1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS (Criada pela Lei N.º.456

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
(Criada pela Lei N.º.456 de 16 de abril de 1999, publicada no DOE-GO de 20 de abril de
1999).
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE ITUMBIARA
Discente: Paulo Sérgio Arantes
Docente: Eduardo Kolody
Disciplina: Teoria da História I
Curso: História
Data: 24/09/2009
Ano: 2º
Os
Caminhos
Percorridos
da
Escola
Metódica
ao
Historicismo Alemão
Resumo
Esse texto aponta o processo da Escola Metódica Positivista em José Carlos Reis e o
Positivismo em Collingwood, fazendo uma ponta para o Historicismo alemão, no
surgimento de uma nova ciência, de um novo método epistemológico diltheyniano.
Palavra chave: espiritismo, historicismo, positivismo;
O Positivismo alemão tem suas bases arraigadas no método peculiar de fazer história
os filósofos responsáveis por esse método, busca aprofundar o conhecimento histórico
dando “valor” nas fontes históricas, nos documentos históricos, e o que talvez seja um
equivoco do método positivo, tentando entender a história através do empirismo (vivencia
dos fatos e depois relatar de forma fiel). “A Escola Metódica dita como Positivista” tem
como finalidade explicar ou tentar explicar aos leitores que o iluminismo tem sua
separação ideológica entre a França e a Alemanha. José Carlos Reis aponta dois teóricos
que são representantes legais da filosofia da história científica. Porém esse
desenvolvimento metódico se deu na Alemanha, Ranke identifica como a “originalidade”
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do povo, do individuo, dos grandes homens políticos. “Filosoficamente considerava que a
história era conduzida pelas idéias e que o historiador deveria descobrir as forças
espirituais de que a história era a realização”. (José Carlos Reis. A História entre a
Filosofia e a Ciência, p 11)
Outro teórico apontado por Reis é Hegel, que “extrapola” com o método positivo,
que iguala o “presente eterno”. Hegel coloca o presente atual sem dar as “cores” ao
passado antecipando o futuro. “A filosofia abole a história quando nega a diferença entre o
passado e o presente e reduz as diferenças históricas ao tempo presente do espírito” (José
Carlos Reis, A História entre a Filosofia e a Ciência, p 8). O ato de a filosofia abolir a
história conduz uma inexistência ao passado buscando a objetividade dos “eventos”. José
Carlos Reis problematiza Hegel quando afirma que a “objetividade conduz a convicção de
que a história não pode ser produzida”.
Imbuídos de conhecimento teóricos tanto Ranke quanto Hegel leva a escrita
historiográfica para lados distintos, embora Ranke tenha um leve “resquício” hegeliano.
Ele vê na historiografia um (...) “Ranke viu na história um argumento poderoso contra as
mudanças revolucionarias e a favor de um crescimento gradual dentro de estruturas
estabelecidas [Iggers, 1988 ou 1984, p 19 et seqs. In José Carlos Reis, A História entre a
Filosofia e a Ciência, p 12).
Ranke estuda os escritos históricos no “reino do espírito” entendo que ali era feito a
“individualidade” cada uma com sua característica singular. “O historiador deve se
concentrar nos eventos expressões dessas individualidades apreendidas através das fontes”
José Carlos Reis. (A História entre a Filosofia e a Ciência, p 12) Ranke aponta conceitos
básicos para um método positivo que José Carlos Reis explica com clareza, chamando de
“história cientifica” “os fatos falam por si e o que pensa o historiador a seu respeito é
irrelevante” – o individualismo de Ranke – sobrepondo assim ele evitará a “construção de
hipótese” buscando o método epistemológico “indireto” 1. José Carlos Reis explica os
pontos citados e propostos por Ranke.
“[...] Passivo, o sujeito se deixa possuir pelo seu objeto, sem construí-lo ou
selecioná-lo. É uma consciência “recipiente”, que recebe o objeto exterior em si, ou uma
consciência “espelho”, que reflete o fato tal como ele é, ou uma consciência “plástica”,
que toma a forma dos objetos que se apresentam diante dela. Para obter esse resultado, o
historiador deve se manter isento, imparcial, emocionalmente frio e não se deixa
condicionar pelo seu ambiente soicio-politico-cultural”. (José Carlos Reis, A História
entra a Filosofia e a Ciência, p 13)
Esses positivistas acreditam serem independente adotando uma escola de
conhecimento
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histórico
metódico
e
objetivo,
narrativas
de
eventos
políticos,
O método epistemológico só foi reconhecido por Dilthey em 1888.
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administrativos, diplomáticos religiosos “o passado desvinculado do presente era a ‘área do
historiador’”. A escola metódica propostas por Ranke na Alemanha ganhou resistência ao
socialismo deixando de lado a crítica social que legitima a função do historiador, a sua
eficácia crítica e o seu conceito de objetividade, na prática a narrativa histórica do espírito
universal estava explicito no estado, na religião e na cultura. A Alemanha foi o primeiro
país a adotar o método erudito e mais tarde adotado pela França em 1876 com Gabriel
Monod e a fundação da Revuo Historique, desenvolvendo a erudição francesa.
Na França os “positivistas” segue os passos de Ranke nos moldes do espírito
Frances, em quanto Ranke esconde Hegel, escola metódica francesa está impregnada do
iluminismo embora não deixa claro que esse espírito francês usa outra base metódica o
“povo-nação” e a elite do estado. O positivismo francês segue por caminhos diferentes do
alemão. José Carlos Reis esclarece bem essa teoria de positivismo francês legitimando-o
abaixo.
“O iluminismo que sustentara esta historiografia será aquele evolucionista,
gradualista, anti-revolucionário, mas atualizado pela filosofia comtiana e seu “espírito
positivo” bem como influenciado pelo evolucionismo darwiniano. Aqui não se trata da
temporalidade “sintética de Hegel, mas da temporalidade evolutiva, cumulativa da
evolução gradual irreversível linear e infinita do progresso iluminista”. (José Carlos Reis,
A História entra a Filosofia e a Ciência, p 15)
Na França os eruditos adotaram leis e princípios para um detalhamento histórico e
metódico; a) a heurística
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a pesquisa como base nos documentos; b) as operações
analíticas coincidem-se na pesquisa minuciosa dos documentos e levando-os às críticas
externas e internas, a (exatidão das fontes) c) as operações sintéticas, os desfechos da
escrita sobre os documentos analisados, a veracidade da interpretação dos mesmos. José
Carlos Reis afirma que o primeiro historiador francês genuinamente metódico positivista
foi Fustel de Colanges e sustentava que “a história era ‘ciência pura’ e não arte. Dizia-se
seguidor de Descartes: só acreditava no demonstrado. Era um racionalista, cultivador da
dúvida metódica. Recusava a prevalência de predecessores e autoridades sobre os
documentos e o método crítico”. De maneira grandiosa as duas escolas metódicas tiveram
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Denomina-se heurística à capacidade de um sistema fazer, de forma imediata, inovações positivas para um determinado fim.
A capacidade heurística é uma característica dos seres humanos, cujo ponto de vista pode ser descrito como a arte de
descobrir e inventar ou resolver problemas mediante a criatividade e o pensamento lateral ou pensamento divergente.A
popularização do conceito se deve ao matemático George Pólya, com seu livro "Como resolver isto" (How to solve it).
Estudando muitos testes matemáticos de sua juventude, quis saber como os matemáticos chegavam às suas conclusões. O
livro contêm a classe heurística da prescrição que tentou ensinar aos seus alunos de matemática. Quatro exemplos extraídos
do livro ilustram melhor o conceito:Se não puder compreender um problema, monte um esquema; Se não puder encontrar a
solução, tente fazer um mecanismo inverso para tentar chegar à solução (engenharia reversa); Se o problema for abstrato,
tente propor o mesmo problema num exemplo concreto; Tente abordar primeiro um problema mais geral (o paradoxo do
inventor: o propósito mais ambicioso é o que tem mais possibilidade de sucesso).
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papeis importantes no desenrolar histórico cientifico, e o positivismo propriamente dito
teve sua linha definida por Collingwood.
“O positivismo pode ser definido como a filosofia ao serviço das ciências da natureza, tal
como na Idade Média a filosofia se encontrava ao serviço da teologia. Todavia, os
positivistas possuem uma noção própria, de ciências da natureza e julgavam que estas
consistiam em duas coisas; a) determinar os fatos; os factos eram determinados
imediatamente pela percepção sensorial; b) estabelecer as leis; as leis eram estabelecidas
através da generalização feita a partir destes factos, por indução”. (Collingwood, R.G. A
idéia da história; p145)
E acrescenta ainda que foi a “época do enriquecimento da história por meio da
compilação de enormes quantidades de material cautelosamente peneirado.”
A idéia de história universal foi abandonada. Augusto Comte exige que os factos
históricos sejam usados como fonte primaria segundo Collingwood “matéria-prima” mais
genuinamente importante e ainda propõe que se forme uma ciência nova denominado por
Comte como sociologia ou super-história, dando estatus ao super-historiador de investigar
os fatos por si só “os fatos falam por si...” (José Carlos Reis, A Historia entre a Filosofia e
a Ciência, p13).
Collingwood aponta uma lacuna deixada por Comte, quando afirma que (...) cada
uma delas queria dizer que a mera determinação dos factos, por si mesmo, era
insatisfatória, e que a sua justificação encontrava-se para além dela, em algo mais que
podia ou devia ser feito dos factos determinados. (Collingwood, R.G. A idéia da história;
p146)
Os positivistas embora não deixa claro em suas idéias, mais nem eles conseguem
desgrudar do ranço da filosofia da história. o processo histórico, para os positivistas era
idênticos ao processo natural. O método positivista estabelece normas para a sua escrita
histórica, que são dois princípios fundamentais; a) Determinar os fatos que tem como
principio a percepção sensorial, o conhecimento prático dos documentos históricos; b)
determinar as leis, que são estabelecidas através da indução entre o fato o que importa é
partir do particular para o todo.
Numa coisa temos que concordar, é que os teóricos que esclarece o conceito de
positivismo são categóricos em analisar e apontar que o “historiador não deve fazer juízo
de valor sobre os fatos deve apenas dizer o que era”. (Collingwood, R.G. A Idéia da
História; p147)
Collingwood aponta ainda que apesar de ser um método epistemológico e Dilthey
afirma mais tarde, quando destaca o historicismo alemão, descrito por José Carlos Reis,
Collingwood esclarece e deixa a sua critica ao positivismo afirmando que todo processo
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metódico estabelecidos pelos positivistas não passa de uma “analogia que interpreta a
natureza dos fatos históricos distorcendo o trabalho genuíno da investigação histórica.”
De uma coisa o processo metódico positivista teve contribuído significativamente
na Alemanha dos anos seguintes, Dilthey se apropria do método e propõe o surgimento de
uma nova ciência, a que Reis chamou de “a crítica da razão histórica” resgatando de Kant a
filosofia tradicional dando o subtítulo em 1888” A Introdução das Ciências do Espírito”.
“Estava convencido de que o único caminho ainda aberto para a filosofia da história era a
crítica kantiana. A filosofia da História torna-se Epistemologia da História” ( Jose Carlos
Reis, A História entre a Filosofia e a Ciência, p 26)
Dilthey questiona Ranke e se apropria do método positivo para criar novas regras
epistemológica, propondo a criação das ciências da natureza separando-a das ciências
humanas e por isso se apóia em Vico, dizendo que o homem só conhece o que ele cria o
que esta ao seu alcance é o que ele chama de exterior ao homem. “O plano da história é um
plano completamente humano [...]. (Collingwood. R.G, A Idéia da História, p111). Embora
para conhecer um evento José Carlos Reis aponta que o “sujeito do conhecimento” começe
pelos sinais exteriores”. Os conceitos diltheynianos para o historicismo é bastante valioso e
que tem regras a ser seguidas como a história da objetividade buscando ser analisado mais
uma vez sendo imparcial analisando-o particular em função de um todo. O historiador
viajante para Vico, que Dilthey se apropria com dignidade fazendo historia no passado sem
se desvincular do presente.
É um sujeito capaz de objetivar-se e tornar consciência de si, compreender-se
enquanto uma totalidade singular. Um individuo, no seu presente, retoma o seu “outro”
passado, procurando a consciência de si, conhecendo sua estrutura permanente e as
evoluções que viveram. (cf. Collingwood, 1978, In José Carlos Reis, A História entre a
Filosofia e a Ciência. p 31)
O historicismo alemão recebe duras criticas de Aron apontando que o,
“historicismo corresponderia a uma sociedade incerta de si mesma, a uma
sociedade sem futuro ou que recusa aquele futuro que ela mesma prevê e oscila entre a
revolta utópica e o fatalismo ‘lúcido’. Esta época relativista não reconhece acumulação de
verdades, progresso, mas uma dialética sem objetivo. È filosofia do devir e não da
evolução, que chega a uma anarquia de valores. (José Carlos Reis, A História entre a
Filosofia e A Ciência, p 33)
O que Aron chama de “relativismo historicista” nada mais é que o historicismo alemão está
entrando em decadência. O historicismo alemão tende a morrer se não faz nada no passado
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com deve viver o presente, e o futuro seria a morte, os historicistas estão preocupados com
o método epistemológico e esquece os fatos que acontece incessantemente. Algo que
preocupa Aron com relação à aristocracia alemã, Aron nada mais é do que um dos grandes
críticos do historicismo alemão embora não tem grandes obras e nem teve tanta expressão
literária, pouco se sabe de Aron, mais o pouco que se sabe Reis expõe de maneira
inteligível, concisa, embora seja diltheyniano.
A idéia que Aron tem de aristocracia alemã nada mais é de que, o passado serve para
orientar o futuro, e se “não tem passado” o que seria do futuro? José Carlos Reis chama de
“futuro-morte”, essa decadência citada acima se dá em função de uma Alemanha que está
entrando em crise e a sua aristocracia mergulhando nesse “relativismo historicista” fazendo
chover no molhado conceitos e métodos históricos que para Aron não vai levar a escrita da
história em lugar nenhum. “está aristocracia se identificaria em uma filosofia do devir, em
uma história sem progresso e sem razão” (José Carlos Reis, A História entre a Filosofia e a
Ciência, p 37).
Em fim Aron acredita que o futuro temporalidade primeira “viver historicamente” ao
passado resta o saber e ao presente a “realização desse conhecimento”.
Referência bibliografia
Collingwood, R.G. A idéia da história; p 145-151 Editoria Presença; Lisboa, PT; 9º edição.
REIS, José Carlos, A historia entre a filosofia e a ciência, p 5-39 Ed. Ática 1996 SP.
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