INFORME TÉCNICO - Cólera - 29out2010 _2_ sugestões Sub_HA

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Ministério da Saúde
Secretaria de Vigilância em Saúde
INFORME TÉCNICO SOBRE CÓLERA
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA NOS PAÍSES AFETADOS E ORIENTAÇÕES PARA
VIAJANTES E SERVIÇOS DE SAÚDE
I.
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA CÓLERA NO MUNDO
1. HAITI
A partir do dia 10 de outubro de 2010, o Ministério da Saúde do Haiti observou alteração no padrão
epidemiológico das diarreias com a identificação do aumento do número de casos deste evento em certas
regiões do país. A partir desta situação foi confirmadada a presença do Vibrio cholerae 01 sorotipo
Ogawa. Em 21 de outubro de 2010, o surto foi confirmado oficialmente e até o momento apresenta 3.342
casos confirmados de cólera com 259 óbitos no país. Casos suspeitos estão sendo investigados nos
departamentos Norte e Sul, e Oeste, onde está situada a capital Porto Principe. Atualmente, existem 12
centros de tratamento da cólera em construção para dar suporte ao isolamento e tratamento dos casos.
As atividades de resposta coordenada executadas pelo Ministério da Saúde do Haiti, com apoio da
Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e outros parceiros internacionais (EUA, Canadá, Brasil,
MINUSTAH - Missão das Nações Unidas para a Força de Estabilização no Haiti, outras agências da ONU
como a UNICEF e ONGs como os "Médicos sem Fronteira"), continuam no sentido de prestar assistência
em um número crescente de localidades.
Outras medidas adotadas são:
Garantia de água limpa para promoção das medidas de boa higiene pessoal e práticas de
manipulação de alimentos: lavagem das mãos e evitar a defecação em áreas abertas.
Manutenção da qualidade da água nos serviços de assitencia e assentamentos como
prioridade.
Mobilização de especialistas no campo do controle das infecções nos hosptitais (quase
metade dos óbitos registrados até o momento estão ocorrendo nos hospitais)
Mobilização de outros experts em: epidemiologia, comunicação de risco, assistencia aos
pacientes, diagnóstico, controle de qualidade da água e saneamento e tratamento.
Garantia dos estoques de medicamentos e antibióticos assim como da aquisição de ações
adicionais de fluidos intravenosos e outros suprimentos médicos e logísticos (ex. cloro).
2. Cólera em Outros Países:
Em relação aos países vizinhos ao Haiti, embora nenhum caso de cólera tenha sido reportado na
República Dominicana recentemente, até o momento, o governo está mobilizando um plano de
contingência para a zona fronteiriça. Em Julho, a República Dominicana notificou 166 casos confirmados e
quatro óbitos.
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A equipe do Centro de Epidemiologia da OPAS no Caribe, localizada em Trinidade, está mobilizando
os ministérios da saúde da região para preparação de eventuais casos nas outras ilhas.
Em 21 de outubro, o Paquistão confirmou 99 casos da doença. Em ambos os países o patógeno
encontrado foi o V. cholerae 01.
Na África Central, 40.468 casos e 1.879 mortes foram notificados em quatro países: Camarões,
Níger, Chade e Nigéria.
Em Camarões, 7.869 casos, incluindo 515 óbitos, foram reportados em seis regiões do país. A
maioria dos casos aconteceu entre 6 de maio e 3 de outubro de 2010.
Chade notificou 2.508 casos e 111 óbitos em 12 distritos de saúde localizados em seis regiões entre
13 de julho e 03 de outubro de 2010.
Em Níger, entre 03 de julho e primeiro de outubro de 2010, foram notificados 976 casos e 62 óbitos
em quatro regiões.
A Nigéria identificou 29.115 casos e 1.191 óbitos entre 04 de janeiro e 03 de outubro de 2010,
localizados em 15 Estados, incluindo a Capital Federal. O surto está se propagando para outras áreas
geográficas.
Ressalta-se que a cólera também está acontecendo em outras localidades que também estão
enfrentando surtos de cólera como, por exemplo, Paquistão onde foram confirmados 99 casos de cólera
nas zonas do país que foram afetadas pelas inundações, Índia que registrou 150 casos da doença.
II.
SOBRE A CÓLERA
A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados
com a bactéria Vibrio cholerae. Ele tem um curto período de incubação e produz uma enterotoxina que
causa diarréia aquosa indolor que pode levar rapidamente à desidratação grave e à morte se não for
tratado. Vômitos também são muito frequentes.
A maioria das pessoas infectadas não ficam doentes, embora a bactéria esteja presente em suas
fezes durante 7-14 dias. Quando a doença ocorre, cerca de 80-90% dos episódios são de gravidade leve
ou moderada e são difíceis de distinguir clinicamente de outros tipos de diarréia agudas. Menos de 20%
das pessoas doentes desenvolvem o quadro típico, com sinais de desidratação moderada ou grave.
A cólera continua a ser uma ameaça global e é um dos principais indicadores de desenvolvimento
social. Enquanto a doença não representa uma ameaça para os países com condições mínimas de
higiene, ele continua sendo um desafio para os países onde o acesso à água potável e saneamento
adequado não pode ser garantida. Quase todos os países em desenvolvimento enfrenta surtos de cólera
ou a ameaça de uma epidemia de cólera.
Maiores informações sobre a cólera, aspectos clínicos, epidemiológicos e histórico da doença no
Brasil podem ser obtidos no site do Ministério da Saúde, por meio do link www.saude.gov.br/svs na área
“Glossário de Doenças”.
III.
ORIENTAÇÕES PARA VIAJANTES E SERVIÇOS DE SAÚDE
Diante do aumento da ocorrência da cólera no mundo, com destaque para a situação
epidemiológica no Haiti, o Ministério da Saúde apresenta a situação epidemiológica e em consonância
com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e faz as seguintes orientações:
Secretarias de Saúde:
o Adotem as mesmas orientações para viajantes oriundos de qualquer área afetada com
ocorrência de cólera.
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Recomendamos que a vigilância da cólera seja mantida, com as vigilâncias atentas e
sensibilizadas, distribuição de hipoclorito e sódio 2,5% às famílias sem acesso a água tratada,
estoque de Swab Cary Blair para coleta de amostras, garantia de meios de cultura para
realização da coprocultura e pesquisa do Vibrio cholerae no LACEN, reforço nos fluxos
necessários de notificação, coleta e envio de amostras e investigação dos casos suspeitos.
Além de outras medidas integradas como vigilância da qualidade da água para consumo
humano, vigilância sanitária de alimentos, atendimento e diagnóstico clínico precoce de casos
suspeitos de cólera, tratamento das doenças diarréicas agudas (DDA) como preconizado pela
OMS e estoque de soro de reidratação oral.
Para os municípios de fronteira, com portos ou aeroportos, recomendamos reforçar a vigilância
das diarréias mantendo a Monitorização das Doenças Diarréicas Agudas (MDDA) ativa e com
análise semanal local dos dados para identificar qualquer alteração no padrão epidemiológico
que possa representar um surto de DDA. Caso isso ocorra, garantir a coleta de amostras
clínicas para pesquisa de bactérias, vírus ou parasitos oportunistas que possam causar DDA,
no sentido de identificar precocemente um possível surto de cólera.
Profissionais de saúde:
o Aumentar a atenção diante de quadros clínicos diarréicos e pesquisar detalhadamente o
histórico de viagens e contatos com viajantes que se deslocaram entre o Brasil e as áreas
afetadas. Notificar imediatamente os casos suspeitos de cólera conforme Portaria Nº2472, de
31 de agosto de 2010.
Viajantes entre o Brasil e áreas afetadas – cuidados gerais para evitar cólera e outras doenças
transmitidas por alimentos:
o Orientar viajantes a beber água e gelo apenas de procedência conhecida, caso tenham
dúvidas, tratar a água com hipoclorito de sódio 2,5% (duas gotas de hipoclorito para cada litro
de água) ou ferver. Caso não seja possível, utilizar água mineral para ingestão e higiene oral;
o Não tomar banho/nadar em rios, lagos, praias, piscinas com água contaminada
o Evitar o consumo de alimentos crus, mal cozidos/assados (saladas, ovos, carnes, dentre
outros), especialmente frutos do mar colhidos de áreas com esgoto;
o Evitar comidas vendidas por ambulantes;
o Comer alimentos bem cozidos e ainda quentes, evitando aqueles deixados à temperatura
ambiente por mais de 2 horas;
o Para os alimentos cozidos que serão consumidos posteriormente, refrigerá-los até 2 horas após
sua preparação;
o Reaquecer bem os alimentos que tenham sido congelados ou refrigerados antes de consumir;
o Evitar o contato entre alimentos crus e cozidos;
o Escolher alimentos seguros, verificando prazo de validade, acondicionamento e suas condições
físicas (aparência, consistência, cheiro, dentre outros);
o Evitar ingerir alimentos de procedência duvidosa e observar as informações contidas nos
rótulos dos alimentos;
o Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais;
o Lavar as mãos com freqüência;;
o Ao retornar para o Brasil devem ficar atentos durante 15 dias a qualquer sinal ou sintoma e
deve informar detalhadamente ao médico assistente seu roteiro de viagem.
IV.
RECOMENDAÇÕES DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS):
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V.
A OMS não recomenda a quimioprofilaxia para os viajantes de áreas endêmicas de cólera, uma
vez que não há evidências de controle da epidemia, levando a uma falsa sensação de
seguridade devido ao aumento do risco de resistência microbacteriana naqueles que fazem
uso;
A restrição de viajantes e comércio, entre regiões internas ou externas dos países, não é
recomendada, assim como a solicitação de exames laboratoriais ou situação vacinal para a
doença aos mesmos;
Aos países vizinhos a OMS recomenda melhoria na capacidade de vigilância, detecção e
resposta frente a suspeita de novos casos da doença;
Deve-se desprezar qualquer alimento potencialmente infectado transportados pelos viajantes;
Deve-se orientar os viajantes sobre o risco de cólera e medidas de prevenção, sinais e
sintomas e os locais dos postos de atendimento, caso os viajantes venham a desenvolver os
sintomas;
As medidas de quarentena e barreiras sanitárias entre fronteiras não são recomendadas devido
à possibilidade de interferência negativa na relação entre países e instituições parceiras.
Sites para atualização sobre a situação no mundo
CDC - 2010 Haiti Cholera Outbreak. Atualizado em 23/10/2010.
http://www.cdc.gov/haiticholera/
WHO - Cholera in Haiti. Atualizado em 27/10/2010.
http://www.who.int/csr/don/2010_10_26/en/index.html
WHO fact sheet on cholera. Last up-date September 2007
http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs107/en/
Prevention and control of cholera outbreaks, WHO policy and recommendations, September 2007
http://www.emro.who.int/CSR/Media/PDF/cholera_whopolicy.pdf
International Health Regulations (2005), available in Arabic, Chinese, English, French, Russian and
Spanish, and additional information on the IHR (2005)
http://www.who.int/csr/ihr/en/
WHO: A guide on safe food for travellers, 2007
http://www.who.int/foodsafety/publications/consumer/travellers/en/index.html
WHO - Cholera in Central Africa
http://www.who.int/csr/don/2010_10_08/en/index.html
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