EXERCÍCIOS CEREBRAIS: O USO DA NEURÓBICA COM IDOSOS(1) Bianca Giongo Scherf(2), Roberta Medeiros Hilgert(3), Thauana Silveira(4), Elisa de Oliveira Rosa(5), Cenir Gonçalves Tier(6) (1) Trabalho executado com recursos do Edital 35/2015 - Programa de Fomento à Extensão; Discente do curso de fisioterapia (Bolsista PROFEXT); Universidade Federal do Pampa; Uruguaiana, RS; [email protected]; (3) Discente do curso de enfermagem; Universidade Federal do Pampa. (4) Discente do curso de fisioterapia, Universidade Federal do Pampa. (5) Discente do curso de enfermagem; Universidade Federal do Pampa. (6) Orientadora; Universidade Federal do Pampa; (2) RESUMO: As demências são consideradas um problema de saúde pública que interferem na vida diária dos idosos, a memória é a função mais acometida, diante disso surgem os exercícios de neuróbica a fim de estimular o cérebro com os cinco sentidos. O estudo objetivou utilizar a neuróbica em idosos domiciliados. Os participantes pertencem a um projeto de extensão, dentre as ações realizadas quinzenalmente destacam-se a de “Exercícios cerebrais: o uso da neuróbica com idosos” realizada no mês de junho de 2015 em uma Estratégia de Saúde da Família, onde alguns dos sentidos dos idosos foram estimulados durante a atividade. Participaram oito idosos, com idade entre 64 e 84 anos, eles apresentaram dificuldade de recordar cheiros que estão presentes no dia-a-dia e atividades que exigem maior concentração não são muito bem aceitas pelo fato deles já pensarem que não vão conseguir, antes mesmo de executar as tarefas. A fim de melhorar a memória a neuróbica têm sido difundidas na neurociência como possibilidade de superar as dificuldades de aprendizagem, bem como ampliar as habilidades cognitivas. Percebeu-se que os idosos conseguiram compreender o objetivo da neuróbica e o quanto a prática dela é importante para trabalhar a memória dos mesmos. Palavras-Chave: Envelhecimento, Idosos, Memória. INTRODUÇÃO As demências, caracterizadas pela perda das habilidades cognitivas e emocionais são consideradas um problema de saúde pública que interfere na vida diária dos idosos (CHARIGLIONE; JANCZURA, 2013). A memória é a função superior mais discutida na área do envelhecimento normal, pois a ausência desta se torna uma das queixas mais comuns nos idosos. A memória, enquanto capacidade cognitiva constitui uma premissa central para se formar a identidade e a autonomia, sendo assim algo decisivo para as pessoas adultas (DAVID, 2014). Do ponto de vista cognitivo, o envelhecimento normal é caracterizado por déficit na memória episódica verbal e prejuízo nas funções executivas, bem como pela diminuição na velocidade de processamento de informações (OLIVEIRA et al., 2013). Com o envelhecimento os neurônios do cérebro vão reduzindo a capacidade de formar novas sinapses, e ainda, por falta de estímulos, há o risco de perder as sinapses antigas (CHELLES, 2012). Diante desse contexto, surgem os exercícios de neuróbica, criada nos EUA no ano 2000 pelos neurocientistas americanos Lawrence Katz e Manning Rubin, que consiste na inversão da ordem de alguns movimentos comuns do nosso dia a dia, alterando nossa forma de percepção, sem modificar nossa rotina, essa nova descoberta da neurociência afirma que o cérebro mantém a capacidade de crescer e mudar o padrão de suas conexões até o fim da vida (CHELLES, 2012). O objetivo da neuróbica é executar de forma consciente as ações que levam a reações emocionais e cerebrais visando exercícios que mexem com aspectos físicos, emocionais e mentais do nosso corpo utilizando exercícios que usam os cinco sentidos para estimular a tendência natural do cérebro de formar associações entre diferentes tipos de informações, colocando assim os sentidos em sinal de alerta para uma nova situação (KATZ; RUBIN, 2000). O estudo objetivou utilizar a neuróbica em idosos domiciliados do município de Uruguaiana que participam do projeto de extensão “Ações de saúde para idosos domiciliados em uma Região do Oeste do Rio Grande do Sul/Brasil”, visando assim, auxiliar na minimização dos prejuízos que a memória pode ocasionar na pessoa idosa. METODOLOGIA Estudo exploratório-descritivo de caráter qualitativo. Os participantes foram os idosos que fazem parte do projeto de extensão. A atividade neuróbica faz parte das ações deste projeto e a equipe é constituída por discentes do curso de enfermagem e fisioterapia, e docentes do curso de enfermagem, fisioterapia, farmácia e educação física. As ações ocorrem quinzenalmente, com duração de uma hora e trinta minutos nas dependências da Estratégia de Saúde da Família. A atividade de neuróbica intitulada de “Exercícios Anais do VII Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa cerebrais: o uso da neuróbica com idosos” foi realizada no mês de junho de 2015 e teve início no momento em que uma das integrantes da equipe apresentou aos idosos como seria esta atividade e, neste momento, abriu-se para discussão e para sanar dúvidas dos idosos a respeito das dinâmicas. Na segunda etapa, os idosos sortearam uma palavra da caixa de palavras e falaram outras cinco palavras que iniciavam com a mesma letra da palavra sorteada, sem receber a ajuda dos outros idosos. Na terceira etapa, os idosos foram vendados, e deveriam realizar a identificação tátil e olfativa de objetos. Na tátil eles deveriam identificar uma caneta, uma bola, uma banana, uma laranja e uma maça somente com o tato. Na identificação olfativa eles deveriam identificar o cheiro de cravo, salsa, alecrim, bergamota e de canela. Na quarta e última etapa, os idosos formaram duas filas, onde o último idoso de cada fila era orientado a desenhar nas costas do idoso a sua frente que estivesse na sua frente. Em uma das filas a orientação foi para desenhar uma flor, já na outra fila uma casa, com o dedo nas costas do idoso que estivesse na sua frente da fila o desenho deveria ir passando para a frente até que chegasse no primeiro idoso da fila, o qual deveria desenhar o desenho que tinha sentido ser feito nas suas costas para uma cartolina. No final do encontro os idosos receberam orientações e um material que continham atividades de neuróbica, as quais os idosos poderiam realizar para estimular a memória, dentre elas, era ouvir todas as manhãs as notícias no rádio ou na televisão e ao final de cada dia tentar recordar as principais notícias ouvidas pela manhã, escovar os dentes com a mão não dominante, mudar o percurso para ir de casa até a estratégia de saúde, trocar o relógio de braço e escrever com a mão não dominante. Para tanto, vale ressaltar que o projeto respeita as prerrogativas da Resolução 466 de 12 de dezembro de 2012 relacionada a pesquisas com seres humanos e foi aprovado sob parecer 10.055. RESULTADOS E DISCUSSÃO Nesta ação participaram oito idosos, sendo seis do sexo feminino e dois do sexo masculino, com idade entre 64 e 84 anos. Dentro dos resultados pode-se salientar que os idosos tiveram dificuldades nas atividades de identificação olfativa, onde todos apresentaram problemas para identificar os cheiros de salsa e alecrim, mesmo eles relatando que fazem o uso desses temperos nas suas alimentações. As demais identificações táteis e olfativas foram acertadas pelos oito idosos participantes. Na quarta etapa os idosos apresentaram maiores dificuldades, as quais nos remete pensar que pode ser por exigir maior concentração dos idosos. Nesta atividade nenhuma das duas filas conseguiu reproduzir no final a mesma imagem que foi passada no início. A partir destas atividades pode-se perceber que os idosos têm dificuldades de recordar cheiros que estão presentes no dia-a-dia e, que atividades que exigem maior concentração não são muito bem aceitas pelo fato deles já pensarem que não vão conseguir, antes mesmo de executar as tarefas. A fim de melhorar a memória a neuróbica tem sido difundida na neurociência como possibilidade de superar as dificuldades de aprendizagem, bem como ampliar as habilidades cognitivas. Os exercícios propostos têm o intuito de manter o cérebro ativo e saudável, promovendo o desenvolvimento do seu potencial de aprendizagem através da plasticidade neural (SILVA et al., 2015). CONCLUSÕES Diante da atividade proposta, percebeu-se que os idosos conseguiram compreender qual é o objetivo da neuróbica e o quanto a prática de atividades deste tipo são importantes para trabalhar a sua memória. Neste sentido, considera-se que o uso de atividades relacionadas a memória são necessárias para reduzir as perdas cognitivas causadas pelo envelhecimento REFERÊNCIAS CHARIGLIONE, I.P.F., JANCZURA, G.A. "Contribuições de um treino cognitivo para a memória de idosos institucionalizados." Rev. Psico USF 18.1 (2013): 13-22. CHELLES, R.C.F. Neuróbica, ginástica para o cérebro: levantamento do atual estado da arte deste tema. 2012. 21 f. Trabalho de conclusão de curso (licenciatura - Pedagogia) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Rio Claro, 2012. DAVID, M.J.C. Plasticidade cognitiva e envelhecimento bem-sucedido: otimização e compensação funcional através das atividades de vida diária instrumentais. Universidade de Évora, Escola de Ciências Sociais. Editora da Universidade de Évora, Évora, 2014. KATZ, L. C., RUBIN, M. Mantenha o seu cérebro vivo: exercícios neuróbicos para ajudar a prevenir a perda de memória e aumentar a capacidade mental. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. OLIVEIRA, C.S., COSTA, S. R., LEMOS, C.E. "Oficina de Memória para idosos: espaço para conhecimento, socialização e ludicidade." Rev. Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano 9.2, 2013. SILVA, J.T.; BARBOSA, I.S.; SOUZA, J.C.R. Neurociência cognitiva e habilidades de gênero: uma análise do desempenho cognitivo de estudantes brasileiros avaliados no pisa. Rev. Areté: Revista Amazônica de Ensino de Ciências, v. 8, n. 15, 2015. Anais do VII Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa