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Lógica Espontânea ou Natural
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Aptidão natural que permite ao homem agir, falar e raciocinar com coerência. É a ordem
que a razão humana segue, naturalmente, na ação e no conhecimento.
Portanto, é comum a todos.
E aplica-se imediata e espontaneamente em todas as situações da vida quotidiana,
satisfazendo-se com conclusões evidentes. É prática e, muitas vezes, acrítica.
Como tal, não exige o conhecimento das leis lógicas.
Lógica Científica
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É um esforço organizado da pesquisa e sistematização das leis do conhecimento.
É uma ciência acessível apenas a quem estuda.
Exige rigor, sistematização, formalismo, o que leva, por vezes, a opor-se ao senso comum.
Conceito e Objeto da Lógica

Significado etimológico
A palavra lógica vem do termo grego “logike”. Este último, por sua vez, deriva de “logos” que
significa pensamento ou razão, palavra ou discurso. Assim, do ponto de vista etimológico, Lógica
é a ciência da razão ou do pensamento e, também, a ciência do discurso racional. Podemos
sintetizar estas duas aceções numa única definição: é a ciência que estuda a dimensão do discurso.
Tem por objetivos permitir um uso correto da razão e do discurso com vista ao conhecimento da
realidade e da verdade.

Definição
Como salienta Gilbert Hottois, não é possível responder de modo unívoco à questão: “ O que é a
Lógica?” Tudo depende da época e, frequentemente, na época, do lógico considerado. Como ele
refere, foi possível inventariar mais de cem definições de Lógica. No entanto, podemos recolher
algumas definições que, para os nossos efeitos, são perfeitamente satisfatórias:
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“Chama-se Lógica à ciência-arte que dirige o ato da razão a fim de que mais fácil e
rapidamente se proceda de modo válido ou correto.” (P. Carosi)
“Ciência que tem por objeto determinar, entre todas as operações intelectuais tendentes
ao conhecimento verdadeiro, quais são válidas e quais não o são.” (A. Lalande)
“Estudo dos conceitos, juízos e raciocínios, considerados nas formas que são enunciados,
e abstração feita da matéria a que se aplicam, com vista a determinar em abstrato as suas
propriedades, a sua validade, os seus encadeamentos, e as condições sob as quais eles se
implicam ou excluem uns aos outros. A Lógica é o exame da parte do raciocínio que diz
respeito á maneira como as inferências são formadas… Nesta medida ela nada tem a ver
com a verdade dos factos, opiniões ou pressupostos, a partir dos quais a inferência é feita:
ela procura determinar apenas se a inferência é verdadeira, no caso de as premissas serem
verdadeiras.” (De Morgan)
“A Lógica pode ser definida como a ciência que estuda os princípios gerais do
pensamento válido. O seu objeto é discutir as características dos juízos considerados não
como fenómenos psicológicos mas como exprimindo conhecimentos e crenças; em
particular procura determinar as condições em que temos o direito de passar de certos
juízos a outros juízos que são consequência destes… Ela pode, portanto, ser apelidada de
ciência normativa ou reguladora; possui este caráter em comum com a ética e a estética.”
(Keynes)
Em síntese, a Lógica Formal é uma ciência que estuda as condições formais do pensamento válido
ou, por outras palavras, as condições que o pensamento deve respeitar para ser coerente consigo
mesmo.

Objeto
O objeto ou campo de investigação da Lógica é constituído pelos diversos géneros de atos ou
operações do pensamento: conceitos, juízos, raciocínios, processos de distinguir, abstrair,
concretizar, relacionar, inferir, concluir, etc. Por este motivo, classicamente, definia-se a Lógica
como a ciência que estuda as leis do pensamento. Mas impõe classificar-se esta definição: não
estuda o ato de pensar, pois esse é o objeto da Psicologia; não estuda a realidade do que é pensado
pois esse é o objeto da Ontologia; não estuda as palavras que suportam e exprimem o pensamento
pois esse é o papel das ciências da linguagem; à Lógica interessa o pensamento apenas na medida
em que pode ser válido ou não, correto ou incorreto. É a ciência que estuda as condições que o
pensamento deve respeitar para ser válido (não é o mesmo que verdadeiro), isto é, coerente
consigo mesmo. Investiga a estrutura da proposição e do raciocínio através de um método que
abstraí do conteúdo das proposições sob consideração e trata apenas da sua forma lógica.
Preocupa-se, então, com as condições formais da verdade.

Finalidade
A Lógica ajuda a:




Clarificar a analisar o pensamento e a linguagem.
Assegurar a eficácia demonstrativa e argumentativa do pensamento.
Garantir a correção formal do raciocínio e a coerência do discurso.
Definir os conceitos, ordenar s noções, obter conclusões formalmente seguras, evitar
sofismas e ambiguidades, detetar erros no desenvolvimento das argumentações.
O estudo da Lógica põe ao dispor do homem um conjunto de técnicas e padrões de
raciocínio que tornam mais eficazes as suas competências comunicativas, argumentativas e
demonstrativas. Como diz E. Morin, “o pensamento não serve para a Lógica, serve-se dela.”
Reencontramos, mais uma vez, uma visão instrumental da Lógica, pois é encarada como arte,
técnica, ferramenta para pensar.

Características
 Formalismo: investiga a estrutura das proposições e do raciocínio através de um
método que abstrai do conteúdo das proposições sob consideração e trata apenas
da sua forma lógica.
 Normatividade: procura identificar as regras que todo o pensamento válido deve
seguir. Não diz como o pensamento pensa (leis psicológicas) mas diz como o
pensamento deve pensar (leis lógicas).

Universalidade: faz o inventário das regras e leis lógicas que, em qualquer
circunstância, todo o indivíduo deve respeitar se quiser pensar de forma válida.
O que é a Lógica?
Aristóteles (384-322 a.C.) foi o primeiro a formular uma teoria lógica articulada. Esta foi
desenvolvida pelos estoicos e sistematizada na Idade Média. Nos séculos XIX e XX teve
avanços significativos (lógica simbólica, lógica matemática).



A Lógica é uma ciência. Todas as ciências têm um objeto.
Qual é o objeto da Lógica? A Lógica estuda a argumentação.
O que é argumentar? É defender teses com razões.
Porém a Lógica não estuda todos os aspetos da argumentação. Há na argumentação
aspetos psicológicos, históricos, sociológicos que a Lógica não estuda.

Então, quais são os aspetos da argumentação que a Lógica não estuda? Os aspetos
da argumentação que nos permitem distinguirem os argumentos corretos dos
incorretos; compreender por que razões uns são corretos e outros não; aprender a
argumentar corretamente.
Os argumentos ou raciocínios são estruturas complexas que implicam elementos mais
simples: as proposições ou juízos e os termos ou conceitos.
O Termo e o Conceito
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Definição de conceito
Instrumento mental que serve para pensar nas diversas realidades, representandoas no nosso espírito.
Representação mental, abstrata e geral, que reúne os carateres comuns ao
conjunto de seres de uma espécie e os distingue dos seres de uma espécie
diferente.
Definição de termo
Expressão verbal do conceito.
O termo pode ser constituído por uma ou mais palavras.
Relação entre conceito e termo
Conceito e termo não se confundem: Um mesmo conceito pode exprimir-se por
vários termos. Por exemplo, o conceito rei pode exprimir-se pelos termos rei, roi,
king… Um mesmo termo pode exprimir vários conceitos. Por exemplo, o termo
compasso exprime três conceitos: instrumento de desenho, ritmo musical e visita
pascal.
“ O conceito é um produto da atividade do pensamento, o termo é a roupagem que o veste, o vaso
que o encerra e pelo qual se fixa e se transmite.”


Extensão e compreensão de um conceito
Compreensão: propriedades/ conjunto de características que definem e
distinguem um conceito dos outros
Extensão: número de indivíduos ou objetos a que o conceito se refere.
A compreensão e a extensão variam na razão inversa:
 Se aumentarmos a compreensão, a extensão diminui;
 Se aumentarmos a extensão, a compreensão diminui.
COMPREENSÃO
CR – goleador – futebolista – desportista – homem – ser humano
EXTENSÃO
O Juízo e a Proposição
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Juízo
Ato mental pelo qual se afirma ou nega uma relação entre conceitos.
Proposição
Expressão linguística do juízo.
Frase declarativa da qual se pode dizer que é verdadeira ou falsa.
Frases e proposições
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Frases
São sequências de palavras que exprimem os nossos pensamentos, as nossas
vontades, os nossos desejos, ou que servem para dar ordens ou fazer uma
pergunta.
Têm de fazer sentido, o que implica respeito da gramática.
Proposições
Frases declarativas que exprimem pensamentos que têm valor de verdade.
As proposições são frases mas nem todas as frases são proposições.
As frases interrogativas, imperativas, exclamativas, tal com aquelas em que formulamos
promessas não são proposições porque não se podem considerar falsas ou verdadeiras.
Só as frases declarativas exprimem proposições porque exprimem pensamentos que têm
valor de verdade.
Apenas estas últimas interessam à Lógica.
Juízo Atributivo
 A Lógica Aristotélica só estudou um tipo de juízo: o juízo atributivo.
 O juízo atributivo é aquele que se pode reduzir à forma S é P.
 Na perspetiva dos lógicos atuais, esta é uma das limitações da lógica tradicional.
Modalidades de Juízos
A relação entre os termos de um juízo permite estabelecer três grandes famílias de juízos
ou proposições:
1. Categóricos
2. Hipotéticos
3. Disjuntivos
 Segundo a relação:
o CATEGÒRICOS: Quando há afirmação ou negação sem reservas, sem
condições. Exemplo: “O homem é mortal. Os espanhóis são europeus.” (S é P).
o HIPOTÉTICOS: Quando há afirmação ou negação sob condições (condicional).
Exemplo: “ Se chover*, não vou**. Se não vieres, também não vou.” (Se S, então
P).
o DISJUNTIVOS: Quando a afirmação de um predicado exclui outros
(incompatibilidade). Exemplo: “Pedro estuda ou vê televisão. João estuda ou
dorme.” (Ou S, ou P).
Nota: Os juízos hipotéticos ou condicionais são juízos complexos que resultam da aglutinação
de duas proposições: a antecedente e a consequente. *Antecedente **Consequente
 Segundo a qualidade (refere-se à cópula):
o AFIRMATIVOS: Quando a cópula estabelece uma relação entre os
conceitos. Exemplo: “Os portugueses são europeus.”
o NEGATIVOS: Quando a cópula exclui a relação entre os conceitos.
Exemplo: “Os chineses não são europeus.”
 Segundo a quantidade (refere-se à extensão do sujeito):
o UNIVERSAIS: Quando o sujeito é usado em toda a sua extensão. Exemplo:
“Todos s homens são livres.”
o PARTICULARES: Quando o sujeito é limitado na sua extensão com alguns,
certos… Exemplo: “Alguns africanos são brancos.”
o SINGULARES: Quando o sujeito está reduzido a um individuo. Exemplo:
“Pedro é um excelente atleta.”
Combinação da qualidade e da quantidade dos Juízos Categóricos




Universal afirmativa: Todo o S é P. A
Universal negativa: Nenhum S é P. E
Particular afirmativa: Alguns S são P. I
Particular negativa: Alguns S não são P.O
QUADRO LÓGICO
U.A.
U.N.
Todos
Nenhum
P.A.
P.N.
Alguns
Alguns
Distribuição dos termos
Quando, numa proposição, os termos sujeito ou predicado são tomados em toda a sua extensão,
dizemos que esses termos estão distribuídos.
Tipos de proposição
A
E
I
O
Sujeito
Distribuído
Distribuído
Não distribuído
Não distribuído
Predicado
Não distribuído
Distribuído
Não distribuído
Distribuído
O Raciocínio e o Argumento
 Definir raciocínio
Ato mental que permite passar de certos juízos a outros juízos, ligando-os uns aos outros. Opera
uma síntese entre juízos.
Consiste em relacionar juízos ou proposições já conhecidas de modo a tirar da sua conexão um
outro juízo ou proposição nova ainda desconhecida.
 Definir argumento
Expressão verbal do raciocínio
Um argumento é um conjunto de proposições, no mínimo duas, relacionadas entre si segundo
uma estrutura tal que uma, e só uma, é conclusão do argumento e outra/ outras é/ são
premissa/premissas do argumento.
 Estrutura do argumento
Todo o raciocínio/ argumento é constituído por:
1. Premissa ou premissas
2. Conclusão
3. Estrutura ou forma: nexo lógico entre premissa ou premissas e conclusão.
 Premissa
As premissas de um argumento são as proposições que são afirmadas ou supostas como suporte
ou apoio da conclusão.
 Conclusão
A conclusão de um argumento é a proposição que se afirma com base na outras ou outras
proposições do argumento.
 Estrutura ou forma de um argumento
É o tipo de nexo lógico ou de relação inferencial que é estabelecida no argumento entre premissas
e conclusão.
Nem toda a sequência de proposições é um argumento. É necessário que se verifique uma
determinada relação de dependência da conclusão relativamente ás premissas, cabendo às
premissas dar apoio ou garantia à conclusão.
 Inferência
Chamamos inferência ao processo de trânsito das premissas para a conclusão: a conclusão inferese das premissas; as premissas suportam ou sustentam a conclusão.
A ordem disposição da (s) premissa (s) e da conclusão num argumento é irrelevante e não é fixa.
O recurso a indicadores facilita a identificação da (s) premissa (s) e da conclusão.
Importância dos Princípios da Razão
Os princípios lógicos são pressupostos de todo o pensamento consistente. Sem eles, nenhuma
verdade pode ser concebida. Sendo leis fundamentais, exigem que lhes obedeçamos se queremos
que o nosso pensamento tenha rigor e coerência. Quando pensamos e quando traduzimos o
nosso pensamento em discurso (oral ou escrito), utilizamos estes princípios, os quais determinam
todo o nosso exercício racional.
Princípios Lógicos
Aprender Lógica pode ajudar-nos a melhorar o modo como pensamos e argumentamos. As regras
mais básicas são os princípios da razão:
 Princípio da Identidade:
O que é, é; e o que não é, não é.
A é A.
Em termos de proposições: uma proposição é equivalente a si mesma.
 Princípio da Não-Contradição
Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo, segundo uma mesma perspetiva.
Em termos de proposições: uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo
tempo.
Uma proposição e a sua negação não podem ser simultaneamente verdadeiras.
Duas proposições contraditórias não podem ser simultaneamente verdadeiras.
 Princípio do Terceiro Excluído
Uma coisa deve ser, ou então não ser; não há uma terceira possibilidade.
Se encararmos uma proposição e a sua negação, uma é verdadeira e a outra é falsa,
não há meio-termo.
De duas proposições contraditórias, se uma é verdadeira, a outra é falsa, e se uma é
falsa, a outra é verdadeira, não há meio-termo.
Distinção validade/ verdade
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Verdade e falsidade são atributos das proposições e só das proposições.
Validade e invalidade são atributos que convêm aos argumentos ou raciocínios e
só aos argumentos e raciocínios (diz que são válidos/ inválidos,
corretos/incorretos)
Só acerca dos argumentos ou raciocínios dedutivos podemos dizer que são válidos
ou inválidos.
Aos argumentos ou raciocínios não dedutivos (indutivos, por analogia…) convêm
outros qualificativos como fortes/fracos, pertinentes/não pertinentes,
aceitáveis/inaceitáveis.
Um argumento dedutivo é válido quando é impossível que as premissas sejam
verdadeiras sem que a conclusão o seja.
Todo o pensamento verdadeiro implica a coexistência da validade formal dos
argumentos e da verdade material das proposições.
A Lógica ocupa-se da validade formal do pensamento, enquanto as outras ciências
se ocupam da verdade material.
Porque o pensamento verdadeiro implica a copresença da validade formal e da
verdade material, as ciências não podem prescindir da Lógica, ou seja, de
proceder em conformidade com os princípios e as regras formais do pensamento.
Assim sendo, a Lógica tem de ser tomada como uma ciência em si mesma que
estuda as leis dos argumentos válidos como um instrumento (“organon”) ao
serviço das demais ciências e do conhecimento em geral.
Forma (estrutura dos argumentos)
Traduz o tipo de relação estabelecida entre as premissas e a conclusão de um
argumento.
Não depende da verdade ou da falsidade das proposições dos argumentos.
Validade: propriedade dos argumentos cuja conclusão decorre das premissas e é por
ela justificada.
Matéria
O que é dito nas proposições.
As proposições têm dois valores de verdade:


Verdadeiro: diz o que a realidade é.
Falso: diz o que a realidade não é.
HÁ ARGUMENTOS VÁLIDOS COM PREMISSAS E CONCLUSÃO FALSA: a
validade garante a verdade da conclusão inferida de premissas verdadeiras.
Formas de inferência válida (de acordo com a Lógica Aristotélica)
 Inferência: operação do pensamento por meio da qual de uma ou mais do que
uma proposição extraímos outra que nela ou nelas estava contida implicitamente.
 Simples ou imediatas: Têm lugar a partir de uma única proposição.
Consistem em extrair diretamente uma nova proposição de outra dada
anteriormente e apenas com os termos que as constituem.
Premissa/Antecedente: Todos os homens são fortes.
Conclusão/Consequente: Alguns homens são fortes.

Complexas ou mediatas: Têm lugar a partir de duas ou mais proposições.
Habitualmente, considera-se a inferência mediata como sinónimo de
raciocínio. Mas, em rigor, a inferência imediata também se pode considerar
raciocínio. Exemplo: dedução, indução, analogia.
Raciocínio dedutivo
Raciocínio pela qual, de duas ou mais proposições conhecidas (premissas ou
antecedentes), se conclui, necessariamente, uma proposição nelas, de algum modo,
incluída e implicada.
A relação entre premissas e conclusão é de necessidade lógica: uma vez admitidas as
premissas, é forçoso aceitar a conclusão que deriva inevitavelmente.
Necessidade Lógica
Premissas
Todos os homens são mortais.
Os gregos são todos homens.
Conclusão
Todos os gregos são mortais.
Raciocínio Indutivo
É uma inferência cuja conclusão se segue das premissas apenas de maneira provável;
esta probabilidade é questão de graus e depende de outras coisas que podem ou não
suceder.
O raciocínio indutivo é, habitualmente, uma generalização: a partir de um certo
número de casos particulares estudados ou observados, induzimos que o que se
verifica (propriedade ou relação) nos casos analisados se verificará também em todos
os casos análogos ou do mesmo género. Implica, habitualmente, generalização e
previsão.
Indução
Formal, completa ou
totalizante*
Não vai além dos casos
observados
Amplificante*
A conclusão ultrapassa o
número de casos
conhecidos
*Indução formal, completa, amplificante
Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno descrevem órbitas elípticas. Ora, todos
eles são planetas do sistema solar.
*Indução Amplificante (Francis Bacon, 1561-1626)
Se observarmos que os corpos A, B e C são bons condutores de eletricidade.
Se A, B e C são corpos metálicos.
Então, todos os corpos metálicos são bons condutores de eletricidade
Raciocínio por Analogia
“Marte possui uma atmosfera como a Terra.
Ora, na Terra existem seres vivos que respiram graças a essa atmosfera.
Então, podemos supor que também existem seres vivos em Marte.”
Operação do pensamento mediante a qual, de certas semelhanças ou analogias, extraímos novas
semelhanças.
Vantagens:
- É indispensável nos mais variados domínios do pensamento.
- Desenvolve a inteligência.
- Estimula a imaginação.
- Favorece a descoberta.
- Tem um grande poder heurístico.
- Facilita a compreensão do desconhecido.
- Encoraja a transposição do conhecimento para novos campos.
Desvantagens:
- É pouco rigoroso.
- É ambíguo.
- É, logicamente, traiçoeiro.
- Permite-nos concluir apenas com alguma probabilidade.
O Silogismo- Estrutura e regras
 O silogismo é a forma mais conhecida de raciocínio dedutivo. Aristóteles definia-o da
seguinte forma: “Raciocínio segundo o qual, postas certas coisas, outra diferente se lhes
segue necessariamente só pelo facto de serem postas.”
 “Argumento dedutivo geralmente formado por três proposições em que duas delas, que
funcionam como premissas, se extrai outra proposição que é a sua conclusão ou
consequente.”
Premissas ou
Antecedente
Conclusão ou
Consequência
Silogismo A
“Todos os cães são
espertos. Os galgos
são cães.”
“ Os galgos são
espertos.”
CATEGÓRICO:
Formado por
proposições
categóricas.
Silogismo B
“Se adormeço, não
vejo o filme.
Adormeço.”
“Não vejo o filme.”
HIPOTÉTICO:
Contém uma
proposição
hipotética.
Silogismo C
“Ou vou ao cinema,
ou vou à praia. Vou à
praia.”
“Não vou ao
cinema.”
DISJUNTIVO:
Contém uma
proposição
disjuntiva.
Silogismo Categórico
Argumento em que, de duas premissas que ligam dois termos (maior e menor), se extrai uma
conclusão que une ou separa esses dois termos.
 Forma padrão dos silogismos categóricos:
Todo o silogismo categórico que respeite a forma padrão é constituído por três termos e três
proposições.
 Três termos:
 Termo maior (P): O que tem maior extensão (mais inclusivo). Ocupa sempre
o lugar de predicado na conclusão. Diz-nos qual é a premissa maior, da qual
faz parte.
 Termo menor (S): O que tem menor extensão (menos inclusivo). Ocupa
sempre o lugar de sujeito na conclusão. Indica-nos qual é a premissa menor
de que faz parte.
 Termo médio (M): O que permite o trânsito das premissas à conclusão. O
que permite estabelecer relação entre S e P. O que figura nas duas premissas
mas não na conclusão.
 Três proposições:
 Premissa maior: proposição que possui o termo maior (P). Não é,
necessariamente, a primeira.
 Premissa menor: proposição que contém o termo menor (S). Não é,
necessariamente, a segunda.
 Conclusão: proposição que articula o termo menor com o termo maior.
Conhece-se por não conter o termo médio.
Todo o homem é mortal. Premissa maior
Como Sócrates é homem. Premissa menor
Então, Sócrates é mortal. Conclusão
Termo maior (P)
Termo menor (S)
Termo médio (M)
A Forma do Silogismo
Todo o M é P.
Logo, o S é M.
Logo, todo o S é P.
A forma de um silogismo é a maneira como os termos se encadeiam e é definida pelo
modo e pela figura.
o
O modo do silogismo:
O modo é determinado pela quantidade e qualidade das proposições que o silogismo
contém, dispostas pela seguinte ordem: premissa maior, premissa menor e conclusão.
“Todos os mamíferos são
animais.
Os cães são mamíferos.
Logo, os cães são animais.”
“Nenhum valente é
medroso.
Alguns homens são
medrosos.
Logo, alguns homens não
são valentes.”
o
Modo AAA
Modo EIO
A figura do silogismo:
A figura de um silogismo determina-se pela função do termo médio na premissa
maior e na menor. Como o termo médio pode exercer a função de sujeito e
predicado em cada uma das premissas, há a possibilidade de existirem quatro figuras.
Premissa maior
Premissa menor
Conclusão
(mnemónica)
1ª Figura
MéP
SéM
SéP
SUB
PRAE
2ª Figura
PéM
SéM
SéP
PRAE
PRAE
3ª Figura
MéP
MéS
SéP
SUB
SUB
4ª Figura
PéM
MéS
SéP
PRAE
SUB
Regras da Dedução Silogística
1ª Regra: Não pode haver mais de três termos: maior, menor e médio.
As margaridas são plantas de jardim.
Algumas raparigas são Margaridas.
Logo: Algumas raparigas são plantas de jardim.
2ª Regra: Qualquer termo distribuído na conclusão tem de estar distribuído nas
premissas (os termos não podem ter maior extensão na conclusão do que nas
premissas).
Os cravos são flores.
As rosas não são cravos.
Logo: As rosas não são flores.
3ª Regra: O termo médio deve estar distribuído (há de tomar-se em toda a sua
extensão) ao menos uma vez.
Os portugueses são europeus.
Alguns portugueses habitam nas ilhas Baleares.
Logo: Os portugueses habitam nas ilhas Baleares.
4ª Regra: O termo médio não pode entrar na conclusão.
Os jovens são bem-dispostos.
Os jovens são trabalhadores.
Logo: Os jovens são trabalhadores bem-dispostos.
5ª Regra: De duas premissas negativas, nada se pode concluir.
Os leões não são animais domésticos.
Nenhum crocodilo é leão.
Logo: Nenhum crocodilo é animal doméstico.
6ª Regra: De duas premissas afirmativas, não se pode retirar uma conclusão negativa.
Os que se aplicam merecem boas classificações.
Alguns alunos são aplicados.
Logo: Alguns alunos merecem boas classificações.
7ª Regra: De duas premissas particulares, nada se pode concluir.
Alguns mamíferos são aquáticos.
Alguns animais não são mamíferos.
Logo: Alguns animais não são aquáticos.
8ª Regra: A conclusão segue sempre a parte mais fraca. Se uma premissa é particular,
a conclusão só poderá ser particular. Se uma premissa é negativa, a conclusão só
poderá ser negativa.
Todos os homens são pessoas.
Ora, alguns homens são injustos.
Logo: Todas as pessoas são injustas.
Falácias Formais do Silogismo Categórico
Falácia: Argumento aparentemente verdadeiro, mas que o não é, quer por
parte de premissas falas, quer porque contém algum erro no processo
argumentativo.
o Paralogismos e Sofismas: Há quem distinga entre paralogismo (erro de
raciocínio involuntário) e sofisma (erro de raciocínio voluntário para enganar
o interlocutor). Do ponto de vista da Lógica Formal, esta distinção é
irrelevante, porque a Lógica não é Ética.
Falácia dos 4 Termos:
o
“ O poder tende a corromper.
O conhecimento é poder.
Portanto, o conhecimento tende a corromper.”
Este exemplo infringe a 1ª regra por introduzir quatro termos. O termo “poder”,
utilizado equivocamente, vale por dois termos.
Falácia do Termo Médio Não Distribuído
“ Todos os russos foram revolucionários.
Os anarquistas foram revolucionários.
Portanto, todos os anarquistas foram russos.”
Infringe-se a 2ª regra porque o termo médio (“revolucionários”) não está distribuído
(ou não está tomado em toda a sua extensão) nem na primeira nem na segunda
premissa.
Falácia do Trânsito Ilícito do Termo Maior
“Todos os filósofos são racionais.
Nenhum habitante da serra é filósofo.
Logo, nenhum habitante da serra é racional.”
É um silogismo inválido porque o termo maior (“racional”) está distribuído na
conclusão e não o está nas premissas.
Falácia do Trânsito Ilícito do Termo Menor
“Todos os extremistas são subversivos.
Todos os extremistas criticam o atual governo.
Logo, todos os que criticam o atual governo são subversivos.”
É um silogismo inválido porque o termo menor está distribuído na conclusão e não o
está nas premissas.
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