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Inteligência Emocional e sua função na Educação
Marcia da Silva Rosa
Professora do Ensino Fundamental e Médio, Filósofa, Pós-Graduada em Ética
pela
Pontifícia
Universidade
Católica
do
Paraná.
Pós-Graduanda
em
Neuropsicologia pela IBPEX – Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão e
FACINTER – Faculdade Internacional de Curitiba.
Resumo
Este artigo irá procurar mostrar quais são as relações e funções da Inteligência
Emocional
e
a
Educação.
Através
da
teoria
crianda
pelo
psicólogo
Goleman(1995), Inteligência Emocional, basea-se em uma idéia simples: além de
uma inteligência intelectual também possuímos uma inteligência emocional, tão ou
mais importante quanto a primeira para o sucesso na escola e na vida. O autor
fala sobre a importância em educarmos as nossas emoções e fazer com que os
alunos se tornem aptos a lidar com as frustações, negociar com outros, e
reconhecer as próprias angústias e medos.
Palavras- Chaves : Inteligência Emocional, Educação, Múltiplas Inteligências
Abstrat : This article will show the relations and functions of the Emotional
Intelligence
and
the
Education. The
theory
created by
the
psychologist
Goleman(1995), states that Emotional Intelligence is based on a simple idea:
beyond an intellectual intelligence we also possess an Emotional one, which is as
or more important than the former for achieving success at school and in life. The
author speaks on the importance of educating our emotions and helping the
pupils to become apt to deal with the frustrations, to negotiate with others and to
recognize their own distress and fears.
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Introdução
Até pouco tempo atrás o sucesso de uma pessoa era avaliado pelo
raciocínio lógico e habilidades matemáticas e espaciais (Quociente Intelectual).
Mas o psicólogo Goleman(1995), retoma uma nova discussão sobre o assunto.
Ele traz o conceito da inteligência emocional como maior responsável pelo
sucesso ou insucesso das pessoas. A maioria da situações de trabalho é
envolvida por relacionamentos entre as pessoas. Desta forma pessoas com
qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão, gentileza
têm mais chances de obter o sucesso.
Goleman(1995) procura demonstrar que não só a razão influencia nos
nossos atos, mas, a emoção também é responsável por nossas respostas e tem
grande poder sobre as pessoas.
METODOLOGIA
O objetivo desse artigo é o de mostrar alguns conteúdos da educação
emocional, e a importância da sua apropriação pela professora e pelo professor do
Ensino Infantil e do Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) do Ensino Fundamental.
Para alcançar esse objetivo foi realizado um estudo de caso apoiado em –
livros, artigos em revistas científicas e na internet.
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inteligência Emocional
Segundo Golemam(1995), Sternberg e Grigorenko(2003) e Gardner(1995) a
Inteligência Emocional está relacionada a habilidades tais como motivar a si
mesmo e persistir mediante frustações; controlar impulsos, canalizando emoções
para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar pessoas,
ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento a
objetivos de interesses comuns.
Goleman(1995), mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas de habilidades:
1. Auto-conhecimento Emocional – reconhecer um sentimento enquanto ele
ocorre.
2. Controle Emocional – habilidade de lidar com seus próprios sentimentos,
adequando-os para a situação.
3. Auto- Motivação – dirigir emoções a serviço de um objetivo é essencial para
manter-se caminhando sempre em busca.
4. Reconhecimento de emoções em outras pessoas.
5. Habilidade em relacionamentos inter-pessoais.
As três primeiras acima referem-se a Inteligência Intra-Pessoal. As duas
últimas, a Inteligência Inter-Pessoal.
A Inteligência Inter-Pessoal é a habilidade de entender outras pessoas: o que
as motiva, como trabalham e como trabalhar cooperativamente com elas.
- Organização de Grupos: é a habilidade essencial da liderança, que envolve
iniciativa e coordenação de esforços de um grupo, habilidade de obter do
grupo
o
reconhecimento
da
liderança,
a
cooperação
espontânea.
- Negociação de Soluções: o papel do mediador, prevenindo e resolvendo
conflitos.
- Empatia - Sintonia Pessoal: é a capacidade de, identificando e entendendo os
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desejos e sentimentos das pessoas, responder (reagir) de forma apropriada de
forma a canalizá-los ao interesse comum.
- Sensibilidade Social: é a capacidade de detectar e identificar sentimentos e
motivos das pessoas.
Inteligência Intra-Pessoal: é a mesma habilidade, só que voltada para si mesmo.
É a capacidade de formar um modelo verdadeiro e preciso de si mesmo e usá-lo
de forma efetiva e construtiva.
Tipos de Inteligências
Gardner (1995), propõe “uma visão pluralista da mente” ampliando o conceito de
inteligência única para o de um feixe de capacidades. Para este autor, inteligência
é a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos valorizados em um
ambiente
cultural
ou
comunitário.
Embora
existam
predominâncias,
as
inteligências se integram:
Os componentes centrais da inteligência lingüística são uma sensibilidade
para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção
das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para
convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias.
Na Inteligência Lógico-Matemática, Gardner(1995), afirma que o processo
de resolução de um problema geralmente é surpreendentemente rápido, assim
como acontece com um cientista bem-sucedido, que necessita lidar com muitas
variáveis ao mesmo tempo e cria numerosas hipóteses.
A Inteligência Musical manifesta-se através de uma habilidade para
apreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons,
habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e
timbre e habilidade para produzir e/ ou reproduzir música. A criança com
habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente
e, freqüentemente, canta para si.
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A Inteligência Espacial é usada por exemplo em deficientes visuais, para
encontrarem o caminho para casa, por exemplo, pois a inteligência espacial não
depende da sensação visual propriamente dita. Gardner (1995) afirma que as
populações cegas ilustram a distinção entre a inteligência espacial e a percepção
visual, pois uma pessoa cega pode reconhecer formas ao passar a mão ao longo
do objeto. Tal método traduz a duração do movimento, que por sua vez é
traduzida no formato do objeto. Portanto, para uma pessoa cega, o sistema
perceptivo da modalidade tátil equivale à modalidade visual na pessoa que
enxerga.
A Inteligência Corporal - Cinestésica é o que mais se distancia das visões
tradicionais do que conta como intelecto humano.
Inteligência Interpessoal
A inteligência interpessoal emprega capacidades centrais para reconhecer
e fazer distinções entre os sentimentos, as crenças e as intenções dos outros. No
início do desenvolvimento, essa inteligência é vista como a capacidade das
crianças pequenas de discriminar entre os indivíduos de seu meio ambiente e
perceber o humor dos outros. Em suas formas mais desenvolvidas, a inteligência
interpessoal se manifesta na capacidade de compreender os sentimentos e
atitudes dos outros, agir em função deles e moldá-los, para o bem ou para o mal.
A Inteligência Intrapessoal relaciona-se com a noção que o indivíduo tem
dos próprios sentimentos, referindo-se à capacidade de auto-conhecimento que
ele possui. Gardner vê essa inteligência como desenvolvendo-se a partir de uma
capacidade de
distinguir o prazer da dor e de
agir em função dessa
discriminação.
Segundo Gardner (1995), em seu nível mais avançado, a inteligência
intrapessoal consolida uma discriminação avançada dos próprios sentimentos,
intenções e motivações, que traz um elevado nível de auto-conhecimento
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semelhante àquele utilizado pelas pessoas mais velhas quando fazem uma
decisão importante ou ao aconselharem outros indivíduos de sua comunidade.
Ainda segundo Gardner, há também Inteligência Pictográfica que é a
habilidade que a pessoa tem de transmitir uma mensagem pelo desenho que faz.
E a Inteligência Naturalista : capacidade de uma pessoa em sentir-se um
componente natural.
Discussão
Uma das grandes preocupações dos pais hoje em dia, é educar seus
filhos emocionalmente, ou seja, prepará-los para enfrentar os desafios impostos
pela vida com inteligência. Ensiná-los, como reagir nas diversas idades que
podem ocorrer.
A infância modificou-se muito nos últimos anos, o que vem dificultar ainda
mais o aprendizado afetivo. Os pais que são efetivamente preparadores
emocionais, devem ensinar aos filhos estratégias para lidar com os altos e baixos
da vida. Devem aproveitar os estados de emoções das crianças, para ensiná-las
como lidar com eles e ensiná-la como tornar-se uma pessoa mais humana.
Em relação ainda à educação, Goleman(1995), e autores influenciados por
ele, como Armstrong(2001), fala da importância de "educar" as emoções e fazer
com que os alunos também se tornem aptos a lidar com frustrações, negociar com
outros, reconhecer as próprias angústias e medos.
Goleman (1995) chega a falar em "alfabetização emocional", que é a
educação voltada para o sentimento, onde o aluno aprende a conviver e melhorar
seu comportamento diante das dificuldades. Um trabalho dirigido nessa área irá
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fortalecer os alunos, deixando-os mais equilibrados e capazes para enfrentar o
mundo moderno em que vivemos.
Um princípio básico para o desenvolvimento da inteligência emocional
na sala de aula é o respeito mútuo pelos sentimentos dos outros, e para tanto é
necessário que o professor saiba como se sente e seja capaz de comunicar
abertamente suas sensações e sentimentos. O professor não deveria negar suas
emoções negativas e sim, ser capaz de expressá-las de modo saudável na
comunidade que constrói com seus alunos.
Ensinar os alunos a reconhecer suas emoções, saber categorizá-las e
comunicá-las, fazendo-se entender, ajuda-os a serem os responsáveis por suas
próprias necessidades emocionais.
Conhecer os alunos é um processo que se inicia desde os primeiros
dias de aula. Quanto maior for esse conhecimento, maior será a eficácia da nossa
ação
pedagógica,
pois
podemos
mobilizar
interesses,
curiosidades,
conhecimentos prévios, aspectos das histórias de vida, articulando com os
conhecimentos que integram o currículo a ser desenvolvido.
Também conhecê-los em seus aspectos sociais, cognitivos, afetivos e
emocionais implica uma atitude de permanente investigação, por meio de
observações, diálogos com as crianças e suas famílias, avaliação contínua dos
conhecimentos adquiridos, sondagem dos interesses delas e atenção as
necessidades que elas expressam.
Quando se cria rotinas escolares repletas de situações em que os
alunos trabalham em equipe, discutem regras de vida, falam sobre suas aflições,
etc, podem surgir dificuldades emocionais, e a necessidade de negociar com os
outros para superá-las pode fazer as crianças evoluírem.
A influência dessa teoria sobre a educação é totalmente positiva, pois
chama a atenção para o fato de que as escolas não devem se preocupar apenas
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com a inteligência de cada aluno, mas também com o desenvolvimento de sua
capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo.
Uso integral das aptidões cerebrais no aprendizado, no trabalho e na vida.
O receio de produzir crianças reprimidas está gerando uma quantidade muito
grande de crianças mal educadas e emocionalmente menos aptas.
Embora os pais tenham papel fundamental na educação emocional dos
filhos, algumas iniciativas em escolas têm se mostrado positivas. Hoje, assistimos
ao fortalecimento do indivíduo enquanto pessoa, fazendo com que as instituições,
para obter sucesso, moldem-se aos indivíduos, treinando professores para tal
missão.
O "princípio da educação emocional" é simples. Devemos ensinar ao
indivíduo o senso de respeito, importância e de responsabilidade. Não apenas
falando ou impondo responsabilidades, mas compartilhando responsabilidade com
ele. E isto é possível de se conseguir através de: atividades em equipes, onde
todos trabalham igualmente e possuam a responsabilidade de manter a equipe
viva.
Percebemos que a educação deve ser prioridade do Estado (Lei 9394/96).
Mas não só uma responsabilidade dele. Todos devemos compartilhar na
educação de nossas crianças e adolescentes, dando oportunidade a eles de
crescer e "se tornar adultos", dando oportunidade de mostrarem-se à humanidade,
para que fatos lamentáveis, como adolescentes incendiando mendigos, deixem de
acontecer.
Em estudo realizado pela professora regente do 1ª Etapa do Ciclo II, de
uma escola municipal da cidade de Curitiba/PR, com aluno de 10 anos. O estudo
se íniciou no mês de Junho de 2006, e durou até o fim do ano letivo deste mesmo
ano. A pesquisa foi realizada pelo método da inteligência emocional, desenvolvida
por Goleman(1995).
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O que foi percebido inicialmente neste aluno, e que ele demonstrava total
falta de interesse na aprendizagem, agressividade com os colegas, professores e
qualquer tipo de autoridade. O aluno vive com seu pai e sua madrasta, sua mãe
abandonou a família quando ele ainda era pequeno, e não o procurou mais.
Segundo Fernández(1991), acredita-se que o abandono da mãe em uma
idade tão tenra, fez com que João tornara-se uma criança agressiva, sem
demonstrações de afeição por ninguém, apenas por seu cachorro, que parecia ser
sua única companhia. Esta tese foi comprovada pela autora através de vários
estudos de casos com seus pacientes.
Através deste estudo com a Inteligência Emocional, iniciou-se trabalho de
forma totalmente diferenciada com o aluno. Aos pouco pôde-se observar
mudanças em seu comportamento. Através dos príncipios da Inteligência
Emocional, que enfatiza pontos essencias como a motivação, controle das
emoções (frustrações) e até mesmo premiações.
Atualmente o aluno procura ajudar seus colegas, demonstra afeição,
carinho, por sua professora e colegas, e interesse em aprender cada vez mais.
Este trabalho com o aluno propiciou a criança a perceber-se como um ser
importante na sociedade em que vive, e também modificou sua visão de si
mesmo, ou seja, sua auto-estima elevou-se.
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Considerações Finais
A inteligência é a aptidão psicológica que permite ao homem abstrair,
captar, entender conceitos, a essência das coisas que tomamos consciência.
Junto a essa aptidão outras atividades mentais se integram e atuam em conjunto,
como as habilidades matemáticas, verbais, emocionais, etc. por exemplo. Tomar a
inteligência pelas suas características acessórias talvez seja o erro que impede a
realização de uma definição precisa, talvez a tentativa de resumir todas as
aptidões relacionadas à inteligência na própria inteligência esteja dificultando o
trabalho de explicar a própria inteligência.
E possível verificar que com tempo ocorrem mudanças na aprendizagem do
aluno, assim os profissionais da educação infantil e fundamental aumentaram as
possibilidades de estenderem e entenderem algumas das idéias sobre prevenção
de transtornos de aprendizagem e desenvolvimento humano saudáveis, às
famílias, primeiros e principais núcleos de influência sobre o desenvolvimento
neuropsíquico do indivíduo, e a escola como instrumento fundamentando o
processo evolutivo da criança. Conhecendo a Teoria da Inteligência Emocional,
concluímos que na Escola, o prazer e o desejo de todos não devem submeter-se
aos desígnios da razão, ou seja, importa desenvolver o pensamento lógico e a
cognição, em parceria com as demais dimensões humanas, sempre.
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Referências bibliográficas
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Artes Médicas, 2001. 192p.
GARDNER, H. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva,
1999. 347p.
GOLEMAN, D. Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. 370p.
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Clínica da Criança e sua Família. Porto Alegre:Artes Médicas, 1991. 261p.
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In: X SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E II SEMANA DO CONHECIMENTO
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