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INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA- AJES
ESPECIALIZAÇÃO EM LEITURA, LITERATURA E PRODUÇÃO DE
TEXTOS
A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO
DA LEITURA
Natalia Cunha de Souza
Orientador: Prof. Ilso Fernandes do Carmo
ALTA FLORESTA/2011
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA- AJES
ESPECIALIZAÇÃO EM LEITURA, LITERATURA E PRODUÇÃO DE
TEXTOS
A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA NA ESCOLA PARA O DESENVOLVIMENTO
DA LEITURA
Natalia Cunha de Souza
Orientador: Prof. Ilso Fernandes do Carmo
“Monografia
apresentada
como
exigência parcial para obtenção do
título de Especialização em Leitura
Literatura e Produção de Texto”.
ALTA FLORESTA/2011
Dedico a todos os alunos, que assim com eu também tiveram suas
dificuldades, suas horas de desespero, vontade de chorar e choraram, mas que
também sorriram, que tiveram vontade de desistir e foram perseverantes e que hoje
percebem e dizem o quanto valeu a pena...
AGRADECIMENTO
Agradeço aos alunos que responderam os meus questionários, a todos
os professores, que me acompanharam nesta longa, difícil e gostosa caminha, aos
colegas de sala, aos grandes amigos conquistados que levarei sempre comigo, a
minha família em especial a minha mãe, pelo carinho, pelos elogios, pelas grandes
conquistas e também pelos puxões de orelha que cada um de vocês me deram
quando necessário.
"Não é possível refazer este país, democratizá-lo,
humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo
a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não
transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."
(Paulo Freire)
RESUMO
Neste trabalho, buscou-se evidenciar a literatura em seus diversos aspectos
e possibilidades, demonstrar a importância da criação do hábito de ler desde as
séries iniciais. Os motivos que levaram à escolha do tema foram discutir a
importância do texto literário na leitura, bem como a literatura em sala de aula e na
formação do leitor e a literatura e leitura no mundo atual. A pesquisa caracterizou-se
como bibliográfica, haja visto, que foi apenas contextualizada a importância da
literatura na escola para o desenvolvimento da leitura.Verificou-se que a literatura é
de suma importância para o aprendizado, pois leva o leitor ao conhecimento
científico e o conhecimento do mundo, o qual refletirá para o leitor em novos
conhecimentos. Ajuda também o aluno a aumentar o seu vocabulário e suas
expressões, envolvendo o leitor com idéias, as quais lhe darão enfoques
abrangentes para o conhecimento cultural do qual depende o seu progresso na vida.
A leitura é um dos principais instrumentos para que o indivíduo construa o seu
conhecimento e aprenda a exercer sua cidadania. Permite também o exercício da
fantasia e leva quem lê a construir um mundo imaginário, onde pode exercer sua
reflexão crítica e promove o debate de idéias. Sabe-se também que a leitura é uma
condição prévia para a escrita, pois bons leitores são bons escritores, suas
produções de textos demonstram também que o ato de ler deve ir além da leitura
das letras, de palavras; levando o indivíduo à leitura de mundo, do contexto cultural
onde ele vive possibilitando assim o desenvolvimento do senso crítico.
Palavras-Chave: Leitura; Literatura; Educação
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...........................................................................................................07
CAPITULO I: O Texto Literário e a Leitura.............................................................09
CAPITULO II: A Importância de literatura em sala de aula...................................25
CAPITULO III: O ensino de literatura e a formação do leitor................................30
CAPITULO IV: Literatura e leitura no mundo atual...............................................36
CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................43
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA...............................................................................45
INTRODUÇÃO
A importância de discutir a literatura na escola e na formação do leitor se dá
pelo fato que a criança ao ingressar na escola traz uma série de conhecimentos
sobre as diferentes formas de compreender o mundo onde vivem. Quando chegam à
escola passam a conviver com outras crianças que tem outras formas de ver o
mundo, fruto de sua vivência anterior, e sua compreensão do mundo que a cerca
precisa ser desenvolvida, e a literatura infantil se torna um instrumento indispensável
à práxis do professor. Porém a escola tem se mostrado incapaz de formar sujeitos
leitores.
A reflexão sobre o ensino da leitura na escola é muito importante para
analisar os fatores que impedem a formação de leitores que as levaria a apresentar
caminhos de renovação e qualificação na prática pedagógica relativa à leitura. Toda
criança gosta de histórias, fabulas, poemas, cantigas.
A leitura sempre teve e tem um papel social de grande interferência na
sociedade, mas enquanto houver educadores com caráter dominador o processo
educacional será sempre excludente. É muito importante que o leitor se envolva, se
emocione e adquira uma visão de vários materiais portadores de mensagens
presentes na comunidade em que vive, buscando sempre a democracia. Um
trabalho de leitura e de formação de leitores precisa abordar tipos diversificados de
textos, pois o mundo está em mudança constante e é preciso avançar de acordo
com a tecnologia. No âmbito escolar percebemos que os alunos cada vez mais se
afastam e se desinteressam pela leitura e é aí que se questiona a prática
pedagógica, o ensino e o incentivo da leitura em sala de aula e as propostas de
ação que podem levar as crianças a se tornarem bons leitores. É preciso ir muito
além da alfabetização e formar sujeitos leitores que sejam capazes de olhar
reflexivamente a realidade à sua volta, e de fazer a opção de mudá-la de alguma
forma.
No presente trabalho propôs-se apresentar os conceitos sobre leitura, a
interação entre autor e leitor, o conhecimento prévio do mesmo em busca de um
significado ao texto e quais são os tipos, as estratégias e os níveis de leitura.
Sequencialmente apresenta-se uma reflexão em torno do ato de ler, a importância
fundamental da interação leitor x texto, na qual fica claro que a leitura significativa é
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muito mais que decodificação do signo lingüístico, precisa-se que o autor e o leitor
estejam entrosados, assim o autor constrói o texto, dá significância, mas não domina
o processo de leitura de seu leitor, pois o leitor dá também ao texto sua significância.
O presente trabalho esta dividido em 04 (Quatro) capítulos. No primeiro
capítulo se relata sobre o texto literário e a leitura. No segundo a importância de
literatura em sala de aula. O terceiro descreve sobre o ensino de literatura e a
formação do leitor. E o quarto mostra a literatura e leitura no mundo atual
CAPITULO I: O TEXTO LITERÁRIO E A LEITURA
De acordo com SOUZA (2000), o homem construiu novas formas de
existência, pois dispõe de um extraordinário instrumento de memória, de criação e
propagação de suas produções, que é a linguagem. Antes da invenção da escrita, a
palavra tinha como função básica a gestão da memória social, e não somente a livre
expressão ou a comunicação entre as pessoas. Nas sociedades sem escrita,
linguagem e memória são a base de todo conhecimento possível. Ritos e mitos são
preservados pela roda das gerações, configurando um tempo cíclico, sempre
reiterado pela memória e através das narrativas. O conhecimento tinha como seu
fundamento de base a sabedoria transmitida na interação social entre pessoas,
portanto, sua origem era sempre um saber coletivo mais amplo, um saber
transmitido de geração em geração.
A escrita, sem dúvida, inaugura uma situação prática de comunicação
radicalmente nova. O saber pode ser estocado, consultado, comparado, ou seja, o
saber está disponível para ser manipulado pelos homens. A memória separa-se do
sujeito, tornando-se objetiva e impessoal. Tanto o homem, como o conhecimento,
podem ser tomados como objetos independentes. A questão do significado ganha
um lugar central na relação entre o homem, a escrita e o conhecimento. O
conhecimento tende a buscar e garantir uma universalidade, inaugurando com isso
um tipo de saber que se basta a si próprio a teoria. Com a teoria, o conhecimento
torna-se um objeto passível de manipulação pela análise e pelo experimento. A
partir daí a questão da “verdade” será a grande preocupação da ciência
contemporânea. A escrita é, portanto, parte do projeto racionalista do homem
moderno; ela impulsiona o declínio da narrativa. A estória, outrora efeito da narrativa
oral, se transforma em história, que agora passa a existir como efeito da escrita. A
história da relação homem e linguagem não pode ser desvinculada da cisão
linguagem e memória.
A partir dos estudos de SOUZA (2000), nos registros históricos de literatura
percebe-se que, desde que esta se fez presente na civilização ocidental, tem sido
objeto de teorização. Os escritos de Platão e Aristóteles são prova da importância e
necessidade de se problematizar a literatura. O autor admite existirem dois tipos
básicos de teoria: a de natureza normativa, que diz o que a literatura deve ser e
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como deve ser julgada; e a outra, de natureza descritiva, que diz o que a literatura é
e que explicações prováveis lhe são apropriadas.
CALVINO (1990), defende que cabe à literatura a tarefa de devolver ao
homem a possibilidade de justo emprego da linguagem. Isto nos permite dizer que
somente no interior das possibilidades de criação que a escrita permite será viável
superar as várias cisões que favorecem o distanciamento entre o homem e a
linguagem, entre a linguagem e o pensamento, e entre a linguagem e a memória.
Somos seres de palavras, que tentamos dar sentido a nós mesmos, construindo-nos
a partir das palavras e dos vínculos narrativos que recebemos. A idéia da literatura
como resgate da relação do homem com a linguagem na sua forma emancipadora é
o caminho para uma pedagogia da imaginação.
A literatura se constitui tanto no nível de sua produção como no espaço de
interação com o leitor. Quando BAKTHIN (1992), fala do caráter dialógico de toda
enunciação verbal, está defendendo que em tudo que é falado está presente o ponto
de vista do falante e do interlocutor.
Embora todos os tipos de texto tenham importância, o professor não deve
deixar de trabalhar, a fim de que os alunos se familiarizem com os diferentes tipos
de discurso. Conforme NEVES (1999, p. 218), o texto literário deve ocupar lugar
prioritário em função do caráter específico de sua estrutura de linguagem, por três
razões: pelo fato de a literatura ser ficção, o leitor pode acumular experiências só
vividas imaginariamente, o que o torna mais criativo e crítico; a leitura possibilita ao
leitor
internalizar
tanto
estruturas
simples
quanto
complexas
da
Língua,
desenvolvendo o desempenho lingüístico; e o raciocínio lógico na criança. Para
CALVINO (1990), a literatura torna-se essencial, pois gera comportamentos, atitudes
e sentimentos capazes de serem revertidos, alterados. Dessa forma, o aluno
descobre a capacidade libertadora e criativa de esculpir em cada texto a sua própria
leitura. Em outras palavras, a leitura de textos literários infanto-juvenis proporciona
experimentar ações, reações, emoções através da ficção. Essa experiência poderá
servir de exemplo para que o leitor aja com equilíbrio e de forma racional em um
acontecimento real, pois já vivenciou uma situação parecida no mundo imaginário.
Contudo, isso ainda não representa realidade na maior parte dos alunos. Quando se
tenta aplicar algumas atividades de leitura à prática, o que se obtém é insucesso,
fracasso, desânimo.
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A leitura do texto literário, tanto em seu aspecto quantitativo como
qualitativo, tem-se constituído em grande preocupação não só de
professores de Língua Portuguesa e Literatura, como também de
educadores em geral, haja vista as discussões apresentadas na obra Ler e
escrever: compromisso de todas as áreas. (NEVES, 1999, p. 49).
Ao tentar entender o que afasta o aluno de textos, percebe-se que a
problemática é advinda de diversos fatores, dentre eles os meios de comunicação.
O problema pode estar também na preparação da grande maioria de
professores que hoje trabalham com leitura: foram formados numa tradição acrítica
que vê o aluno como um ser passivo, o que o leva a considerar a leitura como mais
uma obrigação a cumprir, sem o menor vínculo afetivo. A maioria das atividades
propostas são periféricas, o que torna a leitura reprodutiva e repetitiva, dissociada de
qualquer prazer. O que se avalia é se o aluno leu e não como leu, não dando
importância às inferências que ele, possivelmente, pode fazer em sua leitura de
mundo.
De acordo com MORIN (1997), apud COELHO (2000, p. 25), a leitura está
associada a textos, especialmente a livros, objetos de pouco convívio doméstico,
pessoal, mas sempre valorizados. Os livros didáticos são vistos como livros da
escola, e não dos leitores, instalando-se uma dicotomia primordial: certas leituras
são para a escola, não para si próprios. No entanto, esse mesmo leitor, se
consultado, poderá surpreender-se ao perceber que gostou de um determinado
texto, indicado pelo professor. Apesar de haver apreciado, não chega a desenvolver
o gosto pela leitura, por isso o ato de ler de forma espontânea continua sendo raro.
Para muitos, a leitura de livros de literatura é muito exigente, difícil, cansativa,
monótona, demorada, enquanto a realizada com jornais e revistas é mais rápida e,
por isso, agradável. É comum que os adolescentes ou pré-adolescentes se refiram à
sensação de perda de tempo relacionada com o fato de ficarem lendo, enquanto as
coisas acontecem. Para eles, ler livros não representa conhecimento imediato;
portanto, cabe-lhes descobrir que, na medida em que lêem, decodificando palavras
e articulando-as, vão construindo uma nova percepção, repensando aspectos até
então cristalizados. Essa construção ocorre, porque há uma interpenetração entre os
fragmentos da vida real passada e os fragmentos da presente ficção proposta pelo
autor.
Para CALVINO (1990, p. 16), a leitura não exige necessariamente a solidão,
já que considera o livro como companheiro, na medida em que pode promover a
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sociabilidade. Justifica sua posição, atribuindo à leitura não somente a criação de
um mundo onírico e de fantasia, como também de comunicação. A comunicação
literária “[...] está ligada à mais palpável e indefi nida das realidades. Há quem
sustente que a literatura vem a ser a mais confessional das artes.” (CALVINO (1990,
p. 16). O autor destaca, ainda, que, na sociedade contemporânea, se registram duas
modalidades de literatura: uma culta, formada por “livros de fundo”; e outra popular,
para a qual se endereçam os “livros de choque”. Os livros de fundo são consumidos
por um público elitizado, que tem consciência de suas preferências, competência
para emitir juízos de valor e autonomia para a leitura. A literatura popular é
direcionada pela doutrinação consumista e tem uma orientação que depende de
diversas variáveis, normalmente de caráter extraliterário, tais como a moda, o
recebimento de algum prêmio ou o sucesso em alguma outra atividade relacionada à
cultura de massa.
NEVES (1999, p. 218), reafirma a necessidade de formar leitores e
considera que o ato de ler, portanto, precisa ser ensinado. Dessa forma, a autora
compreende que é necessário haver uma formação de leitores e propõe o uso do
espaço da biblioteca para tal. Afi rma que a prática da leitura e da escrita contempla
a implementação do processo de ensino e de aprendizagem, iniciado em sala de
aula e estendido pela vida afora do indivíduo. A biblioteca, nesse processo, atua
como espaço de recepção e produção de idéias, de fatos e de outras manifestações
culturais, estendendo, complementando, suplementando outros espaços ou
momentos de ensino e de aprendizagem formal e/ou informal. A biblioteca escolar
cumpre, nesse processo, importante papel, cabendo-lhe atuar como um lugar
cativante, acolhedor e mostrando aos leitores que livros podem e devem fazer parte
do seu universo. Como mediadora da informação, a biblioteca escolar transforma-se
em um espaço público dentro da própria escola, podendo ser entendida como um
local que estimula a circulação ou a transferência de conhecimentos. Em
decorrência, a biblioteca transforma-se em um local aberto no qual a criatividade, a
imaginação e a sistematização, conseqüência do desenvolvimento de habilidades
cognitivas, motoras e afetivas, se mesclam para oportunizar o desencadeamento da
leitura críticoreflexiva, do conhecimento de fontes de informação, através dos quais
se processa a leitura diversificada, permitindo a criação literária que resulta,
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principalmente, da redação de um texto. Esse local pode ser um recurso
pedagógico, constituindo-se como um laboratório de práxis educativa.
Portanto, a leitura e a escrita, como habilidades fundamentais para a
aprendizagem e a aquisição de conhecimentos, encontram na biblioteca todas as
condições para o seu amplo e bem-sucedido desenvolvimento.
SOARES (2001), discute o problema da escolarização da leitura literária,
apresentando duas possibilidades de abordagem: a primeira consiste na apropriação
da literatura infantil pela escola, na medida em que a utiliza para atingir seus
objetivos, escolarizando-a; a segunda relaciona-se à literatura infantil como
produção destinada à escola, numa tentativa de dar à escolarização um cunho
literário.
Como a leitura do texto de literatura, não só a infantil, constitui-se num
processo desenvolvido na escola, não há como evitar que esse conhecimento se
escolarize. A discussão pertinente é a modalidade como as ações referentes a esse
ensino possam se processar de maneira adequada e eficiente. A autora cita, como
instâncias privilegiadas para a escolarização da leitura, a biblioteca escolar, a leitura
e o estudo de livros de literatura, e o estudo de textos utilizados nas aulas de
Português.
SOARES (2001, p. 47), considera como modalidade de escolarização
adequada da literatura aquela escolarização que conduzisse eficazmente às práticas
de leitura literária que ocorrem no contexto social e às atitudes e valores próprios do
ideal de leitor que se quer formar”.
O texto literário, conforme ZILBERMAN (1985), pode desencadear com
eficiência um novo pacto entre o jovem e o texto, estimulando uma vivência singular
com a obra, visando ao enriquecimento pessoal do leitor, sem finalidades de
cobrança. Nessa perspectiva, toda a interpretação, em princípio, é válida, porque
advém da revelação do universo representado na obra, impedindo a fixação de uma
verdade anterior e acabada, conseqüentemente, tornando o aluno um coparticipante, e o professor, mais flexível para o diálogo.
COELHO (2000, p. 24), também reflete sobre a linguagem literária afirmando
que “a Literatura é um autêntico e complexo exercício de vida, que se realiza com e
na linguagem – esta complexa forma pela qual o pensar se exterioriza e entra em
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comunicação com outros pensares.” MORIN (1997), apud COELHO, (2000, p. 25),
ao pesquisar sobre o ensino de literatura e o diálogo entre discursos, defende que “a
Literatura apresenta-se como espaço em trânsito e de remanejamento entre falas e
saberes, em constante diálogo.”
Em função de promover e disseminar o hábito da leitura na escola é
necessário uma diversidade maior de textos literários à disposição dos alunos, para
que eles ampliem seus horizontes de leitura e de mundo.
Para CALVINO (1990), o ensino da literatura não pode partir de um ponto de
vista estritamente pedagógico, seguindo os requisitos das normas vigentes. "A
literatura pode formar, mas não segundo a pedagogia oficial, que costuma vê-la
ideologicamente como um veículo da tríade: o verdadeiro, o bom, o belo, definidos
conforme os interesses dos grupos dominantes." (p.14). Na verdade, "longe de ser
um apêndice da instrução moral e cívica, ele age com o impacto indiscriminado da
própria vida e educa como ela, com altos e baixos, luzes e sombras.” (p. 15).
Com a democratização do processo de ensino, que antes atendia somente
às camadas socialmente mais favorecidas, a escola passou a ser destinada também
às camadas populares, o que fez com que se concretizasse um crescimento
quantitativo e diversificado do alunado.
A Literatura, a palavra escrita, a leitura... que há muito passaram para o
plano secundário no contexto da nossa “aldeia global” (o mundo sem
fronteiras monitorado pela imagem, som, velocidade, visualidade,
virtualidade...), vêm sendo resgatadas como a forma (ou o meio) mais eficaz
para a nova “leitura de mundo” que se faz urgente para a formação de
crianças e jovens ou para a “reciclagem” de adultos (COELHO, 2000, p.14).
Para CALVINO (1990), na sociedade brasileira sempre houve uma carência
de estimulação sócio-cultural para a leitura literária e os fatos do momento presente
transformam as circunstâncias desta área não só em precipício, mas em um imenso
abismo historicamente, constata-se que a grande massa da população brasileira
sempre esteve marginalizada do processo de fruição da cultura letrada, que constitui
privilégio apenas das elites dominantes. Infelizmente, há, em nossa sociedade, em
pleno século XXI, uma camada da sociedade que ainda se encontra marginalizada
em relação à prática social da leitura literária, o que nos leva a afirmar que há uma
necessidade latente da consolidação de políticas públicas para o incentivo do hábito
da leitura e, conseqüentemente, para a formação de sujeitos leitores.
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Segundo MORIN (1997), apud COELHO (2000, p. 25), o ensino de Literatura
compreende três tipos de aprendizagem: a aprendizagem da literatura que é onde o
aluno experiência o mundo através da palavra; a aprendizagem sobre a literatura,
envolvendo os conhecimentos de história, teoria e crítica; e a aprendizagem por
meio da literatura, os saberes assimilados que essa prática proporciona. O problema
das aulas de Literatura é que oscilam entre as duas últimas, e a primeira que deveria
ser o centro das atividades com literatura na escola é, na maioria das vezes,
ignorada.
O leitor, ainda que jovem, pode assumir, enquanto recebedor, uma postura
crítica diante do texto literário, questionando a “realidade” apresentada na
obra de arte e a sua própria. Ainda segundo a autora, diante da ocorrência
desse contato crítico com a obra “o papel infantil ver-se-á desdobrado em
personagem e leitor, possibilitando a divisão do discurso, a multiplicação
dos níveis de realidade e, enfim, o posicionamento crítico diante das
normas. (ZILBERMAN, 1987, p. 86).
No contexto atual, em que as informações circulam rapidamente, associadas
quase sempre à imagem ou à oralidade, tratar de leitura literária torna-se, quando
menos, um paradoxo.
O homem atua no mundo porque é capaz de lê-lo sob diferentes formas.
Geralmente, deixa de realizar uma das mais prazerosas delas: a leitura literária. A
sua atuação é conseqüência do processo de leitura que se desencadeia a partir do
momento em que ele se reconhece como parte integrante do meio em que vive, que
modifica e reelabora. Mas não se pode negar a existência das diferentes formas de
se ler o mundo, muito menos negar a contribuição delas para o crescimento social
do individuo; por outro lado, percebe-se, cada vez mais, o distanciamento do sujeito
em relação às leituras da palavra escrita e, principalmente, do texto literário. Por
isso, faz-se necessário estudar os fatores que contribuem para a mudança
comportamental do sujeito diante do ato de ler.
É a literatura, como linguagem e como instituição, que se confiam os
diferentes imaginários, as diferentes sensibilidades, valores e
comportamentos através dos quais uma sociedade expressa e discute,
simbolicamente, seus impasses, seus desejos, sua utopia. habilidades
(MORIN, 1997, apud COELHO, 2000, p. 25).
No passado, a leitura literária talvez fosse mais instigante justamente por se
apresentar como novidade e entretenimento que levava ao autoconhecimento e à
crítica. Na contemporaneidade, segundo CALVINO (1990), a leitura literária
estimulada conforme foi no passado já não ganha credibilidade como forma de
crescimento - apesar de sê-lo -, muito menos como forma ativa de passatempo.
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Talvez isso ocorra porque ainda está associada ao suporte papel e à lentidão da
leitura da palavra escrita e, no contexto escolar, à avaliação.
Consideram-se desmotivadores os meios de comunicação que facilitam a
leitura de mundo e desestimulam a atuação do imaginário do indivíduo.
O desejo de descobrir e conhecer o mundo já não perpassa, como antes, a
leitura do texto literário. A eficiência do mundo da imagem leva o adolescente a crer
no desprestígio da Literatura canônica. É importante estudar o desinteresse dos
jovens pela leitura literária, para que se possam entender as razões psicossociais
que
contribuem para
esse
comportamento.
Percebe-se
também,
segundo
ZILBERMAN (1987), uma valorização da identidade coletiva que se projeta no
sujeito, que internaliza valores sociais determinantes de sua prática social. Há uma
perspectiva de linearidade tanto da vida do sujeito quanto do conhecimento que ele
adquire.
Quando a Literatura Infanto-Juvenil tem qualidade estética, qualquer pessoa
pode ler e se encantar. Brilhante é o escritor que consegue captar o
imaginário infantil e juvenil e se comunicar diretamente com a alma da
criança ou do jovem. Conseguir escrever de fato um livro que as crianças e
os jovens possam ler e se identificar, é tarefa difícil e requer habilidades
(MORIN, 1997, apud COELHO, 2000, p. 25).
A verdadeira literatura fortalece o imaginário infantil e forma seu ser poético,
capacitando a criança a ser uma leitora em potencial das artes e do mundo da
ficção.
Conforme NEVES (1999, p. 218), a literatura que vamos enfatizar aqui é a
literatura de qualidade, seja ela recomendada para crianças ou para adultos. Essa
divisão é tola, pois tudo que tem qualidade pode ser oferecido, desde que a criança
tenha alcançado letramento suficiente para aquele nível leitor.
A literatura infantil e juvenil ocupa hoje lugar de destaque entre os autores
famosos do nosso universo literário. Hoje contamos com autores premiados
internacionalmente e best-sellers que ocupam uma boa parte do mercado editorial.
Procurando atender as demandas de temas transversais propostos pelos
parâmetros curriculares, muita coisa inútil, com pouca ou nenhuma qualidade
literária, ou apenas informativa, foi oferecida pelas editoras às escolas.
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A literatura pode ser também motivadora de discussões em sala de aula que
promovam transformações de valores e tratem dos direitos das crianças e jovens,
fazendo com que os seus sonhos, desejos e medos alcancem visibilidade.
Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém
lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da
curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade,
sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. Ler é
procurar ou buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos
fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que
ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da
compreensão. Da compreensão e da comunicação. (COELHO, 1991, p. 27).
Segundo COELHO (2000), a literatura infantil é uma linguagem específica
que, como toda linguagem, expressa uma determinada experiência humana. Esse
aspecto é de grande valor no uso da literatura na prática educativa por proporcionar
o contato com o ser humano em seu momento de imaginação e comunicação.
Coelho destaca também que na fase do leitor inicial, que é o caso das crianças de
pré-escola, as histórias podem ser as fusões de dois mundos, o da fantasia e do
real, enfatizando especialmente o fenômeno do pensar, do sentir e do querer.
O indivíduo compreende o texto, a literatura de um livro, de acordo com o
seu contexto social, quer dizer, as influências que recebeu do seu ambiente
sociocultural e de acordo com o seu nível de desenvolvimento cognitivo.
O primeiro contato com a história infantil é um caminho aberto para novas
descobertas e o início da aprendizagem tanto para a criança, como para o educador
/ terapeuta que o acompanha. O ato de ouvir histórias possibilita à criança um
contato direto com o mundo da fantasia, com o imaginário, através do qual ela
poderá extravasar emoções importantes como a tristeza, a raiva, a irritação, o bemestar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade e tantas outras que
a narrativa promover por intermédio dos personagens e sua vivência, sua
personificação pelo ouvinte. Este irá se colocar no lugar do personagem com que
melhor se identificar. Os personagens, geralmente, possuem características reais e
ou idealistas, que, com facilidade, levam a criança a pensar no universo do texto.
Segundo COELHO (1991), em nenhum momento o narrador deve
interromper a história se for algo condizente com a narrativa, confirma-se com algum
gesto ou sorriso. Porém, se for apenas um modo de aparecer, a melhor solução é,
segundo ela, olhar fixamente na direção do aluno que interrompeu. Após concluir a
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narração, é importante dar oportunidade para que eles perguntem o que desejam
saber.
Podemos pensar em letramento literário como estado ou condição de quem
não apenas é capaz de ler poesia ou drama, mas dele se apropria
efetivamente por meio da experiência estética, fruindo-o. [...] Só assim, será
possível experimentar a sensação de estranhamento que a elaboração
peculiar do texto literário, pelo uso incomum da linguagem consegue
produzir no leitor, o qual, por sua vez, estimulado, contribui com sua própria
visão de mundo para a fruição estética. A experiência construída a partir
dessa troca de significados possibilita, pois, a ampliação de horizontes, o
questionamento do já dado, o encontro da sensibilidade, a reflexão, enfim,
um tipo de conhecimento diferente do científico, já que obviamente não
pode ser medido. (BRASIL, 2006, p. 55),
Sabemos que a literatura infantil é bem mais do que mero entretenimento ou
diversão. Ela está intimamente ligada aos valores sociais e culturais da época. Por
isso, vários profissionais de diferentes vertentes do conhecimento humano tentam,
através da sua análise, encontrar subsídios para os fenômenos de maturação por
que vem passando o mundo. O valor literário será dado pela harmonia entre a
consciência-de-mundo, transmitida pela obra, e a natureza do discurso literário, isto
é, a linguagem que dá vida e criatividade ao texto. O valor de uso estará nos valores
por ela evocados e manifestos que permite a identificação da criança e o
fornecimento de dados necessários ao conhecimento de sua vida pessoa
A literatura infantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: fenômeno
de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da
palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e real, os ideais, e
sua possível/impossível realização. (COELHO, 1991, p. 27).
A literatura infantil torna-se, desse, modo, imprescindível. Os professores
dos primeiros anos da escola fundamental devem trabalhar diariamente com a
literatura, pois, esta se constitui em material indispensável que aflora a criatividade
infantil e desperta a veia artística da criança. Nessa faixa etária, os livros de
literatura devem ser oferecidos às crianças, através de uma espécie de coleção de
sentimentos e emoções que favorecem a proliferação do gosto pela literatura,
enquanto forma de lazer e diversão.
Para ZILBERMAN (1987), uma obra literária é aquela que aponta a realidade
com uma roupagem nova e criativa, deixando espaço ao leitor para entrar na sua
trama e descobrir o que está nas entrelinhas do texto. Um dos critérios a serem
considerados para avaliar uma obra literária infantil é verificar se ela contém o
fantástico, o mágico, o maravilhoso, o poético.
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A literatura infantil demarca um conjunto de produções literárias a toda e
qualquer manifestação do sentimento ou pensamento por meio de palavras. A
literatura infantil tem o poder de suscitar o imaginário, de responder as dúvidas em
relação a tantas perguntas, de encontrar novas idéias para solucionar questões e
instigar a curiosidade do pequeno leitor. Nesse processo ouvir histórias tem uma
importância que vai muito além do prazer proporcionado, ela serve para a efetiva
iniciação das crianças na construção da linguagem, idéias, valores e sentimentos
aos quais ajudarão na sua formação como pessoa. Segundo COELHO (2000, p. 30)
“A valorização da literatura infantil, como fenômeno significativo e de amplo alcance
na formação das mentes infantis e juvenis, bem como dentro da vida cultural das
sociedades, é conquista recente.”
Em face da Literatura, professor e aluno são interlocutores que, diante do
mundo dos homens e de suas produções, podem alternar-se na condução
do jogo interpretativo. Na linha de tal concepção, eu diria que uma aula
pode também ser o lugar de deslocamento e descentramento de saberes o
lugar da “produtividade do saber”. Para tanto, ela demanda uma linguagem
intercambiável, para a qual é fundamental a fala do outro, de um leitor
desconfortável e inquieto, que restitui alguma coisa sempre, já que todos os
discursos são, na verdade, retomadas desconstruções, negações e
afirmações de outros discursos. ((COELHO, 1991, p. 27).
Em relação à realidade social brasileira se percebe que por meio das idéias
da classe dominante que o proletariado sofre as conseqüências de continuar
batendo muitas das vezes na mesma tecla, com conceitos enraizados por um ensino
ainda de baixa qualidade, um dos grandes desafios é potencializar as ações para a
formação do leitor.
Para ZILBERMAN (1987), a interação entre texto e leitor constitui o horizonte
de expectativa desse leitor e, à medida que uma obra literária responde às suas
indagações e propõe novos questionamentos, também lhe oferece um alargamento
de horizontes que, decorrente da instabilidade instalada, obriga o indivíduo a
repensar sua condição histórico-social e, conseqüentemente, mudar sua postura
diante da sociedade. Ao aproximar o texto do universo do seu receptor, admite-se a
possibilidade de se estabelecer o diálogo entre eles e, por conseguinte, tornar
possível à criança o acesso ao mundo real, organizando suas experiências
existenciais e ampliando seu domínio lingüístico, bem como enriquecendo o
imaginário.
Assim, MARTINS (1994, p.19), define o papel da literatura infantil como
aquela que está “[...] A função da literatura infantil é alimentar o imaginário infantil
20
ajudando a criança a ‘[...] experimentar ações, reações e emoções através da
ficção.” Na infância, desde cedo aprendemos com a literatura. A compreensão do
texto literário pela criança, com todas as suas nuances, relaciona-se igualmente com
a aquisição e organização lingüística por ela apresentada, pois o leitor infantil
encontra-se em processo crescente de aquisição da língua.
De acordo com COELHO (1991), há aqueles que defendem que ela é o
objeto escolhido pelo seu próprio leitor, outros que é o objeto de formação de um
agente transformador da sociedade e há até aqueles que questionam o fato de
existir uma literatura infantil. Neste sentido, o argumento perpassa a concepção de
infância e a ligação da literatura infantil com a escola.
A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de
construção do significado do texto. Segundo COELHO (1991), a leitura, no sentido
de compreensão do mundo é condição básica do ser humano.
A Literatura é um mundo aberto ao mesmo tempo às múltiplas reflexões
sobre a história do mundo, sobre as ciências naturais, sobre as ciências
sociológicas, sobre a antropologia cultural, sobre os princípios éticos, sobre
política, economia, ecologia... Tudo depende de uma seleção inteligente de
obras. [...] O objetivo maior das discussões sobre os novos caminhos da
Educação não é a preparação dos programas de ensino, mas a separação
daquilo que é considerado como saberes essenciais e evitar o
empilhamento dos conhecimento. (MORIN, 1997, apud COELHO, 2000, p.
25).
A compreensão é o sentido daquilo que a cerca. Inicia-se quando bebê, nos
primeiros contatos com o mundo. Os sons, os odores, o toque, o paladar, de acordo
com MARTINS (1994), são os primeiros passos para aprender a ler. Ler, no entanto
é uma atividade que implica não somente a decodificação de símbolos, ela envolve
uma série de estratégias que permite o indivíduo compreenderem o que lê. Neste
sentido, relata os PCN’s (BRASIL, 2001, p.54):
O ato de ler então, não representa apenas a decodificação, já que esta não
está imediatamente ligada a uma experiência, fantasia ou necessidade do indivíduo.
De acordo com os PCN’s (BRASIL, 2001) a decodificação é apenas uma, das várias
etapas de desenvolvimento da leitura. A compreensão das idéias percebidas, a
interpretação e a avaliação são as outras etapas que segundo COELHO (1991.
p.23), ‘fundem-se no ato de leitura’. Desta forma, trabalhar com a diversidade
textual, segundo os PCN’s (BRASIL, 2001), fazendo com que o indivíduo desenvolva
21
significativamente as etapas de leitura é contribuir para a formação de leitores
competentes.
A literatura não existe para mudar um sistema social ou ensinar coisas.
Quando ela obedece a esse princípio, ela cumpre um papel humanizador e leva, à
melhoria do leitor, portanto a literatura contribui para que o Homem se encontre nos
homens. No que diz respeito às crianças, preservar a relação entre a literatura e a
criança é garantir a esta formação, pois segundo ZILBERMAN (1987), a literatura
sintetiza, por meio dos recursos de ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de
contato com que o leitor vive cotidianamente.
Segundo
ZILBERMAN
(1987),
dentre
outros,
a
literatura,
independentemente de ser infantil, infanto-juvenil ou quaisquer outros adjetivos que
receba, é, antes de tudo arte e deleite. Sendo assim, o termo infantil associado à
literatura não significa que ela tenha sido feita necessariamente para crianças. Esse
autor acrescenta que a literatura infantil acaba sendo aquela que corresponde, de
alguma forma, aos anseios do leitor e que se identifique com ele.
A literatura é a arte da palavra, quando lemos, ela nos transporta para
determinados cantos da imaginação ou do pensamento jamais visitados. A
intensificação dessa interação, através de procedimentos pedagógicos adequados,
leva a criança a uma maior compreensão do texto e a uma compreensão mais
abrangente do contexto. Uma obra literária é aquela que mostra a realidade de
forma nova e criativa, deixando espaços para que o leitor descubra o que está nas
entrelinhas do texto.
De acordo com GARDNER (1994), a criança, à medida que se desenvolve,
aprende passo a passo a se entender melhor e, com isso, torna-se mais capaz de
compreender os outros e o mundo ao redor define o gênero como aquele que,
enquanto diverte o pequeno, oferece esclarecimentos sobre ele mesmo,
favorecendo o desenvolvimento da sua personalidade.
Há, no entanto, uma intrínseca relação entre literatura infantil e escola, até
hoje constatada em grande parte dos textos destinados à infância. Os aspectos
lúdicos, que deveriam conduzir o processo de amadurecimento infantil através da
literatura, dão espaço ao caráter pedagógico, educativo, associando a arte a
mecanismos de controle da criança. Isso vem a comprometer justamente a formação
22
do leitor, que acaba não encarando o livro como fonte de prazer, de entretenimento,
afastando-se da leitura. Por isso, cabe à escola respeitar o papel da literatura como
categoria artística, atrelada à essência libertária do ser humano.
Como destaca ZILBERMAN (2003), a sala de aula tem todas as condições
para se tornar "um espaço privilegiado para o desenvolvimento do gosto pela leitura,
assim como um importante setor para intercâmbio da cultura literária". Por isso, todo
o esforço feito na família e, em especial, na escola, para promover a leitura será
benéfico ao pequeno. Daí a importância de pais e, principalmente, professores
reconhecerem
o
caráter
artístico
da
literatura
infantil,
selecionado
obras
emancipatórias, que permitam o diálogo, a interação entre o narrador e o leitor
mirim, garantindo prazer no ato de leitura e, conseqüentemente, ampliação dos
horizontes de expectativas, de modo a gerar novos conhecimentos.
GARDNER (1994), com base na psicologia cognitiva e na psicologia do
desenvolvimento humano, contemplando as raízes biológicas e evolutivas, sem
desconsiderar as variações culturais, mostra que os indivíduos possuem
competências intelectuais que gozam de relativa autonomia. Tais competências,
denominadas por ele de inteligências humanas, são: a lingüística, a musical, a
lógico-matemática, a espacial, a corporal-cinestésica e as inteligências pessoais.
A literatura poderá ser um instrumento poderosíssimo para a formação
psicológica dos educandos, pois ela forma porque ensina (JABUR, 2003). É sabido
que países civilizados sempre basearam suas instruções nas letras. Desse modo,
acredita-se que a literatura vai além das obras e pode ser definida de acordo com
CANDIDO (1972), como algo que exprime o homem, então, atribuir a literatura uma
função psicológica é perfeitamente aceitável, pois independente da idade ou da
condição social, a fruição da literatura baseia-se na necessidade de fantasia que o
ser humano possui. (JABUR, 2003). A fantasia, na maioria das vezes, está
relacionada a uma realidade e, como base nesse vínculo fantasia e realidade, é
possível pensar em literatura com determinada função na formação do homem,
embora esta não tenha que cumprir tal papel. (JABUR, 2003). Assim, pode-se dizer
que a personalidade de qualquer ser humano, sobretudo a da criança, pode sofrer
forte influência da literatura, uma vez que esta atua de forma que não se pode
avaliar (CANDIDO, 1972).
23
Segundo ZILBERMAN (1987, p.12) “o ler relaciona-se ao desenvolvimento
lingüístico da criança, com a formação da compreensão do fictício, com função
específica da fantasia infantil, com credulidade na história e a aquisição do saber.”
Nesse sentido, a literatura infantil oferece a parte contrária ao caráter pedagógico,
compreensível a partir do exame da perspectiva da criança e do significado que o
gênero pode ter para ela. Sua atuação dá-se dentro da faixa de conhecimento,
porque pode conceder ao leitor a possibilidade de desdobramento de suas
capacidades intelectuais, o saber adquirido dá-se por meio do domínio da realidade
empírica, isto é, aumenta a dimensão de compreensão, aquisição de linguagem
produtos recepção histórica pela audição ou leitura e da decodificação da mesma.
No processo inicial da leitura, ocorre o que se chama de decodificação, ou
seja, a inteligência opera com a discriminação visual dos símbolos impressos e a
associação entre a palavra impressa e o som. A visão, o tato, a audição, o olfato e o
paladar também estão envolvidos nesse processo como referenciais elementares na
aquisição dos símbolos gráficos, já essa “leitura sensorial” começa muito cedo em
nossa vida.
BETTELHEIM (2002, p.185), relata que a leitura de uma estória para a
criança deverá ser realizada com todo um envolvimento emocional na estória e na
criança, com empatia pelo que a estória pode significar à ela. ABRAMOVICH (1993,
p.14) reforça esse argumento relatando que:
Ler histórias para crianças sempre é poder sorrir, rir, gargalhar com as
situações vividas pelos personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de
escrever de um ator, e então, pode ser um pouco cúmplice desse momento
de humor, de brincadeira, de desenvolvimento. É também suscitar o
imaginário, é ter curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é
encontrar outras idéias para solucionar questões.
A criança aprende a ler lendo, e não passivamente, copiando inúmeras
vezes uma palavra ou frase, e muito menos por meio de cópias longas e exaustivas.
Vejamos o que diz ZILBERMAN (1987, p.12) “o ler relaciona-se ao desenvolvimento
lingüístico da criança, com a formação da compreensão do fictício, com função
específica da fantasia infantil, com credulidade na história e a aquisição do saber.”
Nesse sentido a literatura infantil oferece a parte contrária ao caráter
pedagógico, compreensível a partir do exame da perspectiva da criança e do
significado que o gênero pode ter para ela. Sua atuação dá-se dentro da faixa de
conhecimento, porque pode conceder ao leitor a possibilidade de desdobramento de
24
suas capacidades intelectuais, o saber adquirido dá-se por meio do domínio da
realidade empírica, isto é, aumenta a dimensão de compreensão, aquisição de
linguagem produtos recepção histórica pela audição ou leitura e da decodificação da
mesma.
COELHO (1997, p.31), “a criança é atraída particularmente pelas estórias
bem humoradas em que a astúcia do fraco vence o Mal.” BETTELHEIM (2002),
reforça esse argumento:
As escolhas das crianças são baseadas não tanto sobre o certo versus o
errado, mas sobre quem desperta sua simpatia e quem desperta sua
antipatia. Quanto mais simples e direto é um bom personagem, tanto mais
fácil para a criança identificar-se com ele e rejeitar o outro mal. A criança se
identifica com o bom herói não por causa de sua bondade, mas porque a
condição do herói lhe traz um profundo apelo positivo. A questão para a
criança não é “Será que quero ser bom?” mas “Com quem quero parecer?”.
A criança decide isto na base de se projetar calorosamente num
personagem. “Se esta figura é uma pessoa muito boa, então a criança
decide que quer ser boa também. (p.18).
A literatura não existe para mudar um sistema social ou ensinar coisas.
Quando ela obedece a esse principio, ela cumpre um papel humanizador e leva, à
melhoria do leitor, portanto a literatura contribui para que o Homem se encontre nos
homens. No que diz respeito às crianças, preservar a relação entre a literatura e a
criança é garantir a esta formação, pois segundo ZILBERMAN (1985), a literatura
sintetiza, por meio dos recursos de ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de
contato com que o leitor vive cotidianamente. Desse modo, por mais distante e
diferente que seja a vida do leitor, o sintoma de sua sobrevivência é o fato de que
ela continua a se comunicar com o destinatário, porque ainda fala do seu mundo,
com suas dificuldades e soluções, ajudando-o, pois, conhecê-lo melhor.
CAPITULO II: A IMPORTÂNCIA DE LITERATURA EM SALA DE AULA
A literatura associada à leitura, enquanto forma de expressão utiliza a
linguagem verbal para a construção de um mundo coerente e compreensível que
possibilita, em sua essência, a união da racionalidade da linguagem com a fantasia,
sem perder de vista os universos do autor e do leitor. Isso remete a conjecturar
sobre o caráter formativo da leitura do texto literário, na medida em que oportuniza a
reflexão sobre o ser humano e sua circunstância, auxiliando-o a ter mais segurança
diante de suas próprias vivências, o que justifica reconhecer como imprescindível a
tarefa da escola de formar leitores. Para NEVES (1999, p. 218), a mediação do
professor na condução da leitura do texto literário pode determinar a constituição de
um leitor produtor de sentidos, pois não basta decodificar o que está escrito na
página, é necessário que o aprendiz, a partir de seu repertório de conhecimento,
tenha a oportunidade de alargar seu horizonte de expectativas para poder tornar-se
um apreciador da palavra artística. Por esse viés, segundo BAMBERGER (2000, p.
50) viabiliza-se uma visão de ensino de literatura que transgride o processo de
respostas pré-determinadas para dar lugar a uma diversidade de alternativas
possíveis em que o aluno se percebe um ser pensante e crítico. Se a escola visa à
formação de indivíduos, então a literatura deveria ter um lugar de destaque nos
currículos escolares pela potencialidade de transgressão que lhe é inerente.
Conforme NEVES (1999, p. 218), Entretanto, por fugir aos padrões tradicionais de
ensino, a obra literária, freqüentemente, não é trabalhada em sua potencialidade
artística, em especial, nas últimas séries do ensino fundamental, quando o professor
de Língua Portuguesa não percebe a importância de seu papel como mediador,
privando seu aluno da mobilização necessária para otimizar o processo de leitura do
texto literário.
Os conceitos de ENGEL (2000), que ressalta a importância da pesquisaação no ensino, pois essa modalidade de pesquisa pode configurar-se como uma
alternativa para a necessidade de aperfeiçoar o processo de ensino em sala de aula.
Desse modo, a mescla de teoria e prática pode tornar-se uma realidade para
professores, auxiliando-os na solução de problemas, na medida em que eles se
tornarem pesquisadores em suas salas de aula. Como as modalidades de pesquisa
estão sujeitas à mudança, uma vez que o conhecimento é provisório e depende do
26
contexto,
a
pesquisa-ação
pode
tornar-se
uma
ferramenta
adequada
ao
desenvolvimento do ensino de literatura em sala de aula, pois ela apresenta
flexibilidade para adequar-se a variantes e, nesse trajeto, pode oportunizar aos
pesquisadores a ampliação de suas percepções.
A formação do sujeito leitor é, teoricamente, a preocupação de todas as
instâncias educacionais. No entanto, formar leitores é algo que requer condições
favoráveis para a prática social da leitura. Entre elas, destaca-se a necessidade de
uma biblioteca na escola que possa possibilitar ao aluno o contato com bons textos,
capazes de provocar agradáveis momentos de leitura na escola ou em casa,
sozinho ou com outras pessoas. Em função de promover e disseminar o hábito da
leitura na escola é necessário uma diversidade maior de textos literários à
disposição dos alunos, para que eles ampliem seus horizontes de leitura e de
mundo.
LAJOLO (1993), em seu livro Do mundo da leitura para a leitura do mundo,
afirma que a função do professor bem sucedido se confina ao papel de
propagandista persuasivo de um produto (a leitura) que, sobre a avalanche do
marketing e do merchandising, corre o risco de perder ao menos em parte sua
especialidade.
Para a autora, técnicas milagrosas para uso do texto literário em classe,
para o convívio harmonioso com o texto não existem, e as que assim se proclamam
são mistificadoras, pois estabelecem uma harmonia só aparente, mantendo intacto –
quando já instalado – o desencontro entre leitor e texto. Ainda segundo LAJOLO
(1993), talvez o professor seja peça secundária na escola de hoje e,
conseqüentemente, não parece que ainda seja de sua competência fazer alguma
coisa com o texto literário em sala de aula, pois já faz alguns anos que essa decisão
é da competência de editoras, livros didáticos e paradidáticos. Com base nesses
dados, a autora acredita que o texto na sala de aula é, geralmente, objeto de
técnicas de análises remotamente inspiradas em teorias literárias de extração
universitária, que, na escola, anula-se a ambigüidade, ou o meio-tom, a conotação.
De acordo com LAJOLO (1993), no que diz respeito à leitura literária, não se
deve fugir a alguns encaminhamentos mais tradicionais no ensino da literatura. A
inscrição do texto na época de sua produção, por exemplo, dão acesso a uma
historicidade muito concreta e encarnada, a qual se cola a obra de arte, a favor ou
27
não das intenções do autor. A inscrição do texto, do conjunto dos principais juízos
críticos que sobre ele se foi acumulando, é indispensável, pelo fato de fazer o aluno
vivenciar a complexidade da instituição literária. Outro caminho também necessário
é a inscrição do e no texto, no e do cotidiano do aluno, uma vez que este cotidiano
abrange desde o mundo contemporâneo até os impasses individuais vividos por
cada um, que podem nortear a direção do trabalho com o texto em sala.
A autora ainda afirma que o desencontro literatura-jovens, que explode na
escola, parece mero sintoma de um desencontro maior. Os alunos não lêem e os
professores também não; os alunos escrevem mal e os professores também, mas
eles,
[a]o contrário de nós, [...] não estão investidos de nada. E o bocejo que
oferecem à nossa explicação [...] é incômodo e subversível, por que analisa
nossos impasses. Mas sinalizando, ajuda a superá-los. Pois só superandoos é que em nossas aulas se pode cumprir, da melhor maneira possível, o
espaço de liberdade e subversão que, em certas condições, instaura-se
pelo e no texto literário. (LAJOLO, 1993, p. 16).
Um leitor competente é aquele que usa a linguagem escrita e a leitura
efetivamente, em diferentes circunstâncias de comunicação. É aquele que se
apropriou das estratégias e dos procedimentos de leitura característicos das
diferentes práticas sociais das quais participa, de tal forma que os utiliza no
processo de reconstrução dos sentidos dos textos. Esses procedimentos e
estratégias de leitura são: a) individuais e evidenciados como processos cognitivos
de alta complexidade e b) sociais, porque originados das práticas sociais nas quais
se realizam, conforme afirma KLEIMAN na passagem a seguir:
Quando falamos de estratégias de leitura, estamos falando de operações
regulares para abordar o texto. Essas estratégias podem ser inferidas a
partir da compreensão do texto, que por sua vez é inferida a partir do leitor,
isto é, do tipo de respostas que ele dá a perguntas sobre o texto, dos
resumos que ele faz, de suas paráfrases, como também da maneira com
que ele manipula o objeto: se deter em parte alguma, se passa os olhos
rapidamente e espera a próxima atividade começar, se relê. (2001, p. 49).
Ainda segundo essa autora, as estratégias do leitor são classificadas em
estratégias cognitivas e estratégias metacognitivas. As estratégias cognitivas da
leitura são as operações inconscientes do leitor, ou seja, as que ainda não
chegaram ao nível consciente, que ele realiza para atingir algum objetivo de leitura.
Por exemplo, o fatiamento sintático é uma operação necessária para a leitura, que o
leitor realiza, ou não, de diversas maneiras, dependendo das necessidades
momentâneas e que não poderá descrever. O conhecimento utilizado para realizar
28
essa operação é um conhecimento implícito, não verbalizado. Portanto, esse
conhecimento, do qual não temos reflexão e nem controle consciente, é realizado
estrategicamente e não através de regras.
[...] a leitura é um ato individual de construção de significado num contexto
que se configura mediante a interação entre autor e leitor, e que, portanto,
será diferente, para cada leitor, dependendo de seus conhecimentos,
interesses e objetivos do momento (KLEIMAN, 2001, p. 49).
Além de ajudar no desenvolvimento da linguagem e na apresentação de
conteúdos programáticos, a literatura tem, indubitavelmente, um imenso potencial de
promover diversos processos de aprendizagem. Livros podem ser utilizados na sala
de aula como uma forma de introduzir temas e lições práticas, como política,
questões sócio-econômicas e aspectos culturais que afetam e regulam a dinâmica
da vida em sociedade. Livros podem também ser usados como uma forma de
desenvolver outras habilidades e capacitações na criança e em adolescentes,
mostrando como proceder ou o que fazer em diferentes situações, apresentando
dilemas e contradições da vida cotidiana, apontando soluções e buscando
alternativas para problemas sociais, culturais e mesmo psicológicos e emocionais
em diferentes fases da vida.
Considerando que a literatura é a representação ficcional de todo um
imaginário coletivo, o leitor, aparentemente preso nas malhas do texto, “[...] salta
para a vida e para o real na medida em que a leitura da palavra escrita pode
conduzi-lo a uma interpretação do mundo.” PERRISSÉ (2003, p. 91).
Disso
podemos depreender que o papel do professor é acima de tudo inserir o aluno num
universo cultural literário, pois como afirma PERRISSÉ (2003, p. 91): A cultura
literária é uma das melhores influências que podemos provocar em nós mesmos, e
praticamente a única se quisermos escrever com mais segurança, com mais
agudeza. Cultura é cultivo, é cultivar-nos, é receber com bom grado e desenvolver
em nós o que outras pessoas já pensaram, já disseram, já escreveram. A formação
cultural é a condição para desenvolvermos nossos talentos adormecidos, nossas
inclinações ainda mal conhecidas, nossos raciocínios ainda esboçados, nossa
criatividade talvez um pouco tímida, nossa originalidade necessitando crescer em
intensidade.
29
A leitura e a Literatura contribuem para o processo de amadurecimento
humano, ainda mais quando se respeita o plano estético, sem ater se unicamente à
perseguição de objetivos sociais e cognitivos.
Antes de mais nada, é indispensável abrir mão da concepção segundo a
qual as emoções estéticas têm alguma relação direta com as morais e toda
obra de arte encerra uma espécie de impulso para o comportamento moral
(...) nunca podemos estar certos do tipo de efeito moral que esse ou aquele
livro irá exercer. (VIGOTSKI, 2004, p. 325).
Para BAMBERGER (2000, p. 13-14), os livros literários são capazes de
conferir uma significação mais ampla ao diálogo da vida. Desse modo, a Literatura é
fundamental porque leva ao reexame da realidade concreta; relaciona se com outros
objetos culturais; possui autonomia de significação, faz o leitor viver através das
personagens, é fundamental porque é Literatura.
CAPITULO III: O ENSINO DE LITERATURA E A FORMAÇÃO DO LEITOR
Para que os alunos se tornem bons leitores, é preciso motivá-los,
mostrando-lhes que a leitura é algo interessante e desafiador, utilizando-se para
isso, de propostas didáticas orientadas com o fim específico de formar leitores.
SILVA (1990, p.30), defende que:
A alfabetização é uma condição necessária, mas não é suficiente para a
formação do leitor crítico: após aprender as relações entre código oral e
código escrito, o aluno precisa ser exposto a diferentes materiais de leitura
de modo que possa obter o referencial para o seu pensamento.
Esta contribuição do autor nos leva a perceber que é importante fazer com
que os ,alunos tenham acesso aos mais diversos e variados tipos de textos,
levando-os a constituírem uma relação diferenciada com cada tipo de linguagem,
para, conseqüentemente, virem a tornarem-se leitores e produtores críticos e
competentes. Do mesmo modo, Souza (2000), ressalta que no ensino fundamental,
os alunos em geral, estudam os aspectos formais dos poemas, sem se
aprofundarem no conteúdo dos textos.
Os estudantes não recebem as chaves para sair da realidade cotidiana e
ingressar no espaço instigante da imaginação. Para muitos deles, em vez de ser
fonte de prazer e reflexão, a poesia se tornou um amontoado de versos e rimas que
passam a ser contados e examinados. Percebe se então que é um desperdício de
conteúdo, trabalhar poesia sem levar em consideração seu uso e funções sociais. A
importância dos professores levarem periodicamente textos variados para a sala de
aula é imensurável, pois, a formação de um leitor competente está vinculada à
constante presença destes no contexto escolar, já que, para uma grande maioria, é
o único local de acesso à leitura. O objetivo principal dessa didática é formar leitores
de textos literários, sejam eles em prosa ou em verso, levando os alunos ao contato
mais estreito com a literatura, para que com essa prática, o professor possa
aproveitar para desenvolver projetos que visem à produção, pois já que tendo os
textos a sua disposição, os alunos poderão escolher entre declamá-los, interpretálos e, até mesmo, produzi-los. Obviamente, propostas como estas poderão ser
revistas e ampliadas, de acordo com as necessidades e características de cada
turma, de cada escola, para o desempenho eficaz do trabalho, a partir de cada
realidade educacional e cultural dos alunos envolvidos.
31
De acordo com MACHADO (2002), quem não gosta de ler não pode ensinar
a ler, tal qual um instrutor de natação não pode ensinar a nadar sem entrar na água.
Questiona-se desta forma, a qualidade da formação do aluno/leitor, pois, segundo
ela, muitos professores não lêem por ano mais do que a literatura obrigatória para
ele. “Se o professor lê, não tem como não passar isso para o aluno. Quem gosta de
ler está sempre falando de livro, recomendando leituras para outras pessoas, é algo
que contagia e flui naturalmente.” (p.15). Ler e escrever, portanto, implicam
redimensionar as práticas e os espaços escolares.
A escola vem se constituindo como espaço privilegiado para a aprendizagem
e o desenvolvimento da leitura e da escrita, já que é nela que se dá o encontro
decisivo da criança com o ler e o escrever. Em vista disso FARIA (2004), define que
cabe a ela a tarefa de levar o aluno a ler e escrever, a construir suas próprias
hipóteses a respeito do sentido do que lê e do que escreve, assumindo pontos de
vista próprios para escrever a respeito do que vê, do que sente, do que viveu, do
que leu, nos diversos suportes que existem, do que ouviu em aula e do que vê no
mundo, promovendo em seus textos um diálogo entre vida e escola, mediado por
um leitor mais experiente: o professor. A escola é o lugar em que ocorre a
socialização do saber, em que há a promoção da transformação das relações
sociais que acontecem dentro dela, estimulando a participação de todos os
envolvidos no processo de ensino-aprendizagem e garantindo a articulação entre a
escola e a sociedade. (ORLANDI, 1988, p.118-119).
Na mesma linha de pensamento segue MARTINS (1982, p.16-17) ao afirmar
que:
È essencial que a escola ofereça, ao estudante, condições para que se
aproprie do conhecimento historicamente construído e se insira nessa
construção como produtor de conhecimentos. Mas, para que se torne capaz
dessa apropriação, é importante que lhe seja ensinado a ler, pois o
conhecimento acumulado está, em grande parte, escrito em livros, revistas,
jornais, relatórios, arquivos. Além disso, é preciso ensinar, também, a
escrever, porque a produção de conhecimento se expressa, na maioria das
vezes, por escrito.
O compromisso da escola em ensinar a ler e escrever constitui condição
indispensável à formação do estudante e ao exercício da cidadania, cabendo a ela,
tornar viável o acesso do aluno ao universo dos textos, para que o mesmo interaja
com sua diversidade, pois, se há diferentes objetivos, deve haver também variados
textos e, cada qual, com uma modalidade de leitura própria. Considera-se, contudo,
32
que mais importante que reter a informação obtida pela leitura tradicional dos muitos
textos, as atividades de leitura e escrita devem proporcionar aos alunos condições
para que possam de uma forma permanente e autônoma, localizar novas
informações através de suas vivências, e expressá-las, através de produções.
Assim, leitura e escrita constituem-se como competências não apenas de uso, mas
igualmente de compreensão da vida em sociedade.
A literatura é um mecanismo que agrega valor cultural ao leitor propicia
aquisição de vocabulário e de cultura do país da língua de partida. Além disso, a
literatura é uma fonte real de situações concretas de uso de língua, importante vetor
dos pilares da abordagem comunicacional, contudo, ela encontra-se num lugar
indefinido do comunicativismo (ALMEIDA FILHO, 2002, p.45). Além do fato de que
os textos literários são estimulantes e que a leitura literária e ajuda na aprendizagem
da mesma
Por tudo que foi discutido até aqui, se torna claro qual o papel e a relevância
dos usos literários em sala de aula de língua.
Segundo OLIVEIRA e SANTOS (2006, p. 80), são os professores que criam
novas práticas pedagógicas de ensino para substituir as já defasadas contribuindo
incessantemente para o advento da área educacional. Esse fato reafirma a verdade de
que é necessário que hajam estudos que elucidem e auxiliem o professor de línguas
nessa tarefa.
Os textos literários remetem a contextos sócio-históricos e reproduzem um
mundo de opiniões abstratas, ou da esfera das crenças, figurativizando questões
éticas, morais, religiosas, estéticas. Portanto, eles interligam tempos distintos da
história humana, introduzindo discussões em torno de temas como memória,
identidade,
nacionalidade,
liberdade,
justiça,
amor,
verdade,
conhecimento.
Paralelamente, os textos literários estabelecem uma relação enunciativa peculiar
que dá aos receptores a oportunidade de se situarem como parte do universo
representado e de atuarem como participantes da produção de sentidos.
KUNDERA afirma que “o autor não escreve a obra para falar da sua própria
vida, mas para iluminar, nos leitores, a vida deles.” (2005, p. 119). Sob esse
aspecto, a leitura do texto literário transforma-se em uma espécie de espelho do eu,
simultaneamente, deformador e informador. Na sua relação especular com o texto, o
33
leitor identifica imagens deformadoras, aquelas que não convergem com sua
situação existencial, e imagens informadoras, aquelas que dizem respeito a ele
mesmo e que lhe possibilitam olhar para sua interioridade, reconhecer-se como um
outro e, pela duplicação ficcional, observar-se a si mesmo.
A função da literatura transcende, dessa forma, a de provocar prazer, ainda
que esse também esteja presente no ato de leitura. Ao empreender seus esforços
interpretativos ou ao reconstruir o texto com o envolvimento criativo de sua
imaginação, o leitor reconhece não apenas sua capacidade subjetiva de
compartilhar da ficção, mas também sua condição de sujeito social, inserido em uma
modelagem histórica e cultural ampla, de que seu imaginário faz parte. Dessa forma,
a literatura preenche uma função antropológica que provém da malha social e que
para ela retorna (MACHADO, 2002, p.54), sendo responsável pela formação do
sujeito. Portanto, a obra de arte e, em especial, a literatura pode assumir a função
de gerar, criticar e renovar padrões sociais de comportamento, tendo em vista que
provoca a adesão afetiva do leitor por sua identificação com o universo
representado, traduzindo, igualmente, o apelo à transformação da própria realidade
social.
O fato de a leitura de textos literários ser justificada não só pela participação
ativa do leitor em seu processo de realização, mas também por suas funções de
caráter social e ético reforça a responsabilidade do professor e da escola na
capacitação de leitores. Esse processo, que vai sendo construído antes mesmo da
aquisição do código escrito, deixa marcas que atuam sobre o modo como se
constrói a identidade dos indivíduos, visto que o domínio da leitura reforça a
aceitação social e a leitura de textos literários contribui para a correlação com a
alteridade.
O texto literário invoca o caráter imaginário ao ser lido. O conhecimento da
literatura suscita experiências culturais e históricas, leva o leitor a se reconhecer
enquanto indivíduo e ser social abre um caminho de sonhos e possibilidades. “A
literatura, em sua natureza representativa e mimética, transforma em linguagem
essa necessidade humana de construção da singularidade.” (COSTA, 2007, p.99),
aproximando minimamente o leitor daquilo que ele acredita ser sua identidade
Enquanto criação da linguagem, a literatura tem uma característica social. É
por meio da linguagem que se dá a interação do autor e do leitor. Tem também uma
34
característica humana, já que trata de assuntos e temas que têm relação com a vida,
como sentimentos, temores, desejos e afetos. Por esse motivo, desperta
sentimentos no leitor, estimulando o desenvolvimento do pensamento, a formação
dos valores ideológicos e alimentando o imaginário.
A literatura evoca o imaginário do leitor porque cria uma outra realidade, que
apresenta o que se acredita ser o real. É exatamente essa característica que dá ao
texto literário o caráter de fantasia e de imaginação:
O uso da fantasia na literatura infantil é mais um recurso de adequação do
texto ao leitor (...) já que a criança compreende a vida pelo viés do
imaginário. A partir da transfiguração da realidade pela imaginação, o livro
infantil põe a criança em contato com o mundo e com todos os seus
desdobramentos. (AGUIAR, 2001, p.83).
Para VYGOTSKY (2004), a linguagem ajuda a criança a direcionar o
pensamento. A literatura, enquanto linguagem, mais do que auxiliar a criança a se
familiarizar com a linguagem visual ou escrita, serve de estímulo para o
desenvolvimento do pensamento e da imaginação.
convivência com poemas, narrativas ou textos dramáticos, além da
ilustração ou das imagens visuais, que passaram a integrar
necessariamente o livro de literatura infantil, faz com que a criança
desenvolva habilidades de manuseio, de entendimento e de relação entre
linguagens diversas. Muito mais do que isso. Ela forma as referências
simbólicas, afetivas e de pensamento que irão permanecer na memória e
influenciar pensamentos futuros. (COSTA, 2007, p.27).
No momento em que o leitor depara-se com um texto literário, não é apenas
a imaginação que é acionada: recursos cognitivos como a atenção, a memória, o
esforço mental, a vontade, a disponibilidade, o estabelecimento de relações, a
seleção e as inferências também são. E são essas inferências que contribuirão para
a atribuição de um significado ao texto.
Desse modo, é o leitor que irá colaborar, atribuindo um sentido ao texto. O
entendimento deste se dará a partir do repertório de experiências vividas, ouvidas,
imaginadas ou lidas que o leitor possui. Assim, é o leitor que dá vida ao livro,
iluminando-o com uma nova interpretação.
O leitor, portanto, é um dos componentes que constitui a literatura,
juntamente com o autor e a obra. É no final da década de 60, com a teoria da
recepção, que o papel do leitor ganha importância e que a sintonia entre os três
componentes da literatura passa a ser considerada: “o autor, ao construir o texto de
35
imaginação em linguagem criativa, propõe ao leitor um desafio e um contrato.”
(COSTA, 2007, p. 65).
A Estética da Recepção, teoria da análise literária que se concentra na
forma como um texto é recebido pelo leitor, segundo BAMBERGER (2000, p. 50)
proporcionou uma mudança de orientação nas análises da literatura, que passam a
não mais se concentrar com exclusividade na mensagem do texto, mas nos efeitos
deste e sua recepção.
Segundo SOARES (2001), a leitura pode ajudar no desenvolvimento integral
da criança, bem como a modificar o indivíduo e a educação, e ser uma das ações
para melhorar as condições de cidadania. E uma criança leitora tem grandes
possibilidades de se tornar um adulto leitor, o que consentirá a atuação contínua do
literário no indivíduo.
CAPITULO IV: LITERATURA E LEITURA NO MUNDO ATUAL
Aposta-se no ato de ler como processo ensino/ aprendizagem, na formação
de cidadãos pensantes e críticos, longe de serem alienados pelo sistema.
BAMBERGER (2000, P. 10), definiu
[...] o ato de ler, em si mesmo, como um processo mental de vários níveis,
que muito contribui para o desenvolvimento do intelecto”. Ele é um processo
cognitivo e um processo de linguagem. Por isso, alguns estudos no campo
da psicologia revelam que o aperfeiçoamento da capacidade de ler está
intimamente ligado ao da capacidade de aprender como um todo, o que
implica dizer que vai além da recepção, pois “a boa leitura é uma
confrontação crítica com o texto e as idéias do autor.
A leitura individual desenvolve a capacidade de refletir sobre o processo no
qual o mesmo está acoplado, de modo a aprimorar a linguagem e possibilitar o
desenvolvimento da identidade como ser único, ou seja, “a leitura é um dos meios
mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade”
(BAMBERGER, 2000 p. 10).
A leitura faz com que se ative no educando vários processos cognitivos, que
vão desde a decodificação da língua até a reflexão sobre o que se lê. “A leitura vai,
portanto, além do texto (seja ele qual for) e começa antes do contato com ele. O
leitor assume um papel atuante, deixa de ser mero decodificador ou receptor
passivo”. (MARTINS, 1990, p. 32). Afirma-se que a leitura significativa permite ao
leitor penetrar no âmago do texto, de forma a superar o que está escrito, isto é,
capaz de interpretar as “entrelinhas”. No mesmo sentido, LAJOLO (2000, p.106)
assinala: “Cada leitor, na individualidade de sua vida, vai entrelaçando o significado
pessoal de suas leituras com os vários significados que, ao longo da história de um
texto, este foi acumulando.”
Embora se possa entender que a leitura funcione como elo de ligação entre
o mundo interior e o mundo exterior do indivíduo, muito se tem procurado encontrar
resposta para o desinteresse dos educandos, pois o que os educadores mais
reclamam é que seus educandos não querem ler, tornando a leitura uma obrigação
e realizando apenas aquilo que lhes é cobrado em provas ou em outras formas de
avaliações.
Contrário a isso, BAMBERGER (2000, p.70) se posiciona: “Os livros não
devem ser considerados como ‘trabalho escolar’, mas como companheiros.” Assim
37
sendo, embora se reconheça a necessidade de se aplicar um teste como uma forma
de avaliar a evolução do educando no que se refere à leitura, o que se reprova é o
aceite dessa metodologia de troca entre professor/aluno como forma eficaz de se
ativar no aluno o gosto e o prazer pelo ato de ler. KLEIMAN argumenta que essa
dificuldade se refere “[...] à própria formação precária de um grande número de
profissionais da escrita que não são leitores, tendo, no entanto, que ensinar a ler e a
gostar de ler.” (2002, p.15). O que o autor ressalta é o despreparo do educador que
se prende muitas vezes à sua formação acadêmica considerando-a como fórmula
pronta e acabada capaz de solucionar todas as dificuldades na tarefa árdua do
ensino e gosto pela leitura. Diante dessa metodologia tradicional, este se limita à
ousadia de novas alternativas que muitas vezes funcionam como fórmulas mágicas,
tal como assinala
KLEIMAN (2002, p. 27): “Nessa mediação, ele pode fornecer modelos para
atividade global, como pode, dependendo dos objetivos da aula, fornecer modelos
de estratégias específicas de leitura, fazendo predições, perguntas, comentários”.
Cabe aqui salientar que a leitura como fonte de informações apenas não
possibilita ao leitor o gosto e o prazer pelo que se lê, pois é comprovado que o
mesmo necessita encontrar-se na leitura. É nessa perspectiva que se deve admitir a
importância da leitura literária, pois nela o educando pode fazer uma viagem por
outras épocas e universos jamais oferecidos pela leitura simplesmente informativa.
BAMBERGER (2000, p.45) diz que “O jovem leitor exige o inusitado, a
libertação do mundo cotidiano, a vida intensificada.” Se levarmos em consideração
que a distância entre realidade e literatura é pequena, pois não existe autor
indiferente à sua realidade, pode-se afirmar que é possível ao leitor se encontrar no
texto, em que as situações da vida cotidiana são recriadas de forma mágica,
prendendo-se nela a ponto de se apaixonar.
Assim, BAMBERGER (2000, p. 42), assevera: “Leitura literária – também
constitui uma busca além da realidade. Procura o significado interno, o
reconhecimento do simbólico nos acontecimentos cotidianos”.
Nesse sentido, vê-se na leitura literária uma luz para que o educando
apaixone-se pela leitura. Para LAJOLO (2000, p. 105) “A literatura constitui
modalidade privilegiada de leitura, em que a liberdade e o prazer são virtualmente
38
ilimitados.” Porém, quando o educador introduz o aluno a este tipo de leitura ele se
encontra diante de várias barreiras, as quais precisam ser derrubadas, tais como o
tabu de que a classe econômica é fator predominante para que se desenvolva o
hábito da leitura. É de se perceber que por trás dele há uma omissão de
responsabilidade, pois em um mundo globalizado seria ignorância dizer que uma
criança ou adolescente não possa se transformar em um leitor fluente pelo simples
fato de pertencer a esta ou aquela classe sócioeconômica.
BAMBERGER, sensível à necessidade do ato de ler como um instrumento
de cidadania, diz: “[...] a leitura deixa de ser privilégio de uma pequena parcela da
sociedade; tornou-se indispensável que um número maior de pessoas leia.” (2000,
p. 13).
Outro ponto crucial enfrentado pelos educadores/ professores é o
despreparo de várias famílias que vê na escola a única responsável pela formação
de leitores e cidadãos atuantes. Assim, não contribuem com o processo, talvez por
falta de clareza de seu papel fundamental, talvez por não terem sido preparadas
para a tarefa, levando-as ao não incentivo da leitura em casa, e acabam por ofertar
às crianças apenas brinquedos e outros meios de lazer que não sejam os livros.
BAMBERGER (2000, p. 50) alude que “[...] disponibilidade de livros,
representa um papel decisivo no despertar do interesse pela leitura.” Além destes, o
educador precisa estar preparado para concorrer com os meios de comunicação de
massa que oferecem a todo instante outras formas de lazer, que muitas vezes
prendem e dominam os educandos, alienando-os e direcionando-os para o
consumismo do mundo moderno. Diante de tantos tropeços, se faz necessário que o
professor conheça outras metodologias e o texto a ser trabalhado, mas sem deixar
de formular a sua própria metodologia. Não adianta o professor arriscar e indicar um
texto que ele próprio não conheça, pois não haverá condições adequadas de
discussão e exploração dos conhecimentos dos educandos.
Dessa forma, para BAMBERGER (2000, p. 74)
Está claro que a personalidade do professor e, particularmente, seus
hábitos de leitura são importantíssimos para desenvolver o interesse e o
hábito de leitura nas crianças [...] Se as crianças sentirem, nas discussões
travadas na sala de aula, que o professor não está apenas generalizando,
senão animando-os a ler um ou outro livro, o seu contato com os alunos
será fortalecido e eles não só lhe aceitará, confiantes, o conselho, como
também o procurarão.
39
Para que ele desempenhe seu papel como orientador e pesquisador é
preciso estar atualizado com relação ao acervo da biblioteca freqüentada pelos seus
alunos, bem como outros tipos de leitura. Segundo MARTINS (1990, p. 34)
A função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de
criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem,
conforme seus interesses, necessidades, fantasias, segundo as dúvidas e
exigências que a realidade lhe apresenta.
Diante do exposto sobre a concorrência enfrentada pelo educador no
processo de interesse e gosto pela leitura literária, vê-se a necessidade de um
professor fascinante, diferente a cada dia e que utilize sua criatividade sem medo de
se lançar ao desconhecido. Porém, respeitando a vontade do leitor e sua liberdade,
tal como afirma LAJOLO (2000, p. 108):
A leitura só se torna livre quando se respeita, ao menos em momentos
iniciais de aprendizagem, o prazer ou a aversão de cada leitor em relação a
cada livro. Ou seja, quando não se obriga toda uma classe à leitura de um
mesmo livro, com a justificativa de que tal livro é apropriado para a faixa
etária daqueles alunos [...].
Segundo
BAMBERGER
(2000,
p.
50),
atualmente,
no
mundo
contemporâneo, com a invenção da internet, esta sociedade caótica passou a ser
dinamizada pela cultura cibernética e as crianças, diretamente influenciadas pela
tradição progressista, são embaladas neste ritmo, que hoje está em pleno processo
de superação/transformação. Para SOUZA (2000), As histórias antigas podem até
parecer ultrapassadas neste ciberespaço dinamizado pelas informações e pelas
conquistas da eletrônica e da informática, porém é neste confronto que as histórias
revelam que são verdadeiras fontes de sabedoria, que têm papel formador da
identidade. Há pouco tempo, elas foram redescobertas como fonte de conhecimento
de vida, tornando-se também um grande recurso para educadores.
Com o advento da comunicação, ampliação dos seus recursos e a
globalização das informações, a linguagem falada tende a definhar, porém,
concomitante a esse desenvolvimento, surgiu uma necessidade de resgatar
os valores tradicionais e a própria natureza humana. A tradição oral dos
contos, não só não desapareceu, como está ganhando força nos últimos
tempos. BAMBERGER (2000, p. 50).
Para LAJOLO (2000, p. 108), hoje assistimos ao nascimento de muitos
grupos de contadores de histórias, uma novidade para um ofício que foi quase
sempre individual.
Mesmo nos encontrando em uma era marcada por computadores, pelas
telecomunicações e pela micro-eletrônica, o material impresso – o livro, segundo
40
BAMBERGER (2000, p. 50) continua exercendo grande influência na educação,
principalmente para a literatura. Não necessita de equipamentos sofisticados, pode
ser facilmente transportado e a maioria dos adultos sabe como utilizá-lo. Este
material apresenta-se em forma de livros, manuais, fascículos, revistas, jornais,
textos e histórias em quadrinhos, e pode ser utilizado como única forma de
informação, ou como meio complementar ou suplementar de informação, conforme
planejamento do professor. O custo da produção do material é baixo, sua
reprodução é fácil, sua durabilidade é alta quando comparado aos sites e homepages disponíveis na Internet que têm condições voláteis.
Conforme a sociedade se defronta com mudanças significativas em suas
bases sociais e tecnológicas, segundo CAGLIARI (1990, p. 150), novas atribuições
passam a ser exigidas à escola. E as perspectivas tecnológicas para as formas
literárias podem ser grandes atrativos para despertar o gosto artístico.
A cultura contemporânea é, segundo MARTINS (1994: 07),
sobretudo
visual. Videogames, videoclipes, cinema, telenovela, propaganda e histórias em
quadrinhos são técnicas de comunicação e de transmissão de cultura cuja força
retórica reside sobretudo na imagem, tal o impacto de significação dos recursos
imagéticos. Tomando por exemplo, as narrativas visuais do cinema ou da telenovela,
produtos culturais a que (quase) todos têm acesso e que competem diretamente
com as narrativas literárias no gosto do público consumidor de cultura; o que se
capta, em primeiro lugar, é um contexto demonstrativo em vez de um contexto
verbal:
percebe-se
pela
vestimenta,
caracterização
e
comportamento
das
personagens, pelo lugar onde estão, por seus gestos e expressões faciais, se se
trata de drama ou comédia, em que época se desenvolve o enredo, enfim, de que
modo o espectador está sendo convidado a fruir aquele conjunto de significados
visuais componentes de uma trama. Cada cena comporta um peso visual e auditivo,
este dado pela trilha sonora, que se comunica imediatamente, sem necessidade de
palavras. A imagem tem, portanto, seus próprios códigos de interação com o
espectador, diversos daqueles que a palavra escrita estabelece com o seu leitor.
Segundo VYGOTSKY (2004), a prática do texto permite que a sala de aula
seja envolvida em uma atmosfera de possibilidades e encantos. A leitura, a
interpretação e, sobretudo, a produção textual proporcionam ao aluno perceber
novos mundos, o contato com outras realidades e culturas diferentes da sua, a
41
24
interação com o autor ou autores dos textos lidos. E quando o professor sugere que
ele mesmo, o educando, produza textos é uma oportunidade de humanização de um
ser que outrora parecia distante, inacessível até, mas que agora está ali interagindo,
dialogando com a turma a partir do texto.
Levar o texto para sala de aula é dar voz ao outro e proporcionar que idéias
diferentes se confrontem, que os contrários se choquem e que o conhecimento se
configure de várias formas. Além de conceder ao estudante a oportunidade da fala,
da construção e exposição de idéias, da manifestação, da interação e crescimento
coletivo. Pode ser o momento no qual a classe e o educador percebem-se como
parte de, criadores de, defensores de, indignados com e o que é mais importante;
capazes de... O texto ainda permite que a escola que se tem comece a ser a escola
que se deseja. Aquela que muitos pregaram; uma escola não conteudista, escola
que CAGLIARI (1990, p. 150), sugeriu, uma escola formadora que não se prende à
mera transferência de saberes.
O professor de Português deve estar familiarizado com uma leitura bastante
extensa de literatura, particularmente da brasileira, da portuguesa e da
africana de expressão portuguesa. Freqüentador assíduo dos clássicos, sua
opção pelos contemporâneos, pelas crônicas curtas ou pelos textos infantis
deve ser, quando for o caso, mera preferência. Em outras palavras: o
professor de Português pode não gostar de Camões nem de Machado de
Assis. Mas precisa conhecê-los, entendê-los e ser capaz de explicá-los.
(VYGOTSKY, 2004, p. 21 e 22).
Quanto mais evidente ficar para o professor a importância da leitura literária
como poderosa fonte de formação de sensibilidades e de ampliação de nossa visão
de mundo, que tem nessa linguagem artística um componente essencial de
formação, cultural
Segundo MARTINS (1994: 07), “o ato de ler é usualmente relacionado com a
escrita, e o leitor visto como decodificador da letra.” Começamos a compreender, a
dar sentido ao que e a quem nos cerca, são os primeiros passos para aprender a ler.
Trata-se de um aprendizado mais natural do que se costuma pensar, mas tão
exigente e complexo como a própria vida. Para aprender a ler e compreender o
processo da leitura, não estamos desamparados, temos condições de fazer algumas
coisas sozinhos e necessitamos de alguma orientação. No conceito de ZILBERMAN
(1999, p.12), “tudo começou quando a sociedade precisou criar um código
reconhecido e aceito por todos, o qual seria usado para operar as relações
familiares, sociais e econômicas”, ou seja, começamos a ler desde quando
42
nascemos, pois começamos a decodificar todos os sinais emitidos por todos ao
nosso redor.
Para VYGOTSKY (1996), o ato de Ler e compreender o mundo é conseguir,
por meio de atitude, transformá-lo. Além disso, é contextualizar textos, dar sentido a
eles, ler tudo o que já foi escrito, contos, jornais, bula de remédio, letreiros, poemas
e narrativas. Ser capaz de interagir com os diversos tipos de leitura: visual, sensorial,
sonora é o elemento constituinte do ser completo, antenado a tudo que ocorre à sua
volta. O ensino e valorização da leitura permitem que os alunos consigam dominar o
código escrito e outros mais elaborados. Escrever é manifestar o que nos intriga no
mundo, construir e dar uma forma às sensações, emoções e reflexões sobre a vida.
Nesse sentido, cabe destacar a Lei nº 9.394/96, (Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional-LDB), que considera que,
A decodificação é a competência central do processo de aprendizagem da
leitura. Todas as outras competências estão ou associadas a ela, como
prérequisitos como no caso da consciência fonêmica e do domínio do
principio alfabético, ou como decorrência, no caso da fluência, quando a
decodificação se torna dispensável pelo reconhecimento imediato das
palavras. As outras competências, como vocabulário e compreensão, são
independentes da leitura, mas a fortalecem e se fortalecem à medida do
que aumenta a proficiência da leitura da criança. (BRASIL, 1996: 41).
O desafio é oferecer aos alunos a literatura, que possa fazer parte de sua
vida, pois não se adquire a prática da leitura, lendo textos que não são
interessantes, e não nos dizem respeito, mas precisamos senti-los úteis,
necessários, vibrantes, e para isso precisamos ler com calma e ir descobrindo as
inúmeras possibilidades da leitura, pois CAGLIARI (1990:150), afirma que, “a leitura
sem decifração não funciona adequadamente, assim como sem a decodificação e
demais componentes referentes à interpretação, se torna estéril e sem grande
interesse”, e é esse o papel do professor, proporcionar momentos de puro deleite
em contato com autores que tanto tem a dizer a todos nós. A motivação é o impulso,
que leva o indivíduo a ler, pois ele verifica que ao ler enriquece seus conhecimentos,
porque a leitura é fundamental na nossa vida, e isso pode ser afirmado pelo mesmo
autor que destaca que, “a leitura é o alimento da alma” (CAGLIARI, 1990:150),
portanto o que fazemos em nossa vida depende da leitura.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A leitura na escola deve criar nos aluno a criar hábito de leitura para
desenvolver a compreensão de textos e dimensionar seu lugar na sociedade,
permitindo o desenvolvimento do pensamento crítico, para que o aluno seja capaz
de decidir e exercer seus direitos e melhoria na qualidade de vida. Isso significa que
a leitura não resolve os problemas sociais ou individuais, mas constitui um recurso
para interagir com o real.
As leituras devem fornecer aos alunos oportunidades para o processo de
interligação da linguagem e habilidades, dando ênfase não só ao significado pelo
autor e pelo leitor, mas também as estratégias para construção do significado de um
texto.
O papel do professor deverá ser de assumir o compromisso com o livro,
tendo o hábito de contar histórias, despertando a curiosidade pelos misteriosos
signos da escrita, desafiando os alunos, encorajando-os, solicitando-os, provocandoos, para que essas criem suas hipóteses, abrindo as portas para o universo da
leitura.
Cabe ao professor a competente tarefa de utilizar a Literatura Infantil no seu
dia-a-dia profissional, fazendo com que os alunos possam ter interesse e acesso aos
livros e também fazendo com que as crianças venham a ter futuramente uma visão
mais crítica frente a tudo que os rodeiam.
A leitura nos dias de hoje, dado sua importância, deve tomar um rumo
diferente, não se restringindo ao domínio de aspectos mecânicos, de fluência e da
boa dicção, que mesmo sendo necessários, não são suficientes. Precisa-se que a
leitura do mundo preceda à leitura da palavra e que sua temática explicite a
compreensão crítica.
A leitura acontece quando se organiza os conhecimentos, partindo de
situações
impostas pela
realidade,
quando
se
estabelece relações
entre
experiências e procura-se resolver os problemas apresentados. O leitor então tem
impressão de que o mundo está a seu alcance, que pode compreendê-lo, conviver
com ele e até modificá-lo, pois além da inteligência tem consciência crítica.
44
Acredita-se que é papel da escola auxiliar na formação de leitores por meio
do diálogo com os diversos gêneros literários. Assim sendo, o papel da literatura nas
séries iniciais do Ensino Fundamental, não se esgota na tarefa de proporcionar o
prazer de ler. Na alfabetização, a relação entre aluno e texto é ainda mais
importante, pois o texto literário torna-se mais uma revelação do que um elemento a
ser decodificado, uma vez que conduz à auto-compreensão e ao estabelecimento de
ricas relações interpessoais, uma função que leva ao aluno a perceber a linguagem
como algo concreto, importante e significativo.
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