A Teoria de Estruturação de Giddens como

Propaganda
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
A TEORIA DE ESTRUTURAÇÃO DE GIDDENS COMO COMPLEMENTAÇÃO
DO PROCESSO DE DIFUSÃO DE TECNOLOGIA
ANA PAULA WENDLING GOMES; ADRIANO PROVEZANO GOMES.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA, VIÇOSA, MG, BRASIL.
[email protected]
POSTER
CIÊNCIA, INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E PESQUISA.
A Teoria de Estruturação de Giddens como complementação do Processo
de Difusão de Tecnologia
Grupo de Pesquisa: Ciência, Inovação Tecnológica e Pesquisa
Resumo: A difusão de inovações tecnológicas implica num conjunto de conhecimentos,
desde sua geração, assimilação e utilização, devendo ser um processo de aprendizagem e
de transferência desses conhecimentos. A inovação deve ser problematizada e não
considerada como dada, envolvendo todos os atores sociais, uma vez que, estes são sujeitos
ativos, que criam e recriam as estruturas de legitimação, dominação e de significados nas
práticas sociais. O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma complementação
na concepção de estrutura do sistema social do modelo de difusão de inovação utilizado
pelo autor Everett Rogers em sua obra Diffusion of Innovation.
Palavras-chaves: Tecnologia; Difusão; Teoria de Estruturação
Abstract: The diffusion of technological innovations implicates in a group of knowledge,
from your generation, assimilation and use, should be a learning process and of transfer of
those knowledge. The innovation should be problematized and not considered as having
given, involving all the social actors, once, these are subject active, that create and they
create again the legitimation structures, dominance and of meanings in the social practices.
The present work has as objective presents a complementation in the conception of
structure of the social system of the model of innovation diffusion used by author Everett
Rogers in your work Diffusion of Innovation.
Key Words: Technology; Diffusion; Structuration theory
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
1
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
1. INTRODUÇÃO
A tecnologia tem sido o centro dinâmico das mudanças sociais e econômicas. Ao
longo de toda a existência da humanidade ela tem configurado formas de apropriação da
natureza e do comportamento humano, por isso tem sido a essência de mudanças
socioeconômicas. Estamos diante de uma mudança estrutural da economia mundial,
desencadeada pela avassaladora revolução tecnológica.
Os avanços da ciência e tecnologia, como as profundas transformações que se
produzem em toda a sociedade, obrigam à renovação contínua de processos tecnológicos
para manter a competitividade. Novos modelos interativos de difusão de inovações e
paradigmas tecnológicos aparecem, tornando indispensável um estreito relacionamento
entre pesquisadores, tecnólogos, instituições e produtores.
Segundo SANCHEZ & PAULA (2001), a difusão de inovação tecnológica deve ser
ao mesmo tempo um processo cumulativo e interativo. Cumulativo, porque incorpora
conhecimentos prévios, historicamente adquiridos, que servem de base à introdução da
nova tecnologia. Interativo pela participação sistêmica de múltiplos atores e instituições
com funções diferenciadas. Essas características da inovação indicam que os arranjos
institucionais influenciam de forma importante o processo de difusão de inovação.
Esses arranjos são elementos de primordial importância para facilitar os processos
interativos de aprendizagem de conhecimentos entre os diferentes atores. Assim, para que
o processo de difusão de inovação se realize, são necessários arranjos específicos
envolvendo um conjunto de instituições, ao que se pode considerar como um sistema
institucional, para adequar os arranjos às necessidades e para permitir o processo
cumulativo.
O processo de inovação tecnológica implica num conjunto de conhecimentos, desde
sua geração, assimilação e utilização, devendo ser um processo de aprendizagem e de
transferência desses conhecimentos entre os diferentes atores. Portanto, a devida
qualificação dos recursos humanos, tanto os tecnólogos e instituições, como os usuários de
determinada tecnologia, é um requisito imprescindível na abordagem e na transferência de
uma tecnologia.
De acordo com ROGERS (1995), a tecnologia faz parte de um plano de ação
instrumental que reduz a incerteza a respeito das relações causa-efeito envolvidas na
tentativa de se obter um resultado desejado. O conceito envolve dois aspectos: um aspecto
“hardware”, que apresenta a tecnologia sob a forma de objetos físicos ou materiais, e um
aspecto “software”, que consiste na informação básica necessária para usar esses objetos,
sendo este o principal elemento da redução da incerteza quanto às conseqüências do uso da
tecnologia.
Uma vez que, o uso da tecnologia pode provocar transformações nos hábitos das
pessoas, interferindo nos conhecimentos a priori dos usuários, a qualificação dos recursos
humanos é um requisito indispensável para enfrentar estas transformações. Enfrentar as
novas questões e os problemas decorrentes dessas transformações constitui-se o grande
desafio para as instituições envolvidas nesse sistema, implicando uma profunda mudança
de concepção e de orientação das suas práticas e instrumentos no processo de adoção da
inovação tecnológica.
O modelo dominante ou convencional de difusão de tecnologia de Rogers é
aplicado na maioria dos estudos e agências de difusão de inovações, e tem como
pressuposição que a adoção das novas idéias tem características de uma mercadoria, ou
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
2
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
seja, podem ser distribuídas aos clientes e não transformadas e adaptadas no processo de
adoção de difusão. Pelo contrário, é o sistema que irá adaptá-la.
A investigação produz tecnologia, assumindo que as condições para seu uso existem ou
podem ser criadas. Os indivíduos são vistos como receptores passivos ao adotarem a
tecnologia.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma complementação na
concepção de estrutura do sistema social do modelo de difusão de inovação utilizado pelo
autor Everett Rogers em sua obra Diffusion of Innovation. A teoria da estruturação de
Giddens pode ser um caminho complementar ao modelo, visto que devemos buscar em
nossa pesquisa, por conhecimentos interativos de caráter interdisciplinar.
2. O MODELO DOMINANTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA
O modelo dominante de transferência de tecnologia tem como a principal
pressuposição a “idéia de inovação” como fator determinante para que ocorra o
desenvolvimento, ou seja, o seu enfoque está na adoção e difusão de inovações
tecnológicas, vistas como elementos organizadores e indispensáveis no processo de
modernização. De acordo com esse modelo difusionista, o processo de modernização tem
como conseqüência a mudança social, que é direcionada do tradicional para o moderno.
O objetivo central na difusão da inovação é passar a informação ao produtor, e se o
cliente irá adotá-la ou não. Para que esse objetivo seja alcançado, utiliza-se de estratégias,
procurando atingir o público alvo, tendo como intermediário os agentes de mudanças
(difusores).
A obra de Diffusion of Innovation, apresentada e discutida por Everett Rogers, teve
grande impacto sobre as políticas de desenvolvimento e de comunicação, e se encaixa
perfeitamente ao modelo dominante de transferência de tecnologia.
De acordo com o modelo difusionista proposto por ROGERS (1995), a difusão de
inovações é o processo onde as inovações são comunicadas aos membros de um sistema
social. O objetivo da difusão é aumentar a eficiência da adoção de inovações que se
baseiam em “novas idéias”, de maior produtividade.
O processo de mudança tecnológica compreende as seguintes etapas:
conhecimento, convicção, decisão, implementação e confirmação. O conhecimento se dá
quando o indivíduo fica sabendo da existência da tecnologia (portanto, uma nova
tecnologia, do seu ponto de vista) e obtém informações preliminares a respeito do seu
funcionamento; a convicção ocorre quando, baseado em informações mais precisas, o
indivíduo forma opinião favorável ou contrária à inovação; a conseqüente escolha entre
adotar ou rejeitar a nova técnica caracteriza a fase de decisão, seguida da implementação,
que ocorre quando a decisão é posta em prática. Finalmente, a confirmação envolve a
avaliação dos resultados, para reforçar a decisão tomada ou para reverter essa decisão
(ROGERS, 1995).
Para o autor, a introdução de uma alternativa é melhor do que aquela que existe, e
ocorrerá num dado sistema social, que é definido como um grupo de unidades. Devendo
levar em consideração como a estrutura de um sistema social afeta a difusão. O processo
de adoção de inovações é um processo individual de decisão. Portanto, a difusão depende
da decisão de adotar uma inovação por parte de cada um dos membros de um dado sistema
social, sendo que a intensidade dos esforços promovidos para difundir uma inovação no
sistema é proporcional a maior ou menor expectativa percebida pelo adotante.
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
3
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
Esse processo consiste numa série de ações e escolhas de idéias e de decisões para
incorporação da inovação e o progresso da mesma. O maior problema a ser superado nesse
processo de inovação, é questão do tempo de adoção. Para tanto, o modelo sugere usar
estratégias para reduzir o tempo de adoção e aumentar o número de adotantes por meio da
difusão que nada mais é um tipo particular de comunicação, onde a mensagem principal é a
nova idéia.
ROGERS (1995), aponta que existem algumas variáveis que afetam o processo de
difusão referentes à taxa de adoção de uma inovação que estão relacionadas a percepção
que os diversos atores envolvidos no processo possam ter da inovação, o que ajuda a
explicar as diferentes taxas de adoção, a qual está diretamente relacionada à velocidade
com que uma inovação é adotada pelos membros de um sistema social. A variação da taxa
de adoção envolve os seguintes atributos:
Vantagem relativa: É o grau com que uma inovação é percebida como melhor que a idéia
que está sendo substituída. O grau de vantagem relativa pode ser medido em função da
rentabilidade econômica, prestígio social, baixo custo inicial, etc.
Compatibilidade: É o grau com que uma inovação é percebida como compatível com
valores existentes, experiências passadas, e necessidade de potenciais clientes adotarem.
Complexidade: É o grau de dificuldade de entendimento e de utilização percebido pelo
potencial usuário. Quanto mais fácil de entender e utilizar, mais fácil será adotada.
Experimentação: É o grau com que um potencial usuário pode experimentar a inovação
antes de adquira-la.
Observação: É o grau com que os resultados de uma inovação são visíveis para os outros.
A partir da devida identificação das variáveis no processo de inovação e os seus
respectivos inter-relacionamentos e interdependências torna-se necessário conceber a
forma e os mecanismos para decidir qual o momento mais adequado para iniciar o
processo de inovação.
As falhas do processo de difusão, de acordo com Rogers, são na maioria das vezes
atribuídas mais aos adotantes das inovações, do que propriamente ao sistema em que eles
foram submetidos. Ou seja, o resultado obtido por uma pesquisa é muito mais baseado na
responsabilidade individual, do que na responsabilidade do sistema. O autor ainda expõe
que os inovadores tardios ou retardatários são quase sempre a maior parte dos que
cometem falhas individuais por não adotarem inovações, ou por começarem muito tarde na
adoção, comparados a outros membros pertencentes ao sistema. Portanto, os não adotantes
acabam sendo estereotipados como retardatários, personificando a própria imagem do
atraso e do fracasso, dentro dos padrões de modernização
A questão da modernização vem sendo inserida no pacote tecnológico, vinda desde
a revolução verde que apresentava o discurso “difusionista - desenvolvimentista”, ou seja,
com as novas técnicas adotadas, a produção melhoraria, tornando os agricultores
modernos, caminhando junto com o progresso tecnológico.
A modernização através de novas idéias é reconhecidamente necessária, pois mais
rapidamente os indivíduos passam a se integrarem do conhecimento e de novas técnicas. O
que se tem Colocado em dúvida, entretanto, e o modo como se tem processado essa
incorporação da modernização, ou seja, o problema está na concepção do processo de
difusão que se baseia apenas em difundir uma inovação. Para isto, procura romper
qualquer obstáculo que possa impedir a adoção. Não há uma preocupação nos efeitos que
essa inovação possa trazer para o sistema social, mas sim quais empecilhos esse sistema
pode ter para prejudicar a adoção.
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
4
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
Rogers interessa em saber como a difusão acontece dentro de um sistema social,
pois a estrutura social do sistema afeta (facilitando ou impedindo) a difusão da inovação.
Daí a necessidade de conhecer as estruturas sociais nas quais estão localizados os adotantes
da inovação que se resume basicamente em apropriar desse conhecimento local, ou seja,
conhecer as práticas existentes, as potencialidades a dificuldades, e a necessidade de
inovação para saber quais medidas de persuasão em prol das inovações.
O papel do agente de mudanças no modelo de transferência de tecnologia convencional
utilizado por Rogers
O agente de mudança é o indivíduo que irá influenciar a decisão de inovação dos
clientes. O seu papel é de fazer com que as inovações sejam adotadas, mostrando a
necessidade da mudança. Dentro do processo de decisão do adotante, o agente de mudança
faz o planejamento individual atuando no conhecimento e persuasão. Ele precisa conhecer
as práticas existentes e a necessidade de inovação para saber quais medidas de persuasão,
identificando as potencialidades e dificuldades do indivíduo.
Os agentes de mudança devem compreender e ficarem atentos ao significado social
das inovações difundidas por eles. O que deve ser primordial, segundo o autor, como
estratégia de ação difusionista, é que os agentes de mudança estabeleçam uma empatia
plena com os membros da cultura receptora, evitando desta forma o fracasso dos resultados
esperados.
As pressuposições tiradas do modelo difusionista proposto por Rogers se resumem
abaixo:
− a introdução de uma alternativa é melhor do que aquela que existe;
− considera o sistema homogêneo, não diferenciando que quem irá adotar a
inovação tecnológica;
− tem como principal objetivo que um maior número de pessoas adotem a
inovação;
− pressupõe que todos adotarão a tecnologia em determinado período de tempo;
− a inovação é dada como uma solução do problema de quem adota;
− o aumento da produção agrícola é suficiente para o desenvolvimento rural;
− as inovações incorporadas pelos indivíduos irão se espalhar entre os demais
em contato direto ou indireto;
− o crescimento de um indivíduo estimula o crescimento dos demais, e todos se
moverão para a modernização;
Síntese de algumas críticas às pressuposições levantadas ao modelo dominante de
difusão de inovações:
− o aumento da produtividade é condição necessária, embora não suficiente para o
desenvolvimento rural;
− o sistema o qual será implantada às inovações é heterogêneo;
− a inovação em si não é problematizada e sim considerada como dada e sem
participação ou intervenção dos usuários;
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
5
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
− a difusão de tecnologia convencional privilegia as questões de persuasão e recepção
e não são problematizadas as condições de criação e de uso das técnicas apropriadas
e adequadas ao produtor;
− as falhas do processo de difusão são de mais responsabilidades individuais de quem
adotou do que do sistema;
− o papel do difusionista se concentra apenas em buscar o melhor meio para difundir a
tecnologia; e
− a geração e difusão de tecnologia não visa o produtor, se volta apenas para o
mercado
3. A TEORIA DE ESTRUTURAÇÃO DE GIDDENS COMO UM CAMINHO
ALTERNATIVO AO MODELO DOMINANTE
Nos modelos alternativos de desenvolvimento, as inovações tecnológicas também
devem desempenhar um papel importante para o desenvolvimento. Entretanto, devem ser
considerados os contextos estruturais e culturais em que se processa a difusão, não em prol
da tecnologia. Esta não deve ser a referência principal, mais sim o usuário ou os adotantes
da inovação, dentro de um sistema.
A teoria de estruturação de Giddens com seu enfoque na dualidade de estrutura a
nas práticas sociais com os seus elementos estruturais dentro de um sistema social, pode
ser um caminho complementar nos estudos de intervenção de difusão, pois nos ajuda a
entender as diferenças no uso e ou adoção de tecnologias, quando aplicadas em diferentes
contextos estruturais de ação e interação humana, considerando que tais intervenções
acontecem em estruturas sociais complexas e diferenciadas. Considera no contexto
estrutural do sistema, o conhecimento a priori das práticas sociais na adoção de uma
tecnologia, como os atores envolvidos nas práticas sociais podem reagir às inovações.
A teoria de estruturação diz respeito à reprodução de sistemas sociais. Estes, em
que a estrutura está recursivamente implicada, compreendem as atividades e relações entre
atores, organizadas como práticas sociais reproduzidas através do tempo e do espaço
(GIDDENS, 2003). Quer dizer então que, essas práticas envolvidas entre os atores sociais
são recursivas, ou seja, elas não são internalizadas por eles mais são continuamente criadas
e recriadas pelos mesmos.
Analisar, portanto a estruturação de sistemas sociais refere-se estudar como são
produzidas e reproduzidas as relações das atividades dos atores envolvidos em tais
sistemas, que se apóiam em estruturas (regras a recursos) recursivamente implicados na
reprodução de sistemas sociais.
O uso de recursos pelos atores em práticas sociais resulta na produção e reprodução
de estruturas de dominação (política, econômica, intelectual). Da mesma maneira, por
meio de implementação de regras, os seres humanos criam e recriam estruturas de
legitimação, (instituições legais) e estruturas de significação (discursos
institucionalizados). Através da interação entre essas estruturas vão se criando e recriando
formas legitimadas de discursos e expectativas sobre o papel dos atores sociais e como eles
se relacionam.
Para explicar esse comportamento dos atores dentro do sistema, Giddens usa a
noção de dualidade de estrutura, procurando reconciliar o dualismo entre estrutura e os
agentes envolvidos, reunindo essas duas noções em uma dualidade.
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
6
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
Nas palavras de Giddens (2003), a constituição de agentes e estruturas não
são dois conjuntos de fenômenos independentes, "um dualismo", mas representam
uma dualidade. De acordo com a noção de dualidade de estrutura, as propriedades
estruturais de sistemas sociais são, ao mesmo tempo, meio e fim das práticas que
elas recursivamente organizam. A estrutura não é algo externo, que impõem
coerção, sobre a ação humana, mas algo interno que serve como condição e
conseqüência da ação humana. Ela não deve ser vista como uma restrição, mas
simultaneamente restritiva e facilitadora.
Portanto, para Giddens, a ação dos atores e a estrutura, se pressupõem mutuamente.
Os indivíduos por meio de suas ações, fazem a história e isto acontece sempre dentro de
estruturas já existentes que vão se modificando ou sendo recriadas, através da ação dos
atores.
Para ROGERS (1995), a estrutura se constitui como arranjos moldados das
unidades em um sistema. Esta estrutura dá regularidade e estabilidade ao comportamento
humano e possui posições hierárquicas entre as unidades dentro de um sistema social. De
acordo com a definição de Rogers, pressupõe se, portanto, que a estrutura seja algo
externo, que impõem coerção sobre o individuo.
A concepção de Giddens sobre o papel dos indivíduos dentro do sistema social é
diferente de Rogers. Este fala de unidades de sistema (o papel de cada individuo) ou
experiências individuais. Portanto, para este autor, o processo de adoção de inovações é um
processo individual de decisão.
Em sua teoria, Giddens não fala de experiências individuais e sim de práticas
sociais (coletividade). Pressupõe-se, portanto, que o processo de adoção de inovações para
ele, deva ser um processo coletivo de decisões levando em consideração os elementos
estruturais que fazem parte da prática social.
Um outro aspecto importante que diferencia na concepção destes autores é o papel
do indivíduo dentro do sistema social na questão da receptividade. Para Rogers, os
usuários são simples receptores passivos de inovações e estão mais ou menos dispostos a
aceitá-Las. Na concepção da teoria de Giddens, os atores envolvidos nas práticas sociais
são ativos, ou seja, compartilham um conhecimento das condições e conseqüências do que
fazem em suas vidas cotidianas.
Este conhecimento surge de uma consciência discursiva e prática. Segundo
GIDDENS (2003), a consciência discursiva é o que os atores são capazes de expressar
verbalmente, acerca das condições sociais e da sua própria ação. Já a consciência prática é
o que os atores sabem acerca das condições sociais, incluindo especialmente as condições
de sua própria ação, mas não podem expressar discursivamente.
Presume-se então que no sistema social de Giddens, os atores envolvidos numa
inovação participam na própria geração e na adaptação das inovações, com aproveitamento
do próprio conhecimento, e das habilidades e experiências das práticas sociais dos
mesmos. As inovações serão adequadas as diferentes condições estruturais e culturais em
que estão inseridas, levando-se em consideração as suas conseqüências.
Rogers, em seu modelo difusionista, desconsidera a fase de geração da inovação
por considerar que a inovação seja boa para os usuários. A difusão de inovações é
considerada como um fenômeno natural, e não se enfatiza as questões dos obstáculos
atribuídos entre os indivíduos. Estes sim, devem mudar seus hábitos e comportamentos
para se adaptarem as novas técnicas. Não se imagina um esforço de criação de técnicas e
de mobilização coletiva em torno de práticas adequadas às situações dos usuários.
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
7
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
O processo de mudança social não deve ocorrer por meio de imposição de novas
regras de interpretação como fazem os agentes de mudança do modelo dominante de
difusão de inovações, que tentam persuadir os indivíduos para mudar seus comportamentos
em função das inovações.
Uma vez que existe esta dependência mútua entre os atores sociais e as estruturas
do sistema, como propõe a teoria de Giddens, considerando que existe essa integração de
sistema, ou seja, uma reciprocidade entre atores ou coletividades através do tempo espaço, cabe o agente de mudança se enquadrar nesse espaço - tempo, identificando e
trabalhando com esses elementos estruturais (significados, legitimação e dominação) do
sistema.
Assim como as formas de dominação levam a recriação e legitimação de diferentes
regras, as estruturas de significação e legitimação afetam as estruturas de dominação tanto
no sentido de reproduzi-las como de desafiá-Las, instalando processos de mudanças
(GIDDENS, 2003). São essas dualidades de estruturas que possibilitam a formação de um
trabalho coletivo dentro de um sistema entre os atores sociais e o intermediário de uma
inovação.
Um método que se enquadra bem nesse modelo alternativo, é o holismo
metodológico proposto por Durkheim, que assume que a ordem social não pode ser
reduzida ao comportamento de atores individuais.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não há dúvidas que a difusão de inovações para aumentar a produção agrícola é
condição necessária para o desenvolvimento rural. No entanto, a relação comunicacional
entre os agentes de mudança e o usuário da informação quanto ao comportamento deste e
em função da sua realidade frente à mensagem tecnológica, não deve ser ignorado.
A estreita relação entre os diferentes atores envolvidos no sistema institucional,
agentes de mudança e usuários é indispensável considerando que, o processo de difusão
acontece em contextos sociais diferenciados e complexos, os quais envolvem propriedades
estruturais organizadas recursivamente.
Para o modelo clássico ou dominante de difusão, os usuários são simples receptores
passivos de inovações, considerados como clientes que irão comprar o pacote tecnológico.
Privilegia o processo de persuasão para influir nas atitudes e conduta dos adotantes em prol
da tecnologia.
De acordo com a teoria de estruturação, a estrutura não é algo externo, que impõem
coerção sobre a ação humana, mas algo interno que ao mesmo tempo restringe e facilita a
ação humana. Cabe aos agentes de mudança procurar meios de fazer participar das
inovações, considerando o conhecimento a priori, que surge de uma consciência discursiva
e prática, e as habilidades e experiências práticas dos mesmos. A postura do agente de
mudança deve ser de um educador, ele deve ter consciência das conseqüências de suas
ações de forma crítica, para reconhecer as reais necessidades dos atores no sistema social.
A inovação deve ser problematizada e não considerada como dada, envolvendo
todos os atores sociais, uma vez que estes são sujeitos ativos, que criam e recriam as
estruturas de legitimação, dominação e de significados, nas práticas sociais. Portanto, o
processo de difusão deve implicar em arranjos estruturais e institucionais, de caráter
horizontal, com a participação sistêmica e coletiva em torno das práticas adequadas as
situações do produtor no meio rural.
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
8
XLV CONGRESSO DA SOBER
"Conhecimentos para Agricultura do Futuro"
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GIDDENS, Anthony. A constituição da sociedade. 2ª ed. São Paulo: Editora Martins
Fontes, 2003.
ROGERS, E. M. (1995). Diffusion of Innovations. 4th. Ed. New York: Free Press.
SANCHEZ, Tirso W. Saenz, PAULA, Maria Carlota de Souza Desafios institucionais para
o setor de ciência e tecnologia: o sistema nacional de ciência e inovação tecnológica.
Parcerias Estratégicas. Brasília, nº 13, dez. 2001.
Londrina, 22 a 25 de julho de 2007,
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural
9
Download