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Epistemologia
Por Willyans Maciel
Mestre em Filosofia (UFPR, 2013)
Bacharel em Filosofia (UFPR, 2010)
A epistemologia é o ramo da filosofia que se ocupa do estudo da natureza do conhecimento, da justificação e da
racionalidade da crença e dos sistemas de crenças, em outras palavras, de toda a Teoria do Conhecimento. Usado
pela primeira vez pelo filósofo escocês James Frederick Ferrier, o termo epistemologia é composto das palavas
"episteme" e "logos". Episteme significa "conhecimento" e Logos significa "palavra", embora seja mais usado no
sentido de "estudo" ou "ciência".
O filósofo Jonathan Dancy procurou expandir o conceito, defendendo que a epistemologia trata de "posturas
cognitivas", o que incluiria tanto nossas crenças, em sentido amplo, quanto aquilo que pensamos ser conhecimento.
Nesta análise, um dos propósitos da epistemologia seria verificar se agimos de modo responsável ou irresponsável
ao formar e manter as crenças que temos.
Ainda de acordo com Dancy, a epistemologia não se limita a analisar as crenças que temos, mas busca entender
quais crenças deveríamos ter.
O cerne da epistemologia trata de quatro áreas fundamentais:
1 Análise filosófica da natureza do conhecimento e como o conhecimento se relaciona com a verdade, crença e
justificação.
2 Problemas relativos ao Ceticismo, ou questões derivadas deste.
3 Critérios para se afirmar que algo é conhecido e justificado.
4 O alcance do conhecimento e as fontes da crença justificada.
No desenvolvimento destas quatro áreas fundamentais, três pontos acerca da natureza do conhecimento ocuparam
a mente dos filósofos, "saber que", "saber como" e "conhecimento por familiaridade".
A distinção entre o "saber que" e o "saber como" se dá na forma de uma distinção entre conhecimento teórico e
conhecimento prático, da atuação envolvendo aquele conhecimento, um exemplo clássico é andar de bicicleta,
situação em que o conhecimento teórico de física envolvendo o equilíbrio não é suficiente para determinar que
alguém será capaz de efetivamente equilibrar-se sobre a bicicleta e pedalá-la. Este conhecimento do equilíbrio é o
"saber que", enquanto a capacidade de efetivamente andar de bicicleta, mesmo sem possuir o conhecimento
teórico que explica o equilíbrio, é o que, em epistemologia, chama-se "saber como".
De acordo com o filósofo inglês Bertrand Russell, o que chamamos de "conhecimento por familiaridade" é adquirido
por uma interação causal direta, isto significa que existe uma experiência direta, não mediada, que é causa deste
conhecimento. Esta explicação tem por base a distinção entre "mediação" e "não mediação". A mediação ocorre
quando adquirimos conhecimento, ou o que pensamos ser conhecimento, por meio de uma estratégia, por exemplo,
a inferência. Neste caso partimos de algo conhecido e inferimos algo desconhecido. Como quando inferimos que o
Inverno será ameno pois o Outono foi ameno. A não mediação ocorre quando não recorremos a conhecimentos
anteriores, por exemplo, quando abrimos os olhos pela manhã e imediatamente sabemos que é manhã.
Os dados dos sentidos acerca do objeto observado são tudo com que a pessoa pode se familiarizar – adquirir
conhecimento por familiaridade. No que concerne os próprios pensamentos e ideias, provavelmente o ponto de
maior discussão acerca da natureza do conhecimento, como outros filósofos contemporâneos, Russell mantém a
proposta cartesiana de que uma pessoa pode ter conhecimento de si mesmo, embora não possa ter conhecimento
por familiaridade da mente de outras pessoas, uma vez que não interage pelos dados dos sentidos com este objeto
interno, a mente da outra pessoa, podemos apenas supor que uma mente existe pela observação do
comportamento da pessoa.
Esta questão traz a tona discussões tradicionais da filosofia, como o "cogito ergo sum" – penso logo existo – de
Descartes, mas também invoca discussões modernas em filosofia da mente e filosofia da linguagem, envolvendo
grandes pensadores do nosso tempo, como Wilfrid Sellars e David Chalmers.
Dentre as correntes filosóficas que trabalham embasadas na teoria do conhecimento, citamos: Dogmatismo,
Ceticismo, Relativismo, Pragmatismo e Criticismo (ponto intermediário entre o ceticismo e dogmatismo). A seguir,
uma breve definição das referidas correntes filosóficas.
1
Dogmatismo: Entende a verdade como pressuposta e aceita de forma irrefletida.
2
Ceticismo: Rejeita a relação epistemológica entre sujeito e objeto a ponto de inviabilizar o conhecimento da
verdade. Leia mais
3
Relativismo: Teoria que rejeita a universalidade do conhecimento e afirma a inexistência de verdades absolutas. É
claramente expresso na frase de Leonardo Boff: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”.
4
Pragmatismo: Doutrina fundada pelos filósofos americanos C. Pierce e W. James, o pragmatismo identifica a
veracidade de uma proposição à sua utilidade para o indivíduo ou grupo de indivíduos. Essa corrente encontra-se
claramente expressa, no pensamento de Nietzsche, nos seguintes termos: “A falsidade de um juízo não chega a
constituir, para nós, uma objeção contra ele; […] A questão é em que medida ele promove ou conserva a vida,
conserva ou até mesmo cultiva a espécie […].
5
Criticismo: O conhecimento é possível, a verdade existe, mas precisa ser posta constantemente à prova. Seu
expoente principal é o filósofo prussiano Kant que estabelece um meio termo entre o dogmatismo e o ceticismo.
Quanto à origem do conhecimento evidenciam-se duas correntes filosóficas de suma importância na Modernidade:
Racionalismo e Empirismo que, em desacordo, propõem métodos específicos para a investigação filosófica,
apelando ora para as ideias inatas ora às experiências na possibilidade de se alcançar o conhecimento.
O racionalismo é a corrente epistemológica que vê na razão a principal fonte do conhecimento universal e objetivo
que independe da experiência sensível (empírica). Exemplo desse conhecimento teríamos a matemática e a lógica que
não são baseadas na experiência, mas na necessidade lógica e validade universal. Seus principais representantes são:
Platão, Plotino, St. Agostinho, Malebranche, Descartes e Leibniz.
O empirismo vê a experiência como a principal fonte para o conhecimento. Seus representantes máximos são: Locke e
Hume que, baseados nos métodos das ciências naturais, veem a mente humana como se fosse uma espécie de folha de
papel em branco (“tábula rasa”) a ser preenchida pelos caracteres da experiência, das sensações. Nessa perspectiva, o
sujeito apreende o objeto por meio da experiência, mas especificamente pela mediação dos órgãos dos cinco sentidos.
Fábio Guimarães de Castro
Para saber mais:
A. Goldman, Epistemology and Cognition (Cambridge, Mass., 1986).
Bombassaro, Luiz Carlos. As fronteiras da Epistemologia. 3a. ed. Petrópolis: Vozes, 1993.
Ferrier, J. F. Scottish Philosophy the Old and the New. EDINBURGH: SUTHERLAND AND KNOX. LONDON: SIMPKIN,
MARSHALL, AND CO. 1856.
Jonathan Dancy. Extraído de Oxford Companion to Philosophy, org. por Ted Honderich (Oxford: Oxford University
Press, 1995, pp. 809-812).
Russell, B. Os Problemas da Filosofia. Tradução: Jaimir Conte. Florianópolis. UFSC, 2005.
Hessen, Johannes. Teoria do conhecimento. 7ª ed. Coimbra – Portugal: Martins Fontes.
Nietzsche, Friedrich. Além do Bem e do Mal – prelúdio a uma filosofia do futuro. Tradução: Paulo César de Souza.
Companhia das Letras.
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