CRISTINA MARTINS E SILVA AVALIAÇÃO NEUROQUÍMICA DO SISTEMA COLINÉRGICO DE CAMUNDONGOS COM O GENE DO TRANSPORTADOR VESICULAR DE ACETILCOLINA (VAChT) MODIFICADO GENETICAMENTE Belo Horizonte Junho 2008 CRISTINA MARTINS E SILVA AVALIAÇÃO NEUROQUÍMICA DO SISTEMA COLINÉRGICO DE CAMUNDONGOS COM O GENE DO TRANSPORTADOR VESICULAR DE ACETILCOLINA (VAChT) MODIFICADO GENETICAMENTE Tese submetida ao Programa de Pós-Graduação em Farmacologia Bioquímica e Molecular do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para obtenção do grau Doutor em Ciências Biológicas: Farmacologia Bioquímica e Molecular Orientador: Vânia Ferreira Prado Co-orientador: Marco Antônio Máximo Prado Belo Horizonte Junho 2008 i Esse trabalho foi realizado no Laboratório de Neurofarmacologia do Departamento de Farmacologia e no Laboratório de Neurobiologia Molecular do Departamento de Bioquímica, ambos do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais, com auxílio das seguintes instituições: - Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - American Health Assistance Foundation - Pronex-MG - NIH-Forgaty -Instituto do Milênio ii AGRADECIMENTOS A DEUS; Agradeço imensamente aos meus pais pelo amor incondicional e por sempre acreditarem que o ensino é a maior e melhor herança. Amo muito vocês; À minha irmã Kiu, amo muito você! Ao meu bebê Marie, que mesmo sendo tão criança, soube entender quando a titia tinha que cuidar de camundongos; À minha querida orientadora Vânia, meu espelho profissional, que em muitos momentos soube aconselhar além dos assuntos científicos; Ao meu Big Boss Marcão, pela confiança, exemplo e pelo profissionalismo; À minha Amigator, pela amizade, confiabilidade e aconselhamentos (Estamos juntas neste barco!); À Magdinha, que foi, voltou e foi de novo: muitas saudades; Ao meu pequeno Cearense que eu adoro e admiro; Ao Bráulio, companheiro e amigo que conquistou minha admiração e respeito; À Fabi, minha doce pequena, meiga e amável, foi maravilhoso conviver com você; Ao Professor Marcus Vinícius pela honra de trabalhar junto, pelo exemplo de pesquisador, pela luta em causa dos estudantes e principalmente pela simplicidade. Sentirei muito sua falta! Ao Helton (honorável professor) pela amizade e ajuda nos momentos de ignorância digital; À Luciene e Melissa, companheiras e amigas de todas as horas; À Driele, pela amizade conquistada a muito custo, por sempre me atualizar nos assuntos de televisão e principalmente por me ajudar nos experimentos quando você estava a fim. Valeu Driele, te adoro! Ao Celinho, pela amizade, alegria, pelo Cruzeiro Esporte Clube e ajuda neste momento difícil; À minha grande amiga Janaína, irmã de coração e parceira de todas as horas; À Lucimar e à Grace (agora ilustre professora), vocês são fundamentais, amo vocês; Aos companheiros do Laboratório de Neurofarmacologia: Alessandra (leite quente adorada!), Aninha Cristina, Nancy, Iaci, Jomara, Xavier, Patrícia e Danuza; iii Ao Dioguete, que me ajudou e ensinou muito sobre o Biotério, mas principalmente por despertar meu respeito e admiração (Cê chega longe moço, acredite, pois eu tenho certeza!); Aos companheiros do Laboratório de Neurobiologia: Ivana, Rita, Andréa, Natália, Patrícia, Cíntia, Diane e Rodrigo; Aos grandes amigos do Laboratório de Eletrofisiologia: Chris, Sílvia, Marcinha, Éder, Adriano, Enéas, Anita, Aline, Flaviana, Rose e Marina; À Cristina (ilustríssima professora), por sempre deixar as portas do seu laboratório abertas para meus experimentos de domingo e pela amizade e carinho de seus estudantes Ernani, Bento e Mona; Ao professor Renato Gomez, pelo exemplo, amizade e a presença nos experimentos de domingo; À Lica, minha amiga de todas as horas. Desejo-te todas as alegrias do mundo; À minha tia Ló, parte desta conquista também é sua! Ao Zé Lope, por tornar este período final muito alegre e divertido; Aos filhos e neta do Zé Lope, valeu, valeu e valeu! À toda a minha família, meu esteio e meu porto seguro; A todos que direta ou indiretamente fizeram parte desta conquista, muito obrigada. iv SUMÁRIO Lista de figuras e tabelas..................................................................................................ix Lista de abreviaturas........................................................................................................xii Resumo...........................................................................................................................xiv Abstract...........................................................................................................................xvi I- INTRODUÇÃO 1.0 Acetilcolina e o sistema colinérgico..........................................................2 2.0 O lócus colinérgico....................................................................................4 2.1) A enzima colina acetiltransferase (ChAT)................................................6 2.2) O transportador vesicular de acetilcolina (VAChT)..................................8 2.3) O transportador de colina de alta afinidade (CHT1)................................11 3.0 Classificação dos neurônios colinérgicos no sistema nervoso central.....14 4.0 Sistema colinérgico e doenças neurodegenerativas.................................17 5.0 O sistema Cre/loxP...................................................................................20 6.0 Animais modelo para estudos da disfunção colinérgica..........................23 II- OBJETIVOS Objetivo geral............................................................................................................31 A) Objetivos específicos para os camundongos knockdown...................................31 B) Objetivos específicos para os camundongos nocaute condicionais....................31 III- MATERIAL E MÉTODOS 1.0 Genotipagem dos camundongos..............................................................34 1.1) Extração de DNA genômico....................................................................34 1.2) Southern Blotting e PCR..........................................................................35 2.0 Expressão de RNA mensageiro................................................................38 2.1) Extração de RNA total.............................................................................38 2.2) Purificação de RNA mensageiro..............................................................39 2.3) Northern Blotting.....................................................................................40 2.4) PCR em tempo real..................................................................................41 2,4.1) Tratamento com DNAse I........................................................................41 v 2.4.2) Síntese de cDNA......................................................................................41 2.4.3) Reação de PCR em tempo real.................................................................42 3.0) Expressão Protéica...................................................................................44 3.1) Western Blotting......................................................................................44 3.2) Imunofluorecência...................................................................................45 4.0 Dosagem de acetilcolina nos tecidos.......................................................47 5.0 Liberação de acetilcolina.........................................................................48 6.0 Medida da atividade da colina acetiltransferase (ChAT).........................49 7.0 Transporte de colina.................................................................................49 8.0 Testes comportamentais...........................................................................50 8.1) Wire Hang................................................................................................50 8.2) Footprint..................................................................................................51 IV- RESULTADOS Camundongos VAChT com recombinação na região 5’ não traduzida do VAChT....................................................................................................53 1.0 Genotipagem dos camundongos..............................................................53 2.0 Análise dos níveis de transcrição do VAChT. e outros marcadores colinérgicos..............................................................................................55 2.1) Análise por Northern-blot........................................................................55 2.2) Análise da expressão gênica por PCR em tempo real..............................57 3.0 Análise da expressão protéica do VAChT no cérebro.............................58 3.1) Análise por Western Blot.........................................................................58 3.2) Análise por imunofluorescência em fatia.................................................62 4.0 Efeito da diminuição da expressão do VAChT na liberação de acetilcolina...............................................................................................68 5.0 Efeito da diminuição da expressão do VAChT na concentração de acetilcolina no cérebro.............................................................................71 6.0 Efeito da diminuição da expressão do VAChT na atividade da enzima colina acetiltransferase (ChAT)...............................................................73 7.0 Efeito da diminuição da expressão do VAChT na captação de colina pelo CHT1........................................................................................................75 Camundongos VAChT com recombinação na região 3’ não traduzida do VAChT....................................................................................................77 vi Camundongos VAChTFlox/Flox..................................................................77 1.0 Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox......................................77 2.0 Análise dos níveis de mRNAs do VAChT e outros marcadores colinérgicos nos camundongos VAChTFlox/Flox........................................78 3.0 Análise da liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos camundongos VAChTFlox/Flox...................................................................82 4.0 Dosagem de acetilcolina no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox..82 Camundongos VAChTFlox/Flox, cre+............................................................86 1.0 Estratégia de cruzamento para a geração de camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ .............................................................................................................88 2.0 Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+................................88 3.0 Características fenotípicas dos animais VAChTFlox/Flox, cre+.....................90 4.0 Análise da expressão protéica do VAChT e outros marcadores colinérgicos no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+................92 5.0 Análise da expressão protéica do VAChT e outros marcadores colinérgicos no sistema periférico dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ .............................................................................................................99 Camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+)..................................................................................101 1.0 Genotipagem dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+).........................................103 2.0 Características fenotípicas dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+)..........................105 3.0 Análise dos níveis de mRNA do VAChT e de outros marcadores colinérgicos nos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+).......................................................107 4.0 Análise da expressão protéica do VAChT e de outros marcadores colinérgicos no cérebro dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+)....................................110 5.0 Análise da expressão protéica do VAChT no sistema nervoso periférico dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+).......................................................120 vii 6.0 Análise da liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+)..................................................................................120 7.0 Dosagem da acetilcolina no cérebro dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+).............123 8.0 Atividade da colina acetiltransferase (ChAT) nos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+ )..........................................................................................................126 V- DISCUSSÃO Camundongos VAChT “Knockdown”...................................................130 Camundongos nocaute condicionais para o VAChT.............................138 Camundongos VAChTFlox/Flox................................................................140 Camundongos VAChTFlox/Flox, cre+..........................................................143 Camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT.....................147 VI- CONCLUSÃO.................................................................................................154 VII- BIBLIOGRAFIA...........................................................................................158 VIII- ANEXO.........................................................................................................173 viii LISTA DE FIGURAS E TABELAS Figura 1: Neurotransmissão colinérgica.....................................................................3 Figura 2: O loco gênico colinérgico.em camundongo...............................................5 Figura 3: Topologia e seqüência de aminoácidos do VAChT de rato.....................10 Figura 4: Os neurônios colinérgicos no SNC de rato...............................................16 Figura 5: Geração de camundongos nocaute condicional........................................22 Figura 6: Estratégia para VAChT knockdown.........................................................27 Figura 7: Estratégia para VAChT/Flox....................................................................29 Figura 8: Genotipagem dos camundongos mutantes................................................54 Figura 9: Análise dos níveis de RNA mensageiro dos animais VAChT mutantes..56 Figura 10: Quantificação por PCR em tempo real da expressão de mRNA do VAChT nos camundongos VAChT mutantes......................................59 Figura 11: Quantificação por PCR em tempo real da expressão do mRNA da ChAT nos camundongos VAChT mutantes ...................................................60 Figura 12: Quantificação por PCR em tempo real da expressão de mRNA do CHT1 dos camundongos VAChT mutantes....................................................61 Figura 13: Análise da expressão protéica do VAChT e outras proteínas présinápticas nos camundongos VAChT knockdown...............................63 Figura14: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do hipocampo dos camundongos VAChT knockdown ......................................................65 Figura 15: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do córtex cerebral dos camundongos VAChT knockdown ................................................66 Figura 16: Imunofluorescência para VAChT e CHT1 na região do estriado dos camundongos VAChT knockdown ......................................................67 Figura 17: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 no núcleo facial (7N) da região do tronco encefálico dos camundongos VAChT knockdown....69 Figura 18: Microdiálise no cérebro dos camundongos KDHET ...............................70 Figura 19: Dosagem de acetilcolina no cérebro de camundongos knockdown .......72 Figura 20: Atividade da colina acetil-transferase (ChAT) nos camundongos KD...74 Figura 21: Captação de colina em sinaptosomas dos camundongos knockdown.....76 Figura 22: Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox.....................................79 Figura 23: Quantificação da expressão de mRNA do VAChT na medula espinal dos camundongos VAChTFlox/Flox por PCR em tempo real.........................81 ix Figura 24: Quantificação da expressão de mRNA da ChAT dos camundongos VAChTFlox/Flox por PCR em tempo real ...............................................83 Figura 25: Quantificação da expressão de mRNA do CHT1 dos camundongos VAChTFlox/Flox por PCR em tempo real ...............................................84 Figura 26: Liberação de acetilcolina na junção neuromuscular (JNM) dos camundongos VAChTFlox/Flox ...............................................................85 Figura 27: Dosagem de ACh nos camundongos VAChTFlox/Flox .............................87 Figura 28: Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+...............................89 Figura 29: Características fenotípicas dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+..........91 Figura 30: Avaliação da coordenação motora e da força muscular nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+.................................................................................93 Figura 31: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do estriado dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+..........................................................94 Figura 32: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do hipocampo dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+..........................................................96 Figura 33: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do córtex motor dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+...................................................97 Figura 34: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 no núcleo facial 7N da região do tronco encefálico dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+......98 Figura 35: Imunofluorescência para o VAChT em diafragmas dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+...............................................................................100 Figura 36: Imunoflorescência para o CHT1 em diafragmas dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+...............................................................................102 Figura 37: Genotipagem dos camundongos VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+....104 Figura 38: Caracterização fenotípica dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+..........106 Figura 39: Teste para avaliar a coordenação motora nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ .......................................................................................................108 Figura 40: Gráfico da quantificação da expressão de mRNA do VAChT nos VAChTFlox/Del, cre+ por PCR em tempo real ........................................109 Figura 41: Gráfico da quantificação da expressão de mRNA da ChAT dos camundongos VAChTFlox/Del Cre+ por PCR em tempo real..................111 Figura 42: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do hipocampo dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del ........................113 x Figura 43: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do córtex dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del ..............................114 Figura 44: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do estriado dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del ..............................115 Figura 45: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 no núcleo facial 7N dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del ..............................116 Figura 46: Imunofluorescência pedunculopontino para dos o VAChT camundongos e CHT1 no núcleo VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del.......................................................................................117 Figura 47: Imunorreatividade para VAChT, ChAT e CHT1 nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del .....................................................119 Figura 48: Imunofluorescência para o VAChT em diafragma dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del ..........................................................................121 Figura 49: Imunofluorescência para o CHT1 em diafragma dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+.e VAChTWT/Del .....................................................122 Figura 50: Liberação de acetilcolina na junção neuromuscular (JNM) dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+.e VAChTWT/Del ..............................124 Figura 51: Dosagem de ACh no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del ......................................................................................125 Figura 52: Atividade da enzima colina acetiltransferase (ChAT) nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+................................................................................127 Figura 53:Expressão de RNA do VAChT, ChAT e CHT1 no cérebro de camundongos por hibridização in situ................................................133 Tabela 1: Iniciadores para genotipagem dos camundongos knockdown.................36 Tabela 2: Iniciadores para genotipagem dos camundongos nocaute condicionais..........................................................................................37 Tabela 3: Iniciadores para PCR em tempo real........................................................43 xi Listra de abreviaturas Aβ peptídeo amilóide beta ACh acetilcolina AChE acetilcolinesterase acetil-CoA acetil coenzima A AD Doença de Alzheimer ALS esclerose lateral amiotrófica BSA albumina bovina C. elegans Caenohabidits elegans cDNA acido desoxirribonucléico complementar ChAT colina acetiltransferase CHT1 transportador de colina de alta afinidade DEPC dietilpirocarbonato D. melanogaster Drosophila melanogaster dNTP desoxirribonucleotídeos DTT ditiotreitol GR receptor de glicocorticóide HC-3 hemicolinium 3 HD doença de Huntington JNM junção neuromuscular Kb kilo base KD knockdown KDHET knockdown heterozigoto KDHOM knockdown homozigoto LTP Potenciação de longa duração mEPP potencial miniatura de placa motora mRNA ácido ribonucléico mensageiro Neo neomicina NGFr receptor do fator de crescimento neuronal Pb par de base PBS tampão fosfato xii PET Tomografia de emissão de pósitron PCR reação em cadeia da polimerase PFA paraformaldeído PSP Paralisia supranuclear progressiva PKA proteína cinase A PKC proteína cinase C RNA ácido ribonucléico RT-PCR reação em cadeia da polimerase reversa SNC sistema nervoso central SNP sistema nervoso periférico TBP Tetrafenilboro TBS tampão tris base TCA ácido tricloroacético Tk timidina cinase VAChT transportador vesicular de acetilcolina VAChTFlox/Del camundongos que perderam um alelo do VAChT e o outro alelo é flanqueado por LoxP VAChTFlox/Del, cre+ camundongos que perderam um alelo do VAChT, o outro alelo é flanqueado por LoxP e expressam a Cre. VAChTFlox/Del, cre- camundongos que perderam um alelo do VAChT, o outro alelo é flanqueado por LoxP e não expressam a Cre. VAChTFlox/Flox camundongos com os dois alelos do VAChT flanqueados por seqüências LoxP VAChTFlox/Flox,Cre+ camundongos com os dois alelos do VAChT flanqueados por seqüências LoxP que expressam a Cre VAChTFlox/Flox,Cre- camundongos com os dois alelos do VAChT flanqueados por seqüências LoxP que não expressam a Cre VAChT Flox/WT camundongos com um alelo do VAChT selvagem e o outro flanqueado por seqüências LoxP VAChTWT/Del camundongos que perderam um alelo do VAChT e o outro alelo é selvagem VAChTWT/WT camundongos com os dois alelos do VAChT selvagens VMAT transportador vesicular de monoaminas WT wild type (selvagem) xiii RESUMO O transportador vesicular de acetilcolina (VAChT) é responsável por armazenar acetilcolina em vesículas sinápticas, passo importante para a manutenção da transmissão colinérgica. Com o objetivo de estudar o papel do VAChT na manutenção do tônus colinérgico, geramos diferentes linhagens de animais em que esse gene foi alterado através de recombinação homóloga. Uma estratégia para interferir com a expressão do gene do VAChT foi a inserção de um cassete contendo o gene de resistência a neomicina na região 5’ não traduzida do VAChT. Esta modificação genética gerou camundongos com diminuição da expressão do VAChT (VAChT Knockdown). Os animais KDHET e KDHOM apresentam redução de aproximadamente 45 e 65% da expressão de VAChT, respectivamente. Observamos acúmulo de acetilcolina não liberada no cérebro dos camundongos KD e isso não parece ser devido a alterações de expressão da choline acetyltransferase ou do transportador de alta afinidade de colina. Ensaios de eletrofisiologia na junção neuromuscular mostraram que existe uma diminuição no tamanho do quanta nos camundongos KDHET e KDHOM sendo a diminuição maior nos camundongos KDHOM que nos KDHET . Nós também produzimos camundongos em que o gene do VAChT foi flanqueado por seqüências LoxP (camundongos VAChTFlox/Flox) a fim de utilizá-los para o acasalamento com camundongos que expressam a enzima Cre em diferentes regiões do cérebro. Os camundongos gerados, portanto, poderiam apresentar deleção do gene do VAChT em tecidos espeficos. Nossa caracterização inicial dos camundongos VAChTFlox/Flox mostrou que eles apresentam redução em torno de 50% na expressão do mRNA de VAChT, além de um aumento em torno de 100% na expressão do mRNA da enzima ChAT e um aumento de 6 vezes nos níveis de acetilcolina no cérebro quando comparados com os animais VAChTWT/WT. A amplitude dos potencias miniatura (MEEPs) de placa motora está aumentada nos camundongos VAChTFlox/Flox, sem alterações na freqüência. Apesar dessas alterações, os camundongos VAChTFlox/Flox são fenotipicamente normais. Camundongos VAChTFlox/WT ou VAChTFlox/Flox foram acasalados com camundongos que expressam Cre sob o controle do promotor CAMKIIα. Os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ gerados são morfologicamente normais ao nascimento, entretanto, após cinco dias de vida tornam-se menos ativos e exibem menor crescimento que os animais controle da mesma ninhada. Além disso, os camundongos VAChTFlox/Flox apresentam fraqueza muscular generalizada, desenvolvimento anormal da coluna espinhal acarretando em cifose e sobrevivem apenas cerca de 8 semanas. Nós também geramos uma linhagem de camundongos com a deleção de um dos alelos do VAChT. Os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ , apresentaram os mesmos fenótipos dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+, porem os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ sobrevivem apenas cerca de 20 dias. Surpreendentemente, os animais VAChTFlox/Flox,cre- e VAChTFlox/Del, cre- embora não expressem a Cre, apresentam ausência de VAChT em diversas regiões do SNC. Além disso, os níveis teciduais de acetilcolina também estão aumentados em torno de doze vezes nos camundongos VAChTFlox/Del, cre-. Interessantemente, nenhum dos estudos comportamentais e eletrofisiológicos realizados sugerem que o VAChT esteja alterado , já que os animais são fenotipicamente normais. Como os camundongos VAChTFlox/Flox,cre- e VAChTFlox/Del, cre- apresentam mRNA para o VAChT, é possível que exista um mecanismo regulatório da expressão do transportador ainda desconhecido. xiv Nossos resultados confirmam a importância de VAChT na regulação da liberação de acetilcolina e, consequentemente, na manutenção das funções fisiológicas normais do sistema nervoso central e periférico. xv ABSTRACT The vesicular acetylcholine transporter (VACht) is responsible for acetylcholine (Ach) storage in synaptic vesicles, an important step for cholinergic transmission. Our goal was to study the role of VAChT in cholinergic tonus maintenance through the generation of mice presenting alterations in VAChT gene by homologous recombination.. One of used strategies was the insertion of a neomycin resistance cassette in untranslated 5’ region of VAChT gene. This genetic modification generated mice presenting reduced expression of VAChT (VAChT Knockdown). KDHET and KDHOM present a 45% and 65% decrease in VAChT protein expression, respectively. Accumulation of not released Ach in brain of KD was observed and it is not related with increased expression or activity of ChAT (choline acetyltransferase) or CHT1 (High affinity choline transporter). Electrophysiological analysis at neuromuscular junction showed a decrease in quantal size distribution for both, KDHET and KDHOM specially in the second one. We produced mice in which VAChT gene was flanqued by LoxP sites to generate VAChTFlox/Flox mice. These mice were bred with mice expressing Cre enzyme in different regions of brain. The lineage generated would present deletion of VAChT gene in specific tissues. Our initial characterization of VAChT Flox/Flox mice showed that they presented decrease of 50% in VAChT mRNA expression, an increase of 100% in ChAT mRNA expression and an increase around 6 fold in brain Ach when compared to VAChTWT/WT animals. The amplitude, but not frequency, of miniature potentials (MEEPs) in neuromuscular junction is increased in VAChTFlox/Flox mice. However, VAChTFlox/Flox mice are phenotipically normals. VAChTFlox/WT or VAChTFlox/Flox animals were bred with mice expressing Cre under CAMKIIα promoter control. The generated VAChTFlox/Flox,cre+ are morphologicaly normals in birth, however, after five days of live they look smaller and not as active as the control littermates animals . Besides this, the VAChTFlox/Flox,cre+ mice present general muscular weakness, anormal development of spinal cord represented by a kyphosis and survive just 8 weeks. Another mice lineage was generated due to VAChT allele deletion: VAChTFlox/Del, cre+. These mice present similar phenotype to VAChTFlox/Flox, cre+ mice; however this genotype present a reducted time life to approximately 20 days. Even not shown Cre, VAChTFlox/Flox,cre- and VAChTFlox/Del,cre- animals surprisely, present abolishment of VAChT in different regions of CNS. Besides this, ACh tissue content in VAChTFlox/Del, cre- is 12 fold higher than in VAChTWT/WT animals. Interestingly, comportamental and eletrophisiological studies, do not suggest alteration of VAChT, since the Cre- animals are phenotypically normals. Similarly to VAChTFlox/Del, cre+ animals, VAChTFlox/Flox,cre- and VAChTFlox/Del, cre- mice present VAChT mRNA, suggesting an unknown regulatory mechanism of VAChT expression. Our results confirm the important role of VAChT in cholinergic transmission through Ach releasing regulation and, in consequence, in maintaining normal physiological function of central and peripheral nervous system. xvi INTRODUÇÃO 1. Acetilcolina e o Sistema colinérgico Desde o início do século passado, já era conhecida a atividade vaso depressora da acetilcolina (ACh) e a capacidade desta molécula em estimular nervos parassimpáticos (Dale e cols., 1914; revisto por Brown, 2006). Entretanto, foi somente em 1921 que a acetilcolina foi identificada como neurotransmissor (Loewi, 1921; revisto por Bennett., 2000). A ACh é o neurotransmissor das junções neuromusculares, sistema nervoso autônomo e alguns neurônios do sistema nervoso central. No sistema nervoso autônomo, é o transmissor das fibras pré e pós-ganglionares parassimpáticas e fibras pré-ganglionares simpáticas, controlando inúmeras funções mantenedoras da homeostase como a contração da musculatura gástrica, ritmo cardíaco e secreção de alguns hormônios. No sistema nervoso central, a acetilcolina parece estar envolvida em processos cognitivos como atenção, memória, aprendizado e vigília (Pepeu e Giovaninni, 2004). A biossíntese da acetilcolina ocorre no citosol do terminal dos neurônios colinérgicos onde a colina é acetilada pela enzima colina acetiltransferase (ChAT) utilizando acetil-CoA como doador de grupo acetil (Figura 1). O substrato Acetil-CoA é uma substância presente em todas as células, por outro lado, a colina não pode ser sintetizada “de novo” pelos tecidos nervosos. A colina para as células neuronais vem principalmente da dieta e é entregue às células nervosas pela corrente sanguínea (Scagnelli e cols., 1991). A outra fonte de colina é a fosfatidilcolina presente na membrana celular, porém a utilização deste fosfolípide pelas células neuronais é baixa (Blusztajn e cols., 1987). Depois de sintetizada, a acetilcolina é armazenada em 2 Cholinergic synapse Na+ CHOLINE ACETYL-CoA + CHOLINE ACETATE Choline acetyltransferase ACh VAChT ACh ATP PG AChE ACh ATP 2 H+ Ca2+ ACh ATP Post-synaptic receptors Ca2+ Channel ChT1 Endosome Pre-synaptic receptor Figura 1: Desenho esquemático da neurotransmissão colinérgica. A acetilcolina (ACh) é sintetizada pela enzima colina acetiltransferase (ChAT) e armazenada em vesículas sinápticas pelo transportador vesicular de acetilcolina (VAChT). Com a exocitose, o neurotransmissor pode se ligar a receptores pré e pós sinápticos. Após ser rapidamente degradada pela acetilcolinesterase (AChE), a colina é novamente recaptada para o terminal pré-sináptico pelo transportador de colina de alta afinidade (CHT1). 3 vesículas sinápticas pela ação do transportador vesicular de acetilcolina (VAChT). Este transporte depende de um gradiente eletroquímico vesicular gerado pela ATPase vacuolar do tipo V e é inibido pela droga vesamicol (Parsons e cols., 1993). 2. O Loco Colinérgico Vários estudos de genética molecular mostraram que a organização gênica da ChAT e do VAChT é peculiar em metazoários, pois o gene do VAChT reside dentro do primeiro íntron do gene da ChAT (Alfonso e cols., 1994; Erickson e cols., 1994; Bejanin e cols., 1994; Roghani e cols., 1994; revisto por Eiden,1998) (Figura 2). A janela aberta de leitura do VAChT não é interrompida por íntrons em Drosophila, camundongo, rato e humano, porém existem dois íntrons interrompendo a seqüência do transportador em C. elegans (Alfonso e cols., 1994). Várias espécies de RNA mensageiro para VAChT e ChAT já foram identificados e as diferentes espécies de mRNA variam pela seqüência de suas regiões 5’ não traduzidas (Misawa e cols., 1992; Chireux e cols., 1995; Misawa e cols., 1997). Alguns cDNAs do VAChT apresentam a seqüência do exons R da ChAT, sugerindo a existência de um RNA mensageiro precursor comum e que o VAChT e a ChAT poderiam compartilhar alguns promotores (Bejanin e cols., 1994). De fato, Berse e Blusztajn (1995) mostraram que os níveis de expressão de RNA mensageiro da ChAT e VAChT estão aumentados quando células SN56 são incubadas com retinóides, AMPc e fatores de crescimento da família CNTF/LIF (fator neurotrófico ciliar/fator inibidor de leucemia), sugerindo um controle coordenado na expressão desses dois genes. 4 Genomic DNA ChAT Exon R P VAChT Exon P P ChAT Exon N ChAT Exon M ChAT Exon # 4 P R1 ChAT mRNA R2 R3 R4 N1 N2 M VAChT mRNA R1 R2 V1 V2 V3 P Promoter Non-coding regions of ChAT or VAChT Coding regions of VAChT Coding regions of ChAT Figura 2: Desenho representativo do loco gênico colinérgico de camundongo: O esquema resume a transcrição e o processamento alternativo dos RNAs mensageiros que codificam a proteína da ChAT e do VAChT. A primeira linha representa o loco gênico: as caixas brancas representam os exons R, N e M da ChAT e a caixa azul indica os outros 13 exons da enzima. A caixa vermelha representa a janela aberta de leitura do VAChT que não é interrompida por íntrons e P indica os promotores destes genes. São descritos 7 transcritos para a ChAT indicados como R1-R4, N1, N2 e M e 5 transcritos para o VAChT indicados como R1 e R2, V1-V3. Modificado de Oda, 1999. 5 Entretanto, VAChT e ChAT possuem também promotores distintos que geram múltiplas espécies de RNA mensageiro que são expressas diferentemente durante o desenvolvimento (Holler e cols., 1996; Cervini e cols., 1995; Loureiro-dosSantos e cols., 2002) (Figura 2). Em Drosophila melanogaster existem evidências que indicam que o controle da expressão dos mRNA da ChAT e VAChT pode ser independente. Utilizando moscas mutantes que diminuem a expressão da ChAT com o aumento da temperatura (Chats), foi observado que os níveis de RNA mensageiro para o VAChT mantiveram-se inalterados (Kitamoto, T.; Wang, W.; e Salvaterra, P.,1998). Deste modo, em determinadas circunstâncias VAChT e ChAT podem ser regulados concomitantemente ou de forma independente. 2.1. A enzima colina acetiltransferase (ChAT) A colina acetiltransferase (ChAT) é a enzima responsável pela síntese da acetilcolina. Os estudos sobre a estrutura desta enzima tornaram-se possíveis a partir da geração de anticorpos monoclonais específicos para a ChAT e pela purificação da enzima através de cromatografia de imunoafinidade (Eckenstein e Thoenen, 1982; Bruce e cols., 1985). Itoh e colaboradores (1986), utilizando uma biblioteca de cDNA de cérebro de D. melanogaster foram os primeiros a identificar o cDNA da enzima. Este cDNA ao ser utilizado como sonda se ligou especificamente ao cromossomo de Drosophila e identificou o sítio do gene da ChAT (Cha) que havia sido predito por análises citogenéticas. (Itoh e cols., 1986; revisto por Wu e Hersh;. 1994). 6 Com as informações sobre a seqüência protéica da ChAT, Berrard e colaboradores (1987) clonaram o primeiro cDNA funcional de mamífero a partir da medula espinal de porco. Posteriormente, foram identificados os homólogos de rato (Brice e cols., 1989; Ishii e cols., 1990), camundongo (Ishii e cols., 1990), humano (Oda e cols., 1992) e C. elegans (Alfonso e cols., 1994). Alinhamentos entre as seqüências de DNA mostraram um alto grau de similaridade entre a seqüência de aminoácidos de mamífero e em menor grau entre mamíferos e invertebrados (revisto por Wu e Hersh, 1994). Triagens em bibliotecas de cDNA de cérebro e medula espinal de rato e humano mostraram que a combinação de diferentes regiões promotoras além de processamento alternativo produzem múltiplas espécies de RNA mensageiro para a ChAT, denominadas R, N1, N2 e M. Recentemente, foram relatadas mais duas isoformas S e H (Gill e cols., 2003). Estes RNAs possuem regiões codificadoras idênticas diferindo em suas regiões 5’ não traduzidas (Kengaku, M., Misawa, H., Deguchi, T., 1993; Misawa e cols., 1997). Apesar de apresentar diversos transcritos, a maioria das formas de RNA codificam a mesma proteína com aproximadamente 68 kDa. Os transcritos M e S codificam uma outra espécie com peso molecular aparente de 82 kDa. Grande parte da ChAT de 68 kDa está presente predominantemente no citosol enquanto cerca de 20% está ligada à membrana (revisto por Oda, 1999; Sha e cols., 2004). Estudos de fracionamento sub-celular e co-imunoprecipitação sugerem que a ChAT ligada à membrana associa-se com vesículas sinápticas (Carroll, 1994). Já a isoforma de 82kDa possui localização nuclear (Gill e cols., 2003; Resendes e cols., 1999). Esta isoforma da 7 ChAT apresenta 118 aminoácidos adicionais e contém dois sinais de localização nuclear (NLS) necessários para enviar esta proteína ao núcleo (Resendes e cols., 1999). Acredita-se que a atividade da ChAT de 68 kDa está restrita ao citoplasma enquanto a atividade da ChAT de 82 kDa está distribuída entre o citoplasma e o núcleo (Resendes e cols., 1999). Foi demonstrado que a ativação da ChAT associada à membrana e solúvel depende de fosforilação e é acentuada por ATP (Sha e cols., 2004). Entretanto, a ativação da ChAT associada à membrana por ATP é dependente da integridade do gradiente eletroquímico das vesículas sinápticas, sugerindo que há um acoplamento funcional entre a síntese de ACh pela ChAT associada à membrana e o armazenamento deste neurotransmissor em vesículas sinápticas pelo VAChT (Hsu e cols., 1999; Sha e cols., 2004). Os mecanismos que controlam a síntese de acetilcolina pela ChAT não são conhecidos em detalhes. Dados experimentais sugerem que a atividade da ChAT não é o passo limitante para a síntese de ACh. Nos experimentos em que o transporte de ACh para as vesículas sinápticas foi inibido pelo vesamicol, não foi observada alteração da síntese de ACh nem na captação de colina, apesar de haver um grande acúmulo do neurotransmissor no citosol (Collier e cols., 1986), sugerindo ausência de controle de retro alimentação pelo substrato. 2.2 O Transportador vesicular de Acetilcolina (VAChT) O VAChT é uma glicoproteína de vesículas sinápticas que apresenta 12 domínios transmembrana e possui homologia com os transportadores vesiculares de monoaminas 8 (VMATs) (Alfonso e cols., 1993) (Figura 3). Assim como o VMAT e outros transportadores vesiculares, o VAChT troca dois prótons vesiculares por acetilcolina citoplasmática, sendo por conseguinte dependente de um gradiente eletroquímico. Entretanto, estes transportadores dependem mais do gradiente químico (ΔpH) do que do gradiente elétrico (ΔΨ), ou seja, requerem mais prótons do que movimentos de cargas (revisto por Edwards, R., 2007). Estudos utilizando vesículas sinápticas de Torpedo californica, mostraram a presença de uma ATPase vacuolar do tipo V que acidifica as vesículas, gerando o gradiente eletroquímico necessário para o VAChT transportar a ACh para dentro das vesículas (Anderson e cols., 1982; Anderson e cols., 1983; Parsons e cols., 1993 e Nguyen e cols., 1998). O gene do VAChT de C. elegans (unc-17) foi inicialmente clonado por Alfonso e colaboradores (1993). E o alinhamento da seqüência de nematódeo com a seqüência dos transportadores vesiculares de monoaminas de mamíferos mostrou uma grande similaridade. Os estudos de localização demonstraram a presença do transportador em vesículas sinápticas de neurônios colinérgicos do nematódeo e confirmaram os dados anteriores que descreveram que mutações em unc-17 afetavam a função neuromuscular. Posteriormente, foram identificados os homólogos de unc-17 no órgão elétrico de Torpedo e rato (Erickson e cols., 1994; Roghani e cols., 1994). Nosso grupo de pesquisa identificou e caracterizou o gene do VAChT de camundongo e mostrou uma alta homologia à seqüência do transportador de rato (98%) e humano (95%) (Barbosa e cols., 1999). O nosso grupo demonstrou que o VAChT é fosforilado por PKC. Sinaptosomas incubados com 32 P e expostos ao PMA (éster de forbol) mostraram um 9 Figura 3: Topologia e a seqüência de aminoácidos do transportador vesicular de acetilcolina de rato. A proteína do VAChT contém doze domínios transmembranas (IXII) sendo a porção amino e carboxi-terminal voltada para o citoplasma dos neurônios. Em vermelho estão destacados os aminoácidos conservados entre os transportadores vesiculares, em azul são apresentados os resíduos exclusivos da proteína do VAChT. Os resíduos destacados em preto indicam os resíduos de ácido aspártico que são comuns a todos os transportadores vesiculares. Entre os domínios transmembranas I e II, observadestaca-se o sítio de fosforilação. Modificado de Roghani e cols., 1994. 10 aumento da fosforilação do VAChT. Esse aumento na fosforilação não foi observado quando os sinaptosomas foram expostos ao isômero não ativo α-PMA (Barbosa e cols., 1997). Subsequentemente, foi também mostrada a fosforilação do transportador, pela PKC, em células PC12 expressando estavelmente o VAChT (Cho e cols., 2000). Ao substituir o VAChT selvagem por um transportador mutante sem o provável sítio de fosforilação (S480A), a fosforilação dependente de PKC não foi observada. Estudos utilizando fracionamento subcelular indicaram que o VAChT mutante contendo um resíduo de glutamato na posição 480 (para mimetizar a fosforilação) se localizava mais em vesículas de centro denso do que em vesículas sinápticas, sugerindo, deste modo, que a fosforilação do VAChT influencia seu tráfego intracelular (Krantz e cols., 2000). Um segundo grupo sugeriu que a fosforilação do VAChT seria necessária para o tráfego do transportador para vesículas sinápticas (Cho e cols., 2000). No entanto, esses dados não foram confirmados pelo nosso grupo (Barbosa J, tese de doutorado, 2003). Nosso grupo, também demonstrou que alterações na atividade da PKC influenciam a sensibilidade dos neurônios colinérgicos ao vesamicol (Barbosa e cols., 1997; Clarizia e cols., 1999). A liberação de 3H ACh em fatias de hipocampo sob estimulação elétrica é fortemente inibida em presença de vesamicol. Entretanto, foi observado que a inibição da liberação de 3HACh pelo vesamicol foi revertida quando as fatias de hipocampo foram expostas ao PMA. Esses resultados sugerem que a fosforilação do transportador poderia regular a interação do mesmo com o vesamicol (Barbosa e cols., 1997; Clarizia e cols., 1999). 2.3 O Transportador de colina de alta afinidade (CHT1) 11 Após um estímulo despolarizante, ocorre a exocitose das vesículas preenchidas com acetilcolina na fenda sináptica e o neurotransmissor pode se ligar a receptores nicotínicos e muscarínicos. As moléculas de ACh permanecem ligadas a seus receptores durante um período médio de 2 milissegundos sendo, em seguida, degradadas na fenda sináptica. A inativação da acetilcolina é realizada pela ação da enzima acetilcolinesterase (AChE). Esta enzima catalisa a conversão da molécula de acetilcolina em acetato e colina. A colina presente na fenda sináptica é então recaptada para o terminal pré-sináptico através de um transporte ativo realizado pelo transportador de colina de alta afinidade, CHT1, que depende dos íons Na+ e Cl- (Yamamura e Snyder,1973; Collier e Ilson, 1977). Este transporte de alta afinidade da colina é específico de neurônios colinérgicos e inibido por baixas concentrações da droga hemicolinium-3 (HC-3). Existe também um transporte de colina que está presente em todas as células e é inibido por altas doses de HC-3 (Yamamura e Snyder,1973). Há algumas décadas, o transporte de colina de alta afinidade foi caracterizado, entretanto, é recente a identificação da molécula responsável por este transporte. Okuda e colaboradores (2000) foram os primeiros a clonar o gene do CHT1 e posteriormente, foram clonados os homólogos de rato, humano, Limulus, camundongo e Torpedo (Okuda e Haga, 2000, Apparsudaran e cols., 2000 e 2001, Wang e cols., 2001 e Guermonprez e cols., 2002). O CHT1 pertence à família de transportadores de glicose (família SLC5) cujo transporte é dependente do íon sódio. Interessantemente, o CHT1 não apresenta similaridade com outros transportadores de neurotransmissores (Apparsudaran e cols., 2000; Okuda e Haga, 2000; Okuda e cols., 2000 e revisto por Ribeiro e cols, 2006). 12 Os trabalhos clássicos de caracterização do transporte de colina de alta afinidade mostraram que um aumento da atividade de neurônios colinérgicos leva a um aumento no transporte de colina e síntese de ACh (Collier e Katz, 1974; Simon e Kuhar, 1975; Simon e cols., 1976; Kuhar e Murrin, 1978; o’Regan e Collier 1981; Saltarelli e cols., 1987). Assim como o VAChT, o transportador de colina de alta afinidade apresenta sítios de fosforilação para PKC e PKA. Experimentos in vitro mostraram que a atividade de cinases e fosfatases afeta tanto o tráfego intracelular quanto a atividade do CHT1 (Issa e cols., 1996; Cooke e Rylett, 1997; Ivy e cols., 2001). Nosso grupo de pesquisa, foi o primeiro a demonstrar, utilizando técnicas de imunofluorescência e microscopia confocal, que o CHT1 está presente, predominantemente, em estruturas intracelulares e colocaliza-se com as proteínas vesiculares VAChT e VAMPII. Utilizando fracionamento subcelular e imunoisolamento de vesículas, nós demonstramos que o CHT1 está presente em vesículas sinápticas (Ribeiro e cols., 2003). Ferguson e colaboradores (2003) demonstraram de maneira independente a presença do CHT1 em vesículas sinápticas imunoisoladas e estudos de imunogold também mostraram que grande parte do CHT1 está presente em vesículas sinápticas, enquanto apenas uma pequena porção do transportador de colina está associada à membrana plasmática (Nakata e cols., 2004). Estes dados sugerem que o aumento da atividade neuronal leva a um aumento da fusão de vesículas sinápticas e um maior fluxo de CHT1 em direção à membrana plasmática. O aumento da concentração do CHT1 na membrana pré-sináptica proporciona então uma maior captação de colina o que favorece a síntese de acetilcolina (Ribeiro e cols., 2003; Fergunson e cols., 2003). 13 Por conseguinte, a presença do CHT1 em vesículas sinápticas pode servir como um “pool” de reserva intracelular (revisto por Ribeiro e cols., 2006). 3. Classificação dos neurônios colinérgicos no sistema nervoso central Técnicas histoquímicas para detectar neurônios contendo a enzima acetilcolinesterase foram inicialmente utilizadas para identificar os neurônios colinérgicos. Entretanto, com a produção de anticorpos para a ChAT foi possível observar que nem todos os neurônios positivos para a AChase eram colinérgicos (Levey e cols., 1983). VAChT e ChAT são proteínas características de neurônios colinérgicos e portanto, foram utilizadas para mapear a rede colinérgica no sistema nervoso. Vários trabalhos empregando técnicas de imunohistoquímica foram realizados a fim de definir a população de neurônios colinérgicos no cérebro e suas projeções (Roghani e cols., 1996; Schäfer e cols., 1998). Recentemente, com a identificação do CHT1, foi possível obter mais um marcador na identificação dos neurônios colinérgicos. (Okuda e Haga, 2000; Misawa e cols., 2001; Kobayashi e cols., 2002). Existem alguns dados controversos sobre a presença de neurônios colinérgicos no córtex cerebral de mamíferos. Os estudos imunohistoquímicos iniciais apontam a ausência de neurônios colinérgicos no córtex cerebral (Kimura e cols., 1980; Kimura e cols.,1981; Sofroniew e cols., 1982; Armstrong e cols., 1983). Contudo, dados atuais mostram reatividade para ChAT em neurônios corticais de rato, gato, embriões de macacos e humanos (revisto por Oda, 1999). 14 Mesulam e colaboradores (1983) classificaram os neurônios colinérgicos do sistema nervoso central em seis grupos (Figura 4). Os neurônios de cada grupo foram divididos em setores de acordo com as semelhanças em suas características celulares e na topografia das projeções nervosas (Mesulan e cols., 1983B). O primeiro setor, Ch1, é composto de neurônios colinérgicos da região do septo medial. No geral, são os menores neurônios dentro do grupo Ch1-Ch6. Não há uma delimitação precisa entre os neurônios que pertencem aos setores Ch1 e Ch2. Neurônios pertencentes ao setor Ch2 estão situados na extremidade vertical da área de Broca. Estes dois grupos neuronais fornecem a principal fonte de projeções colinérgicas para inervar o hipocampo. Neurônios pertencentes ao setor Ch3 estão situados na extremidade horizontal da área de Broca e grande parte de suas projeções inervam o bulbo olfatório. Já os neurônios do setor Ch4, localizam-se no Núcleo basal, núcleo magnocelular pré-optico e algumas partes da extremidade horizontal da banda de Broca e projetam para o neocórtex e a amídala. Os neurônios dos setores Ch1-4 atuam modulando a excitabilidade cortical e memória (Sarter e Bruno, 1997). A região do prosencéfalo basal contém estes quatro setores e é a principal responsável pelas projeções colinérgicas enviadas para o córtex e hipocampo (Schafer e cols., 1998). A formação reticular pontomesencefálica contém dois grupos de neurônios colinérgicos de tamanho médio dos setores Ch5 e Ch6. Eles constituem o núcleo pedunculopontino e núcleo tegmental laterodorsal, respectivamente e fazem projeção para o mesencéfalo, diencéfalo e bulbo. São importantes para processos como vigília e iniciação do sono (Mesulam e cols., 1983; Mesulan e cols., 1989 e Manaye e cols., 1999). 15 Figura 4: Figura representativa da distribuição dos neurônios colinérgicos no sistema nervoso central de ratos. Os neurônios Ch1 estão na região do septo medial, Ch2 e Ch3 localizam-se na extremidade vertical e horizontal da área de Broca, respectivamente. Neurônios Ch4 estão no núcleo basalis de Meynert. Neurônios Ch1Ch4 situam-se na região do prosencéfalo basal. Ch5 e Ch6 localizam-se na região do mesencéfalo Abreviações: (AMG) amigdala; (CB) cerebelo; (HC) hipocampo; (NC) neocórtex; (OB) bulbo olfatório; (TH) tálamo; Modificado de Mesulan e cols., 1983. 16 Não constam desta classificação, mas são observados grandes grupos de neurônios motores (motoneurônios) na região do tronco encefálico e medula espinal. No tronco foram encontradas populações de motoneurônios colinérgicos de tamanho médio próximos ao tegmento mesopontino e núcleo pedunculopontino. Na medula espinal, são observados motoneurônios colinérgicos no corno ventral desde a região cervical até a sacral (Vanderhost e Ulfhake, 2006). 4. Sistema Colinérgico e doenças neurodegenerativas Um grande número de evidências aponta o envolvimento do sistema colinérgico com algumas doenças neurodegenerativas. A esclerose lateral amiotrófica (ALS) é uma doença que pode ou não ter origem genética. Ela afeta seletivamente neurônios motores do cérebro e da medula espinal o que acarreta uma atrofia muscular progressiva e fatal (Corcia e Meininger, 2008). Os estudos bioquímicos mostraram que a atividade da colina acetiltransferase está reduzida em amostras de tecidos de pacientes de ALS (Kato T., 1989), além de uma redução marcante na expressão gênica da ChAT (Virgo e cols., 1992). O tratamento para ALS envolve o uso de drogas que minimizam os sintomas da doença. Uma das drogas amplamente utilizadas é o medicamento “riluzole”, um antagonista glutamatérgico (Jahn e cols., 2008). Entretanto, vem sendo proposto o uso do inibidor de colinesterase neostigmina para o tratamento da constipação que é uma complicação comumente observada na progressão da doença (Fu, 2005). 17 A doença de Huntington (HD) é uma desordem neurodegenerativa caracterizada por diversas disfunções cognitivas e motoras. Mutações na proteína huntingtina levam à agregação desta proteína em neurônios da região estriatal, onde há morte de neurônios GABAérgicos e atrofia. (Adam e Jankovic, 2008). A região do estriado possui uma rede de interneurônios colinérgicos (Mesulan e cols., 1983). Estudos realizados em camundongos modelo de HD mostraram que nesses animais não há perda de neurônios colinérgicos, no entanto, foram observados níveis reduzidos da proteína do VAChT e da ChAT (Smith e cols., 2006). Os experimentos de autoradiografia realizados em cérebro postmortem de pacientes que sofriam de paralisia supranuclear progressiva (PSP) também mostram o envolvimento dos neurônios colinérgicos da região estriatal em desordens motoras (Suzuki e cols., 2002). Esta doença é caracterizada por comprometer várias funções centrais: controle do equilíbrio e da marcha; controle dos movimentos oculares; articulação da fala e deglutição; e certas funções cognitivas (Esper e cols., 2007). Nesta patologia além da redução da atividade da ChAT e da expressão da proteína do VAChT foi detectada grande perda de neurônios colinérgicos estriatais (Suzuki e cols., 2002), Nos últimos anos, vem se tornando crescente o número de estudos sobre a doença de Alzheimer em decorrência do aumento da expectativa de vida da população e da crescente incidência desta patologia em pessoas com mais de 60 anos. A doença de Alzheimer (AD) é uma patologia que afeta, principalmente, a memória e cognição (McKhann e cols., 1984). Nesta doença, três processos vitais para a manutenção dos neurônios são afetados: comunicação, metabolismo e reparo. O diagnóstico desta neuropatologia se dá pela detecção de placas β-amilóides e 18 emaranhados neurofibrilares em áreas límbicas e neocorticais do cérebro (Hyman e Trojanowski, 1997). Na doença de Alzheimer há uma proeminente redução nas concentrações de ChAT no córtex e hipocampo (Bowen e cols., 1976; Bartus e cols., 1982; revisto por Bartus e cols., 2000) e estudos postmortem realizados em pessoas diagnosticadas com AD mostraram alterações na captação de colina de alta afinidade (Slotkin e cols., 1990). Ensaios de PET, usando a ligação do [123I]benzovesamicol, demostraram que a proteína do VAChT está reduzida na região do córtex cerebral e hipocampo (Koeppe e cols., 1996). Adicionalmente, alguns estudos mostraram a perda da memória recente em indivíduos normais quando recebiam doses de escopolamina, um bloqueador muscarínico. Esses estudos mostraram também que a escopolamina exacerbava a perda de memória quando ministrada a pacientes com AD (revisto por Mesulam, 2004; Fu e cols., 2005). A administração de inibidores de colinesterases melhora alguns dos déficits cognitivos em pessoas no estágio inicial da doença de Alzheimer (Parihar e Hemnani, 2004; Zimmermann e cols., 2005). Entretanto, não se sabe exatamente se a degeneração dos neurônios colinérgicos é um evento recente ou se é uma conseqüência do avanço da doença (revisto por Mesulam, 2004). Foi relatado que o uso de agonistas parcialmente seletivos para o receptor muscarínico M1, elevou os níveis da proteína precursora não amiloidogênica αAPP e diminuíram os níveis da β-amilóide (Aβ). (Muller e cols., 1997; Fisher e cols., 2002). O tratamento agudo com o agonista seletivo do receptor M1 (AF267B) em animais modelo de AD mostrou uma redução efetiva nos níveis de agregados Aβ nas regiões do córtex e hipocampo. Consequentemente, o tratamento com o agonista 19 melhorou alguns dos déficits cognitivos apresentados por estes animais (Caccamo e cols., 2006). Outros trabalhos também procuram avaliar a influência dos peptídeos Aβ sobre os mecanismos responsáveis pela manutenção da neurotransmissão colinérgica. Nos experimentos em que fatias de hipocampo de ratos foram incubadas com os peptídeos Aβ foi observada uma redução da liberação de acetilcolina após estímulo despolarizante. Ao incubar sinaptosomas com 3H colina e peptídeos Aβ foi possível demonstrar que a redução da liberação de ACh foi em decorrência da diminuição da captação de colina pelo CHT1 e não por alterações na atividade da ChAT (Kar e cols., 1998). Portanto, estudar detalhadamente a fisiologia do sistema colinérgico poderia auxiliar no entendimento destas e outras doenças neurodegenerativas em que o sistema colinérgico esteja envolvido. 5. O sistema Cre/LoxP Nos últimos anos, vem se tornando crescente a utilização de camundongos nocaute para avaliar a função biológica de uma proteína. Nestes animais, é possível alterar ou mesmo abolir a expressão de um gene de interesse (Morozov e cols., 2003). A geração de animais nocaute é obtida por recombinação homóloga em células embrionárias (Hols e cols., 1994; revisto por Ghosh e Duyne, 2002). Nesta técnica é necessária a construção de um vetor contendo duas regiões homólogas (braços homólogos) à região onde está o gene de interesse e a presença de um marcador seletivo 20 de recombinação, geralmente um gene de resistência a antibiótico. O vetor de recombinação homóloga é transfectado em células tronco embrionárias e, caso ocorra a recombinação, as células crescem em meio contendo antibiótico. Posteriormente, estas células tronco embrionárias são injetadas em blastocistos, os quais são implantadas no útero de camundongos fêmea (Heck e cols., 2004; Liu e cols., 2000). Embora a utilização de animais nocaute venha se tornando rotineira, a técnica contém algumas limitações. Numa delas, a falta do gene pode levar a uma inviabilidade gestacional por problemas durante o desenvolvimento embrionário, já que não é possível ter um controle temporal da inativação gênica. Atualmente, com o desenvolvimento do sistema Cre/loxP é possível a geração de camundongos nocaute condicionais em que se tem controle temporal e espacial da expressão de um gene alvo, permitindo assim que sejam obtidos animais que sobrevivem mesmo quando genes importantes são inativados (Morozov e cols., 2003). A enzima Cre é uma recombinase utilizada pelo vírus bacteriofago P1 para inserir seu DNA no genoma das bactérias. Esta recombinase atua como uma tesoura, clivando uma seqüência específica de 34 pares de bases chamada loxP. Esta seqüência loxP está presente no DNA de fago e não é encontrada no genoma de animais e plantas. Portanto, esta pequena seqüência pode ser artificialmente inserida no genoma de mamíferos e ser usada para excisão precisa do DNA. Quando um gene alvo é flanqueado por dois sítios de loxP, a recombinase pode retirar ou inverter o gene dependendo da orientação dos sítios de loxP (Figura 5A). Nesta técnica, portanto, devese gerar um animal que contenha o gene de interesse flanqueado por dois sítios de loxP que podem então ser acasalados com animais que expressam a enzima Cre sob o controle de promotores específicos. 21 A B Figura 5: Esquema representativo da tecnologia da Cre recombinase na geração de camundongos nocaute condicionais. A. Desenho esquemático mostrando o flanqueamento de um gene por sítios de loxP. Quando uma seqüência gênica é flanqueada por dois sítios de loxP com a mesma orientação, a Cre recombinase remove este gene, já quando os sítios de loxP estão em orientação oposta, a recombinase irá inverter o gene. B. Desenho esquematizando a obtenção de camundongos nocaute condicionais. Camundongos cujo gene alvo foi flanqueado por sítios loxP são cruzados com camundongos que expressam a Cre sob comando de um promotor tecido específico. A prole deste cruzamento não expressará a proteína de interesse apenas no tecido onde esteja sendo expressa a recombinase. 22 A prole gerada (nocaute condicionais) terá abolida a expressão da proteína de interesse apenas no tecido onde a Cre estiver sendo expressa (Figura 5B). Atualmente é possível adquirir camundongos que expressam a Cre especificamente em diferentes órgãos. Animais nocaute para o receptor de glicocorticóide (GR) são um dos bons exemplos sobre as vantagens da tecnologia Cre/loxP. Os animais nocaute clássicos, ou seja, que não expressam o receptor de glicocorticóide desde o início do desenvolvimento embrionário em nenhuma região do organismo, morrem logo após o nascimento devido a problemas no trato respiratório. Entretanto, animais nocaute condicionais que não produzem o receptor em neurônios e células da glia sobrevivem e apresentam fenótipo similar ao visto em pacientes com síndrome de Cushing (Tronce e cols., 1998; Reichardt e cols., 2000). O primeiro animal nocaute condicional de uma proteína expressa no cérebro foi desenvolvido por Tsien e cols., 1996. Camundongos que possuíam o gene do receptor NMDA 1 flanqueado por sítios de lox/P foram cruzados com camundongos que expressavam a Cre recombinase sob o controle específico do promotor da CaMKIIα, o qual permite a expressão da enzima apenas no hipocampo. Assim, a prole gerada não expressava o receptor apenas na região CA1 do hipocampo. Os estudos analisando a potenciação de longa duração (LTP) dependente de NMDA mostraram que a falta da expressão do receptor no hipocampo levou os animais nocaute a apresentarem deficiências em tarefas que avaliam memória e aprendizado. 6. Modelos animais para estudos da disfunção colinérgica 23 A plasticidade sináptica em áreas específicas do cérebro vem sendo estudada com o emprego de ferramentas farmacológicas e genéticas. Toxinas e drogas foram inicialmente utilizadas, na tentativa de se lesar áreas específicas do cérebro. Há diversos estudos que empregam imunotoxinas que lesam neurônios colinérgicos (Miyagawa e cols., 2007; Quinlivan e cols., 2007; Ricceri e cols., 2004). A imunotoxina 192 IgG-Saporina vem sendo amplamente utilizada para analisar a importância dos neurônios colinérgicos em funções de memória e aprendizado em ratos. Ela consiste de um anticorpo monoclonal para o receptor do fator de crescimento neuronal NGFr (p75) acoplado à proteína inativadora de ribossomo saporina. Os neurônios colinérgicos são alvo desta toxina, pois expressam altos níveis de p75 (Yan e Johnson, 1988), conseqüentemente a injeção intracerebroventricular da 192 IgG-Saporina induz depleção colinérgica (Book e cols., 1994). Os trabalhos que avaliam funções cognitivas do sistema colinérgico com o uso desta toxina mostram ligeiras alterações em tarefas que envolvem memória espacial e aprendizado (Baxter e Gallagher, 1996; BergerSweeney e cols., 1994) e um déficit mais proeminente em tarefas não espaciais baseadas no olfato como a transmissão social da preferência alimentar (Berger-Sweeney e cols., 2000; Ricceri e cols., 2004). Apesar de eficiente em lesar os neurônios colinérgicos, esta imunotoxina é efetiva apenas para ratos e não se liga em células murinas. BergerSweeney e colaboradores em 2001 desenvolveram uma 192 IgG-Saporina para camundongos. Os experimentos demonstraram que esta toxina não possui a mesma potência da toxina de rato e altas doses reduziram quase 90% da atividade da ChAT, mas perdeu-se a especificidade celular da lesão. Portanto, esta ferramenta deixa de ser 24 vantajosa pela falta de especificidade, já que estas drogas podem afetar também outros grupos neuronais e tornar errônea a interpretação dos resultados. Nos últimos anos, camundongos nocaute para componentes do sistema colinérgico vêm sendo utilizados para estudar os mecanismos celulares que mantêm a transmissão nervosa e influenciam funções superiores como memória e aprendizado. Animais nocaute para a enzima colina acetiltransferase (ChAT) foram gerados (Misgeld e cols., 2002; Brandon e cols., 2003). Os animais nocaute homozigotos para a ChAT morrem ao nascer, provavelmente devido a uma ausência na transmissão sináptica no músculo do diafragma. Os animais heterozigotos apresentam uma redução em torno de 50% da atividade da ChAT nas diversas regiões cerebrais (Brandon e cols., 2004). Na análise comportamental, observou-se que os animais heterozigotos são aparentemente normais e não foram vistas alterações em tarefas que envolvem funções motoras e cognitivas. Entretanto, foi demonstrado que a expressão do CHT1 e concomitantemente, a captação de colina está aumentada nestes animais, evidenciando um mecanismo compensatório que contribui para a manutenção da neurotransmissão colinérgica nos animais heterozigotos para a ChAT (Brandon e cols., 2004). Animais nocaute para o transportador de colina de alta afinidade (CHT1) também foram gerados (Fergunson e cols., 2004). Animais homozigotos nascem morfologicamente normais, porém minutos após o nascimento tornam-se imóveis e apresentam-se cianóticos, não sobrevivendo por mais de uma hora. Como os camundongos homozigotos para a ChAT, os homozigotos para o CHT1 também morrem de hipóxia por uma falha na neurotransmissão no diafragma e nos músculos intercostais. Já os camundongos heterozigotos são viáveis e férteis, mesmo expressando 25 apenas 50% do transportador. A caracterização neuroquímica não apontou alterações na atividade da ChAT nem na expressão do VAChT. Interessantemente, a captação de colina foi similar entre heterozigotos e selvagens e análises cinéticas não apontaram alteração no Km e Vmax do CHT1. Acredita-se que ocorra uma mobilização do pool vesicular de CHT1 para a membrana a fim de sustentar a neurotransmissão (Fergunson e cols., 2004). A geração de camundongos nocaute para o VAChT não é exceção ao que foi observado para os nocautes da ChAT e CHT1. Estes animais morrem poucos minutos após o nascimento, possivelmente por asfixia (Castro e cols., dados não publicados). O VAChT controla o último passo da armazenagem de acetilcolina e seria um alvo ideal para interferência em neurônios colinérgicos. Embora animais heterozigotos para a deleção do gene do transportador vesicular de acetilcolina possam produzir informações importantes, o ideal seria podermos inativar o gene do transportador de maneira restrita, temporal e espacialmente. Para isso o uso de técnicas de recombinação genômica acoplados à tecnologia Cre/loxP são de grande importância. Interessados em entender melhor o papel da ACh no cérebro, nosso grupo vem se dedicando ao desenvolvimento de modelos animais com disfunção colinérgica. Duas estratégias diferentes foram utilizadas: 1) interromper a região 5’ não traduzida do VAChT para tentar interferir com a expressão do gene; 2) eliminar a expressão do VAChT apenas em regiões específicas do cérebro (nocaute condicional). Na primeira estratégia, um cassete de 3.8 Kb, contendo o gene de resistência ao antibiótico neomicina e da enzima timidina cinase, foi inserido na região 5’ não traduzida do gene do VAChT (Figura 6). 26 Figura 6: Esquema representativo da primeira estratégia utilizada na geração de camundongos mutantes para o transportador vesicular de Acetilcolina (VAChT). A) Organização gênica do VAChT com a janela aberta de leitura do transportador “downstream” ao exon R da ChAT. B) Representação esquemática do loco do VAChT nos animais selvagens (WT), o vetor construído para a recombinação homóloga e o loco do VAChT após recombinação. A região 5’ não traduzida do VAChT foi interrompida por uma seqüência de 3.8Kb. Este cassete contém o gene da enzima timidina cinase (tk) e o gene de resistência ao antibiótico neomicina (neo). Sítios de restrição relevantes são indicados (B: BamHI, X: XhoI, H: HindIII, N: NotI,). Cabeças de setas indicam P1, P2 e P3 mostram as posições dos iniciadores usados para genotipagem e as barras (probe) mostram a localização das sondas utilizadas no Southern. A caixa DT mostra o cassete para o gene da toxina diftérica. Modificado de Prado e cols., 2006. 27 Na segunda estratégia, o gene do VAChT foi flanqueado por dois sítios de loxP (Figura 7). Os camundongos VAChTFlox/Flox (gene do VAChT flanqueado por LoxP) foram cruzados com camundongos que expressam a Cre sob o controle do promotor da cálcio calmodulina cinase IIα (Dragatsis e Zeitlin, 2000). Um fator importante a ser considerado nos animais descendentes deste cruzamento é que a expressão da Cre recombinase começa após o quinto dia de nascimento. Esta tática poderia permitir que os animais possam ter um desenvolvimento embrionário normal excluindo aberrações genéticas, mudanças adaptativas ou mesmo inviabilidade fetal. Portanto, o gene do VAChT somente será inativado nos tecidos que expressam a Cre após o nascimento. A caracterização bioquímica e comportamental desta segunda linhagem permitirá uma análise refinada da importância da ACh no sistema nervoso central. 28 pVATFLOX probe X H B A. E B H H Alelo selvagem do VAChT H VAChT R tk VAChT R loxP loxP Long arm 3800bp VAT2DET2S floxed arm 3300bp neo PGK-DT loxP FseI NdeI PmeI E B AscI X Sse8387II H SpeI X NheI/Spe Primer VTESGR NotI B. X Vetor pVATFLOX Short arm 1000 bp VAT2DET1AS Figura 7: Esquema representativo da segunda estratégia utilizada na geração de camundongos mutantes para o VAChT. A) Organização gênica do VAChT. B) Vetor construído para recombinação homóloga. O gene do transportador foi flanqueado por sítios de loxP e o cassete contendo o gene de neomicina e timidina cinase foi introduzido “downstream” ao gene do VAChT. 29 OBJETIVOS Objetivo Geral O objetivo principal deste projeto é o de compreender como alterações na expressão do VAChT afetam a função colinérgica. A) Objetivos específicos para os camundongos alterações na região 5’ não traduzida 1. Determinar se os animais gerados por recombinação homóloga apresentam a expressão do gene do VAChT alterado; 2. Avaliar os níveis de expressão do VAChT, ChAT e CHT1 para determinar o grau de disfunção colinérgica nestes animais; 3. Avaliar funcionalmente o sistema colinérgico desses animais; B) Objetivos específicos para os camundongos nocaute condicionais 1. Investigar o sistema colinérgico nos animais que possuem o gene do VAChT flanqueado por sítios de lox/P (VAChTFlox/Flox); 2. Cruzar os camundongos VAChTFlox/Flox com camundongos que expressam a Cre sob controle do promotor da cálcio calmodulina cinase II (CaMKII) a fim de obter a deleção do VAChT, preferencialmente, no cérebro; 31 3. Determinar se os animais VAChTFlox/Flox CAMKIICre tiveram o gene do VAChT deletado; 4. Determinar em que regiões do sistema nervoso central a expressão do VAChT foi alterada nos camundongos VAChTFlox/Flox CAMKIICre 32 MATERIAL E MÉTODOS As técnicas de recombinação homóloga e geração dos camundongos fundadores foram feitas pelo laboratório de animais transgênicos da Universidade Duke pela professora Vânia Prado. Os protocolos foram realizados observando-se as normas internacionais contidas no “GUIDE FOR THE CARE AND USE OF LABORATORY ANIMALS” editado por “US NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH (NIH publication n:85 –23, revised 1996). Os estudos realizados com os camundongos knockdown (KD) e nocaute condicional para o transportador vesicular de acetilcolina (VAChT) foram aprovados pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da Universidade Federal de Minas Gerais. Os animais utilizados pertenciam à terceira geração de retrocruzamentos com C57BL/6 (N3). 1. Genotipagem dos camundongos 1.1) Extração de DNA genômico Fragmentos da cauda ou da orelha dos camundongos foram colocados em solução de lise (50mM Tris.HCl pH 8.0, 5mM EDTA; SDS 1%; NaCl 0,25M; proteinase K 0,125mg) e incubados a 55°C por 16 horas. Posteriormente, as amostras foram centrifugadas a 14.000 rpm por 10 minutos e realizou-se uma extração com fenol: clorofórmio: álcool isoamínico. O DNA foi precipitado com 550μL de isopropanol, ressuspendido em 200μL de água deionizada e deixado em banho-maria a 37°C até completa dissolução. 34 1.2) Southern Blotting e PCR O DNA extraído foi utilizado para genotipagem dos camundongos através de análise por Southern blotting e reação em cadeia da polimerase (PCR) para confirmar a recombinação homóloga. As PCR foram feitas em um volume final de 20 μL por tubo, utilizando-se 2.5μL tampão Promega 10X (100mM KCl; 100mM (NH4)2SO4; 200mM Tris-Cl, pH 8.75; 20mM MgSO4; 1% Triton X-100®; 1000μg/mL BSA), 250 μM de dNTP, 2,5mM MgCl2, 0.6 μM dos iniciadores (Tabela 1 e 2), 0.4 U de Taq polimerase (PROMEGA), 10% DMSO e 0.5 μL de DNA genômico. Foram realizados 35 ciclos, sendo que cada ciclo consistiu-se de desnaturação a 94°C por 3 minutos, anelamento dos iniciadores a 55°C por 45 segundos, seguido de extensão do DNA a 72°C por 1 minuto. Após os ciclos, fez-se uma extensão final por 10 minutos a 72°C e os produtos amplificados foram colocados a 4°C. As amostras amplificadas foram corridas em gel de agarose 0.7%. Para as análises de Southern, 40 μL do DNA genômico foram digeridos com 1μL da enzima de restrição BamH1(100u/μL) ou NdeI (20u/μL), BSA1X, num volume total de 50 μL por 24 horas. Após a digestão, o DNA foi corrido em gel de agarose 0,7% por 20 horas. Em seguida, o gel foi lavado 2x com solução A (1.5M NaCl; 0.5M NaOH) por 30 minutos cada e 2x com solução B (1M acetato de amônio; 20mM NaOH) por 30 minutos cada. O DNA foi transferido para uma membrana de nylon (Gibco) por 16 horas e fixado à membrana através de exposição à luz ultravioleta. A membrana foi bloqueada com solução de hibridização [6x SSC (NaCl 0,1M; 0,1M citrato trissódico), 5x solução Denhardt (0,01% Ficoll; 0,01% polivinilpirrolidona; 0,01% albumina bovina) 0.5% SDS, 50% formamida e 100 µg/ml 35 Tabela 1: Iniciadores utilizados para genotipagem dos camundongos VAChT knockdown Iniciador Sequência Tm P1 5’ TCATAGCCCCAAGTGGAGGGAGA 3’ 55°C P2 5’-GGAACTTCCTGACTAGGGGAGGAG-3’ 55°C P3 5´-GGTTCATATCCCCGAGCTCAGGAG 3’ 55°C 36 Tabela 2: Iniciadores utilizados para genotipagem dos camundongos nocaute condicionais PCR PCR1 Iniciador Sequência Tm P2F 5’-ATTCGCCAATGACAAGACGCTGGG-3’ 62.0ºC P3F 5’-AAGGAGTTGGTTGGCCACAGTAAG-3’ 59.3 ºC P1F 5’-GTGTCTGTCTGTCCTTGTTTGAGT-3’ 56.9 ºC P4F 5’-TCATAGCCCCAAGTGGAGGGAGA-3’ 58.2 ºC CRE1 5’-GTCCAATTTACTGACCGTACACC-3’ 55.5 ºC CRER2 5’-CGACCGGCAAACGGACAGAAGC-3’ 63.1 ºC PCR2 37 de DNA de esperma de salmão] e hibridizada a 42°C com a sonda (fragmento XhoIHindIII-Ver tabela 1) marcado com 32 P, por 16 horas Em seguida, a membrana foi lavada com solução 2x SSC; 0,1% SDS a temperatura ambiente por 15 minutos, lavada com solução 0,2x SSC; 0,1%SDS a 60°C por 20 minutos e exposta em auto-radiografia (Bio-Max KODAK) a -80°C por 4 a 7 dias. Para a genotipagem por Southern-blot dos animais nocaute condicionais, a sonda foi marcada com o kit AlkPhos DIRECT Labelling (Amersham). Em suma, 40 μg do DNA genômico foram digeridos com 1μL da enzima de restrição BamH1 (100u/μL) e 3 μL da enzima SacI (20 u/μL) em um volume total de 50μL por 24 horas. Ao término da digestão, as amostras foram transferidas para membrana de nylon como descrito para os camundongos KD. Para a sonda, foi utilizado o fragmento Nde/PmeI (ver tabela 2) que foi marcado de acordo com as recomendações do fabricante. 2. Expressão de RNA mensageiro 2.1) Extração de RNA total Medula espinal, estriado, tronco encefálico e rim dos camundongos foram utilizados para a extração de RNA. Os tecidos foram triturados em nitrogênio líquido e o RNA total extraído com Trizol (Invitrogene) de acordo com as instruções do fabricante. Em suma, os tecidos foram solubilizados em trizol (1mL/100mg de tecido) com o uso de um homogeneizador elétrico por 30 segundos e o homogenato centrifugado a 12.000 xg por 15 minutos a 4°C. Ao sobrenadante, foi adicionado clorofórmio (200μL/100mg tecido), misturado por inversão por 15 segundos e 38 incubado a temperatura ambiente por 3 minutos. A mistura foi então centrifugada a 12.000xg por 20 minutos a 4°C. Recuperou-se a fase aquosa e a esta adicionou-se isopropanol (500μL/100mg tecido) para a precipitação do RNA. Centrifugou-se a 12.000xg por 15 minutos e o precipitado foi lavado com etanol 75% (1mL/100mg tecido) e centrifugado a 7500xg por 5 minutos. O RNA foi ressuspendido em 60 μL de água deionizada, previamente tratada com dietilpirocarbonato (DEPC). Alíquotas dos RNAs foram dosadas por espectrofotometria. 2.2) Purificação de RNA mensageiro A purificação do RNA mensageiro foi realizada usando o kit Poly(A) Purist™ mRNA Purification (Ambion) de acordo com as instruções do fabricante. Resumidamente, 500 μg de RNA total foram precipitados com 0,1volumes de acetato de amônio 5M, 1μL de glicogênio (5mg/mL) e 2,5volumes de etanol 100%, incubados a -80°C por 30 minutos e centrifugados a 12.000xg por 30 minutos a 4°C. Em seguida, adicionou-se 1mL de etanol 75% ao precipitado e centrifugou-se a 12.000xg por 10 minutos a 4°C. O precipitado foi então ressuspendido em 250 μL de água e adicionouse o mesmo volume de “binding solution”, misturando vigorosamente. À cada solução, foi adicionado a resina ligada com oligo-dT, e incubou-se a mistura a 65°C por 5 minutos, sendo em seguida, mantida sob agitação constante a temperatura ambiente. Ao término da incubação, centrifugou-se a mistura a 4000xg por 3 minutos. A resina oligodT foi ressuspendida com 500μL de “wash solution 1”, transferida para uma coluna e centrifugada a 4000xg por 3 minutos. O processo de lavagem com esta solução foi realizado 2 vezes. Este mesmo procedimento de lavagem foi realizado com o “wash solution 2”. A coluna foi então transferida para um tubo de 1.5mL, adicionou-se 100μL 39 de “storage solution” aquecida a 65°C e centrifugou-se a 5000xg por 2 minutos para eluir o RNA mensageiro, sendo o passo de eluição realizado duas vezes. Em seguida, o RNA mensageiro foi precipitado e lavado de acordo com o procedimento descrito inicialmente. O RNA mensageiro foi ressuspendido em 11μL de água e dosado por espectrofotometria. Dez microgramas do RNA mensageiro foram corridos em gel desnaturante de agarose 1% (Lehrach e cols., 1977) e transferidos para membrana de Nylon por 4 horas em tampão de transferência seguindo as recomendações do kit NorthernMax (Ambion). 2.3) Northern Blotting Para os experimentos de northern-blotting, foi utilizado o kit NorthernMax (Ambion). A membrana foi incubada com a solução de hibridização (ultrahyb) por 30 minutos a 42°C e incubada com a sonda de interesse (VAChT, CHT1, ChAT ou actina) marcada com 32 P por 16 horas a 42°C. Em seguida, a membrana foi lavada 2 vezes com solução 2x SSC; 0,1% SDS a temperatura ambiente e 2 vezes com solução 0,1X SSC; 0,1% SDS a 42°C por 15 minutos. Após as lavagens, a membrana foi exposta em auto-radiografia a -80°C. As auto-radiografias foram digitalizadas com o uso do densitômetro GS-700 (Bio-Rad) e a intensidade da marcação quantificada com o uso do programa Multi-Analyst (Bio-Rad). Para a análise estatística, utilizou-se ANOVA de uma via com post-hoc de Bonferroni, sendo considerados valores significativos aqueles com p<0.05. 40 2.4) PCR em tempo real 2.4.1) Tratamento com Dnase I Amostras de RNA total foram tratadas com DNAse I (Ambion). As amostras foram diluídas para uma concentração de 10μg/50μL, adicionou-se 0.1volumes de tampão da DNAse 10X e 0.5μL da enzima. Após 30 minutos de incubação a 37°C adicionou-se mais 0.5μL da DNase I e, novamente, incubou-se por 30 minutos a 37°C. Ao término da incubação, foram adicionados 0.1 volumes de reagente inativador de DNase e manteve-se a reação por 2 minutos a temperatura ambiente. As amostras foram centrifugadas a 10.000xg por 2 minutos a temperatura ambiente, recolheu-se o sobrenadante e o RNA foi novamente quantificado. 2.4.2) Síntese de cDNA A síntese de cDNA foi realizada com o kit SuperScriptTM III FirstStrand Synthesis System for RT-PCR (Invitrogene) de acordo com as especificações do fabricante. Resumidamente, cerca de 1 μg de RNA foi misturado a 1μL de oligo-dT e 1μL de dNTPs em um volume total de 10 μL, incubados a 65°C por 5 minutos e resfriado no gelo por cerca de 2 minutos. Seguiu-se à incubação das amostras em uma mistura contendo tampão da transcriptase reversa 1X, 0,01M DTT, 5mM MgCl2 e 40 unidades do inibidor da ribonuclease recombinante Rnase OUTTM(40u/μL). Esta reação foi mantida em banho-maria a 42°C por 2 minutos e posteriormente, colocada no gelo. Adicionou-se 200 unidades da transcriptase reversa (200u/ μL) às amostras e estas foram incubadas a 42°C por 50 minutos, em seguida a 70°C por 15 minutos. Ao final da reação de transcrição reversa, adicionou-se 20 unidades de Rnase H (2u/μL) e as 41 amostras foram mantidas em banho-maria a 37°C por 20 minutos. Em toda a reação de síntese de cDNA foi realizado um controle negativo em que a transcriptase reversa não foi adicionada. 2.4.3) Reação de PCR em tempo real Foram desenhados iniciadores para analisar a expressão de RNA mensageiro do VAChT, ChAT e CHT1. Sempre que possível, os iniciadores foram desenhados a partir de diferentes exons a fim de evitar amplificação de DNA genômico. No caso do VAChT, isso não foi possível pois a janela aberta de leitura do transportador está contida em um único exon. As reações de PCR em tempo real foram corridas em termociclador da Applied Biosystem modelo7500 usando o corante fluorescente SYBR Green I. As reações foram realizadas em volume final de 20 μL em que se adicionou 10,0 μL de SYBR® Green PCR Master Mix (Applied Biosystem), 0,5μM de cada iniciador e 1μL da amostra de cDNA original diluída quatro vezes. Foram realizados 40 ciclos, consistindo de desnaturação a 95°C por 15 segundos, anelamento dos iniciadores (TABELA 3) por 30 segundos e extensão a 72°C por 30 segundos. A fluorescência foi medida em cada ciclo. Após o último ciclo, a especificidade da PCR foi checada pela análise da curva de “melting” para todas as amostras. Em todas as corridas, foram utilizados controles negativos com amostras em que não foi adicionada a transcriptase reversa. Adicionalmente, os produtos de amplificação foram corridos em gel de acrilamida 6.5% e corados com nitrato de prata. Para a confirmação da especificidade da amplificação os produtos foram clonados em vetor TOPO (TOPO TA Cloning– Iinvitrogen) e seqüenciados. 42 Tabela 3: Iniciadores desenhados para PCR em tempo real Gene Par de Iniciadores Tm °C ChATF2 5’-CATCTTCTGGCACTGAGGGAGCTG-3’ 68 ChATR2 5’-CGTGAAAGCTGGAGATGCAGAAGG-3’ 69 Actin F 5’-TGGAATCCTGTGGCATCCATGA-3’ 68 ChAT Fragmento pb 240 Actina 120 Actin R 5’-AATGCCTGGGTACATGGTGGTA-3’ SUPERVACHT F : 5’ - GGC ATT GCC ATG ATC GCC GAC AAG - 3’ VAChT SUPERVACHT R: 5’ - GTC GAA GAG CGA CAC GGC GGC GAG - 3’ CHT1RTF 5’-CGGCGAGTTCTATGTTTGCTCGG-3’ 63 75 180 65 69 CHT1 191 CHT1RTR 5’-GATGATGATGTAGACAAGGTCAG-3’ 56 43 3. Expressão Protéica 3.1) Western Blotting Após dissecação, os tecidos dos camundongos foram congelados rapidamente em gelo seco/etanol e mantidos a -80°C até a utilização. Para preparar o extrato bruto protéico, os tecidos foram homogeneizados em tampão de lise (10 mM Tris-HCl pH 7.5, 150 mM NaCl, 1 mM EDTA, 1% triton e coquetel de inibidores de protease (Sigma) e mantidos no gelo por 15 minutos. Após centrifugação a 10.000xg por 20 minutos a 4°C, o sobrenadante foi recolhido e o conteúdo protéico dosado pelo método de Bradford (Bradford, 1976). Em cada dosagem, uma curva padrão de calibração com BSA (1 a 30 μg) foi utilizada. Amostras de 50 a 100 microgramas de extrato bruto foram resolvidas em gel de SDS-PAGE de acordo com Laemmli e cols., 1970. As amostras foram misturadas ao tampão de amostra 2X (SDS 0,2% (p/v), glicerol 0,2% (v/v), 2mercaptoetanol 0,32% (v/v), azul de bromofenol 0,0001% (p/v) e Tris-HCl 12,5mM, pH 6.8, aquecidas a 37°C por 15 minutos e aplicadas em gel SDS-PAGE 4-12% (Invitrogene). O Western blotting foi realizado como descrito por Towbin e cols., 1979. Ao término da eletroforese, o gel foi lavado em tampão de transferência (48mM Tris; 39mM glicina; 20% metanol (v/v); 0,13mM SDS) e montado um sanduíche com papéis Watmamm 1 e membrana de PVDF (Amersham) previamente molhada em metanol. A transferência foi realizada a 24V, 300mA, por 2 horas e em seguida, a membrana foi incubada por uma hora com TBS (137mM NaCl; 20mM Tris.HCl; pH 7.6); Tween 0,1% (v/v) e 5% de leite desnatado (Molico). Adicionou-se o anticorpo e 44 incubou-se por 1 hora. A membrana foi então lavada 3 vezes, 10 minutos cada lavagem, com TBS/Tween e incubada 1 hora com o anticorpo secundário conjugado com peroxidase diluído em TBS/Tween e leite. Ao término da incubação, o processo de lavagem foi repetido. Os anticorpos utilizados foram anti-VAChT 1:1000 (Phoenix Pharmaceuticals, Belmont California), anti-sinaptofisina 1:3000 (Sigma Chemical Co., SP, Brazil), anti-Sinaptotagmina 1:30.000 (Synaptic Systems Gottingen, Germany), anti-actina 1:10.000 (Chemicon, California, USA) e Anti-Sintaxina 1:30.000 (Sigma). A detecção foi realizada pelo processo de quimioluminescência, utilizando o kit ECLTM (Amersham). Após sensibilização do filme de raio X, este foi revelado com o revelador e fixador GBX-KODAK. As auto-radiografias foram digitalizadas com o uso do densitômetro (Bio-Rad) e analisadas com o software MultiAnalyst (Bio-Rad). As análises foram realizadas utilizando a actina para normalizar os dados. Para alguns resultados, a detecção da quimioluminescência foi realizada com o aparelho ImageQuant (GE Helthcare). 3.2) Imunofluorescência Os experimentos de imunofluorescência foram realizados em animais KD e controles adultos e em animais nocaute condicionais e controles com 18 dias de vida ou 8 semanas. Os camundongos foram anestesiados com ketamina/xilazina (70/10 mg/kg) i.p., uma cânula introduzida no ventrículo esquerdo e perfundiu-se PBS pH 7.4 gelado por 10 minutos. Em seguida, perfundiu-se 4% de paraformaldeído em PBS pH 7.4 (PFA) durante mais 10 minutos. Cérebro, medula espinal, diafragma e os músculos soleus, gastrocnêmio e tibialis foram imediatamente pós-fixados em 4% PFA por 24 45 horas a 4°C. Os tecidos foram crioprotegidos em solução 4% de paraformaldeído com 10% de sacarose por 6 horas a 4°C, rapidamente congelados em isopentano/gelo seco e armazenados a -80 °C. Fatias seriais de 40 µm de espessura foram cortadas usando um criostato (Micron) e armazenadas em PBS gelado até a utilização. Para a imunodetecção no cérebro, as fatias foram permeabilizadas em solução 1,2% de Triton/PBS por 20 minutos, lavadas em PBS e em seguida bloqueadas por 1 hora em PBS contendo 10% de soro normal de cabra. Os tecidos foram em seguida incubados com os respectivos anticorpos primários em tampão de incubação (2% soro normal de cabra; 0.2% Triton em PBS) por 48 horas a 4°C. Os anticorpos primários utilizados foram: VAChT (rabbit polyclonal, 1:250, Sigma Chem. Co., São Paulo, Brazil) e CHT1 (rabbit polyclonal 1:250, gentilmente fornecido por R. Jane Rylett, University of Western Ontario, London, Canada). Após lavar os tecidos 3 vezes com PBS, 20 minutos cada, as fatias foram incubadas com Alexa Fluor 488 goat anti-rabbit (1:500, Molecular Probes) em tampão de incubação por 1 hora a temperatura ambiente. Os tecidos foram novamente lavados e incubados com o marcador de núcleo DAPI (1:1000) por 10 minutos a temperatura ambiente. As fatias foram montadas em lâminas carregadas e cobertas com ProLong® Gold antifade reagent (Invitrogen, SP, Brazil) e lamínula. A imunofluorescência do músculo diafragma foi realizada de acordo com o protocolo descrito por Brandon e cols., 2003. Em suma, os diafragmas inteiros foram lavados em PBS e incubados por 1 hora em solução 0,1M de glicina em PBS pH 7.4. Após a lavagem em PBS, os músculos foram incubados por 30 minutos em PBS contendo 0.5% de Triton X-100 e bloqueados por 18 horas em solução de bloqueio (0,15M NaCl; 0,01M tampão fosfato; 3% albumina bovina; 5% soro normal de cabra; 5% soro de burro e 0,01% de timerosal). Ao término do bloqueio, os tecidos foram 46 incubados com os anticorpos primários em solução de bloqueio por 48 horas a 4°C. Os músculos foram então lavados 3 vezes em PBS contendo 0.5% de Triton uma hora cada, e incubados por 18 horas em solução de bloqueio contendo α-bungarotoxina conjugada com Alexa Flúor 555 e Alexa Fluor 488 goat anti-rabbit (Molecular Probes) a 4°C. Novamente, os tecidos foram lavados, incubados com DAPI por 10 minutos e montados em lâminas carregadas. As imagens foram adquiridas em microscópio Axiovert 200M usando o sistema ApoTome para obter as seções ópticas de cada tecido. As objetivas utilizadas foram 20x seca, 40X imersão em água (1.2 NA) e 63x de imersão em óleo (1.4 NA). Alternativamente, algumas imagens foram feitas com microscópio confocal Leica SP5. A análise da intensidade de fluorescência foi realizada o programa Image J (NIH image tool). As imagens foram convertidas para “grayscale” e um limiar (threshold) de intensidade de fluorescência foi aplicado em cada imagem baseado na média dos limiares automaticamente obtidos para cada imagem. A intensidade total da fluorescência no campo foi detectada automaticamente pelo programa e normalizada pela intensidade da fluorescência de fatias seriadas imunomarcadas com o anticorpo anti-CHT1. A fluorescência normalizada foi dividida pela área da imagem. Posteriormente, realizou-se a análise estatística ANOVA de uma via com post-hoc Bonferroni. 4 Dosagem de Acetilcolina nos tecidos 47 A dosagem de acetilcolina nos tecidos foi realizada de acordo com o método descrito por Israel e Lesbats (1980). O córtex cerebral, estriado e hipocampo foram rapidamente dissecados e a ACh contida no tecido foi extraída com ácido tricloroacético (TCA) 5%. Os homogenatos foram centrifugados a 10.000xg por 10 minutos a 4°C e os sobrenadantes congelados a -80°C até o uso. A determinação da acetilcolina foi realizada essencialmente como foi descrito por Prado e cols., 1990. Em resumo, o TCA da amostra foi removido com 5 volumes de uma solução de éter saturada com água e o éter residual evaporado em Speed vac (Eppendorf). Adicionou-se 10μL de metaperiodato 0,5% para cada 100μL de amostra. A quantificação da acetilcolina foi realizada em luminômetro (Bio-Orbit 1250), em que 40 a 50 microlitros da amostra foram incubados em solução contendo (7,5μL de colina oxidase (200u/mL), 11μL de microperoxidase (1mg/mL), 20μL luminol 1mM e 0.94mL tampão glicina 67mM, pH 8.6). Após estabilização do aparelho, adicionou-se a enzima acetilcolinesterase (80u/mL) e o pico de luz obtido foi medido pelo luminômetro. As dosagens foram feitas em quadruplicatas e, para cada replicata, foi feita uma curva padrão com concentrações conhecidas de acetilcolina. Os valores foram corrigidos pelo conteúdo protéico. 5 Liberação de ACh Os experimentos de eletrofisiologia para avaliar a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos camundongos foram realizados em colaboração com Ricardo de Freitas do Laboratório de Eletrofisiologia da UFMG. Já os ensaios de microdiálise in vivo para medir a liberação de acetilcolina no cérebro foram realizados 48 por Raul Gainetdinov na Universidade Duke. Para detalhes dos protocolos vide Prado e cols., 2006. 6 Medida da atividade da colina acetiltransferase (ChAT) in vitro A atividade da ChAT foi medida de acordo com a metodologia descrita anteriormente por (Issa e cols., 1996; Fonnum, 1966). Os tecidos das regiões do córtex, hipocampo e estriado, após a dissecação, foram homogeneizados 10% (p/v) em 40 mM de tampão fosfato (pH 7.4), 200 mM NaCl, 0.5 % Triton X-100. 15μL dos extratos foram incubados com 35μL de tampão de incubação (300mM NaCl; 28mM PO4, pH 7.4; 0,2mM Neostigmina, 12.5mM cloreto de colina; 0.5mg/mL BSA; 0.35% Triton X-100; 0.25 mM [acetil-1-C14] acetil-CoA) (GE Healthcare, SP, Brazil) por 10 minutos a 37°C. Ao término da incubação, as amostras foram colocadas no gelo e adicionou-se 350 μL de solução 10mM PO4, pH 7.4; 0.2mM acetilcolina. A 14C acetilcolina formada foi recuperada pela extração com tetrafenilboro em butirilnitrila (10mg/mL) e a radioatividade foi medida em contador de cintiliação líquida (Packard – PerkinElmer Life Science, Boston, MA, USA). 7 Transporte de colina in vitro Para se determinar a captação de colina de alta afinidade realizada pelo CHT1, a região do córtex cerebral foi homogeneizada 10% (p/v) em solução 0,32M de sacarose; 10mM Hepes, pH 7.4 e o homogenato centrifugado a 900xg por 10 49 minutos a 4°C. O sobrenadante (S1) foi centrifugado a 12.000xg por 20 minutos a 4°C e o sinaptosoma (P2) foi lavado com sacarose e centrifugado novamente a 12.000xg por 20 minutos a 4°C. O conteúdo protéico foi determinado pelo método de Lorry (1951). 400 microgramas de sinaptosomas foram incubados em solução Krebs-HEPES (100nM 3H colina (Amersham), NaCl 124mM, KCl 4mM, MgSO4 1.2mM, CaCl2 1.0mM, glicose 10mM, HEPES 25mM) previamente aquecida a 30°C e incubadas por 3 minutos para promover a captação de colina. Para determinação do transporte de colina de baixa afinidade trocou-se Na+ por Li+, ou adicionou-se 1μM de hemicolinium-3 (Sigma). Ao término da incubação, as amostras foram colocadas no gelo e adicionou-se 2mL de sacarose 0,32M gelada. Posteriormente, as amostras foram filtradas em filtros GF/A (Whatman) em rampa de filtração a vácuo e lavadas com sacarose 0,32M e cloreto de colina 50μM gelada. Ao término de 4 lavagens, os filtros foram deixados secar a temperatura ambiente e adicionou-se 3mL de líquido de cintilação para a medida da radioatividade. Os resultados foram expressos em porcentagem de captação de colina em relação ao controle WT. 8 Testes comportamentais Os testes comportamentais foram realizados em colaboração com Bráulio Marcone de Castro e Xavier de Jaeger. 8.1) Wire Hang Os experimentos de “wire-hang” foram realizados conforme descrito por Sango e cols. em 1996. Os animais foram habituados à sala de experimentação e manipulados pelo experimentador pelos menos duas horas antes do experimento. Como 50 aparato, foi utilizada uma grade metálica com espaçamento de 1 cm entre barras de 0,8 mm de diâmetro. Inicialmente, o animal foi colocado sobre a grade, a qual foi brevemente agitada para que o animal a agarrasse. A grade foi então invertida e mantida 20 cm acima de uma caixa preenchida com maravalha. Uma altura suficiente para fazer com que o animal se mantenha agarrado à grade, mas incapaz de feri-lo durante a queda. 8.2) Footprint O teste do perfil de pegada foi realizado de acordo com o protocolo descrito por Brandon e cols., 1998). As patas traseiras dos camundongos foram molhadas com tinta nanquim e estes animais submetidos a uma caminhada em um túnel (9,2 x 6,3 x 35,5 cm). Os passos executados no percurso foram registrados em uma cartolina branca colocada no chão do túnel. A largura das passadas foi determinada medindo-se a distância entre as pegadas consecutivas de uma mesma perna. 51 RESULTADOS Camundongos VAChT com recombinação na região 5’ não traduzida 1) Genotipagem dos camundongos A técnica de recombinação homóloga foi utilizada pelo nosso grupo de pesquisa com o objetivo de gerar animais com disfunção colinérgica. Os animais com loco gênico recombinado possuem um cassete de 3.8Kb com os genes para resistência ao antibiótico neomicina (neo) e para a enzima timidina cinase (tk) inserido na região 5’ não traduzida do gene do VAChT (Figura 6). A genotipagem inicial dos camundongos foi feita por Southern blotting. O DNA genômico extraído de um fragmento da cauda dos animais foi digerido com a enzima de restrição Bam HI, corrido em gel de agarose 0,7% e transferido para membrana de nylon. Utilizou-se o fragmento XhoI/HindIII marcado com 32P como sonda (ver figura 6 para detalhes sobre região de anelamento da sonda). Como pode ser observado na Figura 8A o alelo recombinante apresentou uma banda de aproximadamente 8.8Kb enquanto o alelo selvagem (WT) apresentou uma banda de 10Kb, confirmando a alteração gênica nessa linhagem de animais. Rotineiramente, os animais utilizados nos experimentos foram genotipados por PCR. Para a reação de PCR da genotipagem são empregados 3 iniciadores (tabela 1). Os iniciadores P1 e P3 anelam-se na região do gene do VAChT que flanqueia o local de inserção do cassete de neomicina (Figura 6). No alelo selvagem esse par de iniciadores permite a amplificação de um fragmento de DNA de 330 pares de base. Esses dois pares de iniciadores podem também se anelar no alelo mutado, 53 A) B) Figura 8: Genotipagem dos camundongos VAChT mutantes. A) Análise de Southern. O alelo selvagem do VAChT não sofreu recombinação (WT) gera uma banda de 10Kb enquanto o alelo mutante gera uma banda de 8.8Kb. Coluna 1 (Camundongo homozigoto), coluna 2 (Camundongo heterozigoto) e coluna 3 (Camundongo selvagem). B) PCR para genotipagem dos camundongos. Utilizando uma amplificação com 3 iniciadores foi possível distinguir o alelo selvagem do alelo recombinado do VAChT. Animais selvagens geram um fragmento de 330pb, ao passo que os animais mutantes produzem uma banda de 530pb. Coluna 1 (Heterozigoto), coluna 2 (WT), coluna 3 (Homozigoto) e coluna 4 controle negativo. 54 entretanto nesse alelo nenhum produto de amplificação é gerado pois os iniciadores estão separados em mais de 4,0 Kb devido à presença do cassete de neomicina e as condições da reação de PCR inviabilizam a amplificação de fragmentos maiores que 1Kb. O alelo mutado é amplificado pelos iniciadores P1 e P2 (anela-se no cassete de neomicina) gerando um fragmento de 530 pares de base (Figura 6). Portanto, quando utilizamos esses 3 iniciadores na reação de PCR, os animais selvagens (WT) amplificam um fragmento de 330 pb, os camundongos mutados homozigotos amplificam uma banda de 530pb e os heterozigotos amplificam as duas bandas (Figura 8B). 2) Análise dos níveis de transcrição do VAChT e outros marcadores colinérgicos 2.1) Análise por Northern-blot Para avaliar os níveis de expressão dos RNAs mensageiros (mRNA) do VAChT no cérebro dos camundongos modificados geneticamente uma das metodologias utilizadas foi a de Northern-blot. As análises foram feitas utilizando-se como sonda um fragmento de 900pb correpondente à sequência 5’ do cDNA do transportador. Esta sonda identificou duas espécies mais abundantes de mRNA do VAChT previamente descritas (Bejanin e cols., 1994), uma de 2.6Kb (V1) e outra de 3.0Kb (V2). A principal espécie de mRNA, V1, mostrou-se reduzida em torno de 40% nos camundongos heterozigotos enquanto nos animais homozigotos a redução foi em torno de 70% (Figura 9). Esta redução foi observada em todas as regiões do SNC analisadas. Interessantemente, a espécie V2 de mRNA do VAChT, apresentou aumento em seus níveis transcricionais, principalmente nos animais homozigotos. Estes 55 Medula espinal Tronco encefálico Estriado Rim Actina Figura 9: Análise dos níveis de RNA mensageiro dos animais VAChT mutantes: A) Membranas de PVDF contendo 5 a 10 microgramas de RNA mensageiro das regiões da medula espinal, tronco encefálico, estriado e rim foram hibridizadas sequencialmente com sondas radioativas para VAChT, CHT1, ChAT e actina, respectivamente. Foi observado um decréscimo em torno de 40% no RNA mensageiro V1 nos animais heterozigotos (canaletas 2) e 70% nos animais homozigotos (canaletas 3), respectivamente. Canaletas 1 (WT). 56 resultados sugerem a existência de um provável mecanismo transcricional compensatório. Já as outras espécies de mRNA para o VAChT identificadas por RTPCR (Bejanin e cols., 1994) não foram detectadas, provavelmente por serem pouco abundantes. A expressão de RNA mensageiro de outros componentes do sistema colinérgico também foi testada. Como pode ser observado (Figura 9), a sonda para a ChAT reconheceu uma banda de aproximadamente 3.8Kb em todas as regiões do cérebro analisadas, correspondente ao RNA mensageiro para a ChAT (Pedersen e cols., 1995; Blusztajn e Berse, 1995). Para o CHT1, o resultado observado foi uma banda de aproximadamente 5.0Kb com tamanho correspondente ao descrito na literatura (Okuda e cols., 2000). A análise estatística ANOVA de uma via, demonstrou que não houve diferença significativa nos níveis de expressão de RNA mensageiro para a ChAT [F(2,21)=1,725] e para o CHT1 [F(2,21)=2,842] entre os genótipos. Esse resultado sugere que embora a recombinação homóloga tenha alterado a expressão do VAChT, a expressão da ChAT e CHT1 não foi afetada. Esse dado é relevante devido ao arranjo genômico entre ChAT e VAChT. A reatividade do mRNA da actina foi usada para normalizar a quantidade de RNA aplicada no gel. Como controle da especificidade das sondas, utilizou-se RNA mensageiro de rim. Como pode ser observado (Figura 9), não houve reatividade para VAChT, ChAT e CHT1, já que estes componentes colinérgicos não são expressos nos rins. Diferentemente, observa-se reatividade para actina que é ubiquamente expressa em todos os tecidos. 2.2) Análise da expressão gênica por PCR em tempo real 57 Adicionalmente à análise dos níveis de expressão de mRNA por Northern blotting, utilizou-se também uma quantificação da expressão gênica pela amplificação em cadeia da polimerase em tempo real. Esta técnica é mais sensível e possibilita a detecção de variações sutis na expressão gênica (Bustin., 2002). A análise quantitativa comparativa (delta-delta) (Pfaffl e cols., 2002) mostrou uma redução significativa na expressão do mRNA do VAChT na medula espinal nos animais modificados geneticamente. A expressão do mRNA do VAChT nos animais heterozigotos foi reduzida em 45% enquanto a expressão do VAChT nos animais homozigotos foi reduzida em torno de 70% quando comparada à expressão dos camundongos selvagens (WT) (Figura 10). A quantificação da expressão de mRNA da enzima ChAT foi realizada nas regiões da medula espinal, tronco encefálico e estriado. A análise não apontou alteração na expressão gênica da enzima ChAT (Figura 11) dos animais VAChT mutantes em relação aos camundongos selvagens (WT). Foi realizada também a quantificação da expressão de mRNA do CHT1 na região do tronco encefálico e não foram observadas modificações na expressão gênica do transportador de colina entre os genótipos (Figura 12) confirmando os dados anteriormente obtidos com Northern blotting. A especificidade da reação foi confirmada pela análise da curva de “melting”. Houve a presença de um pico único, em torno de 85°C, demonstrando que a reação de PCR gerou apenas um produto e este resultado foi confirmado com a corrida dos produtos amplificados em gel de acrilamida. 3) Análise da expressão protéica do VAChT no cérebro 3.1- Análise por Western Blot 58 Expressão de RNA mensageiro doVAChT (% do controlel) 120 100 80 60 40 *** *** 20 0 Figura 10: Quantificação por PCR em tempo real da expressão de mRNA do VAChT nos camundongos VAChT mutantes. Amostras de RNA extraídas da região da medula espinal dos camundongos mutantes e controles selvagem foram submetidas à transcrição reversa para a produção de cDNA. Para a reação de PCR em tempo real foram utilizados iniciadores específicos para o gene do VAChT que produziu um fragmento de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 5 experimentos ±erro padrão da média. A análise ANOVA de uma via com post hoc Bonferroni apontou diferença estatisticamente significativa nos níveis transcricionais do mRNA do transportador nos animais mutantes [F(2,11) = 31,48]. *** Estatisticamente significativo em relação ao WT. ***p<0,0001. Barra branca (Selvagem), barra cinza (Heterozigoto) e barra preta (Homozigoto). 59 Medula espinal Tronco encefálico estriado Figura 11: Quantificação por PCR em tempo real da expressão do mRNA da ChAT nos camundongos VAChT mutantes. Amostras de RNA extraídas das regiões da medula espinal, tronco encefálico e estriado dos camundongos mutantes e controles selvagem foram submetidas à transcrição reversa para a produção de cDNA. Para a reação de PCR em tempo real foram utilizados iniciadores específicos para o gene da colina acetiltransferase (ChAT) que produziu um fragmento esperado de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 4 experimentos ±erro padrão da média. A análise ANOVA de uma via com post hoc Bonferroni não apontou diferenças estatisticamente significativas nos níveis transcricionais desta enzima nos animais mutantes [F(2,12)= 0,9847] para medula espinal, [F(2,6)=1,161] para tronco encefálico e [F(2,6)=1,561] para estriado, respectivamente. Barra branca (Selvagem), barra cinza (Heterozigoto) e barra preta (Homozigoto). 60 Expressão de RNA mensageiro para CHT1 (% do controle) 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Figura 12: Quantificação por PCR em tempo real da expressão de mRNA do CHT1 dos camundongos VAChT mutantes. Amostras de RNA extraídas da região da medula espinal dos camundongos modificados geneticamente e controles selvagem foram submetidas à transcrição reversa para a produção de cDNA. Para a reação de PCR foram utilizados iniciadores específicos para o gene do transportador de colina de alta afinidade (CHT1) que produziu um fragmento esperado de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 3 experimentos ±erro padrão da média. A análise ANOVA de uma via com post hoc Bonferroni não apontou diferenças estatisticamente significativas nos níveis transcricionais desta enzima nos animais mutantes [F(2,6)= 0,01787]. Barra branca (Selvagem), barra cinza (Heterozigoto) e barra preta (Homozigoto). 61 Para analisar as conseqüências da alteração na expressão do mRNA do VAChT, nós investigamos a expressão da proteína do transportador por imunoblot. O anticorpo anti-VAChT reconheceu especificamente uma banda de aproximadamente 70 Kda, massa molecular esperada para o transportador (Figura 13). A análise densitométrica mostrou que os animais heterozigotos expressam aproximadamente 56 ± 4% do VAChT, sendo esta redução observada em todas as regiões analisadas, indicando uma deficiência significativa da proteína do VAChT nestes animais. Já os animais homozigotos possuem uma redução ainda maior na expressão protéica e a análise quantitativa demonstrou que estes camundongos expressam apenas 35% do VAChT. Esses resultados nos indicam que a inserção do cassete de 3.8 Kb (contendo o gene de resistência à neomicina e o gene da enzima timidina cinase) na região 5’ não traduzida do gene do VAChT provocou uma redução da expressão do transportador em todos os tecidos dos animais, nós portanto denominamos esses camundongos VAChT knockdown (KD). Para investigar se a redução da expressão do VAChT foi específica, nós avaliamos também a expressão protéica de outras proteínas do terminal pré-sináptico. O imunoblot para sinaptofisina, uma proteína de vesícula sináptica, não apontou nenhuma alteração nos níveis protéicos entre os genótipos. O mesmo resultado foi obtido quando se analisou a expressão protéica da sintaxina, uma proteína do complexo SNARE presente na membrana pré-sináptica. Em todas as análises, a imunorreatividade da actina foi utilizada para normalizar as quantidades de extrato aplicadas no gel. 3.2) Análise por Imunofluorescência em fatia 62 Figura 13: Análise da expressão protéica do VAChT e outras proteínas pré-sinápticas nos camundongos mutantes. Análise por imunoblot de VAChT, Sinaptofisina, Sintaxina e actina nas regiões do córtex cerebral (A), estriado (B), medula espinal (C) e hipocampo (D) dos animais WT (1), KDHET (2) e KDHOM (3). E) Análise densitométrica de 4-8 membranas de cada região reveladas com o anticorpo contra o VAChT, mostrando a redução da expressão da proteína do transportador entre os animais KD em relação aos animais controle. (*) Estatisticamente significativo em relação ao WT. (#) KDHOM é estatisticamente diferente do KDHET. 63 Adicionalmente, investigamos a expressão protéica do VAChT em fatias de cérebro utilizando a técnica de imunofluorescência. Fatias seriais foram incubadas com os anticorpos anti-VAChT e anti-CHT1. As regiões do hipocampo e córtex cerebral não possuem corpos de neurônios colinérgicos, entretanto recebem várias projeções colinérgicas oriundas do prosencéfalo basal (Mesulan, 1993). A figura 14A nos mostra a imunorreatividade do VAChT na região CA1 do hipocampo, onde podemos observar uma forte marcação das terminações nervosas colinérgicas nos camundongos selvagens. No entanto, foi observada uma redução da imunorreatividade do VAChT nas terminações colinérgicas dos camundongos KDHET e esta redução foi mais pronunciada nos camundongos KDHOM (Figura 14A). A figura 14B mostra que não houve alterações aparentes na expressão do CHT1 no hipocampo nas fatias seriais. A quantificação da fluorescência nas fatias de hipocampo foi realizada utilizando o programa Image J (NIH image tool). A intensidade de fluorescência foi detectada automaticamente pelo programa e normalizada pela intensidade de fluorescência do CHT1. A quantificação mostrou que a expressão do VAChT estava diminuída em torno de 40% nos animais KDHET e 70% nos animais KDHOM (figura 14C). Resultados semelhantes foram observados quando examinamos a imunorreatividade do VAChT em fatias de córtex cerebral (Figura 15). Esses resultados sugerem que a redução da expressão da proteína do transportador afetou os níveis do mesmo em terminais nervosos colinérgicos. Na região do estriado dos animais selvagens (WT) (Figura 16A), pode-se observar a imunorreatividade para o VAChT em interneurônios e esta marcação se expande à uma grande rede de terminações nervosas colinérgicas. Já nos animais mutantes, esta marcação foi reduzida nos camundongos KDHET e KDHOM. A imunorreatividade para o CHT1 se mostrou inalterada nas fatias serias nos três 64 KDHET Selvagem KDHOM A. B. C. Selvagem KDHET KDHOM Figura 14: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do hipocampo dos camundongos VAChT knockdown. Fatias seriais de hipocampo dos animais KD e controles foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. (A) imunorreatividade para o VAChT na região CA1 do hipocampo (B) imunorreatividade para o CHT1 na região CA1 do hipocampo. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. (C) Gráfico da quantificação da fluorescência na região do hipocampo. A imunorreatividade para o CHT1 foi utilizada para normalização. Os resultados foram expressos com média ± SEM. (*) Indica que a imunorreatividade para o VAChT dos camundongos KD é estatísticamente diferente dos controles (Anova de uma via com post hoc Bonferroni F(2,12)=33.19, * p<0.0001). 65 Selvagem KDHET KDHOM A. B. Figura 15: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 na região do córtex cerebral dos camundongos VAChT knockdown. Fatias seriais de cérebro dos animais KD e controles foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas do Córtex motor (região M1). (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. 66 Selvagem KDHET KDHOM A. B. Figura 16: Imunofluorescência para VAChT e CHT1 na região do estriado dos camundongos VAChT knockdown. Fatias seriais de cérebro dos animais KD e controles foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas da região do estriado. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI 67 genótipos (Figura 16B). A região do tronco encefálico possui grupos de neurônios colinérgicos que inervam a região talâmica (Mesulan e cols., 1983) e grupos de neurônios motores grandes (motoneurônios) responsáveis pela movimentação dos músculos da face (Veronique e cols., 2006). A imunorreatividade para o VAChT nos motoneurônios do núcleo facial 7N dos animais selvagens (WT) (Figura 17A-coluna 1) mostrou a marcação destes neurônios grandes, além das terminações nervosas colinérgicas que rodeiam os corpos neuronais. É possível observar a redução da imunorreatividade para o VAChT no corpo celular destes motoneurônios nos camundongos KD (17A). A imunorreatividade do CHT1 não sofreu alterações nas fatias serias dos animais KD quando comparada aos animais selvagens (WT) (17B). Corroborando os dados de immunoblot, as análises de imunofluorescência mostraram redução da expressão do VAChT em diferentes regiões do cérebro e não apontaram alteração detectável da expressão protéica do CHT1. 4) Efeito da diminuição da expressão do VAChT na liberação de acetilcolina Os dados de imunoblot mostraram uma grande redução na expressão protéica do VAChT nos animais knockdown. Para investigar as conseqüências fisiológicas da redução da expressão do transportador no cérebro, utilizou-se a técnica de microdiálise para medir os níveis extracelulares de ACh no córtex pré-frontal e estriado de animais vivos. Esses experimentos foram realizados por nossos colaboradores na Duke University e os resultados obtidos (Figura 18A) demonstram uma redução em torno de 35% e 31%, respectivamente nos níveis basais extracelulares 68 Selvagem KDHET KDHOM A. B. Figura 17: Imunofluorescência para o VAChT e CHT1 no núcleo facial (7N) da região do tronco encefálico dos camundongos VAChT knockdown. Fatias seriais de cérebro dos animais KD e controles foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas do núcleo facial 7N. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. 69 A. B. Figura 18: Microdiálise no cérebro dos camundongos KDHET: A) Medida dos níveis extracelulares basais de acetilcolina nas regiões do córtex pré-frontal (FC) e estriado (ST). B) Liberação de ACh sob estímulo de KCl na região do estriado. Após 40 minutos, uma solução contendo KCl 60mM foi perfundida durante 40 minutos. A acetilcolina no perfusado foi dosada por HPLC. * estatisticamente significativo em relação ao controle WT, p<0,05. (para maiores detalhes experimentais ver Prado e cols., 2006, em anexo). 70 de ACh nos animais KDHET (Prado e cols., 2006). Também com o uso da microdiálise foi possível avaliar a liberação evocada de acetilcolina na região do estriado dos animais KDHET. Este experimento in vivo mostrou que os animais KDHET assim como os animais controle (WT) respondem ao estímulo despolarizante do KCl, liberando acetilcolina na fenda sináptica. No entanto, a dosagem por HPLC do neurotransmissor liberado apontou uma redução significativa da liberação vesicular de ACh nos animais KDHET (Figura 18B) (Prado e cols., 2006). Animais homozigotos não foram utilizados nesses experimentos devido à sua maior sensibilidade ao anestésico, necessário para a implantação da cânula. Adicionalmente, analisou-se o efeito da expressão reduzida do VAChT na liberação de acetilcolina na junção neuromuscular pelo registro de potenciais miniatura de placa motora espontâneos (MEPPs) e cálculos de tamanho e conteúdo do quanta. Os resultados mostram uma redução no tamanho do quanta e acentuada queda da freqüência de MEEPs nos animais KDHOM em relação ao controle WT e estas alterações não foram observadas nos animais KDHET (Prado e cols., 2006). 5) Efeito da diminuição da expressão do VAChT na concentração de acetilcolina no cérebro A função fundamental do VAChT é seqüestrar ACh do citosol do terminal nervoso e estocar este neurotransmissor em vesículas sinápticas. Portanto, nós analisamos o efeito da redução da expressão do VAChT nos níveis de acetilcolina em diferentes áreas do cérebro. Através de um ensaio de quimioluminescência foi medido os níveis teciduais de ACh no hipocampo e estriado dos camundongos knockdown. Como podemos observar no gráfico (Figura 19), os animais KDHET possuem quase o 71 A. B. Figura 19: Dosagem de acetilcolina no cérebro de camundongos knockdown. A) Medida do conteúdo tecidual de acetilcolina por HPLC nas regiões do córtex préfrontal (FC) e estriado (ST) dos animais WT (barra branca) e KDHET (barra cinza), respectivamente. O gráfico representa a média de 6-14 animais de cada genótipo ±erro padrão da média. A análise estatística foi realizada com teste T não pareado e * representa valor de p<0.05. B) Dosagem de acetilcolina na região do hipocampo dos animais WT (barra branca), KDHET (barra cinza) e KDHOM (barra preta) por quimioluminescência. As barras representam a média de 4-6 experimentos ±erro padrão da média. A análise estatística utilizando One-Way Anova com post-hoc Bonferroni mostrou diferença estatisticamente significativa entre os grupos. [F(2,17)= 61,133]. # mostra que o conteúdo do KDHOM foi significativamente diferente do KDHET. 72 dobro de acetilcolina tecidual, enquanto os animais KDHOM contêm quase o triplo da acetilcolina nos tecidos em relação aos animais controle WT. As concentrações de ACh no estriado dos animais KDHET foram também dosadas por HPLC e os resultados mostram um aumento significativo no conteúdo tecidual de ACh nos animais KDHET em relação ao controle. As dosagens em HPLC foram realizadas pelo grupo do Dr. Marc Caron da Duke University e confirmam os nossos dados obtidos com o uso do luminômetro (Prado e cols., 2006). 6) Efeito da diminuição da expressão do VAChT na atividade da enzima colina acetiltransferase (ChAT) Apesar de a análise de Northern-blot não ter apontado mudanças no nível de expressão de mRNA da ChAT, seria importante determinar se alterações na expressão gênica do VAChT afetariam os mecanismos de síntese da acetilcolina, o que poderia explicar o aumento surpreendente do conteúdo tecidual de acetilcolina observado nos animais knockdown. Portanto, nós investigamos a atividade enzimática da ChAT nos animais knockdown. Realizou-se um ensaio in vitro em que extratos de hipocampo e medula espinal foram incubados com colina e acetil CoA marcada com 14 C. Ao término da incubação, a 14C acetilcolina formada foi recuperada pela extração com tetrafenilboro em butirilnitrila e a radioatividade mensurada. Como pode ser observado no gráfico da figura 20, não houve alteração estatisticamente significativa na atividade da ChAT entre os genótipos (WT, KDHET e KDHOM) nos dois tecidos analisados. Portanto, este resultado sugere que o aumento do conteúdo tecidual de acetilcolina não ocorreu por alterações na atividade da colina acetiltransferase. 73 Hipocampo Medula espinal Figura 20: Atividade da colina acetil-transferase (ChAT) nos camundongos KD. Extratos de hipocampo e medula espinal de animais WT (barras brancas) e KDHET (barras cinza) foram incubados com colina e 14C acetil-CoA. A acetilcolina formada foi recuperada e a radioatividade foi medida. Os dados expressam a média de 4 experimentos ± erro padrão da média. A análise estatística utilizando ANOVA de uma via não mostrou diferença estatisticamente significativa entre os grupos [F(2, 20)= 2,278] para o hipocampo e [F(2, 3)= 0,9003] para medula spinal. 74 7) Efeito da diminuição da expressão do VAChT na captação de colina pelo CHT1 Acredita-se que a captação de colina com alta afinidade realizada pelo CHT1 seja o passo limitante para a síntese de acetilcolina (Simon e Kuhar, 1975), portanto a expressão reduzida do VAChT nos animais knockdown poderia interferir na captação de colina, o que poderia também explicar o aumento da ACh tecidual. Com o objetivo de avaliar a captação de colina nos animais knockdown, sinaptosomas foram incubados com 3H colina na concentração não saturante de 100nM e mantidos por três minutos a 30°C para promover a captação. Todas as células, inclusive os neurônios, possuem um transporte de colina de baixa afinidade. A fim de analisar apenas o transporte de alta afinidade foram realizados controles em que o sódio foi substituído por lítio ou foi adicionado 1μM de hemicolinium-3. Para expressar os valores da captação de colina realizada pelo CHT1, as leituras obtidas dos sinaptosomas incubados em solução contendo o íon sódio foram subtraídas das leituras obtidas quando os sinaptosomas foram incubados em solução contendo lítio ou hemicolinium-3. A análise estatística foi realizada com os valores obtidos em dpm/μg de proteínas. O gráfico (Figura 21) representa a porcentagem da captação de colina pelo CHT1 em relação ao controle WT e mostra que não houve diferença estatisticamente significativa na captação de colina pelo CHT1 nos animais KDHET e KDHOM. Nossos resultados sugerem que o aumento dos níveis teciduais de ACh observado nos animais knockdown não é conseqüência de um aumento da captação de colina pelo CHT1. 75 Figura 21: Captação de colina em sinaptosomas dos camundongos KD. Sinaptosomas foram incubados a 30°C com 100nM 3H colina para captação de colina pelo CHT1. O gráfico expressa a % de captação de colina pelos animais KD em relação ao animal selvagem WT. O gráfico representa a média de 4 experimentos ±erro padrão da média A análise estatística utilizando ANOVA de uma via não mostrou diferença estatisticamente significativa entre os grupos. 76 Camundongos VAChT nocaute condicionais A segunda estratégia utilizada para produzir camundongos com disfunção colinérgica foi a geração de animais nocaute condicionais para o gene do VAChT utilizando a metodologia Cre-loxP. Para isso, utilizou-se a recombinação homóloga para gerar camundongos que apresentam o gene do VAChT flanqueado por dois sítios de loxP (Figura 7). Nesta estratégia, o cassete de 3.8 Kb foi inserido 3’ do gene do VAChT (Figura 7). Esses camundongos, denominados VAChTFlox/Flox, foram produzidos pela Prof. Vania Prado e Prof. Marco Prado em colaboração com o Dr. Marc Caron na Duke University, EUA. Assim como os camundongos KD, os camundongos VAChTFlox/Flox foram trazidos para a UFMG onde foram caracterizados. A geração dos camundongos nocaute condicionais para o VAChT depende do cruzamento dos camundongos VAChTFlox/Flox com camundongos transgênicos que expressam a recombinase Cre sob o controle de um promotor específico. Utilizando-se esta metodologia espera-se que a prole gerada (nocaute condicionais) apresente a expressão do VAChT abolida apenas no tecido onde a Cre estiver sendo expressa (Figura 5B). Camundongos VAChTFlox/Flox 1) Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox A genotipagem inicial dos camundongos VAChTFlox/Flox foi feita por Southern blotting. O DNA genômico extraído de um fragmento da cauda dos animais foi digerido com as enzimas de restrição NdeI e corrido em gel de agarose 0,7% e transferido para membrana de nylon. Utilizou-se o fragmento NdeI/PmeI marcado com fosfatase 77 alcalina como sonda (Figura 22A). Como pode ser observado na figura 22B, o alelo recombinante apresentou uma banda de aproximadamente 6,5Kb enquanto o alelo selvagem (WT) apresentou uma banda de 5,7 Kb, confirmando a alteração gênica nessa linhagem de animais. Rotineiramente, os animais VAChTFlox/Flox utilizados nos experimentos, foram genotipados por PCR. A reação de PCR utilizava 3 iniciadores (tabela 2-PCR1) para a detecção dos alelos do VAChT (estratégia semelhante à detecção dos alelos do VAChT nos animais VAChT-KD). Os iniciadores P1F e P3F amplificam um fragmento de DNA de 304 pares de base no alelo selvagem e os iniciadores P1F e P2F (anela-se no cassete) amplificam um fragmento de 464 pares de base no alelo mutado (Figura 22C). Portanto, quando utilizamos esses 3 iniciadores na reação de PCR, os animais selvagens (VAChTWT/WT) amplificam um fragmento de 304 pb, os camundongos homozigotos (VAChTFlox/Flox) amplificam uma banda de 464pb e os heterozigotos (VAChTWT/Flox) amplificam as duas bandas (Figura 22C). 2) Análise dos níveis de mRNAs do VAChT e outros marcadores colinérgicos nos camundongos VAChTFlox/Flox A análise da expressão gênica do VAChT e de outros marcadores colinérgicos no cérebro e medula espinal foi realizada através de PCR em tempo real. Realizamos, inicialmente, a análise da expressão gênica do VAChT na região da medula espinal dos camundongos VAChT Flox/Flox. O gráfico da figura 23 mostra que, nesse tecido, os camundongos VAChT Flox/Flox apresentam uma redução em 78 X E B H H VAChT R 304bp VAChT WT- Chrom 14 X E B 3800bp tk VAChT R HH H neo loxP loxP Long arm 3800bp P3F Sse83 H Nhe/Spe SpeI NotI P1F X H NdeI X H AscI NotI B Nhe/Spe A. pVATFLOX probe Sonda loxP Short arm 1000 bp floxed arm 3300bp VATFLOX 464bp P1F P2F P3F B. C. 500 pb 400 pb 300 pb Figura 22: Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox. A) Esquema do loco gênico colinérgico selvagem (VAChT WT) e após recombinação homóloga (VATFLOX) do gene do VAChT. A caixa com o símbolo R representa o primeiro exon do gene da ChAT. O gene do transportador foi flanqueado por seqüências LoxP (cabeças de seta negras) e o cassete de 3.8 Kb foi inserido downstream. Sítios de restrição relevantes são indicados (B: Bam H1, X: XhoI, H: HindIII, E: Eco R1, Not, 79 Nhe/Spe, Sse83, AscI e NdeI). Os iniciadores utilizados nas genotipagens estão destacados em azul e verde (Para detalhes ver tabela 2). B) Análise de Southern. O alelo selvagem apresenta uma banda de 5722 pb e o alelo que sofreu recombinação (gene do VAChT flanqueado por sítios de LoxP) (alelo Flox) apresenta uma banda de 6568 pb. C) PCR para genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox. Através da amplificação com 3 primers foi possível distinguir o alelo selvagem e o alelo Flox. Os camundongos VAChTWT/WT (selvagens) amplificam uma banda de 304 pb, os camundongos VAChTFlox/Flox amplificam um fragmento de 464 pb e os camundongos VAChTFlox/WT amplificam as duas bandas. Coluna 1 (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTFlox/WT), coluna 3 (VAChTFlox/Flox) e coluna 4 (controle negativo). 80 Figura 23: Quantificação da expressão de mRNA do VAChT na medula espinal dos camundongos VAChTFlox/Flox por PCR em tempo real. Amostras de RNA extraídas da região da medula espinal dos camundongos (VAChTFlox/Flox) e controles (VAChTWT/WT) foram submetidas a transcrição reversa para a geração de cDNA. Para a reação de PCR foram utilizados iniciadores específicos para o gene do VAChT que produziu um fragmento esperado de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 4 experimentos ±erro padrão da média. A análise por teste Student não pareado apontou diferença estatisticamente significativa nos níveis transcricionais do transportador nos animais mutantes (VAChTFlox/Flox) (barra cinza quadriculada). *** Estatisticamente significativo em relação ao selvagem (VAChTWT/WT) (barra branca); p<0,0001. 81 torno de 50% na expressão do mRNA do VAChT quando comparados aos camundongos VAChT WT/WT. Os níveis de expressão do mRNA para a enzima ChAT apresentaram uma aumento em torno de 100% (Figura 24) enquanto a expressão do CHT1 mostrou uma tendência à redução, entretanto essa tendência não foi estatisticamente significativa (Figura 25). 3) Análise da liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos camundongos VAChTFlox/Flox . Avaliamos a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos camundongos VAChTFlox/Flox pelo registro de MEPPs e cálculos de tamanho e conteúdo do quanta. Nossos resultados preliminares sugerem que a amplitude dos MEEPs dos camundongos VAChTFlox/Flox está aumentada quando comparada com a amplitude do quanta dos animais controle (VAChT WT/WT ) (Figura 26A). Este dado sugere um aumento na quantidade de neurotransmissor na vesícula dos camundongos VAChTFlox/Flox. Entretanto, não observamos alteração significativa na freqüência destes MEEPs entre os genótipos (Figura 26B), indicando não haver alterações na probabilidade de liberação vesicular ou no pool prontamente liberável (readly releasable pool). 4) Dosagem de acetilcolina no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox 82 Figura 24: Quantificação da expressão de mRNA da ChAT dos camundongos VAChTFlox/Flox por PCR em tempo real. Amostras de RNA extraídas da região da medula espinal dos camundongos (VAChTFlox/Flox) e controles (VAChTWT/WT) foram submetidas a transcrição reversa para a geração de cDNA. Para a reação de PCR foram utilizados iniciadores específicos para o gene da ChAT que produziu um fragmento esperado de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 4 experimentos ±erro padrão da média. A análise por teste Student não pareado apontou diferença estatisticamente significativa nos níveis transcricionais da ChAT nos animais mutantes (VAChTFlox/Flox) (barra cinza quadriculada). * Estatisticamente significativo em relação ao WT (VAChTWT/WT) (barra branca); p<0,05. 83 Figura 25: Quantificação da expressão de mRNA do CHT1 dos camundongos VAChTFlox/Flox por PCR em tempo real. Amostras de RNA extraídas da região da medula espinal dos camundongos (VAChTFlox/Flox) e controles (VAChTWT/WT) foram submetidas a transcrição reversa para a geração de cDNA. Para a reação de PCR foram utilizados iniciadores específicos para o gene do CHT1 que produziu um fragmento esperado de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 4 experimentos ±erro padrão da média. A análise por teste Student não pareado não apontou diferença estatisticamente significativa nos níveis transcricionais do transportador de colina de alta afinidade nos animais mutantes (VAChTFlox/Flox) (barra cinza quadriculada) em relação ao WT (VAChTWT/WT) (barra branca). 84 1.0 A. Freq. Cumulativa 0.8 0.6 0.4 WT/WT FLOX/FLOX 0.2 0.0 0 2 4 6 8 10 Área (mV/ms) 1.0 B. WT/WT FLOX/FLOX MEPPs/Seg 0.8 0.6 0.4 0.2 0.0 Figura 26: Liberação de acetilcolina na junção neuromuscular (JNM) dos camundongos VAChTFlox/Flox. A) Distribuição cumulativa dos MEEPs mostrando um aumento do conteúdo quantal na JNM dos camundongos VAChTFlox/Flox (linha vermelha) em relação ao animal controle VAChTWT/WT (linha negra). B) Freqüência dos MEEPs. A análise estatística não mostrou diferenças significativas entre os genótipos. 85 Nós avaliamos o conteúdo de acetilcolina no cérebro nos camundongos VAChTFlox/Flox. Os animais VAChTFlox/Flox apresentaram níveis elevados de ACh tecidual (Figura 27). Nossos resultados indicam que os animais VAChTFlox/Flox apresentam, aproximadamente, seis vezes mais acetilcolina tecidual em relação aos animais selvagens VAChTWT/WT (Figura 27). Esses resultados sugerem que a alteração no gene do VAChT (inserção de seqüências LoxP e o cassete de neomicina e timidina cinse) levou à alterações na expressão do VAChT com conseqüente aumento da acetilcolina tecidual. Fenotipicamente, os camundongos VAChTFlox/Flox aparentam ser normais e não apresentam anormalidade pronunciada. Camundongos VAChTFlox/Flox, cre + Com o objetivo de testar se os animais VAChTFlox/Flox poderiam ser usados para gerar os camundongos com deleção do VAChT em tecidos específicos, nós cruzamos os camundongos VAChTFlox/Flox (ou camundongos VAChTFlox/WT) com camundongos que expressam a Cre sob o controle do promotor da cálcio calmodulina cinase IIα (Dragatsis e Zeitlin., 2000). Nosso objetivo, cruzando camundongos transgênicos que expressam a cre-recombinase sob o controle do promotor da cálcio calmodulina cinase IIα com os camundongos VAChTFlox/Flox foi obter camundongos em que o gene do VAChT é removido no cérebro, sendo preservado nos tecidos periféricos. Existem vários camundongos Cre que expressam a enzima sob controle do promotor da CAMKIIα . A linhagem de animais escolhida deveria expressar essa enzima apenas no prosencéfalo. No entanto, poucas linhagens Cre foram bem caracterizadas até o momento. 86 Acetilcolina (pmols/mg de proteina) 800 600 400 200 0 Figura 27: Dosagem de ACh nos camundongos VAChTFlox/Flox. Medida do conteúdo tecidual de acetilcolina na região do estriado dos animais VAChTWT/WT (barra branca) e VAChTFlox/Flox (barra cinza quadriculada), respectivamente. O gráfico apresenta a média de 2 experimentos. 87 1) Estratégia de cruzamento para a geração de camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ Para a geração dos camundongos VAChTFlox/Flox,Cre+ camundongos VAChTFlox heterozigotos (VAChTFlox/WT) foram cruzados com camundongos CreCamKII (cre+/0). Como o gene Cre é um alelo transgênico, o seu sítio de integração ou a sua expressão pode interferir com expressão de genes nos camundongos homozigotos (cre +/+) e levar a fenótipos indesejados, os cruzamentos foram sempre mantidos entre animais hemizigotos cre (+/0) e selvagem (0/0) para a Cre. Para simplificação, os camundongos Cre hemizigotos são referidos como (cre+) e os camundongos que não expressam a cre como (cre-). Os camundongos VAChT Flox/WT, cre+ gerados na primeira geração foram cruzados com camundongos VAChT Flox/WT, cre- a fim de gerar os animais VAChT Flox/Flox, cre+. 2) Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ Rotineiramente os animais VAChTFlox/Flox, cre+ foram genotipados por PCR. Para a genotipagem dos animais VAChTFlox/Flox, cre+ foram necessárias duas reações de PCR, uma reação de 3 iniciadores (ver tabela 2-PCR1) para a detecção dos alelos do VAChT (mesma reação utilizada para genotipar os camundongos VAChTFlox/Flox) e uma segunda reação de 2 iniciadores (tabela 2-PCR2) para a detecção do gene da Cre (Figura 28). O alelo cre foi detectado com iniciadores específicos (CRE1 e CRER2-tabela 2) que amplificam um fragmento de aproximadamente 200 pares de bases (pb) (Figura 28). 88 500 pb 400 pb 300 pb 200 pb 1 2 3 4 5 Figura 28: Genotipagem dos camundongos VAChTFlox/Flox, 6 cre+ . Através de duas amplificações foi possível distinguir o alelo selvagem e o alelo Flox do VAChT, além do gene da Cre. Na amplificação dos alelos do VAChT, o alelo selvagem amplifica uma banda de 304 pb e o alelo Flox amplifica um fragmento de 464 pb. Uma segunda reação foi utilizada para identificar a presença do gene para a Cre, o qual amplifica um fragmento de aproximadamente 200 pb. Na figura estão representados 6 animais cujos genótipos são: animal 1 (VAChTWT/WT Cre-), animal 2 (VAChTWT/WT Cre+), animal 3 (VAChTFlox/WT Cre-), animal 4 (VAChTFlox/WT Cre+), animal 5 (VAChTFlox/Flox Cre) e animal 6 (VAChTFlox/Flox Cre+). 89 3) Características fenotípicas dos animais VAChTFlox/Flox, cre+ Os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ desenvolvem-se normalmente e ao nascer apresentam-se morfologicamente idênticos aos animais VAChT WT/WT da mesma ninhada (Figura 29 A.1). À medida que desenvolvem, apresentam, no entanto, dificuldade para se alimentar e movimentam-se menos, sugerindo dificuldade de coordenação motora e/ou fraqueza muscular generalizada. Outra característica marcante destes animais é o desenvolvimento anormal da coluna espinhal, o que leva os camundongos a desenvolverem cifose, tornando-se corcundas (Figura 29 A.2). Na tentativa de aumentar o período de vida desses animais, foi realizada a suplementação alimentar com Nutela e maçã, além de administração de soro fisiológico diariamente para evitar desidratação. Entretanto, mesmo com esses cuidados adicionais, esses camundongos não adquirem o mesmo peso dos camundongos VAChTWT/WT de mesma ninhada que não receberam esses cuidados. O gráfico da figura 29B representa a média dos pesos dos animais com 8 semanas, em gramas, em que é possível observar que os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+, possuem metade do peso dos animais VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT. Enquanto a média de peso dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT nesta idade gira em torno de 23 gramas, os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ adquirem um peso médio de 13 gramas. Mesmo com os cuidados diários para evitar desnutrição e desidratação, os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ sobrevivem apenas 8 semanas. O curto tempo de vida desses animais torna inviável a realização de testes comportamentais complexos. Entretanto, para avaliar se as alterações moleculares detectadas poderiam afetar a função neuromuscular e a coordenação motora, acessou-se o desempenho dos camundongos através de 2 testes: o teste de força (Wire Hang) e o perfil de pegada (footprint pattern). 90 A. A. 1 A. 2 VAChTWT/WT 30 B. VAChTFlox/Flox, creVAChTFlox/Flox, cre+ Peso (gramas) 25 20 15 * 10 5 0 Figura 29: Características fenotípicas dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+. (A.1) Os camundongos nascem normais e até o quinto dia de vida são indistinguíveis dos animais selvagens. (A.2) Camundongo VAChTFlox/Flox, cre+ com 8 semanas. É possível ver com maior detalhe a corcunda que estes animais desenvolvem neste período. (B) Gráfico da média de peso de 3 animais de cada genótipo ±erro padrão da média mostrando que os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ (Barra negra) possuem uma diferença de peso em relação aos camundongos VAChTWT/WT (Barra branca) e VAChTFlox/Flox, cre- (Barra cinza). Anova de uma via com post hoc Bonferroni mostrou diferença estatisticamente significativa entre os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ em relação aos animais VAChTWT/WT e VAChTFlox/Flox, cre- [F(2,5) = 11.10] * p<0,05. 91 O teste (wire hang) avalia a capacidade inata dos murinos em sustentar o peso do próprio corpo quando mantidos de cabeça para baixo. Os camundongos são colocados de cabeça para baixo em uma grade e o tempo que estes animais ficam agarrados é cronometrado. Os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ apresentaram dificuldade para sustentar o próprio peso na grade. Enquanto os animais VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT mantiveram-se agarrados à grade durante o tempo máximo estipulado (Figura 30A), os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ conseguiram ficar na grade, em média, no máximo 15 segundos, sugerindo fraqueza muscular. Já os animais VAChTFlox/Flox, cre- apresentaram o tempo de latência de queda similar ao observado para os animais VAChTWT/WT (Figura 30A). Esses resultados sugerem que os animais VAChTFlox/Flox não apresentam alterações neuromusculares graves. O teste para avaliar a coordenação motora (footprint) mostra que padrão de caminhada dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ está alterado. A largura das passadas foi menor e pouco uniforme em relação ao observado para os camundongos VAChTWT/WT e VAChTFlox/Flox, cre-(Figura 30B). 4) Análise da expressão protéica do VAChT e outros marcadores colinérgicos no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ Para avaliar as regiões onde a expressão do VAChT foi alterada nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ foi realizada uma imunofluorescência em fatias de cérebro. Pode-se observar a marcação característica dos neurônios colinérgicos e da extensa rede de terminações nervosas colinérgicas em fatias de estriado dos 92 Tempo despendido pelo camundongo sustentando seu próprio corpo (s) A. B. 70 60 50 40 30 * 20 10 0 WT/WT VAChT Flox/Flox, creVAChT Flox/Flox, cre+ VAChT VAChTWT/WT. VAChTFlox/Flox, cre+ Figura 30: Avaliação da força muscular e coordenação motora nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+. A) Teste de latência de queda (wire hang). Os camundongos foram colocados de cabeça para baixo, suspensos em uma grade e o tempo que estes animais conseguiram sustentar o seu peso no ar foi cronometrado, sendo estipulado um tempo máximo de 60s. Os camundongos VAChTFlox/Flox, Flox/Flox, cre- VAChT e VAChT cre+ apresentam uma latência de queda bastante reduzida em relação ao animas WT/WT . Anova com post hoc Bonferroni mostrou diferença estatisticamente significativa dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ em relação aos VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT. [F(2,5) = 11.10] * p<0,05. B) Perfil de passada (footprint). Figura representativa do caminhar dos camundongos VAChTWTWT e VAChTFlox/Flox, cre+. Os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ e VAChTWT/WT foram submetidos a uma caminhada sobre papel branco com as patas traseiras molhadas em tinta preta. Os animais VAChTFlox/Flox, cre+ não conseguem caminhar em linha reta como os camundongos VAChTWT/WT e apresentam uma redução da largura destas passadas. A seta indica o sentido da caminhada. 93 VAChTWT/WT VAChTFlox/Flox, cre- VAChTFlox/Flox, cre+ A. B. Figura 31: Imunofluorescência na região do estriado dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+. Fatias seriais de cérebro dos animais VAChTFlox/Flox, cre+. VAChTFlox/Flox, cre- e controles VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas da região do estriado. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTFlox/Flox, (VAChTFlox/Flox, cre+). cre- ) e coluna 3 94 camundongos VAChTWT/WT (Coluna 1-Figura 31A). Nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ (Coluna 3-Figura 31A) não foi observada imunorreatividade para o VAChT nos interneurônios estriatais (31A). Surpreendentemente, resultado semelhante foi obtido quando examinamos a imunorreatividade para o VAChT no estriado dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre- (Coluna 2, Figura 31A). A imunorreatividade do CHT1 em fatias adjacentes foi utilizada para avaliar se houve alterações no número de neurônios colinérgicos ou na expressão do transportador de colina. Não observamos alterações aparentes na imunorreatividade para o CHT1 no estriado dos três genótipos analisados (Figura 31B). A região do hipocampo possui terminações nervosas colinérgicas (Coluna 1-Figura 32A). Não observamos imunorreatividade para o VAChT no hipocampo dos camundongos VAChTFlox/Flox, VAChTFlox/Flox, cre- cre+ (Coluna 3-Figura 32A) e (Coluna 2-Figura 32A) e a imunorreatividade para o CHT1 foi similar entre os genótipos (Figura 32B). A região do córtex cerebral também possui uma rede de terminações nervosas colinérgicas. A imunorreatividade para VAChT (Figura 33A) e CHT1 (Figura 33B) para os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ e VAChTFlox/Flox, cre- foi similar à apresentada para a região do hipocampo e estriado. Foi observada uma grande redução da imunorreatividade para o VAChT nos terminais nervosos colinérgicos que inervam os corpos celulares dos motoneurônios do núcleo facial 7N dos camundongos VAChTFlox/Flox, Figura 34A) e VAChTFlox/Flox, cre- cre+ (Coluna 3- (Coluna 2-Figura 34A) quando comparados aos camundongos VAChTWT/WT (Coluna 1-Figura 34A). Fatias adjacentes foram incubadas com o anti-CHT1 e não foram observadas alterações aparentes na expressão do transportador de colina no núcleo facial (34B) entre os três genótipos. 95 VAChTWT/WT VAChTFlox/Flox, cre- VAChTFlox/Flox, cre+ A. B. Figura 32: Imunofluorescência na região do hipocampo dos camundongos VAChTFlox/Flox, animais VAChTFlox/Flox, cre+ . VAChTFlox/Flox, cre- cre+ . Fatias seriais de cérebro dos e controles VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas da região CA1 do hipocampo. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTFlox/Flox, cre-) e coluna 3 (VAChTFlox/Flox, cre+). 96 VAChTWT/WT VAChTFlox/Flox, cre- VAChTFlox/Flox, cre+ A. B. Figura 33: Imunofluorescência na região do córtex dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+. Fatias seriais de cérebro dos animais VAChTFlox/Flox, cre+ . VAChTFlox/Flox, cre- e controles VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas da região M1 do córtex cerebral motor. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTFlox/Flox, cre-) e coluna 3 (VAChTFlox/Flox, cre+). 97 VAChTWT/WT VAChTFlox/Flox, cre- VAChTFlox/Flox, cre+ A. B. Figura 34: Imunofluorescência no tronco encefálico dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+. Fatias seriais de cérebro dos animais VAChTFlox/Flox, cre+ . VAChTFlox/Flox, cre- e controles VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas de motoneurônios do núcleo facial 7N da região do tronco encefálico. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTFlox/Flox, cre-) e coluna 3 (VAChTFlox/Flox, cre+). 98 Observa-se que a expressão da proteína do VAChT foi bastante diminuída no SNC dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre- (Coluna 2-Figuras 31A, 32A, 33A, e34A). Este dado se mostra controverso, pois os animais VAChTFlox/Flox, cre- desenvolvem-se normalmente e não apresentam nenhuma das características fenotípicas observadas para os camundongos VAChTFlox/Flox, VAChTFlox/Flox, cre- cre+ . Além disso, os camundongos não apresentam alterações na liberação da acetilcolina na junção neuromuscular (Figura 26) e mostraram apenas 50% de redução na expressão de mRNA do VAChT. 5) Análise da expressão protéica do VAChT e outros marcadores colinérgicos no sistema periférico dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ Para testar se a expressão do VAChT foi alterada em outras regiões do sistema nervoso, nós analisamos se houve alteração na expressão do VAChT no diafragma dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ . A imunofluorescência foi realizada com hemidiafragmas inteiros incubados com anti-VAChT. A figura 35 mostra a imunorreatividade característica para o VAChT na placa motora dos camundongos VAChTWT/WT (Figura 35-coluna 1, linha A) e a marcação dos receptores nicotínicos pela bungarotoxina acoplada ao fluoróforo AlexaFluor 555 (Molecular Probes) (Figura 35-coluna 1, linha B). O experimento de imunofluorescência não mostrou alterações aparentes na imunorreatividade para o VAChT na junção neuromuscular nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+(Figura 35-coluna 3, linha A) quando comparados aos animais VAChTWT/WT. Não foram detectadas também modificações visíveis na expressão dos receptores nicotínicos (Figura 35-coluna 3, linha B).. 99 VAChTWT/WT VAChTFlox/Flox, cre- VAChTFlox/Flox, cre+ A. B. C. Figura 35: Imunofluorescência para o VAChT em diafragma dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ . Hemidiafragmas foram incubados com anticorpo anti-VAChT e posteriormente com marcador de receptor nicotínico, a toxina α-bungarotoxina. A figura exibe seções ópticas representativas de 2 experimentos distintos. Coluna 1: VAChTWT/WT Cre- , coluna 2: AChTFlox/Flox Cre- e coluna 3 VAChTFlox/Flox Cre+ . Linha A. imunorreatividade para VAChT (verde), linha B: imunorreatividade para a toxina αbungarotoxina (vermelho) e linha C: sobreposição das imagens A e B. O núcleo das células musculares foi marcado com o corante nuclear DAPI. Barra de escala 100 micrômetros. 100 Os camundongos VAChTFlox/Flox, cre- também não apresentaram alterações na expressão do VAChT (Figura 35-coluna 2, linha A) e dos receptores nicotínicos (Figura 35-coluna 2, linha B) em relação aos animais VAChTWT/WT. Os outros hemidiafragmas foram incubados com o anti-CHT1. Este anticorpo também mostrou imunorreatividade típica de placas motoras na junção neuromuscular dos camundongos VAChTWT/WT (Figura 36Coluna 1-linha A). Os diafragma dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ (Figura 36- Coluna 3-linha A) e VAChTFlox/Flox, cre- (Figura 36-Coluna 2-linha A) não apresentaram diferença na imunorreatividade para o CHT1 na junção neuromuscular em relação ao controle VAChTWT/WT. Camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChT WT/Del e VAChT Flox/Del, cre+) Durante os cruzamentos para a geração dos camundongos VAChTFlox/Flox,Cre+ foi observado, inesperadamente, que os camundongos transgênicos Cre-CamKIIα apresentavam expressão ectópica da cre nos testículos, o que acarretava na deleção do gene do VAChT nas células germinativas. Portanto, nos cruzamentos entre machos VAChT WT/Flox, cre+ com fêmeas VAChT WT/Flox, cre- foram gerados camundongos que apresentavam um alelo selvagem (ou um alelo Flox) para o VAChT e um outro alelo deletado (camundongos VAChTWT/Del ou camundongos VAChTFlox/Del) (Figura 37A). O cruzamento entre camundongos VAChTWT/Del, cre- permitiu a geração de animais nocaute tradicionais para o VAChT (VAChT-KO), ou seja, animais nos quais o gene do VAChT apresenta-se ausente em todos os tecidos do animal (trabalho de tese de doutorado de Braulio Marcone de Castro). Nesse trabalho, entretanto será 101 VAChTWT/WT VAChTFlox/Flox, cre- VAChTFlox/Flox, cre+ A. B. C. Figura 36: Imunofluorescência para o CHT1 em diafragma dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ . Hemidiafragmas foram incubados com anticorpo anti-CHT1 e posteriormente com marcador de receptor nicotínico, a toxina α-bungarotoxina. A figura exibe seções ópticas representativas de 2 experimentos distintos. Coluna 1: VAChTWT/WT Cre- , coluna 2: AChTFlox/Flox Cre- e coluna 3 VAChTFlox/Flox Cre+ . Linha A. imunorreatividade para CHT1 (verde), linha B: imunorreatividade para a toxina αbungarotoxina (vermelho) e linha C: sobreposição das imagens A e B. O núcleo das células musculares foi marcado com o corante nuclear DAPI. Barra de escala 100 micrômetros. 102 apresentada a caracterização bioquímica dos camundongos VAChTWT/Del e camundongos VAChTFlox/Del, cre+ . 1) Genotipagem dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+). A genotipagem inicial dos camundongos VAChTWT/Del e dos camundongos VAChTFlox/Del foi feita por Southern blotting. O DNA genômico extraído de um fragmento da cauda dos animais foi digerido com a enzima de restrição NdeI, corrido em gel de agarose 0,7% e transferido para membrana de nylon. Utilizou-se o fragmento NdeI/PmeI marcado com fosfatase alcalina como sonda (Figura 37B). Como pode ser observado na figura 37B o alelo deletado apresentou uma banda de aproximadamente 9,0 Kb enquanto os alelos selvagem (WT) e (Flox) apresentaram bandas de 5,7 Kb e 6,5 Kb respectivamente, confirmando a alteração gênica nessa linhagem de animais. Rotineiramente, os camundongos VAChTWT/Del e camundongos VAChTFlox/Del, cre+ utilizados nos experimentos foram genotipados por PCR. Para a genotipagem eram realizadas duas reações de PCR, uma reação de 3 iniciadores (tabela 2-PCR1) para detectar os alelos WT ou Flox do VAChT (reação idêntica à detecção dos alelos do VAChT nos animais VAChTFlox/Flox) e uma segunda reação de 4 iniciadores (tabela 2-PCR2) para a detecção do gene da Cre e do alelo deletado do VAChT (Figura 37C). Na segunda reação de PCR cre foi detectada com iniciadores específicos (tabela 2) que amplificam um fragmento de aproximadamente 200 pares de bases (pb) e o alelo deletado do VAChT foi detectado com os iniciadores P4F e P3F que amplificam um 103 H H NdeI H Nhe/Spe AscI NotI X H R A. VATDEL loxP P4F P3F 329bp 10.0 Kb B. 6.6 Kb 5.7 Kb C. 500 pb 400 pb 300 pb 200 pb 1 2 3 4 Figura 37: Genotipagem dos camundongos VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del. A. Desenho esquemático do loco colinérgico após perder o gene do VAChT e o cassete (VATDEL). B. Análise de Southern. O alelo que não sofreu recombinação apresenta uma banda de 5722 pb e o alelo Flox do VAChT apresenta uma banda de 6568 pb. O alelo Del apresenta uma banda de 9,0 Kb. Coluna 1 (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTFlox/Flox), coluna 3 (VAChTWT/Del) e coluna 4 (VAChTFlox/Del). C. Através de duas amplificações foi possível distinguir os alelos do VAChT e o gene da Cre. Para a primeira reação de amplificação (PCR1), o alelo selvagem amplifica uma banda de 304 pb e o alelo flanqueado por loxP amplifica um fragmento de 464 pb. Numa segunda amplificação (PCR2) é possível identificar o alelo deletado, que amplifica uma banda de 329 pb e o gene da Cre que amplifica um fragmento de aproximadamente 200 pb. Na figura estão representados 4 animais cujos genótipos são: animal 1 (VAChTWT/Del Cre-), animal 2 (VAChTWT/Del Cre+ ), animal 3 (VAChTFlox/Del Cre- ) e animal 4 (VAChTFlox/Del Cre+ ). 104 fragmento de 329 bp (Figura 37C). 2) Características fenotípicas dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+). Os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ desenvolvem-se normalmente e ao nascer apresentam-se morfologicamente idênticos aos animais VAChT WT/WT, cre- da mesma ninhada. Após o quinto dia de vida, os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ apresentam dificuldade para se alimentar e movimentam-se pouco, indicando dificuldade de coordenação motora e/ou fraqueza muscular generalizada. Esses camundongos chegam a ser três vezes menores que os camundongos selvagens. A média de peso dos camundongos VAChTFlox/Del Cre+ aos 18 dias de vida é de aproximadamente 4 gramas enquanto a média de peso dos camundongos VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- é de 7.5 gramas (Figura 38B). Outra característica marcante destes animais é o desenvolvimento anormal da coluna espinhal, o que leva os camundongos a desenvolverem cifose e se tornarem corcundas (Figura 38A). O tempo médio de vida dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ é de apenas 20 dias, indicando que este genótipo diminuiu consideravelmente o tempo de vida destes animais, comparada à média de 2 anos de vida de camundongos selvagens (WT) e de 8 semanas dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+. Assim como os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ , os camundongos VAChTFlox/Del, cre+passaram a receber suplementação alimentar com Nutela e maçã, além de receberem soro fisiológico diariamente para evitar desidratação. A expectativa de vida extremamente reduzida dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ , além da grande debilidade física apresentada, tornou inviável a realização de testes comportamentais, 105 A. VAChTWT/WT VAChTWT/Del 12 B. VAChTFlox/Del, creVAChTFlox/Del, cre+ Peso (gramas) 10 8 6 *** 4 2 0 Figura 38: Caracterização fenotípica dos camundongos VAChTFlox/Del, A) A seta mostra o animais VAChTFlox/Del mostra o camundongo VAChTFlox/Del Cre+ Cre+ cre+ . com 10 dias de vida. A foto ao lado com 18 dias ao lado de uma animal VAChTWT/WT. A seta mostra a cifose desenvolvida pelos camundongos VAChTFlox/Del Cre+ . B) Gráfico da média de peso dos camundongos em gramas ±erro padrão da média mostrando que os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ (Barra cinza quadriculada) possuem uma grande diferença de peso em relação aos camundongos VAChTWT/WT (Barra branca), VAChTWT/Del (barra negra) e VAChTFlox/Del, cre- (Barra cinza). Anova de uma via com post hoc Bonferroni mostrou diferença estatisticamente significativa entre os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ em relação aos animais dos outros 3 genótipos. [F(3,36) = 17,41] *** p<0,001. 106 complexos, ou mesmo testes de força. Entretanto a coordenação motora dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ foi analisada através do teste de perfil de pegada (footprint pattern). O teste para avaliar a coordenação motora (footprint) mostra que os animais VAChTFlox/Del cre+ foram capazes de andar, mas com dificuldade em percorrer o trajeto em linha reta em relação aos camundongos VAChTWT/WT (Figura 39A). Os camundongos VAChTFlox/Del cre+ apresentaram também uma grande redução no tamanho das passadas. Enquanto a média da largura das passadas nos camundongos VAChTFlox/Del cre+ foi de 2,5 cm, a média exibida pelos animais VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- foi de 5,0 cm (Figura 39B). 3) Análise dos níveis de mRNA do VAChT e de outros marcadores colinérgicos nos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del,cre+). A análise da expressão gênica do VAChT nas regiões da medula espinal e estriado foi realizada através de PCR em tempo real. O gráfico da figura 40 apresenta uma grande redução na expressão de RNA mensageiro para o VAChT nos animais VAChTFlox/Del,cre+ em relação aos camundongos VAChTWT/WT na região da medula espinal. A redução da expressão foi em torno de 83% nos camundongo VAChTFlox/Del cre+, 25% nos animais VAChTWT/Del e 40% nos animais VAChTFlox/Del Cre-, respectivamente (Figura 40A). Foi avaliada também a expressão de RNA mensageiro do VAChT na região do estriado. O resultado da figura 40B mostra que na região do estriado também houve uma redução, em torno de 82%, nos níveis de RNA mensageiro para o VAChT para os camundongos VAChTFlox/Del Cre+ em relação aos animais VAChTWT/WT. 107 A. VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- B. VAChTFlox/Del, cre+ Largura das pegadas (cm) 6 VAChTWT/WT VAChTFlox/Del, cre+ 5 4 3 *** 2 1 0 Figura 39: Teste para avaliar a coordenação motora nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ (footprint): A). Figura representativa do caminhar dos camundongos VAChTWTWT e VAChTFlox/Del, cre+ . Os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/WT foram submetidos a uma caminhada sobre papel branco com as patas traseiras molhadas em tinta preta. Os animais VAChTFlox/Del, cre+ não conseguem caminhar em linha reta como os camundongos VAChTWT/WT. A seta indica o sentido da caminhada. B) Gráfico da largura das passadas. A largura das passadas (em centímetros) foi medida entre dois passos de uma mesma perna. Anova de uma via com post hoc Bonferroni mostrou que a largura das passadas dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ é menor em relação aos animais VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre-. [F(3,33)=21,48]. 108 A. B. Figura 40: Gráfico da quantificação da expressão de mRNA do VAChT nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ por PCR em tempo real. Para a reação de PCR foram utilizados iniciadores específicos para o gene do VAChT que produziu um fragmento esperado de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 4-6 experimentos ±erro padrão da média. A análise ANOVA de uma via com post hoc Bonferroni apontou diferença estatisticamente significativa nos níveis transcricionais do transportador nos animais VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+ [F(3,18) =45,91] na região da medula espinal e [F(3,12)=28,48] na região do estriado ** e * estatisticamente significativo em relação ao WT; # estatisticamente significativo em relação ao animais VAChTWT/Del. 109 Observou-se que a redução da expressão de RNA mensageiro para o VAChT no estriado foi diferente à observada na medula espinal para os animais VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- . Os camundongos VAChTWT/Del apresentam uma redução em torno de 50% da expressão do VAChT no estriado. Já os animais VAChTFlox/Del, cre- apresentaram uma redução ainda maior da expressão do VAChT, aproximadamente 80%, e este nível de redução foi próximo ao obtido pelos camundongos VAChTFlox/Del Cre+. Os níveis de expressão de RNA mensageiro para a enzima ChAT na medula espinal também foram medidos. O gráfico da figura 41 mostra que há uma tendência ao aumento da expressão da ChAT em todos os genótipos. (Figura 41), embora estatisticamente não significativo. 4) Análise da expressão protéica do VAChT e de outros marcadores colinérgicos no cérebro dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+). A análise dos níveis protéicos do VAChT no cérebro dos animais VAChTFlox/Del, cre+ é importante para que possamos identificar as regiões do cérebro onde foi abolida a expressão do VAChT. Nossa primeira avaliação foi por imunofluorescência no cérebro que nos permite uma visualização espacial da presença ou ausência de imunorreatividade para o transportador no sistema nervoso central e periférico destes animais. 110 Figura 41: Gráfico da quantificação da expressão de mRNA da ChAT dos camundongos VAChTFlox/Del Cre+ por PCR em tempo real. Amostras de RNA extraídas da região da medula espinal dos camundongos (VAChTFlox/Del, cre+) e controles VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- foram submetidas a transcrição reversa para a geração de cDNA. Para a reação de PCR foram utilizados iniciadores específicos para o gene da ChAT que produziu um fragmento esperado de aproximadamente 200 pb. O gráfico representa a média de 4 experimentos ±erro padrão da média A análise ANOVA de uma via não apontou diferença estatisticamente significativa nos níveis transcricionais da ChAT entre os genótipos [F(3,12) = 3,163]. 111 Os camundongos VAChTFlox/Del,cre+ não apresentam imunorreatividade para o VAChT em diversas regiões do SNC, além de importantes áreas do prosencéfalo basal como septo medial e extremidades vertical e horizontal da banda de Broca. Não foi observada a marcação das terminações nervosas colinérgicas nas regiões do hipocampo (Figuras 42A-coluna 4), córtex (Figuras 43A-coluna 4) e ausência de imunorreatividade para o VAChT nos interneurônios colinérgicos estriatais (Figuras 44A-coluna 4). No tronco encefálico, a imunorreatividade para o VAChT estava presente, entretanto foi observada uma redução da expressão do VAChT principalmente nas terminações nervosas colinérgicas na região do núcleo facial (7N) nos camundongos VAChTFLox/Del Cre+ (Figura 45, coluna 4). Detectamos também imunorreatividade para o VAChT nos neurônios colinérgicos do núcleo pedunculopontino dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ (Figura 46A, coluna 4), embora com uma redução da imunorreatividade para o transportador. Interessantemente, os animais VAChTFlox/Del, cre- apresentaram imunorreatividade para VAChT muito semelhante aos animais VAChTFlox/Del, cre+. Não foi detectada imunorreatividade para o VAChT nas regiões do hipocampo (Figura 42Acoluna 3) e córtex (Figura 43A-coluna 3). Na região do estriado foi possível observar alguns interneurônios positivos (Figura 44A, coluna 3). A imunorreatividade para o VAChT na região do tronco encefálico dos camundongos VAChTFlox/Del, semelhante à observada para o animal VAChTFlox/Del, cre+ cre+ foi . Este dado de imunofluorescência se mostra intrigante, pois os camundongos VAChTFlox/Del, apresentam o fenótipo típico do animal VAChTFlox/Del, cre- cre- não : não desenvolvem cifose, conseguem sobreviver até a idade adulta e são férteis. 112 VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- VAChTFlox/Del, cre+ A. B. Figura 42: Imunofluorescência na região do hipocampo dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. Fatias seriais de cérebro dos animais VAChTFlox/Del, cre+. VAChTFlox/Del, cre-, VAChTWT/Del e VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas da região CA1 do hipocampo. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTWT/Del-), coluna 3 (VAChTFlox/Del, cre-). e coluna 4 (VAChTFlox/Del, cre+). 113 VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- VAChTFlox/Del, cre+ A. B. Figura 43: Imunofluorescência na região do córtex dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. Fatias seriais de cérebro dos animais VAChTFlox/Del, cre+ . VAChTFlox/Del, cre- , VAChTWT/Del e VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas de terminações nervosas da região M1 do córtex cerebral. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTWT/Del-), coluna 3 (VAChTFlox/Del, cre-). e coluna 4 (VAChTFlox/Del, cre+). 114 VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- VAChTFlox/Del, cre+ A. B. Figura 44: Imunofluorescência na região do estriado dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. Fatias seriais de cérebro dos animais VAChTFlox/Del, cre+. VAChTFlox/Del, cre-, VAChTWT/Del e VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas de interneurônios da região do estriado. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTWT/Del-), coluna 3 (VAChTFlox/Del, cre-). e coluna 4 (VAChTFlox/Del, cre+). 115 VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- VAChTFlox/Del, cre+ A. B. Figura 45: Imunofluorescência no núcleo facial 7N dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. Fatias seriais de cérebro dos animais VAChTFlox/Del, cre+. VAChTFlox/Del, cre-, VAChTWT/Del e VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas de motoneurônios do núcleo facial 7N da região do tronco encefálico. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTWT/Del-), coluna 3 (VAChTFlox/Del, cre-). e coluna 4 (VAChTFlox/Del, cre+). 116 VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- VAChTFlox/Del, cre+ A. B. Figura 46: Imunofluorescência no núcleo pedunculopontino dos camundongos VAChTFlox/Del, cérebro dos animais VAChTFlox/Del, cre+ . VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. Fatias seriais de cre- , VAChTWT/Del e VAChTWT/WT foram imunomarcadas com os anticorpos do VAChT e CHT1. A figura exibe seções ópticas representativas de neurônios do núcleo pedunculopontino da região do tronco encefálico. (A) imunorreatividade para o VAChT (B) imunorreatividade para o CHT1. O núcleo das células foi corado com o marcador nuclear DAPI. Coluna 1: (VAChTWT/WT), coluna 2 (VAChTWT/Del-), coluna 3 (VAChTFlox/Del, cre-). e coluna 4 (VAChTFlox/Del, cre+) 117 Os animais VAChTWT/Del apresentaram imunorreatividade para o VAChT nas diversas regiões do SNC. Entretanto, foi observada uma redução da imunorreatividade do transportador nas terminações colinérgicas das regiões do córtex (Figura 42A-coluna 2) e hipocampo (Figura 43A-coluna 2), além dos neurônios colinérgicos estriatais (Figura 44A-coluna 2) e do tronco encefálico (Figura 45 e 46Acoluna 2). A redução da imunorreatividade para o VAChT apresentada pelos camundongos VAChTWT/Del foi semelhante à observada para os camundongos KDHET. Fatias VAChTFlox/Del, seriais do cérebro dos animais VAChTFlox/Del, cre+ , cre- , VAChTWT/Del e VAChTWT/WT foram também incubadas com anticorpo anti-CHT1. As figuras 42 a 46 (painel B) ilustram a imunorreatividade para o CHT1 nas regiões do estriado, hipocampo, córtex, tronco encefálico e núcleo pedunculopontino onde podemos verificar que não houve alterações aparentes na expressão do transportador de colina de alta afinidade entre os genótipos. A expressão do VAChT foi analisada também por imunoblot. Foram utilizados tecidos de diferentes regiões do SNC dos animais VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+. O resultado da figura 47 mostra que houve uma grande redução na expressão protéica do VAChT nas regiões do tronco encefálico e medula espinal dos animais VAChTFlox/Del Cre+ (Coluna 3). No entanto, nas regiões do córtex cerebral e hipocampo foi verificada total ausência da expressão da proteína do transportador. A expressão protéica da ChAT e CHT1 (Figura 47) dos animais VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del Cre- e VAChTFlox/Del Cre+ foi também analisada por imunoblot. A quantificação da expressão não apontou alterações da expressão destas duas proteínas nos três genótipos analisados. Entretanto, houve grande variação entre as amostras, tornando este dado preliminar pouco conclusivo. 118 E. Figura 47: Imunorreatividade para VAChT, ChAT e CHT1 nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. Análise por imunoblot de VAChT, ChAT, CHT1 e actina nas regiões do tronco encefálico (A), medula espinal (B), córtex cerebral (C) e hipocampo (D) dos animais VAChTWT/Del (coluna 1), VAChTFlox/Del Cre(coluna 2) e VAChTFlox/Del Cre+ (coluna 3). (E) Quantificação da expressão do VAChT, ChAT e CHT1, respectivamente. O gráfico mostra que houve uma grande redução na expressão do VAChT nas regiões do tronco e medula espinal para os camundongs VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+ em relação aos animais VAChTWT/Del, enquanto a expressão do VAChT foi totalmente abolida no córtex e hipocampo. (***). Estatisticamente significativo em relação ao VAChTWT/Del. 119 5) Análise da expressão protéica do VAChT no sistema nervoso periférico dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+). Nós também analisamos se houve alteração na expressão do VAChT no sistema nervoso periférico dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+. Com este objetivo, foi realizada imunofluorescência em diafragmas. Os hemidiafragmas foram incubados com anticorpos anti-VAChT e anti-CHT1. Posteriormente, adicionamos a αbungarotoxina conjugada com Alexa 555 para identificar receptores nicotínicos. Os resultados obtidos (Figura 48) nos mostram uma pequena redução na imunorreatividade para o VAChT nos animais VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del Cre- e VAChTFlox/Del Cre+ em relação ao animal VAChTWT/WT (linha A). Não foi verificada uma redução aparente da marcação dos receptores nicotínicos, pela α-bungarotoxina, nos camundongos VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+ em relação ao animal VAChTWT/WT (linha B). O fragmento contralateral do diafragma foi incubado com anticorpo anti-CHT1 e o resultado da figura 49 (linha A) nos sugere ausência de alterações visíveis na imunorreatividade para o CHT1 para os camundongos VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del Cre- e VAChTFlox/Del Cre+ em relação ao animal VAChTWT/WT. 6) Análise da liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+). . 120 VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- VAChTFlox/Del, cre+ A) B) C) Figura 48: Imunofluorescência para o VAChT em diafragma dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del Hemidiafragmas foram incubados com anticorpos anti-VAChT e posteriormente com marcador de receptor nicotínico, a toxina α-bungarotoxina acoplada ao fluoróforo AlexaFluor 555. A figura exibe seções ópticas representativas de 4 experimentos distintos. Coluna 1: VAChTWT/WT Cre-, coluna 2: VAChTWT/Del, coluna 3: VAChTFlox/Del, cre- e coluna 4: VAChTFlox/Del, cre+. Linha (A): imunorreatividade para VAChT (verde), linha (B): imunorreatividade para a toxina αbungarotoxina (vermelho) e linha (C): (sobreposição das imagens). O núcleo das células musculares foi marcado com o corante nuclear DAPI. 121 VAChTWT/WT VAChTWT/Del VAChTFlox/Del, cre- VAChTFlox/Del, cre+ A) B) C) Figura 49: Imunofluorescência para o CHT1 em diafragma dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del Hemidiafragmas foram incubados com anticorpos anti-CHT1 e posteriormente com marcador de receptor nicotínico, a toxina α-bungarotoxina acoplada ao fluoróforo AlexaFluor 555. A figura exibe seções ópticas representativas de 4 experimentos distintos. Coluna 1: VAChTWT/WT VAChTWT/Del, coluna 3: VAChTFlox/Del, cre- e coluna 4: VAChTFlox/Del, Cre- , coluna 2: cre+ . Linha (A): imunorreatividade para VAChT (verde), linha (B): imunorreatividade para a toxina α-bungarotoxina (vermelho) e linha (C): (sobreposição das imagens). O núcleo das células musculares foi marcado com o corante nuclear DAPI 122 A liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT, na idade de 18 dias, foi analisada pelo registro de MEPPs e cálculos de tamanho e conteúdo do quanta. A análise cumulativa da amplitude dos MEEPs mostrou um aumento no tamanho do quanta dos animais VAChTFlox/Del VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- Cre+ quando comparado aos animais VAChTWT/WT, (Figura 50A). Este dado sugere um aumento na quantidade de neurotransmissor na vesícula dos VAChTFlox/Del Cre+ . Entretanto, não observamos alteração na freqüência destes mEEPs entre os 4 genótipos analisados (Figura 50B), indicando não haver alterações na probabilidade de liberação vesicular ou no pool prontamente liberável (readly releasable pool). 7) Dosagem de acetilcolina no cérebro dos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+) Para avaliar as conseqüências da diminuição da expressão do VAChT, investigamos o conteúdo de acetilcolina cerebral nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+. Os animais VAChTFlox/Del, cre+ apresentaram níveis elevados de Ach tecidual (Figura 51). Nossos resultados indicam que os animais VAChTFlox/Del, cre+ apresentam, aproximadamente, 12 vezes mais acetilcolina tecidual em relação aos animais selvagens VAChTWT/WT (Figura 51). Aumento semelhante na concentração de ACh foi observado nos camundongos VAChTFlox/Del, cre- , enquanto os camundongos VAChTWT/Del exibiram o dobro de acetilcolina observada nos animais selvagens (VAChTWT/WT Cre-). 123 1.0 A. Freq. Cumulativa 0.8 0.6 0.4 WT/WT WT/DEL FLOX/DEL FLOX/DEL CRE+ 0.2 0.0 0 1 2 3 4 5 Amplitude (mV) B. WT/WT WT/DEL FLOX/DEL FLOX/DEL CRE+ 1.0 MEPPs/seg 0.8 0.6 0.4 0.2 0.0 Figura 50: Liberação de acetilcolina na junção neuromuscular (JNM) dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. A) Gráfico da distribuição cumulativa dos MEEPs mostrando um aumento do conteúdo quantal na JNM dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ (linha azul) em relação as animais VAChTWT/WT (linha negra), VAChTWT/Del (linha vermelha) e VAChTFlox/Del, cre- (linha verde). B) Gráfico da freqüência dos MEEPS. A análise estatística não mostrou diferenças significativas entre os genótipos. 124 WT/WT WT/Del Flox/Del Cre- Acetilcolina (pmols/mg de proteina) 2500 Flox/Del Cre+ 2000 # # *** *** 1500 1000 500 * 0 Figura 51: Dosagem de ACh no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ e VAChTWT/Del. Medida do conteúdo tecidual de acetilcolina na região do estriado dos animais VAChTWT/WT (barra branca), VAChTWT/Del (barra preta), VAChTFlox/Del, cre- (barra cinza) e VAChTFlox/Del, cre+ (barra cinza com listras diagonais), respectivamente. O gráfico apresenta a média de 4 a 9 experimentos ± erro padrão da média. A análise estatística utilizando Anova de uma via com post hoc Bonferroni mostrou diferença estatisticamente significativa entre os grupos. [F(2,14)=21,98]; * p<0,05 e *** p<0,0001, estatisticamente significativo em relação aos animais VAChTWT/WT; #estatisticamente significativo em relação aos animais VAChTWT/Del. 125 8) Atividade da colina acetiltransferase (ChAT) nos camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT (VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre+). Como foi observado um aumento muito grande do conteúdo tecidual de acetilcolina nos camundongos VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+, investigamos se a atividade da ChAT estava alterada nesses animais. Nenhuma alteração estatisticamente significativa foi observada na atividade da ChAT quando comparada à atividade enzimática apresentada pelos camundongos VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- (Figura 52), sugerindo que o aumento do conteúdo de acetilcolina no cérebro dos camundongos VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+ não se deve a alterações na atividade da colina acetiltransferase. 126 Atividade da ChAT (nmols/mg proteina/hora) WT/WT WT/Del 80 Flox/Del CreFlox/Del Cre+ 60 40 20 0 Figura 52: Atividade da enzima colina acetiltransferase (ChAT) nos camundongos VAChTFlox/Del, VAChTFlox/Del, cre- cre+ . Extratos de hipocampo dos animaisVAChTWT/WT, e VAChTFlox/Del, cre+ foram incubados com 14C acetil-CoA e colina, a acetilcolina formada recuperada e a radioatividade contada em cintilador líquido. Os dados expressam a média de 3 experimentos ± erro padrão da média. A análise estatística foi realizada utilizando análise de variância Anova de uma via não mostrou diferença estatisticamente significativa entre os grupos. [F(3,16)=0,5427]. VAChTWT/WT Cre- (barra branca), VAChTWT/Del Cre- (barra preta), VAChTFlox/Del Cre- (barra cinza) e VAChTFlox/Del Cre+ (barra cinza com listras diagonais), respectivamente. 127 DISCUSSÃO A estratégia de manipulação molecular de genes de mamíferos vem trazendo importantes avanços nos estudos da função de proteínas específicas in vivo. Ao abolir ou reduzir a expressão de uma proteína de interesse, é possível avaliar o papel fisiológico desta proteína, bem como os fatores adaptativos decorrentes. Esta metodologia vem trazendo também novas e importantes informações a respeito das proteínas responsáveis pela manutenção da neurotransmissão colinérgica. Os diversos estudos anteriores com o uso de drogas, toxinas ou lesões mecânicas no cérebro de roedores mostraram a relevância do sistema colinérgico em funções cognitivas complexas como memória espacial e aprendizado (Chambon e cols., 2007; Kim e cols., 2004; Berger-Sweeney e cols., 1994). Entretanto, estas ferramentas, embora seletivas, não afetam exclusivamente o sistema colinérgico e podem afetar outros grupos de neurônios. A homeostase colinérgica foi profundamente afetada quando a expressão de dois genes essenciais foi abolida: a enzima colina acetiltransferase (ChAT) e o transportador de colina de alta afinidade (CHT1). Os camundongos nocaute para a ChAT morrem logo após o nascimento devido à ausência de transmissão nervosa na junção neuromuscular (Misgeld e cols., 2002; Brandon e cols., 2003). A ChAT é a enzima responsável pela síntese de ACh. Nos camundongos nocaute para a ChAT foi observado que a ausência da acetilcolina leva a um desenvolvimento aberrante das junções neuromusculares, prejudicando a sinaptogênese e a centralização das junções (Misgeld e cols., 2002). Entretanto, os animais que expressam apenas 50% da ChAT (heterozigotos) não apresentam alterações musculares e cognitivas aparentes (Brandon e cols., 2004). Apesar da atividade enzimática muito reduzida, a análise neuroquímica mostrou que estes camundongos sintetizam acetilcolina normalmente. Além disso, foi observado um aumento significativo na expressão do CHT1. Esta adaptação favorece a 129 captação de uma quantidade maior de colina disponível para a ChAT remanescente, já que esta enzima trabalha em excesso cinético (Brandon e cols., 2004). Os animais nocaute para o CHT1 também morrem logo após o nascimento e apresentam as mesmas anomalias no desenvolvimento da junção neuromuscular (Fergunson e cols., 2003). Já os animais heterozigotos apresentam um desenvolvimento normal mantendo uma taxa de transporte de colina similar à observada nos controles. Acredita-se que os neurônios colinérgicos monitorem a disponibilidade do CHT1 na membrana pré-sináptica e mobilizem seu pool intracelular de reserva. Esta adaptação poderia manter a captação do precursor da acetilcolina apesar da expressão reduzida do CHT1 (Fergunson e cols., 2003). A ChAT e o CHT1 têm papel importante na síntese de acetilcolina, no entanto a armazenagem do neurotransmissor em vesículas sinápticas parece depender especificamente da atividade do VAChT. O papel desse transportador “in vivo” para manter a liberação de ACh e sua influência no tônus colinérgico são ainda pouco compreendidos. Com o objetivo de estudar o papel do VAChT na manutenção do tônus colinérgico, geramos diferentes linhagens de animais em que o gene do VAChT foi alterado, utilizando a tecnologia da recombinação homóloga. Camundongos VAChT “Knockdown” Animais que não expressam o VAChT (nocautes-KO) morrem 5 minutos após o nascimento (Castro e colaboradores, comunicação pessoal). A inviabilidade dos camundongos nocaute para o VAChT dificulta a realização de estudos mais complexos. Nosso foco principal foi desenvolver animais com alteração na expressão do VAChT. Porém, o ideal é que estes camundongos sobrevivam para que as 130 conseqüências da alteração do VAChT para o tônus colinérgico fosse estudados em animais adultos. Nossa estratégia inicial, foi inserir um cassete contendo o gene de resistência da neomicina na região 5’ não traduzida do gene do VAChT. A organização gênica do VAChT é bem peculiar em metazoários: o seu gene está dentro do primeiro intron do gene da ChAT (Bejanin e cols., 1994; Cervini e cols., 1995 ). Já foi demonstrada a existência de diversas espécies de RNA mensageiro para o VAChT sob controle de promotores distintos ou compartilhados com a ChAT (Oda., 1999). Para murinos são conhecidas 5 espécies de RNA mensageiro. Experimentos de RT-PCR conseguiram identificar 3 destes RNAs, chamados V1, V2 e V3 (Benjanim e cols., 1994 ). Nós conseguimos identificar duas espécies de RNA mensageiro para o VAChT por Northern blot: V1 e V2. A inserção do cassete de neomicina na região 5’ do gene do VAChT levou a uma grande redução na expressão da espécie de RNA mensageiro mais abundante V1. Os animais heterozigotos apresentaram uma redução de 40% na expressão do RNA mensageiro do VAChT, enquanto os camundongos homozigotos mostraram uma redução ainda mais acentuada, em torno de 70%. Este perfil de redução foi observado em todas as regiões analisadas do SNC destes animais mutantes. Interessantemente, foi observado um aumento da expressão do RNA mensageiro V2 nos camundongos mutantes. É provável que mecanismos transcricionais compensatórios estejam atuando para minimizar os efeitos da redução de V1 (Prado e cols., 2006). Entretanto, os mecanismos responsáveis pelo controle da expressão gênica do VAChT são ainda pouco esclarecidos. Existem evidências que indicam que a expressão do VAChT e da ChAT pode ser regulada tanto de maneira coordenada quanto de maneira independente (Loreiro dos Santos et al., 2002; revisto por Eiden; 1998). Ao interferirmos na 131 expressão gênica do transportador poderíamos afetar a expressão da colina acetiltransferase, entretanto, a análise por Northern-blot não mostrou diferenças na expressão da ChAT nos animais mutantes em nenhuma das regiões analisadas. O CHT1 é um outro membro importante na manutenção da homeostase colinérgica e sua expressão poderia ter sido alterada com a diminuição da expressão do VAChT. Porém, nossos resultados mostraram que os níveis de RNA mensageiro para o CHT1 estão normais nos mutantes. Esses dados indicam que a inserção do cassete de neomicina na região 5’ não traduzida do gene do VAChT diminuiu a expressão do VAChT e que outros marcadores colinérgicos (ChAT e CHT1) não foram alterados. Para o ensaio de Northern blotting foi necessário utilizar uma grande quantidade de RNA mensageiro purificado, em torno de 10μg, para que pudéssemos detectar os RNAs mensageiros do VAChT, uma vez que eles são pouco expressos. Para obtermos essa grande quantidade de mRNA foi necessário extrair RNA total a partir de um “pool” de tecido de aproximadamente 15 animais de cada genótipo. A baixa expressão do mRNA para o VAChT pode ser observada também nos experimentos de hibridização in situ do “Allen Brain Atlas” que mostram a expressão reduzida do VAChT em comparação à expressão de RNA mensageiro da ChAT e CHT1 (Figura 53). Era possível que não detectássemos alterações mais sutis na expressão do VAChT no momento em que reunimos o RNA de um grande número de animais de mesmo genótipo. Assim, analisamos a expressão gênica do VAChT, ChAT e CHT1 através da PCR em tempo real. Como esta técnica é bem sensível (Bustin., 2002) e utiliza quantidades pequenas de amostra, foi possível analisar a expressão gênica de cada animal individualmente, e assim, avaliar melhor as alterações na expressão de cada gene. 132 Figura 53: Expressão de RNA do VAChT, ChAT e CHT1 no cérebro de camundongos por hibridização in situ. A figura representa fatias sagitais de cérebro de camundongos incubadas com seqüências “antisense” para os genes do VAChT, ChAT e CHT1, respectivamente. É possível observar que a expressão do VAChT é bem menor em relação à ChAT e CHT1. Modificado de Allen Brain Atlas (http://www.brainmap.org). 133 A utilização de iniciadores específicos para a região interna do gene do VAChT, que amplifica todas as espécies de RNA do transportador, mostrou que houve uma redução geral nos níveis de expressão do RNA mensageiro do VAChT nos camundongos mutantes. A redução da expressão do VAChT foi em torno de 40% nos animais heterozigotos e de aproximadamente 70% nos camundongos homozigotos. Portanto, os resultados do PCR quantitativo confirmaram a redução da expressão do VAChT nestes animais e nos indicaram que conseguimos gerar uma linhagem de camundongos em que a expressão gênica do VAChT foi reduzida, mas que no entanto essa redução permitiu a sobrevivência desses animais. Nós utilizamos a metodologia de PCR em tempo real para avaliar também a expressão da ChAT e do CHT1. Confirmando os resultados obtidos por Northern, não foram observadas alterações na expressão da ChAT nas regiões da medula espinal, tronco encefálico e estriado. A análise do CHT1 também não apontou modificações na expressão do transportador no tronco encefálico. Assim, passamos a fazer todas as análises de expressão gênica utilizando a técnica de PCR quantitativo. A expressão reduzida do RNA do VAChT nos camundongos mutantes levou a uma redução da expressão da proteína do VAChT. Os animais heterozigotos apresentaram uma redução de aproximadamente 40% na expressão do VAChT enquanto esta redução foi mais pronunciada nos camundongos homozigotos, em torno de 65%. Esta redução da expressão do VAChT foi observada em diferentes regiões do sistema nervoso central nos camundongos mutantes. Dessa forma, foram gerados camundongos que apresentam redução geral da expressão do VAChT (VAChT Knockdown). A alteração genética para o gene do VAChT não afetou o desenvolvimento dos animais. Os camundongos VAChT KD nascem na proporção 134 Mendeliana e não são observadas alterações morfológicas grosseiras. São utilizados rotineiramente para cruzamentos e atingem a expectativa de vida esperada para roedores. Uma vez identificado que a introdução do cassete de neomicina na região 5’ não traduzida do VAChT gerou animais com expressão diminuída do VAChT, nós passamos a investigar se a expressão reduzida do VAChT afeta a liberação de acetilcolina. Os estudos eletrofisiológicos obtidos na junção neuromuscular do diafragma dos camundongos indicaram que os animais KDHET apresentaram uma alteração moderada no tamanho do quantum sem alterações significativas na freqüência de potenciais de placa motora em miniatura (MEPPs). Entretanto, os camundongos KDHOM demonstraram uma redução marcante na freqüência e amplitude do quantum em relação aos animais controle (WT) (Prado e cols., 2006). Outros experimentos, utilizando o corante FM1-53, excluíram prováveis falhas na exocitose e endocitose nos animais mutantes e indicaram não haver diferença no número de vesículas presentes nas terminações nervosas dos animais nos diferentes genótipos. Embora os mecanismos não estejam completamente elucidados, é sabido que o VAChT possui papel importante na regulação do tamanho quântico (Parsons, 1993; Naves e Van Der Kloot., 2001; e revisto por Van Der Kloot., 2003). Nossa hipótese é que os camundongos VAChT KDHOM apresentam um preenchimento vesicular ineficiente gerado pela grande redução da expressão do transportador (Prado e cols., 2006). Nesse caso, a freqüência reduzida dos MEPPs nestes animais pode ser explicada pela existência de vesículas sem neurotransmissor ou existência de vesículas com pequenas quantidades de acetilcolina que estejam abaixo do nível de detecção da técnica (revisto por Van Der Kloot., 1991; Prado e cols., 2006). Nossa próxima pergunta foi: As alterações eletrofisiológicas observadas nos camundongos KD alteram a função motora? Foram realizados vários 135 testes para avaliar a função motora dos camundongos (força de agarre, wire hang, rotarod e esteira), e em todos eles os camundongos KDHET obtiveram desempenho semelhante ao dos animais selvagens (Prado e cols., 2006). Estes dados indicam que uma redução em 40% na expressão do VAChT não é suficiente para superar a margem de segurança da junção neuromuscular. Diferentemente, os camundongos KDHOM apresentaram redução pronunciada da força muscular além de apresentarem fadiga nos testes utilizados. Este resultado nos indica que a redução do VAChT em torno de 70% é suficiente para ultrapassar a margem de segurança da junção e gerar déficits motores (Prado e cols., 2006). Avaliamos também os efeitos da redução da expressão do VAChT na liberação de ACh no cérebro dos camundongos. Para isso utilizamos a técnica de microdiálise em camundongos vivos. Esses experimentos foram feitos em colaboração com Raul Gainetdinov e Marc Caron da Universidade Duke, EUA. A técnica de microdiálise in vivo é extremamente sensível e muito utilizada nos estudos de liberação de neurotransmissores em modelos animais geneticamente modificados, a exemplo do VMAT2 (Wang e cols., 1997), NET (Xu e cols., 2000) e DAT (Gainetdinov e cols., 1997). Para os camundongos KDHET foi observada uma redução significativa da liberação de acetilcolina no estriado e córtex pré-frontal. A redução da liberação da acetilcolina no cérebro dos camundongos KDHET foi suficiente para gerar déficits cognitivos. Foi observado prejuízo na memória de reconhecimento social e de objetos nesses animais (Prado e cols., 2006). O VAChT é responsável por estocar acetilcolina citoplasmática trocando dois prótons vesiculares para cada molécula de neurotransmissor (revisto por Nguyen e cols., 1998). Como menos ACh está sendo estocada nas vesículas, e consequentemente, menos ACh está sendo liberada na fenda sináptica, uma pergunta 136 importante a se responder é: Como estão os níveis deste neurotransmissor no cérebro destes mutantes? Utilizando um ensaio de quimioluminescência, observamos um aumento significativo da ACh no tecido dos animais KD. Os animais KDHET possuem duas vezes mais acetilcolina tecidual enquanto o KDHOM possui quase três vezes mais, sugerindo que o aumento da concentração de ACh tecidual é proporcional à diminuição da expressão do VAChT. Nos experimentos de PCR em tempo real e Northern, não observamos alterações aparentes na expressão de RNA mensageiro para ChAT. Mecanismos compensatórios poderiam alterar a atividade da enzima e assim justificar o aumento de ACh observado. Todavia, o ensaio enzimático não mostrou alterações na capacidade da ChAT em sintetizar acetilcolina, sugerindo dessa forma, que a enzima parece não ser a responsável pelo acúmulo tecidual de neurotransmissor nos camundongos com expressão reduzida do VAChT (Prado e cols., 2006). Outra possibilidade a ser levantada seria uma alteração na capacidade do CHT1 em captar colina para o terminal nervoso para explicar esse excesso de acetilcolina tecidual. A captação de colina é considerada o passo limitante para a síntese de ACh, portanto foi avaliada se a captação de colina estaria afetada nestes animais. O resultado dos experimentos indicam que não há diferença estatisticamente significativa entre a captação de colina dos animais VAChT-KDHET e VAChT-KDHOM em relação aos animais selvagens. É interessante notar que os camundongos nocaute heterozigotos tanto para a ChAT quanto para CHT1 apresentam mecanismos compensatórios présinápticos. Estes animais conseguem manter níveis normais de liberação de acetilcolina aumentando a expressão do CHT1 ou mobilizando o transportador dos pools intracelulares para a membrana pré-sináptica, respectivamente (Brandon e cols., 2004; Ferguson e cols., 2003). Entretanto, no caso dos camundongos VAChT KD, a liberação reduzida de acetilcolina não foi compensada por um aumento em nenhum dos outros 137 dois componentes colinérgicos. Porém, houve um acúmulo do neurotransmissor nas células. Este dado se mostra intrigante, pois apesar de não serem conhecidos com detalhes os fatores que regulam a síntese de ACh, alguns dados na literatura sugerem que a síntese está acoplada à liberação (Tucek, 1984; 1985). Nossos dados, ao contrário, indicam que o neurotransmissor que não está sendo liberado, acumula-se no citosol, sugerindo que a ChAT não sofre regulação retro-inibitória pelo excesso de neurotransmissor e que as enzimas responsáveis pela degradação do neurotransmissor (acetil-colinesterase e butiril-colinesterase) parecem estar pouco ativas/presentes no citosol. De fato, resultados semelhantes foram observados em estudos in situ utilizando gânglios cervicais simpáticos de gato. Na presença de vesamicol, um inibidor do VAChT, a liberação de acetilcolina nos gânglios sob estímulo despolarizante foi diminuída e a acetilcolina não liberada ficou acumulada no tecido, entretanto a síntese de ACh manteve-se normal (Collier e cols., 1986). Seria importante em experimentos futuros avaliar a expressão e atividade de diferentes esterases intracelulares que poderiam ter sua atividade alterada nos animais mutantes para o VAChT. Camundongos nocaute condicionais para o VAChT O papel da acetilcolina na contração da musculatura esquelética é bem estudado e conhecido já que este neurotransmissor é predominante na junção neuromuscular. No entanto, o papel exato da ACh no cérebro ainda é pouco conhecido. Sabe-se que este neurotransmissor contribui para diferentes funções cognitivas como memória, aprendizado e regulação do sono (Pepeu e Giovaninni, 2004). Além disso, são conhecidas diversas doenças neurodegenerativas associadas a déficits colinérgicos como esclerose lateral amiotrófica, doença de Huntington e doença de Alzheimer (Oda., 1999; 138 Amenta e Tayebati, 2008). Porém, de que forma o tônus colinérgico regula circuitos neuronais, plasticidade sináptica e contribui para diferentes formas de alterações comportamentais ainda é pouco entendido. Dado o papel fundamental da ACh no sistema nervoso periférico, seria importante podermos interferir com a expressão do VAChT apenas em regiões definidas do cérebro Portanto, com o objetivo de desenvolver camundongos geneticamente modificados com ausência de expressão do VAChT restrita ao sistema nervoso central (camundongos VAChT nocaute condicionais), nós utilizamos o sistema Cre/LoxP. O VAChT é um bom candidato para gerar esses modelos, já que ele participa do último passo colinérgico específico na liberação de ACh. Inicialmente foram gerados camundongos contendo o gene do VAChT flanqueado por sequências loxP (camundongos VAChTFlox/Flox - Figura 7). Escolheu-se não tratar as células tronco embrionárias com a enzima Cre para a remoção do cassete de neomicina uma vez que esse procedimento aumenta a probabilidade de introdução de alterações genéticas. Portanto os camundongos VAChTFlox/Flox apresentam também o cassete de neomicina que foi inserido a 3’ do gene do VAChT (Figura 7). Essa posição foi escolhida na expectativa de que o cassete não interferisse com a expressão do VAChT e nem da ChAT. É importante ressaltar que vários modelos de animais Flox já foram produzidos sem a remoção do cassete de neomicina (Bohn e cols., 1999; Gainetdinov e cols., 1999) e que os camundongos gerados mostraram-se fenotipicamente idênticos aos filhotes selvagens da mesma linhagem. Além disso, caso o cassete de neomicina interfira com a expressão de genes nos camundongos Flox ele pode ser removido através do cruzamento com camundongos transgênicos que expressam cre nas células germinativas, por exemplo, camundongos CMV-Cre (Moeller e cols., 2005). 139 Camundongos VAChTFlox/Flox O nosso objetivo inicial foi caracterizar os animais VAChTFlox/Flox. A análise da expressão de RNA mensageiro do VAChT por PCR em tempo real mostrou que os animais VAChTFlox/Flox apresentaram uma redução, em torno de 50%, na expressão de RNA do VAChT na medula espinal em relação aos animais VAChTWT/WT. Observou-se também que a expressão da ChAT foi aumentada em 100%, sem alterações aparentes na expressão do CHT1. O cassete contendo os genes da neomicina e timidina cinase foi inserido na região 3’ do gene do VAChT, entretanto ele está na região 5’ não traduzida do gene da ChAT. O cassete, que é controlado por promotores fortes, está próximo a promotores para a ChAT, portanto é possível que o promotor do cassete esteja alterando o controle da expressão da ChAT e favorecendo o aumento da transcrição da enzima. Além disso, a queda da expressão do VAChT sugere que o cassete possa também interferir com a transcrição do transportador. Procuramos avaliar a conseqüência da alteração genética do VAChT na expressão do transportador no sistema nervoso central dos camundongos VAChTFlox/Flox. Inusitadamente, observamos pouca imunorreatividade para o VAChT em diversas regiões do cérebro, além de uma expressão reduzida do transportador no tronco encefálico e medula espinal. Este dado é intrigante, pois sugere que há pouca expressão da proteína do VAChT no prosencéfalo dos camundongos VAChTFlox/Flox. Fatias seriais de cérebro foram também imunomarcadas com o anti-CHT1 que é um outro marcador de neurônios colinérgicos. A imunorreatividade do transportador de colina foi semelhante entre os camundongos VAChTWT/WT e VAChTFlox/Flox, sugerindo não haver modificações na morfologia e/ou desenvolvimento dos neurônios colinérgicos. 140 Analisamos também se houve alguma alteração para o VAChT no sistema nervoso periférico dos camundongos VAChTFlox/Flox. A imunofluorescência em diafragma não apontou alterações aparentes na expressão do VAChT nas placas motoras dos camundongos VAChTFlox/Flox em relação aos animais controles VAChTWT/WT. Esses resultados corroboram os nossos resultados de imunofluorescência da região do tronco e medula espinal onde nós observamos pequena ou nenhuma diminuição do VAChT nos corpos celulares dos neurônios motores. O desenvolvimento da placa motora na junção neuromuscular depende de um desenvolvimento sinérgico entre a terminação nervosa pré-sináptica e pós-sinápticas (revisto por Witzemann., 2006). Para avaliar se a modificação do VAChT, que reside no terminal pré-sináptico, afetou a expressão dos receptores póssinápticos, realizamos a marcação dos receptores nicotínicos com a bungarotoxina. O resultado não sugere alterações na expressão dos receptores nicotínicos nos camundongos VAChTFlox/Flox. Adicionalmente, os hemidiafragmas contralaterais foram imunomarcados com o anti-CHT1. A imunomarcação foi semelhante entre os genótipos, demonstrando que a expressão do CHT1 também não foi afetada no sistema nervoso periférico. Os níveis de acetilcolina tecidual no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox também foram medidos. Os resultados mostraram que a concentração de acetilcolina no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox foi seis vezes superior ao que foi observado nos animais controle VAChTWT/WT. Este acúmulo de acetilcolina no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox foi muito superior aos níveis de ACh tecidual apresentados pelos animais VAChT KD. Os animais KDHET apresentaram quase duas vezes mais ACh enquanto os camundongos KDHOM apresentaram três vezes mais acetilcolina tecidual em relação aos camundongos selvagens (WT). Entretanto, nós 141 observamos um aumento de 100% na expressão da ChAT nos camundongos VAChTFlox/Flox o que não havia sido observado para os VAChT KD. Provavelmente, o acúmulo exacerbado de ACh nos camundongos VAChTFlox/Flox possa ser decorrente de uma síntese aumentada do neurotransmissor pela ChAT. A liberação de acetilcolina na junção neuromuscular também foi avaliada nos camundongos VAChTFlox/Flox. Foi observado um aumento significativo no tamanho do quanta em relação aos camundongos VAChTWT/WT. Este aumento de amplitude observado pode refletir uma quantidade maior de neurotransmissor na vesícula, ou uma maior sensibilidade dos receptores nicotínicos. Experimentos de iontoforese, com aplicação de acetilcolina sobre a placa motora, serão importantes para verificar se existe uma maior sensibilidade dos receptores nicotínicos (Reid e cols., 1999). É importante ressaltar que foi observada uma maior expressão da ChAT nos camundongos VAChTFlox/Flox o que aumentou significativamente o conteúdo de acetilcolina na célula. Alterações na atividade e expressão de transportadores vesiculares podem representar uma fonte de variação no conteúdo quantal, e consequentemente na transmissão sináptica (Reimer e cols., 1998). É possível que o aumento do quanta observado para os camundongos VAChTFlox/Flox seja decorrente da maior disponibilidade de acetilcolina no citosol para ser captada pelo VAChT. Não foi verificada alteração na freqüência dos MEEPs dos camundongos VAChTFlox/Flox em relação aos animais controles VAChTWT/WT. Este mesmo resultado foi demonstrado para os camundongos KDHET. Tanto os camundongos VAChTFlox/Flox quanto os camundongos KDHET apresentaram uma redução da expressão de RNA do VAChT próxima a 50%. No entanto, uma redução na expressão do VAChT em torno de 50% não é suficiente para provocar alterações na probabilidade de 142 liberação ou no número de vesiculas prontas para liberar o neurotransmissor (Prado e cols., 2006). Os camundongos VAChTFlox/Flox não apresentam alterações morfológicas aparentes e não é possível distingui-los dos camundongos VAChTWT/WT em relação ao tamanho e ao peso. A atividade muscular e a coordenação motora dos camundongos VAChTFlox/Flox foi avaliada nos testes de wire hang e footprint, respectivamente. Estes camundongos não apresentaram modificações motoras em relação aos camundongos VAChTWT/WT nos testes executados. Embora os dados eletrofisiólogicos apontem um aumento da quantidade de acetilcolina nas vesículas, o desempenho motor dos camundongos VAChTFlox/Flox não foi alterado. O dado mais intrigante apresentado pelos camundongos VAChTFlox/Flox foi a diminuição da expressão do VAChT no prosencéfalo e o excessivo aumento da acetilcolina no cérebro. A análise de PCR em tempo real mostrou que houve diminuição da expressão do gene do VAChT entretanto, cerca de 50% dos mRNA para o VAChT ainda estavam sendo expressos, portanto, a grande diminuição na expressão da proteína observada nos experimentos de imunofluorescência foi surpreendente. É possível que o excesso de ACh no citosol com aumento do transmissor nas vesículas possa levar a regulações pós-traducionais do VAChT. Experimentos futuros serão necessários para elucidar essa possibilidade. Camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ Realizamos o acasalamento dos camundongos VAChTFlox/Flox (ou camundongos VAChTFlox/WT) com camundongos que expressam a Cre sob o controle do promotor CAMKIIα para determinar as consequências da remoção do gene do VAChT no cérebro desses camundongos. Os dados da literatura mostram que a expressão da Cre 143 sob o controle desse promotor inicia-se após o quinto dia de nascimento na região do presencéfalo basal. Dessa forma, a expressão do gene alvo, flanqueado por seqüências LoxP, é abolida nesta região do cérebro e preservada na periferia (Dragatsis e Zeitlin., 2000). Os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ nascem normais e não apresentam alterações morfológicas aparentes em relação aos animais controle VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT . Cerca de cinco dias após o nascimento, os animais VAChTFlox/Flox, cre+ começam a se diferenciar dos camundongos controle VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT, pois são menos ativos e exibem um menor crescimento. Após oito semanas, os animais VAChTFlox/Flox, cre+ pesam, na média, cerca de 13 gramas. Este peso é aproximadamente metade do peso médio dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT. Foi introduzida uma suplementação alimentar para evitar desnutrição e desidratação e assim aumentar o tempo de vida dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+. Entretanto, esses cuidados diários não foram suficientes para prolongar o tempo de vida dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ que sobrevivem apenas 8 semanas. Utilizamos o teste do wire hang para realizar uma avaliação inicial da força muscular dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ . Foi observado que os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ não conseguem se manter dependurados na grade por mais de 15 segundos, enquanto os camundongos VAChTWT/WT e VAChTFlox/Flox, cre- conseguem suportar o seu peso na grade por 60 segundos ou mais. A característica fenotípica mais marcante nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ é o desenvolvimento anormal da coluna espinhal acarretando uma cifose. Os estudos sobre cifose em humanos mostram que o aumento da curvatura anterior da coluna vertebral gera alterações anatômicas que levam a um encurtamento destas vértebras. Esta deformidade pode reduzir a capacidade de sustentação da coluna vertebral e alterar a locomoção. 144 Além disso, observa-se uma restrição da expansão da caixa torácica o que gera déficits respiratórios (Macagno e O’Brien., 2006; Briggs e cols., 2007). Nós também analisamos os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ no teste do perfil de pegada (footprint) (Crawley e Paylor., 1997). O perfil de caminhada dos animais VAChTFlox/Flox, cre+ está bastante alterado. Além de exibirem dificuldade em caminhar em linha reta, as passadas foram mais curtas, irregularmente espaçadas e pouco uniformes em relação ao observado para os camundongos VAChTWT/WT sugerindo que os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ apresentam alterações na coordenação motora. Em função das alterações fenotípicas observada nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ nós resolvemos avaliar a expressão do VAChT nesses animais. A imunofluorescência em fatias de cérebro dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ foi importante para sabermos as regiões onde a Cre aboliu a expressão do VAChT. O promotor CAMKIIα é ativo na região do prosencéfalo, ou seja, a expressão da Cre é abundante nas regiões do neocórtex, hipocampo, amídala, núcleos talâmicos e complexo caudado-putâmen (Dragatsis e Zeitlin, 2000). Os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ não apresentaram imunorreatividade para o VAChT nas regiões que possuem corpos celulares colinérgicos (prosencéfalo basal e estriado) e terminações nervosas colinérgicas (córtex, hipocampo e região talâmica). Nós observamos uma redução da marcação para o VAChT nas terminações colinérgicas que se conectam com os corpos celulares colinérgicos nas regiões do núcleo pedunculopontino e motoneurônios, na região do tronco encefálico e medula espinal. É importante observar que a marcação para o VAChT nos corpos celulares colinérgicos nessas regiões mostrou-se bastante semelhante nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ e VAChT WT/WT. Interessantemente, os dados de immunoblot das regiões do tronco e da medula espinal mostraram uma grande diminuição da expressão do VAChT. Essa diminuição provavelmente reflete a 145 diminuição da expressão do VAChT nas terminações nervosas observada na imunofluorescência, uma vez que a concentração do VAChT é muito menor no corpo celular que nas terminações nervosas. Para excluir a possibilidade de a modificação genética para o VAChT afetasse a formação e/ou desenvolvimento dos neurônios colinérgicos, fatias adjacentes de cérebro e medula espinal foram incubadas com o antiCHT1. O resultado demonstrou que a imunorrreatividade para o transportador de colina, que também é um marcador de neurônios colinérgicos, foi observada em todas as regiões que contêm neurônios e terminações colinérgicas e esta marcação foi semelhante entre os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ , VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT. Os neurônios motores cujos corpos celulares residem no tronco encefálico e medula espinal fazem projeções para os músculos esqueléticos (Schaffer e cols., 1998). Portanto, analisamos se a expressão do VAChT está alterada na junção neuromuscular. A imunofluorescência em diafragma não apontou alterações aparentes na expressão do VAChT nas placas motoras dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ em relação aos animais controles VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTWT/WT. A expressão dos receptores nicotínicos também foi avaliada nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ pela marcação destes receptores pela bungarotoxina acoplada ao fluoróforo Alexa 555. O resultado não demonstrou alterações aparentes na expressão dos receptores nicotínicos nos camundongos. Além disso, a imunomarcação dos hemidiafragmas controlaterais pelo CHT1 não apontou modificações no desenvolvimento das placas motoras, ou mesmo alteração da expressão do transportador de colina. Devido a dificuldades técnicas, dentre elas falta de espaço e biotério moderno, além das dificuldades inerentes da utilização de animais gerados pelo sistema Cre/LoxP, poucos animais VAChTFlox/Flox, cre+ foram estudados. Futuramente, a possibilidade de gerar uma quantidade maior 146 desses animais, bem como de acasalar camundongos VAChTFlox/Flox com diferentes trangênicos Cre, serão importantes para a compreensão do fenótipo observado nos animais VAChTFlox/Flox, cre+. Camundongos com deleção de um dos alelos do VAChT Inicialmente, os cruzamentos para a geração dos camundongos nocaute condicionais foram realizados entre camundongos VAChTFlox/WT, cre+ machos e camundongos VAChTFlox/WT, cre- fêmeas. Na genotipagem dos descendentes, foi observado que não havia uma proporcionalidade mendeliana. Esperava-se que a proporção de camundongos VAChTFlox/WT tanto cre+ quanto cre- fosse 50%, enquanto a proporção de camundongos VAChTWT/WT e VAChTFlox/Flox ficasse em torno de 25%. Entretanto, o número de animais selvagens era superior ao esperado para cada ninhada, enquanto o número de animais heterozigotos estava bem abaixo. A regenotipagem destes camundongos, utilizando um novo conjunto de iniciadores, mostrou que houve deleção de um dos alelos do VAChT. Esse fenômeno ocorreu devido à expressão ectópica da Cre nos testículos, o que levou a remoção do gene do VAChT nas céulas germinativas (Rempe e cols., 2006). De fato, análises de PCR em tempo real feitas feitas pela aluna Diane Ramires Fernandes demonstraram que os animais Cre-CamKII expressam a Cre nos testículos. Já foi relatada a expressão da Cre nos testículos de camundongos Cre sob o controle do promotor da Sinapsina I em que foi observado que 73% dos descendentes destes camundongos machos carregava apenas um alelo do gene flanqueado por sítios de LoxP (Rempe e cols., 2006). De forma similar, ocorreu a recombinação do gene do VAChT, flanqueado por LoxP, dentro dos gametas nos camundongos VAChTFlox/WT, cre+ machos pela enzima Cre. Assim, dentre os 147 descendentes gerados, alguns camundongos apresentavam um alelo selvagem (ou Flox) para o VAChT e um outro alelo deletado (camundongos VAChTWT/Del ou camundongos VAChTFlox/Del). Os camundongos VAChTFlox/Del, observado para os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ cre+ apresentam o mesmo fenótipo : crescimento reduzido, fraqueza muscular e cifose. No entanto, o aparecimento do fenótipo foi muito rápido o que reduziu drasticamente o tempo de vida dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+. Enquanto os animais VAChTFlox/Flox, camundongos VAChTFlox/Del, cre+ conseguem sobreviver por até 8 semanas, os cre+ não sobrevivem mais que 20 dias. Mesmo a suplementação alimentar não foi suficiente para evitar a morte prematura. Em contraste, os camundongos VAChTFlox/Del, cre- camundongos VAChTFlox/Del, . Conseguem chegar à idade adulta, reproduzem-se não apresentam os fenótipos observados para os cre+ normalmente, não apresentam fraqueza muscular e não têm a coordenação motora afetada como os camundongos VAChTFlox/Del, cre+. Devido à grande fraqueza e fragilidade apresentada pelos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ não foi possível realizar testes de força. Avaliamos então a coordenação motora destes animais pelo teste de perfil de pegada (footprint). A análise mostrou o padrão anormal de caminhada dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ em relação aos camundongos VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- . A dificuldade em caminhar em linha reta e a redução da largura das passadas observada nos animais VAChTFlox/Del, VAChTFlox/Flox, cre+ cre+ foi semelhante à apresentada pelos camundongos . Possivelmente, a associação de déficit colinérgico central e periférico seja a responsável pelo tempo de vida extremamente reduzido dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ . 148 Em função do fenótipo observado, resolvemos avaliar a expressão do transportador nesses animais. Os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ apresentaram uma acentuada redução da expressão do VAChT tanto no cérebro quanto na medula espinal. A quantificação da expressão do VAChT mostrou que houve uma redução em torno de 80% na expressão gênica do transportador nas regiões do estriado e medula espinal quando comparados aos animais VAChTWT/WT. A expressão gênica da enzima ChAT na medula espinal apontou uma tendência de aumento de expressão nos animais VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+ quando comparada à expressão da ChAT nos VAChTWT/WT, entretanto esta tendência não foi estatisticamente significativa. A alteração da expressão de RNA mensageiro do VAChT foi refletida na expressão da proteína do transportador no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del,cre+. A imunofluorescência e o imunoblot mostraram que a expressão protéica do VAChT foi abolida em diversa regiões do sistema nervoso central como córtex, estriado, hipocampo e prosencéfalo basal. Foi também detectada uma redução da imunorreatividade para o VAChT nos neurônios do núcleo pedunculopontino e motoneurônios colinérgicos das regiões do tronco encefálico e medula espinal dos camundongos VAChTFlox/Del,cre+. A análise da expressão protéica do CHT1 nas fatias adjacentes foi importante para excluir possíveis alterações na morfologia e/ou desenvolvimento dos neurônios colinérgicos. Os resultados não apontaram modificações na morfologia dos neurônios e a expressão do CHT1 nos neurônios colinérgicos dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ foi similar a dos camundongos VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del, cre- e VAChTWT/WT. A expressão protéica da enzima ChAT foi avaliada por imunoblot nos animais VAChTFlox/Del,cre+. Os resultados não demonstraram modificações na 149 expressão da enzima nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ , VAChTFlox,Del, cre- , VAChTWT/Del em relação aos animais VAChTWT/WT. Entretanto, assim como o experimento de PCR em tempo real, verificamos uma grande variação na expressão da ChAT entre os genótipo. A redução da expressão do VAChT no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ levou a um acúmulo exagerado de acetilcolina no cérebro. A dosagem de ACh no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ foi doze vezes superior à observada nos camundongos VAChTWT/WT. Apesar da expressão da ChAT não ter sido afetada, foi verificado se a atividade da ChAT estava alterada nos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ . O resultado não apontou modificação aparente na atividade enzimática da ChAT, embora tenhamos novamente detectado uma tendência de aumento. Estes dados sugerem, portanto que este aumento exacerbado da acetilcolina no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del, cre+ não seja decorrente de uma síntese aumentada de acetilcolina pela ChAT, embora não possamos descartar esta possibilidade. A expressão do VAChT também foi reduzida no sistema nervoso periférico dos camundongos VAChTWT/Del, VAChTFlox/Del, cre- e VAChTFlox/Del, cre+ quando comparados aos animais VAChTWT/WT. Não foram observadas alterações na expressão do CHT1 nem dos receptores nicotínicos da junção neuromuscular, demonstrando que não houve alterações morfológicas aparentes na junção neuromuscular. Portanto, enquanto os camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ não apresentam alterações na expressão do VAChT no sistema nervosos periférico, os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ já apresentam uma redução do tônus colinérgico na periferia. Procuramos então avaliar a conseqüência do tônus colinérgico reduzido na liberação de acetilcolina na junção neuromuscular dos animais 150 VAChTFlox/Del Cre+ . Observamos que os camundongos VAChTFlox/Del Cre+ apresentaram um aumento significativo no tamanho do quanta em relação aos genótipos VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- . Este resultado é interessante, pois sugere um aumento na quantidade de acetilcolina vesicular nos camundongos VAChTFlox/Del Cre+, embora tenha sido demonstrada a redução da expressão do VAChT na periferia. A avaliação das propriedades passivas da membrana (diâmetro da fibra), além da medida da sensibilidade dos receptores nicotínicos será importante para elucidar o aumento do quanta apresentado pelos animais VAChTFlox/Del, cre+ . Não verificamos alteração na freqüência dos MEEPs dos camundongos VAChTFlox/Del Cre+ em relação aos animais controles VAChTWT/WT, VAChTWT/Del e VAChTFlox/Del, cre- , sugerindo que a probabilidade de liberação também não foi afetada nos VAChTFlox/Del Cre+ . De forma inesperada, as técnicas de imunoblot e imunofluorescência em fatias não detectaram a expressão da proteína do VAChT em diversas regiões do cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del, cre-. Além disso, os níveis de acetilcolina no cérebro destes camundongos estão aumentados cerca de doze vezes, similar ao observado para os camundongos VAChTFlox/Del, controverso, pois os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ . Este dado se mostra muito cre- não expressam a enzima Cre e, portanto deveriam expressar a proteína do VAChT no cérebro, mesmo que de forma reduzida. Esses resultados corroboram aqueles obtidos com os camundongos VAChTFlox/Flox, cre- e sugerem possíveis mecanismos ainda não conhecidos de regulação pós-traducional do VAChT. Intesessantemente, nenhum dos estudos comportamentais e eletrofisiológicos realizados sugerem que o VAChT estivesse alterado, já que os camundongos VAChTFlox/Flox, cre- são fenotipicamente normais. Ainda não sabemos exatamente o porquê da ausência da expressão do VAChT no cérebro dos camundongos 151 VAChTFlox/Flox, cre- e VAChTFlox/Del, cre-, embora tenhamos detectado expressão de RNA mensageiro do transportador, ainda que os níveis de expressão tenham sido reduzidos. Por conseguinte, serão necessários mais estudos sobre os mecanismos responsáveis pela regulação da transcrição e da tradução do VAChT. Redução do tônus muscular e déficits colinérgicos também já foram relatados em pacientes que sofrem do mal de Huntington. Os pacientes apresentam desordens motoras como ataxia, distonia e bruxismo, além de distúrbios psiquiátricos e declínio cognitivo (Adam e Jankovic, 2008). A alteração patológica mais evidente no cérebro dos pacientes que sofrem da doença de Huntington é a atrofia da região neostriatal (núcleos caudado e putâmen), onde há morte de neurônios GABAérgicos de tamanho médio pelo acúmulo da proteína huntingtina mutada. Esta região também contém uma grande rede de interneurônios colinérgicos, entretanto estes neurônios colinérgicos são preservados na doença (Paulsen e cols. 2006). Apesar de os neurônios colinérgicos estriatais não serem afetados, já foram relatadas alterações das funções colinérgicas. A expressão e a atividade da colina acetiltransferase estão diminuídas no cérebro e estudos post-mortem realizados em cérebro de pacientes de Huntington mostram uma grande redução da expressão do VAChT no estriado (Aquilonius e cols., 1974; Spokes, 1980 e Smith e cols., 2006). Acredita-se que o déficit muscular que estes pacientes apresentam seja decorrente da degeneração neuronal observada no estriado (Adam e Jankovic, 2008). Interessantemente, em camundongos transgênicos modelo de Huntington (R6/1 e R6/2) é observada cifose acentuada (Smith e cols., 2006; Ribchester e cols., 2004). Os camundongos transgênicos exibem, adicionalmente, um fenótipo neurológico progressivo que inclui movimentos involuntários (distonia), tremor e queda acentuada das funções motoras e cognitivas (Mangiarini e cols., 1996). A partir de 12 semanas, os camundongos transgênicos R6/1 apresentam-se mais fracos e menos ativos 152 que os animais selvagens, além de grande incapacidade em realizar testes motores que necessitem de força muscular. (Ribchester e cols., 2004). Ensaios de PCR em tempo real e imunoblot mostraram uma redução da expressão da ChAT e do VAChT nos camundongos transgênicos da linhagem R6/1 nas regiões do estriado, córtex e hipocampo. Foi detectada também uma grande redução do VAChT na medula espinal dos camundongos transgênicos com 40 semanas (Smith e cools., 2006). Portanto, é possível que a disfunção motora observada nos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+ tenha origem central, dado que a expressão do VAChT foi aparentemente normal no diafragma desses animais. A inserção do cassete “downstream” ao gene do VAChT foi escolhida na tentativa de que este cassete não afetasse a expressão do VAChT e da ChAT nos camundongos VAChTFlox/Flox. Entretanto, os camundongos VAChTFlox/Flox apresentaram redução da expressão do VAChT e aumento da expressão da ChAT. Atualmente, nosso laboratório produziu novos animais VAChTFlox/Flox (Flox2) e esta nova linhagem não possui o cassete de neomicina. A caracterização bioquímica, observando principalmente a expressão do VAChT, ChAT e CHT1 será fundamental para que o nocaute do VAChT no SNC seja desenvolvido sem alterações no SNP. 153 CONCLUSÃO A análise bioquímica realizada nos permitiu concluir que: • Camundongos VAChT KD possuem redução da expressão do VAChT tanto no SNC quanto na periferia; • A liberação quântica de acetilcolina foi reduzida nos animais KD; • O conteúdo de acetilcolina no cérebro dos KD foi aumentado, não sendo reflexo nem de um aumento da ChAT ou do CHT1; • O grau de redução do VAChT nos KD foi refletida em alterações cognitivas e motoras; • Camundongos VAChTFlox/Flox possuem alteração da expressão de mRNA do VAChT e da ChAT; • A amplitude dos miniaturas de placa motora (MEEPs) foi aumentada nos camundongos VAChTFlox/Flox, sem alterações na freqüência ; • A alteração do quanta na junção neuromuscular não afetou a função motora dos camundongos VAChTFlox/Flox; • Não foi observada expressão da proteína do VAChT no prosencéfalo dos camundongos VAChTFlox/Flox; • Os níveis teciduais de acetilcolina no cérebro foram aumentados em torno de seis vezes nos animais VAChTFlox/Flox; • Os animais VAChTFlox/Flox, cre+ apresentaram fraqueza muscular e descontrole motor, morrendo em 8 semanas; • A expressão da proteína do VAChT foi abolida em diversas regiões do SNC nos animais VAChTFlox/Flox, cre+; • Não houve alterações aparentes na expressão do CHT1 tanto no SNC quanto na periferia nos animais VAChTFlox/Flox, cre+; 155 • A expressão do VAChT se mostrou normal no sistema nervoso periférico dos camundongos VAChTFlox/Flox, cre+; • A deleção de um dos alelos do VAChT nos gametas dos camundongos machos que expressam a Cre gerou camundongos VAChTFlox/Del, cre+; • Os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ apresentaram o mesmo fenótipo dos animais VAChTFlox/Flox, cre+; • Os níveis de RNA mensageiro para o VAChT foram reduzidos em 80% nos animais VAChTFlox/Del Cre+; • A expressão do VAChT foi abolida em diversas regiões do SNC nos animais VAChTFlox/Del Cre+; • A expressão do VAChT foi reduzida no sistema nervoso periférico nos animais VAChTFlox/Del Cre+; • Os animais VAChTFlox/Del Cre+ possuem aumento da amplitude dos MEEPs sem alteração na freqüência; • Os camundongos VAChTFlox/Del, cre+ apresentaram níveis até doze vezes maiores de acetilcolina no cérebro em relação aos camundongos controle selvagem; • Não houve alteração na expressão de RNA da ChAT e em sua atividade enzimática nos camundongos VAChTFlox/Del Cre+; • Não foi observada expressão da proteína do VAChT no prosencéfalo dos camundongos VAChTFlox/Del, cre-; • Os níveis de acetilcolina no cérebro dos camundongos VAChTFlox/Del, cre- foram similares ao dos animais VAChTFlox/Del, cre+; • A expressão de RNA mensageiro do VAChT foi reduzida nos animais VAChTFlox/Del, cre-, ainda que a expressão protéica não tenha sido detectada; 156 • Os camundongos VAChTWT/Del expressam 50% do VAChT no sistema nervoso central e periférico; 157 BIBLIOGRAFIA 158 1. 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Gomez,2 Cristina Guatimosim,4 William C. Wetsel,7 Christopher Kushmerick,3 Grace S. Pereira,2 Raul R. Gainetdinov,6 Ivan Izquierdo,5 Marc G. Caron,6,* and Marco A.M. Prado2,* 1 Departamento de Bioquı́mica-Imunologia 2 Departamento de Farmacologia 3 Departamento de Fisiologia-Biofı́sica 4 Departamento de Morfologia Instituto de Ciências Biológicas Universidade Federal de Minas Gerais Avenida Antônio Carlos 6627 Belo Horizonte, MG Brazil, 31270-901 5 Centro de Memória Instituto de Pesquisas Biomédicas Pontificia Universidade Católica de Rio Grande do Sul Hospital São Lucas da PUC-RS Av. Ipiranga 6690 2 andar 90610-000 Porto Alegre, RS Brazil 6 Department of Cell Biology 7 Department of Psychiatry and Behavioral Sciences Duke University Medical Center Durham, North Carolina, 27710 Summary An important step for cholinergic transmission involves the vesicular storage of acetylcholine (ACh), a process mediated by the vesicular acetylcholine transporter (VAChT). In order to understand the physiological roles of the VAChT, we developed a genetically altered strain of mice with reduced expression of this transporter. Heterozygous and homozygous VAChT knockdown mice have a 45% and 65% decrease in VAChT protein expression, respectively. VAChT deficiency alters synaptic vesicle filling and affects ACh release. Whereas VAChT homozygous mutant mice demonstrate major neuromuscular deficits, VAChT heterozygous mice appear normal in that respect and could be used for analysis of central cholinergic function. Behavioral analyses revealed that aversive learning and memory are not altered in mutant mice; however, performance in cognitive tasks involving object *Correspondence: [email protected] (M.G.C.); mprado@ icb.ufmg.br (M.A.M.P.) 8 Present address: Department of Pharmacology, College of Medicine, Dankook University, San-29, Anseo-dong, Cheonan, Choongnam 330-714, Korea. and social recognition is severely impaired. These observations suggest a critical role of VAChT in the regulation of ACh release and physiological functions in the peripheral and central nervous system. Introduction Acetylcholine (ACh) plays a crucial role in controlling a number of physiological processes in both the peripheral and central nervous system. Synthesis of ACh requires efficient uptake of choline by the high-affinity choline transporter and choline acetylation by the enzyme choline acetyltransferase (ChAT) (Ribeiro et al., 2006). Efficient release of ACh from nerve endings depends on its storage in synaptic vesicles, a step reliant on the activity of a vesicular acetylcholine transporter (VAChT) (Parsons, 2000). VAChT is a twelve-transmembrane domain protein that uses the electrochemical gradient generated by a V-type proton ATPase to accumulate ACh in synaptic vesicles. VAChT and the vesicular monoamine transporters (VMATs) share a high degree of homology in their transmembrane domains and belong to the SLC18 (or solute carrier) family of proton/ neurotransmitter antiporters (Erickson et al., 1994; Reimer et al., 1998; Roghani et al., 1994). The ACh transporter is likely to provide stringent control of the amount of neurotransmitter stored and released by cholinergic nerve endings (Prado et al., 2002). VAChT trafficking to secretory vesicles appears to be the target of cellular regulation, and phosphorylation by protein kinase C (PKC) influences delivery of VAChT to synaptic-like microvesicles in PC12 cells (Cho et al., 2000; Krantz et al., 2000). However, the consequences of reduced targeting of VAChT to synaptic vesicles for ACh output in vivo are unknown. Deficits in central or peripheral ACh neurotransmission have been described in several human disorders, including Alzheimer’s disease (AD), in which certain behavioral and cognitive abnormalities have been related to brain cholinergic dysfunction (Bartus et al., 1982; Mesulam, 2004). However, the relationship between cholinergic decline and specific behavioral deficits is still not completely appreciated. Basal forebrain lesions in rats, with immunotoxins targeting the p75 neurotrophin receptor, indicate that ACh plays an essential role in attention (Sarter and Parikh, 2005), whereas it seems to participate, but it is not essential, in hippocampaldependent spatial learning and memory (Parent and Baxter, 2004). To investigate the consequences of reduced expression of VAChT on ACh neurotransmission and function, we genetically modified mice to produce a knockdown (KD) of VAChT gene expression. We observed a strong relationship between the levels of VAChT expression and ACh release in both the peripheral and central nervous systems. A marked reduction of VAChT expression was necessary to affect neurotransmission at the neuromuscular junction, while even modest deficiency was sufficient to interfere with brain ACh release and affect Neuron 602 Figure 1. Schematic Drawing of the Cholinergic Gene Locus and Generation of VAChTDeficient Mice (A) Boxes represent the different exons of ChAT or VAChT. The position of the initiation codon (ATG) for VAChT and ChAT and the stop codon (stop) of VAChT are indicated. Potential transcription initiation sites are indicated for VAChT (filled arrowheads) and ChAT (open arrowheads). Note that the VAChT gene is within the first intron of ChAT. (B) Schematic representation of the VAChT gene locus, the targeting construct, and the recombinant DNA. P1, P2, and P3 indicate position of PCR primers used for genotyping. Open white circles indicate loxP sites. (C) PCR analysis of wild-type (lane 1), heterozygous VAChT KD mice (lane 2), and homozygous VAChT KD mice (lane 3). Lane 4 is a negative control without DNA. (D) Southern analysis of wild-type (lanes 1), VAChT KDHET (lane 2), and VAChT KDHOM mice (lane 3). (E) Northern blot analysis of VAChT, ChAT, and CHT1 in spinal cord for wild-type (lane 1), VAChT KDHET (lane 2), and VAChT KDHOM mice (lane 3). Kidney mRNA was isolated, and Northern analysis detected no signal for VAChT, ChAT, and CHT1 transcripts. (F) Quantification of cholinergic transcripts. Blots were scanned and densitometric analysis was performed using the actin signal to normalize mRNA levels. Data are presented as a percentage of wild-type levels. (*) indicates statistical significant differences as described in the text. behavior. Moreover, these investigations revealed a role for cholinergic tone in processing complex cues, which manifested as cognitive deficits in mutant mice for object and social memory. Results Molecular Analysis To investigate the physiological consequences of altered expression of VAChT as related to vesicle filling and ACh release, we generated a mouse line with decreased expression rather than complete deletion, of this transporter, so we could investigate the consequences of reduced cholinergic tone in vivo (Figures 1A and 1B for wild-type and mutant alleles, respectively). PCR and Southern analyses confirmed homologous recombination and targeting of the 50 untranslated region of the VAChT gene in genetically altered mice (Figures 1C and 1D). Mutant mice were born at the expected Mendelian frequency, survived, and exhibited no gross abnormalities. Northern analysis of spinal cord indicated that the major mRNA species for VAChT (V1, 2.6 kb) was significantly reduced by 40% and 62% in VAChT KDHET and KDHOM mice, respectively [F(2,11) = 11.09, p < 0.005, one-way ANOVA, Figures 1E and 1F]. Surprisingly, a second VAChT species of 3.0 kb, which was especially apparent in spinal cord, was significantly increased in VAChT KD mice, suggesting that compensatory transcriptional mechanisms operate in response to changes in VAChT expression. The changes in mRNA were specific for VAChT transcripts, as we detected no significant changes in mRNA levels for ChAT [F(2,3) = 0.0311, p = 0.970] and CHT1 [F(2,12) = 0.0921, p = 0.9127] in mutant mice (Figures 1E and 1F). These results agree with the lack of significant alterations found in ChAT activity and high-affinity choline transport in mutant mice (see Figure S1 in the Supplemental Data). Control experiments using kidney mRNA demonstrated the specificity of the probes (Figure 1E). We investigated the consequences of altered expression of VAChT mRNA in VAChT KD mice by probing protein expression by immunoblot analysis. These experiments show a reduction of close to 50% in immunoreactivity for VAChT in the hippocampus [two-way ANOVA followed by Bonferroni post hoc, F(2,23) = 70.95, p < 0.001, Figures 2D and 2E] and in other brain regions (Figures 2A–2E) of VAChT KDHET mice compared to wild-type control mice. In contrast, levels of other presynaptic proteins were not altered (Figures 2A–2E). Results were similar in all brain regions and in spinal cord (Figure 2E, overall decrease in all tissues was 56% 6 4% of the wild-type levels, n = 20). These results indicate a significant reduction in VAChT protein in VAChT KDHET Mouse Model of Cholinergic Dysfunction 603 Figure 2. Gene Targeting Alters VAChT Protein Levels Western blot analysis of VAChT, synaptophysin, and syntaxin in the cortex (A), striatum (B), spinal cord (C), and hippocampus (D) of wild-type (lane 1), VAChT KDHET (lane 2), and VAChT KDHOM mice (lane 3). (E) Quantification of protein levels. Actin immunoreactivity was used to correct for protein loading between experiments. Data are presented as a percentage of wild-type levels. (*) indicates statistical significant difference (one-way Anova with Bonferroni post hoc [cortex, F(2,9) = 49.11, p < 0.001; striatum, F(2,6) = 27.24, p < 0.001; spinal cord, F(2,9) = 95.75, p < 0.001; Hippocampus, F(2,23) = 70.95, p < 0.001]). mice. VAChT KDHOM mice showed further decrease in VAChT protein levels (65% to 70%, Figures 2A–2E). Thus, VAChT KDHOM mice present an even larger decrease in levels of transporter than VAChT KDHET mice, but VAChT expression in homozygous mutant mice is sufficient for survival. Electrophysiological Analysis and Neuromuscular Function In order to evaluate the impact of reduced VAChT expression on quantal ACh release, we examined neuromuscular transmission. Miniature end-plate potentials (MEPPs) were readily recorded at neuromuscular junctions from either wild-type, VAChT KDHET, or VAChT KDHOM mice. To compare quantal size we recorded at least 100 MEPPs from each of five fibers from five to seven animals of each genotype. MEPPs from mutant mice were smaller than those from wild-type, as can be seen in histograms of MEPP amplitudes (Figure 3A). To avoid possible histogram binning artifacts, we also analyzed the cumulative distribution of MEPP amplitudes, which showed a similar shift to smaller MEPPs in mutant animals (Figure 3B, p< 0.001 for VAChT KDHOM, p < 0.05 for VAChT KDHET, Kolmogorov-Smirnoff test). Further statistical analysis using ANOVA on averages of either the peak amplitude or the area of MEPPs confirmed the statistical significance of the differences in quantal sizes between wild-type and VAChT KDHOM animals [F(1,71) = 8.7, p < 0.005]. Therefore, mutant mice appear to pack less ACh in each synaptic vesicle. In addition to quantal size, MEPP frequency was also strongly reduced in VAChT KDHOM animals, as shown in Figure 3C. The frequency of MEPPs was 0.69 6 0.08 s21 in wild-type animals (40 synapses from seven animals), 0.79 6 0.18 s21 in VAChT KDHET animals (30 synapses from five animals), and 0.37 6 0.05 s21 in VAChT KDHOM mice (41 synapses from seven animals). The difference in MEPP frequency between wild-type and VAChT KDHOM mice was statistically significant [two-way ANOVA followed by Bonferroni post hoc, F(1,18) = 10.3, p < 0.005]. The observed decrease in MEPP frequency at junctions from KDHOM mice could be due to a reduction in the number of synaptic vesicles available for release, a reduction in vesicle release probability, or a population of synaptic vesicles whose ACh load is below our detec- tion limit. To investigate these possibilities, we measured evoked end-plate potentials (EPPs) during 100 Hz trains after cutting the muscle fibers to avoid contraction. Under these conditions, EPP amplitudes during a train rapidly fell from their initial level to a depressed steady state over the course of the first ten stimuli (Figure 3D). Overall, initial depression of normalized EPPs was similar in recordings from wild-type and KDHOM animals, suggesting similar release probabilities. Quantal content of each EPP during a train was calculated based on measured MEPP amplitudes, thus permitting an estimate of the size of the readily releasable pool of vesicles as described (Elmqvist and Quastel, 1965). This analysis considered only the first eight responses during a train for which the relationship between EPP versus cumulative EPP was linear. With this method, the readily releasable pool was similar for both genotypes and estimated at 439 6 73 vesicles in synapses from wild-type animals and 550 6 59 vesicles in VAChT KDHOM synapses (p = 0.52, two-tailed Student’s t test). In contrast, the extent of steady-state depression of EPPs was significantly greater in VAChT KDHOM animals compared with wildtype [one-way ANOVA, F(1,70) = 197, p < 0.001]. Assuming constant quantal size, the increase in depression uncovered in the above experiments would suggest a defect in mobilizing or recycling of ACh-filled vesicles; however, the assumption of constant quantal size during the stimulus train may not be valid for mutant animals. Therefore, we attempted to directly test whether synaptic vesicle exo- and endocytosis would be altered in mutant mice. For this we performed experiments with the vital dye FM1-43 (Richards et al., 2000), which provides the opportunity for optical detection of both exocytosis and endocytosis of synaptic vesicles. Labeling of nerve terminals in junctions from both wildtype and KDHOM animals in response to 60 mM KCl (10 min) was indistinguishable, and no differences were detected upon quantification of fluorescent spots (Figure 3E), suggesting that endocytosis occurs to the same extent in both genoytypes. Destaining of fluorescent spots in response to 60 mM KCl was calcium dependent (not shown), and was not different between wild-type and KDHOM animals (Figure 3F), indicating that synaptic vesicle exocytosis is not changed in VAChT KDHOM mice. Thus, taken together, our observations would suggest that the alterations in MEPP frequency and EPP Neuron 604 Figure 3. Neuromuscular Transmission in VAChT KDHET and VAChT KDHOM Mice (A) Normalized histogram of MEPP amplitudes for wild-type (black line, 3302 MEPPs), VAChT KDHET (blue line, 4319 MEPPs), and VAChT KDHOM (red line, 3690 MEPPs) mice. Data are from five synapses from five to seven animals for each genotype. (B) Quantal size of the three genotypes quantified by plotting the cumulative frequency of MEPP amplitudes. Black line, wild-type; blue line, VAChT KDHET; red line, VAChT KDHOM. (C) Frequency of MEPPs at synapses from the three genotypes. (*) indicates statistically significant difference from control wild-type mice (two-way ANOVA followed by Bonferroni post hoc; F(1,18) = 10.3, p < 0.005). (D) Normalized EPP amplitude (to the first stimulus) for wild-type (black line) and VAChT KDHOM (red line) mice in response to a train of 100 Hz (0.5 s). Data are from ten synapses from three wild-type animals and 16 synapses from three KDHOM animals. (E) Nerve terminals from wild-type and VAChT KDHOM mice were labeled with FM1-43 and show similar patterns of staining. Data are mean 6 SEM of 109 fluorescent spots from 21 nerve terminals of wild-type mice and 111 fluorescent spots from 26 nerve terminals from VAChT KDHOM. Scale bar, 10 mm. (F) Destaining of FM1-43-labeled nerve endings from wild-type (black line) and VAChT KDHOM (red line). Data are mean 6 SEM of 26 fluorescent spots (wild-type mice) and 21 fluorescent spots (VAChT KDHOM) from four mice per genotype. depression in VAChT KDHOM are more than likely a consequence of decreased transport of ACh by synaptic vesicles. To evaluate whether the alterations detected in neuromuscular transmission may affect neuromuscular function, we tested the performance of wild-type and mutant mice in motor tasks (Figure 4). In the wire-hang test (Figure 4A), wild-type and VAChT KDHET mice show no differences in performance; however, VAChT KDHOM mice were significantly impaired [F(2,37) = 28.77, p < 0.001]. This altered performance of VAChT KDHOM animals is likely the result of altered neuromuscular force, since these mutants were also severely impaired in a grip strength test when compared with wild-type mice [Figure 4B, F(3,48) = 9.52, p < 0.001]. By comparison, VAChT KDHET mice present no deficit in neuromuscular function as assessed in this test. Importantly, reduced grip strength in VAChT KDHOM mice was improved by prior injection of one of three cholinesterase inhibitors: pyridostigmine (i.p., 1 mg/kg), galantamine (s.c., 1 mg/kg) or physostigmine (i.p., 0.3 mg/kg) [Figure 4B, F(3,47) = 8.323, p < 0.05]. No change in grip force was observed in wild-type mice treated similarly with any of the above cholinesterase inhibitors at the doses used (not shown). Since pyridostigmine is charged and should not cross the blood-brain barrier, its efficacy in improving grip force observed in homozygous mutant mice directly implicates peripheral cholinergic transmission in this effect. To further study neuromuscular output, we examined performance of VAChT mice on the rotarod. This test depends not only on the ability of mice to learn motor skills, but also on their ability to maintain prolonged motor function. Wild-type mice were able to learn this motor task, and after five trials their performance was significantly better than their performance during the first trial [Figure 4C, repeated measures ANOVA, F(13,195) = 16.9, p < 0.05]. The performance of VAChT KDHET mice improved significantly only after 12 trials on the rotarod [repeated measures ANOVA, F(13,117) = 4.63, p < 0.05]. In contrast, VAChT KDHOM mice never learned this motor task [Figure 4C, F(13,91) = 0.653] and their performance was significantly worse than those of wild-type and VAChT KDHET mice [F(2,434) = 60.16, p < 0.05 on trials 12, 13, and 14, two-way ANOVA followed by Bonferroni post hoc tests]. The performance of VAChT KDHOM mice may indicate either motor learning deficits on the rotarod or that mutant mice are incapable of sustained physical activity. To evaluate the latter possibility, we used a treadmill to evaluate the performance of wild-type, VAChT KDHET, and VAChT KDHOM mice in exhaustive physical activity. Figure 4D shows that VAChT KDHOM mice were not able to maintain long periods of physical activity and performed poorly compared with wild-type or VAChT KDHET mice [one-way ANOVA followed by Bonferroni post hoc, F(2,28) = 22.09, p < 0.001]. Indeed, VAChT KDHOM mice could run for no more than 5 min on the treadmill, whereas wild-type or VAChT KDHET mice could usually run for longer than 60 min. These results indicate that VAChT KDHOM mice are unable to perform on the rotarod due to their decreased capacity to maintain physical activity. They also indicate that VAChT KDHET mice appear as physically fit as wild-type control mice under the conditions tested. Neurochemical Analysis VAChT KDHOM mice display significant neuromuscular deficiency, which may confound the outcomes of complex behavioral tests aimed at assessing consequences of central ACh deficiency. In contrast, VAChT KDHET mice have essentially normal neuromuscular transmission, thereby indicating their potential usefulness as test subjects for investigating the behavioral consequences of mild reductions of central cholinergic function. To investigate the functional consequences of reduced VAChT expression, we first used brain microdialysis to Mouse Model of Cholinergic Dysfunction 605 Figure 4. Neuromuscular Function of VAChT KDHET and VAChT KDHOM Mice (A) Time spent hanging upside-down from a cage by wild-type, VAChT KDHET, and VAChT KDHOM mice. *p < 0.05 from wild-type controls (one-way ANOVA followed by Bonferroni post hoc; F[2,37] = 28.77, p < 0.05, n = 20 wild-type, n = 12 VAChT KDHET, and n = 8 VAChT KDHOM). (B) Grip force measured for wild-type, VAChT KDHET, VAChT KDHOM, and VAChT KDHOM mice treated with pyridostigmine (i.p., 1 mg/kg), galantamine (s.c., 1 mg/kg) and physostigmine (i.p., 0.3 mg/kg) 30 min prior to the test. (*) indicates statistical difference when compared with VAChT KDHOM mice without cholinesterase treatment. (C) Performance of wild-type (clear squares), VAChT KDHET (gray squares), and VAChT KDHOM mice (black squares) on the rotarod task. (*) indicates statistically significant differences compared with the first trial for each genotype (repeated measures ANOVA, p < 0.05). (#) indicates statistically different performance when compared with wild-type mice [two-way ANOVA shows an effect of genotype; F(2,434) = 60.16, p < 0.05]. (D) Exercise capacity of wild-type, VAChT KDHET, and VAChT KDHOM mice. Mice were trained on the treadmill with a protocol that evaluated physical capacity (see Experimental Procedures). After training mice, were tested for performance, and the work (in J) done was calculated. establish extracellular levels of ACh in freely moving VAChT KDHET mice. Because all brain regions examined appeared to show similar reductions in VAChT expression, we chose to determine extracellular ACh levels in frontal cortex and striatum. Frontal cortex was selected because this brain region receives innervation from nucleus basalis and substantia innominata, areas known to be affected in Alzheimer’s disease. Striatum was chosen because it contains the largest concentration of cholinergic nerve endings and is therefore particularly suitable to evaluate possible decreases in extracellular ACh. The quantitative ‘‘low perfusion rate’’ microdialysis approach, which allows precise determination of a given extracellular neurotransmitter (Gainetdinov et al., 2003), revealed that levels of extracellular ACh were depressed by more than 35% in frontal cortex [t(1,19) = 2.642, p < 0.016] and by approximately 31% in striatum [t(1,18) = 2.560, p < 0.020] of VAChT KDHET mice (Figure 5A). Next, by using the conventional microdialysis approach, we examined the dynamic responses to KCl-stimulated ACh release in the striatum. After establishing basal extracellular ACh levels, artificial cerebrospinal fluid (CSF) containing 60 mM [K+] was perfused through the microdialysis probe over the next 40 min, and the probe was returned to normal artificial CSF for the remaining 40 min of the experiment (Figure 5B). A repeated measures ANOVA revealed a significant main effect of time [F(5,60) = 31.541, p < 0.001] and a significant time by genotype interaction [F(5,60) = 7.502, p < 0.001]. Bonferroni-corrected pairwise comparisons showed genotype effects at 40 (p < 0.044), 60 (p < 0.023), and 80 min (p < 0.026). Hence, both genotypes responded to KCl depolarization; however, stimulated release in KDHET striatum was reduced relative to that of the wild-type controls. Since VAChT is responsible for sequestering ACh into secretory vesicles, we evaluated the effects of decreased VAChT expression on total ACh levels in brain tissue. When tissue concentrations of ACh were measured by high-performance liquid chromatography (HPLC) with eletrochemical detection (HPLC-EC), levels in frontal cortex and striatum of VAChT KDHET mice were significantly increased by approximately 49% [t(1,25) = 4.082, p < 0.001] and 30% [t(1,10) = 3.408, p < 0.007], respectively, over that of the wild-type controls (Figure 5C). These data were replicated in a complementary chemiluminescence assay in a separate group of mice using both striatum and hippocampus (Figure 5D; p < 0.05). Moreover, VAChT KDHOM mice show an even larger increase in ACh content in the brain, and this increase was statistically different from that of VAChT KDHET mice or wild-type mice (Figure S1C; p < 0.05). This increase in ACh content for mutant mice cannot be attributed to an increase in ChAT activity (Figure S1A), high-affinity choline transporter activation (Figure S1D), or increased levels of expression of ChAT (Figures S1B and S1E) or CHT1 (Figure 1E). Whereas the mechanism of such an increase in total tissue ACh content it is not immediately apparent, it is important to emphasize that the functional ‘‘releasable’’ ACh pool seems to be decreased, as evidenced by in vivo microdialysis experiments and quantal analysis at the neuromuscular junction. All together, these results demonstrate that a reduction of approximately 50% in the levels of VAChT expression in the brain results in a significant decrease in the release of ACh in vivo, despite enhanced intracellular content of neurotransmitter. These observations suggest a complex relationship between the control of storage and release of ACh in CNS neurons. Neuron 606 Figure 5. Neurochemical Alterations in VAChT KDHET Mice (A) Extracellular ACh levels as determined by quantitative low perfusion rate microdialysis in frontal cortex and striatum. n = 10 mice per genotype per brain region. (B) KCl-stimulated release of ACh in striatum of freely moving mice. Following 40 min of baseline collection of ACh, 60 mM [K+] was infused through the microdialysis probe for 40 min, and artificial CSF was infused over the last 40 min of the experiment. n = 7 mice per genotype. *p < 0.05 for wild-type controls. (C) Tissue ACh contents in frontal cortex (FC) and striatum (ST) of wild-type and KDHET mice measured by HPLC with electrochemical detection. FC: n = 14 (wild-type), n = 13 (KDHET); ST: n = 6 mice per genotype. (D) Striatal (ST) and hippocampal (HIP) tissue ACh levels assayed by chemiluminescent detection in wild-type (open bars) and VAChT KDHET (gray bars) mice (n = 5). In all panes, data are mean 6 SEM. *p < 0.05 for wild-type controls. Behavioral Evaluation After documenting normal performance of VAChT KDHET mice in tests of neuromuscular strength, despite reduced cholinergic tone in the brain, we proceeded to evaluate performance of mutants in behavioral tasks reflecting CNS cholinergic function. VAChT KDHET mice were tested for performance in the step-down inhibitory avoidance task, a task that depends upon hippocampal and amygdala networks and may be sensitive to manipulations in central cholinergic function (Izquierdo and Medina, 1997). Both genotypes exhibited learning, as latency to step-down from the platform increased from 10 to 15 s to approximately 80 to 100 s after training. In parallel experiments, we determined in another cohort of mice that the unconditioned stimulus was essential for both genotypes to learn the task (data not shown). VAChT KDHET performed as well as wild-type littermates on this task on a short-term (1.5 hr after learning) and long-term (24 hr after learning) memory test, suggesting that this specific aspect of learning and memory is preserved in animals with a mild decrease in cholinergic tone (Figure 6A). A second test for memory, based on the ability to discriminate novel objects, was used to evaluate the performance of mutant mice. In the object recognition task, mice explore two objects, and after a latency of 1.5 or 24 hr they are presented with one of the familiar objects and a nonfamiliar object. Initial exploration time of two objects was identical for both genotypes, indicating that they both show preference for novelty (data not shown). However, whereas wild-type mice exhibited a significant increase in the exploration of the unfamiliar object, mutant mice performed poorly compared to wild-type mice in their ability to remember the familiar object both 1.5 and 24 hr after learning (Figure 6B, p < 0.05, Kruskal-Wallis analysis of variance and MannWhitney U tests, n = 12–18). Thus, VAChT KDHET mice appear to have a cognitive deficit that impacts behavior in this test. Recognition of a familiar conspecific is the basis of several social interactions, including hierarchical social relationship and mate choice (Winslow and Insel, 2004). There is evidence for the participation of nicotinic and muscarinic central systems in social recognition in rodents (Prediger et al., 2006; van Kampen et al., 2004; Winslow and Camacho, 1995), and social recognition deficits may relate to cholinergic decline in a mouse model of AD (Ohno et al., 2004). We evaluated social interactions of VAChT KDHET mice in a habituation-dishabituation paradigm using a mouse intruder (Choleris et al., 2003). Wild-type control mice showed extensive exploration of the intruder (e.g., sniffing) during first contact. This response decreased with subsequent exposure to the same juvenile [F(4,11) = 60.93, p < 0.01], indicating that wild-type control mice readily habituated to the conspecific (Figure 6C). Hence, after four exposures to the same juvenile, wild-type mice explored the intruder for only one-third of the length of time of the initial exploration. Upon changing to an unfamiliar mouse, wild-type animals showed a renewed interest in investigation, and explored the new mice as much as they explored the original intruder during the first contact (Figure 6C). These results indicate that lack of interest in exploring the first intruder upon recurring exposure was not attributable to lack of motivation, but appears to be due to habituation, i.e., learning. Exploration of the intruder mice by VAChT KDHET mice on the first contact was slightly less than that observed for wild-type animals (p < 0.05, two-way ANOVA with Bonferroni post hoc). Upon subsequent exposures, VAChT KDHET mice show statistically significant differences in exploration of the intruder mice as compared with wild-type mice (p < 0.001, two-way ANOVA with Bonferroni post hoc). In sharp contrast to wild-type littermates, VAChT KDHET mice failed to habituate to the juvenile intruder in the subsequent exposures after the initial contact, and only after the fourth contact was there a significant difference in exploratory behavior compared with the first encounter [F(4,10) = 5.293, Figure 6C)]. Introduction of an unfamiliar mouse led VAChT KDHET mice to increase their exploration, indicating that the decrease in exploration during the fourth exposure for the first intruder was not due to nonspecific effects such as physical exhaustion or motivation. One possible explanation for the inability of VAChT KDHET mice to habituate to a conspecific is that mutant mice have olfactory deficits. In a control experiment, we evaluated olfactory responses in these mice. However, both wild-type and VAChT KDHET mice showed similar abilities in finding a hidden food reward (data not shown), suggesting that the differences observed Mouse Model of Cholinergic Dysfunction 607 Figure 6. Behavioral Alterations of VAChT KDHET Mice (A) Step-down inhibitory avoidance task. Retention test latency measured 90 min after training (STM) and again at 24 hr (LTM). Ordinates express median (interquartile range) test session latency, in seconds. Open bars represent the performance of wild-type mice and shadowed bars represent that of VAChT KDHET mice (n = 13–18 per group). *p < 0.05 compared with performance of mice during training. (B) Object recognition test. Results are shown as median (interquartile ranges) recognition indexes of short-term (STM) and long-term (LTM) retention test trials. Clear bars represent data from wild-type mice and shadow bars are the data from VAChT KDHET mice. (#) indicates a significant difference from wild-type; p < 0.05, n = 12–18. *p < 0.05 compared with performance of mice during training. (C) Social memory of wild-type (open squares) and KDHET (gray squares) mice was measured as olfactory investigation during each of four successive 5 min trials with an intertrial interval of 15 min. A fifth dishabituation trial depicts the response of mice to the presentation of a new intruder in a 5 min pairing, 15 min after the fourth trial. *p < 0.05 compared with performance on the first trial within the genotype, and #p < 0.05 when compared with wild-type control mice; n = 10–12. (D) Olfactory function of wild-type and VAChT KDHET mice. Mice were presented a strawth berry essence for 1 min in 4 sequential trials with an intertrial interval of 10 min. On the 5 trial, vanilla essence was presented. *p < 0.05 from the first trial within genotype. No between group differences were observed. (E) Social preference of wild-type (open bar) and VAChT KDHET mice. Only the percentage of exploration for the social stimulus is shown. (F) Social memory of wild-type (open bars, n = 14), VAChT KDHET (gray bars, n = 14), and VAChT KDHET mice treated with galantamine (s.c., 1 mg/kg) 30 min prior to the first exposure to an intruder (hatched bars, n = 8). The intruder is presented in each of two 5 min trials with an intertrial interval of 30 min. *p < 0.05 for the first trial within the genotype. Unless otherwise stated, data are mean 6 SEM. in social recognition do not relate to deficits in olfactory function. In addition, wild-type and VAChT KDHET mice habituated to a test odor similarly [wild-type, F(4,6) = 11.35, and VAChT KDHET mice, F(4,6) = 18.11, p < 0.05 by repeated measures ANOVA]. There were no differences between the two genotypes in olfactory habituation or in their ability to discriminate between two test odors (Figure 6D). A second possibility to explain the deficit in social habituation is that VAChT KDHET mice are more social than wild-type mice, i.e., they prefer the company of intruder mice more than wild-type mice do. This would be the converse of the autistic-like behavior found in PTEN mutant mice (Kwon et al., 2006). To specifically test this possibility, we evaluated the choice of wild-type and VAChT KDHET mice for a social stimulus (an adult mouse in an acrylic cage that allowed minimum tactile exploration but allowed olfactory exploration) against a nonsocial stimulus (an identical acrylic cage which was never previously presented to the mice). This experiment was done in specially designed boxes containing two separate rooms, each of which the mice had to enter to explore the social or nonsocial target, respectively (Kwon et al., 2006). As expected from the previous experiment, both genotypes had a stronger preference for the social against the nonsocial stimuli (Figure 6F); however, VAChT KDHET mice expended significantly less time with the social stimulus and consequently more time with the nonsocial stimulus than wild-type control mice did (p < 0.05, Student’s t test). Therefore, increased social preference of VAChT KDHET mice cannot explain the lack of habituation observed in the social recognition test. If anything, the data indicate that VAChT KDHET mice are less social than control mice. The results above suggest that VAChT KDHET mice have a deficit in social memory. This deficit could be a consequence of decreased ACh release, or it could result from adaptative changes in brain neurochemistry during development in response to the decreased expression levels of VAChT. If the deficits in social recognition are related to decreased acetylcholine output, acute inhibition of cholinesterase, which preserves ACh in the synapse, might rescue the phenotype. Therefore, we retested mice in the social memory task using a paradigm that allowed us to treat mice with a cholinesterase inhibitor prior to the experiment. The social recognition memory lasted at least 30 min, as wild-type mice exposed to an intruder for 5 min twice, with an intertrial interval of 30 min, explored the intruder significantly less in the second exposure [F(5,70) = 17.21, p < 0.001] (Figure 6F). In contrast, there was no difference for VAChT KDHET mice between the first and second Neuron 608 exposure to intruder mice with this protocol (Figure 6E). We repeated these experiments after injecting mice with either saline or galantamine (Figure 6F). The dose of galantamine used (s.c., 1 mg/kg) has been shown to be effective in improving cholinergic function in mice (Csernansky et al., 2005), and it was sufficient to improve the performance of VAChT KDHET in this social recognition task (Figure 6F). Injection of saline had no effect on the performance of wild-type or VAChT KDHET mice, ruling out that prior manipulation of mice affected the outcome of these experiments (data not shown). In addition, galantamine did not alter the response of wild-type mice (data not shown). It should be noted that the deficit in social recognition memory was also observed in a small number of VAChT KDHOM mice studied with an identical protocol (Figure S2), thus confirming this phenotype for the two mutant genotypes. Hence, it appears that VAChT KDHET mice have a deficit in social memory due to decreased cholinergic tone. Discussion To define the role of VAChT and ACh in physiological functions and behavior, we generated a mouse line with reduced expression of this transporter. The partial decrease in VAChT expression is essential in these investigations as complete lack of the vesicular transporter is likely to be incompatible with life, as shown for other presynaptic cholinergic genes (Brandon et al., 2004; Ferguson et al., 2004; Misgeld et al., 2002). Thus, this reduced expression mouse line allowed us to examine the consequences of reduced cholinergic tone in function, behavior, and cholinergic neurochemistry. It has been demonstrated that several putative mRNA species exist for VAChT, although V1 is predominant in cholinergic tissues (Bejanin et al., 1994). In the present experiments, we show that VAChT KDHET and KDHOM mice have reduced levels of this major VAChT mRNA, whereas an increase in a less common mRNA for VAChT was detected, suggesting the existence of a compensatory mechanism in mutant mice. The open reading frame of VAChT is within the first intron of the ChAT gene. Interestingly, we detected no changes in ChAT mRNA levels in all CNS regions investigated, even though ChAT and VAChT transcripts might be, under certain conditions, coregulated (Eiden, 1998). In vertebrates, regulation of the cholinergic gene locus expression is complex; ChAT- and VAChT-specific mRNAs can be produced either from different promoters or by alternative RNA splicing (Oda, 1999). In addition to the decrease in VAChT transcript, we detected a 45% reduction in VAChT protein levels in several CNS regions in VAChT KDHET mice, whereas the reduction of VAChT protein levels in homozygous mutant mice was 65%–70% of that found in wild-type littermates. Therefore, the data indicate that protein levels of VAChT closely follow the reduction of the major VAChT mRNA species. To evaluate how a decrease in VAChT levels affects transmitter release, we examined quantal secretion of ACh at the neuromuscular junction. Surprisingly, we observed relatively mild alterations in the distribution of quantal sizes in VAChT KDHET mice. A robust change in quantal size distribution for VAChT KDHOM mice was detected; however, a very pronounced decrease in the frequency of MEPPs was also observed. This decrease in MEPP frequency is not the result of alterations in the readily releasable pool of vesicles. It also seems unlikely that the alteration in MEPP frequency is the result of decreased exocytosis, endocytosis, and total pool of vesicles, as FM1-43 experiments have shown no difference in these parameters between wild-type and VAChT KDHOM mice. We hypothesized that, if in synapses, the number of copies of VAChT per synaptic vesicles is low (Parsons et al., 1993; Van der Kloot, 2003), a reduction in VAChT abundance could result in electrophysiologically ‘‘silent’’ vesicles, and thus a decrease in MEPP frequency. Prior experiments have demonstrated that overexpression of VAChT in immature Xenopus spinal neurons increases not only the amplitude but also the frequency of miniature excitatory postsynaptic currents (Song et al., 1997), indicating that, at least under certain conditions, VAChT expression levels can affect electrophysiological detection of exocytosis. Similarly, in Drosophila mutants with decreased neuromuscular expression of the vesicular glutamate transporter, there are major deficits in frequency of miniature end-plate currents, but no alterations in quantal size (Daniels et al., 2006). Remarkably, VAChT phosphorylation by PKC affects its trafficking to secretory vesicles, suggesting that alterations in VAChT expression in synaptic vesicles could occur physiologically (Krantz et al., 2000). The results herein with VAChT mutant mice also indicate that synaptic vesicle exocytosis is not altered by decreased levels of the transporter; in this regard, these results agree with similar observations in VMAT2-deficient mice (Croft et al., 2005), which also present no deficits in monoaminergic vesicle exocytosis. Nonetheless, the data show that VAChT KDHET mice have mild changes in ACh release at the neuromuscular junction, whereas VAChT KDHOM mice have a more profound deficit in transmitter release. Analysis of neuromuscular function in the three genotypes corroborated these electrophysiological data. VAChT KDHET mice performed as well as wild-type mice in tests of motor function, whereas VAChT KDHOM mice were significantly impaired in grip strength and ability to hold their weight. Importantly, the deficit in grip strength could be ameliorated by prior treatment of mutant mice with cholinesterase inhibitors. The effect of pyridostigmine, which is used to treat myasthenia, is of particular importance, as it indicates that a peripheral cholinergic deficit due to alteration in neuromuscular transmission is the cause of neuromuscular dysfunction. Investigation of VAChT KD mice on the rotarod, a task that depends upon motor learning and physical endurance, reveals that VAChT KDHET are slower to learn this motor task than wild-type control mice, but the former are able to reach the same level of performance in time. In contrast, VAChT KDHOM mice are significantly impaired and never improve their performance. That VAChT KDHOM mice have limited capacity for exercise is clearly observed on the treadmill, indicating that performance of the homozygous mutants on the rotarod also reflects their inability to maintain prolonged physical activity. These results suggest that VAChT KDHOM mice may provide a model for study of the effects of markedly reduced ACh release on neuromuscular Mouse Model of Cholinergic Dysfunction 609 function, such as the ones observed in certain types of congenital presynaptic myasthenia (Ohno et al., 2001). In contrast, we were unable to detect any alteration in neuromuscular function in VAChT KDHET mice. Release of ACh accompanied the reduction of protein expression in the brain for VAChT KDHET mice, and both basal and stimulated extracellular levels were affected. This decrease in ACh release appears to be related to the reduction of VAChT expression, as ChAT activity was not decreased in these mutants. Overall, the approximately 45% reduction in VAChT expression appears to decrease ACh secretion to a similar extent in the brain. Unexpectedly, tissue ACh was significantly increased in several brain regions from VAChT KDHET and VAChT KDHOM mice, indicating a previously unrecognized connection between ACh storage, nonvesicular ACh pools, and tissue content. Molecular mechanisms responsible for this increased tissue ACh content have not been uncovered yet, but it does not seem to be due to altered ChAT activity or high-affinity choline uptake. It is interesting that pharmacological experiments with vesamicol, an inhibitor of VAChT, have revealed a similar relationship, whereby decreased secretion of ACh leads to accumulation of intracellular transmitter during nerve stimulation (Collier et al., 1986). Whereas VAChT KDHET mice present only mild defects in neuromuscular neurotransmission, there is a relatively larger deficiency in central ACh release in vivo. Neuromuscular transmission has a high safety margin, and neuromuscular weakness is not observed until a significant proportion of neuromotor units are compromised (Paton and Waud, 1967; Waud and Waud, 1975). Therefore, it is reasonable to envision that a partial decrease in VAChT expression will cause more profound consequences on cholinergic transmission in the brain, where a relatively small number of synaptic vesicles (100–200 vesicles) need to be constantly recycled and refilled with neurotransmitter. In contrast, at neuromuscular synapses, there is a very large population of vesicles; fast refilling of vesicles may not be as crucial for neurotransmission at the neuromuscular junction as it is for brain synapses, at least when under low neuromuscular demand. The VAChT KDHET mice present a unique opportunity to investigate the consequences of homogeneous decrease of ACh tone in cognitive tasks, as the results show that these mice represent a model of moderate, predominantly central cholinergic dysfunction. We observed no deficits in performance of VAChT KDHET mice in the step-down inhibitory avoidance test. A number of experiments have demonstrated that inhibition of nicotinic and muscarinic central receptor activity can affect performance of rats in this paradigm (Barros et al., 2002), indicating an important cholinergic contribution toward performance in this test. It is likely that the reduction of cholinergic function in VAChT KDHET mice was below the threshold for detecting a learning or memory impairment for this task. This result supports the notion that ACh participates in, but is not essential for, some hippocampal-dependent paradigms of learning and memory (Parent and Baxter, 2004). Interestingly, VAChT KDHET mice performed worse than wild-type mice in an object recognition test, suggesting that even mild decline of cholinergic function can affect cognitive processes required for this task. Indeed, rats treated with 192 IgG-saporin, which leads to cholinergic degeneration in the basal forebrain, also present object recognition deficits (Paban et al., 2005), and object recognition alterations are observed in certain mouse models of AD (Dewachter et al., 2002). It is likely that VAChT KDHET present such deficits because they have impairments in their ability to learn or remember the intricate cues necessary for discriminating the novel object. Our data also revealed an important role of cholinergic tone in recognition of mouse conspecifics. In these experiments, the KDHET mice explore unfamiliar mice; however, their preference for a social stimuli is somewhat decreased compared with wild-type mice. Nonetheless, the mutant mice are not socially deficient, but they are clearly impaired in remembering intruder mice when compared with wild-type mice. Absence of deficits in olfactory discrimination in VAChT KDHET mice supports the notion that the decreased social memory is due to cognitive impairments rather than a simple incapacity to process olfactory cues. An important role of cholinergic tone in social recognition is supported by reversal of this phenotype in mice treated with a cholinesterase inhibitor and by the fact that VAChT KDHOM mice also present a significant deficit in social recognition. Social memory in rodents depends upon the activity of vasopressin on V1A receptors in the lateral septum (Bielsky et al., 2005) and upon the activity of oxytocin (Bielsky and Young, 2004; Ferguson et al., 2000; Winslow and Insel, 2004). However, central muscarinic and a7 nicotinic receptors have also been suggested to play a role in social memory (Prediger et al., 2006; van Kampen et al., 2004; Winslow and Camacho, 1995), indicating a potential mechanism for ameliorating social memory deficits in response to cholinergic decline. Our observations support the notion that reduced cholinergic tone in AD mouse models can indeed cause deficits in social memory. However, based on somewhat similar impairments found in the object and social recognition tasks, it is possible that mild cholinergic deficits may cause a more general memory deficit for recognizing previously learned complex cues, whether social or not. Future detailed investigations will be necessary to further define the specific type of cognitive processing affected by cholinergic deficits in these mutants. Such studies in mouse models of reduced cholinergic tone may be particularly informative for understanding the contribution of cholinergic decline to specific behavioral alterations observed in certain pathologies of the CNS, and may even be helpful in understanding physiological aging (Cummings, 2004). In conclusion, we have generated an animal model to study the impact of decreased VAChT expression on peripheral and central ACh neurotransmission and function. The present results illuminate the role of VAChT in vesicular ACh release and reveal that deficits in VAChT-mediated filling of synaptic vesicles may have important behavioral consequences. Furthermore, these observations indicate an important role for ACh in cognitive processes involved in object and social recognition and memory. In this respect, a decrease in VAChT expression is much less tolerated than a decrease in Neuron 610 ChAT activity, a parameter that is used extensively to evaluate cholinergic deficits in AD. Experimental Procedures Animal Care Heterozygous mutant VAChT mice were backcrossed with C57BL/ 6J animals for three generations; the N3 mice were used in most experiments. Homozygous mutant VAChT mice were obtained by intercrossing N3 heterozygous animals. Control animals were wildtype age- and sex-matched littermates, and all behavioral and most of the biochemical studies were conducted with researchers ‘‘blind’’ to the genotypes of the mice. For all behavioral experiments, male mice were used. Animals were housed in groups of three to five animals per cage in a temperature-controlled room with a 12:12 light-dark cycles, and food and water were provided ad libitum. All studies were conducted in accordance with NIH guidelines for the care and use of animals and with approved animal protocols from the Institutional Animal Care and Use Committees at the Federal University of Minas Gerais in Brazil, Pontificia Universidade Catolica de Rio Grande do Sul in Brazil, and Duke University in the United States. Wire-Hang, Grip Force, Rotarod, and Treadmill Tests The wire-hang experiments were conducted as described (Sango et al., 1996) and time spent hanging upside down was determined with a cutoff time of 60 s. To measure grip force, we used a custom-built force transducer connected to a small support that could be grasped by the mouse as described (Fowler et al., 2002). Five tests were performed per mouse with a maximum period of 50 s for each animal over 2 different days. The force transducer was coupled to a computer and a routine was developed to record the maximal grip force exerted. For the rotarod task, we followed the protocol described by Brandon et al. (1998). Mice were placed on the rotarod apparatus (Insight Equipments, Ribeirão Preto, Brazil) and rotation was increased from 5 to 35 rpm. Latency to fall was recorded automatically. The test was run within the last 4 hr of the light phase of the 12:12 cycle. Ten trials were given on the first day and four trials on the second day, with a 10 min intertrial interval. In the time between trials, mice were placed in their home cage. For the treadmill test (Insight Equipments, Ribeirão Preto, Brazil), mice were trained for 4 days (3 min a day). On the first day, inclination was set to 5 . The inclination was increased by 5 for each training day until reaching 20 . The initial training speed was 8 m/min, and the treadmill was accelerated by 1 m/min. In the second training session, the initial speed was 10 m/min increased to 11 and 12 m/min in the third and fourth training days, respectively. During testing, the initial speed was set to 12 m/min, which was increased by 1 m/min at 2, 5, 10, 20, 30, 40, 50, and 60 min after starting the exercise, essentially as described by Pederson et al. (2005). The work performed (in J) was calculated with the following formula: W(J) = body weight (kg) 3 cos 20 3 9.8 (J/kg 3 m) 3 distance (m). Step-Down Inhibitory Avoidance The step-down inhibitory avoidance apparatus was a 50 3 25 3 25 cm acrylic box which had a floor consisting of a grid of parallel stainless steel bars 1 mm in diameter spaced 1 cm apart. A 10 cm2 wide, 2 cm high acrylic platform was placed in the center of the floor. Animals were placed on the platform and their latency to step down on the grid with all four paws was measured with an automatic device. In the training session, immediately after stepping down on the grid, the animals received a 2.0 s, 0.3 mA scrambled footshock. Retention test sessions were procedurally identical, except that no foot-shock was given. The latency to step down during testing was taken as a measure of retention. A ceiling of 180 s was imposed in this measure, i.e., animals whose test latency was over than 180 s were counted as 180 s. Each animal was tested twice, once at 1.5 hr after training, to measure short-term retention, and once at 24 hr after training, to measure long-term retention (Izquierdo et al., 2002; Lorenzini et al., 1996). Since the variable being analyzed (step-down latency) does not follow a normal distribution, the data were analyzed by Mann-Whitney U or Kruskal-Wallis non- parametric tests, followed by Dunn’s post hoc comparisons where appropriated. Object Recognition All animals were given a single 5 min habituation session with no objects in the open-field arena (as described above). Twenty-four hours after habituation, training was conducted by placing individual mice for 5 min into the field, in which two identical objects (objects A1 and A2; Duplo Lego toys) were positioned in two adjacent corners, 10 cm from the walls. A minimum of 30 s exploration time for objects was allowed in this first exposure. In a short-term memory (STM) test given 1.5 hr after training, the mice explored the open field for 5 min in the presence of one familiar (A) and one novel (B) object. All objects presented similar textures, colors, and sizes, but distinctive shapes. A recognition index calculated for each animal was expressed by the ratio TB/(TA + TB) [TA = time spent exploring the familiar object A; TB = time spent exploring the novel object B]. Between trials the objects were washed with 10% ethanol solution and airdried. In a long-term memory (LTM) test given 24 hr after training, the same mice explored the field for 5 min in the presence of familiar object A and a novel object C. Recognition memory was evaluated as for the short-term memory test. Exploration was defined as sniffing or touching the object with nose and/or forepaws (de Lima et al., 2005). Data for recognition indexes are expressed as median (interquartile ranges). Comparisons among groups were performed using a Kruskal-Wallis analysis of variance and Mann-Whitney U tests. Recognition indexes within individual groups were analyzed with Wilcoxon tests. Social Recognition Mice were housed in individual cages in a quiet room for 4 days to establish territory dominance. Swiss juvenile male mice were used as the intruder. To test for social interaction, the intruder was placed inside a transparent acrylic chamber containing several holes and introduced into the test cage exactly as described (Choleris et al., 2003). Time spent sniffing was measured as the amount of time that VAChT KDHET mice or wild-type littermates spent poking their noses into the holes of the chamber. Initially, the subject tested (wild-type or VAChT KDHET mouse) was exposed to an empty acrylic chamber for 10 min; subsequently, this chamber was exchanged by one containing the intruder and left for 5 min. The entire procedure was repeated four times. After the fourth exposure to the same intruder, a novel intruder was added to the acrylic chamber. The experiment was videotaped and a trained researcher, blind to genotype, evaluated time spent sniffing in each condition. A second experiment consisted of exposing the subject to the same intruder twice with an intertrial interval of 30 min. The standard measure for the statistical analysis in social recognition tests was the time spent exploring the juvenile intruder. To evaluate the contribution of acute cholinergic deficits, saline or 1 mg/kg galantamine (s.c.) was injected 30 min before beginning of the tests. For evaluation of sociability, we followed the protocol described by Kwon et al. (2006). Testing was done in a three-chambered apparatus (15 3 90 3 18.5 cm divided into three chambers of 15 3 29 cm and separated by dividers with a central 3.8 3 3.8 cm door) that offers the subject a choice between a social stimulus and an inanimate target. In the habituation session, mice were allowed to explore the entire box for 10 min. Subsequently, mice stayed 5 min in the center and were then allowed to interact for 10 min with an empty cage in one chamber versus a caged social target in the opposite chamber. Social and nonsocial stimuli were varied among the chambers and the box was cleaned between tests. Results are presented as percentage of total exploration time. Two tests to evaluate the olfactory responses of the mice were conducted (Bielsky et al., 2005; Ferguson et al., 2000). The first consisted of measuring the time that both genotypes took to find a candy located on the surface of bedding or hidden within the bedding (Ferguson et al., 2000). The second test investigated whether VAChT KDHET mice presented olfactory habituation and discrimination. Experiments were performed 7 days after completing the social recognition tests in the same groups of mice. For this test, a microtube, with a piece of cotton containing 10 ml of strawberry essence, was presented to mice four times for 1 min with a 10 min intertrial interval. On the fifth trial, the microtube was exchanged with one containing Mouse Model of Cholinergic Dysfunction 611 vanilla essence. The significance of differences between the groups was determined by Student’s t test or two-way ANOVA, and a post hoc Bonferroni test was performed when appropriate. Changes across trials were assessed with repeated measures ANOVA with Bonferroni’s post hoc analysis. For all other methods, see the Supplemental Data. regulating social recognition: a study with oxytocin and estrogen receptor-alpha and -beta knockout mice. Proc. Natl. Acad. Sci. USA 100, 6192–6197. Supplemental Data The Supplemental Data for this article can be found online at http:// www.neuron.org/cgi/content/full/51/5/601/DC1/. Croft, B.G., Fortin, G.D., Corera, A.T., Edwards, R.H., Beaudet, A., Trudeau, L.E., and Fon, E.A. (2005). Normal biogenesis and cycling of empty synaptic vesicles in dopamine neurons of vesicular monoamine transporter 2 knockout mice. Mol. Biol. Cell 16, 306–315. Acknowledgments We thank W. Roberts and S. Suter (Duke University Medical Center) as well as D.A. Guimaraes and D.M. Diniz (Universidade Federal de Minas Gerais) for outstanding help in caring for mouse colonies, L.F.L. Reis and E. Abrantes (Ludwig Institute, Sao Paulo) for help with genomic library screening, A.M. Carneiro for initial help with the targeting construct, C. Bock for transgenic service (Duke University Medical Center), B. Collier (McGill University), W. Van der Kloot (SUNY) and S. Parsons (UCSB) for discussions, and R.M. Rodriguiz (Duke University Medical Center) for assisting with the statistical analyses of the neurochemistry experiments. This work was partially supported by CAPES Fellowships for a sabbatical period at Duke University (M.A.M.P., V.F.P.), an IBRO grant (M.A.M.P.), a Center for excellence grant (FAPEMIG, CNPq, and PRONEX-MG to M.A.M.P. and V.F.P.), the Millenium Institute (M.V.G.), a Fogarty International Collaboration Award (FIC-NIH, R03 TW007025-01A1 to M.G.C., M.A.M.P., and V.F.P.), and NIH grants DA13551, NS19576 and MH60451 to M.G.C. Establishment of mouse colonies in Brazil received support from a pilot grant from the Alzheimer’s Program of the American Health Assistance Foundation (M.A.M.P.). Received: March 29, 2006 Revised: June 27, 2006 Accepted: August 3, 2006 Published: September 6, 2006 References Barros, D.M., Pereira, P., Medina, J.H., and Izquierdo, I. (2002). Modulation of working memory and of long- but not short-term memory by cholinergic mechanisms in the basolateral amygdala. Behav. Pharmacol. 13, 163–167. Bartus, R.T., Dean, R.L., III, Beer, B., and Lippa, A.S. (1982). The cholinergic hypothesis of geriatric memory dysfunction. Science 217, 408–414. Bejanin, S., Cervini, R., Mallet, J., and Berrard, S. (1994). A unique gene organization for two cholinergic markers, choline acetyltransferase and a putative vesicular transporter of acetylcholine. J. Biol. Chem. 269, 21944–21947. Bielsky, I.F., and Young, L.J. (2004). Oxytocin, vasopressin, and social recognition in mammals. Peptides 25, 1565–1574. 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