quimicalização

Propaganda
POLÍTICAS PÚBLICAS
E
PATOLOGIZAÇÃO DA VIDA:
TECNICISMO, PRIVATISMO E
“QUIMICALIZAÇÃO”
COMO PROJETO
DE SOCIEDADE
Inês Barbosa de Oliveira (UERJ)
[email protected]
DE
ONDE PARTIMOS
A medicalização, manifestação específica da
patologização, como ato político de atendimento a
interesses econômicos e político-sociais de
reprodução social.
 A mão de obra “flexível”, dócil e disciplinada e o
aumento indefinido da produtividade: a tolerância
ao estresse e a educação das massas.
 Os laboratórios farmacêuticos e os medicamentos
de “ajuda”: geração Prozac-Lexotan, ritalina e
assemelhados.

POR QUE É PRECISO DESPATOLOGIZAR A VIDA?
A DIMENSÃO POLÍTICA DA DESPATOLOGIZAÇÃO
Despatologizar é revalorizar a diversidade
individual e social, investindo no direito à
diferença.
 Despatologizar é apostar na igualdade de direitos
sociais de diferentes sujeitos e grupos sociais: a
questão do direito à educação.
 Despatologizar é investir nas felicidades possíveis
e na construção de relações de autoridade
partilhada entre sujeitos, conhecimentos, crenças
e valores!

SITUANDO
SÓCIO-HISTÓRICA E
POLITICAMENTE O DEBATE

Elementos de compreensão dos embates sociais
globais e seus fundamentos políticos e econômicos:
capitalismo e colonialismo, identidades locais e
poder econômico na patologização da diferença.
Produção e manifestações do elitismo
excludente no Brasil

Os processos de produção e legitimação
tecnicista/patologizante da exclusão social: a
preguiça “endêmica” do povo, a miscigenação e a
inferioridade racial e as incapacidades cognitivas.
O CENÁRIO SOCIOPOLÍTICO ATUAL E AS
POLÍTICAS PÚBLICAS PATOLOGIZANTES


O retorno em força do conservadorismo político,
econômico e social: padronização e patologização
da vida e da diferença.
A faceta tecnicista do conservadorismo:
a naturalização da ideologia hegemônica;
 desresponsabilização política e tecnicização
economicista da compreensão dos fenômenos sociais;
 o “organicismo” como explicação de comportamentos
sociais: a sociopatia e as patologias “socio-orgânicas”
(comportamentais).

ORGANICISMO E FUNCIONALISMO NA PRODUÇÃO
SOCIAL DA INFERIORIDADE “NATURAL”


O funcionalismo sociológico como organicismo:
hierarquias sociais e explicações científicas
naturalizantes dos processos sociais.
Das diferenças “naturais” às desigualdades sociais
e à patologização da diferença.
A mulher e a emoção x o homem e a razão.
 A heterossexualidade “natural” e seus outros.
 Brancos, negros e indígenas: a questão dos processos
civilizatórios e a inferioridade do “selvagem”.
 Os défices “naturais” e as soluções “sociais” para
eles: civilização, disciplinamento e controle.

POLÍTICAS EDUCACIONAIS PRIVATISTAS E
MERITOCRÁTICAS NA PRODUÇÃO E LEGITIMAÇÃO
DA HIERARQUIZAÇÃO SOCIAL



Padronização curricular: protocolos e treinamentos
e os grandes interesses mercantis em jogo na
produção de “índices” de rendimento escolar.
O produtivismo capitalista e o rendimento máximo
como critério de qualidade contra a escola pública
de qualidade para todxs como direito universal.
O avaliacionismo e as metas de aprendizagem
(travestidas em direitos) como controle curricular e
a legitimação dos padrões de formação e da
exclusão de sujeitos e de seus conhecimentos.
A MERITOCRACIA COMO MEIO DE PRODUÇÃO E
LEGITIMAÇÃO DA EXCLUSÃO SOCIAL

A responsabilização das vítimas na produção ativa da
exclusão social: contra a compreensão social dos
“défices” na defesa da “igualdade de oportunidades”.
A PATOLOGIZAÇÃO DAS DIFERENÇAS COMO
EXPLICAÇÃO PARA O FRACASSO
O individualismo e o invisibilização das questões
sociais envolvendo as diferenças.
 A diferença como desvio e a solução médica na
anulação da compreensão social dos “transtornos”.
 A suposta neutralidade do pensamento e da ação
hegemônicas na normalização de comportamentos
para a normatização das aprendizagens.
 A não-aprendizagem como fenômeno individual a
ser “tratado”: correção de desvios em prol da
normalidade viabilizadora do sucesso.

AS POLÍTICAS MERITOCRÁTICAS E PRIVATISTAS E
SUA EXPRESSÃO “MÉDICA”
Diagnósticos, laboratórios farmacêuticos e
exclusão social.
 As causas orgânicas do fracasso individual:
défices de atenção e de inteligência e a produção
da invisibilidade dos processos e causas sociais.
 Explicações sociais tecnicistas e
responsabilização da vítima: subnutrição,
despreparo familiar e as novas explicações para
a produção da exclusão social.

A BNCC E AS POLÍTICAS CORRELATAS: PRIVATISMO E
MERITOCRACIA E OS PROCESSOS DE MEDICALIZAÇÃO
Os interesses de reprodução social na
padronização curricular: mercantilização de
currículos e formação padronizada de cidadãos
enquadrados na promoção da patologização dos
comportamentos sociais autônomos e diferentes:
os “desviantes”.
 O apagamento das diferenças regionais e sociais e
a responsabilização individual (gestores, docentes
famílias e estudantes) pelas aprendizagens abrindo
a porta para a patologização/medicalização do
fracasso escolar.

OS TEXTOS DAS POLÍTICAS E A PRODUÇÃO ATIVA
DA EXCLUSÃO PELA INVISIBILIZAÇÃO DA SUA
DIMENSÃO SOCIAL
A responsabilização dos gestores e a política de
invisibilização/exclusão do “socialmente difícil” por
meio da patologização do comportamento não
enquadrável dos “desviantes”.
 A responsabilização docente pelo sucesso escolar
e o abandono dos alunos com dificuldade calcada
nas “incapacidades diagnosticadas”.
 A responsabilização do aluno pelo sucesso escolar
e as “cabeças ruins para o estudo”: turmas de
aceleração e a maquiagem dos resultados
escolares na produção de índices.

A POLÍTICA DE CULPABILIZAÇÃO DAS VÍTIMAS
PELA PATOLOGIZAÇÃO DAS DIFERENÇAS: TUDO
QUE ESTÁ FORA DA NORMA É ERRO DO SUJEITO
O diretor não é um bom líder. O diretor não se
interessa pelo pedagógico. O diretor é mau
gestor de recursos (humanos e materiais).
 O professor é mal formado. O professor só se
repete. O professor abandona os mais frágeis.
 Os pais não sabem a importância da escola. Os
pais não entendem o valor das aprendizagens
escolares. Os pais não se interessam pela vida
escolar de seus filhos.
 Os alunos não se interessam pelo estudo. Os
alunos têm dificuldades de aprendizagem. Os
alunos têm problemas.

DA PATOLOGIZAÇÃO À MEDICALIZAÇÃO DO
ALUNO EM SITUAÇÃO DE FRACASSO ESCOLAR

Medicar a desobediência como mecanismo de
produção da docilidade. (desinteresse, autonomia,
dificuldades sociais, pertencimentos culturais,
modelos educativos alternativos como patologia).


“Seu filho é muito voluntarioso”. “Já sei a quem ela
puxou!”
Medicar a desatenção como mecanismo de
controle da atenção sem precisar produzir
interesse e diálogo ou mudar a instituição.

A professora de francês e a bolinha de papel.
INSTITUIÇÕES HIPERPASSIVAS E ALUNOS
HIPERATIVOS

Medicar a hiperatividade sem interrogar a produção
social e institucional da criança hiperativa.
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