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TreatmentofcaninepapillomatosisusingPropionibacteriumacnes

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Treatment of canine papillomatosis using Propionibacterium acnes
Article in Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia · January 2001
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6 authors, including:
Jane Megid
Daniel M Aguiar
São Paulo State University
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
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Tratamento da papilomatose canina com Propionibacterium acnes
COMUNICAÇÃO
[Communication]
Tratamento da papilomatose canina com Propionibacterium acnes
[Treatment of canine papillomatosis using Propionibacterium acnes]
J. Megid, J.G. Dias Junior, D.M. Aguiar, G. Nardi Júnior, W.B. Silva, M.G. Ribeiro
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP
Caixa Postal 560
18618-000 – Botucatu, SP
Recebido para publicação em 13 de fevereiro de 2001.
E-mail: [email protected]
A papilomatose canina de origem infecciosa é uma enfermidade tumoral benigna, causada pelo
Papilomavírus, caracterizada pelo aparecimento de papilomas principalmente na região oral, nos lábios,
na faringe e na língua. Os tumores se desenvolvem entre um e cinco meses, e regridem espontaneamente
na maior parte dos animais entre quatro e oito semanas após o início das lesões tumorais. Em alguns casos
tendem a permanecer crônicos (Calvert, 1990). Em virtude do comportamento auto-limitante da
enfermidade, não se realiza tratamento na maior parte dos animais. Entretanto, quando se observa
comprometimento do estado geral do animal, gerado pela dificuldade de alimentação, obstrução
faringeana ou mesmo por interesse estético, são adotados diferentes protocolos de tratamento, incluindo
ressecção cirúrgica, drogas anti-virais, auto-vacinas e/ou drogas imunomoduladoras (Tizard, 2000).
Imunomoduladores são substâncias que atuam no sistema imunológico conferindo, entre outros, aumento
da resposta orgânica contra determinados microrganismos, incluindo vírus, bactérias e protozoários,
mediante principalmente a produção de interferon e seus indutores (Vanselow, 1987). Determinados
imunomoduladores têm a capacidade de aumentar a resistência do hospedeiro a certos tumores. Nos
últimos anos, os imunomoduladores vêm sendo empregados no tratamento de determinadas enfermidades
humanas, especialmente de origem viral e neoplásicas (Santana et al., 1979; Desidério & Rankin, 1988).
Propionibacterium acnes (P. acnes), anteriormente denominado Corynebacterium parvum, são bactérias
Gram-positivas, pleomórficas, que em anos recentes têm sido utilizadas como imunoestimulantes
inespecíficos em medicina humana, principalmente na terapia antibacteriana e antitumoral, via parenteral
e/ou tópica. Mediante a fagocitose do P. acnes por macrófagos, considera-se que ocorre indução de
síntese de citocinas, ativação de macrófagos e incremento da resposta de anticorpos a antígenos timodependentes. Assume-se também que P. acnes estimula a atividade de células natural killer (NK), a partir
da liberação de interferon e do fator de necrose tumoral. As células NK, juntamente com as células T
citotóxicas, estimuladas pela ação do P. acnes, apresentariam incremento da atividade tumoricida,
favorecendo a resolução de processos neoplásicos (Tizard, 2000).
Em animais, P. acnes foi utilizado com resultados satisfatórios na terapia de doenças respiratórias eqüinas
(Vail et al., 1990), na papilomatose bovina (Hall et al., 1994), na piodermite e no melanoma oral em cães,
e na leucemia em gatos (Tizard, 2000). Considerando as limitações na terapia da papilomatose canina,
pretendeu-se avaliar a eficácia do P. acnes no tratamento da papilomatose oral canina.
Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.53, n.5, p.574-576, 2001
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Megid et al.
Foram utilizados 16 cães de várias idades, de diferentes raças e sexos, encaminhados para a FMVZUNESP/Botucatu-SP. Nove (56,2%) eram filhotes com idade entre quatro e seis meses e sete (43,8%)
eram cães adultos, com idade entre 18 meses e 15 anos. Em seis animais jovens e em três adultos
constatou-se, ao exame clínico, presença de papilomas de gravidade moderada, e em três cães jovens e em
três adultos, lesões bucais severas. Todos os animais apresentavam papilomas na mucosa bucal, e nos
casos mais severos, também no pálato. Um dos animais apresentava papilomas exclusivamente na língua.
Na anmnese os proprietários informavam que inicialmente os papilomas apresentavam-se de forma
isolada, evoluindo semanas depois para a formação de novas lesões, que em muitos casos coalesciam.
A terapia inicial dos 16 cães constituiu-se na administração semanal de 2,0mg de P. acnes (Imunoparvum ® Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco – LAFEPE), por via intramuscular profunda até a regressão das
lesões. Após a administração do produto, todos os animais foram acompanhados quanto à ocorrência de
reações orgânicas indesejáveis e evolução da regressão dos papilomas.
Nenhum dos animais apresentou reações colaterais no período de tratamento e nas semanas após o
término da terapia. A aplicação semanal do P. acnes nos animais jovens resultou em regressão bastante
rápida das lesões, com necrose e desprendimento dos papilomas a partir da segunda aplicação e resolução
completa na quinta aplicação do produto. Em virtude da regressão dos papilomas ser mais rápida nos
animais jovens, alterou-se o protocolo terapêutico nos animais adultos, aplicando-se o P. acnes em
intervalos de três dias, na mesma concentração e via de aplicação. Com este novo protocolo, na terceira
aplicação do produto constatou-se coloração enegrecida e ressecamento das lesões, com tendência à
cicatrização no máximo na sexta aplicação. Após o desaparecimento dos papilomas, foi realizada uma
última aplicação de segurança.
Em geral, a papilomatose canina apresenta regressão auto-limitante entre um e cinco meses do
aparecimento das lesões (Calvert, 1990). No presente estudo, embora os animais se encontrassem no
período evolutivo da doença, aspecto evidenciado pelo aparecimento de novos papilomas, foi observada
regressão rápida das lesões em todos os animais tratados com P. acnes, em no máximo seis aplicações do
produto.
Estes resultados, ainda que preliminares, confirmam os obtidos por Santana et al. (1979), que verificaram
melhor atividade imunológica celular e estabilização dos tumores em pacientes humanos portadores de
neoplasias malignas. De maneira similar, Hall et al. (1994) observaram regressão completa de papilomas
na espécie bovina, após 15 semanas de aplicação da P. acnes.
A regressão tumoral observada neste estudo decorreu provavelmente da atividade imunomoduladora
inespecífica atribuída ao P. acnes, mediante a estimulação de macrófagos, de células NK e de células T
citotóxicas (Tizard, 2000), uma vez que se considera a regressão dos papilomas caninos dependente de
imunidade celular, mediada por essas diferentes células (Nichols & Stanley, 2000). Infere-se a eficácia do
P. acnes no tratamento da papilomatose bucal canina, sugerindo a utilização do produto como alternativa
na terapia da enfermidade face à rápida regressão das lesões, à ausência de reações orgânicas indesejáveis
e ao baixo custo do produto.
Palavras-chave: Cão, Propionibacterium acnes, papilomatose
ABSTRACT
Propionibacterium acnes as immunostimulant in oral canine papillomatosis treatment in 16 animals was
studied. Regression of the pappiloma started being observed after the second aplication, with complete
resolution in all dogs after the sixth aplication. These results suggest the use of P. acnes as an alternative
in oral canine papillomatosis therapy.
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Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.53, n.5, p.574-576, 2001
Tratamento da papilomatose canina com Propionibacterium acnes
Keywords: Dog, Propionibacterium acnes, papillomatosis
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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cat. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 1990. p.288-290.
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veterinária: pequenos animais. São Paulo: Manole, 1988. v.1, p.1379-1385.
HALL, H., TEUCHER, C., URIE, P. et al. Induced regression of bovine papillomas by intralesional
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NICHOLLS, P.K., STANLEY, M.A. The immunology of animal papillomaviruses. Vet. Immunol.
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SANTANA, C.F., ASFORA, J.J., LINS, L.P. et al. Efeitos imunoestimulantes do Corynebacterium
parvum em pacientes portadores de neoplasias malígnas. Rev. Inst. Antib., v.19, p.137-141, 1979.
TIZARD, I. Veterinary immunology: an introduction. 6.ed. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 2000.
482p.
VAIL, C.D., NESTVED, A.J., ROLLINS. B.J. et al. Adjunct treatment of equine respiratory disease
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v.10, p.399-403, 1990.
VANSELOW, B.A. The application of adjuvants to veterinary medicine. Vet. Bull., v.57, p.881-896,
1987.
Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.53, n.5, p.574-576, 2001
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