Especialista da Mayo alerta que distíurbios do sono pode colocar

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Especialista da Mayo alerta que distíurbios do
sono pode colocar paciente em risco
Academia Americana de Medicina do Sono estima que mais de 70
milhões de norte-americanos sofre de algum tipo de distúrbio do
sono, incluindo roncos, apneia e, em alguns casos, sonambulismo.
29/05/2013 03:24:07
O neurologista e especialista do sono Pablo Castillo da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, explica
como os transtornos do sono podem deixar sequelas na saúde.
P – Quais são os problemas mais comuns que levam as pessoas a procurar um médico, em casos
de distúrbio do sono?
Pablo Castillo – Os problemas mais comuns são a insônia, a apneia obstrutiva do sono, a síndrome
das pernas inquietas e as parassonias, que são comportamentos anormais que ocorrem quando a
pessoa está dormindo.
P – Que tipo de comportamentos anormais? E o que é a síndrome das pernas inquietas?
Pablo Castillo – A síndrome das pernas inquietas é melhor classificada como um distúrbio dos
movimentos. No caso das parassonias, ocorrem comportamentos anormais, como caminhar ou falar
dormindo. Isso é considerado parassonia. Há dois tipos de parassonia: as que ocorrem durante o
sono não REM (ou NREM) e as que ocorrem durante o sono REM [Rapid Eye Movement ou sono
sem ou com movimentos rápidos dos olhos]. Entre as que ocorrem durante o sono REM estão, por
exemplo, os pesadelos e os distúrbios de comportamento do sono REM, que têm implicações na
doença de Parkinson. Entre as parassonias de NREM estão o sonambulismo, a fala durante o sono,
que faz parte do sonambulismo, e o que se denomina pânico noturno ou terror noturno.
P – Pode dar alguns exemplos de problemas relacionados a parassonias?
Pablo Castillo – Entre as parassonias mais comuns está o sonambulismo. O sonambulismo é
bastante frequente na infância. As crianças se levantam, caminham, realizam funções complexas. A
maioria desses episódios diminui conforme a pessoa cresce. Se uma pessoa em idade adulta
começa a ter episódios de sonambulismo, apesar de não os ter por muitos anos, é bem comum que
isso seja um evento ocasional ou exacerbado pela existência de algum outro problema, como, por
exemplo, privação do sono. Pode ser, também, que a pessoa tenha desenvolvido uma apneia
obstrutiva do sono.
O sonambulismo é frequente. É um transtorno que ocorre durante o sono NREM e, geralmente, a
pessoa não se recorda de que sonhou com alguma atividade, embora pareça que esteja sonhando
para o observador. Se alguém o desperta, a pessoa parece confusa e não se recorda do que esteva
sonhando. Geralmente, esses pacientes não se lembram, na manhã seguinte, do que fizeram
durante a noite.
P – Que problemas de saúde podem ser vinculados aos problemas do distúrbios do sono?
Pablo Castillo – O maior problema de saúde ocorre quando a parassonia provoca movimentos
violentos. Há ocorrências como a de uma pessoa ter ido a um hotel, ser privado do sono durante a
noite e começar a andar, correndo o risco de cair de um andar alto, por exemplo.
Um tipo de parassonia que é associada a uma patologia é a parassonia do sono REM, o que se
chama de “distúrbios de movimentos do sono REM”. Verifica-se que aproximadamente 20% dos
pacientes, se você os acompanha por 10 ou 15 anos, irão desenvolver uma síndrome parkinsoniana,
devido ao que conhecemos como sinucleopatia, que inclui a doença de Parkinson e atrofia de
sistemas múltiplos.
P – Quanto à apneia do sono, há alguma relação com problemas cardiovasculares?
Pablo Castillo – Sim. Em casos de apneia obstrutiva do sono, que, primariamente, é um problema
respiratório que ocorre durante o sono, a via aérea superior se fecha parcial ou totalmente. Isso é
conhecido como hipopneia e depois apneia, quando o fechamento é total, o que é associado à
hipoxia intermitente. Isso desencadeia uma série de fatores em nível genético e celular. Ocorrem
distúrbios do tipo metabólico porque pessoas com apneia do sono tendem a ter uma quantidade
reduzida de sono de ondas lentas. A redução do sono de ondas lentas está associada à obesidade.
Portanto, são problemas de nível metabólico e de ativação de genes prejudiciais à saúde.
P – Pode explicar melhor a relação com a obesidade?
Pablo Castillo – Há estudo que mostram que, quando pessoas ainda novas são privadas do sono,
em questão de dias, se não forem feitos testes para estabelecer o metabolismo da glicose no
sangue, o que se chama de índice HOMA (modelo de avaliação da homeostase), esses jovens
começam a apresentar níveis de açúcar pré-diabéticos. É claro, felizmente, que isso é reversível.
Porém, quando menos sono a pessoa tenha, mais risco de obesidade terá. Isso já foi documentado
em estudos epidemiológicos.
P – Os roncos estão relacionados à apneia do sono? Como é essa relação?
Pablo Castillo – Há muitas pessoas que roncam, mas não têm apneia. Isto é, a via aérea, quando a
pessoa começa a entrar em níveis mais profundos de sono, se relaxa e o tecido, ao se tornar mais
maleável, digamos assim, começa a vibrar e produzir roncos. Quanto mais alto for o ronco, mais
risco existe de que a pessoa tenha apneia do sono. Muitas vezes as pessoas que roncam, sejam
homens ou mulheres, podem se dar conta de que entram em pausas respiratórias ou apneia.
Portanto, sim, há uma relação entre o volume do ronco, sendo muito forte, com um problema de
apneia.
Para mais informações sobre tratamento para os transtornos do sono disponíveis na Clínica Mayo de
Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 1-904-9537000 ou envie um email para [email protected].
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