Tromboembolismo pulmonar por trombose venosa profunda de

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Tromboembolismo pulmonar por trombose venosa profunda de membro superior: um
relato de caso.
Adriano Hirata Kitayama¹; Gésio Eduardo Antas Rodrigues¹;Matheus Vitor Benito Blanco¹; Davi Câmara Opaleye²
¹Residentes do segundo ano de clínica médica do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi – Campinas SP
²Preceptor da enfermaria de Clínica Médica do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi – Campinas SP
INTRODUÇÃO: Trombose venosa profunda aguda (TVP) é a oclusão de veia
Apresenta como complicação grave, em sua fase aguda, a embolia pulmonar e,
por trombo causando reação inflamatória local¹. Estima-se que a ocorrência da
tardiamente, a síndrome pós-trombótica. Já o seu tratamento, engloba a
mesma em membros superiores seja de 1% a 4% do total de casos, tornando-se
anticoagulação sistêmica o mais precoce possível para evitar novos episódios e
cada vez mais comum nas últimas décadas4. Apresenta considerável morbidade,
complicações
pois até um terço dos casos evoluem para embolia pulmonar. A trombose venosa
profunda é uma entidade relativamente frequente, podendo ocorrer tanto em
veias do sistema superficial, como do sistema profundo. A fisiopatologia baseia-
OBJETIVOS: Relatar um caso de tromboembolismo pulmonar relacionado a
TVP de membro superior após realização de procedimento ortopédico,
se na tríade de Virchow, que engloba lesão do vaso, estase venosa e
considerando a baixa incidência do quadro, a alta morbidade e a apresentação
hipercoagulabilidade sanguínea. Os seus fatores de risco incluem: obesidade,
peculiar do caso.
neoplasias, varizes, lesões venosas traumáticas ou iatrogênicas (exames
invasivos), pacientes acamados ou imobilizados por doença sistêmica ou local no
membro, pacientes com cardiopatia dilatada, compressões extrínsecas da veia,
gravidez, puerpério, uso de anticoncepcionais orais, doenças hematológicas,
fraturas, quimioterapia, tabagismo, entre outras.
DELINEAMENTO/MÉTODOS: Relato de caso clínico com base em dados
coletados de prontuário e após revisão literária.
RELATO CLÍNICO: : Paciente do sexo masculino, branco, 63 anos, ex-
Manteve quadro inflamatório local, com piora nas horas próximas ao evento
tabagista e com hiperplasia prostática benigna, admitido no Pronto Socorro
dispneico, apresentando pulso radial e braquial palpáveis, com discreta
de hospital secundário na grande Campinas-SP por voltas das 22horas do dia
limitação dos movimentos do membro superior direito, dor e edema local
12/05/2015, com quadro de dispneia súbita iniciada 12 horas antes. No
discretos. Pelos critérios de Wells modificado apresentava alta probabilidade
atendimento inicial apresentava agitação psicomotora, taquidispneia, baixa
de TVP. Realizado Angiotomografia de tórax com imagem característica de
saturação de O2 e flogose em ombro direito. Possuía história de artroscopia
TEP, sendo confirmada a hipótese. Apresentou também eletrocardiograma
de ombro direito para correção de lesão em manguito rotador há 6 dias,
com padrão S1Q3T3. Na evolução do caso, apresentou piora da hipoxemia e
procedimento realizado sem intercorrências, como constava em resumo de
instabilidade hemodinâmica, optando-se por realizar trombólise com
alta hospitalar.
alteplase. Obteve boa resposta clínica, com inicio posterior da anticoagulação
plena com warfarina. Evoluiu satisfatoriamente em leito hospitalar, sem
intercorrência recebendo alta para acompanhamento ambulatorial.
DISCUSSÃO: A trombose venosa profunda de membros superiores (TVPMS),
As alterações eletrocardiográficas do tipo S1Q3T3 tidas como sugestivas
geralmente, em veias axilar e subclávia, com evolução para tromboembolismo
em TEP nada mais são que um sinal agudo de cor pulmonale que
pulmonar (TEP), possui baixa incidência e alta morbidade. Aliado às
apresenta-se alterado em outras patologias como broncoespasmo agudo,
peculiaridades do caso, despertou-se a necessidade de relato do mesmo.
pneumotórax e outras doenças pulmonares. Considerada então como uma
Representa menos de 5% dos casos de TVP, com apenas um terço dos casos
ferramenta pobre diagnóstica servindo como adjuvante para descartar
evoluindo para TEP. Normalmente, desenvolve-se como complicação de cateter
outros diagnósticos fatais como Infarto agudo do miocárdio². Mas, sempre
venoso central (CVC), câncer ou mesmo espontaneamente, tendo como uma das
deve levantar suspeita do diagnóstico, que neste caso foi determinante.
principais complicações a embolia pulmonar (EP).Em estudo americano recente,
procurou-se comparar a TVPMS com a TVP de extremidades inferiores.
Constatou-se como forte fator de risco isolado para o evento o uso de CVC,
CONCLUSÃO: Uma doença grave, com risco de desfecho fatal ou de sequelas,
principalmente em pacientes com neoplasias. Mas, curiosamente, em pacientes
com altos custos para o sistema de saúde, implica em um diagnóstico rápido e
com TVP em membros superiores não associado ao uso de CVC, a ocorrência de
precoce, o que determinou melhor prognóstico para o caso.
cirurgias, obesidade ou idade avançada (fatores de risco importantes para TVP
em membros inferiores) pareceram não interferir substancialmente na ocorrência
do evento. Pelo contrário, idade mais jovem e baixo peso aumentariam o risco³.
Contrariando tal padrão, observamos como único fator de risco para o evento
trombótico no paciente o procedimento cirúrgico realizado, já que o mesmo não
era jovem ou de baixo peso.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
1. Azevedo, I.M. Trombose Venosa Profunda de Membros Superiores e Adenocarcinoma
Brônquico. Relato de caso. Ver. Bras. Clin. Med, 2009; 7: 146-149.
2. Chan TC, Vilke GM, et al. Electrocardiographic manifestations pulmonar embolism. J
Emerg Med. 200; 21(3):263-70;
3. Hylton V. Joffe, MD; Nils Kucher, MID; Victor F.Tapson, MD; Samuel Z. Goldhaber,
MD; for the Deep Vein Throbosis (DVT) FREE Steering Committee. Upper-Extremity Deep
Vein Thrombosis. Circulation, September, 2004. 1605-1611.
4. Yoshida, R.A; Sobreira, M.L; Giannini; M; Moura, R; Rollo, H.A; Yoshida, W.B; Maffei;
F.H.A. Trombose venosa profunda de membros superiores. Estudo coorte retrospectivo de 52
casos. J. Vasc. Br. 2005; 4(3): 275-82;
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