Masculinidade e Contemporaneidad - Unitri

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Masculinidade e Contemporaneidade: concepções e sentimentos acerca
da masculinidade na visão de um grupo de homens adultos - jovens e
de meia-idade de Uberlândia-MG
Masculinity and contemporaneity: ideas and feelings about masculinity
in the Vision of A Men group-Young and middle-aged Uberlândia-MG
Autores: FERREIRA, Dayanne, [email protected] [a], OLIVEIRA, Gabriela,
[email protected] [a], OLIVEIRA, Jaqueline, [email protected] [a]
VASCONCELOS, Sandra, [email protected] [a].
COSTA, Sandra Maria, [email protected] [b], RAMOS, Maria Tereza de Oliveira,
[email protected] [c]
Resumo
Este artigo descreve os resultados finais da pesquisa realizada com 30 homens
jovens adultos e de meia-idade, da cidade de Uberlândia-MG, contraposto as seguintes
indagações: Que critérios ou parâmetros definiram e/ou definem a identidade
masculina? O que delimita o campo do masculino na contemporaneidade? Como os
homens se sentem diante desta suposta “crise” instituída? Objetivando investigar acerca
das concepções e sentimentos em relação às mudanças relacionadas à masculinidade na
era contemporânea. Tratou-se de um estudo transversal, descritivo, qualitativo e
quantitativo. Para realização deste estudo, optou-se por utilizar dois instrumentos, a
saber, questionário sociodemográfico e entrevista estruturada, elaborada pelas
pesquisadoras, contendo 12 questões. Os resultados apontaram que as três hipóteses
levantadas inicialmente, foram confirmadas pela pesquisa.
Palavras-chave: Homem, sentimentos, masculinidade.
Abstract
This article describes the final results of the survey with (30) young adult men
and middle-aged, in the city of Uberlândia, Minas Gerais, counterposed the following
questions: What criteria or parameters defined and / or define male identity? What
defines male field in the contemporaneity? How do men feel facing this supposed
established "crisis"? Aiming to investigate about the ideas and feelings about the
changes related to manhood in contemporary era. This was a cross-sectional,
____________________
[a] Graduandos em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo – UNITRI
[b] Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, professora do Curso de Psicologia – UNITRI
[c] Mestre em Educação pelo Centro Universitário do Triângulo - UNITRI
descriptive, qualitative and quantitative study. For this study, we chose to use two
instruments: a sociodemographic questionnaire and structured interview developed by
the researchers, containing 12 questions. The results showed that the three initially
hypotheses were confirmed by this research.
Keywords: man, feelings, masculinity.
INTRODUÇÃO
Após a expansão dos movimentos feministas, nas décadas de 1960 e 1970, o
“campo do feminino” – que era sempre vinculado à fragilidade, inferioridade e
procriação - passou a ser visto sob uma nova perspectiva. Conforme Araújo (2005), as
mudanças provocadas pelo feminismo desestabilizaram o modelo masculino tradicional
e impuseram a necessidade de sua revisão.
Estas mudanças que, se reafirmam na era contemporânea, trazem consigo novos
paradigmas acerca do que é “ser homem” na atual sociedade ocidental, abrindo um
debate em torno da identidade masculina que aponta para uma crise da masculinidade
do homem contemporâneo, juntamente com novas formas de “ser homem”, que estão se
tornando possíveis.
Segundo Silva (2000), “o homem estaria sendo colocado em xeque porque
estaria perdendo a noção de sua própria identidade, passando a buscar uma melhor
descrição de si”.
Tendo em vista estas questões, o presente trabalho teve por objetivo, investigar
as concepções e sentimentos de um grupo de homens (n = 30), jovens adultos e de meiaidade, da cidade de Uberlândia-MG, em relação às mudanças relacionadas à
masculinidade na era contemporânea.
Uma das hipóteses levantadas foi que o homem contemporâneo identifica
mudanças no seu comportamento, assim como no dos outros homens, quando
comparados às gerações anteriores. A segunda hipótese foi que as mudanças percebidas
pelo homem quanto ao papel que desempenha atualmente, são consideradas (por ele)
como positivas. Outra hipótese foi que se esse homem tem dificuldades de se posicionar
diante das mudanças de papéis que a própria dinâmica social tem definido para as novas
relações de gênero, o que esse homem tem a fazer é reconstruir o seu eu social,
reconstruir o retrato que faz da sua masculinidade, da sua virilidade, da sua idéia de
machista.
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Gomes, Nascimento e Araújo (2007), afirmam que são necessários mais estudos
acerca da historicidade da masculinidade, que busquem explorar esse termo além do
biológico, compreendendo-o também como uma categoria que é tida como atributos e
funções socialmente construídos, envolvendo tanto diferenças quanto a inter-relação
entre os sexos. Além desses, outros estudos que contemplem como os homens se sentem
diante das mudanças,visto que este processo de (re) adaptação pode vir em forma de
sofrimento psíquico.
Em função disso, esta pesquisa mostrou-se relevante, pois possibilitou aos
participantes uma reflexão sobre as sensações e sentimentos do homem contemporâneo
acerca da masculinidade e a expansão dos conhecimentos sobre essa temática.
REFERENCIAL TEÓRICO
Segundo Foucault (1986), até o século XVIII não era possível encontrar um
modelo de sexualidade humana conforme se entende hoje. A concepção dominante até
então era a do one-sex-model, ou monismo sexual, na qual a mulher era entendida como
sendo um homem invertido. Costa (1995), afirma que somente entre os séculos XVIII e
XIX é que pequenas mudanças passariam a ocorrer, entre elas, o modelo two-sex-model,
justificando-se apenas sob diferenças morais. No século XIX, ressaltam-se os discursos
médicos que alimentaram o slogan “mente sã num corpo são”, OLIVEIRA, (2004).
De acordo com Gay (1995), a identidade sexual e de gênero do homem
vitoriano, estava intrinsecamente ligada à representação do seu papel na sociedade, por
exemplo, a forma de se vestir. Até meados do século XX, a valentia, a firmeza, a
inteligência e a imponência, foram associadas ao ser masculino e vistas como
qualidades sobre as quais a própria sociedade gostava de se auto projetar. Este
movimento histórico fez com que se consolidasse uma masculinidade e uma virilidade
hegemônica comum a todos os homens, como forma de evitar uma possível
feminilidade inerente, alguns homens, devido ao medo de tornarem-se homossexuais.
Contudo, se a possibilidade de feminilização era mal vista para os homens, a
masculinização também o era para as mulheres,e, por conseguinte, sua escolha afetiva e
sexual deveria voltar-se para o sexo oposto ao seu, (SILVA, 2000).
Todo esse processo de transformações em torno das figuras feminino e
masculina é atravessada pelas concepções da psicanálise intitulada por Freud, (1976),
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em sua teoria “Complexo de Édipo”, que tanto homens como mulheres nascem com
suas respectivas sexualidades indefinidas sendo os padrões femininos e masculinos
sendo formados a partir das influências do meio, mais precisamente das relações que os
indivíduos, ainda nos anos iniciais de vida, estabelecem com seus genitores. Freud,
(1976), conclui que o sentido biológico, por si só, não explica o comportamento
psicossexual e que não são tanto as funções ou desempenhos sociais realizados a julgar
a masculinidade/feminilidade, mas os clichês que recaem sobre uma e outra. Portanto,
observa-se que uma identidade sexual que se inicia aos dois anos e, é afirmada mais
solidamente após o fim da puberdade.
De acordo com Gay (1995), além de Freud ter reforçado no imaginário social
burguês, contribuiu significativamente para a atual crise da identidade masculina, após a
postulação da teoria da bissexualidade inata. Os homens se viram ainda mais atordoados
em relação si próprios e às suas respectivas sexualidades.
Os estudos sobre a masculinidade na contemporaneidade consideram-se que “o
império da subjetividade e da relativização assume lugares cada vez mais
consolidados”. É nesse novo contexto epistemológico que os estudos de gênero
proliferaram, a tentativa de escapar das armadilhas da naturalização e construir um
pensamento capaz de demonstrar como os modelos de feminilidade e masculinidade são
construídos culturalmente, (SILVA, 2000).
Em sua pesquisa, Valério (2010) considera que o modelo tradicional de
masculinidade trazia uma forte ideia de distinção e negação do feminino, e que o
paradigma contemporâneo buscou juntar esta diversidade e dispersão; pois, atualmente,
fala-se em um paradigma mais flexibilizado, mas que, mesmo assim, ainda mantém
algumas regras e princípios de diferenciação. Ainda de acordo com o autor, é a não
adequação a esses paradigmas, ou modelos de masculinidades possíveis na atualidade,
que provoca a tão discutida crise da masculinidade, que se refere à sensação de malestar e indefinição que o homem passa diante a oscilação que este novo paradigma traz ora exigindo uma identidade masculina tradicional, ora moderna - que se alternam entre
si e, também, recombinam outros elemento de constituição de gênero.
METODOLOGIA
O presente trabalho tratou-se de um estudo transversal, descritivo, qualitativo e
quantitativo, uma vez que “mescla” esses dois tipos de estudo. A pesquisa foi realizada
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com homens, adultos jovens (20 a 40 anos) ou de meia idade (40 a 65 anos) considerando a classificação das fases do desenvolvimento humano, definida por
Papalia, Olds e Feldman (2010) - residentes e domiciliados na cidade de UberlândiaMG. A amostra, não probabilística por conveniência, foi composta por 30 participantes,
seguindo assim as orientações de Barbetta (2002), que sugere a utilização de uma
amostra mínima de trinta participantes para a validação da pesquisa.
Para realização deste estudo, optou-se por utilizar dois instrumentos elaborados
pelas pesquisadoras: o questionário sociodemográfico, contendo os dados de
identificação do sujeito, a faixa etária, grau de escolaridade e condição socioeconômica;
e a entrevista estruturada, incluindo dez perguntas que buscavam investigar as
concepções e os sentimentos de um grupo de homens acerca da masculinidade na
contemporaneidade. Após a aplicação individual dos instrumentos, as respostas dos
participantes foram organizadas em categorias e, posteriormente, codificadas numa
planilha do SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 15.0, programa
por meio do qual foram submetidas a estatísticas descritivas como médias, frequências,
desvio padrão e Correlação de Pearson.
ANÁLISE E DISCUSSÃO
Para análise e discussão dos dados foram utilizados o Questionário
Sociodemográfico e a Entrevista Estruturada. O Questionário Sociodemográfico
investigou questões relacionadas à idade, cor, estado civil, religião, profissão,
escolaridade e faixa salarial.
Quanto à investigação das concepções e sentimentos dos participantes da
pesquisa em relação às mudanças associadas à masculinidade na era contemporânea, foi
organizada uma entrevista estruturada, em que as respostas, para uma melhor análise,
foram agrupadas em três categorias que são: concepções quanto à masculinidade,
características pessoais e sentimentos quanto à mudança de papéis.
Com relação às concepções e sentimentos quanto à masculinidade, foi
questionado a esses homens se “percebiam alterações no comportamento dos homens
das gerações passadas para as gerações atuais” e todos os participantes responderam
afirmativamente.
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A respeito das mudanças percebidas, os participantes assinalaram com maior
frequência os itens, mudanças no modo de vestir, no modo de tratar as mulheres, na
troca de papéis, cuidados pessoais e nas responsabilidades.
Sendo que a maioria
considerou essas mudanças como sendo positivas. Com a justificativa de que todas estas
mudanças contribuem para a igualdade entre as pessoas ou porque o homem está
acompanhando uma tendência natural de desenvolvimento. A maior parte dos
entrevistados 80%, também responderam que se sentiam influenciados por elas.
Para Ribeiro e Siqueira (2007), a existência do homem é fundamentada naquilo
que a cultura determina, ou seja, é baseada no momento histórico que este homem está
situado, nas crenças e valores de determinada sociedade. Assim, esse homem
acompanha as transformações culturais que se dão no decorrer dos anos e vai se
ajustando aos padrões exigidos por ela, tornando-se um “novo homem”.
Com a finalidade de conhecer um pouco mais sobre as percepções que o homem
tem diante da mulher moderna, ou seja, independente, foi possível perguntar sobre “o
que os participantes achavam do homem que assume as responsabilidades de casa,
enquanto a mulher sai para trabalhar?” Grande parte dos entrevistados acredita que
ambos têm direitos iguais, já outros disseram que concordam quando há comum acordo.
Em relação aos sentimentos que estas mudanças causavam, as respostas giraram
em torno de sentimento de indiferença, que acreditavam nos direitos iguais entre
homens e mulheres ou que não tiveram nenhum sentimento diante dessas mudanças.
O modelo tradicional de família contemplava uma divisão clara e específica dos
papéis, em que o homem era o responsável pelo sistema financeiro, enquanto a mulher
era encarregada de cuidar dos filhos e dos afazeres domésticos. Nos dias atuais, essa
concepção mudou, os homens já realizam tarefas que antes eram atribuídas somente as
mulheres e estas já participam ativamente do mercado de trabalho e também contribuem
com a administração financeira da família, estabelecendo novos padrões familiares. Já é
possível notar então, em alguns núcleos familiares, uma clara divisão de tarefas, em que
tanto o homem quanto a mulher tomam conta dos filhos e participam da vida escolar, as
tarefas domésticas passam a ser divididas e a ajuda financeira pode passar a vir dos dois
(WAGNER et. al. 2005).
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Falar do homem contemporâneo é tentar falar de nós mesmos, por isso a
dificuldade, pois somos ao mesmo tempo “objeto” que escreve e se descreve tentando
compreender o além se si... E entendendo que o homem vive imerso em múltiplas
identidades deslizantes, plural, acima de tudo discursivo e chamado a refletir, achou se
viável questioná-los sobre as novas formas do homem contemporâneo retomando
questões sobre o que é ser homem para você? Quais seriam suas concepções à cerca da
masculinidade? Cujas respostas foram: 96,67% indicaram a família em primeiro lugar,
sendo designada pelo conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si e
vivem na mesma casa formando um lar, em segundo lugar ficou a “saúde” 80% e em
terceiro lugar foram contemplados o trabalho com 43,33%.
Como objetivo de conhecer um pouco mais sobre os participantes da pesquisa,
questionamos sobre a prática de atividades físicas, os resultados totais foram
considerados que 70% praticam atividades, muitas vezes mais de uma atividade, dentre
elas, as preferidas são; futebol seguido de caminhada e corrida.
Na pergunta “como você se considera”, 96,67% dos participantes apontaram
serem “educados”, 93,33%“ um bom filho”, 90,91% “um bom marido”, 90,48% “ um
bom pai” 73,33% ser “sensível”, dotado de sensibilidade; que tem sentidos, que pode
perceber pelos sentidos; material, concreto, que reage facilmente às mínimas impressões
físicas ou morais podendo ser sensível ao frio, aos elogios, emotivo, compassivo,
humano, terno, etc. 73,33% apontaram “trabalhador, 43,33 se veem como “antiquado”,
adjetivo daquilo que está ou se encontra obsoleto; antigo, fora de uso e 36,67 apontam
como “rústico” que significa rude, simples ou grosseiro.
Ao perguntá-los, “você chora/expõe seus sentimentos,”73,33% disseram que sim
e 26,67% disseram que não choram. Em complemento à questão 86,67% acham
adequado o homem chorar e 13,33% discordam. Ao tentar entender o “por que” o
homem deve expor seus sentimentos: 50% disseram que deveriam expor seus
sentimentos, 33,33 acreditam que, os “sentimentos são inerentes ao ser humano”, sendo
este definido como a “ação ou efeito de sentir, de receber impressões mentais, sensação
psíquica, tal como as paixões, o pesar, a mágoa, o desgosto etc, bem como a disposição
para ser facilmente comovido ou impressionado a emoção terna ou elevada, tal como o
amor, a amizade, o patriotismo, a atitude mental a respeito de alguém ou de alguma
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coisa; sentimento de estima, de respeito, de ódio, do dever”, etc. e 16,67%
não
responderam a pergunta.
As diversas concepções presentes na atual sociedade em relação ao conceito do
que é “ser homem”, ressalta o interesse de se refletir a masculinidade na visão
psicológica (Guerra et al. 2014). As masculinidades criam um lugar simbólico que
sustenta a personalidade dos indivíduos, molda as ações e sentimentos tornando–se um
padrão a ser adotado (Machin et al. 2010). Explicando melhor, o entendimento de
masculinidade pode ser compreendido a partir de uma soma de caracterizantes, atributos
e competências que, influenciados por uma cultura, constroem uma preconcepção,
“modelo” de homem (GUERRA et al. 2014).
Com o objetivo de compreender a concepção de masculinidade que os
participantes possuem, foi proposto a eles uma pergunta, “O que é ser homem pra
você?”. Ser um homem provedor foi manifestado por 16.66% sujeitos. Santana e
Benevento (2013) explicam que devido o “status” de sexo masculino, usualmente, os
homens são orientados a posição de provedores da família. Desenvolvendo neles um
sentimento de obrigação em trabalhar fora de casa. Os autores afirmam, também, que tal
concepção está relacionada a uma construção social, o qual, o individuo está inserido.
Os sujeitos também consideraram outros atributos como, ser responsável
43.33%, honesto 20% e os fatores bio-genéticos 16.66%. Embora tenham ocorrido
algumas transformações nos últimos anos, em relação aos costumes e valores, aqueles
relacionados ao gênero percebe-se que ainda perduram (Swain, 2001 apud Santana e
Benevento, 2013). À vista disso, Santana e Benevento (2013), apontam que apesar das
características relacionadas ao gênero parecer um conceito fixo elas são modificadas
com o tempo, ou seja, a partir da situação histórica em que os indivíduos estão
inseridos.
Diante disso, os sujeitos foram questionados se concordavam com algumas
características atribuídas geralmente ao sexo masculino, tais como: a autonomia dos
homens diante das mulheres, seu papel ativo, a iniciativa sexual e a prescrição da força
e da disputa. A maioria dos participantes, 40%, discordou e justificou como sendo
direitos iguais. No entanto, 26, 67% acreditavam que são características naturais e
impostas ao homem por essa razão concordavam.
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Para Destarte Moreira (2012) apud Santana e Benevento (2013), toda função
pode ser desempenhada por qualquer sexo, sendo ambos capacitados para desenvolvêlas. Porém, devido às imposições sociais, como os comportamentos e as normas, o meio
em que o ser humano está inserido “determina os papéis masculinos ou femininos,
instituindo assim o gênero, isto é, hierarquias socialmente constituídas”.
Buscando compreender melhor, foi solicitado aos participantes que assinalassem
as alternativas que consideravam ser masculinas, tais como: virilidade (vigor e energia),
sustento dos filhos, autoridade em relação às mulheres, iniciativa sexual, prescrição de
força e de disputa e heterossexualidade. Os resultados apontaram que 80% entendem
como características masculinas a virilidade (vigor e energia), 60% a iniciativa sexual,
56,67% o sustento dos filhos, 40% a prescrição de força e de disputa, 33,33% a
heterossexualidade e 13,33% a autoridade em relação às mulheres.
Para compreender a forma como o homem se sente mais confortável ao sair com
uma mulher, foi questionado se eles preferiam: pagar a conta, dividi-la ou deixar que a
mulher pague. Dos entrevistados, 50% expressaram sua preferência por pagar a conta e
43,33%, por dividir a conta. Em relação aos sentimentos ao ver uma mulher em um
cargo de liderança 23,33% afirmaram serem indiferentes, não possuir estranhamento,
20% relataram que a mulher está no cargo devido a seu mérito, 16,67% que os direitos
devem ser iguais e 13,33% manifestaram se sentir satisfeitos e admirar tal conquista.
Desta maneira, ao discutirmos sobre a masculinidade, estamos refletindo sobre
uma concepção flexível, preservada por estruturas e regras sociais instáveis, que segue
as modificações históricas, culturais e políticas. Logo, é concebível pensar na
masculinidade em diversos modos de ser homem na sociedade (Grossi, 2004 apud
Guerra et al. 2015).
Para verificar se a idade dos participantes influenciou na escolha dos itens
relacionados às mudanças do comportamento foi realizado um teste chi-quadrado (x²).
Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas respostas dadas
pelos dois grupos.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa objetivou avaliar as concepções e sentimentos acerca da
masculinidade na visão de um grupo de homens adultos - jovens e de meia-idade de
Uberlândia-Mg e responder às questões: Que critérios ou parâmetros definiram e/ou
definem a identidade masculina? O que delimita o campo do masculino na
contemporaneidade? Como os homens se sentem diante desta suposta “crise” instituída?
Os resultados indicaram que o homem contemporâneo percebe mudanças em
relação às gerações anteriores e consideram estas mudanças como positivas, embora
apresentem dificuldades para se reposicionar frente a alguns papéis, os quais estão
passando por ressignificações.
O homem contemporâneo passa a se enxergar e ser enxergado diante do mundo
sob uma perspectiva fragmentada e é aquele que vive dentro de múltiplas identidades,
um homem plural, acima de tudo discursivo. Tais resultados demonstram a necessidade
de convidar esse homem à refletir, sobre essa nova realidade, cada vez mais complexa,
na qual ele convive com a necessidade de organizar as múltiplas informações, muitas
vezes com tarefas que exigem rapidez e eficiência num curto espaço de tempo.
As três hipóteses organizadas foram confirmadas pela pesquisa: O homem
contemporâneo identifica mudanças no seu comportamento, assim como no dos outros
homens, quando comparado às gerações anteriores. O homem percebe as mudanças nos
papéis que desempenha atualmente, como positivas. O homem tem dificuldades de se
posicionar diante das mudanças de papéis que a própria dinâmica social tem definido
para as novas relações de gênero, o que esse homem tem a fazer é reconstruir o seu eu
social, reconstruir o retrato que faz da sua masculinidade, da sua virilidade, da sua idéia
de machista.
Diante dos resultados e discussões apresentados, verificamos que todos os
participantes perceberam essas mudanças nos comportamentos como também, 80% (24)
deles responderam que se sentiam influenciados por elas. Algumas das mudanças
identificadas foram, no modo de se vestirem, de tratar as mulheres, nos cuidados
pessoais, nas responsabilidades e em relação à troca de papéis.
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Pudemos comprovar a segunda hipótese que levantamos, de que o homem
percebe as mudanças nos papeis que desempenha atualmente, como positivas, pois nas
entrevistas nos deparamos com a maioria dos homens respondendo que notam as
mudanças que vem e ocorrendo e as avaliam com positivas. Quando indagados sobre o
porquê dessa opinião, as respostas giraram em torno de, uns acreditando que estas
mudanças estão contribuindo para a igualdade entre as pessoas, e outros defendendo a
ideia que os homens estão acompanhando uma tendência natural de desenvolvimento.
Vale ressaltar que uma outra parcela da amostra, mesmo acordando com as mudanças,
acreditam que elas também trouxeram alguns retrocessos.
Outro fato que pode confirmar esta hipótese é a certeza que estes homens têm
quanto às influências que as mudanças provocam neles mesmo, acordando em sua
maioria, que estas acontecem pelo fato de já estarem inseridos na sociedade.
Sentimentos de indiferença e crença nos direitos iguais são respostas que estes homens
nos deram em relação aos seus sentimentos perante algumas mudanças, embora alguns
poucos estejam preocupados com a mudança de valores que esta nova realidade pode
trazer.
A terceira hipótese da pesquisa, sobre esse homem ter dificuldades de se
posicionar diante das mudanças de papéis que a própria dinâmica social tem definido
para as novas relações de gênero, o que esse homem tem a fazer é reconstruir o seu eu
social, reconstruir o retrato que faz da sua masculinidade, da sua virilidade, da sua idéia
de machista, foi confirmada. Ressaltando, que apesar de o homem contemporâneo
identificar mudanças no seu comportamento quando comparado às gerações anteriores,
consideram as mudanças nos papeis que desempenha atualmente, como positivas, ainda
assim tem dificuldades de se reposicionar quanto a isso, e justificam sendo
características naturais impostas ao homem pela cultura.
O resultado da pesquisa mostrou que alguns dos componentes presentes nas
gerações anteriores, estão preservados na contemporaneidade, como resultados das
amostras, (80%) dos homens entendem como características masculina a virilidade
(vigor e energia), (60%) entendem a iniciativa sexual pertencente ao homem, (56,67%)
consideram como parte do masculino o sustento dos filhos e no caso de pagar as contas
ou dividirem com as mulheres (50%) preferem pagar sozinhos como modo de se
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sentirem mais confortáveis, o que mais uma vez nos mostram ainda hoje prevalecem as
idéias machistas.
Considerando que os processos de mudanças implicam em transformação do
sujeito, supõe-se que o homem esteja vivenciando a suposta “crise”, pelo fato de estar
inserido nessa sociedade que transforma e ressignifica papéis a cada dia.
Desta maneira, ao discutirmos sobre a masculinidade, estamos refletindo sobre
uma concepção flexível, preservada por estruturas e regras sociais instáveis, que segue
as modificações históricas, culturais e políticas, porém conservadoras. O homem
contemporâneo passa a se enxergar e ser enxergado diante do mundo sob uma
perspectiva fragmentada e é aquele que vive dentro de múltiplas identidades, um
homem plural, acima de tudo discursivo, sempre sendo chamado a refletir, sem
respostas claras e objetivas, uma realidade cada vez mais complexa. Um homem que
convive com a necessidade de organizar as múltiplas informações com tarefas que
exigem rapidez e eficiência num curto espaço de tempo.
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WAGNER. A. et al. Compartilhar Tarefas? Papéis e Funções de Pai e Mãe na
Família Contemporânea. Brasília, 2005.
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