Aulas nº 6 e 7

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Cinética das reações
orgânicas
Cinética de reações simples
Determinação do tempo de semi-vida
Ana Paula Francisco
QFII 2016-2017
Cinética
Segundo as guidelines para o estudo da Estabilidade
“Quando forem detetados produtos de degradação
deve-se fornecer a seguinte informação”:
- Identificação e estrutura química
- Informação disponível sobre efeitos biológicos e significado
nas concentrações em que podem ser encontrados
- Procedimentos para isolamento e purificação
- Mecanismos de formação, incluindo ordem da reação
- Propriedades físico-químicas
2
Cinética
Importância do conhecimento da ordem da reação
- Determina como é que os dados de degradação devem
ser tratados
- Estabelecimento dos prazos de validade (importância
financeira)
3
Cinética
Cinética e mecanismo
A cinética química compreende o estudo quantitativo de
todos os fatores que afetam a velocidade das reações
químicas.
A nível molecular a cinética química pretende descrever o
comportamento das moléculas à medida que colidem umas
com as outras, se transformam em novas espécies e se
separam novamente.
4
Cinética
O estudo cinético deve ser feito depois de se conhecerem os
produtos da reação e compreende:
- Determinação de uma equação de velocidade empírica
para a reação em questão (diz-nos como é que a velocidade
de formação dos produtos varia com a concentração dos
reagentes,
catalisadores,
mantendo
constantes
a
temperatura, pressão, força iónica, solvente).
- Estudo de outros efeitos: efeito de substituintes, efeitos
isotópicos, efeito da temperatura, efeito da força iónica, efeito
do solvente.
Os dados experimentais obtidos permitem propor um
mecanismo para a reação.
5
Cinética
1 – Cinética de reações simples
Equação de velocidade. Constante de velocidade.
Ordem de reação
Uma reação que ocorre num único passo é uma reação
elementar ou uma reação simples.
a A + bB
k
c C + dD
6
Cinética
a A + bB
k
c C + dD
1 D 1 C 
1  A
1 B
vel 



 k  A B
d dt c dt
a dt
b dt
a
b
A equação da velocidade relaciona a velocidade da reação
com a concentração dos reagentes.
A equação da velocidade, que fornece informação sobre a
ordem da reação (a + b) e sobre a constante de velocidade
(k), tem que ser determinada experimentalmente.
7
Determinação de constantes de velocidade.
Equações integradas
Geralmente a velocidade de uma reação varia com o tempo,
uma vez que é proporcional à concentração e esta varia ao
longo do tempo.
Para obter uma relação linear entre um termo de
concentração e o tempo, a equação de velocidade diferencial
8
tem que ser integrada.
Cinética
Para uma reacção de 1ª ordem
A
k1
P
d  A
v
 k  A
dt
1
d  A
   k dt
 
A
 A
t
A 0
0
1
d  A
 k dt
A
1
ln A  ln A  k t
0
1
9
Cinética
Para uma reação de 2ª ordem
2A
k1
d  A

 k  A
dt
2
P
1
1

 kt
A A
0
10
Cinética
A+B
k1
d  A

 k  AB 
dt
P

1
A B
ln
 kt
B  A B A
0
0
0
0
11
Cinética
Reações de pseudo-primeira ordem
A + B
P
v  k AB
Se a concentração inicial de B for muito superior à
concentração de A, a concentração de B permanecerá
praticamente constante durante o decurso da reação.
A dependência da velocidade da reação em relação a A
pode ser isolada e pode-se escrever a seguinte equação
da velocidade:
12
Cinética
d  A
v
k
dt
obs
A
k  k B
obs
k = constante de velocidade de 2ª ordem
kobs = constante de velocidade observada de pseudo-1ª
ordem
13
Cinética
Exemplos
Reação de degradação do acetato de etilo com o hidróxido de sódio


d CH 3COOC2 H 5 
 k CH 3COOC2 H 5 NaOH 
dt
d CH 3COONa 
 kobs CH 3COOC2 H 5 
dt
em que
se
NaOH  CH 3COOC2 H 5 

kobs  k NaOH

14
Cinética
Esterificação
O
R C
OH
+
H
EtOH
+
O
R C
+
OEt
H2O
v  k RCOOH 
obs
k  k EtOH H
obs


15
Tempo de semi-vida
É o tempo necessário para que a concentração inicial do
reagente se reduza a metade.
Considerando a concentração inicial de A como A0 e a
equação da velocidade integrada
lnA  kt  lnA0
Pode-se escrever:

A0
ln
2
 kt1  lnA0
Donde se tira
2
ln 2
t 
k
1
2
16
Tempo de semi-vida
Degradação da glucose em HCl 0,35 N
17
Tempo de semi-vida
Degradação da glucose em HCl 0,35 N
18
Tempo de semi-vida
Degradação da glucose em HCl 0,35 N
lnC = ln C0-kt
• Declive = -k = -0,0259
• K = 0,0259 h
• Tempo de meia vida = 0,693/K = 0,693/0,0259= 26,8 h
• Os dados foram recolhidos foram inferiores a 1 meia-vida mas
deveriam ter sido recolhidos durante 3, 4 meias vidas
19
Tempo de vida de armazenamento
Tempo de prateleira - é o tempo necessário para que 10% do fármaco se degrade
0,1 A0 = k0t0,9
𝑡0,9
0,1𝐴0
=
𝑘0
Exemplo:
Calcular o tempo de prateleira de uma suspensão de ampicilina
(2,5g/100mL) a pH 5,8 e a 35ºC, sabendo que k0 = 2,2x10-7g/100 mL.s
𝑡0,9 =
0,1(2,5)
= 1,14x106 s = 13,2 dias
−7
2,2 𝑥10
20
Catálise Homogénea
1 - Catálise ácido-base
2 - Perfis de pH-velocidade
21
Catálise ácido-base
Muitas reações são aceleradas por reagentes que não
estão incluídos na estequeometria da reação: o
catalisador
22
Catálise ácido-base
23
Catálise ácido-base
A
A
k1[A]
kc[A] [C]
P
Reação não-catalisada
P
Reação catalisada
Vel = -d[A]/dt = k1[A] + kc[A] [C]
24
Catálise ácido-base
Vel = -d[A]/dt = k1[A] + kc[A] [C]
Em condições de pseudo-primeira ordem:
vel = -d[A]/dt = kobs[A]
kobs = k1 + kc[C]
k1 = constante de 1ª ordem (reacção não catalisada)
kc = constante de 2ª ordem (reacção catalisada)
25
1 - Catálise ácido-base
Muitos fármacos têm propriedades ácidas ou básicas,
geralmente fracas.
Uma base fraca pode adicionar um protão para formar um
intermédio catiónico que reage rapidamente com
nucleófilos.
O
H3C
+
H3O+
CH3
H3C
H
O
CH3
26
1 - Catálise ácido-base
Um ácido fraco pode perder um protão para formar um
intermédio aniónico que reage rapidamente com
electrófilos.
-
O
H3C
O
CH2
H3C
CH2
H
B
27
Catálise ácida específica
Este termo é aplicado a reacções nas quais o protão é o
único ácido que aparece na equação de velocidade.
S + H3O+
SH+
k1
k-1
k2
limitante
SH+ + H2O
P
Vel = d[P]/dt = k2[SH+]
28
Catálise ácida específica
Aplicando a aproximação do estado estacionário:
k1[S][H3O+] = k-1[SH+][H2O] + k2[SH+]
como H3O+ = H+
k1[S][H+] = k-1[SH+] + k2[SH+]
[SH+] =
Vel = d[P]/dt =
k1________
[S][H+]
k-1 + k2
+
k___________
1 k2[S][H ]
k-1 + k2
29
Catálise ácida específica
Vel =
___________
k1 k2[S][H+]
k-1 + k2
como k2 é o passo limitante da velocidade então k-1 >> k2 e
k____
1 k2
Vel =
[S][H+]
k-1
Em condições de pseudo-primeira ordem: vel = kobs[S]
kobs =
k____
1 k2
k-1
[H+]
kobs = kH+ [H+]
30
Catálise ácida específica
Reacções paralelas
S
k0
P
S+
H+
kH+
P
vel = k0[S] + k H+ [H+][S]
vel = kobs [S]
kobs = k0 + kH+[H+]
31
Catálise ácida específica
Exemplo
O
O
+
H3C
OCH2CH3 +
H2O
H
H3C
[H+] / M
kobs /s-1
0.5
5.110-5
0.7
7.210-5
1.0
9.910-5
1.5
1.410-4
2.0
1.910-4
2.5
2.310-4
OH +
CH3CH2OH
FAZER
GRÁFICO
32
Catálise ácida específica
2.50E-04
y = 8.94E-05x + 8.16E-06
R2 = 9.99E-01
k obs /s-1
2.00E-04
kH+
1.50E-04
1.00E-04
5.00E-05
0.00E+00
0
0.5
1
1.5
2
2.5
3
[H+]/M
Ordenada na origem: reação na ausência de catalisador
33
Catálise ácida específica
O
H3C
O
+
OCH2CH3
+
H2O
H
H3C
OH +
CH3CH2OH
kobs = 8.9410-5 [H+] + 8.1610-6
kobs = kH+ [H+] + kH2O [H2O]
kH+ = 8.9410-5 M-1s-1
kH2O [H2O] = k0 = 8.1610-6 s-1
kH+ / k0  10 ou seja, o H+ torna o éster 10 vezes mais reactivo
34
Catálise ácida específica
H
O
+
k H+ =
OEt
H3C
O
H3C
H O
H
8.9410-5 M-1s-1
O
H
OEt
H3C
SH+
S
+
+
H
OEt
O
H
OEt
H3C
H O+
H
Passo
limitante
35
Catálise ácida específica
O
H
OEt
H3C
O+
H
H
O
H3C
HO
H
O
+
O
H3C
HO
+
O
Et
H
Et
+
O
H
H
+
H3C
O
OH
H
H
+
O
H
O
+
H3C
Et
OH
H3C
OH
+
H
36
Catálise ácida específica
k0 = 8.1610-6 s-1
O
O
H3C
H O
H
OEt
OEt
H3C
O+
H
H
O
OH
H3C
37
Catálise básica específica
Este termo é aplicado a reações nas quais o ião hidróxido
é a única base que aparece na equação de velocidade.
SH + HO-
S-
k1
k-1
k2
limitante
S- + H2O
P
Vel = d[P]/dt = k2[S-]
38
Catálise básica específica
Aplicando a aproximação do estado estacionário:
k1[SH][HO-] = k-1[S-][H2O] + k2[S-]
[S-] =
Vel =
k1[SH][HO-]
____________
k-1[H2O] + k2
k1 k2[SH][HO-]
______________
k-1[H2O] + k2
39
Catálise básica específica
k1 k2[SH][HO-]
______________
Vel =
k-1[H2O] + k2
como k2 é o passo limitante da velocidade então k-1 [H2O] >> k2 e
k1 k2[SH][HO-]
______________
Vel =
k-1 [H2O]
Em condições de pseudo-primeira ordem: vel = kobs[SH]
kobs = k1 k2[HO-]
________
k-1 [H2O]
kobs = kHO- [HO-]
40
Catálise básica específica
Reações paralelas
SH + H2O
k0
P
SH +
HO-
kHO-
P
vel = k0[SH] + k HO-[HO-][SH]
vel = kobs [SH]
kobs = k0 + kHO- [HO-]
41
Catálise básica específica
O
2
H3C
OH
H
O
HO-
H3C
[HO-] / M
kobs /s-1
3.010-3
3.510-2
5.010-3
4.210-2
7.010-3
5.910-2
10.010-3
7.410-2
20.010-3
14.910-2
30.010-3
22.310-2
H
FAZER
GRÁFICO
42
Catálise básica específica
2.50E-01
k obs /s-1
2.00E-01
kH2O [H2O]
kHO-
1.50E-01
1.00E-01
y = 7.08E+00x + 8.48E-03
R2 = 9.98E-01
5.00E-02
0.00E+00
0.00E+00
1.00E-02
2.00E-02
3.00E-02
4.00E-02
[OH-]/M
kobs = kHO- [HO-] + kH2O [H2O]
kobs = kHO- [HO-] + k0
43
Catálise básica específica
O
O
H2C
H
HO-
H
-
O
H2C
H
H2C
H
- O
limitante
H3C
H
O
H
OH
O
H
H3C
O
H
H
H3C
O
44
Catálise ácida geral
Quando as reacções são efectuadas em tampões que têm
como forma ácida um ácido de Brönsted, HA, então este
também pode funcionar como catalisador
Catálise ácida geral: todos os ácidos de Brönsted em
solução catalisam a reacção
kobs = kH2O [H2O] + kH+ [H+] + kHA [HA]
45
Catálise ácida geral
kobs /s
-1
kobs = kH2O [H2O] + kH+ [H+] + kHA [HA]
kH2O [H2O] + kHA [HA]
[H+]/M
46
Catálise ácida geral
Equação de Henderson-Hasselbach:
k obs /s
-1
pH = pKa + log [A-]/[HA]
É possível manter o pH constante e variar a concentração
do tampão desde que [A-]/[HA] seja fixa
kHA
kH2O [H2O] + kH+ [H+]
[HA]/M
47
Catálise básica geral
Quando as reações são efetuadas em tampões que têm
como forma básica uma base de Brönsted, B, então esta
também pode funcionar como catalisador
Catálise básica geral: todas as bases de Brönsted em
solução catalisam a reacção
kobs = kH2O [H2O] + kHO- [HO-] + kB [B]
48
Catálise básica geral
k obs /s
-1
kobs = kH2O [H2O] + kHO- [HO-] + kB [B]
kHO-
kH2O [H2O] + kB [B]
[HO-]/M
49
Catálise básica geral
Equação de Henderson-Hasselbach:
pH = pKa + log [A-]/[HA]
k obs /s
-1
É possível manter o pH constante e variar a concentração
do tampão desde que [B]/[BH+] seja fixa
kB
kH2O [H2O] + kHO- [HO-]
[B]/M
50
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