INCIDÊNCIA PARASITOLÓGICA EM LEITÕES DESMAMADOS SUPLEMENTADOS COM PRÓPOLIS E PIMENTA DE JAVA¹ Toseti, L.B.2*, Rodrigues, D.C.2, Rubio, M.S.3, Melo, V.F.P.2, Deus, A.S.N.2, Filardi, R.S.4 1 2 Iniciação Científica PIBIC SB Graduandos do Curso de Zootecnia – UNESP Campus de Ilha Solteira, SP - *[email protected] 3 Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ciência e Tecnologia Animal - UNESP Ilha Solteira/Dracena, SP 4 Docente do Departamento de Biologia e Zootecnia – UNESP Câmpus de Ilha Solteira, SP Introdução É sabido que a ocorrência de enfermidades nos rebanhos diminui a lucratividade da operação por causar despesas adicionais e por reduzir o desempenho dos animais de reprodução e de engorda. Desta forma, a identificação e o controle das principais doenças infecciosas e parasitárias, visando diminuir as perdas econômicas e promover a saúde e o bem-estar animal, com atenção também às questões agroecológicas e de saúde pública, tornam-se indispensáveis. O parasitismo interno de suínos é uma infecção que nem sempre provoca alterações visíveis nos animais. Os prejuízos causados pela ocorrência de endoparasitas dependem de alguns fatores como: temperatura, umidade, susceptibilidade individual, idade dos animais, alimentação e práticas de manejo adotadas (BRITO et al., 2012), assim como o número de endoparasitas presentes no ambiente. De acordo com Jesus e Muller (2000) e Pinto et al. (2007), níveis subclínicos de endoparasitas em suínos podem prejudicar o seu desenvolvimento, provocando emagrecimento, retardo do crescimento e, em casos extremos, até o óbito do animal. O uso de antibióticos como melhorador de desempenho vem sendo condenado nas últimas décadas devido ao surgimento de possíveis microrganismos resistentes e pela exigência do mercado consumidor de um produto livre de resíduos. Como alternativa ao uso de antibióticos destacam-se os extratos vegetais e plantas medicinais, utilizando folhas, sementes, raízes, frutos ou mesmo a planta inteira na tentativa de melhorar a digestão, estimular o apetite, como digestivos, antissépticos, anti-inflamatórios e como antioxidantes (BUTOLO, 2005). Pelo exposto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da substituição do promotor de crescimento antimicrobiano presente na dieta de leitões desmamados por fontes fitoterápicas alternativas, perante a incidência parasitária e ganho de peso desses animais. Material e Métodos O experimento foi conduzido no Setor de Suinocultura da UNESP Câmpus de Ilha Solteira, com coordenadas geográficas 20º 25' 24.4" S e 51º 21' 13.1" O. Segundo a classificação de Köppen, o clima é definido como tropical úmido, onde se encontra estação chuvosa no verão e seca no inverno. Foram utilizados 30 leitões mestiços, provenientes do cruzamento entre fêmeas da raça Moura com reprodutor sintético MS 115, os quais forma desmamados aos 38 dias de idade, com peso médio de 9,0 ± 0,35 kg e alojados baias de alvenaria com piso compacto, providas de bebedouro do tipo chupeta e comedouro do tipo cocho. Os animais foram distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado, com cinco repetições de dois animais por tratamento. As dietas experimentais foram formuladas à base de milho e farelo de soja, seguindo as recomendações de Rostagno et al. (2011). Os tratamentos utilizados foram: Ração basal (RB) com adição de promotor de crescimento antimicrobiano (bacitracina de zinco7ppm); Ração basal com adição de 0,35% de própolis ou adição de 1,5% de pimenta de Java (Piper cubeba). Os animais receberam as rações experimentais por um período de 17 dias. Durante a última semana do experimento, foram coletadas amostras fecais diretamente da ampola retal dos suínos. As amostras foram devidamente identificadas e acondicionadas em uma caixa de isopor com gelo até a chegada ao laboratório de Parasitologia da UNESP de Ilha Solteira, onde foi realizada a análise parasitológica pela técnica de Willis-Mollay (1921), a qual utiliza o princípio de flutuação através de solução saturada para identificação de ovos e oocistos. Resultados Na tabela 1 são apresentados os resultados de ocorrência de ovos e oocistos dos principais parasitas gastrointestinais de suínos, sendo Strongyloides ransomi o mais prevalente em todos os tratamentos. A maior porcentagem numérica de positividade da infecção parasitária pode ser observada nos tratamentos com a adição da própolis e Piper cubeba (Tabela 2). Os dados de ganho de peso diário (GPD) e ganho de peso total (GPT), são representados na tabela 3, onde observa-se que não ocorreu efeito (P>0,05) dos tratamentos sobre esses parâmetros, embora numericamente haja indícios que a ração contendo o antimicrobiano tenha favorecido o ganho de peso dos animais. Tabela 1. Incidência de parasitas nas fezes de leitões nos diferentes tratamentos Parasitas RB + Promotor de Crescimento Negativo % Positivo % Total Isospora suis 9 90 1 10 10 Giardia sp. 8 80 2 20 10 Strongyloides ransomi 7 70 3 30 10 RB + 0,35% Própolis Negativo % Positivo % Total Isospora suis 9 90 1 10 10 Giardia sp. 10 100 0 0 10 Strongyloides ransomi 4 40 6 60 10 RB + 1,5% Pimenta de Java Negativo % Positivo % Total Isospora suis 9 90 1 10 10 Giardia sp. 9 90 1 10 10 Strongyloides ransomi 4 40 6 60 10 Tabela 2. Prevalência (%) de ovos e oocistos em cada tratamento analisado Tratamentos Prevalência Negativo % Positivo % Total RB + Promotor de Crescimento 7 70% 3 30% 10 RB + 0,35% Própolis 4 40% 6 60% 10 RB + 1,5% Pimenta de Java 3 30% 7 70% 10 Total 14 46,7% 16 53,3% 30 Tabela 3. Média do ganho de peso diário (GPD) e ganho de peso total (GPT), para os tratamentos analisados. Tratamentos GPD (kg/dia) GPT (kg) RB + Promotor de Crescimento 0,3470 5,95 RB + 0,35% Própolis 0,2480 4,25 RB + 1,5% Pimenta de Java 0,2730 4,65 Valor de P 0,0588 NS 0,0582 NS CV % 31,69 31,91 Ns:. Não significativo (P>0,05). Discussão e Conclusões O exame parasitológico revelou a presença de ovos e oocistos em 53,3% das amostras fecais analisadas (Tabela 2), resultado inferior ao obtido por Brito et al. (2012), em Sergipe/SE, com prevalência positiva de 90%. Dentre os parasitos encontrados, podemos destacar o Strongyloides ransomi, presente em 15 amostras de fezes analisadas, o que corresponde a 50% das 30 amostras coletadas. Este resultado demonstrou incidência relativamente superior quando comparado com o pesquisado por Gomes (2009), que observou uma prevalência de 29% para a mesma espécie. O mesmo não ocorre para Giardia sp. e Isospora suis, que tiveram apenas 16,7% de incidência, ou seja, em apenas 5 das 30 amostras de fezes analisadas. O resultado para Isospora suis difere do encontrado por Gomes (2009), 58%, sendo superior ao encontrado neste trabalho. Entretanto, os dados obtidos para Giardia sp. corroboram com Loutit e Relman (2003), os quais constataram que a prevalência de giardíase em suínos jovens situa-se entre 7% a 44%. Em relação aos tratamentos propostos, pode-se observar que os produtos naturais utilizados, seja a própolis ou as sementes de pimenta de Java, não foram eficientes no controle dos parasitos quando comparado ao promotor de crescimento antimicrobiano (Tabela 2). Embora a ação do antimicrobiano seja sobre bactérias e não endoparasitas, pode-se observar que na sua ausência a incidência de parasitas foi aumentada, podendo-se deduzir desta forma que um desiquilíbrio das bactérias intestinais pode acarretar menor resistência geral dos animais, que por sua vez tornam-se mais susceptíveis aos endoparasitas. Por outro lado, a análise de variância não indicou diferenças significativas para o ganho de peso total ou diário (Tabela 3). Os estudos avaliando os efeitos da utilização de própolis na alimentação de leitões ainda são escassos e controversos (ITO et al., 2009) e de acordo com Theil et al. (2011), o mesmo ocorre com os níveis de utilização da pimenta de Java (Piper cubeba), sendo necessário realizar mais ensaios e com maior número de animais para obtenção de resultados mais conclusivos sobre a possibilidade do uso do própolis e da pimenta como substituto aos antimicrobianos. Desta forma, com base neste estudo, pode-se concluir que os produtos naturais propostos como substitutos ao promotor de crescimento antimicrobiano, própolis e pimenta de Java (Piper cubeba), não atuaram de maneira eficiente no controle da incidência de parasitas e no ganho de peso dos leitões. Agradecimentos Agradecimentos à Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão da UNESP-Ilha Solteira. Referências BRITO, G.G. et al. Ocorrência de enteroparasitas em amostras fecais de suínos do município de Simão Dias-SE, Revista Ciências Biológicas e da Saúde, Aracaju, v.1, n.15, p. 11-18, 2012. BUTOLO, J.E. Alimentos funcionais. I SIMPÓSIO DE NUTRIÇÃO E SAÚDE DE PEIXES, 1, 2005, Botucatu. Anais…Botucatu – SP, Brasil, 2005, p. 1-13. GOMES, A.I.J.G. Contribuição para a caracterização do parasitismo gastrintestinal e pulmonar em suínos de raça alentejana no distrito de Évora. 2009. 105f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Universidade Técnica de Lisboa, Portugal. ITO, E.H.; SILVA, N.V.P.; ORSI, R.O., et al. Uso da própolis em ração de leitões desmamados. PUBVET, Londrina, v.3, n.4, edição 65, Artigo 361, 2009. Disponível em: http://www.pubvet.com.br/artigos_det.asp?artigo=361. Acesso em: 19/04/2012 JESUS, L.P.; MÜLLER, G. Helmintos parasitos do estômago de suínos na região de pelotas, RS. Revista Brasileira de Agrociência, v.6, n.2, p. 181-187, 2000. LOUTIT, J.; RELMAN, D. Bacilos aeróbios gram-positivos, In: Doenças Infecciosas: Diagnóstico e Tratamento, Porto Alegre, Ed. Artmed, p. 544-546, 2004. PINTO, J.M.S.; COSTA, J.O.; SOUZA, J.C.A. Ocorrência de endoparasitos em suínos criados em Itabuna, Bahia, Brasil, Ciência Veterinária nos trópicos, v.10, p. 79-85, 2007. ROSTAGNO, H.S. et al. Tabelas brasileiras para aves e suínos - composição de alimentos e exigências nutricionais, 3ª edição, Universidade Federal de Viçosa-MG, Departamento de Zootecnia, 2011, 252p. THEIL, P. et al. Estudo preliminar do uso da pimenta de java (Piper cubeba) na ração de leitões na fase inicial de crescimento. V ENCONTRO DE CIÊNCIAS DA VIDA, 5, Ilha Solteira. Anais…Ilha Solteira-SP (CD-ROM), Brasil, 2011, p. 3-4. WILLIS, H. H. A simple levitation method for the detection of wookworm ova, Medicine Journal of Australia, v.8, p. 375-376, 1921.