a utilização da lisozima para combater a alteração dos

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GAO, POWER, LAGARDE, KRENTZ – A UTILIZAÇÃO DA LISOZIMA PARA COMBATER A ALTERAÇÃO DOS
VINHOS TINTOS – pág. 1
A UTILIZAÇÃO DA LISOZIMA PARA COMBATER A ALTERAÇÃO DOS
VINHOS TINTOS.
Yun Cai Gao, Jennifer Power, Gilles Lagarde, Sheri Krentz
[email protected] 604-857-0695 31212 Peardonville Road, Abbotsford, B.C. V2T 6K8
[email protected]
Uma grande maioria de bactérias lácticas (BLA) associadas ao vinho converte o ácido
málico em ácido láctico. Esta conversão é conhecida como fermentação maloláctica
(FML). Esta fermentação secundária pode ser levada a cabo pelas “boas bactérias”
(Oenococcus oeni), ou por bactérias de alteração do ácido láctico. Depois de uma
(FML) conduzida por Oenococcus oeni o pH do vinho sofrerá um ligeiro aumento, o seu
aroma será mais complexo e o vinho será microbiologicamente mais estável. Contudo,
determinadas espécies de BLA conhecidas como “bactérias de alteração” são
responsáveis pela contaminação do vinho através da produção de níveis elevados de
ácido acético, diacetilo, aminas biogénicas, acroleína, polissacáridos e outras toxinas.
Estes compostos podem contaminar um vinho quer por causar defeitos organolépticos,
quer por causar reacções fisiológicas adversas no consumidor. Em alguns casos, a
fermentação alcoólica pode tornar-se lenta ou pode mesmo parar. A contaminação por
BLA ocorre com maior frequência em vinhos com pH elevado em que o efeito do SO2 é
menos eficaz.
A lisozima é um antimicrobiano natural. É particularmente eficaz no combate a bactérias
Gram-positivas. As BLA de contaminação geralmente implicadas na alteração do vinho
pertencem ao género Lactobacillus e Pediococcus. Sendo Gram-positivas grande parte
destas BLA permitem um controlo eficaz do seu crescimento com a utilização da
lisozima.
A eficácia da Lisozima no combate a várias estirpes de BLA de alteração do vinho foi
estudada, entre outras experiências, num vinho de Cabernet Sauvignon a pH 3,8. As
bactérias de alteração estudadas incluem: Lactobacillus kunkeei, Lactobacillus hilgardii,
e Pediococcus damnosus. As BLA foram inoculadas com uma população de 107-108
CFU/ml. As leveduras e a Lisozima foram adicionadas simultaneamente dois dias
depois da bactéria de alteração ter sido adicionada ao mosto.
Os resultados deste estudo indicam:
1). A lisozima não afecta o crescimento das leveduras. O “scann” de dois micrográficos
(microscópio electrónico) – figura 1 – indica que a lisozima inibe as BLA sem afectar o
crescimento das leveduras
2). A lisozima elimina com eficácia as BLA de alteração como se pode ver na figura 2.
3). A lisozima inibe significativamente o crescimento das BLA de alteração - figura 3.
4). A lisozima reduz drasticamente a produção de ácido acético (acidez volátil) – figura 4
5). A lisozima pode prevenir fermentações alcoólicas lentas ou as paragens de
fermentação – figura 5. A fermentação na amostra testemunha parou, ficando com uma
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concentração em açúcares residuais de 50g/L. Com a adição de 125 e 250 ppm de
lisozima a fermentação alcoólica realizou-se (esgotando completamente os açucares)
em 21 dias após o inicio da experiência.
Fig.1. Scanning dos micrográficos de S. bayanus e LAB
Yeast
spoilage bacteria
(a). Testemunha
(b). Com adição de lisozima
Fig. 2. Destruição da Lb. hilgardiii pela lisozima observada com
um microscópio electrónico
(a). Testemunha
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(b). Com adição de Lisozima
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Fig.3. Inibição da L. hilgardii pela lisozima
LAB population (log CFU/ml)
9
8
7
6
5
0 ppm lyso
125 ppm lyso
4
250 ppm lyso
3
2
1
0
0
5
10
15
Time (days)
20
25
Fig. 4. Efeito da Lisozima no ácido acético produzido por
L. hilgardii
Acetic acid concentration (g/L)
7
6
0 ppm lyso
125 ppm lyso
5
250 ppm lyso
4
3
2
1
0
0
5
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Fig.5. Efeito da Lisozyma na redução da concentração em
açucares residuais em vinhos inoculados com L. hilgardii
Glucose and fructose (g/l)
300
250
0 ppm lyso
125 ppm lyso
200
250 ppm lyso
150
100
50
0
0
5
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