NotaTecnica01-2014-Colera

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Secretaria Municipal da Saúde
Diretoria Geral de Vigilância em Saúde
Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica
Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde
Nota Técnica CIEVS nº 01/2014 – Cólera
Situação epidemiológica da cólera no Brasil, Bahia e Salvador
A cólera chegou ao Brasil em 1991 e até 2001 apresentou 168.626 casos e 2.035 óbitos,
com a maioria dos casos em estados do Norte e do Nordeste. Os últimos casos
confirmados de cólera no Brasil ocorreram em 2005 no Estado de Pernambuco – 5 casos
positivos para V. Cholera, 01, Ogawa, toxigênico, que ainda foi isolado em amostras
ambientais em 2007, em quatro municípios de Pernambuco. No Estado do Rio de Janeiro
foram notificados 345 casos com 17 óbitos nos anos de 1993 e 1994, sendo que a grande
maioria dos casos (267) ocorreu em 1993. No final do mês de maio de 2011 foi confirmado
um caso importado de pessoa residente em São Paulo que adquiriu a infecção em viagem
de turismo a República Dominicana.
Na Bahia, os últimos casos ocorrerem no ano de 2000, quando foram registrados 07 (sete)
casos da doença e 02 (dois) óbitos. Em Salvador, não há registro de casos confirmados
desde 2001.
Descrição da doença
Cólera é uma doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio
cholerae. Pode se apresentar de forma grave, com diarréia aquosa e profusa, com ou sem
vômitos, dor abdominal e cãibras. Esse quadro, quando não tratado prontamente, pode
evoluir para desidratação, acidose e colapso circulatório, com choque hipovolêmico e
insuficiência renal. Entretanto, frequentemente, a infecção é assintomática ou
oligossintomática, com diarréia leve. A acloridria gástrica agrava o quadro clínico da
doença. A infecção produz aumento de anticorpos e confere imunidade por tempo limitado
(em torno de 6 meses).
Agente etiológico
O V. cholerae do sorogrupo O1, biotipo clássico, ou El Tor (sorotipos Inaba, Ogawa ou
Hikogima), e o V. cholerae O139, também conhecido como Bengal. É um bacilo gramnegativo, com flagelo polar, aeróbio ou anaeróbio facultativo, produtor de enterotoxina.
Reservatório
O homem é o reservatório usual de V. cholerae toxigênico dos sorogrupos O1 e O139.
Contudo, vários estudos têm demonstrado que V. cholerae O1 pode ser isolado em
ambientes aquáticos, principalmente associados a estuários, indicando que animais
marinhos (como, por exemplo, moluscos e crustáceos) podem ser reservatórios naturais
do V. cholerae.
Modo de transmissão
Ocorre, principalmente, pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou
vômitos de doente ou portador. Os alimentos e utensílios podem ser contaminados pela
água, pelo manuseio ou por moscas. A contaminação pessoa a pessoa é também
importante na cadeia epidemiológica. A elevada ocorrência de assintomáticos (portador
sadio), em relação aos doentes, torna importante seu papel na cadeia de transmissão da
doença. O biotipo El Tor persiste na água por muito tempo, o que aumenta sua
probabilidade de manter a transmissão e circulação.
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Período de incubação
De algumas horas a 5 dias. Na maioria dos casos, de 2 a 3 dias.
Período de transmissibilidade
Perdura enquanto houver eliminação do vibrião nas fezes, o que ocorre, na maioria dos
casos, até poucos dias após a cura. Para fins de vigilância, o período aceito como padrão
é de 20 dias. Alguns doentes tornam-se portadores crônicos, eliminando o vibrião de forma
intermitente por meses e até anos.
Recomendações aos serviços de saúde que atenderem um caso suspeito de cólera
Os serviços de saúde que atenderem migrantes ou viajantes com diarréia, procedentes
de países com cólera devem suspeitar da doença e notificá‐la à Vigilância Epidemiológica
imediatamente. O médico deve solicitar a coleta de amostras de fezes para identificação
do agente etiológico. Considera‐se suspeita de cólera, migrante ou brasileiro proveniente
de área afetada, com diarréia aquosa, até o 10º dia de chegada ao Brasil, assim como,
indivíduo de qualquer idade em locais com grande afluxo de migrantes provenientes de
áreas afetadas com diarréia súbita, líquida e abundante. Comunicante de caso suspeito
de cólera é aquele que teve contato com caso suspeito de cólera e apresenta diarréia há
menos de 30 dias. Caso confirmado de cólera é aquele com confirmação por critério
laboratorial (coleta de fezes durante a fase aguda e antes do início do tratamento com
antibióticos).
A presença de desidratação rápida, acidose e colapso circulatório associado à diarréia e
diarréia com características de “água de arroz” reforçam a suspeita de cólera.
Recomendações gerais para prevenção de qualquer diarréia e outras doenças de
origem alimentar
1) Lavar as mãos toda a vez que usar o banheiro ou trocar fraldas ou cuidar de doentes, e
antes de preparar ou ingerir alimentos. É importante também sempre lavar as mãos após
contato com animais ou com o meio ambiente onde eles vivem.
2) Cozinhar, fritar ou assar sempre muito bem os alimentos, de forma que o calor atinja
também o interior do alimento. Evite a ingestão de carnes mal passadas.
3) Mantenha a higiene na cozinha. Ao preparar alimentos, não misture alimentos já cozidos
ou desinfetados com aqueles ainda em preparação ‐ evite a contaminação cruzada. Lave
bem as mãos, as superfícies da pia e utensílios e os ingredientes a cada nova preparação.
Cuidado com o contato das mãos com o lixo.
4) Manipuladores de alimentos com diarréia devem ser afastados até a completa cura, pois
podem contaminar os alimentos durante o preparo e disseminar a doença.
5) Alimentos que serão consumidos crus (verduras, legumes e frutas) devem ser bem
lavados e desinfetados com hipoclorito de sódio a 2,5% (15 gotas para cada litro de água,
por 30 minutos).
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6) Viajantes que se dirigem para países com cólera devem preferir pratos quentes e
vegetais bem cozidos. O aquecimento no fogão ou forno, em temperatura acima de 70º C
e que atinja todo o alimento, mata todas as bactérias.
7) Evite a ingestão de leite e sucos não pasteurizados e de água não tratada, e de águas
minerais de origem clandestina. Evite o consumo de alimentos vendidos por ambulantes.
8) Nos locais com surtos de diarréia, evite nadar em lagos, piscinas, rios ou outras
coleções hídricas.
9) Os laboratórios devem notificar casos de cólera à vigilância epidemiológica. As cepas de
Vibrios devem ser enviadas ao Instituto Adolfo Lutz para sorotipagem e outros testes.
10) Hospitais e serviços de saúde devem notificar à vigilância epidemiológica a suspeita de
cólera.
Os contatos listados abaixo estão disponíveis para notificação e esclarecimento de
eventuais dúvidas ou orientações.
Secretaria Municipal de Saúde
Secretaria Estadual da Saúde
Centro de Informações Estratégicas de Coordenação Estadual de Vigilância
Vigilância em Saúde (CIEVS)
Emergências em Saúde Pública (CEVESP)
Tel.: (71)2201 8614/9982-0841
[email protected]
Tel.: (71) 3116-0037/9994-1088
[email protected]
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