MPB0312 - Unitau

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XVII Encontro de Iniciação Científica
XIII Mostra de Pós-graduação
VII Seminário de Extensão
IV Seminário de Docência Universitária
16 a 20 de outubro de 2012
INCLUSÃO VERDE: Ciência, Tecnologia e
Inovação para o Desenvolvimento Sustentável
MPB0312
CARACTERIZAÇÃO DA MICROBIOTA DE CITOLOGIAS
ESFOLIATIVAS DE UM MUNICÍPIO DO LITORAL NORTE
PAULISTA
TATIANE BARBOSA MACHADO
ELIANA DE AVELLAR
MARIA CECÍLIA BARBOSA DE TOLEDO
ANA CRISTINA GOBBO CÉSAR
[email protected]
ESPEC ANÁLISES CLÍNICAS DOENÇAS INFECCIOSAS
UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ
ORIENTADOR(A)
ANA CRISTINA GOBBO CESAR
UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ
CARACTERIZAÇÃO DA MICROBIOTA DE CITOLOGIAS ESFOLIATIVAS
DE UM MUNICÍPIO DO LITORAL NORTE PAULISTA1
Tatiane Barbosa Machado2
Eliana de Avellar3
Maria Cecília Barbosa de Toledo4
Ana Cristina Gobbo César5
Resumo
A microflora vaginal representa um dos mais importantes mecanismos de defesa da
função reprodutora, mantendo o meio saudável e impedindo a proliferação de microorganismos estranhos à mesma. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a
microbiota vaginal no município de Ubatuba, SP. As informações sobre os microorganismos Lactobacilos sp (bacilos de Dodërlein), cocos, bacilos, Gardnerella
vaginalis, Candida sp, Trichomonas vaginalis, Actinomices sp, Chlamydia trachomatis
e alterações celulares sugestivas da presença do vírus Herpes foram obtidas a partir de
92.394 exames de Papanicolaou realizados de janeiro de 2003 a dezembro de 2011.
Foram consideradas apenas as amostras satisfatórias. Para cada ano foram calculados a
média e o desvio-padrão de cada variável analisada, aplicando o teste ANOVA one-way
p<0,0001. Para identificar a evolução das alterações ao longo do período avaliado foi
realizada a regressão linear (p<0,05); ambos os testes estão disponíveis no GraphPad
Prisma 5.1. A comparação da incidência dos micro-organismos observados, nos anos
avaliados, demonstrou valores significativamente diferentes para Lactobacilos sp,
cocos, bacilos, Candida sp, Chlamydia trachomatis, Trichomonas vaginalis e
Gardnerella vaginalis apresentando, respectivamente, F=6,56 (p<0,0001); F=16,50
(p<0,0001); F=29,52 (p<0,0001); F=8,00 (p<0,0001); F=26,76 (p<0,0001); F=6,96
(p<0,0001) e F=15,75 (p<0,0001). Os resultados da regressão linear demonstraram um
decréscimo nos casos de inflamação (r2=0,83; p=0,0006), cocos (r2=0,85; p=0,0003),
bacilos (r2=0,81; p=0,0008), Chlamydia trachomatis (r2=0,82; p=0,0008), Trichomonas
vaginalis (r2=0,63; p=0,0102) e Gardnerella vaginalis (r2=0,44; p=0,0486) no período
estudado. Conclui-se que a presença constante de lactobacilos nos esfregaços avaliados,
manteve o pH ácido, impedindo e/ou dificultando o estabelecimento de processos
inflamatórios causados por outros micro-organismos.
Palavras-chave: Papanicolaou; Microbiota; Citologia; Esfregaço.
CHARACTERIZATION MICROBIOTA EXFOLIATIVE CYTOLOGY OF A
CITY NORTHERN COAST PAULISTA
______________________________________________________________________
_____
1
MPG – Mostra de Pós-Graduação
2
Pós-graduanda (especialização lato sensu) em Análises Clínicas – UNITAU,
[email protected]
3
Médica e proprietária do LABCIT, Ubatuba (SP)
4
IBB-UNITAU, [email protected]
5
IBB-UNITAU e IFSP-Campus Bragança Paulista, [email protected]
1 INTRODUÇÃO
A microflora vaginal representa um dos mais importantes mecanismos de defesa
da função reprodutora, mantendo o meio saudável e impedindo a proliferação de microorganismos estranhos à mesma (LINHARES, GIRALDO, BARACAT, 2010). Contudo,
os processos infecciosos na vagina devidos a micro-organismos são muito comuns. As
vulvovaginites são, em grande parte, causadas por protozoários, leveduras, bactérias
e/ou vírus.
A secreção vaginal é uma resposta fisiológica do organismo feminino e quando
não existe processo patológico envolvido, apresenta-se de cor clara ou branca, sendo
composta de líquidos cervicais, variando na quantidade e no aspecto, dependendo do
período do ciclo menstrual (ZIMMERMMANN et al., 2009). O mecanismo fisiológico
de defesa do trato genital feminino mais importante contra as vaginites é a microbiota
láctica, caracterizada pela presença de lactobacilos (bacilos de Dodërlein), que
constituem um grupo heterogêneo de bactérias encontradas nas secreções cérvicovaginais e, na sua maioria, correspondem a Lactobacillus acidophilus. Os lactobacilos
são predominantes no meio vaginal, determinando pH ácido (3,8 a 4,5), o que inibe o
crescimento de várias outras bactérias potencialmente nocivas à mucosa vaginal. Além
disso, o fluido vaginal tem atividade seletiva antimicrobiana contra espécies bacterianas
não residentes (CARVALHO, 2005; ZIMMERMMANN et al., 2008).
Durante o período reprodutivo, há grande aporte de glicogênio nas células
epiteliais da vagina, estimuladas pela presença de estrógenos. Este glicogênio é
metabolizado pelos lactobacilos para formação de ácido láctico, o qual inibe o
crescimento de outras espécies bacterianas, principalmente patogênicas e constitui o
principal mecanismo de defesa local (REDDY et al., 2008). Dentre as principais causas
de processos inflamatórios e/ou infecciosos na vagina estão a vaginose bacteriana,
candidíases e tricomoníases, representando cerca de 90% das desordens de origem
infecciosa no trato genital feminino (ADAD et al., 2001). Estes três micro-organismos
apresentam prevalência de 22%, 9% e 2%, respectivamente, em mulheres de 15 a 49
anos de idade atendidas em um programa de saúde da família. A prevalência de
vaginites é, em média, de 24%, porém este dado pode variar conforme a população
estudada (BARCELOS, 2008).
A vaginose bacteriana é considerada atualmente a infecção vaginal de maior
prevalência em mulheres em idade reprodutiva. Essa síndrome polimicrobiana pode ser
definida como uma alteração da microbiota vaginal normal caracterizada pela
substituição de lactobacilos normalmente predominantes, por uma flora composta
principalmente por bactérias anaeróbias estritas e facultativas como a Gardnerella
vaginalis, Prevotella sp, Bacteroides sp, Mobiluncus sp e Peptostreptococcus sp
(HILLER et al., 1999).
A Gardnerella vaginalis é o agente patogênico central desta condição clínica
(WANG, 2000), com características morfológicas de cocos-bacilos, curtos, Gramvariáveis, pleomórficos, não capsulados, imóveis e anaeróbicos facultativos
(OLIVEIRA et al., 2008).
As características clínicas inerentes ao processo fornecem alguns subsídios para
o diagnóstico de vaginose bacteriana, caracterizada por corrimento vaginal brancoacinzentado em pequena quantidade; pH > 4,5; desprendimento de aminas aromáticas
com odor semelhante a “peixe podre” ao adicionar duas gotas de KOH 10% ao
conteúdo vaginal; presença ao exame bacterioscópico e citopatológico de clue cells
(VARGAS e MANFREDINI, 2011). Os mecanismos de transmissão da vaginose
bacteriana ainda não estão claros. Algumas evidências sugerem a infecção do trato
urinário como resultado da colonização vaginal por organismos retais, porém fatores
extrínsecos como a alta freqüência de coitos, a utilização do dispositivo intrauterino
(DIU), espermicidas, antibióticos de largo espectro e o hábito de usar duchas vaginais
têm sido associados ao aumento desta infecção (SANTOS et al., 2006; GIRALDO et al.,
2007; TANAKA et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2007; RIBEIRO et al., 2007).
Não é considerada uma doença sexualmente transmissível, uma vez que o
tratamento do parceiro não diminui a frequência ou o intervalo das recorrências, mas
acomete as mulheres com maior número de parceiros sexuais, sendo rara nas
sexualmente inativas (PORTO, 2000). A sua estimativa de freqüência varia de 10% a
30%, com ocorrência em jovens com dois ou mais parceiros sexuais nos últimos 30 dias
(TANAKA et al., 2007). Para a mulher é incômodo o fluxo patológico que pode
prejudicar sua vida sexual e poderá associar-se a trabalho de parto prematuro, quando
identificado em gestantes (GIRALDO, 2005; McDONALD, BROCK, LEHURST,
PARSONS, 2006; ZIMMERMMANN et al., 2008; SCHWEBKE, 2009).
A candidíase é o segundo tipo mais comum de vulvovaginite. É uma infecção
causada por uma levedura blastoforada (incluindo a Candida albicans, Candida
glabrata, Candida krusei e Candida tropicalis) frequentemente encontrada ao nível da
vulva, da vagina e mais raramente do colo (VARGAS e MANFREDINI, 2011). Estimase que 75% das mulheres em idade reprodutiva já tiveram algum episódio de infecção
por Candida sp, 40% a 45% destas tiveram recorrência e 10% a 20% apresentaram
complicações (BATTAGLIA et al., 2005). A Candida albicans está presente como
microbiota vaginal normal em 15% a 20% das mulhres adultas saudáveis e em 30% a
40% das grávidas (STEBEN, 2000). Nos Estados Unidos, a incidência de vaginite
micótica dobrou entre 1989 e 1990, coincidindo com aumento de 80% no uso de
antimicóticos no mesmo período (EYLER, PIERSON, REED, 1996).
Vários fatores podem estar relacionados à infecção por Candida sp (GIRALDO
et al., 2005), pois a transmissão não é exclusivamente sexual. O tratamento com
antibióticos e corticosteróides, diabetes mellitus, gestação e imunossupressão são alguns
dos fatores de risco para o estabelecimento desta vulvovaginite. Outros fatores
apontados na literatura são o uso de anticoncepcionais orais, dispositivo intra-uterino
(DIU), sexo oral, alta ingestão de carboidratos e estresse (EHRSTRÖM et al., 2005),
uso de roupas íntimas sintéticas e justas e obesidade (VARGAS e MANFREDINI,
2011) .
Os sinais e sintomas mais comuns da candidíase são prurido, ardor, presença de
um corrimento esbranquiçado, vulva e vagina edemaciadas e hiperemiadas. Os
esfregaços exibem as duas formas assumidas pelos fungos, os esporos e os filamentos.
O tratamento consiste de antimicóticos, entretanto, deve-se tentar tratar as causas da
candidíase para evitar as recidivas (BRASIL – MANUAL DE DST, 2009).
A tricomoníase é uma infecção causada pelo protozoário flagelado Trichomonas
vaginalis. Sua principal forma de transmissão é a sexual. O risco de transmissão por ato
é de 60% a 80%. Pode permanecer assintomática no homem e, na mulher,
principalmente após a menopausa. Na mulher, pode acometer a vulva, a vagina e a
cérvice uterina, causando cervicovaginite, caracterizada por corrimento abundante,
amarelado ou amarelo esverdeado, bolhoso; prurido e/ou irritação vulvar; dor pélvica;
sintomas urinários como disúria e polaciúria; hiperemia da mucosa, com placas
avermelhadas; teste de Schiller com aspecto “tigroide”. O achado deste protozoário em
uma citologia oncológica de rotina impõe o tratamento da mulher e também do seu
parceiro sexual, já que se trata de uma DST (MACIEL et al., 2004; BOWDEN e
GARNETT, 2005; BATISTA, 2005; MICHEL, 2006).
Outros micro-organismos podem ser identificados nos esfregaços cérvicovaginais tais como Actinomices sp e Chlamydia trachomatis, além de alterações
celulares sugestivas da presença do vírus Herpes e do Papiloma Vírus Humano (HPV).
A técnica de Papanicolaou é usada comumente como teste de triagem para detectar
lesões pré-neoplásicas do colo uterino. O sucesso das triagens citológicas para câncer
cervical tem feito desta técnica um procedimento de rotina (PINHO e FRANÇAJUNIOR, 2003). Em relação ao diagnóstico da vaginite bacteriana, a validade do
método de Papanicolaou é controversa e estimula a realização de estudos comparativos
com o intuito de definir o seu grau de confiabilidade (HASENACK et al., 2008).
Como uma análise preliminar dos dados coletados, o objetivo deste trabalho foi
caracterizar o microbiota, identificado por meio do exame preventivo de Papanicolaou
realizado durante o período de 2003 a 2011, no município de Ubatuba, SP.
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Caracterização da amostra
As informações sobre os micro-organismos Lactobacilos sp (bacilos de
Dodërlein), cocos, bacilos, Gardnerella vaginalis, Candida sp, Trichomonas vaginalis,
Actinomices sp, Chlamydia trachomatis, e alterações celulares sugestivas da presença
do vírus Herpes foram obtidas a partir de 92.394 laudos dos exames de Papanicolaou
realizados durante o período de janeiro de 2003 a dezembro de 2011, cujas as lâminas
foram processadas e analisadas no Laboratório de Anatomia Patológica e Citopatologia
- LABCIT, localizado no município de Ubatuba, SP. Dos 92.394 exames de
Papanicolau realizados, aproximadamente 40.376 amostras (43,7%) foram consideradas
com qualidade satisfatória, segundo os critérios do sistema de Bethesda (GOMPEL &
KOSS, 1997). A idade média das pacientes foi de 34,33±12,9 com idade mínima de 10
anos e máxima de 84 anos.
Não foi realizado exame clínico e nem abordagem das pacientes, por tratar-se de
um estudo retrospectivo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com
Seres Humanos da UNITAU, com protocolo n°186/08.
2.2 Método de análise
Foram consideradas apenas as amostras satisfatórias, aquelas em que o esfregaço
contém células em quantidade representativa, bem distribuídas, fixadas e coradas, de tal
modo que sua visualização permita uma conclusão diagnóstica. As amostras foram
avaliadas independente da idade e etnia das pacientes.
Para cada ano foram calculados a média e o desvio-padrão para o diagnóstico de
esfregaço satisfatório, presença de inflamação e dos micro-organismos Lactobacilos sp
(bacilos de Dodërlein), cocos, bacilos, Gardnerella vaginalis, Trichomonas vaginalis,
Candida sp, Actinomices sp, Chlamydia trachomatis e alterações celulares sugestivas da
presença do vírus Herpes aplicando o teste ANOVA one-way p<0,0001. Para identificar
a evolução das alterações estudadas ao longo do período avaliado foi realizada a
regressão linear (p<0,05); ambos os testes estão disponíveis no software GraphPad
Prisma 5.1.
3 RESULTADOS
As variações detectadas nas diferentes variáveis analisadas, para todos os anos
avaliados, podem ser observadas na tabela 1.
Tabela 1 – Valores de média e desvio-padrão observados em esfregaços satisfatórios, esfregaços com
processo inflamatório e de esfregaços com a presença de diferentes micro-organismos observados nas
citologias esfoliativas realizadas durante o período de 2003 a 2011, no município de Ubatuba, SP.
2003
2004
2005
2006
Anos
2007
2008
2009
2010
2011
209.3±
36.73
167.0±
39.04
146.9±
23.02
198.2±
43.31
239.4±
39.76
273.5±
41.62
232.3±
38.72
196.3±
42.25
196.5±
33.90
Inflamação
238.3±
41.37
237.3±
42.85
203.3±
33.17
224.3±
30.86
226.4±
34.40
194.3±
31.40
162.4±
31.83
132.5±
25.07
129.3±
23.14
Lactobacilos sp
195.7±
39.35
166.3±
24.99
149.1±
25.83
151.6±
21.54
178.4±
27.45
175.8±
29.44
160.8±
30.05
138.9±
29.36
143.0±
22.82
Cocos
64.67±
15.92
75.50±
14.12
62.67±
11.13
66.25±
11.29
60.17±
15.62
46.42±
11.26
47.50±
13.53
38.42±
6.317
32.83±
10.35
Bacilos
58.83±
22.61
65.33±
16.99
49.00±
9.91
67.42±
12.42
50.17±
13.09
34.92±
10.63
30.58±
6.27
21.67±
4.27
14.00±
7.34
Candida sp
2.41±
2.06
0.33±
0.88
0.50±
0.67
0.25±
0.45
0.41±
0.90
0.41±
0.79
0.41±
0.51
0.41±
0.66
0.0±0.0
Actinomices sp
0.0±0.0
0.08±
0.28
0.08±
0.28
0.16±
0.38
0.16±
0.38
0.0±0.0
0.0±0.0
0.0±0.0
0.16±
0.38
Chlamydia trachomatis
36.67±
8.62
47.92±
14.43
29.75±
10.52
24.75±
6.29
28.08±
8.75
23.67±
5.77
20.33±
7.31
13.67±
5.95
11.50±
7.77
Trichomonas vaginalis
0.83±
1.03
1.33±
1.15
0.50±
0.67
0.08±
0.28
0.33±
0.49
0.08±
0.28
0.0±0.0
0.0±0.0
0.08±
0.28
Sug.Vírus Herpes
0.0±0.0
0.08±
0.28
0.0±0.0
0.16±
0.38
0.25±
0.45
0.08±
0.28
0.0±0.0
0.0±0.0 0.0±0.0
Gardnerella vaginalis
42.67±
12.98
47.00±
15.05
46.08±
13.15
49.67±
12.54
59.17±
14.94
47.83±
13.70
27.92±
7.64
21.92±
7.66
Diagnósticos
Satisfatório
A comparação da incidência dos diferentes micro-organismos observados nos
exames de citologia esfoliativa, durante os anos avaliados, demonstrou valores
significativamente diferentes para Lactobacilos sp (bacilos de Dodërlein), cocos,
bacilos, Candida sp, Chlamydia trachomatis, Trichomonas vaginalis e Gardnerella
vaginalis apresentando, respectivamente, F=6,56 (p<0,0001); F=16,50 (p<0,0001);
22.92±
6.61
F=29,52 (p<0,0001); F=8,00 (p<0,0001); F=26,76 (p<0,0001); F=6,96 (p<0,0001) e
F=15,75 (p<0,0001). Os valores obtidos para Actinomices sp e para as alterações
celulares sugestivas da presença do vírus Herpes, não apresentaram valores
significativos (Figura 1).
Figura 1 – O crescimento médio, desvio-padrão e valores máximos e mínimos dos esfregaços
satisfatórios, esfregaços com inflamação e diagnóstico de Lactobacilos sp (bacilos de Dodërlein), bacilos,
cocos, Candida sp, Chlamydia trachomatis, Trichomonas vaginalis e Gardnerella vaginalis, durante o
período de 2003 a 2011, no município de Ubatuba, SP.
20
03
20
04
20
05
20
06
20
07
20
08
20
09
20
10
20
11
Número de casos
20
03
20
04
20
05
20
06
20
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20
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20
10
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20
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20
09
20
10
20
11
Número de casos
60
40
20
Número de casos
20
03
20
04
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05
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07
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20
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11
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10
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11
Número de casos
100
50
Número de casos
20
03
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04
20
05
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06
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11
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03
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20
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20
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07
20
08
20
09
20
10
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11
Número de casos
200
100
Número de casos
20
03
20
04
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05
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20
11
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20
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06
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07
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08
20
09
20
10
20
11
Número de casos
300
200
100
Número de casos
400
Satisfatório
400
Inflamação
300
150
0
80
0
Ano
300
200
100
0
0
Ano
Ano
Lactobacilos sp
150
Bacilos
100
50
0
0
Ano
Ano
Cocos
8
Candida sp
6
4
2
0
Ano
Ano
Chlamydia trachomatis
5
Trichomonas vaginalis
4
3
2
1
0
Ano
Ano
100
Gardnerella vaginalis
80
60
40
20
0
Os resultados da regressão linear demonstraram que ocorreu um decréscimo nos
casos de inflamação (r2=0,83; p=0,0006), cocos (r2=0,85; p=0,0003), bacilos (r2=0,81;
p=0,0008), Chlamydia trachomatis (r2=0,82; p=0,0008), Trichomonas vaginalis
(r2=0,63; p=0,0102) e Gardnerella vaginalis (r2=0,44; p=0,0486) nos esfregaços
avaliados no período estudado.
4 DISCUSSÃO
O equilíbrio do ecossistema vaginal é mantido por complexas interações entre a
flora vaginal dita normal, os produtos do metabolismo microbiano, o estado hormonal e
a resposta imune do hospedeiro (GIRALDO et al., 2005). No trato genital feminino, a
flora normal da vagina é grandemente influenciada pelos hormônios sexuais como o
estrógeno. O aumento nos níveis desse hormônio influenciam o acúmulo de glicogênio
nas células que revestem a vagina, colaborando com a acidificação do pH cérvicovaginal. Alterações no pH do trato genital feminino podem levar a inflamação da vagina
(TORTORA et al., 2005). Estes processos inflamatórios podem ser acompanhados por
processos infecciosos causados por agentes microbiológicos (RIBEIRO et al., 2007).
No período de 2003 a 2011 foi possível identificar um declínio nos casos de
inflamação cérvico-vaginal causadas por cocos, bacilos, Gardnerela vaginalis,
Trichomonas vaginalis e Chlamydia trachomatis. Este resultado é reforçado pela
presença constante de lactobacilos, também denominados bacilos de Dodërlein, os
micro-organismos responsáveis pela manutenção da acidez do pH cérvico-vaginal. Nos
trabalhos desenvolvidos por Lara et al. (1999) e Ribeiro et al. (2007), as prevalências
totais de infecções por Gardnerella vaginalis, Candida sp e Trichomonas vaginalis
foram 14,1%, 6,9% e 1,1%, respectivamente.
Especificamente no caso de vaginose bacteriana causada por Gardnerella
vaginalis, vários autores têm identificado uma prevalência variável de 0,7% (SILVA
FILHO, 2004) a 48,4% (GUERREIRO et al., 1986), com maioria dos estudos com
índices acima de 20% (SALAZAR MORALES et al., 1997; TOLOI, FRANCESCHINI,
1997; ADAD et al., 2001; DI BARTOLOMEO et al., 2002).
De acordo com Vargas e Manfredini (2011), a infecção por Gardnerella
vaginalis foi a mais prevalente entre as pacientes de todas as faixas etárias estudadas,
entretanto os autores constataram que a infecção diminuiu progressivamente com o
avanço da idade das mulheres. Os valores observados foi 13% para este microorganismo, semelhante ao trabalho realizado no município de Presidente Dutra, estado
do Maranhão, onde foi encontrado 13,75% (SILVA et al., 2004). Estes últimos autores,
também identificaram prevalências de 7,74% e 5,31% para Candida sp e Trichomonas
vaginalis, respectivamente. Na pesquisa realizada no Parque Indígena do Xingu/Brasil
para rastrear o câncer de colo uterino foi encontrado percentuais de 14%, 13% e 1%
para os micro-organismos G. vaginalis, T. vaginalis e Candida sp (TABORDA, 2000).
O fungo Candida sp pode vir a proliferar, quando ocorre a diminuição dos
lactobacilos de Dodërlein e alteração de pH vaginal, favorecendo o aparecimento de
vulvo-vaginite sendo também importante na etiologia da vaginose bacteriana (SANTOS
et al., 2006).
5 CONCLUSÃO
Conclui-se que a manutenção dos níveis de lactobacilos de Dodërlein nos
esfregaços avaliados por este estudo, são os responsáveis por manter o pH ácido, de
forma a impedir e/ou dificultar o estabelecimento de processos inflamatórios causados
por agentes microbiológicos.
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