As perdas causadas por vírus em plantas de batata são bastante

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Concentração viral e produção de plantas de batata infectadas com o
Potato virus X (PVX) e o Potato virus Y (PVY) e tratadas com
piraclostrobina.
Priscilla de Sousa Geraldino
(1)**
; Antonia dos Reis Figueira
Oliveira(1)***; Silvia Regina Rodrigues de Paula Ribeiro
(1)*
; Cleiton L.
(1)
; João Eduardo M. de
Almeida(1)**.
Bolsistas: *CNPq, **Capes, ***FAPEMIG.
(1)
Universidade Federal de Lavras –Depto de Fitopatologia.
C.P.3037, 37200-000-Lavras-MG.
ABSTRACT: Concentration of virus and production of potato plants infected with
the Potato virus X (PVX) and the Potato virus Y (PVY) and treated with
pyraclostrobin.
The losses caused by virus in potato plants are quite significant and they are among the
principal causes of the low productivity of that crop in Brazil. Researches carried out by
several researchers revealed that fungicidal products, based on piraclostrobina, are able
to induce a positive physiologic effect in potato plants, making them more productive and
resistant to fungi and bacteria. In this study the effect of pyraclostrobin in the viral
multiplication and in the production of potato plants cv. Agate was investigated. The used
product was Comet [piraclostrobina (250g/L) PC], in the concentration of 1,2 mL/l(0,30f/L)
IA, that was sprayed in the plants 4 hours before the mechanical inoculation with Potato
virus X (PVX) and with Potato virus Y (PVY). The treatments were: plants treated with
Comet and inoculated with PVX and PVY, plants treated and not inoculated and control
plants neither treated nor inoculated, using one plant by pot, with 10 replicates. The potato
plants treated and inoculated with PVY produced an average of 351,1g and, the ones
treated with PVX produced 398,5g, which was similar or superior to the control plants. The
plants treated and not inoculated produced 332,5 g and the plants not treated and not
inoculated produced 302,0 g. This result was considered important, because it indicated a
new alternative for the decrease of losses caused by virus in field.
Keywords: Solanum tuberosum; viruses; strobilurins.
INTRODUÇÃO
As doenças viróticas são as principais causadoras de perdas de produção em batata,
sendo que estas variam com o vírus, a cultivar e a época em que a planta for infectada.
As causadas pelo PLRV e pelo PVY podem chegar a mais de 80% (De Bokx & Huttinga,
1981; De Bokx & Bus, 1996). Cupertino & Costa (1970) determinaram que a planta de
batata infectada com PLRV pode sofrer uma perda média da produção de 60,8%,
variando de 47,6 a 73,4%, dependendo da cultivar. Lima & Hamerschmidt (1982)
observaram que uma incidência de 0,5% de PVY e de 7,4% de PLRV + PVY nas
sementes induziu 16,7% e 51,1%, respectivamente, de redução na produção da cv. Delta.
As perdas causadas por PVX e PVS, isoladamente, são em torno de 10%, mas essas
podem chegar a 50% se eles estiverem associados a outros vírus (Mizubuti, 1981;
Hooker, 1981; Beemster & De Bokx, 1987).
A falta de uma substância viricida para o controle de fitoviroses faz com que os
métodos de controle para essas doenças sejam essencialmente de caráter
preventivo, de modo que uma vez estabelecidas na cultura pode-se apenas tentar
evitar a sua disseminação. Portanto, a descoberta de um produto capaz de melhorar
o desempenho da planta infectada seria de grande utilidade no Brasil, onde as
sementes empregadas para produção de batata consumo geralmente têm uma
incidência mínima de vírus que varia de 10 a 20%.
Na última década, o efeito de produtos fungicidas à base de piraclostrobina que,
além de controlar doenças produz um efeito fisiológico na planta de batata, levando
ao aumento da sua produção, tem sido relatado (Koehle et al., 2002). Nesse trabalho
foi investigado o efeito da piraclostrobina na concentração do PVX e PVY e na produção
de plantas de batata infectadas e sadias.
MATERIAL E MÉTODOS
Foi empregado um isolado de PVYN e um de PVX, coletado a partir de sementes
de batata com alta incidência no campo em 2005/2006 e mantidos na coleção do
Departamento de Fitopatologia da UFLA. As plantas de batata foram obtidas por plantio
de tubérculos previamente submetidos a forçamento de brotação com bissulfureto de
carbono (25 ml/m3) por 72h. Após o aparecimento dos brotos essas foram plantadas em
vasos de 5kg contendo o substrato adequado. Cinco dias após a emergência, todas as
plantas foram submetidas ao teste sorológico DAS-ELISA, para verificar a sanidade da
planta, antes de serem submetidas ao teste de tratamento e inoculação mecânica com os
vírus estudados. Foi empregada uma planta por vaso com 10 repetições e os seguintes
tratamentos: pulverização com Comet [piraclostrobina (250g/L) PC] IA e inoculação com o
PVX e/ou PVY, plantas tratadas e não inoculadas e plantas controle não tratadas e não
inoculadas. As plantas inoculadas foram avaliadas semanalmente, por meio do teste
DAS-ELISA, a partir de 15 dias após a inoculação. No final, a produção de cada planta foi
avaliada e foi realizada a análise de variância da produção e os valores de média foram
submetidos ao teste de Tukey, utilizando o programa computacional SISVAR®.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A produção por planta de batata tratadas com Comet (1,2g/mL) e inoculadas com
PVY e PVX, se encontram discriminadas na Tabela 1. Pode-se observar que as plantas
tratadas e inoculadas, tanto com o PVX como com o PVY apresentaram produções iguais
ou superiores às plantas controle não inoculadas.
As plantas de batata tratadas e
inoculadas com PVX foram as que apresentaram maior produtividade, tendo sido
estatisticamente diferente das plantas controle não tratadas e não inoculadas.
Apenas no início e no final do ciclo de vida as concentrações de vírus nas plantas
tratadas foram menores. Portanto, o fator determinante da produção não deve estar
correlacionado com o teor de vírus nas plantas, mas apenas com uma maior eficiência no
seu metabolismo.
Tabela 1. Produção de plantas de batata cv.Ágata tratadas e não tratadas com
piraclostrobina e inoculadas com Potato virusY e Potato virus X.
Piraclostrobina + PVY
Produção
Por Planta
351,10ab
N0Tubérculo
Por Planta
11,7ab
Piraclostrobina + PVX
398,5a
16,0a
Piraclostrobina
332,5b
13,9ab
Controle
302,0b
9,9b
Tratamento realizado
*Números seguidos pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey ao
nível de 5% de probabilidade.
CONCLUSÕES
- A piraclostrobina induziu um aumento na produção das plantas infectadas com PVX e
com PVY, de modo que as plantas tratadas e infectadas apresentaram uma produção
igual (PVY) ou maior ao das plantas não infectadas (PVX).
- A piraclostrobina não teve efeito na concentração de vírus na planta, de modo que a sua
atuação deve ser sobre a planta ou interação vírus-planta e não sobre o vírus.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BEEMSTER , ABR; DE BOKX. 1987. Survey of properties and symptoms. In: DE BOKX, J
A; VAN DER WANT (eds). Viruses of Potato ands Seed Potato Production.
Wageningen: Pudoc. p. 84 – 113.
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produção da batata. Bragantia 29: 337 – 345.
De BOKX, JA; BUS, CB. 1996. Potato leafroll. In: VAN DER ZAAG, D E. (ed). Potato
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Netherlands. p. 72 – 74.
DE BOKX, JA; HUTTINGA, H. 1981. Potato Virus Y. Kew. Commonw. Mycol. Inst./Assoc.
Appl. Biol. Descriptions of Plant Viruses, 242. 6p.
HOOKER,W.J.1981. Compendium of potato diseases. Saint Paul: American
Phytopathological Society. 72-74p.
KÖHLE, H; GROSSMANN, K; JABS, T; GERHARD, M; KAISER, W; GLAAB, J;
CONRATH, U; SEEHAUS, K. UND HERMS, S. 2002. Physiological effects of the
strobilurin fungicide F 500 on plants. In: H.-W. DEHNE et al. (Eds). Modern Fungicides
and Antifungal Compounds III. AgroConcept GmbH, Bonn. S61-74.
LIMA, MLRZC; HAMERSCHMIDT, I. 1982. Avaliação da Sanidade dos tubérculossemente de batata utilizados em plantios de batata-consumo em dois municípios do
Estado do Paraná. Fitopatologia Brasileira 7:549.
MIZUBUTI, A. 1981. Principais viroses da batateira sob condições de Brasil central.
Informe Agropecuário 17:46-50.
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