psicodiagnóstico interventivo como modalidade de

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ISSN 1984-0012
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PSICODIAGNÓSTICO INTERVENTIVO COMO MODALIDADE DE
ATUAÇÃO TERAPÊUTICA: REFLEXÕES A PARTIR DE UM CASO
CLÍNICO
Andréa Martins de Andrade 1
Cássio Eduardo Soares Miranda 2
RESUMO:
Partindo do pressuposto que a intervenção no processo psicodiagnóstico pode propiciar
resultados terapêuticos, o presente estudo objetiva averiguar, por meio da análise de
um caso clínico infantil, como o psicodiagnóstico interventivo pode funcionar como
modalidade de atuação terapêutica. Para tanto, foi realizado um psicodiagnóstico
infantil, envolvendo sete sessões, com realização de entrevista inicial, entrevista de
anamnese, sessões ludodiagnósticas, aplicação do Teste “O Desenho da Figura
Humana – DFH III” e entrevista devolutiva, visando investigação e intervenção nas
dificuldades apresentadas pela criança e por sua família. Os resultados revelaram que o
psicodiagnóstico interventivo pode funcionar como modelo de atuação terapêutica na
medida em que não é utilizado apenas como recurso de avaliação de sinais e sintomas,
mas de intervenções como acolhimento e conscientização de comportamentos
problemas dos analisantes, permitindo que estes saiam da posição passiva de objeto
de estudo e se tornem responsáveis pela busca de mudanças.
Palavras-chave: Psicodiagnóstico interventivo. Ludodiagnóstico. Intervenção familiar.
ABSTRACT:
Psicóloga, Graduada pela Universidade Nove de Julho - UNINOVE/SP, Especialista em Psicopedagogia
pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais - UNILESTE. Especialista em “Clínica Psicanalítica na
Contemporaneidade” – UNILESTE/MG.
2
Psicanalista, Doutor em Estudos Lingüísticos pela UFMG.
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Assuming that their intervention can provide psycho therapeutic results, this study aims
to determine, through analysis of a clinical case of children, as the psycho can work as
interventive modality of therapeutic action. To that end, we conducted a psycho child,
involving seven sessions, with completion of initial interview, anamnesis interview,
ludodiagnósticas sessions, application of the Test "The Human Figure Drawing - HFD III"
and interview feedback session, seeking investigation and intervention in the difficulties
presented by the child and his family. The results revealed that the psycho interventionist
can work as a model of therapeutic action in that it is not only used as a resource
assessment of signs and symptoms, but as host of interventions and awareness of
behavior problems of analysands, allowing them to leave the position passive object of
study and become responsible for seeking change.
Keywords: Interventive psychodiagnostic - ludodiagnóstico - family intervention.
Introdução
O psicodiagnóstico se estabeleceu no Brasil como prática clínica pautado no modelo
médico de atuação. Seus procedimentos visavam a ações observáveis e quantitativas,
devido a sua ênfase na Psicometria, que buscava resultados mais fiéis para aquele
momento histórico. Com o desenvolvimento científico e histórico, o psicodiagnóstico
passou a ser percebido dentro de um referencial terapêutico, associando a investigação
à possibilidade de entendimento dos mecanismos que possivelmente produzem as
doenças, dando origem a uma proposta investigativa e interventiva que propicie
mudanças terapêuticas.
Pensando nas mudanças sofridas no processo psicodiagnóstico, os autores desta
pesquisa têm como objetivo analisar um caso clínico de psicodiagnóstico infantil para
verificar como o psicodiagnóstico interventivo pode funcionar como modalidade de
atuação terapêutica. O presente estudo se justifica pela relevância de perceber o
psicodiagnóstico como um processo que vai além da investigação de sinais e sintomas
e exige intervenções específicas que podem produzir efeitos terapêuticos, que
enriquecem e ampliam a prática profissional do Psicólogo.
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O psicodiagnóstico teve sua origem na conscientização de que as doenças mentais não
eram advindas de castigos divinos ou possessões, mas análogas às doenças físicas
(ANCONA-LOPEZ, 1984). Nasceu da psicologia clínica, que foi iniciada por Linghter
Witmer em 1896, e se fundamentou na tradição médica, produzindo efeitos marcantes
na identidade profissional do psicólogo (CUNHA, 2003).
Influenciado pelo modelo médico, o psicodiagnóstico era realizado por meio de
avaliações psicométricas, que valorizavam os aspectos técnicos da testagem. Foi um
período em que, apenas, utilizavam testes para obter dados que revelassem uma série
de traços ou descrições da capacidade de uma pessoa, desconsiderando suas
características peculiares relacionadas ao contexto total (CUNHA, 2003). O psicólogo
atuava de modo “objetivo”, visando, apenas, ao contato com aspectos parciais da
personalidade humana, não estabelecendo compromissos com suas características
pessoais e afetivas (TRINCA, 1984).
Por muito tempo, o psicodiagnóstico foi percebido como um processo que envolvia a
aplicação de testes como forma de satisfazer a solicitação de outros profissionais, tais
como psiquiatras, neurologistas, pediatras, etc (OCAMPO & COLABORADORES,
1981). Nesse contexto, o processo psicodiagnóstico era visto, somente, como meio de
investigação e levantamento de demandas a serem tratadas posteriormente por outros
profissionais.
Ainda hoje, o psicodiagnóstico é considerado por muitos profissionais como um meio
somente de investigação de sintomas físicos, psíquicos e suas causas. Entretanto é
relevante considerar que esse processo não envolve somente a investigação, mas
também oferece espaço de acolhimento, escuta compreensiva dos problemas e
dificuldades do paciente, além de outras intervenções também consideradas
terapêuticas. Contudo, Paulo (2004) pontua que o psicodiagnóstico permite uma
intervenção eficaz quando possibilita a apreensão da dinâmica intrapsíquica do
paciente, compreensão de sua problemática e intervenção nos aspectos determinantes
dos desajustamentos responsáveis por seu sofrimento psíquico.
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Paulo (2006), em trabalho posterior, destaca que, nas últimas décadas, foi possível
perceber o processo evolutivo do psicodiagnóstico, anteriormente visto somente como
avaliação e investigação com finalidade de encaminhamento. Sobre esse aspecto, os
autores Barbieri (2002), Trinca (2002) e Tardivo (2004) pontuam que, na atualidade,
podem-se encontrar estudos que revelam uma nova concepção de psicodiagnóstico:
além da possibilidade diagnóstica, acrescenta a intervenção terapêutica.
Tal como foi abordado por diversos autores, o psicodiagnóstico vem sofrendo
modificações relevantes nas últimas décadas, o que demanda uma gama maior de
estudos e práticas, que abordem seu desenvolvimento no campo da investigação e
intervenção.
Este estudo objetiva averiguar, por meio da análise de um caso clínico infantil, como o
psicodiagnóstico interventivo pode funcionar como modalidade de atuação terapêutica.
Além disso, busca compreender melhor o psicodiagnóstico, considerando relevante
percebê-lo como um processo que vai além da investigação de sinais e sintomas, mas
que exige enquadre e intervenções específicas que podem produzir efeitos
terapêuticos.
Segundo Andrade (1998), o psicodiagnóstico não demanda somente a aplicação e uso
de provas e testes, cabe ao profissional, o trabalho de investigar o paciente em seus
aspectos biológicos, ambientais e sócio-culturais, para ter dados consistentes no
planejamento de ações. Assim, o diagnóstico constitui um momento fundamental no
processo terapêutico, pois proporciona aquisição de informações relevantes à atuação
profissional.
Andrade (1998) aponta, ainda, que o diagnóstico eficaz e bem sucedido prevê, entre
vários aspectos, o conhecimento das causas das dificuldades do paciente e a
consideração de suas capacidades e aptidões. Também, se faz necessário considerar a
capacidade de observação do terapeuta, o conhecimento sobre a variabilidade de
recursos disponíveis e de medidas a serem tomadas diante de determinados
diagnósticos. Sobretudo, o terapeuta deve ficar atento, não somente ao problema
apresentado diretamente pelo paciente e seus familiares, mas também à busca de
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percepção do problema real, que muitas vezes, é revelado de maneira indireta, no
decorrer do processo diagnóstico.
Analisando os pressupostos de Andrade (1998), é possível perceber a importância da
preparação do profissional que realiza o psicodiagnóstico: ele deve aperfeiçoar-se
técnica e teoricamente para, além de perceber o problema real do paciente, auxiliá-lo
na busca de uma saída possível para a resolução de suas dificuldades.
Alguns profissionais, durante a realização do psicodiagnóstico, podem se defrontar com
a dificuldade de analisar a origem dos problemas do paciente e, posteriormente, intervir
de maneira efetiva, visando à resolução de seus conflitos e dificuldades. Embora essa
dificuldade seja real, autores como Alves, Barbieri & Jacquemin (2007) concluem que,
mesmo percebendo considerável diferença entre as atividades de avaliação diagnóstica
e intervenção, os relatos de experiências de pacientes que se submeteram a entrevistas
e aplicações de testes indicam a possibilidade de se observarem os efeitos terapêuticos
durante o processo de investigação diagnóstica.
Becker (2002) relata que a atitude de prontidão do psicólogo em intervir (sinalizando,
esclarecendo ou resignificando) possibilita que sejam revelados, no paciente, recursos
para compreensão e mudança na condição problema. Paulo (2005) complementa a
hipótese de Becker, afirmando que, em psicodiagnóstico com modalidade interventiva,
o paciente se torna ativo no processo e o profissional compartilha a todo instante da
compreensão do problema apresentado.
Considerando, tal como apontam Anastasi e Urbina (2000), que as condições ideais
para a avaliação diagnóstica devem entrelaçar a diversificação de informações oriundas
de observações, análise das funções mentais e dados da história do analisado, o
psicodiagnóstico, realizado nesse estudo, envolveu entrevistas, anamnese e aplicação
de testes, que buscaram criar condições para que fosse possível detectar e intervir nas
causas prejudiciais ao desenvolvimento global do indivíduo analisado.
Como esse trabalho aborda a análise de um psicodiagnóstico infantil, é relevante frisar
que o seu processo compôs um formato diferente, uma vez que a criança utiliza-se de
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recursos especiais de comunicação. Tal como enfatiza Werlang (2003) e Aberastury
(1962), as atividades lúdicas podem funcionar para a criança como espaço de
comunicação e estruturação de conflitos com possibilidade de elaboração. Em função
disso, atividades lúdicas compuseram o processo.
Em seus estudos, Werlang (2003) descreve que, geralmente, as crianças se expressam
por meio de ações que são realizadas de acordo com suas possibilidades emocionais,
maturacionais, cognitivas e sociais. Portanto, ao realizar um psicodiagnóstico infantil,
cabe ao profissional construir um espaço lúdico que possibilite a comunicação e
compreensão da criança sobre suas fantasias e dificuldades. Considerando, ainda, que
cada criança apresenta características peculiares a depender da idade, os instrumentos
utilizados devem apresentar versões diversas de acordo com a faixa etária e
maturacional que a criança se encontra.
Brenelli (2001) afirma que o jogo e o brincar constituem mediadores importantes de
expressão da criança e têm sido muito utilizados por psicólogos e psicopedagogos na
prática de diagnóstico infantil por permitirem conhecer a realidade da criança. Além de
recurso de expressão para a criança, Lemos (2007) pontua que o brincar atua como
possibilitador de experimentação e se transforma em um mecanismo de produção de si
mesmo que amplia a criação de novos mundos, novas formas de pensar, sentir e agir,
permitindo a elaboração de supostos conflitos inconscientes.
Santa-Rosa (2008) destaca que em psicodiagnóstico infantil a compreensão da família
(cuidador) ocupa um lugar de destaque, considerando que essa é determinante na
constituição da criança e, portanto, deve-se averiguar qual é a sua interferência na
origem do sintoma apresentado pela criança.
Santa-Rosa (op. cit.) destaca, ainda, que, diante das evidências de que as primeiras
relações familiares servem de base para a constituição do psiquismo, é possível haver
influências familiares no surgimento das dificuldades psicológicas infantis. Entretanto,
nas etapas de entrevistas diagnósticas é indispensável a análise da dinâmica familiar e
intervenção nos comportamentos apresentados como problemas, que podem interferir
negativamente no processo de desenvolvimento saudável da criança.
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Ao abordar a importância da intervenção associada à investigação nas etapas iniciais
de uma avaliação diagnóstica, é relevante considerar o que pressupõe Winnicott (1948):
na primeira entrevista podem surgir elementos que demandam tempo para ressurgir
novamente, ressaltando que é possível e não causa danos a realização de intervenção
terapêutica nesse momento. Tal afirmação reforça a importância, nos casos de
psicodiagnóstico infantil, da intervenção terapêutica durante as entrevistas iniciais com
os familiares, quando se busca atuar na modificação da dinâmica familiar que interfere
nos sintomas apresentados pela criança.
2. Metodologia
O Caso Clínico apresentado neste estudo constitui uma experiência clínica vivenciada
pela Psicóloga Andréa Andrade, um dos autores deste artigo. Tal experiência foi eleita
para ser transcrita devido à qualidade e riqueza de suas informações. A construção do
artigo ocorreu com a orientação do autor Psicanalista Cássio Miranda e a utilização dos
dados clínicos para fins científicos se deu mediante a assinatura do termo de
consentimento pelos sujeitos envolvidos na pesquisa.
O método psicodiagnóstico interventivo foi aplicado em uma menina de nove anos e
onze meses, aqui nomeada de Sophie. O processo psicodiagnóstico foi realizado
durante sete sessões, os quais envolveram entrevista inicial, entrevista de anamnese,
sessões ludodiagnósticas, sessão de aplicação do Teste “O Desenho da Figura
Humana – DFH III” e entrevista devolutiva.
O processo psicodiagnóstico infantil aconteceu neste trabalho por meio da investigação
e da intervenção nas dificuldades manifestadas pela criança avaliada e por sua família,
a qual foi representada pela mãe. A atuação interventiva associada à investigação
envolveu uma proposta mais ampla de atuação, enriquecendo a prática profissional do
Psicólogo e gerando efeitos marcantes para os sujeitos desta pesquisa.
2.1. Procedimento
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As primeiras duas sessões do psicodiagnóstico interventivo foram realizadas com a
presença de Sophie e sua mãe. Nelas foram realizadas a entrevista inicial e a entrevista
de anamnese que ocorreram de maneira semidirigida, de forma a possibilitar o
conhecimento sobre a queixa e sobre o histórico da paciente. De acordo com os dados
obtidos nesse período inicial, Sophie apresentava dificuldades nas avaliações
escolares, mesmo não mostrando qualquer entrave no processo de aprendizagem
educacional na escola e em casa.
Para melhor esclarecimento da origem das dificuldades de Sophie, posteriormente ela
foi submetida a três sessões ludodiagnósticas, que buscavam criar um espaço favorável
à estruturação, por meio dos brinquedos e jogos, dos seus conflitos básicos, defesas e
fantasias, para que pudessem ser expressos e trabalhados. Essa possibilidade de
atuação está fundamentada em Aberastury (1962), Brenelli (2001) e Werlang (2003).
O processo de análise dos dados emergentes nas entrevistas iniciais e nas sessões
lúdicas com Sophie indicou a hipótese de não haver atraso no seu desenvolvimento
cognitivo, mas bloqueio emocional, o que comprometia seu desempenho durante as
avaliações escolares. Com o propósito de melhor averiguar a origem das dificuldades
de Sophie foi administrado o teste DFH III na sexta sessão diagnóstica. O DFH III foi
eleito para compor esse processo psicodiagnóstico por ser um teste projetivo,
padronizado para crianças brasileiras na faixa etária de 05 a 12 anos, considerado
como medida de desenvolvimento cognitivo/ conceitual.
Finalizando o processo psicodiagnóstico, a sessão de Entrevista Devolutiva permitiu
que Sophie e sua mãe pudessem avaliar os resultados e refletir sobre as possibilidades
para resolução dos problemas e dificuldades enfrentados por ambas.
3. Relato da experiência: Psicodiagnóstico Interventivo
3.1. Histórico da paciente e queixa
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Sophie foi para o atendimento acompanhada da mãe, a qual se apresentou interessada
e participativa durante todo o processo psicodiagnóstico. O pai não pôde participar por
motivo de trabalho, tal como relatou a mãe. Sophie morava com os pais e uma irmã um
ano mais velha. Seu pai era comerciante e sua mãe dona de casa. Era uma criança que
não apresentava atraso no desenvolvimento motor e nem problemas de saúde.
Segundo a mãe, Sophie é uma criança vaidosa, meiga e gentil, que normalmente
vivenciava bons relacionamentos sociais no contexto escolar e no meio onde vivia. No
que se referia ao relacionamento com a irmã, foi descrito como bom, embora houvesse
alguns desentendimentos que duravam pouco tempo.
Sophie foi encaminhada para o atendimento por indicação da escola, a qual alegou que
era uma menina inteligente, participava das atividades cotidianas do contexto escolar,
porém, apresentava dificuldades durante as avaliações corriqueiras da escola, obtendo
notas abaixo da média exigida para a aprovação. A mãe relatou que antes e durante as
avaliações, Sophie vivenciava momentos de estresse e angústia, inclusive, tinha
desmaiado em casa na manhã de um dia em que faria uma avaliação escolar, mas
despertou rapidamente e, levada ao hospital, o médico examinou e concluiu não
apresentar motivo aparente para a causa do desmaio.
No decorrer da entrevista inicial, a mãe relatou que não entendia a razão da filha
apresentar dificuldades no processo de avaliação escolar, já que ela era uma mãe
presente que acompanhava os estudos da filha, ficando, diariamente, horas estudando
com ela para garantir sua aprendizagem e preparo para a realização das avaliações.
Destacou que se esforçava ao máximo para que sua filha pudesse concluir seus
estudos, coisa que ela sempre desejou para si e foi impedida por seus pais e marido.
A mãe relatou que foi uma excelente aluna e tinha prazer em ir à escola, mas sua mãe,
quando queria castigá-la, a impedia de sair de casa para estudar, até que chegou um
dia em que, definitivamente, não a deixou continuar os estudos. Depois, casou-se
bastante jovem e se dedicou, exclusivamente, ao lar.
Nesse momento do discurso, ocorreu a primeira intervenção. Considerando que o
desejo da mãe em relação à continuidade de sua formação escolar apresentava-se
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latente, pressupôs-se que isso poderia estar sendo direcionado para Sophie em forma
de uma excessiva cobrança no que se referia aos estudos, o que poderia estar
interferindo no seu desempenho durante o processo de avaliação escolar. A mãe,
emocionada, assentiu e tomou consciência de suas cobranças relativas à busca do
sucesso escolar da filha.
3.2. Sessões ludodiagnósticas
No início da primeira sessão ludodiagnóstica, Sophie foi informada de que aquele
espaço poderia ser utilizado para ela realizar a atividade que desejasse e que seria
acompanhada no desenvolvimento da tarefa escolhida. Sophie explorou os materiais
disponibilizados na sala, escolheu desenhar e durante um período de aproximadamente
trinta minutos desenhou em silêncio.
Após o termino do desenho, Sophie relatou que havia feito uma menininha e a sua mãe.
Foi pedido para Sophie falar mais sobre o que havia desenhado e ela respondeu: “a
mãe pediu à menininha para aguar as plantas e ela estava com o regador jogando água
nas florezinhas”. Foi perguntado o que mais e Sophie continuou: “Às vezes, a mãe da
menininha pede a ela pra fazer alguma coisa e ela não faz direito. A menininha quer
impressionar a mãe, mas não consegue, porque tudo acaba dando errado. A mãe da
menininha percebe o esforço dela, sente pena e diz: eu sei que você queria fazer isso
para me agradar e deu errado”.
Diante do relato de Sophie, foi perguntado o que leva a menininha a querer tanto
impressionar a mãe e ela respondeu que gostaria que a mãe ficasse orgulhosa dela.
Continuou dizendo que tudo acabava dando errado, piorando ainda mais as coisas e a
menininha fica envergonhada.
Para que Sophie pudesse se perceber no seu discurso foi perguntado se algum dia
aconteceu com ela alguma situação parecida com a história da menininha. Sophie
respondeu que sim, acrescentando: “muitas vezes”.
Lembrou-se de um dia que
planejou uma apresentação na escola e ensaiou muito porque queria que a sua mãe
ficasse orgulhosa, mas na hora de apresentar, olhou para a mãe em meio às pessoas e
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não conseguiu dizer nada. Sua voz não saía e estava sendo vista por todos da escola,
vivenciando uma situação vergonhosa. Neste momento foi realizada outra intervenção,
pontuando a Sophie a percepção de sua angústia e frustração frente às tentativas mal
sucedidas de impressionar a mãe.
Na segunda sessão ludodiagnóstica, Sophie elegeu a caixa de blocos de madeira (com
ilustração de um castelo na caixa) que estava na estante junto aos brinquedos e jogos.
Durante o processo de montagem do castelo, Sophie apresentava-se tensa e com
excessiva organização das peças, seguindo com precisão a seqüência de montagem
ilustrada na caixa do brinquedo. Ao terminar a montagem, foi realizada outra
intervenção, mostrando para Sophie o seu comportamento rígido durante a atividade.
Sophie respondeu que normalmente procura seguir com cautela qualquer indicação
para não errar.
Foi perguntado a Sophie: “Não se pode errar?” Ela respondeu que até pode errar, mas
quando isso acontece, sua mãe sempre diz que se ela tivesse seguido corretamente as
indicações não tinha acontecido o erro. Foi dito para Sophie a percepção da excessiva
exigência de sua mãe e a frustração que ela vivencia por medo de errar. Sophie teve
um insight, dizendo que tal exigência ocorre até mesmo em relação aos seus estudos,
fazendo com que ela fique com tanto medo de tirar notas baixas e deixar a mãe triste
que, na hora da prova, ela nem consegue lembrar o que estudou.
Na terceira sessão ludodiagnóstica, Sophie chegou tranqüila, mostrou-se comunicativa
e atenta. Ao final desta sessão, a mãe de Sophie ao buscá-la na recepção do
consultório relatou que estava naturalmente diminuindo suas cobranças excessivas em
relação aos estudos da filha e já notava que Sophie apresentava-se mais tranqüila tanto
no que se referia aos estudos, quanto no desenvolvimento de outras atividades ou
brincadeiras. Relatou ainda, que naquela semana Sophie estava em fase de avaliações
e obteve nota máxima em quatro das avaliações realizadas.
3.3. O Teste: O Desenho da Figura Humana – DFH III
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A análise do teste DFH III revelou que Sophie apresenta o desenvolvimento cognitivo/
conceitual
avaliado
entre
a
“Média/
Abaixo
Média”,
comparado
à
amostra
experimentada para validação do teste com faixa etária equivalente a dela. O resultado
obtido foi avaliado dentro da faixa de confiança de 95%. Comparando os resultados
obtidos nos desenhos das figuras feminina e masculina, pode-se observar que Sophie
apresentou 84.5% dos itens esperados, 65.5% dos itens comuns, 31% dos itens
incomuns e 35% dos itens excepcionais, normalmente esperados para a sua idade.
3.4. Entrevista devolutiva
A sessão de Entrevista Devolutiva permitiu que Sophie e sua mãe pudessem analisar o
processo psicodiagnóstico como um todo, apresentando o percurso seguido desde a
Entrevista Inicial até o fechamento do caso. Foi relatado para ambas que a análise do
teste DFH III avaliou que Sophie não apresenta atraso no desenvolvimento cognitivo e
os dados apresentados durante todo o processo diagnóstico mostraram que as
dificuldades vividas por Sophie durante as avaliações escolares pareciam estar
relacionadas a bloqueios emocionais. Esses bloqueios se deviam à maneira que Sophie
vivenciava as cobranças excessivas da mãe, as quais se tornavam fonte de sofrimento
e angústia. Novamente, a mãe de Sophie destacou a redução de suas cobranças em
relação aos estudos da filha e enfatizou as mudanças evidenciadas no processo
escolar.
4. Análise do Caso Sophie
Santa-Rosa (2008), afirma que a família compõe o ambiente determinante no processo
de constituição da criança e pode interferir, sobretudo, no surgimento de problemas.
Faz-se necessário, portanto, a verificação na família do que pode estar interferindo na
origem e manutenção do comportamento problema da criança. Desta forma, é
percebido no caso Sophie que suas dificuldades em obter êxito nas avaliações
escolares estavam intimamente relacionadas à maneira como ela vivenciava as
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cobranças excessivas da mãe, a qual buscava se realizar no sucesso escolar da filha, o
que se tornava em fonte de sofrimento e angústia para Sophie.
Analisando a origem da queixa apresentada, inicialmente, pela mãe de Sophie, foi
imprescindível o trabalho de investigação do problema real, assim como aborda
Andrade (1998). Inicialmente, as dificuldades escolares de Sophie se apresentavam
focadas apenas nela, mas, no decorrer da entrevista inicial, foram aparecendo indícios
de dificuldades existentes na relação mãe/filha. No entanto, a intervenção realizada na
entrevista inicial com a mãe de Sophie pode ter sido importante para o desenrolar do
processo interventivo diagnóstico, auxiliando-a na percepção dos seus desejos
frustrados em relação aos próprios estudos, que a levava a exigir de maneira acentuada
o bom desempenho escolar da filha.
Na entrevista inicial, a mãe, representando o ambiente familiar de Sophie, passou a ter
consciência de como sua postura poderia interferir no comportamento problema da filha
e buscou desenvolver recursos para lidar com o seu próprio desejo frustrado em
relação à continuidade de sua formação escolar, modificando sua postura em relação à
Sophie. Isso comprova a teoria de Winnicott (1948): existe possibilidade de intervenção
profissional efetiva na primeira entrevista diagnóstica.
O conteúdo apresentado durante as sessões ludodiagnósticas confirmou a hipótese
levantada no período de entrevista inicial, de que Sophie vivenciava as cobranças
excessivas da mãe como fonte de sofrimento e isso constituía um bloqueio nos seus
potenciais criativos.
É relevante destacar que o espaço oferecido a Sophie nas sessões ludodiagnósticas
permitiu a tomada de consciência de suas dificuldades e o desenvolvimento de recursos
psíquicos para mudança de sentimentos.
Werlang (2000), Brenelli (2001) e Aberastury (1962) sustentam que as crianças
apresentam características próprias de comunicação e requerem a construção de um
espaço lúdico que permita a expressão por meio de ações. Pôde-se comprovar a teoria
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com a criação do espaço ludodiagnóstico que viabilizou a expressão dos sentimentos
de Sophie.
Na primeira sessão ludodiagnóstica, por meio da construção do desenho e da história,
Sophie expressou sua necessidade de impressionar sua mãe e sua frustração por não
conseguir realizar seus intentos.
A segunda sessão ludodiagnóstica mostrou, por meio de tensão e excessiva
organização na montagem do castelo, a aflição de Sophie e a busca de controle da
situação. Devido à maneira sofrida que vivenciava as exigências da mãe, Sophie tinha
desenvolvido um medo de errar e, por isso, realizava a atividade seguindo de maneira
rígida a indicação.
A intervenção realizada nessa sessão levou Sophie a ter consciência de seus
comportamentos rígidos e possibilitou um insight. Sophie associou as suas dificuldades
nas avaliações escolares com as cobranças da mãe, percebendo que isso gerava nela
sentimentos de medo e ansiedade, o que provocava o bloqueio na lembrança do
conteúdo teórico estudado durante as avaliações escolares.
Por meio da maneira com que lidou com o brincar durante as primeiras sessões
ludodiagnósticas, Sophie não só expressou o seu mundo interno, como também pôde
compreender melhor suas fantasias e dificuldades. Após as primeiras sessões
ludodiagnósticas, Sophie apresentou-se mais tranqüila, evidenciando a diminuição de
suas angústias. Por intermédio do brincar, teve possibilidade de experimentação das
suas vivências e sentimentos, reproduzindo a si mesma e criando novas maneiras de
experimentar o mundo, permitindo, dessa forma, a elaboração de seus conflitos
inconscientes emergentes, tal como destacou Lemos (2007).
Na entrevista devolutiva, ficaram evidentes as mudanças tanto na relação mãe/filha,
quanto no desenvolvimento de ambas. Sobre esse aspecto, é possível pontuar que as
intervenções realizadas durante o processo psicodiagnóstico, tais como o acolhimento
das angústias da paciente e de sua mãe, a escuta compreensiva de suas dificuldades e
conscientização da dinâmica existente na relação mãe/filha funcionaram como um
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suporte emocional e como motor mobilizador de recursos psíquicos de ambas,
auxiliando-as na superação de suas dificuldades.
A administração do teste DFH III auxiliou na compreensão da origem das dificuldades
de Sophie, revelando não haver defasagem de desenvolvimento cognitivo/ conceitual
da paciente. As dificuldades dela foram relacionadas a bloqueios emocionais, assim
como percebido no decorrer das entrevistas.
Com o processo psicodiagnóstico trabalhado com Sophie priorizou-se uma investigação
detalhada
dos
seus problemas. O
resultado
do teste
DFH III
compõe
o
psicodiagnóstico, mas não determina seus resultados. Como aponta Andrade (1998), é
importante não focalizar apenas nos resultados advindos do uso de testes, mas levar
em conta os resultados obtidos por meio de uma análise global do sujeito.
5. Considerações finais
O resultado do psicodiagnóstico do caso Sophie mostrou que o seu desenvolvimento
cognitivo/conceitual foi avaliado na média, considerado como o esperado para sua
idade. Esse dado evidenciado durante o processo de investigação do problema de
Sophie, não se apresentou devido a sua incapacidade de aprendizagem em nível
maturacional, mas porque Sophie vivenciava um bloqueio de ordem emocional que
interferia no seu desempenho durante a realização das avaliações escolares. Acreditase que tal bloqueio tenha surgido como conseqüência da dificuldade que Sophie
apresentava ao lidar com a excessiva exigência da mãe em relação ao seu
comportamento, gerando frustração e angústia.
As intervenções ocorridas durante o processo psicodiagnóstico permitiram que Sophie e
sua mãe pudessem tomar consciência da origem de suas dificuldades e mobilizassem
recursos psíquicos de mudanças. A mãe reconheceu seus desejos frustrados em
relação à continuidade de sua formação escolar e se apropriou da responsabilidade de
satisfação dos próprios desejos, diminuindo suas cobranças em relação ao
comportamento de Sophie.
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Sophie teve uma notável diminuição das defesas e ansiedades, obtendo êxito nas
avaliações escolares realizadas nesse período. Contudo, Sophie e sua mãe foram
encaminhadas para assistência psicológica, com intuito de continuar o trabalho das
questões emocionais apresentadas no psicodiagnóstico.
Ao associar a atuação interventiva à investigação no decorrer deste trabalho, tornou-se
possível o desenvolvimento de uma proposta mais completa de atuação, o que
enriqueceu a prática profissional do psicólogo, ao mesmo tempo em que produziu
efeitos positivos para a vida dos sujeitos envolvidos na pesquisa. Esse fato propiciou a
reflexão crítica sobre os aspectos diversos dos problemas emergentes e contribuiu para
a busca de soluções possíveis para tais problemas.
Através da análise do caso Sophie, foi possível perceber que o psicodiagnóstico pode
funcionar como modelo de atuação terapêutica na medida em que não é utilizado
apenas como recurso de avaliação de sinais e sintomas, mas como um processo que
envolve
a
compreensão
das
dificuldades,
acolhimento,
esclarecimento
e
conscientização de comportamentos problemas. Por meio de tais intervenções, que
podem ser consideradas terapêuticas, o paciente tem a possibilidade de sair da posição
passiva de apenas objeto de investigação e tornar-se responsável pelas próprias
mudanças, com a mobilização de recursos próprios para busca de transformação.
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