ano viii – n0 5

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em
destaque
PUBLICAÇÃO BIMESTRAL DA SOCIEDADE DE CARDIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO – ANO VIII – N0 5 – SETEMBRO/OUTUBRO 2013
Teste ergométrico
deve ser acompanhado
por um médico,
determina CFM
Tudo sobre o Congresso 2014
4 Dia Mundial do Coração
6 Teste ergométrico
7 Bombeiros no CTEC
8 Deu na mídia
9 Agende-se
10 Sua carreira
11 CFM vai à justiça
12 Enfermagem na Assistência Circulatória
13 Gestão pública
14 Saúde suplementar
15 Inglês para médicos
16 Férias com filhos
18 A SOCESP e o cidadão
19 Agenda
20 Perguntas e respostas
Vencendo
obstáculos
Colega cardiologista, mais dois meses e chegamos ao fim de 2013. Ano pontuado por desafios,
obstáculos, mas também de avanços. Com a virada
para 2014, também entramos em nova fase da
SOCESP. Nossa diretoria encerra sua representação,
sendo que passaremos a responsabilidade de honrar os especialistas de São Paulo ao grande amigo
Francisco Fonseca e a seu grupo gestor.
Muito me orgulho de ter trabalhado durante
todo o último biênio para defender aos anseios dos
cardiologistas paulistas. Foi uma passagem breve,
porém rica. Muitas vezes demos murro em ponta
de faca, mas chegamos a vitórias expressivas.
A começar pelo tradicional Congresso SOCESP,
que manteve sua elevada qualidade e ganhou em
inovações. As duas edições que tivemos o prazer
de ajudar a organizar foram elogiadas e cumpriram
em 100% o objetivo de levar o que há de excelência
em nossa especialidade a médicos e profissionais
das áreas multidisciplinares.
Nosso calendário científico, aliás, foi exuberante
em todos os aspectos. As Regionais e os Departamentos mantiveram-se ativos durante o tempo
inteiro, municiando seus públicos com educação
continuada de qualidade em quantidade adequada.
Na Defesa Profissional, temos outros pontos
a festejar. Os anos de 2012 e 2103 foram dos
mais recompensadores na luta por valorização na
saúde suplementar. Muitas empresas reajustaram
honorários e a negociação coletiva virou realidade.
Durante todo esse processo caminhamos ao lado
das entidades estaduais - Associação Paulista de
Medicina, Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e Sindicatos de Médicos – em
um movimento que evidenciou uma vez mais a
importância de nossa união.
Claro que ainda há muito o que fazer, são vários
os desafios e demasiadas as demandas urgentes dos
médicos brasileiros. Na saúde pública, o governo fez
prevalecer o programa Mais Médicos à base da força.
Temos uma série de restrições a tal encaminhamento. Entretanto, torcemos para dar certo. De qualquer
forma, permaneceremos vigilantes, cobrando ações
eficazes para melhorar a assistência aos cidadãos,
como aumento do financiamento, gestão responsável e uma política de real interiorização da medicina.
Nossa diretoria tem ainda dois meses de
trabalho; e muito trabalhará. Haverá novamente
uma oportunidade de falarmos a você no SOCESP
em Destaque de dezembro. Mesmo assim, desde
já quero agradecer ao apoio. Obrigado, cardiologista paulista.
editorial
ÍNDICE
Carlos Magalhães,
Presidente
da SOCESP
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
3
cidadania
Dia Mundial do Coração: a
Importância da
atividade física:
no ABC, os idosos
fizeram exercícios
de alongamento
com o auxílio de
um professor de
Educação Física
As doenças cardiovasculares são a causa
número um de mortes no mundo. A cada ano,
registram-se cerca de 17,3 milhões de óbitos. Mas
esse quadro pode mudar com a inclusão de hábitos saudáveis na rotina das pessoas. E a intenção
da campanha do Dia Mundial do Coração (29 de
setembro) é esclarecer justamente isso à população. A iniciativa da Federação Mundial do Coração
(World Heart Federation), apoiada pela Sociedade
de Cardiologia do Estado de São Paulo e pela SBC,
teve ações de conscientização em todo o país.
No Estado, a SOCESP promoveu atividades em
diversas regionais. Confira algumas delas a seguir.
ABC PAULISTA
A ação aconteceu na entidade filantrópica
sem fins lucrativos Cidade dos Meninos "Maria
No município de
Botucatu, estudantes da
FMB distribuíram fôlderes
com orientações sobre
dieta balanceada e os
riscos da vida sedentária
aos passantes
4
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
Imaculada", em Santo André, em 25 de setembro.
“A ideia do evento foi conscientizar sobre os
fatores de risco para doenças cardiovasculares.
Para propagar nossa mensagem, usamos materiais simples: balança, fita métrica, medidores de
Pressão Arterial e contamos com a ajuda de um
professor de Educação Física”, relata o presidente
Silvio Cembranelli.
O mutirão ocorreu em duas etapas: a primeira
com idosos e a segunda com crianças de 4 a 9
anos. No intervalo entre o atendimento dos grupos
houve uma palestra com um professor de educação física sobre a importância da prática esportiva
e da alimentação balanceada.
Além do material informativo, a equipe médica
ofereceu ao público da terceira idade pesagem, aferição de PA e medição de circunferência abdominal.
Foram assistidos cerca de cem adultos.
As 320 crianças acompanharam um vídeo
educativo sobre a saúde do coração e o prejuízo
causado pelo sedentarismo. Por meio de atividades
desenvolvidas no auditório, os presentes foram
estimulados a desenvolver hábitos saudáveis.
“Pela receptividade do público, acredito que
atingimos plenamente os nossos objetivos”, comemora Cembranelli.
BOTUCATU
Em 25 de setembro, a SOCESP, com apoio da
Liga de Cardiologia da Faculdade de Medicina de
Botucatu (FMB), realizou rodada de conscientização
no Boulevard do Hospital das Clínicas da instituição. Foram distribuídos folders aos passantes, que
receberam orientações sobre qualidade de vida.
Segundo a presidente Silméia Garcia Zanati, a contribuição da Liga de Cardiologia foi
importante. “Além dos membros da Regional
Botucatu, pudemos contar com a participação
dos alunos da Liga, integrada por alunos do
1º ao 4º ano do Curso de Medicina da FMB,
complementando o trabalho educativo da
universidade junto à comunidade”.
Com a presença de mais de 200 pessoas, entre
pacientes, acompanhantes e funcionários, foram
abordados temas como controle da hipertensão
arterial, diabetes, colesterol, peso, estresse, exercícios físicos e alimentação saudável.
MARÍLIA
Organizados pela SOCESP, alunos da Faculdade
de Medicina da Unimar (Universidade de Marília)
atenderam cerca de 200 pessoas no Esmeralda
Shopping, em 25 de setembro. A ação contou com
a SOCESP onde o povo está
Alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de Marília
alertaram a população sobre as doenças cardiovasculares no
Esmeralda Shopping
distribuição de panfletos e orientação à população
sobre dieta, atividades físicas e doenças cardiovasculares, conta André dos Santos Moro, da Regional.
PIRACICABA
Em 25 de setembro, das 8h às 12h, houve ação
da campanha na Praça José Bonifácio, localizada
na região central da cidade. A iniciativa foi apoiada
pela Prefeitura de Piracicaba e pelas secretarias
municipais de Saúde e de Esportes, Lazer e Atividades Motoras.
As atividades planejadas pela SOCESP foram
aferição de PA, cálculo do Índice de Massa Corporal
(IMC), medida da circunferência abdominal, orientação nutricional, atividades motoras (ioga e macroginástica) e distribuição de material educativo.
“Foi um sucesso pela grande procura e participação da população: atendemos aproximadamente mil pessoas! Atingimos adultos e crianças”,
comenta Francisco Ramos Farina, coordenador da
ação da Campanha do Dia Mundial do Coração
em Piracicaba.
VALE DO PARAÍBA
O Vale do Paraíba recebeu duas ações organizadas pela Regional, conta Fábio Roberto da Silva
Baptista, coordenador da ação da Campanha do
Dia Mundial do Coração no Vale do Paraíba. Em 3
de outubro, na Casa do Idoso, e, no dia seguinte,
no Colinas Shopping, em São José dos Campos.
Na primeira, foram realizadas distribuição de
panfletos com orientações sobre fatores de riscos,
pesagem, medição de PA e de circunferência abdominal. Além disso, com o acompanhamento de
uma equipe multidisciplinar formada por enfermeiros, fisioterapeutas, educadores físicos e médicos,
os idosos praticaram exercícios físicos.
No shopping, os interessados receberam infor-
mações sobre as doenças e os exames preventivos.
A média de público atendido em cada um dos
eventos foi de mais 300 pessoas, entre idosos,
adultos e crianças.
“Na nossa Regional, as ações da Campanha já
são tradição. No Shopping já realizamos há cinco
anos. Anteriormente, atuávamos na rua. Na Casa do
Idoso, esta é a primeira vez”, diz Baptista.
A ação da
Campanha
na Praça José
Bonifácio, em
Piracicaba, contou
com atividades
motoras como a
macroginástica
JUNDIAÍ
Em 5 de outubro, o Parque da Cidade, em
Jundiaí, foi o ponto de encontro da atividade desenvolvida pela SOCESP, lembra Paulo Alexandre
da Costa, coordenador da ação da Campanha do
Dia Mundial do Coração em Jundiaí. Foram feitas
aferição de PA, cálculo de Índice de Massa Corporal (IMC), dosagem de glicemia e distribuição
de cartilhas.
“Sem dúvida, temos a intenção de realizar
novamente”, afirma Paulo. “Neste ano, cedemos
entrevista a TV Tem (afiliada da TV Globo) para falar
sobre a Campanha do Dia Mundial do Coração, o
que foi bem interessante.”
Em duas ações da Campanha no Vale do Paraíba, a população foi
atendida com pesagem, medição de P.A. e de circunferência abdominal
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
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resolução
Teste ergométrico deve
ser acompanhado por
médico, determina CFM
Cardiologistas aprovam decisão, mas ainda lutam
por melhores honorários para o procedimento
Em 27 de setembro, foi publicada no Diário
Oficial da União a Resolução 2021/13 do Conselho
Federal de Medicina (CFM) que determina que
todas as etapas da aplicação do teste ergométrico
ao paciente devem ter acompanhamento médico.
Afinal, é o único profissional habilitado a atender
possíveis emergências cardiovasculares.
A presença física do médico é imprescindível
para monitoramento de sinais vitais e eventual
detecção de alterações o mais precocemente
possível, para eventualmente interromper o teste
antes que algo grave aconteça.
A iniciativa do CFM, assim, foi recebida com
satisfação pela SOCESP, que há anos pleiteia tal
regulamentação. No entanto, é consenso de que
ainda há outros aspectos a serem melhorados,
como a remuneração do cardiologista para o procedimento. Atualmente, segundo a Classificação
Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos
de 2010, da Associação Médica Brasileira (AMB), o
teste ergométrico vale R$ 156,38 e o cardiopulmonar R$ 263,37. O problema é que os convênios
dificilmente pagam mais do que R$ 55,00 e R$
136,00, respectivamente.
Esta bandeira já foi levantada em diversas oportunidades, como em 25 de abril, Dia Nacional de
Advertência aos Planos de Saúde. A reivindicação
da SOCESP por melhor remuneração do teste ergométrico conta com o apoio da Associação Paulista
de Medicina, CREMESP e SIMESP.
O presidente da Sociedade de Cardiologia
do Estado de São Paulo, Carlos Magalhães, afirma
que é compromisso da diretoria lutar pela revisão
de todos os procedimentos defasados e pela valorização do trabalho do especialista. Para isso, a
SOCESP seguirá ativa em todos os movimentos que
apontem para a possibilidade de honorários justos
e reconhecimento para aos profissionais do Estado.
SEGURANÇA
A taxa de mortalidade do teste ergométrico é
de um em mil, sendo que a estatística é informada
ao paciente antes da realização do teste. Alberto
F. Piccolotto Naccarato, coordenador de eventos
da SOCESP, reitera que o exame só deve ser realizado quando solicitado pelo médico, pois pode
apresentar resultados dúbios apontando “falsos
positivos” ou “falsos negativos”, distorção que só um
especialista em cardiologia pode detectar.
Segundo Carlos Magalhães, o nível de precisão
do teste ergométrico é considerado bom. Ele é
essencial ao paciente por trazer informações que
garantem mais segurança para o tratamento ou
para iniciar a prática de atividades físicas.
“Com o auxílio da avaliação ergométrica é possível propor mudanças nos hábitos dos pacientes,
o que diminui riscos na prescrição de exercícios.
Além disso, muitas doenças, inclusive cardíacas,
podem ser evitadas ou amenizadas com a prática
regular de exercícios físicos.”
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S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
treinamento
Curso de Instrutor de Suporte
Básico à Vida para o Corpo
de Bombeiros de São Paulo
Curso de instrutor de Basic Lefie Suport certificado pela American Heart Association
A SOCESP promoveu, em 21 e 22 de setembro,
o Curso de Suporte Básico à Vida (BLS – Basic Suport life) para integrantes do Corpo de Bombeiros,
em seu Centro de Treinamento em Emergências
Cardiovasculares (CTEC), no Conjunto Nacional,
na capital paulista.
O diretor do CTEC, Agnaldo Píspico, destaca
que o objetivo foi preparar e aperfeiçoar as brigadas da cidade, multiplicando seus conhecimentos
em primeiros-socorros.
Durante dois dias, instrutores treinados e
credenciados de acordo com as regras e especificações da American Heart Association transmitiram os conhecimentos sobre manobras de
Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) em adultos
e crianças, usando manequins com simuladores e
Desfibriladores Externos Automáticos (DEA).
Os soldados do Corpo de Bombeiros receberam
informações completas para reconhecer uma parada
cardíaca ou uma emergência cardiovascular. Também
foram instruídos sobre a quantidade de compressões
recomendadas pelo protocolo e como devem ser
realizadas, além de todo o passo a passo do atendimento, incluindo como e quando usar o desfibrilador.
Segundo o capitão Humberto Cesar Leão,
membro da Comissão de Resgate do Corpo de
Bombeiros e Instrutor de BLS treinado pela SOCESP,
os integrantes da corporação ficaram muito satisfeitos e impressionados. Ele ressalta que é essencial
para a equipe a atualização de conhecimentos com
base nas diretrizes internacionais.
“O Corpo de Bombeiros encontrou na
SOCESP uma parceira estratégica para cooperação mútua no desenvolvimento do atendimento
às vítimas. Isso sem falar no importante suporte
científico e no sítio de treinamento certificado
pela American Heart Association. Assim, nos
vemos como referência no Brasil e no mundo. O
mais relevante é que os frutos desta colaboração
serão colhidos pela sociedade paulista.”
Agnaldo Píspico conta que os formados
neste curso serão, futuramente, treinadores. Diz
também que, por essa razão, é essencial o aperfeiçoamento contínuo das atividades: “O que se deve
pensar é que a equipe do Corpo de Bombeiros de
São Paulo executa essas atividades em seu dia a
dia; então o curso não servirá apenas para casos
emergenciais. É fundamental aperfeiçoar e multiplicar o conhecimento da corporação, pois isto os
deixa mais qualificados para assistir à população.”
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
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deu na mídia
Folha de S. Paulo
Boneco
'cardíaco'
treina alunos
na USP
Segundo reportagem da Folha de São
Paulo, o trabalho de encontrar pacientes
que sejam voluntários em aulas de cardiologia está perto do fim na USP de Ribeirão
Preto. A solução atende pelo nome de
Harvey, boneco com reações sofisticadas,
que simula pulsação e problemas cardíacos em diferentes intensidades e locais
do corpo, para apontar possíveis doenças
cardiovasculares.
Com esse grau de reações, o protótipo,
importado dos Estados Unidos, é o primeiro a
funcionar no país, de acordo com o Hospital
das Clínicas de Ribeirão.
Outros três modelos devem ser instalados
até o final do ano em faculdades de Fortaleza,
Salvador e Porto Alegre.
Harvey, em funcionamento há um
mês, foi assim batizado como referência a
William Harvey, um dos mais importantes
estudiosos do sistema circulatório.
O simulador custou US$ 50 mil, financiados pela USP, e é capaz de simular 33 tipos de
doenças. Sua diferença entre tantos outros
bonecos já em uso nas aulas de medicina
está na sutileza e quantidade de sinais do sistema circulatório que demonstra, conforme
Antonio Pazin Filho, coordenador da unidade
de emergência do HC e chefe da divisão de
emergências clínicas.
Mais informações no link http://www1.folha.
uol.com.br/equilibrioesaude/2013/10/1350945boneco-cardiaco-treina-alunos-de-medicinana-usp-de-ribeirao.shtml
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S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
O GLOBO
Cardiologia
brasileira
reduz nível
considerado
bom para o
colesterol ruim
Durante o 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro, foi anunciada a V
Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção
da Aterosclerose, da Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC), de acordo com o noticiado
pelo jornal O Globo. Com o novo consenso,
cardiologistas do país deverão ter mais rigor no
controle do colesterol do infarto, do que ocorre
até nos Estados Unidos.
Segundo Hermes Toros Xavier, presidente
do Departamento de Aterosclerose da SBC
e editor da nova diretriz, 30% dos brasileiros
adultos estão no sinal vermelho do nível da
gordura que gruda nas paredes das artérias e
devem procurar o médico para avaliar os riscos
de doenças cardiovasculares.
O risco de doenças cardiovasculares é separado em três níveis: o alto, o intermediário e o
baixo. Quanto mais comportamentos e histórico
genético ruins, mais se avança na escala. Para
quem está no risco intermediário, o nível de
colesterol deve ficar agora entre 70mg e 100mg
e não mais entre 100mg e 130mg.
A diretriz está mais rigorosa com mulheres:
um risco superior a 10% já é considerado alto,
enquanto que, para homens, chega-se ao pior
nível quem tem 20% de risco. Segundo Xavier, o
rigor com as mulheres ocorre porque, nas últimas
décadas, elas têm ficado mais hipertensas e com
mais excesso de peso. Com isso, as doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, deixaram
de ser um mal masculino e são, cada vez mais,
femininos. No país, para cada dez casos de infarto,
quatro já são de mulheres.
"O Brasil está à frente da diretriz americana
sobre o tema. Estamos entre os pioneiros a adotar
metas rigorosas", declara Xavier.
A reportagem completa pode ser acessada por meio do link http://oglobo.globo.
com/saude/cardiologia-brasileira-vai-reduzir-nivel-considerado-bom-para-colesterol-ruim
9812899#ixzz2dw6odBEG
Em virtude do aguardado campeonato de
futebol, organizado pela Federação Internacional
de Futebol (FIFA), entre junho e julho de 2014, o
Congresso da SOCESP, que geralmente acontece
durante o feriado de Corpus Christi, foi antecipado
para 21, 22 e 23 de março. O encontro científico
deve atrair cerca de 7 mil cardiologistas, profissionais
de áreas correlatas e estudantes. Será realizado no
Transamérica Expo, em São Paulo, sob tema central
‘As inovações da Cardiologia na prática clínica’.
“A discussão será muito além daquilo que é
novidade hoje. Resgataremos as inovações das
diferentes épocas da cardiologia que mudaram o
rumo da especialidade, como é o caso dos inibidores de enzima de conversão, do uso dos stents
ou das cirurgias minimamente invasivas”, explica
Miguel Moretti, presidente do Congresso.
A ideia é verificar aqueles avanços do passado
que seguem até os dias de hoje incorporados à
pratica diária. “A partir deste paralelo, discutiremos as
inovações atuais, e o caminho pelo qual percorrerão
até que estejam incorporadas ao nosso dia a dia.”
O tema não se restringirá à cardiologia.
Norteará, também, as discussões das áreas multidisciplinares do Congresso, como nutrição, fisioterapia, enfermagem, educação física, entre outras.
PROGRAMA CIENTÍFICO
Toda a programação científica já está definida e
os convites enviados aos palestrantes já vem sendo
confirmados. Alguns dos pontos altos serão, sem
dúvida, três diferentes momentos que selam as
parcerias formadas pela SOCESP com algumas das
principais instituições internacionais de cardiologia.
Logo no primeiro dia, assim como aconteceu
na edição 2013, ocorrerá o Simpósio SOCESP American College; com dois representantes da associação americana abrindo oficialmente o Congresso.
“Haverá também o Simpósio SOCESP Sociedade Europeia de Aterosclerose, igualmente representada por dois conferencistas internacionais,
além do Simpósio SOCESP Cardiosource, inédito
no país, com a presença de um porta-voz deles.”
O objetivo é oferecer toda a qualidade da
infraestrutura e da programação científica que o
associado já conhece, além de novidades e conteúdos especialmente formatados com o melhor
da cardiologia mundial.
Assim, a SOCESP busca não apenas manter
o costumeiro padrão de excelência, mas seguir
crescendo, como tem acontecido ano após ano.
agende-se
As novidades do
Congresso de 2014
“É um indicador do empenho de toda a equipe
da SOCESP e de sua diretoria, e do crescente interesse dos profissionais da área em se manterem
atualizados e cada vez melhor preparados para
atender a população da melhor forma possível.
Com esse histórico de edições que se superam, é
uma grande honra e um desafio presidir o Congresso da SOCESP. Mesmo com toda a experiência que
nós da Comissão Científica acumulamos, juntos,
há sempre a preocupação em alcançar as expectativas”, comenta Miguel Moretti, que nos últimos
anos ocupou os cargos de diretor científico (2012)
e coordenador executivo (2013) do evento.
As atividades estarão divididas em Estado da
Arte, Casos Clínicos, Colóquios, Controvérsias, Miniconferências, Temas Livres Orais, Mesas-Redondas,
Pontos de Vista e Sessões Especiais.
TEMAS LIVRES
Os Temas Livres inscritos para a próxima edição
do Congresso estão divididos entre categorias da
cardiologia (tendo como os autores principais
médicos ou acadêmicos) e dos departamentos
multidisciplinares.
Os melhores trabalhos serão agraciados com os
prêmios Jovem Pesquisador - Josef Feher, Melhor
Pesquisa Básica - Cantídio de Moura Campos Filho e
Melhor Pesquisa Aplicada - Luiz Venere Décourt. Também terão a honraria de ser apresentados em uma
sessão especial, no formato de “pôster comentado”.
Mais informações disponíveis no site oficial do
congresso: http://www.socesp2014.com.br.
XXXV Congresso da SOCESP
Data: 21, 22 e 23 de março de 2014
Local: Transamérica Expo Center
Endereço: Av. Dr. Mário Villas
Boas Rodrigues, 387
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
9
sua carreira
Falta medir a felicidade nas cidades
José Luiz Portella
é engenheiro,
ex-secretário
estadual e municipal
em São Paulo,
comentarista/articulista
da Folha.com
10
Não sabemos o que nos faz feliz onde vivemos.
Sócrates já dizia, há 2500 anos, que o homem gosta
da vida boa. Da felicidade. E nós ignoramos como
encontrá-la. Não dá para construir o que não se
consegue medir. É difícil medir felicidade.
Há o lado objetivo, concreto, ligado a condições que podem ser medidas por índices numéricos, como saúde, moradia, renda per capita,
percepção de segurança, desigualdade.
Contudo, há o lado objetivo que depende de
cada pessoa e do seu respectivo projeto de vida.
Duas pessoas que vivem numa mesma metrópole,
são vizinhas e têm os mesmos padrões emitem
sinais diferentes de satisfação.
De uma forma ou de outra, há inúmeras pesquisas avaliando a percepção mental de felicidade.
Como cada um se sente.
Já a felicidade que nos relaciona com a cidade,
não. O tema fica no rame-rame de sempre e limita-se a pedir mais saúde, educação e transporte.
Simplista demais. Faltam dados que associem
atividades diárias das pessoas ao prazer.
Recentemente, saiu o IDHM-Índice de
Desenvolvimento Humano dos Municípios. Pela terceira vez seguida, São Caetano do Sul foi o campeão no Brasil.
O IDHM baseia-se em três índices:
saúde (longevidade), renda e educação. A impressão de boa parte das
pessoas é que a detentora do
título de campeã do IDHM é a
cidade mais agradável para
se viver. Não é necessariamente assim. Há outros
fatores não avaliados,
fundamentais.
Na prática, a
qualidade de vida
nas cidades é medida com boa precisão
quando nos atemos a
índices objetivos, como
os acima citados. Coisas mais
racionais. Já os índices subjetivos
não são mensurados. A medida
sobre eles é escassa e incerta.
As prefeituras não investem em
ouvir sobre como as pessoas se sentem,
independentemente da infraestrutura
que as rodeia. A felicidade que cada um
sente ao viver em determinado local
também tem um aspecto subjetivo
que é desprezado. Deveria ser objeto
de estudo profundo e servir de roteiro
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
para as políticas públicas e ações privadas.
Estamos perdendo a conta da vida comunitária
nas cidades e a importância dos nossos sentimentos. A perda não é pouca coisa.
Estrelado pelos irmãos Schlegel, Novalis e Goethe, o movimento romântico alemão surgiu para
se contrapor ao domínio da razão. Para enxergar
o sentimento. Ele valorizou a vida comunitária.
Por enquanto, repetimos padrões e andamos
às cegas, negligenciando nossa própria fortuna. A
felicidade tem paradoxos. Segundo o economista
Eduardo Giannetti, o crescimento econômico ocorrido nos Estados Unidos e Europa após a Segunda
Guerra não alterou o nível de satisfação das pessoas.
A melhoria indiscutível dos padrões em saúde,
transporte e educação de grande parte dos municípios do Brasil, apontada no IDHM de 2013 (base
2010), também não significou mais felicidade aos
seus respectivos cidadãos. Há algo a mais a ser
apurado para desvendar a questão.
Por que não se pergunta mais claramente à
população quais usos e costumes do cotidiano que
lhe propiciam prazer: caminhar com segurança?;
curtir uma praça, um parque?; flanar pelas ruas da
cidade?; Ver um jogo de futebol em paz?
As universidades brasileiras dedicam-se pouco
a investigar isso. A perscrutar o que torna o intangível, o impalpável, passível de medição. Se pudermos identificar ações concretas que nos deixem
felizes subjetivamente, poderemos mensurá-las
tornando mais fácil construir a cidade melhor. Com
certeza, o número de pessoas que utiliza as ruas é
uma medida de cidade feliz.
A felicidade pessoal está ligada à mente da
pessoa. O prazer de viver em uma metrópole está
associado à disposição de ocupá-la. Seria legal, e
indispensável, medir quanta gente se dispõe a sair
de casa ou a retardar a volta para o lar para curtir
a vida oferecida fora dos prédios.
Seria bom encontrarmos outras questões
que pudessem nos dar a pista para mensurar o
que nos faz feliz. Além das universidades e do
poder público, a sociedade deveria debruçar-se
mais nessa questão. O que temos sobre o tema é
desesperadoramente insuficiente.
O paradoxo, nas metrópoles, é que lidamos
com muita informação irrelevante, enquanto o
essencial é desconhecido.
Tentar a felicidade é da natureza humana. Melhor sermos obsessivos nessa busca. Afinal, como
disse Millôr Fernandes, "a vida é perto". Por que não
procurá-la onde a gente mora?
Texto publicado na Folha.com
Publicada no Diário Oficial no último dia 24 de
setembro, uma resolução do Conselho Federal de
Farmácia (CFF) autoriza o farmacêutico a prescrever medicamentos para a população. O Conselho
Federal de Medicina (CFM) questiona a medida e,
amparado no próprio decreto 85.878/81, que rege
a profissão do farmacêutico, contesta na Justiça a
legalidade da resolução.
“O diagnóstico e a prescrição são prerrogativas
dos médicos, pois eles receberam conhecimento
específico para tanto. Os outros profissionais de
saúde também têm suas atribuições exclusivas,
já que receberam informações necessárias. Mas
nenhum deles pode diagnosticar e prescrever”, diz
o vice-presidente da SOGESP, Jarbas Magalhães.
Na outra ponta está a Lei de Regulamentação
da Medicina (12.842/13) que, em seu artigo 2º,
inciso II, diz que é de responsabilidade do médico
o diagnóstico nosológico, ou seja, a prevenção,
o diagnóstico e a prescrição do tratamento são
atribuições apenas do profissional de Medicina, e
nenhuma outra categoria tem esse direito.
“O diagnóstico das doenças e seu respectivo tratamento são atribuições exclusivas do médico, desde
que surgiu esta milenar profissão. O farmacêutico tem
um importante papel na equipe multiprofissional de
Saúde, que é o de orientar o uso adequado dos medi-
polêmica
CFM vai à Justiça contra
a prescrição farmacêutica
camentos prescritos pelos médicos”, pontua Renato
Azevedo Júnior, do Conselho Regional de Medicina
do Estado de São Paulo (Cremesp).
RISCO À SAÚDE
A resolução do CFF classifica algumas doenças
como “transtorno menor”, minimizando, dessa
forma, a importância do acompanhamento médico. Porém, é sabido que qualquer patologia, por
menos grave que pareça, deve ser avaliada pelo
profissional de Medicina, que tem conhecimento
e preparo para identificar possíveis complicações.
Além disso, a resolução também fala “nos limites
da atenção básica à saúde”, colocação igualmente
grave na ótica das entidades médicas.
Outro ponto que traz riscos para a saúde do paciente é a permissão que o farmacêutico passa a ter
para renovar uma receita prescrita por um médico.
A pergunta é: como poderia outro profissional prolongar um tratamento ou interrompê-lo, sendo que
o médico é quem fez toda a anamnese e é o único
de fato capacitado para esses procedimentos?
“Nesse caso não há meio termo. Só o médico pode diagnosticar e prescrever quando
falamos em saúde de seres humanos. Dor de
cabeça não é doença, cólica também não, muito menos coriza. Mas atrás destes sintomas, o
indivíduo pode trazer hemorragias, apendicite
ou pneumonia”, finaliza Meinão.
População
discorda da
resolução
Recentemente, o Instituto de Ciências,
Tecnologia e Qualidade (ICTQ) entrevistou
2.650 pessoas de 15 capitais brasileiras, com
idades entre 18 e 60 anos, para verificar o
nível de aprovação da resolução do CFF. O
resultado foi o seguinte:
61% são contrárias à resolução;
65% acham que a resolução não
facilitará o tratamento de doenças;
58% não confiam nas prescrições de
farmacêuticos.
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
11
multidisciplinar
Enfermagem na Assistência
Circulatória Mecânica
Rita de Cassia Gengo e Silva, Ivany de Carvalho
Machado Baptista, Rita de Cassia Ribeiro de
Macedo, Rosa Bosquetti, Andrea Cotait*
Os avanços científicos e tecnológicos no tratamento das doenças cardíacas têm levado à maior
sobrevida dos pacientes e ao consequente aumento
na incidência de insuficiência cardíaca (IC). Dentre as
opções terapêuticas para a IC avançada, destaca-se
a assistência circulatória mecânica (ACM), definida
como um conjunto de técnicas e equipamentos
capazes de manter as condições hemodinâmicas
dos pacientes por períodos prolongados e substituir total, ou parcialmente, de forma temporária ou
definitiva, as funções de bombeamento do coração.
Sua finalidade primordial é garantir a perfusão sistêmica e evitar a disfunção de múltiplos órgãos. Desse
modo, tornaram-se fundamentais no tratamento do
choque cardiogênico e na manutenção do suporte
circulatório de pacientes com IC avançada.
Historicamente, os dispositivos de ACM foram
desenvolvidos para facilitar a realização de cirurgias
cardíacas a céu aberto. Desde a década de 1960, o
National Heart, Lung and Blood Institute patrocina
o desenvolvimento desses dispositivos, incluindo o
coração artificial total. A primeira e a segunda gerações dos dispositivos de ACM foram desenvolvidas
com fluxo pulsátil e contínuo, respectivamente. Por
sua vez, os dispositivos de ACM de terceira geração
utilizam sistema de levitação magnética e parecem
ser mais duradouros e ter menos efeitos mecânicos
sobre os componentes sanguíneos. No Brasil, destaca-se o emprego pioneiro dos dispositivos de ACM em
pacientes portadores de cardiopatia chagásica.
A ACM tem sido utilizada predominantemente
como ponte para recuperação ou para transplante.
Contudo, em alguns países, tem sido utilizada
como terapia de destino para os pacientes com
IC avançada e contraindicações para o transplante
cardíaco. Sabe-se que a utilização prolongada da
ACM reverte alterações celulares que ocorrem na
fase avançada da IC. Consequentemente, observase a melhora clínica do paciente, com redução da
hipertensão pulmonar e melhora da função renal,
de modo que as contraindicações para o transplante são revertidas. Há critérios bem definidos para
a indicação dos dispositivos de ACM, quais sejam:
idade inferior a 70 anos, choque cardiogênico em
uso de altas doses de catecolaminas, hipotensão
arterial persistente e indicadores hemodinâmicos
de falência uni ou biventricular.
Nesse cenário de atenção à saúde de alta complexidade, é preciso definir as competências do
enfermeiro no atendimento dos pacientes em uso
de dispositivos de ACM. Porém, estudos na área de
enfermagem são escassos. Casida e Ilacqua (2011)
publicaram uma pesquisa do tipo survey, na qual
verificou-se que tanto os registered nurses (enfermeiros graduados e aprovados em exame nacional
de licença nos Estados Unidos) quanto os advanced
practice nurses (enfermeiros que têm alto nível de
educação formal, como mestrado ou doutorado
em enfermagem) realizavam o cuidado a esses
pacientes. Metade dos participantes relatou que
lhes fora exigido o curso de suporte avançado de
vida em cardiologia e um mínimo de dois anos de
experiência em cuidados intensivos ou em cirurgia
cardíaca. Todavia, grande parte dos participantes
relatou que os conhecimentos específicos foram
adquiridos durante o treinamento em serviço.
No estudo, o papel do enfermeiro nos programas de ACM foi descrito como multifacetado,
incluindo o provimento de cuidados diretos ao
paciente, educação, ensino, pesquisa e gestão. Os
participantes relataram que dentre suas contribuições para o cuidado ao paciente e nos resultados
organizacionais estão: melhorar a qualidade de
vida dos pacientes e de seus cuidadores, contribuir
para a adesão ao tratamento e para a satisfação do
paciente com o cuidado, reduzir as complicações
pós-operatórias, bem como as taxas de readmissão
hospitalar e o tempo de internação.
Portanto, é possível inferir que os enfermeiros contribuem sobremaneira para o alcance de
resultados de saúde positivos para o paciente em
uso de dispositivos de ACM, bem como para os
indicadores organizacionais. Ressalta-se que esses
profissionais necessitam de conhecimentos e habilidades específicos, além de experiência clínica para
prestar assistência com competência e segurança.
*Departamento de Enfermagem da SOCESP
REFERÊNCIAS (ENDNOTES)
Casida JM, Ilacqua J. A survey of nurses in the mechanical circulatory support programs in the United States. Heart & Lung. 2011;40(4):e103-e111.
Fiorelli AI, Oliveira Junior JL, Coelho GHB, Rocha DC. Assistência circulatória mecânica: porque e quando. RevMed (São Paulo). 2008;87(1):1-15. Gelape
CL, Pham SM. Avanços no suporte circulatório mecânico no tratamento da insuficiência cardíaca. Arq Bras Cardiol. 2012;98(2):e36-e43. Peura JL
et al. Recommendations for the use of mechanical circulatory support: device strategies and patient selection. A scientific statement from the
American Heart Association. Circulation. 2012;126:2648-67.
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S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
O pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas foi
muito lúcido quanto à gravidade da espionagem
eletrônica contra o Brasil e outros países. Também
se mostrou pertinente à sua proposta de que a
ONU regulamente a questão e garanta a soberania
cibernética dos povos.
É preciso avançar nesse processo, pois informação é o bem contemporâneo mais valioso.
Seu domínio é um imenso diferencial de competitividade. Ademais, trata-se de algo diretamente
ligado à segurança nacional, à medida que há
elementos fundamentais a serem protegidos,
como os referentes às potencialidades do Brasil:
área agriculturável disponível mais ampla, maiores
reserva hídrica e biodiversidade do Planeta, grande
produção de alimentos, biocombustíveis, óleo e
gás. Ante os olhares internacionais, o País precisa
preocupar-se em blindar seus dados estratégicos.
No entanto, independentemente da espionagem estrangeira, é necessário questionar se
não estamos, nós próprios, facilitando o acesso
de outras nações ao precioso acervo da produção científica de nossas universidades, patentes,
estudos e pesquisas das empresas. Sabemos que
imenso volume de conteúdos de nossas instituições é hospedado em plataformas de TI localizadas
em distintos países, inclusive nos Estados Unidos.
É seguro esse processo?
Por mais que se tenham cuidados jurídicos nos
protocolos e contratos, sabe-se que a informática e
a internet são campos suscetíveis às intromissões
indesejadas. Se os norte-americanos conseguiram
quebrar as barreiras criptográficas do sistema
de computadores da Presidência da República
brasileira, o que dizer de arquivos hospedados na
sua casa? Talvez haja aí uma contradição: ao
mesmo tempo em que conclamamos
a ONU a impedir a espionagem na
Web e nos sistemas eletrônicos de
informação, mantemos um modelo que, por si só,
expõe a risco nosso patrimônio de conhecimento.
Não adiantam barreiras para impedir que as
raposas entrem no nosso galinheiro se, espontaneamente, entregamos parte de nossas galinhas para
que lobos, em seu habitat natural, tomem conta
delas. É um contrassenso. Temos progredido a passos lentos, mas consistentes, na área de pesquisa e
inovação (P&D). Ainda precisamos evoluir no número de registro de patentes, proporcionalmente
muito mais baixo do que o volume de publicações
científicas. Assim, não é prudente expor nosso acervo científico aos perigos agora evidenciados pelas
denúncias de espionagem praticada por agências
dos Estados Unidos.
É preciso refletir sobre a questão, entendê-la em profundidade e, se for o caso, adotar as
medidas necessárias. Há uma lição de casa a ser
feita, com a participação de instituições como o
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes),
Instituto de Tecnologia da Informação da Casa
Civil (ITI) e Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (Fapesp).
No ano passado, ao participar de um debate
na Câmara dos Deputados sobre P&D, coordenado
pelo deputado Newton Lima, um diplomata brasileiro especializado no tema, confessou que países
como Estados Unidos e Coreia do Sul mantinham
departamentos especializados em capturar conhecimento nas publicações de cientistas brasileiros.
Estamos entregando o ouro ao bandido?
gestão pública
A proteção do conhecimento
Antoninho Marmo
Trevisan
é presidente da
Trevisan Escola de
Negócios, membro
do Conselho Superior
do MBC (Movimento
Brasil Competitivo) e
do CDES (Conselho
de Desenvolvimento
Econômico e Social
da Presidência da
República)
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
13
saúde suplementar
Pesquisa Datafolha comprova
dos pacientes com os planos
as classes econômicas, que possuem plano ou
seguro-saúde como titulares ou dependentes.
A amostra total é de 861 entrevistas. A margem
de erro máxima é de 3 pontos percentuais, para
mais ou para menos, considerando um nível de
confiança de 95%.
RESULTADOS IMPORTANTES
Do grupo que recorreu aos planos nos últimos
24 meses, 79% relataram problemas; projetando o
número para os 10,4 milhões de usuários chegamos a aproximadamente 8,2 milhões de pacientes
enfrentando problemas. A agravante é que a média
de problemas apontada é de 4,3 por pesquisado.
A investigação estimulada sobre a utilização
de serviços e percepção de problemas tem como
principais reclamações consultas médicas (66%),
exames e diagnóstico (47%), além do pronto
atendimento, terceiro em uso, mas que é destacadamente o serviço com maior índice de usuários
com problemas (80%).
CONSULTAS MÉDICAS
A Associação Paulista de Medicina, em parceria
com o Datafolha e sociedades de especialidades
médicas, entre elas a SOCESP, foi à população do
estado de São Paulo para traçar um retrato de
como anda a satisfação dos pacientes com os
planos de saúde.
Foram queixas recorrentes a dificuldade para a
marcação de consultas, as falhas no atendimento
em pronto-socorro, as dificuldades para realização
de exames, cirurgias e internações hospitalares.
A pesquisa foi realizada junto à população
adulta que utilizou planos de saúde dos últimos
24 meses. Foram consultados homens e mulheres, com 18 anos ou mais, pertencentes a todas
Local de espera lotado
é o principal problema
apontado pelos usuários
do pronto atendimento
14
74%
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
No item consultas médicas, temos como mais
frequentes: demora na marcação de consultas
(52%), médico saiu do plano (28%), demora na
autorização de consulta (25%). Vale lembrar que
em pesquisa anterior do Datafolha junto a profissionais de medicina, 9 entre 10 relataram insatisfação por problemas diversos, como as pressões
exercidas pelos planos para que reduzam exames,
procedimentos distintos, além de interferências
até em internações.
EXAMES E DIAGNÓSTICOS
Quanto aos exames e diagnósticos, as queixas
mais comuns referem-se à demora para marcação
(28%), poucas opções de laboratórios e clínicas
27%
poucas opções de
laboratórios e clínicas
especializadas
28%
demora para
marcação
especializadas (27%), tempo para autorização de
exame ou procedimento (18%).
PRONTO-SOCORRO
Local de espera lotado é o principal problema
apontado pelos usuários do pronto atendimento
(74%). Demora para ser atendido também é um
aspecto importante, mencionado por 55% dos
usuários. Outras reclamações que merecem ser
destacadas são demora ou negativa para realização
de procedimentos necessários (16%), locais inadequados para receber medicação (13%) e negativa de
atendimento (9%). Aqui o entendimento da APM é
que os dados são preocupantes, pois é nos prontos- socorros que encontramos casos mais graves e,
portanto, necessitando de resolubilidade imediata.
Inglês para
serviço
a insatisfação
de saúde
MÉDICOS
Dear readers,
Segue aqui mais uma seleção de palavras
bastante utilizadas em medical papers.
To avert = prevenir
Conspicuous fetal hydrops = hidropsia fetal
conspícua (evidente)
To eschew = abster-se de, evitar
To straddle = sentar de pernas abertas, posição
escarrapachada
The so-called = o assim chamado
Width = largura
To evolve = desenvolver gradualmente,
desenvolver por evolução
To yield = render, produzir, lucrar (quantidade
produzida)
Titrate = titular uma solução, dosear, analise
volumétrica, titulagem
Ricky Silveira Mello
Silveira.Mello
Comunicações e Eventos
Traduções e versões, revisão
de Medical Papers, aulas
de conversação e estrutura
gramatical, tradução de teses
Mobile: (11) 99946-6361
RECORRENDO AO SUS
A pesquisa mostra também que, por falta
de opções de atendimento no plano de saúde,
30% declaram que recorreram ao SUS ou ao
atendimento particular, nos últimos dois anos,
um aumento de 10 pontos em relação ao estudo
realizado em maio de 2012 pelo Datafolha. No
entendimento da APM isto significa, na prática,
50% de agravamento nesse item.
OUTROS NÚMEROS
41% dos usuários apontam algum
problema relativo à internação hospitalar
24% dos usuários dos serviços de
cirurgias tiveram algum problema
15% dos usuários já fizeram
Ricky pergunta para
Francisco Antonio
Helfenstein Fonseca*:
What is the best anticoagulant
for patients with mechanical
heart valves: Wafarin or Novel
Anti-Coagulants (NOACS)?
Echoes from ESC Congress 2013 show
that Dabigratan has failed in preventing
ischemic attack, systemic embolism, MI or
death among patients with mechanical valves.
Warfarin remains the better choice for these
patients. We believe Dabigratan only works on
thrombin activity while Warfarin is also
effective via factor IX. If this hypothesis is
correct it will also be valid for other Xa
inhibitors such as Rivaroxaban or Apixaban.
* é vice-presidente da SOCESP
reclamação, recurso ou notificação
contra algum plano de saúde
53% concordam que os planos de
saúde colocam restrições e obstáculos
ao trabalho dos médicos
67% têm a percepção de que os
planos dificultam a realização de exames
de maior custo
Só para relembrar…
ACLS = Advanced Cardiovascular Life Support
CPR = Cardiovascular Pulmonary Rescue
BLS = Basic Life Support
PALS = Pediatric Advanced Life Support
Espero que aproveitem mais esta coluna e, caso
tenham sugestões ou comentários, eles serão
muito bem-vindos.
That’s all folks!
Ricky
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
15
férias
Viaje com os filhos
sem dor de cabeça
As férias do final do ano estão chegando. É um
momento de encontrar atividades para ocupar as
crianças durante o recesso escolar. Se você ainda
não definiu o que fará, o SOCESP em Destaque
apresenta algumas opções. Trazemos dicas de
como aproveitar as importantes capitais europeias
Londres, Paris e Amsterdã em um roteiro que contempla os desejos infantis. Confira.
LONDRES
A cidade da família real inglesa está repleta de
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S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
atrações destinadas ao público infantil. O cartão
postal de Londres, o enorme relógio Big Ben,
chama a atenção de todos que passam à frente da
torre da Casa do Parlamento britânico.
Um famoso ponto turístico que também agrada o público mirim é a “London Eye”, roda-gigante
bastante disputada em todas as épocas do ano.
Dela, pode-se ter uma vista de toda a cidade a 135
metros de altura.
O museu de brinquedos, o “Childhood Museum”, deixa qualquer pequeno encantado. Lá, os
visitantes encontrarão objetos
e artefatos produzidos desde
Londres
1600 até os dias atuais.
Contudo, o passeio que
mais costuma divertir a todos
é a ida noturna ao Museu de
História Natural. A garotada
acampa e dorme no local para,
na madrugada, conhecer a
vasta coleção de espécies do
mundo natural reunidas ao longo de 400 anos. No dia seguinte,
é servido um café da manhã
antes de o estabelecimento
abrir as portas para o público.
Amsterdã
PARIS
Eleita uma das cidades mais românticas do
mundo, Paris também proporciona diversão e
aventura para público juvenil. Para as famílias
amantes da natureza e ar livre, a capital francesa
é a escolha certa.
O Jardin du Luxembourg tem vista maravilhosa,
sendo considerado um dos lugares mais charmosos da cidade. Além de possuir o lindo lago e
plantas exuberantes, conta com ótimo parquinho
e um tradicional teatro de marionetes.
Já os mais aventureiros vão gostar de subir os
318 metros da Torre Eiffel. A arquitetura impressiona
tanto crianças quanto adultos.
Os destinos mais procurados pelos turistas
mirins são o Parc de la Villette, por conta da Cidade
das Crianças, a Cidade da Ciência e da Indústria. A
criançada pode brincar o dia todo com atividades e
jogos temáticos sobre tecnologia, meio ambiente,
curiosidades, física e química.
Assim como Londres, Paris tem uma roda gigante para os turistas aventureiros. Aliás, a cidade
das luzes tem a maior roda-gigante transportável
do mundo, conhecida como Roue de Paris.
As famílias poderão ver os sonhos da garotada
se transformando em realidade na Euro Disney.
O parque contém brinquedos radicais, carros
alegóricos, belíssimos restaurantes e, é claro, os
personagens da Disney.
AMSTERDÃ
Amsterdã tem fama de cidade perfeita para os
adultos. Mas há várias atrações e pontos turísticos
destinados às crianças.
Quem curte a natureza vai adorar passar um dia
no Amstelpark. O parque não fica tão próximo do
centro, mas vale visitá-lo pela beleza. Pode-se fazer
piquenique, jogar golfe, conhecer a fazendinha e
passear entre os animais. Além disso, os mais agitados não vão nem sentir o tempo passar enquanto
brincam no playground, na tirolesa e
no trenzinho. Outro parque bastante
Paris
visitado é o Vondel Park.
Para quem gosta de entrar em
contato com os animais, o zoológico
Artis é outro destino interessante.
O museu de ciências NEMO é
ótimo para os curiosos, que adoram
descobrir e aprender. Chama muito a
atenção por conta da arquitetura em
formato de navio.
Um dos mais famosos pontos
turísticos de Amsterdã é o museu Van
Gogh. A visita inclui uma passada na
área infantil da loja do museu.
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
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surpreenda-se
A SOCESP e o cidadão
João Fernando
Monteiro Ferreira
Tivemos há cerca de um mês mais uma edição do Dia Mundial do Coração. Em todo o Brasil,
cardiologistas saíram às ruas para oferecer aos
cidadãos informações sobre a saúde cardiovascular,
os riscos e a importância da prevenção.
No estado de São Paulo, ações da SOCESP
ecoaram de norte a sul, de leste a oeste. Nossas
regionais organizaram uma espécie de mutirão,
indo onde o povo está.
Foi uma elogiável demonstração de cidadania.
As doenças do coração precisam ser
combatidas com o remédio adequado:
a informação. Hoje, são as que mais
matam em todo o planeta. São mais de
17 milhões de óbitos ao ano, boa parte
porque não tivemos, em passado não
muito distante, a capacidade de mostrar
ao coletivo a relevância dos bons hábitos.
Importante é que agora o estamos
fazendo. Indo à população para falar sobre alimentação saudável, a necessidade
de se exercitar, os riscos do fumo, do
álcool e assim por diante, galgamos a prevenção
ao primeiro plano.
Isso certamente se refletirá positivamente nos
próximos anos, recompensando-nos com um Brasil
mais saudável e de coração forte.
Por tudo isso, presto aqui minha homenagem às regionais da SOCESP, à sua diretoria e aos
voluntários que fizeram do 29 de setembro um
dos mais importantes Dia Mundial do Coração de
todos os tempos.
Histórias que inventei para
minhas netas (mas que servem
para todos os netos e netas)
Às vésperas do Dia da Criança, o cardiologista Fernando Nobre lançou seu primeiro livro
infantil, Histórias Que Inventei Para Minhas Netas
(mas que servem para todos os netos e netas), pela
Editora Manole, selo Amarilys. A história apresenta quatro contos: "O gato que era amigo
do rato", "O peixe que
queria voar e o pássaro
que queria nadar", "Os
pássaros coloridos e a
pombinha branca" e "A
bruxa boazinha".
Cheia de fantasias
bem-humoradas, lições
de vida, de convivência
e de valores éticos e
morais, a obra traz tudo
contado com aquele
jeitinho de avô, para
ser passado adiante por
muitos avôs e avós.
“O livro é o resul-
18
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
tado de um exercício dos mais gratificantes.
Netos são figuras sem comparação e foi do
maravilhoso convívio com minhas netas que
essas histórias nasceram e eu as escrevi. A
escritora Rachel de Queiroz disse que ‘netos
são filhos com açúcar’, e é para essas doces
criaturas que esse livro foi escrito. Acho que
netos e netas gostarão dessas histórias e ficarão felizes com elas. E se isso acontecer, ficarei
mais feliz ainda!", destaca o autor.
Fernando Nobre é avô de Maria Helena e de
Luiza, que adoram a hora de ir dormir ao som
das suas histórias. Cardiologista com especialização em Hipertensão Arterial, tem 24 livros
publicados na área de conhecimentos afeitos à
cardiologia (incluindo o Tratado de Cardiologia SOCESP, que venceu o Prêmio Jabuti, em 2006,
como Melhor Livro de Ciências da Saúde), mais
de 170 artigos científicos em revistas médicas
nacionais e internacionais, tendo contribuído
com a produção de 70 capítulos em livros de
medicina publicados no Brasil e no exterior.
em
NOVEMBRO
12
Aorta: atualização no diagnóstico e tratamento
Regional Campinas
19
Diabetes melitus tipo 2 - o que o cardiologista
deve saber
Regional Piracicaba
21
Aspectos atuais do diagnóstico e tratamento do
choque cardiogênico
Regional Botucatu
22
Cardiologia do Esporte, Avaliação Pré Participação
e Prevenção de Morte Súbita e Atestados Médicos
Regional Bauru
23
Arritmias Supraventriculares
Regional Araraquara
23
Simpósio pulmão/coração
Regional Franca
23
Cardiologia e esporte
Regional Vale do Paraíba
27
Atualização em hipertensão arterial
Regional Santos
28
PCR Simpósio de emergência
Regional Presidente Prudente
30
Diabetes mellitus e doença cardiovascular
Regional ABCDM / Departamento de Nutrição
DEZEMBRO
4
Grupo de estudos de Nutrição em Cardiologia
Departamento de Nutrição
7
Jornada de Psicologia
Departamento de Psicologia
Outras informações sobre os eventos,
ligue (11) 3179-0044
agenda
PROGRAME-SE
destaque
DIRETORIA DA SOCESP BIÊNIO 2012/2013
PRESIDENTE
Carlos Costa Magalhães
VICE-PRESIDENTE
Francisco Antonio Helfenstein Fonseca
PRIMEIRO-SECRETÁRIO
Rui Manuel dos Santos Povoa
SEGUNDO-SECRETÁRIO
José Carlos Aidar Ayoub
PRIMEIRO-TESOUREIRO
Rui Fernando Ramos
SEGUNDO-TESOUREIRO
Celso Biagi
DIRETORA CIENTÍFICA
Fernanda Marciano Consolim Colombo
DIRETOR DE PUBLICAÇÕES
João Fernando Monteiro Ferreira
DIRETOR DE REGIONAIS
José Luiz Aziz
DIRETOR DE PROMOÇÃO E PESQUISA
Andrei C. Sposito
DIRETOR DE INFORMÁTICA
João Manoel Rossi Neto
DIRETOR DE QUALIDADE ASSISTENCIAL
Silas dos Santos Galvão Filho
DIRETOR DO CENTRO DE EMERGÊNCIAS
Agnaldo Pispico
COORDENADORES DE PESQUISA
José Luiz Ferreira dos Santos
José Francisco Kerr Saraiva
Ricardo Pavanello
COORDENADOR DE EVENTOS
Alberto Francisco Piccolotto Naccarato
COORDENADOR DE POLÍTICAS DE SAÚDE
Henry Abensur
CONSELHO FISCAL – Luiz Freitag, Bruno Mahler
Mioto, Ibraim Masciarelli Pinto, Edson Stefanini
EDITORES – Ângela Teresa Bacelar, Beatriz
Matsubara, Edson Stefanini, Moacir F. Godoy,
João Carlos Hueb, Luiz Francisco Cardoso
SOCESP em Destaque é editado bimestralmente
pela Diretoria de Publicações da Sociedade de
Cardiologia do Estado de São Paulo, Avenida
Paulista, 2.073 – Horsa I, 15 o andar, cj. 1.512, CEP
01311-300, São Paulo, SP. Telefone: 11 3179-0044
DIREÇÃO DE ARTE – Giselle de Aguiar Pires
IMPRESSÃO – Hawaii Gráfica
SOCESP NA INTERNET: www.socesp.org.br
E-mail: [email protected]
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
19
perguntas e respostas
Como prevenir endocardite infecciosa
e infecção de loja no implante de
marca-passo definitivo e CDIs?
Roberto Costa
Diretor da Unidade
Cirúrgica de
Estimulação Elétrica
e Marca-Passo
Instituto do Coração
(InCor-HCFMUSP)
20
Processos infecciosos em dispositivos antiarrítmicos
implantados são pouco frequentes: a estimativa de ocorrência deste tipo de infecção é de 1,9/1000 dispositivos/ano,
sendo de 1,37/1000 para infecções de loja e de 1,14/1000
para endocardite (Arch Intern Med 2007;167:669–675). Um
estudo epidemiológico realizado nos Estados Unidos,
entretanto, mostra que a taxa de crescimento do número
de infecções é maior do que a de implantes iniciais (J Am
Coll Cardiol 2006;48:590–591). A cura da infecção passa,
obrigatoriamente, pela remoção completa do dispositivo
contaminado e pelo uso de antibióticos específicos, com
hospitalização prolongada e custo elevado (Eur J Cardio-Thorac Surg 2010;37:875-887). A ocorrência de infecção
no dispositivo dobra a chance de morte de um indivíduo
com esse tipo de aparelho implantado (J Am Coll Cardiol
2006;48:590–591). Quando o tratamento é bem-sucedido,
contudo, a taxa de recidiva da infecção é muito baixa. A gênese da infecção de loja e da endocardite, na maioria dos casos,
está fortemente associada a procedimentos médicos e pode,
portanto, ser evitada. A aglomeração de bactérias de uma ou
mais espécies sobre a superfície dos dispositivos implantados
leva à formação de uma matriz extracelular, o biofilme, que
torna esses microrganismos mais resistentes à ação dos
antibióticos. Essa barreira à ação dos antimicrobianos torna
muito reduzida a chance de cura quando o dispositivo não
é removido. A recomendação da American Heart Association
para o tratamento de infecções de loja e de endocardites, em
diretriz publicada em 2010, é a remoção de todo o sistema de
estimulação (Circulation 2010;121:458-477). A contaminação,
durante o implante ou outros procedimentos cirúrgicos para
manutenção ou correção de problemas em dispositivos
implantáveis, é a principal causa de infecções de loja. Segundo um estudo multicêntrico francês, a taxa ocorrência
de infecção 12 meses após estes procedimentos é de 0,56%
para implantes iniciais e de 0,99% para reintervenções (Circulation 2007;116:1349-1355). A formação de hematomas, a não
utilização de antibiótico profilático e reoperações precoces
aumentam significativamente o risco de infecção de loja
(Circulation 2007; 116: 1349-55, Circ Arrhythm Electrophysiol.
2009;2:29–34). A segunda causa mais frequente de infecção
de loja é decorrente de complicações mecânicas após troca
de geradores. A falta de cuidado no preparo da antiga loja
do gerador de pulsos, antes do implante do novo dispositivo, pode causar isquemia de pele, seguida por necrose,
exteriorização e contaminação do dispositivo. A infecção
de loja causada por contaminação hematogênica ou por
traumatismos externos é raramente reportada. O tratamento
inadequado de uma infecção de loja, pela falta de remoção
completa do sistema de estimulação contaminado, é a
principal causa de endocardite em portadores de dispositi-
S O C E S P E M D E S T A Q U E – SET/OUT 2013
vos. A contaminação hematogênica, entretanto, representa
importante causa de endocardite, por isso, pacientes com
abscessos, úlceras crônica de pele ou processos infecciosos
de repetição merecem cuidados especiais. Da mesma forma,
qualquer procedimento cirúrgico a que o paciente seja
submetido pode ser a porta de entrada para a contaminação dos cabos-eletrodos e, portanto, deve-se recomendar
a antibioticoterapia profilática. O percentual de indivíduos
imunodeprimidos é significativo dentre os acometidos
por endocardite em dispositivos. A utilização de cateteres
percutâneos para hemodiálise, quimioterapia, tratamento
de dor crônica ou para infusão de fármacos inotrópicos ou
vasoativos tem sido cada vez mais frequente na população
portadora de dispositivos cardíacos implantáveis, devido ao
número crescente de indivíduos com disfunção ventricular,
estado clínico deteriorado e comorbidades associadas submetidos a procedimentos em estimulação cardíaca artificial.
Desse modo, a problemática desses cateteres representarem
uma porta de entrada para a contaminação hematogênica
de cabos-eletrodos tem crescido substancialmente em
importância. No mesmo sentido, a punção venosa para implante desses cateteres, em regiões contíguas a lojas de marcapasso ou de desfibrilador implantável, com contaminação
direta do dispositivo, tem sido observada frequentemente. A
indicação da estimulação epicárdica para os implantes iniciais
em pacientes que estão em programa de hemodiálise tem
sido motivo de discussão. A prevenção da infecção de loja e
da endocardite em pacientes com dispositivos implantáveis
passa obrigatoriamente, portanto, pela compreensão dos enfermos e dos profissionais de saúde que os atendem, do risco
de contaminação do sistema de estimulação. Procedimentos
para implante ou troca de dispositivos devem seguir padrões
rigorosos de antissepsia, devendo ser realizados em ambiente
apropriado e por médicos capacitados. Antibioticoterapia
profilática deve ser usada rotineiramente, a hemostasia deve
ser rigorosa e reoperações precoces devem ser evitadas. No
mesmo sentido, procedimentos como hemodiálise, acessos
venosos para infusão de líquidos, tratamentos cirúrgicos e,
principalmente, pacientes com infecções crônicas, merecem
cuidados especiais para evitar a contaminação hematogênica. Infecções de loja devem ser tratadas de imediato, com
remoção de todo o material implantado, coleta de culturas e
instituição de antibioticoterapia específica, sendo obrigatória
a pesquisa de endocardite nesses pacientes. Quando esta
estiver presente, o tempo de tratamento antibiótico deve ser
estendido. Durante o tratamento da infecção, caso o paciente
seja dependente de estimulação cardíaca artificial, deve ser
mantido marca-passo temporário. O novo dispositivo, permanente, só deve ser implantado após o desaparecimento
de todos os sinais clínicos e laboratoriais de infecção.
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