SUS oferece teste do pezinho a recém

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SUS oferece teste do pezinho a recém-nascidos
Com a triagem neonatal é possível diagnosticar precocemente doenças que,
quando não tratadas, podem levar a sérias complicações
Mesmo que nasçam com uma aparência saudável, os recém-nascidos
precisam ser submetidos ao exame conhecido popularmente como teste do
pezinho. Por meio dele é possível detectar a fenilcetonúria, o hipotireoidismo
congênito, a anemia falciforme (e outras doenças do sangue) e a fibrose
cística. Essas doenças, se não tratadas rapidamente, podem causar graves
seqüelas ao bebê ou comprometer sua saúde e bem-estar por toda a vida. O
teste do pezinho pode ser feito logo no primeiro mês , mas o ideal é que isso
aconteça o mais rápido possível, a partir do primeiro dia de vida do bebê..
Para reforçar a importância do teste do pezinho junto aos gestores de
Saúde, o Ministério da Saúde promoveu ontem (16) em São Paulo (SP) o curso
Gestão Pública na Triagem Neonatal, dirigido a coordenadores de programas
de triagem neonatal de secretarias estaduais e municipais de Saúde e para
profissionais que participam do 3o Congresso Brasileiro de Triagem Neonatal,
que começou ontem e termina amanhã (sexta-feira), também na capital
paulista.
O curso foi ministrado pelo coordenador-adjunto da Coordenação-Geral
de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, Joselito Pedrosa, que
apresentou o Programa Nacional de Triagem Neonatal do ministério. Instituído
em 2001 para ampliar a cobertura do teste do pezinho para todos os nascidos
vivos no Brasil, o programa é hoje considerado o maior na área de genética
clínica em saúde pública.
O teste do pezinho é realizado a partir da coleta de três gotinhas de
sangue em papel filtro, retiradas do calcanhar e encaminhadas ao laboratório.
No Brasil, 75,3% dos bebês são submetidos ao exame. É obrigação e direito
das mães exigir que o exame seja realizado.
Existem versões do teste do pezinho capazes de identificar mais de 30
doenças,
mas apenas fenilcetonúria
e hipotireoidismo
congênito
habitualmente detectadas nos programas nacionais em todo o mundo.
são
A fenilcetonúria é considerada uma doença rara e atinge uma em cada
15 mil crianças brasileiras. Ela provoca alterações no metabolismo do bebê. Se
não for tratada a tempo, causa deficiência mental, convulsões e alterações na
pele. A criança portadora da doença precisa ter uma alimentação controlada
durante toda a vida. Devem ser eliminados de sua dieta alimentos à base de
proteínas, que contêm o aminoácido conhecido como fenilalanina, como o leite
e alguns produtos enlatados.
A incidência do hipotireoidismo congênito no Brasil é bem maior. Atinge
uma em cada 3.500 crianças. A doença é provocada pela diminuição ou
ausência de um hormônio produzido pela glândula tireóide. Sem o hormônio,
impede-se o desenvolvimento de todo o organismo e a criança pode começar a
apresentar sinais de deficiência mental já no primeiro mês de vida (por isso o
ideal é que o teste do pezinho seja realizado rapidamente). Feito o diagnóstico
precoce, é preciso iniciar o tratamento, repondo o hormônio que o bebê não
fabrica.
A Deficiência da Biotinidase é outra doença metabólica que futuramente
poderá ser identificada por meio da triagem neonatal. A deficiência se
caracteriza quando o organismo não consegue obter a vitamina biotina da
maneira adequada. O diagnóstico precoce com o início do tratamento ainda
nos primeiros meses de vida, assegura ao bebê uma vida normal sem qualquer
sintoma da doença.
Tratamento
Vinte e quatro estados brasileiros estão credenciados ao Programa
Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), que realiza gratuitamente o teste do
pezinho além de todo o tratamento de doenças possivelmente diagnosticadas.
Apenas o Amapá e Roraima ainda não participam do programa. Segundo
Joselito Pedrosa, Roraima já solicitou o credenciamento e espera-se que até o
fim de 2005, o Amapá providencie sua participação no programa.
Para a realização deste trabalho, foram credenciados serviços de
referência em triagem neonatal, que são os núcleos operacionais em cada
estado. O programa é implantado em diferentes fases. “De acordo com o nível
de organização do sistema de saúde, o estado pode se habilitar em
determinada fase do PNTN. Nos estados onde está instituído o programa, as
mães recebem orientação sobre a importância do teste para a saúde de seus
filhos”, explica o coordenador adjunto da Coordenação-Geral de Média e Alta
Complexidade do Ministério da Saúde.
Outra iniciativa do programa consiste na distribuição de leite sem
fenilalanina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se encarrega
de regulamentar e fiscalizar a identificação da presença da substância no rótulo
de determinados alimentos.
Atenção à diversidade – Em virtude dos diferentes níveis de organização das
redes assistenciais nos estados e da diversidade das características
populacionais existentes no país, o Programa Nacional de Triagem Neonatal é
implantado em fases. Na primeira delas, é oferecido o diagnóstico, o
acompanhamento e o tratamento de crianças detectadas com fenilcetonúria e
hipotireoidismo congênito. Na segunda etapa, garante-se toda assistência
oferecida na fase um e ainda o diagnóstico e o tratamento das
hemoglobinopatias (doenças que envolvem a hemoglobina). A principal
hemoglobinopatia é a anemia falciforme.
A terceira fase do programa engloba tudo o que é oferecido nas fases
anteriores, além do diagnóstico e atendimento à fibrose cística – doença
genética que afeta especialmente pulmão e pâncreas.
Após o resultado dos exames e da confirmação de que o bebê é
portador de uma das doenças diagnosticadas no PNTN, realiza-se o trabalho
chamado de busca ativa. Convoca-se a família para uma consulta de
orientação e início do tratamento. Uma equipe multidisciplinar, garantida
também pelo SUS, realiza este atendimento.
Para cada doença, há um tratamento específico. No caso da
fenilcetonúria existe uma fórmula de aminoácido fornecida na rede pública de
Saúde. Essa fórmula é necessária para equilibrar a dieta alimentar do portador
da doença. Para a anemia falciforme, o SUS oferece também um
acompanhamento junto à rede de sangue e hemoderivados.
Sugestão de quadro
As quatro doenças que o teste do pezinho ajuda a evitar têm uma
característica comum: são todas transmissíveis de pai para filhos e não
têm cura. Mas, se diagnosticados bem cedo, os pacientes podem manter
uma boa qualidade de vida.
Fibrose cística (ou mucoviscidose) – A doença reduz a quantidade de água
presente em secreções do organismo, provocando dificuldade de eliminá-las
dos brônquios, comprometendo a limpeza do aparelho respiratório. Por isso, é
comum que os doentes sofram de sucessivas infecções respiratórias. Tosse,
catarro, chiado no peito, diarréia crônica, diminuição do peso e suor mais doce
que o normal são sintomas da doença que se verificam no primeiro ano de
vida. A partir daí, podem surgir outros, como peito estufado e abdômen
diminuído. Há registros de pessoas que desenvolvem cor azulada da pele. A
fibrose cística pode também causar o bloqueio dos dutos do pâncreas, o que
impede a chegada de enzimas digestivas aos intestinos. O tratamento inclui
fisioterapia, atividades físicas, antibióticos e inalações. Para os problemas
digestivos, indica-se a ingestão de enzimas para corrigir deficiências digestivas
e vitaminas, para compensar a digestão incompleta das gorduras e proteínas.
Segundo o Ministério da Saúde, 1.500 pessoas sofrem de fibrose cística no
país.
Hipotireoidismo congênito – Estima-se que um em cada 3 mil recémnascidos seja portador da doença. O hipotireoidismo congênito é causado pela
falta do hormônio T4, o que impede o crescimento e desenvolvimento de todo o
organismo, inclusive o cérebro. O resultado mais comum é a deficiência mental
de caráter irreversível. São bastante verificadas também convulsões,
problemas de pele, cabelo e urina. A doença pode levar à invalidez
permanente. O tratamento é feito com a administração do hormônio tireoidiano.
Anemia falciforme – Trata-se de uma alteração do formato e da consistência
dos glóbulos vermelhos. Em geral, eles são arredondados e flexíveis e com
isso passam facilmente por todos os vasos sangüíneos do corpo, mesmo pelos
mais fininhos. A anemia falciforme altera os glóbulos, que tomam o formato de
foices (daí o nome). Como não transitam pelos vasos com facilidade,
amontoam-se e acumulam-se, causando dores, que vão de moderadas a
fortíssimas, em ossos, músculos e juntas. As dores acontecem associadas ou
não a infecções, exposições ao frio, esforços e outros fatores. Palidez, cansaço
fácil, úlceras nas pernas e cor amarelada, visível principalmente no branco do
olho (icterícia), também são freqüentes. Nas crianças, a doença pode causar
inchaço doloroso nas mãos e pés. Quem sofre de anemia falciforme tende a
desenvolver infecções com maior freqüência. Nos casos de palidez excessiva,
é preciso encaminhar o doente para uma emergência, imediatamente.
Fenilcetonúria – Também fruto de um defeito congênito, calcula-se que a
doença atinja um em cada 10 mil recém-nascidos, no Brasil. O organismo do
doente tem uma deficiência que não permite a metabolização da fenilalanina –
um aminoácido que se torna tóxico, quando se encontra em grandes
concentrações no sangue. A fenilalanina ataca principalmente o cérebro e
causa deficiência mental. Controlar a alimentação é o único jeito de combater a
fenilcetonúria. A dieta deve ser à base de alimentos que não contenham a
substância. O Ministério da Saúde preconiza que todo produto industrializado
contenha, no rótulo, informações sobre a presença da substância.
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