1 - Milicia da Imaculada

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Milícia da imaculada___________________________________________________________
MARIA, A VIRGEM DA ESCUTA.
1.1. Vejamos que nos diz a MC: “Maria é a Virgem que
sabe ouvir, que acolhe a palavra de Deus com fé; fé, que foi
para ela prelúdio e caminho para a maternidade divina,
pois, como intuiu Santo Agostinho, "a bem-aventurada
Maria, acreditando, deu à luz Aquele (Jesus) que,
acreditando, concebera" (Sermo 215, 4; PL 38,1074); na
verdade, recebida do Anjo a resposta à sua dúvida (cf. Lc
1,34-37), "Ela, cheia de fé e concebendo Cristo na sua
mente, antes de concebê-lo no seu seio, disse: "Eis a serva
do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc
1,38 - ibid.); fé, ainda, que foi para Ela motivo de beatitude
e de segurança no cumprimento da promessa: "Feliz
aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor
será cumprido" (Lc 1,45); fé, enfim, com a qual ela,
protagonista e testemunha singular da Encarnação,
reconsiderava os acontecimentos da infância de Cristo, confrontando-os entre si, no
íntimo do seu coração (cf. Lc 2,19.51). É isto que também a Igreja faz; na sagrada
Liturgia, sobretudo, ela escuta com fé, acolhe, proclama e venera a Palavra de Deus,
distribui-a aos fiéis como pão de vida (DV 21), à luz da mesma, perscruta os sinais dos
tempos, interpreta e vive os acontecimentos da história.”
1.2. Analise Bíblica.
Maria entra em cena, no Evangelho com um gesto espetacular, com uma ação
grandiosa, nem sequer com um discurso. Mas com o silêncio, pois sua primeira
intervenção é para silenciar e não para falar. Ela antes de mais nada escuta atenta a
mensagem que lhe é dirigida, toma consciência da comunicação. Assume o pedido. Sua
palavra é uma resposta àquela Palavra que a interpela pessoalmente, que a compromete
diretamente, que não lhe dá informações, mais ou menos interessantes, senão que exige
dela uma adesão, uma participação existencial ao ponto de dizer: “Eu sou a serva do
Senhor, faz-se em mim a tua Palavra” (Lc 1,38). Ou seja, o Senhor pode contar com a
minha colaboração para a realização do seu projeto. E assim, Isabel a chama de “bemaventurada” porque “acreditou no cumprimento das Palavras do Senhor” (cfr. Lc 1, 45).
Uma outra passagem que ajuda a caracterizar deste modo a Maria é a que
encontramos em Lc 2, 19. 51: “Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses
acontecimentos e os meditava em seu coração”, mostrando podemos dizer, a importância
de tal atitude com a capacidade de captar a Revelação que se manifesta através dos
acontecimentos da vida. E o escutar se converte em atenção e reflexão sobre os fatos da
vida. Portanto, neste aspeto Maria nos aponta o valor da relação com a Palavra de Deus,
que nos coloca na mesma atitude de escuta e de disponibilidade da Virgem Maria. Para
escutar é preciso fazer silencio. Pois bem, Maria é a criatura que vive totalmente à escuta
de Deus, é o silencio na qual ecoa a Palavra divina. Em Maria, o silencio tornou-se
Palavra, a gratidão fez-se gratuidade.
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1. 3. A Voz do Magistério.
João Paulo II na Redemptoris Mater, afirma: “Mas na Igreja de então como na Igreja de
sempre, Maria foi e é, sobretudo, aquela que é "feliz porque acreditou": foi quem primeiro
acreditou. Desde o momento da Anunciação e da concepção e depois do nascimento na
gruta de Belém, Maria acompanhou passo a passo Jesus, na sua materna peregrinação
de fé... Na base daquilo que a Igreja é desde o inicio, daquilo que ela deve tornar-se
continuamente, de geração em geração, no seio de todas as nações da terra, encontra-se
"aquela que acreditou no cumprimento das coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor"
(Lc 1, 45). Esta fé de Maria, precisamente, que assinala o início da nova e eterna Aliança
de Deus com a humanidade em Jesus Cristo, esta sua fé heróica "precede" o testemunho
apostólico da Igreja e permanece no coração da mesma Igreja, escondida como uma
herança especial da revelação de Deus. Todos aqueles que, de geração em geração,
aceitando o testemunho apostólico da Igreja, começam a participar nessa herança
misteriosa, participam, em certo sentido, na fé de Maria.”
1. 4. A teologia.
Em primeiro lugar, em Maria é apresentada a relação entre o humano e o divino na
perspectiva do absoluto e incondicional primado de Deus. A mensagem teológica pura é o
«Soli Deo gloria» - Só a Deus seja dada glória. Deus está primeiro, Deus está acima,
Deus é Senhor.
Em relação ao primado de Deus o que se pede ao homem é a fé: Maria ensina que a fé é
criar espaço ao amor de Deus como graça, como dom. Em Maria resplandece o fato de
que crer é deixar-se trabalhar, plasmar por Deus. A fé é o contrário de gerir-se a si
mesmo, de fazer projetos e querer-se realizar a si mesmo. Fé é deixar que Deus faça
projetos a nosso respeito. Fé é aceitar que a nossa vida não esteja nas nossas mãos,
mas nas de Deus. O verdadeiro consistir é o existir, receber o ser do outro que é Deus.
Neste sentido Maria concebeu no Seu coração, antes de conceber no Seu seio, pois a
Sua grandeza está na fé com que aceitou confiar-se a este Deus misterioso, obscuro,
imprevisível e inimaginável. Maria é verdadeiramente a «Virgo fidelis», a Virgem da fé, a
Virgem da escuta, o terreno puro do advento da palavra de Deus, o silêncio no qual a
palavra ecoa. Ela ensina-nos dessa maneira a prioridade da dimensão contemplativa da
vida, a experiência da treva luminosa, do silêncio habitado pela palavra de Deus. É a
mensagem do absoluto primado de Deus, diante do qual é necessário pôr-se na atitude
virginal da fé, para se deixar trabalhar, plasmar, conduzir por Deus, onde Ele quiser, como
Ele quiser, sem condicionalismos nem preconceitos mundanos.
Finalmente, pode-se dizer que a escuta da Palavra não é uma pausa de descanso, de
repouso, mas depois de escutar fica muito por fazer. Virgem em escuta significa, numa
ultima analise, atitude de obediência, de disponibilidade. Uma espécie de “render-se
totalmente” a Deus: “faz-se em mim segundo a tua Palavra”.
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1.5. Padre Kolbe: o Homem em escuta
“Maria é a Virgem em escuta que acolhe a Palavra de Deus com fé”.
Padre Kolbe, contemplando-a profundamente e seguindo-lhe o exemplo, foi o homem que
se colocou em escuta no lugar que lhe era assegurado no plano divino da salvação, e
apenas o conheceu não hesitou em segui-lo, tornando-se religioso, para trabalhar sem
descanso em benefício dos irmãos: apóstolo, missionário, teólogo, e sempre à vanguarda
no uso dos mass-media, especialmente da imprensa.
Foi o homem que escutou a voz e o exemplo da sua família; que se laureou em filosofia e
em teologia; que escutou as inspirações que lhe vinham do íntimo, da primeira visão das
duas coroas, a branca e a vermelha, ao impulso generoso que lhe disse: vai morrer no
lugar daquele pai de família.
Assim encontramos escrito nas suas anotações de meditação ou dos Exercícios
espirituais:
“Leitura espiritual: a doutrina de Cristo se eleva acima da doutrina dos santos. Escuta em
paz e não ponha dúvida em praticar o ensinamento apresentado na Sagrada Escritura
(durante a leitura do Evangelho, no refeitório, durante o divino ofício, durante a leitura
espiritual...).
“A palavra que desce do coração converte. Ela provem da reflexão espiritual, da
oração meditativa. Não suspender nunca a meditação. Quando não podiam faze-la
de dia, os santos meditavam durante a noite e por isto converteram tantas pessoas.
Faça preceder à meditação uma humilde oração. Desenvolve-a com serenidade,
sem esforço intelectual”.
“Escuta com serenidade, humildade e amor a voz da vontade da Imaculada e age”.
“Deixa-te conduzir pela Imaculada, para poder escutar em cada instante a sua voz
e operar segundo ela”.
Pe. Júlio Caprani
Missionário da Imaculada Pe.Kolbe
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