surdez - Unesp

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DISACUSIA NEUROSSENSORIAL
NA INFÂNCIA
REGINA H. G. MARTINS
DISCIPLINA DE OTORRINOLARINGOLOGIA
FACULDADE DE MEDICINA -BOTUCATU
Unesp
SURDEZ
•
•
Conceito - é a perda parcial ou total da audição
Classificação :
quanto à época de aparecimento: congênita ou adquirida
quanto à intensidade: quanto à intensidade: leve (26-40dB),
moderada (41-55dB), moderadamente severa (56-70dB),
severa (71-90dB), profunda (acima de 90dB)
quanto ao tipo : condutiva, neurossensorial ou mista
CONSEQÜÊNCIAS DA SURDEZ
• Dependem do grau da perda auditiva
• Da época do aparecimento (idade adulta ou
período pré-lingual)
• Se uni ou bilateral
CONSEQÜÊNCIAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA
• Problemas perceptuais
• Problemas na aquisição e desenvolvimento da
linguagem
• Problemas cognitivos
• Problemas sociais
• Problemas emocionais
• Problemas educacionais
• Problemas profissionais
SURDEZ NEUROSSENSORIAL
• DEFINIÇÃO
É essencialmente da
via óssea
audiométrica,
podendo ser
sensorial, neural, de
tronco cerebral ou
central.
Na maioria dos casos, a surdez neurossensorial é coclear
ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS
• A surdez incide em 1-2:1.000 nascimentos
• 2:100 neonatos de alto risco
• 50% de origem genética
• 25% são idiopáticas
• 25% de causas perinatais
INDICADORES DE RISCO PARA
DEFICIÊNCIA AUDITIVA
(Joint Committee on Infant Hearing, ASHA, 2001)
NEONATOS DE 0 – 28 DIAS
• História familiar de surdez hereditária
• Infecções intra-útero (rubéola, sífilis, toxoplasmose,
citomegalovírus e herpes)
• Anomalias craniofaciais ou síndromes genéticas
• Peso ao nascimento < 1.500 g
• Hiperbilirrubinemia – níveis de bilirrubina indireta >
20mg/100 ml de soro
• Uso de fármacos ototóxicos por mais de 5 dias
• Meningite bacteriana
• Apgar 0-4 no 1o min; ou menor que 6 no 5o min
• Estigmas genéticos, sinais e síndromes associadas
Joint Committee on Infant Hearing, ASHA, 2001
29 DIAS A 2 ANOS
• Antecedente familiar de atraso de linguagem ou
surdez
• Meningite bacteriana ou infecções associadas a
perda auditiva neurossensorial
• Trauma craniano associado a perdas de consciência
ou fratura do crânio
• Estigmas de síndromes associadas a perda auditiva
• Uso de fármacos ototóxicos (incluindo, mas não
limitando, a agentes quimioterápticos ou
aminoglicosídeos, associados ou não a diuréticos de
alça)
Joint Committee on Infant Hearing, ASHA, 2001
CRIANÇAS QUE NECESSITAM
MONITORAMENTO ATÉ 3 ANOS
História familiar de surdez
• Infecções intra-útero (citomegalovirus, rubéola,
sífilis, herpes e toxoplasmose)
• Neurofibromatose tipo 2 ou doenças
neurodegenerativas
Joint Committee on Infant Hearing, ASHA, 2001
CONSIDERAÇÕES GERAIS
• A surdez faz parte de mais de 100
síndromes genéticas
• Está inserida em um grande conjunto de
malformações craniofaciais
• A herança recessiva ocorre em 80% dos
casos
SUSPEITA CLÍNICA
• Criança desatenta
• Apresentando atraso na aquisição da linguagem
• Distúrbios articulatórios persistentes
• Com ou sem traços genéticos
• Com ou sem história familiar de surdez
• Com fatores de risco neonatais
EXAME FÍSICO – atentar para:
Cabelos - implantação, cor, textura
Pavilhões auriculares - deformidade e posição
Olhos – distância intercantal, formato, coloração, acuidade visual
Nariz – formato, dorso
Lábios – formato, postura, sialorréia, fissuras
Mandíbula – micro ou retrognatia
Dentes - formato, oclusão, estado geral
Língua – formato, tamanho, mobilidade
Palato – fissura, formato, mobilidade
Malformações em membros, manchas café c/ leite, hipertricose em
dorso
EXAMES COMPLEMENTARES
Urina I, sorológicos, hormônios
tireoideanos, TC e RM de ouvido
SURDEZ NEUROSSENSORIAL
Congênita
Adquirida
Genética
50%
Não genética
Não sindrômica
Michel
Sheibe
Mondini
Alexander
Sindrômica
30%
Pendred
Alport
Waardenburg
Albinismo
Usher
Cornélio de Lange
Goldenhar
Crouzon...
Cromossômica
Trissomia
13-15-18-21
Infecciosa
Ototóxica
Hiperbilirrubinemia
Hipóxia
Prematuridade...
Infecciosa
Tramática
Tumoral
Ototóxica
Degenerativa...
SURDEZ DE ORIGEM GENÉTICA
• 80% são recessivas
• 20% dominantes
SURDEZ GENÉTICA NÃO
SINDRÔMICA
APLASIA DE MICHEL
•
•
•
•
•
Agenesia total do ouvido interno
Autossômica dominante
O estribo pode estar ausente
Diagnóstico radiológico
Diagnóstico diferencial - labirintite ossificante
da meningite
• AASI sem sucesso
TOMOGRAFIA NORMAL
TOMOGRAFIA NORMAL
TOMOGRAFIA NORMAL
RESSONÂNCIA NUCLEAR MAGNÉTICA NORMAL
APLASIA DE MICHEL
APLASIA DE MONDINI
•
•
•
•
•
•
Presença apenas do giro basal da cóclea
Autossômica dominante
Pode ser unilateral
Diagnóstico radiológico e tomográfico
Audição residual em freqüências agudos
AASI
APLASIA DE MONDINI
APLASIA DE MONDINI
Quando o labirinto ósseo está
comprometido, a tomografia auxilia o
diagnóstico
APLASIA DE SCHEIBE
• Causa mais comum de surdez genética
• Autossômica recessiva
• Comprometimento do labirinto
membranoso
• Pode ser unilateral
• Audição residual em freqüências graves
• AASI
APLASIA DE ALEXANDER
• Há incompleta diferenciação das estruturas do
ducto coclear, em especial do órgão de Corti e do
ducto perilinfático
• Comprometimento das freqüências agudas
• AASI
SURDEZ GENÉTICA SINDRÔMICA
SÍNDROME DE WAARDENBURG
• Autossômica dominante
• Hiperplasia de sobrancelhas, heterocromia
da íris, albinismo parcial, surdez em 25%
dos casos
• Atrofia do órgão de Corti, da estria vascular
e redução dos neurônios do gânglio espiral
• AASI
SÍNDROME DE WAARDENBURG
TREACHER COLINS
• Disostose mandibulofacial
• microtia
• atresia meatal
• atrofia do malar
• proeminência do zigoma
• hipoplasia mandibular
• fissura palpebral
• surdez
NEUROFIBROMATOSE
SÍNDROME DE GOLDENHAR
ÓCULO-AURÍCULO-VERTEBRAL
SÍNDROME DE CORNELIO DELANGE
S.DOWN
OUTRAS SÍNDROMES
•S.USHER - surdez e retinite pigmentosa progressiva,
caráter recessivo, hipoacusia bilateral
•S.PENDRED- autossômica recessiva, surdez acompanhada
de distúrbio da glândula tireóide
•S. ALPORT – surdez e doença renal progressivas e de graus
variados. Mais freqüente entre os meninos. Herança
autossômica dominante. Nefrite hemorrágica e surdez
neurossensorial.
•ENFERMIDADE DE
CROUZON
• herança autossômica
dominante
•disostose crânio facial
•sinostose prematura das
suturas
•exoftalmia
•lábio superior curto e
inferior alargado
Origem congênita não genética e
origem adquirida
SURDEZ NEUROSSENSORIAL
(Bento - Miniti - Maroni, 1998)
Rubéola materna- 18%
Meningite bacteriana- 9%
Outras viroses- 9%
Drogas ototóxicas- 6%
Anóxia perinatal- 6%
Icterícia Neonatal- 5%
Outras causas - 4%
Origem infecciosa
RUBÉOLA CONGÊNITA
• 1O trimestre da gestação; 18% dos casos de
surdez na infância
• Profunda e bilateral
• Surdez, catarata, retardo mental e alt. cardíacas
• Histologia – degeneração de todo labirinto
membranoso
• Diagnóstico – exames sorológicos
• Profilaxia – vacinação
CAXUMBA
• Paramixovírus – RNA
• Alterações na membrana basilar, órgão de
Corti, células ganglionares
• Perda auditiva súbita, unilateral, profunda
• Vertigem e zumbido podem estar presentes
CITOMEGALOVÍRUS
• Causa mais comum de surdez não genética em
crianças
• Retardo mental, surdez, encefalopatia, corioretinite,
hepatoesplenomegalia, icterícia, microcefalia, baixa
estatura, prematuridade
• Histologia - hidropsia da cóclea e do sáculo, colapso
da membrana de Reissner, atrofia da estria vascular
• TC- calcificações dos gânglios da base
• Diagnóstico - exames sorológicos, TC
SÍFILIS CONGÊNITA
• Treponema pallidum
• Lesões viscerais, em pele, mucosas, SNC e ossos
• Surdez súbita em jovens; zumbido, hipoacusia
flutuante e progressiva, uni ou bilateral, com ou sem
vertigem
• Histologia – atrofia do órgão de Corti
• Sintomas vestibulares associados
• Diagnóstico – exames sorológicos – FTA-ABS
DENTES DE HUTCHINSON
MENINGITE BACTERIANA
•
•
•
•
•
8-10% das disacusias severas e profundas
Ossificação dos canais cocleares
Surdez bilateral, permanente e profunda
Etiologia - H. influenzae, Streptococos pneumoniae
Sintomas vestibulares associados
OUTRAS INFECÇÕES
• SARAMPO
• GRIPE
• VARICELA
• HERPES
• TOXOPLASMOSE
• AIDS
KERNICTERUS
• Incompatibilidade Rh (mãe Rh- e feto Rh+)
• Depósito de bilirrubina não conjugada nas
vias neurais e no SNC
• Icterícia, RM, encefalopatia e surdez
• Surdez profunda bilateral em freqüências
agudas
• Hipoacusia ocorre em 7% dos casos
Avaliação auditiva em
neonatos com
hiperbilirrubinemia
Daniela P. C. da Silva, Regina H. G. Martins
Disciplina de otorrinolaringologia da Faculdade
de Medicina de Botucatu
Unesp
HIPEBILIRRUBINEMIA
SURDEZ
ENCEFALOPATIA
Tratamentos
FOTOTERAPIA
EXSANGÜÍNEO
TRANSFUSÃO
Objetivo
Avaliar a integridade do sistema auditivo em
neonatos portadores hiperbilirrubinemia,
utilizando-se:
 pesquisa das emissões otoacústicas
transientes (EOAT)
 pesquisa dos potenciais evocados auditivos
de tronco encefálico (PEATE)
Casuística e Método
• Casuística:
 GI: 25 neonatos com hiperbilirrubinemia, 12 do
gênero feminino e 13 do masculino
 GII: 22 neonatos sem hiperbilirrubinemia, 10 do
gênero feminino e 12 do masculino
Todos com até 60 dias de vida.
Resultados
EOAET
Presentes em GI e GII
Resultados
Gráfico 1. Amplitude de resposta nas bandas de freqüências de
2K, 3K e 4KHz no exame de emissões otoacústicas
transientes na orelha direita em ambos os grupo de
estudo.
16,55
Amplitude da resposta
18
16
14
12
10
*
16,5
15,24
12,96
11,41
9,48
8
GI
6
GII
4
2
0
2KHz
3 KHZ
4 KHz
Freqüências
* p< 0,05.
Resultados
Tabela 1. Média e desvio padrão das latências
absolutas das ondas PI, PIII e PV por grupo de
estudo.(ms)
* p < 0,05
Resultados
Tabela 2. Média e desvio padrão das latências
interpicos LI - III, LIII – V e LI - V por grupo de
estudo (em ms).
* p < 0,05
Conclusões
Neonatos com hiperbilirrubinemia:
 Menores amplitudes das EOAET
 Discreto prolongamento da onda V
 Prolongamento do interpico I – V
Comprometimento Coclear e
Retrococlear
Interpretação minuciosa de ambos os testes
OTOTOXICIDADE
• Antibióticos - estreptomicina, neomicina,
gentamicina, kanamicina, amicacina,
netilmicina, vancomicina, polimixina B,
cloranfenicol
OTOTOXICIDADE
• Diréticos- ácido etacrínico, furosemida
• Outros- salicilatos, quinino, mostarda
nitrogenada, quimioterápticos, antihipertensivos, anestésicos,etc.
OTOTOXICIDADE
•
•
•
•
Zumbido, hipoacusia e vertigem
Insuficiência renal potencializa a ação ototóxica
Lesões das células ciliadas externas e internas
Efeito reversível em muitos casos
ETIOLOGIAS DIVERSAS
• Prematuridade
• Hipóxia
• Traumatismo
• Distúrbios metabólicos- diabetes
hipotireoidismo
• Ruído (PAIR)
AVALIAÇÃO AUDITIVA
Respostas comportamentais aos instrumentos sonoros
• Audiometria tonal condicionada
• Pesquisa das emissões otoacústicas
• Pesquisa dos potenciais evocados auditivos do
tronco encefálico
• Eletrococleografia
RESPOSTAS
COMPORTAMENTAIS AOS
INSTRUMENTOS SONOROS
AUDIOMETRIA TONAL
CONDICIONADA
AUDIOMETRIA TONAL LIMIAR
POTENCIAIS EVOCADOS
AUDITIVOS DO TRONCO
ENCEFÁLICO
CZ+
A2-
A1-
terra
Estímulo-clicks filtrados; tempo de análise 10ms, filtros 1003.000Hz, rítmo de 13-17 estímulos/seg, mascaramento 40dB,
monoaural, intensidade de 85dB,
I – nervo auditivo
II- núcleo coclear
III- complexo olivar
IV- leminisco lateral
V- colículo inferior
PI – 1,5-1,8ms
PIII – 3,7-4,0 ms
PV- 5,6-6,08
LI-III- 2,2-2,6ms
LIII-V- 1,8-2,3
LI-V- 4 – 4,5ms
PESQUISA DAS EMISSÕES
OTOACÚSTICAS
Repro: > 50%
Resp.: > 3dB
Estabilidade: > 80%
Feniman, 1993
MEDIDAS PREVENTIVAS
•
Campanhas de prevenção – vacinação contra rubéola e
outras viroses, meningite, etc.
• Antibioticoterapia adequada e precoce nas meningites
• Aconselhamento genético
• Identificação de doenças infecto-contagiosas no pré-natal
• Cuidados com substâncias ototóxicas
• Menor exposição ao ruído.
TRATAMENTO
• Aparelho de amplificação sonora
individual (AASI)
• Implante coclear
A qualidade de vida da criança surda depende de:
• Diagnóstico precoce
• AASI e terapia fonoaudiológica, o mais precoce
possível
• Conscientização e colaboração das pessoas que
convivem com a criança
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