um médico-paciente e a gestão de segurança

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UM MÉDICO-PACIENTE E A
GESTÃO DE SEGURANÇA
DR. EDUARDO RAIA
MÉDICO ANESTESIOLOGISTA - RJ BRASIL
RELATO DE UM SOBREVIVENTE
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Bom, aqui estou eu vivo e saudável graças ao meu bom Deus que com toda a certeza deste mundo estava
ao meu lado, ou melhor, estava comigo em seus braços e aos seus anjos da guarda enviados, Marcello
Vianna, Márcio Ananias e Cláudio Vieira, todos muito responsáveis por eu estar aqui agora escrevendo esta
história.
Estava eu internado, sendo hidratado para tentar expelir uns cálculos que estavam impactados em meu
ureter quando um auxiliar de enfermagem da Casa de Saúde colocou uma solução de 50 ml de soro
fisiológico com uma medicação chamada Nexium que serviria para proteger meu estômago. Não era o
Nexium que estava ali dentro. Era ali, naquele momento, que começaria a pior experiência que eu passei em
toda a minha vida, a de morrer, de saber que ia morrer sem nada poder fazer, de saber do que estava
morrendo e não poder avisar aos meus anjos que me socorriam, de morrer tão jovem e cheio de sonhos...
Uma sucessão de erros iniciados na farmácia da Casa de Saúde, que liberou uma droga de uso restrito em
centro cirúrgico para um andar de enfermarias, passando pela diluição sem conferência pela enfermagem,
culminou na administração de uma droga chamada Nimbium em minha veia. O Nimbium é um relaxante
muscular derivado do curare, usado em anestesia geral para paralisar os músculos, permitindo ao cirurgião
um relaxamento muscular adequado à realização de cirurgias. Portanto, quando administrada sozinha, esta
droga, produz paralisia de todos os músculos do corpo, inclusive os responsáveis pela respiração, mantendo
a pessoa imobilizada, porém consciente de tudo.
Agora, vocês podem imaginar o que eu, um anestesiologista, conhecedor profundo dos efeitos desta droga,
senti. Minha vida foi-se indo, sem forças para respirar, sem forças para avisar aos meus anjos, que ainda
atônitos me davam os primeiros socorros de suporte à vida, sem ter a menor idéia do que havia acontecido.
Com toda a minha força e alegria de viver, lutei contra esta droga, que por alguns segundos me venceu.
Porém, graças a uma máscara e um ambú salvador, que demorou a chegar porque o carrinho com o
equipamento de ressuscitação do hospital estava com suas rodas quebradas e se desprendendo, ressurgi
respirando por força das “ambuzadas” salvadoras do Cláudio Vieira, um amigo, pai, irmão, companheiro de
trabalho que lutava ali pra me salvar. Juntei todas as minhas forças, porque graças à “presença de espírito”
do Marcello Vianna que estava ao meu lado quando se iniciou a administração da droga, a mesma foi
interrompida por ele, permitindo que apenas uma pequena quantidade tenha realmente entrado em minha
veia. Consegui então, verbalizar com muito esforço aos meus outros dois anjos (Márcio Ananias e Cláudio
Vieira) a palavra: “curare... foi curare...” e desta forma receber o tratamento definitivo.
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O mais impressionante de tudo isto, é que naquele momento a Casa de Saúde estava recebendo um
certificado internacional de Acreditação Hospitalar, e eu ali, morrendo por um erro grosseiro de toda uma
estrutura hospitalar que estava sendo certificada internacionalmente por sua excelência em atendimento
hospitalar, que ironia não? Curiosamente neste dia, folgas de funcionários haviam sido canceladas,
número de cirurgias diminuídos para que não se repetissem as cenas que eu vi na semana anterior, de
pacientes e acompanhantes sentados no chão da recepção de tão cheio que o hospital estava. Tudo isso
para que os acreditadores tivessem uma boa impressão do hospital.
Mas o que aconteceu? O que levou a tantos erros? O que pode levar um funcionário da farmácia a liberar
uma medicação errada? O que pode levar uma farmacêutica a permitir que isso aconteça? O que levou
um auxiliar de enfermagem experiente a diluir e administrar uma droga errada? Que a Acreditação
canadense me responda. Que o excesso de burocracia ou “burrocracia” que a tão falada Acreditação
prega me responda. Que bom que possam responder a mim e não aos meus herdeiros... Será que não
estamos vivendo um momento de excesso de papéis? São tantos termos, formulários, protocolos, fichas
que os profissionais de saúde têm que preencher que no momento mais crucial, no momento em que
deve haver mais concentração, no momento em que se deve cuidar do paciente, separar e diluir as
medicações, estes profissionais estão esgotados mentalmente, sendo passíveis de erros tão grosseiros
que podem determinar o fim da vida de um ser humano. Que segurança hospitalar é essa pregada onde
papéis são mais importantes do que os seres humanos?
Muitos me perguntam o que eu vou fazer, outros me afirmam “você vai processar, né?”, porém, o que eu
realmente vou fazer, com o tempo, todos saberão. Todavia, eu que sempre lutei pela ética, pela boa
prática médica, pela lisura em todos os campos da vida, que critiquei os que se omitiram por covardia,
eu, que sempre levei o lema “não me assusta os gritos dos homens maus, mas sim, o silêncio dos
homens de bem”, não posso me calar, tenho que lutar e exigir mudanças. Não é possível se administrar
uma medicação e simplesmente dar as costas para o paciente. Porque o enfermeiro não leva a
prescrição até o quarto, não a lê para o paciente e prepara a diluição na frente do paciente? Isso não
aumentaria a segurança? Não seria isso excelência hospitalar? De uma coisa eu tenho certeza,
mudanças profundas precisam ocorrer, porque o que aconteceu comigo não pode acontecer mais. A
medicina e a assistência ao paciente precisam de uma reformulação profunda de seus conceitos,
visando à maior atenção a quem de direito: pacientes e profissionais de saúde em detrimento do lucro e
da papelada burocrática.
Encerro aqui muito feliz por estar vivo e bem, agradecendo a Deus por tudo em minha vida e a todos
meus amigos e parentes por fazerem parte da minha vida.
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Eu amo todos vocês...
Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2011.
EDUARDO RAIA
SEGURANÇA
É A PERCEPÇÃO DE ESTAR PROTEGIDO DE
RISCOS, PERIGOS OU PERDAS.
ESTAR SEGURO É?
TER A POLÍCIA POR PERTO?
TALVEZ NÃO…
DURANTE UM TIROTEIO NO MORRO DO ALEMÃO
ESTAR SEGURO É ESTAR
ABRIGADO E PROTEGIDO?
OU ESTAR ABRIGADO E
PROTEGIDO SERIA ISSO?
OU SEGURANÇA SERIA
ESTAR ALHEIO AO QUE
ACONTECE AO SEU
REDOR?
FICÇÃO?
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BELEZA
IMPONÊNCIA
MARKETING
ACREDITAÇÃO
PROTOCOLOS
MBA
REALIDADE?
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PROFISSIONAIS INSATISFEITOS
RELAÇÃO
ENFERMAGEM/PACIENTE
INADEQUADA
REMUNERAÇÃO INADEQUADA
CARGA HORÁRIA ELEVADA
CAPACITAÇÃO E FORMAÇÃO DE
QUALIDADE DUVIDOSA
FALTA DE TREINAMENTO
FALTA DE RECICLAGENS
PERIÓDICAS.
REALIDADE , FICÇÃO OU AMBOS?
ACREDITAÇÃO HOSPITALAR
ACREDITAÇÃO X ISO;
 PROMOVER A QUALIDADE DO ATENDIMENTO
ATRAVÉS DE PROTOCOLOS E PADRONIZAÇÕES
PRÉ-ESTABELECIDOS;
 CRIAR UM AMBIENTE DE MONITORIZAÇÃO
CONTÍNUA DOS PROCEDIMENTOS E
ATENDIMENTOS HOSPITALARES;
 PADRONIZAÇÃO DO ATENDIMENTO PARA
BUSCAR A QUALIDADE

ACREDITAÇÃO - CONTROVÉRSIAS
AUMENTO DA BUROCRACIA SEM AUMENTO DO
PESSOAL PARA LIDAR COM ELA;
 PADRONIZAR OU PERSONALIZAR?
 QUEM QUER SER ACREDITADO PAGA POR ISSO;
 PROTOCOLOS X FLEXIBILIZAÇÃO;
 SOBRECARGA DE PREENCHIMENTO DE PAPEL;
 POUCA ATENÇÃO AO ASTRO PRINCIPAL;
 CARRO CHEFE EM SEGURANÇA;
 MELHORIA NA REMUNERAÇÃO DOS HOSPITAIS
JUNTO ÀS OPERADORAS DE SAÚDE.
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SEGURANÇA HOSPITALAR
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QUALIDADE DO CORPO CLÍNICO;
EDUCAÇÃO CONTINUADA;
TREINAMENTO CONSTANTE;
TIMES DE RESPOSTA RÁPIDA;
RELAÇÃO ENFERMAGEM/PACIENTE ADEQUADA;
RELAÇÃO PLANTONISTAS MÉDICOS/PACIENTE ADEQUADA;
PROTOCOLOS DE SEGURANÇA;
CONTROLE E IDENTIFICAÇÃO ADEQUADOS DE MEDICAMENTOS;
ACREDITAÇÃO HOSPITALAR;
PROFISSIONAIS SATISFEITOS E MOTIVADOS;
REVISÃO PERIÓDICA DOS PROTOCOLOS DE ATENDIMENTOS;
SEGURANÇA E TRANSPARÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO DE
MEDICAÇÕES.
SEGURANÇA NO MANUSEIO DE MEDICAÇÕES
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ARMAZENAMENTO E ORGANIZAÇÃO CORRETOS DOS
MEDICAMENTOS;
ELIMINAÇÃO DAS SEMELHANÇAS DE FRASCOS E AMPOLAS;
ALERTAS E TREINAMENTO QUANTO À SONORIDADE E GRAFIA
SEMELHANTES DE DIVERSOS MEDICAMENTOS (KEFLIN/QUELICIN);
TREINAMENTO CONTÍNUO DOS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NA
SELEÇÃO, DISPENSAÇÃO , DILUIÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DAS
MEDICAÇÕES;
PRESCRIÇÃO DIGITAL OU EM LETRA DE FORMA;
ISOLAR E RESTRINGIR ACESSO ÀS DROGAS DE USO RESTRITO EM
CENTRO CIRÚRGICO;
IDENTIFICAÇÃO DE ALERTA EM DROGAS QUE POSSAM CAUSAR
RISCO DE MORTE;
IDENTIFICAÇÃO RIGOROSA DOS PACIENTES ALÉRGICOS
PERGUNTA:
VOCE
TOMARIA UM VINHO QUE
VIESSE ABERTO DA COZINHA DO
RESTAURANTE JÁ SERVIDO NA
TAÇA?
NEXIUM X NIMBIUM
SEMELHANÇAS E TROCAS COMUNS
FUROSEMIDA - ONDASETRONA
SALBUTEROL X ATROPINA
XYLOCAÍNA X BUPIVACAÍNA
TRAMADOL X NALOXONA
FALTA PADRONIZAÇÃO
PANTOPRAZOL X PANCURÔNIO
SOLUÇÃO
CRIAÇÃO OU REFORMULAÇÃO DA LEGISLAÇÃO
DE IDENTIFICAÇÃO DE AMPOLAS;
 AÇÕES JUNTO À INDÚSTRIA FARMACÊUTICA;
 ORGANIZAÇÃO DE AMPOLAS;
 CRIAÇÃO DE CAIXAS ORGANIZADAS DE
MEDICAÇÕES.

GAVETA DE ANESTESIA
CAIXA ORGANIZADA
DIFERENÇA
CAIXA ORGANIZADA X ACREDITAÇÃO
SOLUÇÃO
MULTIFATORIAL;
 MULTIDISCIPLINAR;
 INVESTIMENTO NO FATOR HUMANO;
 AUMENTO DO NÚMERO DE CHECAGENS;
 TRANSPARÊNCIA JUNTO AOS PACIENTES E
ACOMPANHANTES.

SEGURANÇA E TRANSPARÊNCIA DA
ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAÇÕES



A MEDICAÇÃO SÓ DEVE SER LIBERADA DA FARMÁCIA
APÓS A CONFERÊNCIA PELO FARMACÊUTICO;
AO CHEGAR NO POSTO DE ENFERMAGEM, A
MEDICAÇÃO
DEVE
SER
CONFERIDA
PELO
ENFERMEIRO RESPONSÁVEL E ENTÃO LIBERADA AO
TÉCNICO OU AUXILIAR DE ENFERMAGEM PARA O
PREPARO;
O TÉCNICO SE ENCAMINHA ENTÃO AO QUARTO ONDE
APRESENTA A PRESCRIÇÃO AO PACIENTE E
ACOMPANHANTE
PRESCRIÇÃO NO QUARTO
CHECAGEM E CONTRACHECAGEM;
 CONFERÊNCIA DE ALERGIAS;
 CONFIRMAÇÃO DA EQUIPE MÉDICA
ASSISTENTE;
 TRANSPARÊNCIA.

NO QUARTO
APRESENTAÇÃO DAS MEDICAÇÕES;
 DILUIÇÃO NA PRESENÇA DO PACIENTE E
ACOMPANHANTE;
 PERMANÊNCIA NO QUARTO DURANTE OS
PRIMEIROS MINUTOS DA ADMINSTRAÇÃO.

CARPE DIEM
A
VIDA É MUITO FUGAZ E TÊNUE,
PORTANTO, USE-A COM
INTELIGÊNCIA…
MUITO
OBRIGADO
DR EDUARDO RAIA
 [email protected]
 Blog: eduardoraia.zip.net

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