estágio múltiplo vs único de incubação artificial de ovos

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Incubação
Estágio múltiplo VS único de incubação artificial de ovos. Uma análise
especial da professora Elisabeth Gonzales, da Unesp/Botucatu.
A moderna indústria avícola brasileira adotou há várias décadas o sistema de
estágio múltiplo de incubação artificial de ovos férteis de matrizes pesadas, com o
objetivo de maximizar a produtividade do incubatório. Com isso, foi possível uma
significativa economia de energia na época, mantendo-se eficientemente a
produção de pintos de um dia.
Na incubação em estágio múltiplo, geralmente três ou seis lotes de ovos são
incubados em diferentes dias do período de incubação, de tal modo que a cada
semana um ou dois novos lotes substituem outros que são transferidos para os
nascedouros. Os embriões com mais de 10 dias de incubação produzem
significativa quantidade de calor que, teoricamente, é transferida para os ovos com
embriões mais novos que necessitam receber calor. O uso da máquina é contínuo,
exigindo apenas uma parada anual para manutenção, que nem sempre é feita. Essa
prática permitiu otimizar o uso da máquina de incubação em termos de gasto de
energia e de funcionamento, conceitos básicos que justificaram a instalação de
máquinas de incubação de estágio múltiplo no século passado, período da grande
industrialização da avicultura.
Nos mais de 40 anos de expansão da indústria, a ciência avícola evoluiu, ampliando
de modo significativo os conhecimentos em fisiologia, genética, nutrição e sanidade
das aves domésticas. O frango de corte moderno, capaz de atingir 2 kg aos 35 dias
de idade, tem seu desempenho final correlacionado com os resultados obtidos na
primeira semana pós-eclosão que, por sua vez, depende da qualidade de
desenvolvimento embrionário. Portanto, cerca de 50% da vida útil do frango de
corte (57 dias) estão condicionados pelo resultado do desenvolvimento embrionário
(22 dias) e da primeira semana de vida do pintainho (29 dias).
A importância do processo de incubação artificial
Os resultados de eclodibilidade, janela de nascimento, qualidade do neonato e
viabilidade na primeira semana pós-eclosão dependem, e muito, do adequado
desenvolvimento embrionário. Existem inúmeros fatores que podem afetar as
exigências básicas do embrião (temperatura, nutrição, trocas gasosas e
movimentações), determinando uma evolução embrionária inadequada, capaz de
determinar a morte do embrião ou até influenciar o crescimento e viabilidade inicial
da vida pós-eclosão. Entre esses fatores, a temperatura é considerada a mais
importante durante o período de incubação artificial.
Estudos recentes da comunidade científica demonstraram que após a estocagem e
antes da colocação do ovo fértil em temperatura de incubação, o manejo deve
permitir a elevação gradual e constante da temperatura interna do embrião,
medida através da temperatura da casca, de tal modo que durante todo o período
de incubação seja mantida em 37,8 ºC. A não observância da temperatura em
condições adequadas prejudica o desenvolvimento embrionário, a qualidade do
neonato e predispõe a perdas na primeira semana pós-eclosão por mortalidade ou
problemas locomotores devido a assimetria bilaterial do fêmur e/ou da tíbia e,
principalmente, o predispõe a desempenho inferior, manifestado através de alta
conversão alimentar, baixo ganho de peso diário e desuniformidade. Esse manejo
da temperatura para perfeito desenvolvimento só é conseguido em máquinas com
estágio único de incubação.
O estágio único permite melhorar a condição sanitária da incubação, manter
constante a perda de umidade e, ainda, ajustar as trocas gasosas em relação à
qualidade da casca do ovo, conservando a temperatura ótima do embrião para a
adequada atividade metabólica, fatores que condicionam e maximizam a qualidade
do desenvolvimento embrionário. Além disso, a revisão técnica da máquina é
realizada com uma periodicidade maior, minimizando as perdas de incubação por
quebra do equipamento no meio do período de desenvolvimento embrionário. É
importante ressaltar também que projetos com máquinas modernas apresentam
consumo de energia inferior aos equipamentos convencionais de estágio múltiplo,
resultando em menor custo de produção, item tão crítico atualmente nos
incubatórios.
Constata-se, pois, que a otimização da produção do frango de corte é altamente
dependente da fase de desenvolvimento embrionário que pode e deve ser
melhorado com o uso de máquinas de incubação de estágio único.
Por Profa. Elisabeth Gonzales, FMVZ, Unesp/Botucatu (SP).
Contato: [email protected]
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