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1. Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID)
O autismo e os transtornos invasivos do desenvolvimento (TIDs), referem-se
a um grupo de distúrbios da socialização com início precoce geralmente antes dos 3
anos e curso crônico (Klin, 2006). São definidos como uma desordem do
comportamento duradoura e persistente, em que os indivíduos portadores deste
quadro clínico demonstram uma diminuição qualitativa da comunicação e da
interação social, restrição de interesses, além de apresentarem comportamentos
estereotipados e maneirismos (WHO, 1993 e APA, 1995).
Os diagnósticos de TID e autismo baseiam-se atualmente nos critérios
internacionais propostos pela Classificação Internacional das Doenças Mentais
(CID) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Na
quarta edição revisada do DSM, fazem parte dos TID: Autismo, Transtorno de
Asperger, TID - Sem Outra Especificação (TID-SOE), Transtorno de Rett e
Transtorno Desintegrativo da Infância (APA,1995).
As apresentações clínicas podem variar tanto em relação ao perfil da
sintomatologia quanto ao grau de comprometimento. Estes transtornos configuramse como distúrbios do neurodesenvolvimento decorrentes de alterações nos
circuitos do cérebro social, interferindo nos processos de desenvolvimento social,
cognitivo
e
da
comunicação.
A
heterogeneidade
das
manifestações
comportamentais e os diferentes graus de acometimento estão relacionados a uma
possível natureza dimensional do transtorno.
Apesar de sua etiologia não estar totalmente estabelecida, diversos estudos
sugerem associações destes transtornos com alterações genéticas e de bases
neurobiológicas, além de fatores ambientais como acidentes pré-natais, distúrbios
metabólicos e infecções pós-natais (Slonims, 2003). Portanto, qualquer tentativa de
compreendê-los requer uma análise em diferentes níveis, como do comportamento
à cognição, da neurobiologia à genética, e as estreitas interações entre cérebro,
ambiente e comportamento ao longo do tempo (Klin e Mercadante, 2006).
A severidade dos sintomas dos TIDs está associada à presença ou não de
retardo mental. Algumas condições estão invariavelmente ligadas a um déficit
intelectual (Síndrome de Rett e Transtorno Desintegrativo da Infância), enquanto
outras podem ou não cursar com retardo mental (Autismo e TID-SOE); por fim, há
condições que geralmente cursam com uma inteligência normal (Síndrome de
Asperger).
O autismo clássico e a Síndrome de Asperger são os mais conhecidos entre
os TIDs. Esses indivíduos geralmente exibem alterações cognitivas que acarretam
dificuldades para compreender situações sociais e as regras implícitas no
relacionamento interpessoal, comunicar-se de maneira interativa, lidar com
situações inusitadas e ser capaz de regular os seus comportamentos de acordo com
o contexto. Desta maneira, são indivíduos normalmente inflexíveis, apegados à
rotina e a interesses específicos, o que os torna muitas vezes inadequados e
desadaptados socialmente.
2. Epidemiologia
O primeiro estudo epidemiológico sobre autismo foi realizado em 1966 na
Inglaterra, por Lotter, que encontrou uma taxa de 4,1 para 10.000 crianças entre 8 e
10 anos. Desde então, dezenas de estudos epidemiológicos vêm sendo publicados,
observando-se um considerável aumento nas taxas de prevalência com o passar
dos tempos, deixando de ser um transtorno raro. Durante o período de 1966 a 1991,
a taxa média para autismo infantil encontrada nos estudos era de 4,4/10.000.
Posteriormente, a prevalência atingiu 12,7/10.000 nos estudos realizados até 2001,
sendo que os índices mais atuais sugerem 10 para 10.000 indivíduos com autismo
clássico e cerca de 30 a 60 para 10.000 para o espectro autista (Williams, Brayne &
Higgins, 2006).
Existem evidências na literatura de que há uma maior incidência de autismo
em meninos do que em meninas, sendo a proporção de 4 meninos para cada
menina (Charman, 2002). Interessante que esta taxa tende a ser menor na
presença de retardo mental (2:1) (Klin, 2006).
Algumas razões vêm sendo descritas na literatura para tentar explicar este
possível aumento na prevalência de autismo, sendo elas: 1) a ampliação do
conceito do autismo, que passou a ser entendido como um espectro de condições;
2) maior conscientização de clínicos e da comunidade sobre as manifestações do
autismo; 3) detecção mais eficiente dos casos sem deficiência mental e
reconhecimento de que o autismo pode estar associado a outras condições; 4)
melhora nos serviços de atendimento a esta população, o que incentiva o
diagnóstico; 5) aumento de estudos epidemiológicos com grandes populações, o
que contribui para a detecção de novos casos; 6) mudanças na metodologia dos
estudos (idade da amostra e critérios diagnósticos); 7) possibilidade de um
verdadeiro aumento do numero de casos, associada a um provável aumento dos
fatores de risco (causas ambientais) (Fombonne, 2003; Williams, Brayne & Higgins,
2006).
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