1 EFEITO DA CORRENTE RUSSA NA FLEXIBILIDADE DE

Propaganda
1
EFEITO DA CORRENTE RUSSA NA FLEXIBILIDADE DE QUADRIL
Batista KV, Santos RT, Rosas RF
Acadêmicas do curso de Fisioterapia UNISUL, Docente do curso de Fisioterapia UNISUL
Curso de Fisioterapia, Universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL, Tubarão SC
Karisy Vieira Batista. Rua Otacílio de Carvalho, 757. Centro, Imbituba SC
[email protected]
Renata Tomaz dos Santos. Rua Musicista Júlio Barreto, 107. Progresso, Laguna SC
[email protected]
RESUMO
Esta pesquisa tem por objetivo analisar os efeitos da utilização da corrente russa na
flexibilidade de quadril. O estudo utilizou uma amostra composta por 19 indivíduos. Foram
realizados cinco atendimentos na Clínica Escola de Fisioterapia - UNISUL, onde inicialmente
foi verificado o grau de flexibilidade de cada indivíduo através do teste finger-floor e após foi
realizado a aplicação da corrente russa no quadríceps dos indivíduos por 5 minutos com
freqüência portadora de 2.500 hz e freqüência modulada de 40 hz para fibras tônicas e mais 5
minutos a 60hz para fibras fásicas. Após a aplicação da corrente foi novamente realizado o
teste finger-floor. Foram realizados 3 procedimentos do mesmo sendo que foi utilizado a
melhor das medidas obtidas pelos indivíduos. Para análise dos dados utilizou-se o teste de
Wilcoxon para amostras independentes, com significância igual a 5% (p=0,05). Na análise das
medidas pré e pós procedimento observou-se diferença estatisticamente significativa em 13
dos 19 indivíduos participantes demonstrando a efetividade na utilização da corrente russa no
ganho de flexibilidade de quadril. Concluiu-se que a eletroestimulação neuromuscular no
músculo agonista da flexão de quadril é efetiva para o alongamento do músculo antagonista
da mesma, podendo ser incluída também nos protocolos de ganho de amplitude de movimento
articular.
Palavras-chave: Corrente Russa. Flexibilidade. Facilitação neuroproprioceptiva.
ABSTRACT
This research aims to examine the effects of using the Russian chain flexibility of the hip. The
study used a sample of 19 individuals. Made five appointments in Physical Therapy Clinic UNISUL, which was initially verified the flexibility of each individual through the fingerfloor test was conducted and after the application of Russian power in the quadriceps of
individuals for 5 minutes with carrier frequency of 2500 hz and 40 hz frequency modulated
and tonic fibers for another 5 minutes to 60hz phasic fibers. After applying the current test
was carried out again, finger-floor. Were performed three procedures are the same that was
used the best measures taken by individuals. For data analysis we used the Wilcoxon test for
independent samples with significance equal to 5% (p = 0.05). In the analysis of pre and post
procedure there was a statistically significant difference in 13 of 19 individuals participating
in demonstrating the effectiveness of Russia's use of the current gain of hip flexibility. It was
concluded that neuromuscular electrical stimulation on muscle agonist hip flexion is effective
for stretching the antagonist muscle of the same, may also be included in protocols to gain
range of motion.
Keywords: Russian Current. Flexibility. Proprioceptive neuromuscular facilitation.
2
INTRODUÇÃO
A inatividade física é uma
das causas da redução da flexibilidade
muscular podendo levar a alterações
como o encurtamento muscular. A
população hoje em dia está acomodada,
devido às facilidades tecnológicas e a
própria correria do dia a dia. É possível
encontrar muitos indivíduos que não
praticam nenhum tipo de atividade
física regular além de não ter uma
alimentação saudável.
A flexibilidade é importante
para a realização das atividades de vida
diária, pois permite mover a articulação
através de uma amplitude de
movimento normal sem estresse
excessivo para a unidade músculo
tendínea.
Interferindo diretamente no
desempenho de cada indivíduo, a
flexibilidade pode ser melhorada
gradativamente
por
meio
de
treinamento. Na fisioterapia umas das
técnicas mais utilizadas para ganho de
flexibilidade é o alongamento muscular,
porém outros meios para estimular os
mesmos ganhos podem ser utilizados.
A inibição recíproca é um
desses meios, teoricamente quando o
grupo
muscular
agonista
para
determinado movimento é ativado, o
grupo antagonista correspondente sofre
um relaxamento.
Entende-se por músculo ou
grupo muscular agonista, o músculo que
esta se contraindo para produzir o
movimento articular ou manter uma
postura. O agonista sempre se contrai
ativamente para produzir uma contração
concêntrica, isométrica ou excêntrica1.
O músculo ou grupo
muscular antagonista é o músculo que
possui a ação anatômica oposta a do
agonista. Usualmente o músculo
antagonista é um músculo que não
auxilia, nem resiste ao movimento, mas
que passivamente se alonga para
permitir que o movimento ocorra1.
Compreendendo
o
mecanismo de inibição recíproca onde o
trabalho de contração do agonista, neste
caso seu fortalecimento, gera como
resposta em seu antagonista um
relaxamento, desperta o interesse em
saber, se o alongamento pode ser
potencializado se esse mecanismo for
desencadeado
não
só
pelo
fortalecimento
com
contração
voluntária, mas também com contração
através de estimulação elétrica. Desse
modo esta pesquisa tomou como
problema o questionamento: Qual o
efeito do fortalecimento de quadríceps
com corrente russa no alongamento de
isquiotibiais?
Pois
sabe-se
que
a
estimulação
elétrica
através
da
aplicação da corrente russa tem a
capacidade de recrutar maior número de
fibras do que a contração voluntária,
sendo assim, capaz de produzir
resultados mais eficazes de contração
muscular do que os resultados
alcançados com exercícios isolados.
Essa pesquisa justifica-se
por vir eliminar a dúvida se a corrente
russa pode ser utilizada visando não só
o fortalecimento, mas também o ganho
de flexibilidade. Sendo que são poucos
os estudos sobre a utilização da corrente
com esse objetivo.
O presente estudo teve
como objetivo geral analisar os efeitos
da utilização da corrente russa no
alongamento dos músculos isquiotibiais,
sendo que os objetivos específicos
foram verificar o grau de flexibilidade
através da aplicação do teste fingerfloor e reavaliar o grau de flexibilidade
após cada procedimento.
Esta pesquisa servirá como
importante ferramenta para desencadear
pesquisas ainda mais aprofundadas
sobre o tema. E, permitirá ampliar a
utilização
da
corrente
russa,
colaborando para novas formas de
tratamento.
3
No
primeiro
capítulo,
apresenta-se a introdução deste estudo.
No segundo capítulo aborda-se um
referencial teórico dos assuntos
trabalhados. O terceiro capítulo
descreve-se o delineamento da pesquisa.
O quarto capítulo trata-se da
análise e discussão dos dados obtidos na
pesquisa,
finalizando
com
as
considerações finais deste trabalho
assim como uma sugestão para
próximas pesquisas.
A
pesquisa
realizada
classificasse como quantitativa na
abordagem, pois, no que se refere à
mesma trata-se da mensuração de certos
dados obtidos durante o experimento21.
Explicativa, por ter como
preocupação central identificar os
fatores que determinam ou que
contribuem para a ocorrência dos
fenômenos. E quanto ao nível, quaseexperimental devido o procedimento na
coleta de dados que consiste em
determinar um objetivo de estudo21.
A população do estudo foi
composta por indivíduos saudáveis do
sexo masculino. Para a composição da
amostra seguiu os seguintes critérios:
Critérios de inclusão: idade entre 18 e
30 anos, ser sedentário, e não possuir
contra-indicação para utilização de
correntes
elétricas.
Critérios
de
exclusão: ser etilista, tabagista, ter
sofrido fratura em membros inferiores
(MMII), ter realizado fisioterapia nos
últimos 6 meses, ter dor lombar, praticar
alongamento e/ou atividade física
regular/yoga/Pilates®/RPG®/Isostrechin
g®, não estar com roupa adequada no
momento da coleta, não conseguir
realizar o movimento do teste por
qualquer motivo, e possuir qualquer
contra-indicação para a utilização de
correntes elétricas e faltar qualquer
consulta.
Conforme os critérios acima
descritos iniciou-se a coleta com 23
integrantes, sendo que 4 deles foram
excluídos pois não compareceram a
uma das consultas. A amostra do estudo
foi composta então por 19 indivíduos.
Após a aprovação pelo
Comitê de Ética e Pesquisa da
Universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL com protocolo número
10.011.4.08.III
foram iniciados os
procedimentos.
Foi realizado inicialmente
um primeiro contato com os indivíduos
para o esclarecimento sobre os
procedimentos da pesquisa e aplicado o
Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (APÊNDICE A). Após foi
então realizada uma avaliação inicial
para identificar se o indivíduo possuía
os critérios de inclusão para compor a
amostra do estudo (APÊNDICE B).
A pesquisa foi realizada em
cinco atendimentos na Clínica Escola de
Fisioterapia Unisul Campus TubarãoSC, sendo cinco dias sem intervalo,
realizados sempre no mesmo horário a
partir das 18:00hs. Foi aplicado
inicialmente o teste finger-floor,
realizado da seguinte forma: O paciente
fica em pé com os joelhos estendidos e
leva os braços e as mãos estendidos em
direção ao chão, paralelamente. Medese então, a distância entre a ponta do 3°
dedo ao chão com uma fita métrica, o
teste foi repetido três vezes antes de
receber o procedimeto e três vezes após.
Sendo utilizada como referência a
melhor da verificação do pré-teste e
pós-teste. Porém todos os indivíduos
realizarão o teste sobre um banco de
madeira com 15 cm de altura.
Os participantes foram
submetidos a aplicação da corrente
russa durante 10 minutos, utilizando os
seguintes
parâmetros:
freqüência
portadora de 2500 hz, freqüência
modulada de 40 hz nos primeiros 5
minutos para fibras tônicas e 60 hz nos
5 minutos restantes para fibras fásicas.
Onda senoidal com estimulação
sincronizada, tempo de subida e descida
igual a 6 segundos, tempo de contração
(On) será de 6 segundos com tempo de
4
repouso (Off) de 12 segundos. A
intensidade do estímulo foi ajustada
conforme nível máximo tolerável pelo
paciente, aumentando a cada sessão. A
corrente foi aplicada bilateralmente
sendo posicionados dois eletrodos no
ventre muscular do reto femoral de cada
membro inferior, com o paciente
deitado em decúbito dorsal (DD), com
extensão de joelhos e sem a contração
do paciente associada.
Para verificar diferenças nos
valores das medidas em cada indivíduo
no teste de flexibilidade pré e pós
intervenção foi utilizado o teste de
Wilcoxon para amostras independentes
com significância igual a 5% (p=0,05).
RESULTADOS
De acordo com a análise dos
dados, o teste de Wilcoxon demonstrou
que houve diferença estatística no teste
finger-floor após o uso da corrente russa
(p<0,05) evidenciou que a técnica foi
eficiente em 13 indivíduos dos 19
indivíduos pertencentes ao estudo.
O teste de Wilcoxon
demonstrou que não houve diferença
estatística (p>0,05) no teste finger-floor
após o uso da corrente russa
evidenciando que a técnica não foi
eficiente para o ganho de flexibilidade
em 6 dos 19 indivíduos pertencentes a
pesquisa.
DISCUSSÃO
Conforme a realização do
teste
estatístico
verificou-se
a
efetividade da intervenção em 13 dos 19
indivíduos, sendo observado um
aumento da flexibilidade de quadril
após as intervenções, ratificando que a
corrente russa promove ganho de
flexibilidade
de
quadril
ao
eletroestimular-se o quadríceps, sendo
este o objetivo inicial da pesquisa.
Outros autores obtiveram os
mesmos achados positivos no ganho de
flexibilidade utilizando a FNP. O estudo
realizado por Zenewton22 procurou
analisar a eficácia da utilização da FNP
através
de
contração
muscular
voluntária para ganho de ADM dos
músculos isquiotibiais, em um estudo
realizado com 36 indivíduos do sexo
feminino. Este estudo concluiu que
manobras de alongamento com FNP são
efetivas para aumentar a flexibilidade
dos músculos isquiotibiais.
Neste caso a técnica de FNP
caracterizou-se pelo uso de contração
muscular ativa e/ou voluntária, com o
objetivo de gerar inibição recíproca do
músculo antagonista. Quando ocorre
uma contração muscular ativa em um
músculo, é desencadeado em seu
antagonista um ato de relaxamento
muscular reflexo que associado ao
movimento passivo promove ganho de
ADM.
O estudo acima corroborou
com esta pesquisa que procurou utilizar
a corrente russa para potencializar esse
efeito
de
inibição
reflexa
do
antagonista, já que a estimulação
elétrica máxima pode fazer com que
todas as unidades motoras em um
músculo sejam recrutadas de forma
sincronizada, permitindo a ocorrência
de contração muscular mais efetiva do
que a contração voluntária, e, portanto
um mecanismo de FNP mais eficaz20.
A pesquisa realizada por
Duarte e Silva23 propôs associar o
alongamento passivo manual com uma
técnica de inibição reflexa, neste caso,
desenvolvida
com
o
uso
da
eletroestimulação russa. Participaram da
pesquisa 30 acadêmicas do sexo
feminino, da Universidade Estadual de
Goiás, com idade média de 22,21 anos,
variando entre 20 e 30 anos.
O estudo baseou-se em 3
grupos, sendo eles: grupo I (GI) foi
considerado grupo controle não sendo
submetido a nenhuma técnica de
alongamento. O grupo II (GII) foi
submetido ao alongamento estático e no
5
grupo III (GIII) foi aplicado o
alongamento estático associado à
corrente russa (FNP).
Os GII e GIII foram
submetidos a 10 sessões, sendo três
vezes por semana, ao passo que o GI
não se envolveu com a prática de
nenhuma
técnica.
Todas
foram
submetidas a uma avaliação inicial e
outra final por meio do teste de
flexibilidade dos isquiotibiais com
goniômetro.
Ao fim da pesquisa o teste
estatístico (p<0,01) revelou que no GI
não houve aumento significativo na
amplitude de movimento de flexão de
quadril, em ambos os membros. Já GII e
GIII apresentaram ambos, um aumento
estatisticamente
significativo.
Ao
comparar o GII com o GIII, evidenciouse que o GIII obteve um ganho relativo
superior de 23,18% no MID e 29,04%
no MIE.
Assim, os resultados do
estudo sugerem que a associação do
alongamento passivo manual com a
corrente russa pode contribuir para um
acréscimo significativamente maior na
amplitude de movimento de flexão de
quadril
quando
comparado
ao
alongamento passivo manual realizado
isoladamente. Sendo assim, pode-se
sugerir
que
a
corrente
russa
favoravelmente aumenta a ADM de
quadril pelos princípios da FNP já
explanados, o que vem a calhar com os
resultados obtidos por essa pesquisa.
O estudo realizado por
Sossai24 objetivou verificar através da
análise eletroneuromiógrafa se a
atuação do exercício de flexibilidade
muscular,
Contração
Isométrica
Voluntária Máxima (CIVM), assim
como „‟Electrostretching‟‟ (exercício de
flexibilidade muscular associado à
EENM
promovem
alterações
neurofisiológicas
na
musculatura
isquiotibial e na ADM.
O estudo utilizou uma
amostra de 7 mulheres divididas
aleatoriamente em três grupos sendo
estes: grupo A= Alongamento, realizado
somente alongamento passivo de
isquiotibial em membro dominante,
grupo A+R= Alongamento + Russa,
realizado alongamento passivo de
isquiotibiais associado a corrente russa
em membro dominante e grupo C=
controle, realizado CIVM de 1 min.
De
acordo
com
os
resultados obtidos e apresentados foi
possível verificar que, no que se refere à
análise da ADM, a amplitude de
movimento da perna dominante
(tratada) aumentou cerca de 10% nos
grupos Alongamento e Alongamento +
Russa. Os dados foram submetidos ao
teste t de Student com nível de
significância adotado de 5% (α = 0,05).
Em contrapartida, Onishi25
encontrou resultados discrepantes aos
estudos anteriormente citados ao
procurar avaliar o alongamento
excêntrico
associado
a
eletroestimulação, com somente a
utilização do alongamento excêntrico,
no ganho de flexibilidade do músculo
tríceps sural. Este estudo realizado com
14 indivíduos avaliou através da
goniometria a melhora da flexibilidade
do músculo tríceps sural após 10
intervenções sendo observado o
aumento da flexibilidade devido ao
aumento da média inicial e final após a
aplicação das duas técnicas de
alongamento.
Porém o estudo concluiu
que a técnica de alongamento
excêntrico obteve um discreto melhor
desempenho ao comparar com a
aplicação da eletroestimulação, pois a
média obtida através da aplicação da
corrente elétrica resultou em uma
elevação da amplitude de movimento de
aproximadamente 6,2 graus em cada
membro, já a utilização da técnica
excêntrica obteve uma média superior a
eletroestimulação com 6,8 graus.
O
resultado
negativo
encontrado por Onishi25 em seu estudo
6
pode ser explicado pelo fato de que a
EENM não ter sido utilizada dentro do
princípio de FNP como nos estudos
anteriores, não sendo dessa forma
trabalhado o mecanismo de inibição
recíproca proposto por esta pesquisa.
Diante do exposto é possível
observar a eficácia da utilização da
EENM não só para o fortalecimento
muscular como já bem comprovada
cientificamente por diversos estudos,
como também para o alongamento
muscular, ampliando assim seu leque de
utilização.
No que se refere ao
alongamento
utilizando
correntes
elétricas, a literatura é escassa. De
acordo com a literatura disponível,
nenhuma
indicação
direta
foi
encontrada para o alongamento da
musculatura com a utilização de
correntes elétricas, mas a partir de
estudos do tecido fibroso e da
neurofisiologia pode-se concluir que é
um método que oferece muitas
vantagens em relação aos métodos
utilizados até agora26.
Segundo
Nelson18,
o
principal efeito direto da corrente ocorre
em nível celular, mas também ocorre
indiretamente em níveis teciduais,
segmentares e sistêmicos; Pode ser
usada efetivamente para ganho de força
muscular, e também para o aumento de
amplitude de movimento articular,
contanto que a estimulação motora e a
contração muscular resultantes sejam
suficientemente fortes. Para usar
efetivamente a EENM com o intuito de
alongar ativamente os tecidos moles que
limitam o movimento articular, são
necessários
longos
períodos
de
estimulação todos os dias da semana.
O método de alongamento
muscular associado à eletroestimulação
oferece vantagens em relação aos
demais métodos, pois enquanto o
músculo é eletroestimulado há produção
de calor pela contração muscular,
fazendo com que o músculo aumente a
temperatura durante o trabalho,
produzindo um efeito positivo sobre a
matriz de colágeno, tornando-o mais
maleável26,27.
A corrente elétrica estimula
o axônio enquanto a inibição ocorre no
neurônio; a contração pode ser bem
mais forte que a força produzida
voluntariamente; a corrente elétrica tem
efeito limitante direto na transmissão
nociceptiva evitando que o paciente
apresente aumento de tônus em reação à
“dor” do alongamento26.
Os resultados do presente
estudo demonstraram que o programa
de alongamento através do mecanismo
de inibição recíproca desencadeado por
uma
contração
muscular
mecanicamente estimulada mostra-se
efetivo no aumento da amplitude de
movimento articular da flexão do
quadril.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A
EENM
tem
sido
frequentemente
utilizada,
com
intensidades
suficientemente
altas
capazes
de
produzir
contrações
musculares
que
favoreçam
o
fortalecimento e hipertrofia muscular,
podendo ser aplicada ao músculo
durante o movimento funcional ou sem
que este esteja ocorrendo.
A base teórica para a sua
utilização refere-se ao fato de que a
estimulação elétrica máxima pode fazer
com que todas as unidades motoras em
um músculo sejam recrutadas de forma
sincronizada, permitindo a ocorrência
de contrações musculares mais fortes e,
portanto maior hipertrofia muscular.
A
eletroestimulação
constitui hoje um importante recurso
terapêutico, particularmente quando é
associado à cinesioterapia. No entanto,
para tirar o máximo proveito na
utilização destes equipamentos, o
fisioterapeuta deverá ter conhecimento
de parâmetros da corrente elétrica, já
7
que,
as
respostas
fisiológicas
observadas nos pacientes dependerão
destes conhecimentos.
A pesquisa ao encontrar
resultados estatisticamente positivos nos
mostra que alem de comprovada a
eficácia da utilização da EENM nos
protocolos de fortalecimento, esta pode
ser incluída também nos protocolos de
ganho de amplitude de movimento
articular.
Apesar
do
resultado
interessante
encontrado
nessa
investigação, sugere-se que novas
pesquisas sejam realizadas com uma
amostra maior, por períodos de tempo
mais prolongados, com indivíduos de
ambos os sexos e de diferentes faixas
etárias. O envolvimento de outras
articulações e, consequentemente de
outros movimentos, também poderá
auxiliar na produção de informações
que propiciem uma prescrição mais
adequada da utilização dessa técnica
nos programas de alongamento.
humana. 4aed. Rio
Interamericana;1980
de
Janeiro:
7 Behnke RS. Anatomia do movimento.
Porto Alegre: Artmed; 2004.
8 Briel AF, Pinheiro MF, Lopes LG.
Influência da corrente russa no ganho
de força e trofismo muscular dos
flexores no antebraço não dominante.
Arq. Ciênc. Saúde Unipar. 2003; 7(3):
205-10.
9 Paiva Neto A, Peres FP, Oliveira A.
Comparação
da
flexibilidade
intermovimentos entre homens e
mulheres: um estudo a partir do
flexiteste adaptado. Movimento e
Percepção. 2006; 6(9): 124-33.
10
Hoppenfeld
S. Propedêutica
Ortopédica: Coluna e Extremidades.
São Paulo: Atheneu; 1999.
2 Silversthorn DU. Fisiologia Humana:
Uma abordagem integrada. 2aed. São
Paulo: Manole; 2003.
11 Martins RC, Ferreira RJ, Piccole
JCJ, Pol COD, Selistre FL. A influência
da ginástica laboral no grau de
flexibilidade de quadril de homens
trabalhadores de uma metalúrgica na
cidade de Gravataí (RS). Rev. Dig.
Buenos Aires [periódico na Internet].
2008 [acesso em 09 de setembro de
2009]; 13(119): [31-49]. Disponível em
http://www.efdeportes.com/
efd119/
ginastica-laboral.htm
3 Powers SK, Howley ET. Fisiologia
do exercício: teoria e aplicação ao
condicionamento e ao desempenho.
5ªed. São Paulo: Manole; 2005.
12
Robergs
RA.
Princípios
fundamentais de fisiologia do exercício:
para aptidão, desempenho e saúde. São
Paulo: Phorte Editora; 2002.
4 Wilmore JH, Costill DL. Fisiologia do
esporte e do exercício. 2ªed. São Paulo:
Manole; 2001.
13 Mc Ardle WD. Fisiologia do
exercício:
Energia,
nutrição
e
desempenho humano. 5aed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan; 2003.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1Smith LK, Weiss EL, Lehmkuhi LD.
Cinesiologia Clínica de Brunnstrom.
5aed. São Paulo: Manole; 1997.
5 Guyton AC. Fisiologia básica. 2ªed.
Rio de Janeiro: Interamericana; 1978.
6 Jacob, Stanley W, Francone, Clarice
A, Lossow WJ. Anatomia e fisiologia
14 Alter MJ. Ciência da flexibilidade.
2aed. Porto Alegre: Artmed;1999.
8
15
Cabral
CMN.
Exercícios
terapêuticos: Alongamnto muscular no
tratamento de idosos. In Perracini MR,
Fló
CM.
Funcionalidade
e
Envelhecimento. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan;2009.
16 Kitchen S, Bazin S. Eletroterapia de
Clayton.
10ªed.
São
Paulo:
Manole;1998.
17 Robinson AJ, Snyder LM.
Eletrofisiologia clínica: eletroterapia e
teste eletrofisiológico. 2ªed. Porto
Alegre: ArTmed; 2001.
18 Nelson RM, Hayes KW, Currier DP.
Eletroterapia clínica. 3ªed. São Paulo:
Manole; 2003.
19 Agne EJ. Eletrotermoterapia teoria e
prática. Santa Maria: Orium; 2008.
20 Low J, Reed A. Eletroterapia
explicada: princípios e práticas. 3ªed.
São Paulo: Manole; 2001.
21 Gil, AC. Como elaborar projetos de
pesquisa. 4aed. São Paulo: Atlas; 2002.
22 Zenewton ASG, Carlos ASM,
Alexandre VRD, Túlio OS. Influência
da
freqüência
de
alongamento
utilizando facilitação neuromuscular
proprioceptiva na flexibilidade dos
músculos isquiotibiais. Rev Bras Med
Esporte [periódico na Internet].
2007[acesso em 14 de outubro de
2010]; 13(1): [33-38]. Disponível em
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1
51786922007000100008&script=sci_arttext
23 Duarte MG, Silva TCD. O
alongamento dos isquiotibiais associado
a EENM visando maior amplitude de
movimento de flexão de quadril. Rev
Movimenta [periódico na Internet].
2009 [acesso em 14 de outubro de
2010]; 2(3): [67-73]. Disponível em
http://www.nee.ueg.br/seer/index.php/m
ovimenta/article/viewFile/204/218
24 Sossai LS, Silva J, Sampaio JS.
Efeito do Electrostretching no sinal
eletromiográfico dos isquiotibiais e na
amplitude
de
movimento.
Rer
Perspectiva Online [periódico na
Internet]. 2008 [acesso em 14 de
outubro de 2010]; 5(2): [84-94].
Disponível
em
http://www.perspectivasonline.com.br/r
evista/2008vol2n6/volume%202(6)%20
artigo10.pdf
25 Onishi CM. A eficácia do
alongamento excêntrico associado ou
não a eletroestimulação [monografia].
Cascavel: Universidade Estadual do
Oeste do Paraná; 2003. [acesso em 14
de outubro de 2010] Disponível em
http://www.unioeste.br/projetos/elrf/mo
nografias/2003/mono
/03.pdf.
26 Cohen M, Abdalla RJ. Lesão nos
esportes: diagnóstico, prevenção e
tratamento. Rio de Janeiro: Revinter
;2005.
27 KLD. Estimulação elétrica para
fortalecimento e alongamento muscular.
Manual do equipamento. Amparo: KLD
Biossistemas Equipamentos Eletrônicos
Ltda, p. 37, 1999.
Download