O ENDIVIDAMENTO Rogério Fernandes Ferreira Geralmente

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NOTA Nº 601
O ENDIVIDAMENTO
Rogério Fernandes Ferreira
Geralmente, acentua-se o fenómeno do endividamento focando os
reflexos que terá nos devedores, em particular quando o endividamento
apresenta valor elevado em relação ao restante património do devedor e/ou
quando se observa que o devedor não está apresentando boa gestão e
rendimentos ao nível do endividamento contraído ou a contrair.
Aos devedores considerados de maior risco é usual aplicarem-se taxas
de juro e de risco elevadas. Ora, importa acentuar que agravar os devedores,
colocando-os em situação crítica ou mais grave, é solução apregoada entre os
economistas, mas que pode estar fora da lógica. Seremos, nós, economistas,
ilógicos ou irracionais? (diz-se que em economia se age de modo hedonístico).
Importa igualmente acentuar, em relação aos credores, que agravando
eles demais os devedores acabam a torná-los insolventes. Quem perde então
com acréscimos de gravames ? A resposta é que, no limite, pode ser o credor,
que acaba por perder o financiamento que efectuou, quando o devedor não lhe
paga (“sai o tiro pela culatra”).
Ilação – em grande dívida, o credor é que tem de preocupar-se. Agirá
mal agravando o devedor, colaborando para que ele se torne insolvente. Diz o
Povo que em dívida pequena quem tem de preocupar-se é o devedor, mas se
a dívida for grande a preocupação passa para o credor. Assim, se este agrava
a dívida, impondo-lhe mais ónus, será ele, credor, que acaba por perder. Mas
importará acentuar que, com falências, perde também a comunidade.
O credor pode emprestar com garantias. Se estiver garantido perde
sentido aumentar, ainda assim, o juro. O problema, todavia, está em o devedor
ser elo mais fraco, com menos poder contratual, sujeito a abusos. Importante
será, por isso, que apareçam entidades e opinião pública a reagir contra o
“abuso económico” de financiadores.
Nos casos de países endividados, e com maus governos, o problema
torna-se grave, porque tais países são, exactamente, os que mais carecem de
ser auxiliados (e não agravados). Havendo que pagar juros e mais encargos
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elevados, obviamente mais difícil se torna a economia do País e das suas
empresas e seus cidadãos.
Num mundo global, em que os países estão em relações intensas uns
com os outros e, até, integrados em comunidades alargadas e solidárias, estes
problemas comuns e mal apreciados assumem melindre e podem redundar em
prejuízos para todos, em crise geral, como se verifica estar a acontecer.
Por tudo isto parece que as organizações internacionais devem intervir e
impedir que especuladores e jogadores, na área dos financiamentos, não
empolem os seus ganhos em detrimento dos países, suas instituições e seus
cidadãos, em geral.
No momento, a Grécia, perante as suas dificuldades - devidas é certo a
erros de seus políticos e mais cidadãos -, caiu em situação económicofinanceira
deficitária,
estando,
assim,
a
ser
penalizada
pelos
seus
financiadores, que lhe exigem maiores juros.
E Portugal ?
Começa-se por referir que, em face da situação actual, os bancos
portugueses estão já a proceder a subidas de taxas nos créditos que
concedem. E os credores externos igualmente. O que está acontecendo é
funesto para Portugal (e para os portugueses, em geral). Culpas devem
atribuir-se, em particular, aos nossos políticos. Com excessos de partidarite e
ataques (odiosos) uns aos outros têm contribuído para que se agravem os
males nacionais, fomentando más notícias que descredibilizam o nosso País e
conduzem a que os encargos de financiamento aumentem, o que, obviamente,
agrava, mais, a nossa actual situação económico-financeira, vindo a exigir-nos
sacrifícios futuros para estancar a crise e recuperar a nossa frágil Economia.
Muitos referem que a Economia é racional, pois pressupõe que os juízos
e comportamentos da generalidade das pessoas se move hedonisticamente.
Felizmente, têm aparecido pensamentos e práticas económicas diferentes, a
evidenciar que as melhores opções económicas, de mais bem-estar geral,
resultaram de atitudes e actuações de solidariedade, ao arrepio de tradicionais
comportamentos egoísticos (e injustos).
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