussão
A Hipertensão Arterial Sistêmica
(HAS) é um dos mais importantes
problemas de saúde pública no Brasil e no
mundo, pois, tem alta taxa de prevalência e
baixa taxa de controle (ANDRADE, 2010).
Diagnosticar os RNMs prevalentes em uma
população, podem direcionar ações de
assistência farmacêutica, evitar a instalação
dos
Problemas
Relacionados
com
Medicamentos (PRM), diminuir a morbi-
mortalidade relacionada com o uso de
medicamentos, além de fornecer diretrizes
para ações que visam prevenir a ocorrência
dos
eventos
adversos
detectados
(VICTÓRIO et al., 2008; OLIVEIRA et al.,
2010; MENÉNDEZ-CONDE et al., 2011).
Neste estudo buscou-se inicialmente
determinar as características demográficas
da população em estudo, uma vez que as
mesmas podem ter influência sobre alguns
aspectos relacionados ao tratamento
farmacológico e por consequência causar
maior frequência de RNMs, além de elevar a
morbidade e a mortalidade por HAS
(LIBERMAN, 2007). Este fato se comprova
diante da análise realizada para a variável
idade, a grande maioria dos participantes da
pesquisa encontrava-se no grupo etário de
50 anos ou mais (Tabela 01), sendo que
32,7% destes possuíam idade superior a 60
anos, sabe-se que este grupo etário apresenta
um maior número de patologias associadas,
fato que aumenta a possibilidade de
diagnóstico incorreto e por consequência, a
ocorrência de RNMs. A média da idade dos
pacientes entrevistados foi de 56 anos
(desvio padrão de 11, 54), sendo que a idade
mínima foi de 32 anos e a máxima 87 anos.
Outros estudos também observaram
alta prevalência da doença em pacientes
com mais de 50 anos, a prevalência
verificada por Pereira et al. (2008) foi de
81,5 % e no estudo de Carlos et al. (2009)
esta prevalência foi de 89,36%. Diante
destes resultados, fica clara a necessidade de
uma maior atenção ao tratamento da
hipertensão
em
pacientes
idosos,
principalmente nos idosos atendidos pelo
Sistema Único de Saúde (SUS).
Este estudo confirmou dados
observados em outras pesquisas ao
determinar uma maior prevalência de
hipertensão associada ao sexo feminino, no
estudo de Jesus et al. (2008) a prevalência
foi de 67,9% e no estudo de Pereira et al.
(2008) foi de 65,29%, este fato pode estar
associado a uma busca maior das mulheres
pelo atendimento médico, uma vez que a
prevalência global da HAS é de 37,8% em
homens e de 32,1% em mulheres
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
51
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
(PEREIRA et al., 2009). As diferenças
encontradas entre os estudos, acima citados,
podem ser justificadas pelo estudo de
Gomes et al. (2007) que aponta motivos
para baixa procura de homens aos serviços
de saúde, como, por exemplo, a cultura da
masculinidade como fator de impedimento
de cuidar de si.
Tabela 1 - Características demográficas dos pacientes hipertensos cadastrados no Programa
Hiperdia em Nova Alvorada do Sul – MS.
Características
Frequência
Porcentagem
Sexo
Masculino
53
26,23
Feminino
149
73,77
Idade
< 40 Anos
17
8,41
40 – 50 Anos
40
19,80
51 – 60 Anos
79
39,12
> 61 Anos
66
32,67
Raça
Branco
114
56,42
Negro
26
12.87
Pardo
62
30,71
Escolaridade
Analfabeto
9
4,45
Alfabetizado
145
71,80
Ens. Fundamental
35
17,32
Ens. Superior ou mais
13
6,43
Quanto à etnia, a literatura cita que a
HAS não é uniforme, os negros têm os
maiores níveis pressóricos, a variação na
prevalência da hipertensão arterial tem sido
encontrada em populações de diferentes
etnias e também é possível observar que
algumas delas estão mais expostas às
complicações do que outras (BRANDÃO et
al., 2003). Neste estudo verificou-se um
predomínio de brancos (Tabela1), fato
também observado por Oliveira et al. (2009)
com percentual de 44,4% e no estudo de
Jesus et al. (2008) a predominância de
brancos foi de 56, 4%.
Conforme a Tabela 1, observou-se
que a maioria dos pacientes tem baixo nível
de escolaridade, 71,80% são alfabetizados,
com os percentuais menores de 55% e
51,2%, os estudo de Pierin et al. (2001) e
Oliveira et al., respectivamente, também
verificaram este predomínio. Diante destes
dados, constata-se a necessidade do
farmacêutico no Núcleo de Apoio à Saúde
da Família (NASF), desempenhando o papel
de disseminador de informações referentes à
patologia, ao tratamento e hábitos de vida
aconselháveis a vida do hipertenso.
Diversos estudos a cerca da HAS
comprovam que modificações no estilo de
vida tem sido um fator decisivo na eficácia
do tratamento da hipertensão, a redução do
peso, diminuição da ingestão de álcool e sal,
pratica de atividades físicas e o abandono do
tabagismo ajudam a reduzir significativamente os níveis pressóricos (STURMER
et al., 2006; REZA; NOGUEIRA, 2008).
Este estudo verificou que 17,32%
dos entrevistados eram fumantes e em média
consumiam de 10 a 20 cigarros por dia
(Tabela 2), sabe-se que a nicotina é
prejudicial ao organismo, pois aumenta a
chance de formar coágulos nos vasos
sanguíneos, o debito cardíaco, a resistência
vascular periférica e, consequentemente a
pressão arterial (PA) (SILVA, 2010). Reza e
Nogueira (2008) verificaram que 14,58% de
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
52
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
hipertensos eram fumantes e Jesus et al.
(2008) encontraram o percentual de 13,4%
para esta variável.
Tabela 2 – Hábitos de vida dos hipertensos cadastrados no Programa Hiperdia em Nova
Alvorada do Sul – MS.
Hábitos
Frequência
Porcentagem
Tabagismo
35
17,32
Atividade Física
39
19,30
Dieta Hipossódica
167
82,60
Juntamente
com
uma
dieta
equilibrada, a atividade física é uma conduta
não medicamentosa primordial na prevenção
e controle da PA, pois ajuda a reduzir
significativamente os níveis pressóricos
(MEDINA et al., 2010). Segundo Andrade
(2010), praticar atividades físicas regularmente pode reduzir a pressão arterial
sistólica de 4 a 9 mmHg.
Estudos realizados em momentos
diversos apontam para uma maior adesão
dos hipertensos a pratica de atividades
físicas, uma vez que Pierin et al. em 2001
observou que 11% dos pacientes hipertensos
praticavam atividades físicas, Jesus et al. no
ano de 2008 demonstrou em seu estudo que
este percentual teve um aumento sendo esta
prática referida por 22,6% dos participantes
da pesquisa e Oliveira et al. no ano de 2009,
verificou que 29,6% dos pacientes eram
adeptos da pratica de atividades físicas.
Verifica-se na Tabela 2 que o
percentual de pacientes que praticam
atividades físicas neste estudo foi de 19,3%,
sendo que todos estes disseram praticar
caminhada com frequência média de 3 a 5
dias por semana.
Neste contexto, se faz necessário a
presença de um profissional de educação
física dentro do Núcleo de Apoio à Saúde da
Família (NASF), onde o mesmo ficará
responsável por planejar junto com os
demais profissionais os planos de atividades
físicas específicos para as condições de cada
paciente. Souza e Loch (2011) citam que a
inclusão de outras profissionais ao quadro
tradicional do NASF é muito importante no
processo de construção de um enfoque mais
ampliado de saúde.
Consumir baixa quantidade de sal é
extremamente importante na dieta de um
hipertenso, pois o cloreto de sódio, em
excesso, pode elevar a PA, oferecendo
riscos ao paciente, em relação a este hábito
de vida, Teixeira et al. (2006) encontram em
sua pesquisa um percentual de 64% de
hipertensos que declararam preparar suas
refeições com pouco sal. Segundo Andrade
(2010) reduzir o consumo de sal pode
reduzir a pressão arterial sistólica de 2 a 8
mmHg. No presente estudo observou-se que
82,6% (Tabela 2) dos pacientes hipertensos
declaram adotar o habito de consumir pouco
sal em suas refeições.
Tabela 3 – História clínica dos pacientes hipertensos cadastrados no Programa Hiperdia em
Nova Alvorada do Sul – MS.
Dados
Frequência
Porcentagem
Antecedente Familiar
140
69,30
Doença Crônica
104
51,40
Complicações
39
19,30
Podemos verificar na Tabela 3 três
variáveis importantes para o tratamento da
HAS, destas a presença de antecedentes
familiares com a doença foi referida por
69,3% dos entrevistados, este fato está de
acordo com Zaitune et al. (2006) que citam
a hereditariedade como um dos principais
fatores de risco para a ocorrência de HAS.
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
53
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
Perin et al. (2001) encontraram um
percentual bem próximo do apontado neste
estudo, quando se tratando de antecedentes
familiares, ele verificou um predomínio de
70%, já Reza e Nogueira (2008)
encontraram um percentual relativamente
baixo, de 46,5% de pacientes que tinham
antecedentes familiares com HAS.
O estudo de Coelho e Brum (2009)
demonstraram que a prevalência simultânea
de HAS e diabetes mellitus é alta, este fato
pode aumentar a incidência de RNMs, visto
que ocorrem várias interações medicamentosas entre os fármacos utilizados para
tratar
estas
patologias
(AMARAL;
PERASSOLO, 2012). Gonçalves (2008) cita
o diabetes como um dos principais fatores
de risco aos hipertensos.
Reza e Nogueira (2008) em estudo,
destacam que as doenças crônicas, por
exemplo, o diabetes, são as principais causas
de mortes em hipertensos, e isso acontece
porque o diabetes está ligado ao
aparecimento das doenças vasculares
periféricas e do acidente vascular encefálico
(PEREIRA et al., 2008). Dos hipertensos
entrevistados, 54 (26,73%) também eram
diabéticos, nos estudos de Sturmer et al.
(2006) e Reza e Nogueira (2008), foram
encontrados, respectivamente, os percentuais de 13,9% e 10% de hipertensos
diabéticos.
A HAS é um dos principais fatores
de morbidade e mortalidade nas doenças
cardiovasculares
e
cerebrovasculares,
complicações como Infarto Agudo do
Miocárdio (IAM), Acidente Vascular
Encefálico (AVE) e Doença Renal Crônica
geram elevados custos médicos e
socioeconômicos
em
nosso
país
(ANDRADE, 2010). Pereira et al. (2008)
verificou que a prevalência de IAM foi de
9,4% e de AVE foi 5,29% em hipertensos.
Neste estudo observou-se que 39 pacientes
já sofreram com alguma complicação da
HAS, sendo que destes 17 apresentaram
acidente vascular encefálico e 17 infarto do
miocárdio.
Através da avaliação fármacoterapêutica realizada com os pacientes foi
possível identificar e classificar os RNMs.
De acordo com o Comitê do Consenso
(2007) três aspectos são utilizados para a
identificação dos RNMs, sendo eles, a
aparição de um problema de saúde em
decorrência à medicação, um não controle
de uma enfermidade ou pela aparição de um
efeito indesejado do medicamento utilizado.
Tabela 4 – Frequência e classificação dos Resultados Negativos aos Medicamentos (RNM)
de acordo com o Terceiro Consenso de Granada sobre Problemas Relacionados com
Medicamentos (PRM) e Resultados Negativos aos Medicamentos.
Classificação
RNM
Frequência
Porcentagem
Necessidade
RNM 1
17
8,41
RNM 2
8
3,96
Efetividade
RNM 3
RNM 4
136
67,32
Segurança
RNM 5
RNM 6
43
21,28
Não apresentaram RNM
30
14,85
Segundo
Andrade
(2010)
a
mortalidade por infarto do miocárdio e
acidente vascular encefálico em pacientes
hipertensos
com
níveis
pressóricos
frequentemente elevados é alta. Verificou-se
que dos 202 pacientes entrevistados, 136
(67,32%) estavam com os níveis pressóricos
elevados, caracterizando o RNM 4, onde o
paciente pode ter um problema de saúde em
decorrência do uso de um medicamento que
não está sendo quantitativamente eficaz,
possivelmente por baixa dosagem do
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
54
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
medicamento, visto que todos os paciente
estavam administrando o medicamento de
forma correta.
Em outro estudo realizado com
hipertensos por Marques (2009) foi
verificada uma alta incidência do RNM 4,
fato que encontra-se de acordo com o
resultado deste estudo. Porém na pesquisa
de Paredes (2011) a incidência desse tipo de
RNM foi relativamente baixa, sendo
encontrado em apenas16% dos pacientes do
estudo, é relevante o fato de que o mesmo
foi desenvolvido em serviços de urgências.
Conforme a Tabela 4, o segundo
RNM mais prevalente foi o do tipo 6
(21,28%), descrito pelo Comitê do
Consenso (2007) como uma insegurança
quantitativa do medicamento, causada pelas
interações medicamentosas encontradas no
tratamento dos pacientes, as interações
encontradas neste estudo incluíram ácido
acetil salicílico (AAS) e captopril, AASpropranolol, AAS-espironolactona, AASmetformina, AAS-glibenclamida, hidroclorotiazida-metformina, hidroclorotiazidaglibenclamida e hidroclorotiazida-captopril.
Apesar da última ser uma interação
desejada, dois pacientes que utilizavam esta
associação relataram sentir tontura (SILVA,
2010; FONSECA, 2000; ANDRADE, 2010;
LIMA et al., 2011). Menéndez-Conde et al.
(2011) verificou em seu estudo que o RNM
6 foi o mais encontrado, totalizando um
percentual de 42,9% porém Victório et al.
(2008) encontrou uma prevalência significativamente baixa para este RNM,
somente 6% dos pacientes apresentaram o
RNM do tipo 6.
Definido como um problema
ocasionado pelo fato do paciente não
receber o medicamento que necessita, o
RNM 1 foi verificado em 8,41% dos
pacientes entrevistados, todos eles eram
tratados por monoterapia e recebiam doses
baixas de captopril, losartana e propranolol.
Silva (2010) e Andrade (2010) citam estes
três fármacos como bons medicamentos
empregados em monoterapia, a necessidade
do monitoramento da pressão arterial até a
adequação da posologia no tratamento é de
extrema importância, e caso necessário a
associação destes fármacos, principalmente
com um diurético oferece vantagens ao
tratamento da HAS. Resultado diferente
foram observados por Menéndez-Conde et
al. (2011) que encontrou prevalência de
32,7% e Paredes (2011) que observou a
prevalência de 2% para este tipo de RNM.
O RNM 2, caracterizado por um
problema relacionado a um medicamento
desnecessário, foi encontrado em 8
pacientes, sendo que todos estavam tomando
hidroclorotiazida de forma diferente da
posologia prescrita pelo médico, eles
relataram sentir vontade de urinar várias
vezes durante a noite, isto porque,
erroneamente, a dose era repetida ao invés
de ser administrada somente no período da
manhã. Menéndez-Conde et al. (2011) não
encontrou nenhum RNM 2 em seu estudo,
Victório et al. (2008) encontrou um
percentual de 20% de pacientes que
apresentavam o RNM do tipo 2.
Gabe e Cardoso (2006) e Hernández
et al. (2007) citam que a prática da Atenção
Farmacêutica (AF) e do seguimento
farmacoterapêutico no Programa Hiperdia é
fundamental no tratamento dos hipertensos e
diabéticos, pois os pacientes necessitam de
informações sobre a medicação e também
sobre suas patologias, visto que estas
informações estão relacionadas à adesão ao
tratamento.
Por meio da AF o farmacêutico pode
avaliar e ampliar o conhecimento dos
pacientes sobre a hipertensão arterial,
buscando orientá-los e estimulá-los ao uso
correto dos medicamentos e à adesão a
estilo de vida adequado.
Conclusão
A presente pesquisa revelou que os
pacientes hipertensos cadastrados no
Programa Hiperdia e atendidos pela rede
básica de saúde do município de Nova
Alvorada do Sul – MS apresentaram RNMs,
sendo os mais encontrados o do tipo 4 e do
tipo 6.
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
55
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
Todos os RNMs podem ser
minimizados com a prática da Atenção
Farmacêutica, infelizmente esta pratica
ainda não comum, é de extrema importância
para o tratamento dos pacientes do
Programa Hiperdia que haja um profissional
desenvolvendo a Atenção Farmacêutica e o
seguimento farmacoterapêutico dentro da
Estratégia de Saúde da Família e do Núcleo
de Apoio à Saúde da Família, pois, ao
desempenhar estas práticas, o farmacêutico
garante a eficácia do tratamento, identifica e
sana
os
resultados
negativos
aos
medicamentos antes que estes levem a
morbimortalidade relacionada à medicação,
visto que a hipertensão arterial sistêmica é
um dos mais importantes problemas de
saúde pública no Brasil.
Referências Bibliográficas
AMARAL, D. M. D.; PERASSOLO, M. S. Possíveis
interações
medicamentosas
entre
os
antihipertensivos e antidiabéticos em participantes do
Grupo HIPERDIA de Parobé, RS: uma análise
teórica. Revista Ciências Farmacêuticas, Básica e
Aplicada. v. 33, n. 1, p. 99-105, 2012.
ANDRADE, J. P. Sociedade Brasileira de
Cardiologia / Sociedade Brasileira de Hipertensão /
Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes
Brasileiras de Hipertensão. Arquivos Brasileiros de
Cardiologia. Rio de Janeiro, v. 95, n. 1, p. 1-51,
2010.
BARBETA, P.A. Estatística aplicada a Ciências
sociais. 7. ed. Florianópolis: UFSC, 2007.
BRANDÃO, A. P. et al. Epidemiologia
Hipertensão. Rev Soc Cardiol Estado São
Paulo. São Paulo, v. 13, n. 1, p. 7-19, 2003.
Asociados a la Medicación (RNM). Ars Pharm.,
Granada, v.48, n.1, p.5-17, 2007.
CONVERSO, M. E. R.; LEOCÁDIO, P. L. F.
Prevalência da Hipertensão Arterial e Analíse de seus
Fatores de Risco nos Núcleos de Terceira Idade de
Presidente Prudente. Revista Ciência em Extensão.
v. 2 n. 1, p. 13-23, 2005.
FARIA, D. P. Acompanhamento Farmacoterapêutico
em pacientes hipertensos de muito alto risco. RUBS.
Curitiba, v. 1, n. 3, p. 29-36, 2008.
FONSECA, A. L. Interações medicamentosas. Rio
de Janeiro: EPUB, 2000.
LIBERMAN, A. Aspectos epidemiológicos e o
impacto clínico da hipertensão no indivíduo idoso.
Revista Brasileira de Hipertensão. v. 14, n. 1, p.
17-20, 2007.
GABE, D.; CARDOSO, T. M. Atenção
farmacêutica
aos
pacientes
hipertensos
cadastrados no Programa Hiperdia do município
de Rio Brilhante. 85f. Trabalho de Conclusão de
Curso (Graduação em Farmácia) – Centro
Universitário da Grande Dourados, Dourados, 2006.
GOMES, R. Por que os homens buscam menos os
serviços de saúde do que as mulheres? As
explicações de homens com baixa escolaridade e
homens com ensino superior. Cadernos de Saúde
Pública. v. 23, n. 3,p. 565-574, 2007.
GONÇALVES, T. F. Intervenção multidisciplinar em
resultados negativos associados à medicação antihipertensivas em idosas brasileiras. Universidade
Católica de Brasília. 2008.
HERNÁNDEZ, D. S. et al. Método Dáder: guia de
seguimento farmacoterapêutico. 3ed. Granada:
GIAF-UGR, 2007.
da
CARLOS, R. P. et al. Perfil de hipertensos em um
núcleo de saúde da família. Arquivos das Ciências
da Saúde. v. 15, n. 4, p. 176, 181, 2008.
COELHO, P. V.; BRUM, C. A. Interactions between
antidepressants and antihypertensive and glucose
lowering drugs among patients in the HIPERDIA
Program, Coronel Fabriciano, Minas Gerais State,
Brazil. Cadernos de Saúde Pública. v. 25, n. 10, p.
2229-2236, 2009.
COMITÊ DE CONSENSO. Tercer Consenso de
Granada sobre Problemas Relacionados con
Medicamentos (PRM) y Resultados Negativos
JESUS, E. S. et al. Perfil de um grupo de
hipertensos: aspectos biossociais, conhecimentos e
adesão ao tratamento. Acta Paulista de
Enfermagem. v. 21, n. 1, p. 59-65, 2008.
LIBERMAN, A. Aspectos epidemiológicos e o
impacto clínico da hipertensão no indivíduo idoso.
Revista Brasileira de Hipertensão. v.14, n.1, p.1720, 2007.
LIMA, C. L. P. et al. Interações medicamentosas na
hipertensão:
papel
do
farmacêutico
no
acompanhamento clínico dos pacientes. Cadernos de
Graduação. v. 13, n.14, p. 69-81, 2011.
MARQUES,
L.
A.
M.
Acompanhamento
Farmacoterapêutico de Pacientes na Farmácia-Escola
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
56
Interbio v.7 n.2 2013 - ISSN 1981-3775
da Universidade Federal de Alfenas. Latin
American Journal of Pharmacy. v. 28, n. 5, p. 688694, 2009.
MEDINA, F. L. et al. Atividade física: impacto sobre
a pressão arterial. Revista Brasileira da Hipertensão.
v. 17, n. 2, p. 103-106, 2010.
MENÉNDES-CONDE, C. P. Resultados negativos
asociados al uso de medicamentos que motivan
ingreso hospitalario. Farmácia Hospitalaria. v. 35, n.
5, p. 236-243, 2011.
OLIVEIRA, E. A. Perfil de hipertensos eum uma
unidade de saúde da família. Revista de
Enfermagem, UERJ. v. 17, n. 3, p. 383-387, 2009.
OLIVEIRA, F. M. et al. O profissional
farmacêutico na assistência ao PSF: atuação do
farmacêutico no núcleo de assistência à saúde da
família – NASF. Primeira Versão. Ano IX, Nº 265 Volume XXX. Porto Velho. 2010.
Cadernos de Saúde Pública. v. 22, n. 2, p. 17271737, 2006.
TEIXEIRA, E. R. et al. O estilo de vida do cliente
com hipertensão arterial e o cuidado com a saúde.
Escola Anna Nery, Revista de Enfermagem. v. 10,
n. 3, p. 378-384, 2006.
VICTÓRIO, C. J. M. et al. Identificação de
potenciais
problemas
relacionados
com
medicamentos a partir da análise de prescrições de
pacientes hipertensos. Revista Brasileira de
Farmácia, v. 89, n. 3, p. 233-235, 2008.
ZAITUNE, M. P. A. et al. Hipertensão arterial em
idosos: prevalência, fatores associados e a prática de
controle no município de Campinas, São Paulo,
Brasil. Cadernos de Saúde Pública. v. 22, n. 2,
2006.
PAREDES, P. F. Resultados Negativos Asociados a
la Medicación causa de consultas a servicios de
urgencias hospitalarias. Universidade de Granada,
Facultad de Farmacia. 2011.
PEREIRA, A. P. R. et al. Perfil dos usuários
hipertensos cadastrados e acompanhados por uma
Unidade de Saúde da Família de um município do
interior do leste mineiro. UNEC. Caratinga, 2008
PEREIRA, M. et al. Differences in prevalence,
awareness, treatment and control of hypertension
between developing and developed countries. J
Hypertension. v. 27, n. 5, p. 963-975, 2009.
PIERIN, A. M. G. et al. O perfil de um grupo de
pessoas hipertensas de acordo com o conhecimento e
gravidade da doença. Revista da Escola de
Enfermagem da USP. v.35, n. 1, p. 11-18, 2001.
REZA, C. G.; NOGUEIRA, M. S. O estilo de vida de
pacientes hipertensos de um programa de exercício
aeróbico: Estudo na cidade de Toluca, México.
Escola Anna Nery, Revista de Enfermagem. n. 12,
v. 2, p. 265-270, 2008.
SILVA, P. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2010.
SOUZA, S. C; LOCH, M. R. Intervenção do
profissional de educação física nos Núcleos de Apoio
à Saúde da Família em municípios do norte do
Paraná. Revista Brasileira de Atividade Física &
Saúde. v. 6, n. 1, 2011.
STURMER, G. et al. O manejo não medicamentoso
da hipertensão arterial sistêmica no Sul do Brasil.
MACHADO, Vander Pereira; COELHO, Fabiana Chagas; GARBINATO, Lígia Regina
Download