PROTOCOLOS DE ATENÇÃO À SAÚDE Anemia Falciforme

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Hidratar
PROTOCOLOS DE
Prescrever
analgésico
ATENÇÃO À SAÚDE
Anemia Falciforme
Procurar foco
infeccioso
AUTORES
Adriana de Azevedo Mafra
Maria Elaine da Silva
Paula Martins
Iniciar antibiotico
empírico
precocemente
ELABORAÇÃO
Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte
1
PROTOCOLOS DE
ATENÇÃO À SAÚDE
ANEMIA FALCIFORME
AUTORES
Adriana de Azevedo Mafra
Maria Elaine da Silva
Paula Martins
COLABORADORES
Fernando Valadares Basques
ELABORAÇÃO
Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte
VERIFICAÇÃO
Fundação Hemominas
Gerência de Urgência
2
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AINE
Antiinflamatório não esteróide
APS
Atenção Primária à Saúde
AVE
Acidente vascular encefálico
AVEI
Acidente vascular encefálico isquêmico
AVEH
Acidente vascular encefálico hemorrágico
CVO
Crise Vasooclusiva
CBA
Circulation, Breathing, Air
DF
Doença falciforme
2,3 DPG
2,3 difosfoglicerato
FR
Fequência respiratória
G6PD
Glicose‑6‑fosfato desidrogenase
Hb
Hemoglobina
HbF
Hemoglobina fetal
HbS
Hemoglobina SS
HCM
Concentração de Hemoglobina Corpuscular
Hm
Hemácias
Ht
Hematócrito
IM
Intramuscular
IV
Intravenoso
Kg
quilo
mg
miligramas
O2
Oxigênio
P
Pulso
PA
Pressão arterial
PaO2
Pressão arterial de oxigênio
PCR
Proteína C reativa
pH
Potencial Hidrogeniônico
Rx
Radiografia
SC
Subcutâneo
SEA
Sequestro esplênico agudo
STA
Síndrome Torácica Aguda
Tax
Temperatura axilar
VO
Via oral
3
UPA
Unidade de Pronto Atendimento
SUMÁRIO
UTILIZADORES POTENCIAIS
05
CONFLITOS DE INTERESSE
05
VALIDAÇÃO
05
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
05
INTRODUÇÃO
06
OBJETIVO GERAL
06
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
06
METODOLOGIA
06
NÍVEL DE EVIDÊNCIA E GRAU DE RECOMENDAÇÃO
07
1.
CONCEITOS
08
2.
PREVALÊNCIA
08
3.
FISIOPATOLOGIA
10
4.
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO
11
5.
EMERGENCIAS RELACIONADAS A ANEMIA FALCIFORME
14
6.
CRISE ÀLGICA
14
7.
SINDROME TORÁCICA AGUDA
20
8.
MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS
24
9.
INFECÇÕES
26
10
MANIFESTAÇÕES HEMATOLÓGICAS
28
10.1
CRISE APLÁSICA
28
10.2
SEQUESTRO ESPLÊNICO
30
11
PRIAPISMO
32
12
SINAIS DE ALARME NA CRIANÇA
33
13
INDICAÇÕES DE HEMOTRANSFUSÃO
34
14
PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DA DOENÇA FALCIFORME
35
15
PONTOS CHAVE NO MANEJO DA DOENÇA FALCIFORME
35
16
PLANO DE CUIDADOS
36
17
MATERIAIS NECESSÁRIOS
38
18
INDICADORES
38
19
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
39
4
UTILIZADORES POTENCIAIS
Equipe das Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) e da Atenção Primária à
Saúde (APS): médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, farmacêuticos,
laboratório, imagem, gerentes, academia;
Demais profissionais da saúde
Assistentes Sociais
Acadêmicos dos cursos de interesse da saúde
Profissionais de educação e comunicação em saúde
Comunidade
Conselhos Municipais de Saúde
Gestores de saúde estaduais e municipais
CONFLITOS DE INTERESSE
Não foram relatados conflitos de interesses pelos elaboradores deste protocolo.
VALIDAÇÃO
Validação interna: profissionais de saúde dos serviços das UPAs de Belo Horizonte e do
Nível Central.
Validação externa: Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM MG), Conselho
Regional de Enfermagem de Minas Gerais (COREN MG): pendente.
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Pacientes com história de doença falciforme com suspeita de crises vasooclusivas e crise álgica
que se apresentam por demanda espontânea nos Centros de Saúde ou nas Unidades de Pronto
Atendimento (UPA 24h) do Município de Belo Horizonte.
5
INTRODUÇÃO
A doença falciforme (DF) é uma doença autossômica recessiva. Constitui um grupo de
hemoglobinopatias e a presença da hemoglobina S pode ou não estar associada a outra
hemoglobina variante. O tipo mais comum é a forma em homozigose (hemoglobina SS) conhecida
como anemia falciforme.
1,2
Hemólise crônica e crises vasooclusivas são características dessa doença, sendo mais graves nos
pacientes com doença falciforme em homozigose para o gene HbS (hemoglobina SS). As
manifestações são mais leves nos pacientes com hemoglobinopatia SC. Os pacientes com traço
falciforme apresentam genótipo heterozigoto e não apresentam crises vasooclusivas, exceto se
submetidos a situações de hipóxia extrema. A crise vaso-oclusiva dolorosa (CVO) é um marcador da
doença sendo a principal causa de morbidade em todos os portadores de DF.1,2,3,4,5,6
Vasoclusão causa crises recorrentes de dor e grave comprometimento de órgãos e sistemas
que levam a sequelas crônicas e morte precoce. 1,2,3,4,5,6
OBJETIVO GERAL
Redução da morbidade e mortalidade por doença falciforme nas Unidades de Pronto Atendimento de
Belo Horizonte.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1. Diferenciar anemia falciforme e traço falciforme;
2. Tratar apropriadamente a crise álgica com hidratação e uso de opióiddes em casos
moderados a graves;
3. Indicar hemotransfusao adequadamente;
4. Reconhecer e tratar prontamente as principais complicações agudas da anemia falciforme
que se apresentam nos serviços de urgência;
5. Procurar foco infeccioso;
6. Administrar antibiótico empírico precocemente;
7. Garantir seguimento do cuidado.
METODOLOGIA
A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte reuniu um grupo multidisciplinar para elaboração
de protocolos clínicos dos eventos mais frequentes e de maior gravidade que acometem pacientes
que são atendidos nas UPAs do Município:
6
Escolheram-se a anemia falciforme pelo impacto que o tratamento eficaz tem em reduzir a
morbimortalidade;
Formataram-se os tópicos pertinentes que contemplassem não só esse agravo, mas também
outros a serem padronizados pela Secretaria;
Buscaram-se as melhores evidências nos bancos de dados Medline, Pub med e Up to Date;
Elaboraram-se o protocolo para um serviço de urgência que fará o atendimento desde a chegada do
paciente, sua classificação de risco de gravidade, abordagem médica inicial e tratamento precoce até
a transferência para Hospital de maior porte, garantindo a continuidade do cuidado.
NÍVEL DE EVIDÊNCIA E GRAU DE RECOMENDAÇÃO
Este documento é apresentado conforme o grau de recomendação e avaliação (Grades of
Recommendation, Assessment, Development and Evaluation - GRADE)7 que define a qualidade da
evidência e a força da recomendação, ponderando risco e benefício, dificuldade de implementação e
custo da intervenção na prática clínica.
Qualidade da Evidência
Grau A
Alta
Grau B
Moderada
Grau C
Baixa
Grau D
Muito Baixa
Força da Recomendação
“Nós recomendamos”
“Deve-se”
Grau 1
Forte
Grau 2
Fraca “Nós sugerimos”
Estudos randomizados começam com alta qualidade da evidência (A), mas podem ser restritos por
limitações na implementação, inconsistência ou imprecisão dos resultados, por evidência indireta ou
possível relato tendencioso.
Grau de Evidência
Alta - Grau A – estudo controlado, randomizado
Moderada - Grau B -estudo controlado, randomizado com restrições* ou estudos
observacionais ou coorte ampliados**
Baixa - Grau C – estudos observacionais ou coortes bem feitos com controles
Muito baixa - Grau D – série de casos ou opinião de especialistas
*Fatores que podem restringir a força da evidência:
Estudos disponíveis difíceis de planejar ou implementar
Inconsistência dos resultados (incluindo problemas com análises de subgrupos)
Evidências indiretas (populações, intervenções, controles, desfechos e comparações diferentes)
Resultados imprecisos
Grande possibilidade de conflitos de interesse
**Fatores que podem ampliar a força da evidência:
7
Grande importância do efeito (evidência direta, risco relativo (RR) >2 sem fator de confusão
Importância do efeito muito grande, com RR > 5 e sem risco de validação (por dois níveis)
Graduação da dose resposta definida
Ser recomendação forte ou fraca depende mais da relevância clínica do que da qualidade da
evidência da publicação. A força da recomendação também é influenciada pela segurança da
estimativa de que os efeitos desejáveis da intervenção sejam maiores que os indesejáveis.
Nesse protocolo, uma recomendação forte é expressa como “nós recomendamos” e uma
recomendação fraca como “nós sugerimos”.
1
CONCEITOS
Doença falciforme ou síndromes falciformes são doenças hereditárias autossômicas
caracterizadas pela presença de hemoglobina anômala S (hemoglobina S). As principais
síndromes falciformes observadas no Brasil são 8:
Síndromes falciformes8
Anemia falciforme
Hb SS - homozigose
Hemoglobinopatia SC
Hb SC – heterozigose para S e
para C
HbS– beta talassemia
Heterozigose para HbS e
βtalassemia
Traço falciforme (heterozigose para a HbS) não está incluída nas
síndromes falciformes
2
PREVALÊNCIA
O Brasil tem a anemia falciforme como problema de saúde pública pela alta prevalência e
elevada morbimortalidade:
Frequência na população geral: de 2 a 6%; 9,10
Traço falciforme (heterozigose simples): 4% da população brasileira; 9,10
Doença homozigótica (SS - anemia falciforme) ou condição de heterozigotos compostos
(SC, SE, SD; S/beta talassemia - doença falciforme): 25.000 a 50.000 pessoas.
8
Nascem aproximadamente 3 mil crianças portadoras de doença falciforme (1:1000 recémnascidos vivos);10
Estima-se que tenhamos 20 a 30 mil brasileiros portadores da DF.
78,6% dos óbitos devidos à doença falciforme ocorreram até os 29 anos de idade,
e 37,5% concentraram- se nos menores de nove anos. A elevada letalidade, que
abrange especialmente jovens, reflete a gravidade da doença.11
9
3
FISIOPATOLOGIA
A falcização das hemácias (Hm) é dependente da polimerização da hemoglobina (Hb)
anormal desoxigenada. A falcização das hemácias e o consequente processo de inflamação
endotelial gerado estão implicadas na origem da maioria das manifestações clínicas das
doenças falciformes.
Existem diversos fatores hereditários e adquiridos envolvidos na severidade da falcização:
quantidade de diferentes tipos de hemoglobina na hemácia, a concentração de íons
hidrogênio e de 2,3 difosfoglicerato (2,3-DPG).
Fatores modulares da falcização
Concentração de HbS
Correlação direta entre concentração HbS e falcização.
Paciente com traço falciforme é assintomático (até 50% de
HbS).
Concentração de outras
Hemoglobinopatias na Hm
Hb fetal e A2 diminuem a falcização.
HbC e HbD polimerizam com HbS, mas com menos
repercussão clínica.
Desoxigenação
É o mais importante determinante da falcização.
Diminuem oferta de (oxigênio) O2: Ht< 30 a 35%, infecção,
insuficiência cardíaca, ventilação artificial, anestesia geral.
Estase vascular
Viscosidade de Hm é dez vezes maior com HbS
desoxigenada: impacto na estase vascular de sinusóides
esplênicos.
Temperatura
Baixas temperaturas retardam polimerização, mas causam
vasoconstrição: influência clínica limitada.
Acidose
Baixo pH diminui afinidade do O 2 aumentado desoxigenação
e polimerização.
Concentração de
hemoglobina corpuscular
(HCM)
Hiperosmolaridade
polimerização.
Infecções
Associada à desidratação, hipóxia, desoxigenação, estase
vascular e aumento dos efeitos inflamatórios e prócoagulantes endoteliais.
Baixo fluxo na
microvasculatura
Alterações reológicas e na
predispõem a polimerização.
Número de
polimorfonucleares
Diretamente relacionados à isquemia tecidual, mortalidade,
síndrome torácica aguda e infarto hemorrágico.
aumenta
a
desidratação
força
de
celular
e
cisalhamento
O2= oxigênio;< =menor;Hemoglobinopatias(HbC;HbD;HbF)
Fonte: Adaptado de Martins, H.S. et al. Emergências Clínicas: Abordagem Prática, São Paulo, Manole, 2012
10
4
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO AO CHEGAR À UPA / CENTRO DE SAÚDE 12
Ao chegar à UPA, o paciente terá seu risco de gravidade avaliado pela enfermagem conforme o
Sistema Manchester de Classificação de Risco.
Inicialmente será avaliado o CBA (Circulation, Breathing, Air – circulação, respiração, via
aérea) que, se comprometido, indica risco imediato do paciente perder a vida. Trata-se de
uma emergência, o paciente será classificado como vermelho e será imediatamente atendido
pelo médico.
Éurgência maior, classificada como laranja aquele caso com risco de perder órgão ou função,
sequela grave ou sofrimento intenso. Deverá ser atendido pelo médico em até 10 minutos.
Paciente com urgência será classificado como amarelo e deverá ser atendido em até 1 hora.
Urgência menor (verde) pode aguardar 2 horas com segurança e será priorizado
preferencialmente no mesmo turno.
Caso não urgente será classificado como azul, pode aguardar 4h com segurança e terá seu
atendimento agendado conforme pactuação.
NÚMERO
NOME
COR
TEMPO ALVO (min)
1
Emergência
Vermelha
0
2
Muito urgente
Laranja
10
3
Urgente
Amarela
60
4
Pouco urgente
Verde
120
5
Não urgente
Azul
240
Branca: pacientes que não pertencem aos serviços de urgência
4.1
Sistema Manchester de Classificação de Risco:
Fluxogramas “Mal Estar” para adultos e para crianças
11
FLUXOGRAMA 33
Mal Estar em Adulto
Obstrução de vias aéreas
Respiração inadequada
Choque
Hipoglicemia
Convulsionando
SIM
Vermelho
NÃO
Alteração súbita da consciência
Hemoptise
Pulso anormal
Sinais de meningismo
Déficit neurológico agudo
Risco especial de infecção
Erupção cutânea fixa
Púrpura
Adulto muito quente
Hipotermia
Dor intensa
SIM
Laranja
Limite
de
risco
NÃO
Início súbito
História de hemoptise
História de viagem recente
Déficit neurológico novo
Imunossupressão conhecida
Distúrbio de coagulação
Erupção secretante ou bolhosa disseminada
Adulto quente
Dor moderada
SIM
Amarelo
NÃO
Febril
Dor leve recente
Evento recente
SIM
Verde
NÃO
Azul
12
FLUXOGRAMA 34
Mal Estar em Criança
Obstrução de vias aéreas
Respiração inadequada
Choque
Hipoglicemia
Convulsionando
Criança não reativa
SIM
Vermelho
NÃO
Sinais de dor intensa
Resposta à dor ou à voz apenas
Não reage aos pais
Sinais de meningismo
Erupção cutânea fixa
Púrpura
Criança quente
Hipotermia
SIM
Laranja
Limite
de
risco
NÃO
SIM
Sinais de dor moderada
História discordante
Sinais de desidratação
Retenção urinária/oligúria
Não se alimenta
Amarelo
NÃO
Sinais de dor leve recente
Febril
Comportamento atípico
Evento recente
SIM
Verde
NÃO
Azul
13
5. EMERGÊNCIAS RELACIONADAS À ANEMIA FALCIFORME
O reconhecimento das situações de emergências e tratamento específico dos portadores de doença
falciforme evitam complicações potencialmente fatais.
Emergências na Anemia Falciforme
Crises álgicas
Síndrome torácica aguda
Infecções
Sequestro esplênico agudo
Acidente vascular encefálico
Outras complicações
6.
CRISE ÁLGICA
Fenômeno vasooclusivo e crise álgica são as principais manifestações clínicas e causas de
internação. Podem ocorrer sem causa aparente ou ser desencadeadas por vários fatores.
Fatores Desencadeantes de Crises Vasoclusivas1,4,13,14
Mudanças abruptas de temperatura - Frio
Trauma
Desidratação
Hipóxia
Infecção
Febre
Menstruação
Consumo de álcool
Estresse físico ou emocional
Sem causa aparente
As síndromes dolorosas podem ser agudas ou crônicas.
Síndromes Dolorosas da Anemia Falciforme1,2,3,4,5
Síndromes dolorosas agudas
Síndromes dolorosas crônicas
Dor torácica aguda
Artrite
Colecistite
Artropatia
Síndrome mão-pé
Necrose asséptica avascular
Crises álgicas
Úlceras nos membros
14
Priapismo
Colapso do corpo vertebral
Síndrome do quadrante superior direito
Neuropatias
Sequestro esplênico
Cerca de metade dos casos de crise vasoclusiva e dor apresenta edema e aumento da
sensibilidade da região afetada, febre, taquipnéia, hipertensão,náuseas, vômitos. A dor pode
durar poucas horas até duas semanas. Ossos e articulações são os principais locais das
crises vasooclusivas. Os principais locais de dor são:tórax (região de dorso), braços, pernas,
tórax (região anterior)13.
Sinais e Sintomas da Crise Álgica 1
Dor difusa ou localizada em músculos, articulações ou áreas específicas
(SNC, abdome ou tórax)
Sinais e sintomas
Considerações
Eritema e calor
Descartar celulite
Dor na articulação coxofemoral
Sugere necrose de cabeça de fêmur
Febre
Mandatória a investigação de foco infeccioso
Dor
abdominal
geralmente
Avaliar infarto de órgãos abdominais ou outros
difusa e contínua
quadros inflamatórios (apendicite, colecistite)
Dor lombar intensa
Pode indicar infarto renal
No caso de dor abdominal, o exame físico deve ser minucioso e seriado para diagnóstico diferencial.
A crise vasooclusiva não deve causar peritonismo e a dor em hipocôndrio direito com surgimento ou
piora de icterícia pode se relacionar a infarto hepático, colecistite ou hepatite.
Colecistopatia calculosa acomete até 70% dos doentes. 1
O infarto renal pode causar hematúria e insuficiência renal obstrutiva por coágulo.
As síndromes dolorosas associadas à anemia falciforme podem ser agudas ou crônicas (três a seis
meses ou mais de evolução).5
6 .1 TRATAMENTO : CONTROLE DA DOR
15
Várias classes de analgésicos podem ser usadas no controle da dor conforme sua intensidade. A
associação entre diferentes classes potencializa o resultado. Meperidina NÃO deve ser usada é
recomendada para tratamento de crises àlgicas devido associação com acúmulo de
normeperidina e toxicidade central com contrações musculares, e convulsões.2
Hemotransfusão não está indicada em crises álgicas, exceto se houver anemia sintomática
associada.
Analgésicos para Crise Álgica1,2,3,4,6
Medicação
Dose
Via
Intervalo
Associações
VO
ou
IV
4 a 6h
Opióides
VO
4h
Opióides
VO
4h
Opióides
Adulto:500 mg/dose
Lactente: 10 mg/kg/dose
ou 40 mg/kg/dia
Dipirona
Pré-escolar:15 a 20 mg/kg/dose
ou 60 mg/kg/dia (max.1g)
Escolar: 25 mg/kg/dose
ou 100 mg/kg/dia (max.2g)
Paracetamol
Adulto: 500-1000 mg/dose
Criança: 10-15 mg/kg/dose
AAS
Adulto: 500-1000 mg/dose
Criança: 10-15 mg/kg/dose
4 –6h
Adulto: 400 mg/dose
Ibuprofeno
Criança: 10 mg/kg/dose ou
30-60 mg/kg/dia.
Piroxicam
Adulto: 20 mg/dia.
Codeína
Adulto: 10-20 mg/dose
Tramadol
VO
6 – 8h
VO, IM
Cada 24h
4 – 6h
Criança: 1,0-1,5 mg/kg/dose
VO,
retal
Adulto: 100-400 mg/dose
VO
3 – 4h
Oral,
IV, SC
3 – 4h
Adulto: 10-30 mg/dose
Morfina
Criança: 0,05 - 0,1 mg/kg/dose
(máximo 10 mg).
Não associar
opióides
entre si.
16
Analgesia na Crise Álgica da Anemia Falciforme1,2,3,4,6
Dor: intensidade
Analgésico
Dipirona: 500 1000 mg VO cada 6h
Ou
Dor leve a
moderada
Opióide
VO
+
Não
opióide VO
Paracetamol: 750 mg VO cada 6h
Ou
Anti-inflamatório não esteroide:
o Naproxeno 500 mg VO cada 12h
o Ibuprofeno 600 mg VO cada 6h
Codeína 30 mg VO cada 4 a 6h
Ou
Tramadol 50 a 10 mg VO cada 6h
Cetoprofeno: 100 mg IV cada 12h
Dor moderada a
intensa
Não
opióide
parenteral
+
Opióide
parenteral
Ou
Tenoxican : 20 a 40 mg IV cada 24h
Tramadol: 50 a 100 mg IV cada 6h
Ou
Nalbufina: 10 a 20 mg IV, IM ou SC cada 4 a 6h
Ou
Morfina
Dor intensa ou
refratária
Opióide
parenteral
+
Não
opióide
parenteral
Morfina SC, IM ou IV - 2 a 10 mg cada 2, 4 ou 6h
conforme reavaliação periódica e frequente
Cetoprofeno: 100 mg IV cada 12h
Ou
Tenoxican : 20 a 40 mg IV cada 24h
Pacientes que respondem ao tratamento em 24 horas podem ter alta com continuação da analgesia
e orientação para procurar a unidade básica ou o serviço de referência para acompanhamento.
Atenção!
Controle da dor está associado à menor mortalidade
17
6.2- HIDRATAÇÃO NA CRIANÇA
Corrigir a desidratação e manter as necessidades hídricas basais para crianças, no período
de 24 horas, de acordo com a regra de Holliday-Segar15.
Correção da desidratação para crianças baseado em Holliday –Segar15
Peso (kg)
Volume da solução
Até 10
100 ml/kg /24 horas
De 10 a 20
100 ml/kg + 50 ml/kg/24 horas para cada kg entre 11 e 20
Maior que 20
1500 ml + 20 ml /kg/ 24 horas para cada kg acima de 20
Método simplificado – baseado em Holliday -Segar
Peso
Volume da solução
<10 kg
4 mL/kg/hora
11–20 kg
40 + 2 mL/kg/hora para cada kg entre 11 e 20
>20 Kg
60 + 1 mL/kg/hora para cada kg >20
Cuidado!
Hidratação excessiva diminui a pressão oncótica do plasma e aumenta a
pressão hidrostática, aumentando o risco de edema pulmonar (especialmente
em pacientes com nefropatia, cardiopatia ou pneumopatia prévia) 3,4,6.
Critérios para internação
Dor não responsiva ao tratamento escalonado (avaliação de 6 em 6 horas)
instituído na urgência
Dor torácica
Alta
Pacientes que respondem ao tratamento em 24 horas
Manter analgesia domiciliar
Procurar o centro de saúde ou unidade de referência para continuar
acompanhamento
18
Manejo da Crise Álgica da
Drepanocitose
Crise álgica de drepanocitose
Fazer anamnese:
Dor: início, duração,
intensidade, frequência
Fatores desencadeantes
Data última crise
Hospitalização prévia
Avaliar no exame físico:
PA, FC, FR, Tax, Sat O2
Icterícia
Edema e mobilidade articular
Solicitar propedêutica:
Hemograma + reticulócitos
Função renal
Íons
Rx Tórax
Fazer hidratação oral
Prescrever hidratação venosa:
50 mL/Kg/24h
Dor leve / moderada
SIM
Prescrever VO:
Dipirona,ou
Paracetamol ou
AINE
+
Codeína ou
Tramadol
Encaminhar à
Atenção Primária
Prescrever
analgésico oral
NÃO
Dor moderada / intensa
SIM
Prescrever parenteral:
AINE
+
Tramadol, ou
Nalbufina, ou
Morfina
NÃO
Dor intensa / refratária
SIM
Prescrever parenteral:
Morfina
+
AINE
SIM
Melhor em 24h
NÃO
Internar
19
7
Síndrome Torácica Aguda (STA)
STA é a forma mais comum de complicação pulmonar ocorrendo em 30% a 50% dos pacientes
sendo a segunda causa de hospitalização e a principal causa de morte em adultos. É mais comum e
mais grave no adulto que na criança e pode levar à morte por complicações neurológicas, renais e
falência de múltiplos órgãos, sendo marcadora de mortalidade precoce. Suspeita de STA é indicação
de internação.2,4,5,14
7.1
Fisiopatologia: vasoclusão da microvasculatura pulmonar por êmbolo de
medula óssea e de gordura liberados por isquemia e necrose.
7 .2 Etiologia: são muitas as causas de STA e em torno de 40% dos casos a causa é
determinada14.
Causas de Síndrome Torácica
Aguda1,2,4,5,13,14
Eventos embólicos:embolia gordurosa e
de medula óssea
Infecção
Infarto pulmonar
Causa desconhecida
Em crianças menores de 9 anos, infecção é a causa mais comum de STA.
20
7.2 Quadro clínico: a STA pode se apresentar como quadro agudo e grave ou ocorrer
em 48 a 72 horas após crise álgica (nesses casos até com hipoxemia mínima e sem
infiltrado pulmonar). Manifestações neurológicas são frequentes e recorrência pode
levar à hipertensão pulmonar.
7.3 Diagnóstico: critérios específicos foram definidos para diagnóstico de STA.O
diagnóstico é clínico e requer dois dos seguintes critérios abaixo:
infiltrado novo no RX envolvendo pelo menos um segmento pulmonar
completo (descartando atelectasia).
e um ou mais dos seguintes sinais e sintomas:
o
dor torácica,
o
febre ≥ 38,5°C,
o
taquipnéia, tiragem intercostal, batimento de asa de nariz, uso de
musculatura acessória da respiração, tosse, sibilância, crepitações.
o
hipoxemia:diminuição em 2% da Sat O2 prévia, PaO2< 60 mmHg.1,2,14,18
Critérios para Diagnóstico de Síndrome Torácica Aguda1,2,14,18
Infiltrado novo no RX envolvendo pelo menos um segmento pulmonar completo
e um dos abaixo:
Dor torácica
Febre ≥ 38,5
Diminuição de 2% da Sat O2 prévia
PaO2< 60 mmHg
Taquipnéia
Tosse
Sibilância
Crepitações
Tiragem intercostal, batimento de asa de nariz, uso de musculatura acessória da
respiração
7.4 Diagnóstico
diferencial:
embolia
pulmonar,
síndrome
coronariana
aguda,
pneumonia.
21
Suspeita de STA
Diagnóstico de Síndrome
Torácica Aguda
Infiltrado novo no RX de ao
menos um segmento pulmonar
completo
NÃO
Pensar em outro
diagnóstico
Dor torácica
Febre ≥ 38,5
↓ 2% Sat O2
PaO2 < 60 mmHg
TaquipnéiA
Esforço respiratório
Tosse
Sibilância
Crepitações
NÃO
Síndrome Torácica Aguda
7.6 Manejo da STA: médicos cuidando de paciente drepanocítico geralmente
subestimam a gravidade da Síndrome torácica aguda. A terapia adequada inclui:
Controle adequado e imediato da dor
Administração de cristalóide para prevenir hipovolemia
Uso de O2 suplementar
Hemotransfusão simples para casos leves (Grade 2C), exanguineotransfusão para casos
moderados a graves e, em qualquer gravidade, se Hb< 5 g/dL (Grade 1B);
Antibiótico em todo paciente, já que pneumonia não pode ser excluída (Grade 1B):
o
Macrolídeo (azitromicina ou claritromicina) + amoxacilina-clavulanato (1g IV cada 8h), ou
o
Macrolídeo + cefalosporina de 4ª geração (cefepime 1g IV cada 8h), ou
o
Fluoroquinolona (levofloxacina ou moxafloxacina);
Profilaxia para trombose venosa profunda (TVP) (Grade 1B) com heparina.
Suspeita de Síndrome Torácica Aguda o paciente deve sempre ser internado.
22
Manejo da
Síndrome Torácica Aguda
Suspeita de STA
Monitorar dados vitais
(P, PA, FR, Tax) e Sat O2
Solicitar hemograma, PCR,
hemoculturas, RxTórax
Controlar a dor com
analgésico ± opióide ± AINE
Hidratar com cristalóide
50 mL/Kg/24h
Administrar O2
suplementar
Hb < 5
SIM
Hemotransfundir
até Hb > 10
NÃO
SIM
PaO2 < 65 mmHg
NÃO
Broncoespasmo
SIM
NÃO
Iniciar antibióticos empírico:
macrolídeo + β lactâmico
Administrar β2
agonista inalatório
Internar
23
8 Manifestações neurológicas1,2,4,19
8.1- Definição: qualquer evento neurológico agudo secundário à oclusão arterial ou
hemorrágico com manifestações neurológicas nas últimas 24 horas:hemiparesias, disfasias,
distúrbio de marcha e alterações do nível de consciência.
As complicações neurológicas incluem:
Acidente vascular encefálico isquêmico (AVE-I),
Acidente vascular encefálico hemorrágico (AVE-H),
Alterações cognitivas
Alterações comportamentais.
8.2 Acidente Vascular Encefálico: apresentam inicio abrupto e muitas vezes são
associados à crise vasooclusiva ou síndrome torácica aguda.
8.2.1
Acidente Vascular Encefálico Isquêmico: forma mais frequente, acomete 10%
dos portadores de DF antes dos vinte anos de idade.
Fatores de risco:
o
Episódios isquêmicos transitórios,
o
Hemoglobina basal baixa,
o
Hipertensão arterial,
o
Síndrome torácica aguda recente e
o
Velocidade do fluxo sanguíneo cerebral elevado detectado pelo Doppler
transcraniano.
8.2.2
Acidente Vascular Encefálico Hemorrágico: ocorre principalmente em adultos
(50% dos AVE).
Fatores de risco:
o
Valores baixos de hemoglobina e
o
Leucocitose.
24
Manejo do Aciidente
VascularEncefálico
Suspeita de AVE
Convulsão
Alteração da consciência
Déficit neurológico focal
NÃO
Procurar
outra acusa
SIM
Provável AVE
Obstrução de via aérea
Respiração ineficaz
Choque
Escala de Coma de Glasgow < 8
SIM
Suporte Básico /
Avançado de Vida
NÃO
Solicitar avaliação
neurológica
Internar
25
9. Infecções
Infecções são comuns nos pacientes com anemia falciforme. Os pacientes são
susceptíveis
a
infecções
por
organismos
encapsulados:
Streptococcus pneumoniae e H. influenzae tipo B pela ausência da função normal do
baço. A imunização para esses germes mudou o panorama etiológico, com aumento de
infecções por bactérias atípicas, mas a principal causa de óbito em crianças ainda é
sepse por Streptococcus pneumoniae.
A apresentação clinica da pneumonia pode ser: tosse, dispnéia, dor torácica, febre,
taquipnéia, leucocitose e pode evoluir com síndrome torácica aguda, cujo diagnóstico
diferencial é muito difícil.
Um desvio para a esquerda (aumento das formas jovens, bastos e metamielócitos) no
leucograma sugere infecção bacteriana.
Principais Causas de Infecção na Doença Drepanocítica 1,20,21
Quadro Clínico
Microorganismo
Febre sem foco*
Streptococcus pneumoniae (mais comum)
Haemophilus influenzae tipo B
Neisseria meningitidis
Meningite*
Streptococcus pneumonia e Haemophilus influenzae
Síndrome torácica
Streptococcus pneumonia e Mycoplasma pneumoniae
Chlamydia pneumoniae
*
Salmonela species
Staphylococcus aureus
Streptococcus pneumonia
Gram negativos
Osteomielite
Artrite séptica (incomum)
Pneumonia* e
SindromeToracica Aguda
Streptococcus pneumoniae
Mycoplasma pneumonia e Chlamydia pneumoniae
Legionela
Vírus respiratórios
Streptococcus pneumoniae(raro)
H. influenzae tipo B
*Variável após imunizações e penicilina profilática em crianças abaixo de 5 anos.
Obs: adultos sem foco definido, considerar: Staphylococcus aureus e Gram negativos.
Foco
Foco não definido
Pneumonia e Síndrome
Torácica Aguda
Osteomielite
Meningite bacteriana
Antimicrobiano sugerido
Cefalosporina de 3ª geração (ceftriaxona 1g IV 12/12h)
Macrolídeo+ beta-lactâmico (amoxa-clavulanato, ceftriaxona) ou
Quinolona respiratória (moxifloxacina, levofloxacina)
Clindamicina+ ciprofloxacina
Cefalosporina 3ª (ceftriaxona 2g IV 12/12h)
26
Manejo da Febre na
Doença Falciforme
Febre
Avaliar na anamnese:
Idade
Tipo de hemoglobinopatia
Situação vacinal
Uso profilático de penicilina
Sintomas associados (dor, piora estado geral)
Procurar no exame físico:
Palidez
Icterícia
Visceromegalia
Revisão dos sistemas
Estado hemodinâmico
Solicitar propedêutica:
Hemograma
PCR
Hemoculturas
RxTórax PA, perfil
Urina rotina
Urocultura
Menores de 3 anos
Suspeita de meningite
Sinais de alarme
Paciente gravemente enfermo
Foco não definido
Pneumonia
SIM
Internar
NÃO
Tratamento no
ambulatório
Pacientes que receberem tratamento ambulatorial devem ser reavaliados em 24 a 48 horas na
unidade básica de saúde.
27
10 Manifestações hematológicas
10.1 Crise
aplásica:
é
parada
transitória
e
autolimitada
da
ertropoiese, com reduções bruscas da hemoglobina e precursores
eritróides na medula óssea, sendo geralmente precedida por
febre.
Etiologia:
o
Associada a infecção por parvovírus B19 em 70% a 100% dos casos;
o
Infecções
por
Streptococcus
pneumoniae,
salmonela,
4,6
outros
estreptococos e vírus Epstein barr são comuns;
o
Deficiência de folato por crises hemolíticas.
Quadro clínico: fadiga, dispneia, febre, infecção respiratória alta, sintomas
gastrointestinais e reticulocitopenia (< 1% e contagem absoluta < 10.000
reticulócitos /µl).
Evolução: A maioria dos quadros regride espontaneamente.
Tratamento: transfusão de concentrado de hemácias deve ser considerada nos
pacientes sintomáticos.
28
Manejo Crise Aplásica da
Drepanocitose
Suspeita de crise aplásica
Fraqueza
Aumento da palidez
Mal estar
Fadiga
NÃO
Procurar outro
diagnóstico
Solicitar hemograma
com reticulócitos
nÃO
Diminuição Hb em 2 – 3g/dL do basal
Diminuição reticulócitos
SIM
Hidratar
Oferecer O2 suplementar
Sintomático
SIM
Hemotransfundir
Internar
nÃO
Condição associada
SIM
Tratar condição
Internar
29
10.2 Sequestro esplênico agudo (SEA) : ocorre em 20% dos pacientes, sendo 1/3 antes
dos 02 anos de idade. Também pode ocorrer em crianças maiores e adultos que persistem
com esplenomegalia (Hb SC, Hb S-betalassemia)1,2,4,6,16.
Definição:apresenta quatro características:1,2
o
Redução abrupta de pelo menos 2g/dL em relação ao basal de Hb
(aprisionamento de eritrócitos no baço), podendo evoluir com choque
hipovolêmico,
o
Esplenomegalia geralmente dolorosa,
o
Trombocitopenia,
o
Reticulocitose.
Quadro clínico:mal estar súbito, taquicardia, palidez, taquipnéia, dor e
distensão abdominal, esplenomegalia dolorosa e reticulocitose importante.
Geralmente o primeiro episódio ocorre em crianças de três meses a cinco
anos, podendo estar associado a infecções.
Tratamento: restaurar a volemia com:
o
Cristalóide
o Concentrado de Hm (metade do volume previsto, para prevenir
hiperviscosidade, pois o sangue ainda está disponível no baço 1.
30
Suspeita de sequestro esplênico agudo
Esplenomegalia
Piora da palidez
Choque hipovolêmico
Manejo do Sequestro
Esplênico Agudo
NÃO
SIM
Silicitar hemograma + reticulócitos
↓ Hb em ao menos 2g/dL
Trombocitopenia
Reticulocitose
Procurar outro diagnóstico
NÃO
SIM
Infundir cristalóide
Hemotransfundir
Internar
31
11 Priapismo
É definido como ereção involuntária, sustentada e dolorosa, por vasooclusão que obstrui
a drenagem venosa do pênis. Priapismo prolongado (superior a três horas) é uma
emergência médica e requer avaliação urológica, pois pode causar impotência se não
tratado. A mediana de idade é de doze anos e aos vinte anos 89% dos pacientes já
apresentaram um ou mais episódios. 1,4,6
Priapismo
Manejo do Priapismo
Prescrever analgésico
Hidratar VO
Solicitar hemograma e íons
Sintomas persistem
por mais de 2 a 3h
NÃO
Acompanhar no
ambulatório
SIM
Intensificar analgesia
Prescrever hidratação venosa
Avaliar hemotransfusão
Solicitar avaliação urológica
Internar
32
Atenção!
Todos os pacientes com entrada na urgência devem ser internados e
avaliados pelo urologista.
12 Sinais de Alarme na Criança com Anemia Falciforme
Sinais de Alarme na Criança com Doença Falciforme 4,6
Aumento súbito da palidez
Distensão abdominal
Piora da icterícia
Aumento do baço ou fígado
Hematúria
Priapismo
Febre
Dor refratária
Tosse
Dispnéia
Impossibilidade de ingerir líquidos
Vômitos
Desidratação
Alterações neurológicas*
*Convulsões letargia, fraqueza muscular, mudança de comportamento
33
13 Indicação de hemotransfusão
Concentrado de hemácias deve ser prescrito em condições restritas.
Indicação de Hemotransfusão na Anemia Falciforme 4,6
Queda da Hb de 2 g/dL ou mais valor basal com repercussão hemodinâmica
Crise aplásica
Sequestro esplênico
Síndrome torácica aguda
Cansaço e dispinéia com Hb abaixo do nível basal
Hipóxia crônica
Falência cardíaca
Paciente com indicação de hemotransfusão deve ser encaminhado para serviço de
referência.
34
14
PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DA DOENÇA FALCIFORME
Principais Complicações da Doença Falciforme
1,2,4,5,6,13,14,16,17,18,19,20,21
Infarto ósseo e necrose (dactilite,necrose da cabeça do fêmur e do
úmero)
Osteomielite
Ósseas
Infarto da medula óssea
Artrite séptica
Dimunição da massa óssea
Embolia pulmonar gordurosa
Síndrome compartimental orbital
Arritmias, por aumento de QT
Disfunção diastólica
Hipertensão pulmonar e cor pulmonale
Cardíacas
Hemocromatose (politransfundidos)
Aumento do débito cardíaco
Infarto do miocárdio
Aumento das câmaras cardíacas
Retinopatia proliferativas e não-proliferativas
Oftalmológicas
Oclusão arterial da retina, descolamento da retina e hemorragias
Perda da visão
Isquemia hepática aguda
Colestase
Crise de sequestro hepático
Hepatobiliares
Hemocromatose
Infecção pelo vírus da hepatite C
Toxicidade das drogas – hydroxyuréia
Colelitíase por cálculos de bilirrubina (70%).
Enurese por hipostenúria
Hematúria assintomática (infartos de medula renal)
Renais
Glomeruloesclerose focal segmentar
Proteinúria e hipertensão
Infarto renal, necrose papilar e cólica renal
Diabetes insipidusnefrogênicoepoliuria
Dermatológicas
Úlceras de membros inferiores
e musculares
Síndrome miofascial
35
15 PONTOS CHAVE NO MANEJO DA DOENÇA FALCIFORME
Pontos Chave no Manejo da Doença Falciforme
Hidratação e analgesia adequadas são fundamentais para o manejo de
todas as complicações agudas
Uso de opióides é mandatório nas crises álgicas, principalmente nas graves
Pesquisa de foco infeccioso é fundamental e antibioticoterapia empírica
deve ser iniciada imediatamente
Sepse por pneumococo é a principal causa de morte em crianças, apesar
de que a introdução das medidas profiláticas (imunização específica e uso
profilático de penicilina) ter mudado esse cenário
16 PLANO DE CUIDADOS
a. Médico
Na suspeita de fenômeno venoclusivo, crise álgica ou outra complicação aguda de
anemia falciforme, é responsabilidade do médico:
Registrar diagnóstico no prontuário e considerar caso como urgência médica;
Iniciar de imediato as medidas de tratamento preconizadas até transferência;
o
Garantir hidratação e reposição volêmica,
o
Prescrever analgésicos adequados na crise álgica,
o
Solicitar exames necessários,
o
Avaliar antibiótico empírico na suspeita de infecção ou síndrome torácica
aguda.
b. Enfermeiro
Caberá à equipe de enfermagem frente a paciente com complicação aguda de anemia
falciforme
Identificar sinais clínicos de febre, taquipnéia, taquicardia, hipotensão e alteração
do sensório;
Comunicar ao médico os sinais e sintomas evidenciados;
Comunicar ao laboratório solicitação de exames;
Instalar oxigênio terapia;
Administrar medicações conforme prescrição;
Providenciar transferência para outro serviço.
36
c. Laboratório
Caberá ao laboratório frente a paciente com complicação aguda de anemia falciforme:
Providenciar a coleta de urgência de hemograma e outros exames solicitados,
inclusive hemoculturas;
Priorizar exames em casos graves.
d. Farmácia
Caberá à farmácia:
Analisar a prescrição médica com ênfase na dose e posologia, monitorar a
farmacoterapia e orientar ajustes de dose;
Disponibilizar à equipe multiprofissional as reações adversas, efeitos colaterais,
interações medicamentosas e informações particulares dos antimicrobianos
(diluição, estabilidade, incompatibilidades) e opióides;
e. Agência transfusional
Caberá à agência transfusional:
Proceder a tipagem sanguínea quando solicitada;
Avaliar solicitações de hemotransfusões solicitadas;
Providenciar hemoderivados.
37
17 MATERIAIS NECESSÁRIOS
Equipamentos
Materiais
Medicamentos
Insumos
Laboratório
Imagem
Manejo da Sepse – Materiais Necessários
Respirador
Desfibrilador
Monitor cardíaco multiparâmetro (ECG, oximetria de pulso e PA não
invasiva)
Bombas de infusão
Material de intubação orotraqueal – laringoscópio
Cristalóide (Soro fisiológico – NaCl 0,9%)
Sedativos
Analgésicos, antinflamatórios não esteróides
Opióides: codeína, tramadol, morfina
Antimicrobianos - amoxacilina – clavulanato, macrolídeo, clindamicina,
ciprofloxacina, ceftriaxona.
Cateter venoso central
Hematologia – hemograma e reticulócitos
Bioquímica - uréia, creatinina, glicose, íons, gasometria, PCR,
Urinálise – exame urina rotina
Bacteriologia - hemocultura, urocultura
Radiologia
Ultrassonografia
18 INDICADORES
Porcentagem de pacientes com anemia falciforme e crise álgica moderada, intensa e
refratária que receberam opióide.
Porcentagem de pacientes com anemia falciforme e suspeita de infecção ou síndrome
torácica aguda que receberam antimicrobiano empírico em 1h.
38
19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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