O inferno é a Terra da Luz Tranquila

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Brasil Seikyo - Edição 2037 - 29/05/2010 - pág. B2 - Caderno de Estudo
Brasil Seikyo - Caderno de Estudo
O inferno é a Terra da Luz Tranquila
“Tanto a terra pura como o inferno não existem fora de
nossa vida; eles somente podem ser encontrados em
nosso coração. A pessoa que desperta para isso é
chamada de Buda; e a que ignora é chamada de
mortal comum. O Sutra de Lótus revela essa verdade, e
quem abraça esse sutra perceberá que o inferno é a
existem em nós mesmos e acreditar que
ambos existem em outro lugar é ilusão.
Neste trecho, ele encoraja a monja leiga
de Ueno a alcançar a própria iluminação.
Ele não diz a ela sobre a iluminação do
falecido marido.
própria Terra da Luz Tranquila.”
Resumo e cenário histórico
O inferno é a Terra da Luz Tranquila” é uma
carta endereçada à monja leiga de Ueno,
viúva de Nanjo Hyoe Shitiro e mãe de
Nanjo Tokimitsu. Há divergências entre os
estudiosos a respeito da data em que foi
escrita. Alguns dizem ter sido redigida
imediatamente após a morte de Hyoe
Shitiro, em 1265. Outros acreditam que
tenha sido escrita em 1274, quando
Daishonin voltou da Ilha de Sado e foi viver
no Monte Minobu, voltando a escrever
assiduamente para a família Nanjo. Quando
Hyoe Shitiro faleceu, o segundo filho,
Tokimitsu — que se tornou o chefe da
família — tinha apenas 7 anos de idade.
Nessa época também, a esposa de Hyoe
Shitiro estava esperando o quinto filho.
Certamente a dor pela perda do marido foi
muito grande. Porém, ela deixou de lado o
próprio sofrimento para proteger e criar
sozinha os filhos. Nitiren Daishonin sentiu a
tristeza incontida que havia no coração
daquela mãe e a encorajou com o sincero
desejo de aliviar-lhe o sofrimento.
Nesta carta, Nitiren Daishonin nos ensina
que tanto o inferno como a terra pura
O Budismo Nitiren possibilita às pessoas
que mais sofrem a conquistar elevada
felicidade. A Lei Mística tem o poder de
transformar até mesmo o inferno na Terra
da Luz Tranquila.
Tópicos da explanação do Presidente
Ikeda
As pessoas que praticam o Sutra de Lótus
podem comprovar na própria vida o
princípio de que “O inferno é a Terra da Luz
Tranquila”. Em um de seus escritos,
Daishonin assegura a Shijo Kingo que, se
fosse necessário, para protegê-lo, o
acompanharia até mesmo no inferno.
Daishonin diz: “Se o senhor e eu caíssemos
no inferno juntos, encontraríamos o Buda
Sakyamuni e o Sutra de Lótus ali”.
Podemos entender na frase que se Nitiren
Daishonin e Sakyamuni estão presentes no
inferno, este torna-se a terra do Buda.
Nesse caso, os guardiões do inferno não
atacariam os seguidores do Buda, e Yama,
rei do inferno, não teria outra escolha
senão proteger o Sutra de Lótus.
O Sutra de Lótus é um ensino capaz de
transformar o lugar em que estamos na
terra do Buda. Ter fé no Sutra significa
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empreender
esse
desafio.
Consequentemente, é impossível os
seguidores de Daishonin que perseveram
na prática do Sutra de Lótus sofrer no
estado de inferno. A eles está assegurado
um estado de vida de absoluta liberdade.
Daishonin queria transmitir esse ponto à
monja leiga de Ueno. Muito embora,
provavelmente, ela já tivesse escutado
várias vezes sobre o princípio de que “o
inferno é a Terra da Luz Tranquila”,
Daishonin queria que ela compreendesse
esse ensinamento num nível muito mais
profundo e o manifestasse na própria vida.
Esta passagem também transmite o
sincero desejo de Daishonin de que a
monja leiga se dedicasse à prática budista
com uma determinação ainda mais firme.
A razão de Daishonin ter mencionado o
princípio de que “o inferno é a Terra da Luz
Tranquila” foi para que ela se sentisse
confiante de que o marido havia atingido o
estado de Buda. Outro motivo foi para
ensiná-la que o estado de Buda existe na
própria vida — consciência que lhe daria
uma inabalável confiança e inspiração —
mesmo enquanto lutava corajosamente
para criar os filhos sozinha.
O princípio de “atingir o estado de Buda na
presente forma” tem o poder de despertar
a esperança e a alegria na vida de todas as
pessoas. Nitiren Daishonin ensina essa
doutrina fundamental à monja leiga de
Ueno, por meio deste escrito, para fazer
surgir no coração dela a luz da verdadeira
esperança.
“Empenhe-se ainda mais na fé. A pessoa
que, ao ouvir os ensinos do Sutra de Lótus,
fortalece ainda mais a fé, é um verdadeiro
seguidor do Caminho”, diz Daishonin à
monja leiga de Ueno em um outro trecho
desse mesmo escrito.
Nitiren Daishonin explica profundos
princípios, como “atingir o estado de Buda
na presente forma” e “o inferno é a Terra
da Luz Tranquila”, para ajudar seus
discípulos a aprofundar a fé. O budismo
não é um jogo de palavras nem conceitos.
Os princípios básicos explicados neste
escrito nos ensinam que a fonte de
esperança suprema — o estado de Buda —
reside dentro de nós. Se aceitarmos isso
como verdade e mantivermos uma firme
crença, a escuridão ou a ignorância
fundamental que obscurece nosso estado
de Buda será dissipada, fazendo com que
nossa vida brilhe.
Portanto, o mais importante é a fé. Quanto
mais a aprofundarmos, mais nossa vida é
tingida pelo tom do estado de Buda. Para
ilustrar, Daishonin cita em outro trecho
palavras do Grande Mestre Tient’ai, da
China: “Do índigo se obtém um azul muito
mais intenso”. As folhas da planta do índigo
são esverdeadas com um ligeiro tom
azulado. Mas, se algo é mergulhado várias
vezes na tinta obtida dessas folhas,
adquire-se um tom forte de azul. Nossa
prática para atingir o estado de Buda nesta
existência também é assim.
Por expor esse princípio, o Sutra de Lótus
pode ser comparado às folhas da planta
de índigo. A prática do Budismo de Nitiren
Daishonin, por sua vez, é como submergir
algo repetidamente na tinta obtida a partir
das folhas. Em outras palavras, no Budismo
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de Nitiren Daishonin, ao aprofundarmos a
fé ouvindo os ensinos e ao nos
empenharmos ainda mais na prática,
podemos manifestar o estado de Buda e
atingir a iluminação nesta existência.
O propósito do estudo dos escritos
budistas não é só para compreender o
espírito de Daishonin e fortalecer a fé. Ao
estudarmos os princípios da filosofia do
Budismo Nitiren, podemos adquirir a sólida
convicção de que a esperança e a paz
residem em nosso próprio coração, e nos
dedicar pela própria felicidade e a dos
outros. O estudo também nos proporciona
coragem para enfrentar as dificuldades por
meio do exemplo de Daishonin, que
triunfou sobre enormes obstáculos e
provações. Eis a chave do estudo do
budismo: aplicar seus princípios à vida
cotidiana. Tenhamos sempre isso em
mente.
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