SANIDADE - 02.04.14: Brasil em alerta com doença

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SANIDADE - 02.04.14: Brasil em alerta com doença de suíno nos EUA
Alda do Amaral Rocha e Luiz Henrique Mendes A indústria brasileira de carne suína solicitou ao Ministério da
Agricultura a suspensão temporária das importações de suínos vivos (reprodutores), material genético e plasma de suínos
dos Estados Unidos numa medida para tentar proteger o Brasil do vírus da diarreia epidêmica suína (PED, na sigla em
inglês), que atinge o rebanho americano. Mais comum na Ásia e em países do Leste Europeu, o doença apareceu nos
EUA pela primeira vez em maio do ano passado e vem se espalhando rapidamente. Até então, o vírus nunca havia se
manifestado no continente americano. Em relatório divulgado na semana passada, o Rabobank informou que o vírus já
afetou cerca de 60% do rebanho suíno reprodutor dos EUA e quase 30% do rebanho mexicano. Ainda conforme o banco
holandês, a doença também começa a atingir o Canadá. "Pedimos a suspensão temporária [das importações] até que
todas as dúvidas sejam esclarecidas. É uma medida de prevenção para evitar que o setor [de suíno] seja envolvido",
afirma Rui Vargas, vice-presidente para o segmento de suínos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O
Brasil importa animais vivos, material genético e também plasma do sangue suíno. Esse componente do sangue é
usado como insumo na ração destinada aos animais e há suspeitas de que possa ser a origem da contaminação.
Conforme explicou Vargas, o plasma é separado do sangue por meio de processo de centrifugação e usado para dar
mais palatabilidade à ração dos suínos. Ontem, em evento em São Paulo, o secretário substituto de Defesa
Agropecuária do ministério Marcos Valadão disse que o governo estuda a solicitação da indústria de suínos. Segundo
ele, haverá reunião semana que vem, em Cananeia (SP), onde o ministério mantém uma estação quarentenária, para
discutir se há necessidade de a medida ser tomada. Uma outra possibilidade, disse, é reter o material importado em
um novo galpão para quarentena de suínos que será inaugurado em Cananeia. Lá, o material seria avaliado e liberado
depois de comprovada sua sanidade. Os temores do setor produtivo cresceram com a chegada do vírus da PED a
países como República Dominicana, Colômbia e Peru, segundo o professor de veterinária da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG), Roberto Guedes. Na prática, isso significa, explica ele, que a transmissão da doença não segue
uma lógica territorial. "Tudo indica que existe uma movimentação da infecção em países vizinhos sem que a gente saiba da
epidemiologia. Não se sabe como o vírus chegou. Ele não está obedecendo a uma fronteira e nem sabemos se a cepa
é idêntica à dos EUA", afirma, indicando a dificuldade inicial de combater uma doença exótica. O Ministério da Agricultura
e a Embrapa realizaram semana passada uma reunião com membros da cadeia produtiva para discutir a questão.
Conforme a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella, um comitê será formado, sob a liderança de
ministério e Embrapa, para sugerir medidas de biossegurança e elaborar um plano de contingência para o caso de a
doença chegar ao Brasil. Na indústria de genética, há dúvidas de que a proibição da importação de animais vivos seja
necessária, uma vez que já existem medidas para assegurar a sanidade dos reprodutores importados. O Brasil
importa animais reprodutores dos EUA, onde foram desenvolvidas linhagens suínas mais produtivas. Ao chegar ao
Brasil, os reprodutores passam por uma quarentena de 60 dias, segundo Daniel Linhares, gerente de serviços técnicos
da Agroceres PIC, uma das maiores empresas brasileiras de genética suína. Essa quarentena minimizaria o risco de
contaminação, afirma ele. O Brasil importa de seis a sete lotes de animais (com 50 a 200 animais cada) por ano, segundo
Daniel Linhares. O professor Guedes, da UFMG, compartilha a opinião de Linhares. "Acho bem mais difícil contaminação
pela importação de animais pelos cuidados do ponto de vista sanitário". A suspeita, afirma Guedes, é que a doença
esteja se disseminando por meio de insumos para a ração. Para o presidente da ABPA, Francisco Turra, medidas para
prevenir a entrada da doença no Brasil são fundamentais, e a epidemia nos EUA pode significar oportunidades para o
setor de suínos brasileiro. "Temos que tomar as medidas para mostrar que somos livres da doença", disse. Para ele, tais
medidas seriam uma forma de garantir a sanidade do suíno brasileiro, o que pode abrir mercados para o produto no
exterior em espaços deixados pelos americanos. "O Brasil se tornou líder na exportação mundial de carne de frango em
2005, quando houve a epidemia de gripe aviária", lembrou Turra, acrescentando que isso foi possível porque o "Brasil
foi referência em vigilância" contra aquela enfermidade. Hoje os EUA exportam carne suína para Japão, Coreia do Sul,
México, países da America Latina, China e Rússia. Na avaliação do Rabobank, a epidemia que afeta os suínos nos
EUA deve favorecer o setor americano de aves, uma vez que a oferta de carne suína deve ter um decréscimo. A
brasileira JBS já admitiu que seu abate de suínos nos Estados Unidos deve diminuir este ano. Nos EUA, a JBS
também atua em aves, com a Pilgrim's Pride. A diarreia epidêmica suína não afeta humanos, segundo o
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A doença é mais severa em suínos jovens, mas pode atingir animais em
qualquer idade, causando morte ou perda na produção. Conforme o órgão, não há tratamento para a PED. (Colaborou
Mariana Caetano, de São Paulo) Fonte: Valor Econômico
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Produzido em: 28 May, 2017, 23:32
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