Inteligência Emocional
Daniel Goleman
Ed. Objetiva
"Qualquer um pode zangar-se; isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa,
na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa - não é fácil."
Aristóteles - Ética a Nicômaco
Este livro é um guia para extrair sentido do que não tem. A última década
assistiu a uma explosão sem paralelo de estudos científicos da emoção e do cérebro em
funcionamento que tornaram possíveis, pela primeira vez na história humana, começar a
compreender como age essa intrincada massa de célula quando pensamos, imaginamos,
sonhamos. Uma pergunta básica: que fatores entram em jogo quando pessoas de alto
Q.I. malogram e outras, de Q.I. modesto, saem-se surpreendentemente bem? A resposta
parece ser que a diferença, muitas vezes, está nas aptidões do que chamamos
INTELIGÊNCIAS EMOCIONAIS, que inclui autocontrole, persistência e capacidade de
autocontrole, persistência e capacidade de automotivação. Mais do que isto, estas
aptidões podem ser ensinadas. Os que estão à mercê dos seus impulsos sofrem de uma
deficiência moral. A capacidade de controlar os impulsos é à base da força de vontade e
do caráter. Justamente por isso, a raiz do altruísmo está na empatia.
Todas as emoções são impulsos para agir. Só nos adultos "civilizados"
encontramos a grande anomalia do reino animal: emoções divorciadas de uma reação
obviam.
Emoções básicas: ira - tristeza - medo - prazer - amor - surpresa - nojo vergonha.
Essas tendências biológicas para agir são moldadas por nossa experiência e
cultura. O prolongado período de evolução humana, antes do alvorecer da história
registrada, com suas ferozes pressões sobre o serviço humano, valorizava extremamente
nossas respostas emocionais. Nos últimos dez mil anos, com o advento da agricultura e
de formas rudimentares de sociedade, reduziram-se estas pressões, reduzindo-se
também a validade de muitas respostas emocionais.
Começa o domínio da mente racional, capaz de ponderar e refletir.
Embora a mente emocional responda mais rápido, suas respostas são, via de
regra, simplórias e imprecisas.
Sua apreensão é global, não perde tempo com análises conscienciosas, mas
essas impressões e julgamentos emocionais podem ser errados e maldirigidos.
A mente racional é popularmente associada à cabeça; a mente emocional, ao
coração.
Existe uma parte do cérebro emocional, denominada amígdala, que é
especialista em questões emocionais. Se for cortada do cérebro, gera " cegueira afetiva",
uma impressionante incapacidade de avaliação emocional dos fatos.Não há mais medo
nem raiva, perde-se o impulso para cooperar e competir, não existem mais lágrimas.
Quando um sentimento impulsivo domina o racional, o papel da amígdala tornase crucial. Ela faz uma varredura de toda experiência anterior: "É algo que temo?" Se a
resposta é sim, ela reage instantaneamente: reações de lutar ou fugir, ativação do
sistema cardiovascular, músculos e intestinos, aumento de reatividade de áreas cerebrais
que tornam os sentidos mais alertas, geração de expressão de medo; é nossa sentinela
emocional.
Antes de o nosso cérebro pensante ter consciência, a amígdala é avisada. Ela
reage antes de podermos pensar!
Como vemos, a emoção pode esmagar a racionalidade, embora com freqüência
o sinal vá primeiro até o neocórtex, e dai para a amígdala.
O trabalho de um pesquisador, Le Doux, mostrou que nosso cérebro emocional
pode reagir sem que nosso cérebro racional tome conhecimento.
Pode também abrigar lembranças e repertórios de respostas de que jamais
teremos plena consciência.
O “inconsciente cognitivo" tem opiniões próprias independentes de nossa mente
racional.
Uma outra parte do nosso cérebro emocional, denominada hipocampo, fornece
uma memória precisa de contexto (a diferença de um urso que vemos no zoológico ou no
nosso quintal) e retém esta informação.
O hipocampo é crucial no reconhecimento de um rosto. A amígdala acrescenta
se você gosta ou não dele. É uma memória emocional. Esta memória emocional pode
desencadear reações desproporcionais e obsoletas a acontecimentos vagamente
semelhantes, mas que têm o poder de acalmar a amígdala.
Acontecimentos registrados na infância, antes do advento da fala, podem
desencadear explosões emocionais intensas.
Felizmente, em nosso neocórtex, existe um amortecedor das ondas repentinas
da amígdala. Esta região modula as reações do nosso cérebro emocional. É uma
resposta mais racional, um pouco mais demorada, mas mais precisa e ponderada.
Quando os lobos pré-frontais, como denominamos esta região, não agem, o cérebro
emocional domina e há uma reação irracional.
Nosso cérebro racional (neocórtex) tem duas metades: hemisfério direito e
esquerdo. Cada uma destas metades apresenta divisões (lobos), sendo que os lobos
denominados pré - frontais, tanto do hemisfério direito (HD) como do esquerdo (HE),
estão relacionados a emocionalidade.
O lobo pré-frontal esquerdo é uma espécie de termostato nervoso, regulando
emoções desagradáveis, parecendo fazer parte de um circuito normal que pode desligar,
ou pelo menos amortecer, quase todos os impulsos negativos provenientes da emoção.
Se a amígdala age como um disparador de emergência, o lobo pré-frontal esquerdo, a ela
ligado, pode desligar este disparo.
O lobo pré-frontal direito é um local de sentimentos negativos, como medo e
agressão, provavelmente sendo inibido pelo lobo esquerdo. Vemos que estas ligações
entre o sistema límbico e o neocórtex são o centro das batalhas ou da cooperação entre a
"cabeça" e o “coração", o pensamento e o sentimento.
O córtex pré - frontal é a região do cérebro responsável pela capacidade de
atenção, que guarda na mente os fatos essências para concluir uma determinada tarefa
ao resolver um problema - é a chamada memória funcional. Quando estamos
emocionalmente perturbados esta memória funcional é a afetada: “Não consigo pensar
direito!" Isto decorre de uma falha de controle pré - frontal sobre os impulsos límbicos.
Pacientes com danos no circuito pré-frontal - amígdala revelam muitas falhas
no processo decisório, embora não mostrem nenhuma alteração no Q.I. ou em qualquer
capacidade cognitiva. Segundo Damásio, isto se deve por terem perdido o acesso a seu
aprendizado emocional. A memória funcional desligada da memória emocional não mais
considera as reações emocionais a ela associadas no passado - tudo se torna cinzento,
neutro.
Damásio conclui que os sentimentos são indispensáveis nas decisões
racionais. Isto rompe com a antiga idéia de tensão entre razão e emoção.Temos que
encontrar o equilíbrio harmônico entre as duas. O velho paradigma defendia um ideal de
razão livre da influência da emoção. O novo paradigma nos diz que há uma
complementaridade entre ambos, que é preciso que interajam bem, para o sucesso das
pessoas. Isto é inteligência Emocional.
Uma coisa parece clara: a inteligência acadêmica pouco tem a ver com a
inteligência Emocional.
Se analisarmos o sucesso, podemos dizer que o Q.I. contribui com cerca de
20% para isto, o que deixa 80% a outros fatores, dos quais a inteligência Emocional
parece ser um dos mais significativos.
Sucesso aqui não significa somente salário, produtividade ou status, mas mais
do que isto: felicidade, sucesso nas amizades e nos relacionamentos amorosos. Parece
que as pessoas "certinhas" não são necessariamente preparadas para as vicissitudes da
vida, pois a aptidão emocional é uma meta capacidade.
Howard Gardner apresenta (1983) sete variedades - chave de inteligência: (a)
vivacidade verbal - (b) matemática - lógica - (c) aptidão espacial - (d) cinestésica - (e)
musical - (f) interpessoal - (g) intrapsíquica.
Cada uma destas sete variedades básicas pode ser desdobrada. A inteligência
interpessoal pode desdobrar-se em quatro aptidões distintas: liderança, manter relações e
conservar amigos, resolver conflitos e análise social, isto é, a capacidade de colocar cada
um onde mais gosta de estar.
A inteligência interpessoal é fundamental no mundo atual, pois é a capacidade
de compreender outras pessoas: o que as motiva, como trabalhar cooperativamente com
elas. Pessoal de vendas, políticos, professores e lideres religiosos bem sucedidos devem
tê-la em alto grau. A inteligência intrapessoal, que é uma aptidão correlata, é a
capacidade de formar um modelo preciso de si mesmo e poder usá-lo eficazmente no
mundo do dia-a-dia. Nenhuma inteligência é mais importante do que a intrapessoal.
As inteligências interpessoal e intrapessoal constituem a base da inteligência
Emocional.
A inteligência Emocional expande-se em cinco domínios principais:
1) Conhecer as próprias emoções (autoconsciência) - caracterizar-se por ego
observante, que mantém a auto - refletividade mesmo em meio a emoções turbulentas e
que mantém condição de pensamentos do tipo: “não devo me sentir assim’, e outras”.
Este autoconhecimento pode gerar segurança, saúde psicólogica e postura positiva em
relação à vida.
Outras pessoas pouco fazem para escapar destes estados de espírito
negativos, achando não terem controle sobre sua vida emocional, pois apesar de sua
autoconsciência, se sentem esmagadas e emocionalmente descontroladas. Outras
pessoas, ainda, tendem a aceitar seus estados conhecidos de espírito, são resignadas,
não tentam mudá-los. Neste grupo, encontramos as pessoas deprimidas, que se
resignam ao seu desespero.
Certas pessoas têm total incapacidade de compreender e de expressar seus
sentimentos - são os alexitímicos, de a (ausência), léxis (palavra) e thymos (emoção) não têm, portanto, autoconsciência emocional.
A origem da inconsciência emocional, segundo Damasio, está em problemas
nos lobos pré-frontais, pois, embora isto não afete a capacidade de executar todas as
etapas de um processo, incapacita a atribuição de valores às diferentes possibilidades. A
falta de consciência dos próprios sentimentos torna falho o raciocínio.
2) Lidar com emoções - o senso de auto-domínio, de não ser "escravo da paixão", é a
virtude da temperança. Isto não quer dizer que devemos estar sempre de cara alegre, as
depressões, como, as euforias, temperam a vida, mas precisam ser equilibradas.
Uma das emoções mais difíceis de lidar parece ser a ira. Tensões de todo tipo
parecem reduzir nosso limiar de controle da ira, e é bastante claro que a ira se alimenta
da ira, gerando níveis nos quais as pessoas não são mais capazes de perdoar, pois estão
além do alcance da razão e indiferentes às conseqüências. Uma forma de desarmar a ira
é avaliar e contestar as idéias que a disparam logo no início das mesmas, antes que se
dê vazão a ela.
Outra forma é afastar-se da pessoa que está gerando a irá, isto é, "esfriar"
psicologicamente. Isto pode ser feito com uma longa caminhada, usando métodos de
relaxamento ou mesmo com distrações, como ver TV, leitura ou mesmo ir a um shopping
fazer compras, desde que não se continue a ruminar a ira. E atenção: dar vazão à raiva
não a descarrega, mas somente a aumenta.
As tensões, como a preocupação, podem ser benéficas, se controladas. O
problema é quando se tornam crônicas, repetitivas, criando o chamado distúrbio de
ansiedade generalizada. Como as pessoas em geral se preocupam com coisas que têm
baixa possibilidade de ocorrer, o cérebro límbico primitivo parece atribuir a elas algo de
mágico, como um amuleto que previne o perigo que poderia acontecer.
Parece tolo o conselho: pare de se preocupar, pois como as preocupações são
episódios amigdalíticos, surgem sem ser chamada e independem de nossa vontade. Uma
boa forma de lidar com elas é relaxar e contestar ativamente os pensamentos
preocupantes.
Em relação à depressão, algumas distrações podem perpetuá-la, e uma das
mais comuns é ver TV. O exercício aeróbico é muito eficaz para suspender a depressão
leve. O relax é muito bom para a ansiedade, mas pouco eficaz para a depressão.
Um dos mais potentes antídotos para a depressão fora da terapia é a chamada
“contenção cognitiva”, isto é, ver as coisas por outro ângulo, mais positivas. Quando se é
religioso, a prece funciona para todos os estados de espírito, sobretudo para a depressão.
Pessoas aparentemente muito competentes no controle das emoções, os
imperturbáveis, podem ser portadoras de problemas a nível cerebral, um mecanismo
mental que torna mais lenta ou interfere na transferência da informação perturbadora.
Eles não estão fingindo, simplesmente a informação lhes é negada.
3) Motivar-se - pôr as emoções a serviço de uma meta. É importante compreender que o
cérebro emocional tem o poder de dominar, e mesmo paralisar, o cérebro pensante.
Isto constitui o esmagamento da “memória funcional” – a capacidade de ter em
mente toda a informação relevante para uma determinada tarefa – que se localiza no lobo
pré-frontal. Quando o sistema límbico assume o comando, “não podemos pensar direito!”
Um aspecto importante da Inteligência Emocional – talvez a aptidão psicológica
mais fundamental-é a capacidade de resistir aos impulsos, de adiar a satisfação. Uma
pesquisa feita mostra que um fraco controle do impulso na infância é um poderoso
previsor de delinqüência futura.
O adiamento da satisfação com vistas a uma meta é talvez a essência da autoregulação emocional. Pessoas ansiosas e preocupadas têm probabilidade de falhar,
mesmo com Q.I. mais elevado. Nossas preocupações tornam-se profecias
autoconcretizantes, impelido-nos para o que predizem.
Por outro lado, o riso é um poderoso estimulo à criatividade e na previsão das
conseqüências prováveis de uma decisão.
O otimismo e a esperança, quando realistas, são importantes aspectos da
inteligência Emocional – geram resultados.
Existe uma espécie de estado de graça, chamado de “fluxo”, onde a excelência
vem facilmente. Neste estado, as emoções não são apenas contidas e dirigidas, mas
positivas, energizadas e alinhadas com a tarefa a ser feita-é a inteligência Emocional no
ponto mais alto. É um estado de êxtase, onde se perde a noção de tempo e espaço,
motivado pelo puro prazer do ato em si, com um despêndio mínimo de energia mental.
4) Reconhecer emoções nos outros (empatia) - é um estado de sintonia emocional:
compreender os sentimentos dos outros e adotar a perspectiva deles, respeitando as
diferenças no modo de as pessoas encararem as coisas.
Para isto, é preciso saber interpretar canais não verbais de comunicação. Esta
é uma habilidade na qual as mulheres sobressaem-se, e parece totalmente independente
da inteligência acadêmica.
É preciso não confundir simpatia, obtermos a aprovação do outro, com
empatia, imitar o sentimento do outro, evocando o mesmo em si. Alguns pesquisadores
usam o termo “comunicação emocional” em lugar de empatia.
Constata-se que quando o cérebro emocional dirige o corpo com uma forte
emoção - fúria, por exemplo-há pouca ou nenhuma empatia.
Há indícios de que o nível de empatia das pessoas afeta positivamente seus
julgamentos morais.
“Nunca perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti...”.
O sentimento de John Donne nos diz que a dor do outro é a nossa dor, mas
também que a alegria do outro deve ser a nossa alegria.
Existem sociopatas, que são psicopatas incapazes de sentir empatia: são os
estupradores, molestadores de crianças e perpetradores de violência familiar. Estas
pessoas parecem não sentir a menor empatia, suas ações violentas ocorrem em estado
de calma. Isto sugere uma irregularidade no sistema límbico(amígdala). Como eles não
demonstram medo quando na iminência de sentir dor, não entendem que as pessoas o
sintam, portanto não têm empatia.
5) Lidar com relacionamentos – é o que se denomina inteligência social.
Fundamentalmente, é a capacidade de poder controlar as emoções do outro – é um poder
interpessoal fundamental, que exige autocontrole e empatia.
Um aspecto muito importante das emoções é que elas são
contagiosas.Transmitimos e captamos emoções. Inteligência Emocional inclui o controle
deste intercâmbio, tanto de emoções positivas como de negativas.
Como se dá esta transmissão de emoções?
É provável que, através de uma “mímica” motora inconsciente das expressões
faciais, gestos, tom de voz e outros marcadores não – verbais da emoção, a transferência
de estados de espírito ocorra da pessoa mais vigorosa a mais passiva.
É uma dança, uma sincronia, uma transmissão de emoções que em geral
identifica o gostar uma a outra.
Essa sintonia encontramos em um bom orador que consegue influenciar as
emoções de uma platéia. Este arrasto emocional é o coração da influencia.
As pessoas hábeis em inteligência social são os lideres naturais-são
organizadores de grupos, negociadores de soluções, são confiáveis e capazes de
compreender os sentimentos dos outros.
Não devemos confundir isto com ser um “camaleão social”, sem integridade
emocional, mudando para agradar aos outros, deixando de ser nós mesmos.
Pessoas que não dominaram a linguagem das emoção-que apresentam
“dissemia” (dys = dificuldade e sema = sinal) são repelidas e tornam-se pessoas isoladas
do contexto social.
Amar e trabalhar são as aptidões gêmeas que assinalam a plena maturidade.
CASAMENTO
A alta taxa de separações hoje parece, residir em diferenças emocionais entre
os casais, pois homens e mulheres têm padrões diferentes. As mulheres são mais
empáticas, querem falar sobre tudo, inclusive sobre a própria relação, enquanto os
maridos parecem demonstrar no silêncio sua aversão a confrontos emocionais.
É preciso considerar que, num casamento saudável, marido e mulher devem
ter liberdade de queixar-se, mas, às vezes, no calor da raiva, as queixas são expressas
de uma forma destrutiva, como criticas pessoais. Numa queixa, a ação é criticada, não a
pessoa. Quando a critica vem carregada de desprezo, que é uma emoção altamente
destrutiva, o casamento pode estar terminando. Não se pode conviver com
demonstrações freqüentes de superioridade e nojo, crises incessantes que se
autoperpetuam.
Existem “boas brigas”, construtivas, em que os cônjuges se ouvem, buscam
criar empatia entre si, matem a discussão nos trilhos.
EMPRESA
Na área empresarial, é comum temer que a empatia possa conflituar-se com o
atingir as metas da organização. “se não distanciarmos emocionalmente, não seremos
capazes de tomar as decisões duras que os negócios exigem.”
Hoje entendemos a importância da Inteligência Emocional-o virtuose das
aptidões interpessoais é o administrador do futuro. O desequilíbrio emocional impede as
pessoas de pensarem direito. É preciso ter a habilidade de “entrar em fluxo” no trabalho.
A Inteligência Emocional permite externar queixas como criticas construtivas,
criar uma atmosfera em que a diversidade seja valorizada. É a efetivação do trabalho em
rede.
Não ataque à pessoa, critique o que foi feito, esta é a regra básica.
Ao criticar:
Seja especifico, não faça rodeios, não seja evasivo, use o modelo XYZ:
X= você fez isto/ Y = senti isto/ Z = gostaria que fizesse isto. Não faça elogios vagos!
Ofereça uma solução, sugira alternativas para resolver o problema.
Esteja presente, faça a critica cara a cara.
Seja sensível, tenha uma empatia.
No fim do século, um terço da força de trabalho americana será de
“trabalhadores do conhecimento” – pessoas cuja produtividade se caracteriza por
adicionar valor à informação.
Neste trabalho, as equipes se tornam unidades de trabalho mais do que o
próprio indivíduo.
Isto explica porque a Inteligência Emocional, as aptidões que criam sintonia
entre as pessoas, deve torna-se cada vez mais valorizada.
O elemento individual mais importante na inteligência de grupo não é o Q.I.
acadêmico, mas as aptidões emocionais: é o chamado Q. I. emocional em um estudo feito
com profissionais altamente capacitados e de sucesso dos laboratórios BELL –
mundialmente famosa empresa de pesquisa cientifica de alto nível – constatou-se que o
que os caracterizava não era tanto seu Q.I. acadêmico, mas o alto Q.I. emocional.
Estes profissionais investem tempo no cultivo de bons relacionamentos,
montando redes informais altamente confiáveis e que respondem rapidamente a
solicitações. São redes especialmente criticas, para lidar com problemas imprevistos. O
capital intelectual das empresas é proporcional à sua Inteligência Emocional
coletiva.
SAÚDE
Uma conclusão importante em relação à área da saúde é que falta à moderna
assistência médica Inteligência Emocional.
A mente influencia o corpo, todas as doenças são basicamente psicomáticas.
Mente-emoções-corpo não são entidades separadas, mas intimamente interligadas.
O cérebro e suas extensões nervosas pelo corpo e o sistema imunológico não
são entidade distintas.
A ciência que estuda isto, a psiconeuroimunologia (PNI) é uma ciência médica de
ponta.
Tensões e emoções mal controladas enfraquecem a eficácia das células de
defesa do nosso corpo.
Uma emocionalidade negativa intensa de qualquer espécie-principalmente a ira-é
fator de risco crítico para muitas doenças. O otimismo e a esperança têm poder curativo.
O isolamento é tão importante como fator de mortalidade como o fumo, pressão
sanguínea alta, colesterol alto, obesidade e falta de exercícios físicos.
O isolamento é mais grave para os homens do que para as mulheres. Entre
homens casados – com bom relacionamento com as esposa-não parece haver relação
entre altos níveis de tensão e taxa de mortalidade.
Compaixão não é só dar mão, é também um bom remédio.
FILHOS
A vida familiar é a primeira escola de aprendizagem emocional.
Pais emocionalmente ineptos são os que ignoram os sentimentos dos filhos, ou
os que notam os sentimentos dos mesmos, mas nada fazem para alfabetizá-los
emocionalmente, ou ainda os que mostram desprezo, não respeitando a maneira como
eles se sentem. Estes pais são potencias geradores de adultos infelizes, desajustados,
sem sucesso na vida.
O aprendizado emocional começa nos primeiros momentos da vida, continuando
por toda a infância. Os 3 a 4 primeiros anos de vida são um período em que o cérebro da
criança cresce até cerca de 2/3 de seu tamanho final, evoluindo num ritmo em que jamais
voltará a fazer. Neste período, ocorrem tipos-chave de aprendizado, sendo o aprendizado
emocional o principal entre eles. Embora certas deficiências possam ser remediadas, em
certa medida, mais tarde, o impacto desse primeiro aprendizado é profundo.
Lembrem, é nos momentos em que as paixões se exacerbam ou estamos em
crise que as tendências primitivas dos centros límbicos do cérebro assumem um papel
mais dominante. Nestes momentos, os hábitos que o cérebro emocional aprendeu
repetidas vezes irão dominar, para melhor ou para pior.
O cérebro pode ser moldado pela brutalidade - ficando com marcas duradouras –
mas mesmo estas podem ser superadas.
Existem formas de reaprendizado emocional que podem libertar as pessoas d
tensões pós - traumáticas aparentemente incontroláveis. O cérebro emocional pode ser
reeducado.
Segundo Le Doux, assim que nosso sistema emocional aprende alguma coisa,
parece que nunca nos livramos dela. O que a terapia faz é ensinar-nos a controlá-la:
ensina nosso córtex pré-frontal a inibir nossa amígdala. A tendência a agir é suprimida,
enquanto a emoção básica continua de modo contido. Em suma, as lições emocionais
podem ser reformuladas. O aprendizado emocional é da vida toda!
TEMPERAMENTO
O temperamento pode ser definido como estados de espírito que tipificam nossa
vida emocional. Existem 4 tipos básicos de temperamento: tímido, ousado, otimista e
melancólico, cada um sendo devido a um diferente padrão de atividade cerebral.
Temperamento é parte da loteria genética, nascemos com ele. Mas podemos
modificá-lo!
Parece que o otimismo é uma função do lobo pré-frontal esquerdo, a melancolia
do direito.
Temperamento não é destino, pode-se dominar o sistema límbico.
Isto depende muito da atitude dos pais em relação aos filhos. A psicoterapia, isto
é, o aprendizado emocional sistemático, surge como um exemplo de como a experiência
pode ao mesmo tempo mudar padrões emocionais e moldar o cérebro. Experiências
mostram que pacientes em terapia de comportamento tinham uma redução ta
significativas na atividade de uma parte chave do cérebro emocional quanto os pacientes
tratados com fluoxetina (prozac).
De todas as espécies os seres humanos são os que levam mais tempo para o
amadurecimento pleno do cérebro. O cérebro continua a moldar-se durante toda a vida,
perde ligações neurais menos usadas e reforça os circuitos mãos utilizados.
Uma vívida demonstração do impacto da experiência no cérebro em
desenvolvimento está num estudo feito com dois grupos de ratos.
Os “ratos ricos” vivam em gaiolas com bastantes diversões, escadas e esteiras
rolantes.
Os “ratos pobres” vivam em gaiolas semelhantes, porém sem diversões.
Num período de meses, o nercótex dos “ratos ricos” desenvolveu redes neurais
muito mais complexas, tendo cérebros muito mais pesados que os “ratos pobres”, sendo
muito mais espertos na solução de problemas de labirintos do que os outros. É muito
provável que o mesmo efeito ocorra nos seres humanos.
EDUCAÇÃO
É preciso que os educadores comecem a considerar uma deficiência
fundamental no nosso ensino: O Analfabetismo Emocional. A menos que as coisas
mudem, as perspectivas a longo prazo de as crianças de hoje casarem e terem uma vida
proveitosa e estável juntas tornam-se cada vez mais lúgrubes a cada geração. A
deficiência de inteligência Emocional nos parece um fator crítico desta previsão.
Vivemos tempos de famílias economicamente acossadas, em que os dois pais
trabalham longas horas, de modo que os filhos são deixados a seus próprios recursos ou
à TV como babá, em que a família de um só dos pais se torna cada vez mais comum, em
que mais bebês e crianças pequenas são deixadas em creches, tão mal operadas que
equivalem a abandono. Tudo isto significa, mesmo para pais bem - intencionados, a
destruição dos pequenos e protetores intercâmbios entre pais e filhos que constroem as
aptidões emocionais.
Este abandono é o protótipo do caminho para a violência e a criminalidade nos
rapazes e para a gravidez prematura nas meninas.
Estamos passando da era da ansiedade para a era da melancolia – uma
grande depressão, não apenas tristeza, mas uma paralisante apatia, desânimo e pena de
si mesmo no transcorrer da vida.
Com a disseminação da industrialização, ninguém tem mais um lar, e a
indiferença dos pais pelas necessidades dos filhos vem aumentando num número cada
vez maior de famílias. Vimos que estas necessidades são fundamentais as aptidões
emocionais.
O desaparecimento das crenças maiores na religião tem sido também um fator
crítico deste incremento do analfabetismo, emocional.
A depressão na infância, antes praticamente desconhecida, surge cada vez
mais como um componente do mundo atual.
A solução para prevenir estes problemas e outros deles decorrentes, como
bebidas e drogas, está também na revisão do currículo de nossas escolas.
Em muitas escolas americanas, hoje, desenvolve-se no currículo uma
disciplina denominada “Ciência do Eu”, que apresenta os componentes básicos de um
curso modelo de Inteligência Emocional.
A Ciência do Eu é pioneira, os nomes dessas aulas vão de “Desenvolvimento
Social” a “Aptidões para a Vida” e “Aprendizado Social e Emocional’.
Alguns usam o termo “Inteligência Pessoais”. A idéia básica é: ao invés de usar o afeto
para educar, ensinar o próprio afeto. O aprendizado emocional se realiza pela repetição
por anos. O cérebro reforça hábitos neurais e os aplica em momentos de aprovação,
frustração e dor. O aprendizado emocional é mais crítico do que nunca para nosso futuro.
As lições emocionais devem se ligadas ao desenvolvimento da criança e
repetidas em diferentes idades, de maneira que se encaixem sua compreensão e desafios
sempre em mudança.
É preciso repensar a escola. Talvez não haja um tema em que a qualidade do
professor conte tanto quanto a sua competência emocional.
Quem está preparando os professores nisto?
Igualmente, nas empresas, o analfabetismo emocional tem que ser
considerado, em todos os níveis.
É um retorno ao papel clássico da Educação - lições essências para a vida.
Finalmente, há uma palavra meio fora de moda para definir o conjunto de
aptidões que a Inteligência Emocional representa: caráter.
ANEXO
NOÇÕES BÁSICAS DE ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO
O cérebro humano atual tem pouco mais de um quilo de células e humores
neurais. Ao longo de milhões de anos de evolução, o cérebro cresceu de baixo para cima,
os centros superiores desenvolvendo-se como elaborações dos centros inferiores, mais
antigos.
No desenvolvimento do embrião humano, este caminho evolutivo (filogênese)
é basicamente repetido (ontogênese).
A parte mais antiga do cérebro é o tronco cerebral, em volta do topo da
medula espinhal.
O tronco cerebral regula funções básicas, como a respiração e o
funcionamento de vários órgãos. Controla movimentos estereotipados, não pensa e não
aprende, sendo um conjunto de reguladores pré-programados que mantêm o
funcionamento do corpo. É o cérebro básico dos répteis. Lentamente, o topo do tronco
cerebral começou a ser envolvido pelos centros da emoção: morder-cuspir-abordar-fugircaçar. Como esta parte do cérebro cerca e limita-se com o tronco cerebral, é chamada de
Sistema límbico (limbus - orla)
É responsável pelo aprendizado e pela memória emocional, aprimorando
respostas para adaptar as exigências mutáveis do meio ambiente.
Há cerca de 100 milhões de anos, houve um novo desenvolvimento, uma
terceira camada, o neocórtex. É o cérebro pensante. Acrescenta às emoções o que
pensamos delas, cria estratégias, planeja longo prazo. Arte, civilização e cultura são seus
frutos.
O neocortex se divide em duas metades (hemisférios), ligadas por um feixe
de fibras nervosas - o corpo caloso.
Temos então o hemisfério cerebral esquerdo e o hemisfério cerebral direito.
Cada hemisfério cerebral é subdividido em 4 regiões denominados lobos:
lobo frontal-lobo parietal-lobo-temporal-lobo-occipital.