KAYCHO JOÃO VILAÇA O BUDISMO: A GUERRA E A PAZ Por

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KAYCHO JOÃO VILAÇA
O BUDISMO: A GUERRA E A PAZ
Por várias vezes me questionaram; “Se te consideras como sendo um budista,
como podes seguir um estudo tão ligado à história da guerra, assim como uma vida
ligada às artes marciais? Não é o budismo o caminho da paz, da harmonia e da
compreensão?”
À primeira vista, tal afirmação aparenta fazer sentido. Mas, em que difere
afinal assim tanto o budismo das demais religiões respectivamente a estas
temáticas? Não são estes mesmos princípios defendidos na Bíblia ou no Alcorão? Os
cristãos e os muçulmanos não praticam a guerra, mesmo vivendo segundo os
mesmos cânones? Segundo as palavras de Aristóteles; “Fazemos a guerra para que
possamos viver em paz”, e o budismo não vê esse factor de forma distinta.
Até mesmo quem praticava o culto de forma mais fervorosa, os monges, não
punham de lado a hipótese de pegarem em armas e seguirem um treino marcial,
como a elite guerreira nipónica, os Samurai. Várias seitas budistas identificavam-se
como Sōhei (monges guerreiros) e também estes faziam a guerra para proteger os
seus templos, povoações e suas populações, usando as mesmas armas que os
guerreiros samurai, com particular mestria no manejo da naginata (alabarda). Um
dos casos mais famosos destes monges guerreiros foi o da rebelião Ikko-Ikki contra
o domínio Samurai, entre o século XV e XVI na província de Echizen, formada por
camponeses, nobres locais e monges budistas seguidores da Jōdo Shinshū (Escola
do Budismo da Terra Pura), que ensinava que todos os crentes eram igualmente
salvos pela graça do Buda Amida.
Mas mesmo este conceito de monges guerreiros aparenta ser um pouco
anacrónico. Mas uma vez mais, ocidente e oriente partilham das mesmas
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particularidades, pois, o que eram afinal os cavaleiros templários ou hospitalários
senão monges guerreiros precisamente?
Como forma conclusiva, o conceito de religião, seja ela qual for, em nada
poderá ser associado aos de guerra ou paz, simplesmente por um facto: quem
pratica a guerra ou a paz senão o homem? Mas não é este também que professa a
crença religiosa? A religião é nada mais do que a manifestação da crença do divino,
ainda que praticada por mortais, os mesmos que se amam ou que combatem entre
si. “A César o que é de César… A Deus o que é de Deus”.
20/06/2013
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