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Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – CESCAGE
http://www.cescage.edu.br/revistanutrir
ISSN: 2358-2669 / Vol. I nº 1 / Jan – Jul / 2014
EDUCAÇÃO NUTRICIONAL PARA PRÉ- ESCOLARES:
A HORTA ESCOLAR COMO FERRAMENTA DE ENSINO
Milena Maia Kock¹
Damaris Godoy Leite²
RESUMO: A educação nutricional é uma ferramenta básica para incentivar a
alimentação saudável, de forma que resulta na melhora da saúde dos indivíduos a
médio e longo prazo. O objetivo desse trabalho foi aplicar educação nutricional para
pré-escolares utilizando a horta escolar como ferramenta de ensino. O trabalho foi
realizado com 65 crianças em fase pré – escolar com idade entre 4 anos e 11meses
matriculadas no Infantil V. As atividades foram realizadas em dias diferentes
totalizando seis atividades com duração de sessenta minutos cada. Para finalizar o
trabalho foi entregue uma cartilha com todas as atividades realizadas para os pais
e/ou responsáveis e um questionário para avaliar a motivação dos alunos para as
atividades de educação nutricional. A primeira atividade aplicada foi a montagem da
pirâmide nutricional colocando os alimentos no lugar adequado, onde 85% dos préescolares colocaram os alimentos no grupo correto, 15% não acertaram. Na
segunda atividade os alunos conheceram a horta escolar, onde 70% dos alunos
reconheceram as hortaliças pela observação. Nas atividades de plantio, cultivo e
colheita das hortaliças, 100% dos pré-escolares participaram. A atividade de
montagem do sanduíche natural envolveu 100% dos alunos, sendo que 90%
consumirão toda a porção oferecida do sanduíche, 60% repetiram a porção e 10%
não consumiram. O questionário respondido pelos pais e/ou responsáveis mostrou
interesse de 97% dos pré- escolares em experimentar novos alimentos. Conclui-se
que educação nutricional aplicada na escola atua na modificação e na formação de
bons hábitos alimentares, que se estendem também ao ambiente familiar.
PALAVRAS-CHAVE:
ESCOLAR.
EDUCAÇÃO
NUTRICIONAL,
PRÉ-ESCOLAR,
HORTA
NUTRITION EDUCATION FOR PRESCHOOL:
A SCHOOL GARDEN AS A TEACHING
ABSTRACT: Nutritional education is a basic tool to encourage healthy eating, so that
results in improved health of individuals in medium and long term. The aim of this
study was to apply nutritional education for preschool children using the school
garden as a teaching tool. The study was conducted with 65 children in pre – school,
aged 4 years and 11 months enrolled in Child V. The activities were carried out on
different days totaling six activities lasting sixty minutes each. To finish the job was
handed a booklet with all activities for parents and / or guardians and a questionnaire
to assess students' motivation for nutrition education activities. The first applied
activity was the assembly of the nutritional pyramid putting foods in the proper place,
where 85% of preschoolers put the food in the correct group, 15% did not do it
correctly. In the second activity students met the school garden, where 70% of
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¹ ² Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – Cescage. Ponta Grossa – PR.
E-mail: [email protected].
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students recognized the vegetables by observation. In the activities of planting,
growing and harvesting vegetables, 100% of pre-school attended. The sandwich
assembly activity of natural involved 100% of students and 90% consumed the entire
portion of the sandwich offered, 60% repeated the portion and 10% skipped. The
questionnaire completed by the parents and / or guardians showed interest in 97% of
preschoolers to try new foods. It is concluded that nutritional education in school acts
applied in the modification and development of good eating habits, which also
extended to the family environment.
KEYWORDS: NUTRITIONAL EDUCATION, PRE-SCHOOL, SCHOOL GARDEN.
1 INTRODUÇÃO
A alimentação adequada e
hábitos de vida saudáveis são
indiscutíveis em qualquer idade,
porém a infância precisa de atenção
quando se diz respeito à nutrição do
organismo, já que é nessa etapa
que ocorrem grandes mudanças no
desenvolvimento
corporal
e
alimentar que serão decisivos ao
longo da vida.
Contudo, a alimentação de
hoje é profundamente diferente dos
nossos antepassados, que viviam
em contato com a natureza, se
alimentando de tudo que ela lhes
oferecia: animais abatidos (carne),
frutas, gramíneas, folhas, raízes,
etc. (MEZOMO, 2002).
Percebe-se a mudança dos
hábitos alimentares da população, a
preferência alimentar voltada para a
praticidade, com isso o consumo de
alimentos
industrializados
vem
aumentando a cada ano
Bleil (1998), diz que o mundo
todo tem passado por uma série de
transformações desde a década de
50, entre as quais as mais
perceptíveis talvez sejam
os
fenômenos da urbanização e da
globalização, as quais afetam
principalmente a qualidade dos
alimentos
produzidos
e
industrializados.
Essa mudança do padrão
alimentar vem desencadeando um
grande aumento de doenças
associadas à má alimentação, como
obesidade, excesso de peso e
carências nutricionais, o que podem
causar diversas complicações para
o organismo e acarretar doenças
crônicas
não
transmissíveis
(DCNT),
como
diabetes,
hipertensão
arterial,
doenças
coronarianas
e
distúrbios
endócrinos, sendo que esses
sintomas prejudicam diretamente a
qualidade de vida dos indivíduos.
Estabelece-se
um
antagonismo
de
tendências
temporais entre desnutrição e
obesidade, definindo uma das
características
marcantes
da
transição
nutricional
no
país
(BATISTA FILHO et al., 2003).
Torna-se
imprescindível
trabalhar com educação nutricional
já nos primeiros anos de vida,
promovendo
atitudes
positivas
sobre todos os alimentos, inclusive
sobre frutas e hortaliças, que são
ricas em micronutrientes e fibras.
A educação nutricional é uma
ferramenta básica para incentivar a
alimentação saudável, de forma que
resulta na melhora da saúde dos
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indivíduos a médio e longo prazo.
Isso ocorre devido a ações
educativas com a finalidade de um
maior conhecimento, sobre os
processos de alimentação que vai
da infância até a velhice.
Ramos et al., (2000), relatam
que é na infância que o hábito
alimentar se forma, é necessário o
entendimento de seus fatores
determinantes, para que seja
possível
propor
processos
educativos efetivos para a mudança
do padrão alimentar da criança.
Diante disso, a escola é o
primeiro ambiente de socialização
das
crianças,
onde
podem
influenciar
positivamente
ou
negativamente em seus hábitos
alimentares.
A medida que as crianças
crescem,
elas
adquirem
conhecimento
e
assimilam
conceitos de pular refeições e
restrições. Estes primeiros anos são
ideais para fornecer informação
nutricional e promover atitudes
positivas sobre todos os alimentos
(MAHAN et al, 2010).
Ao contrário do que diz a
crença
popular,
crianças
“gordinhas”
não
significam
crianças saudáveis, o excesso
de peso da infância não é uma
condição benigna, quanto mais
tempo uma criança apresentar
sobrepeso, maior é a chance de
apresentar
obesidade
na
adolescência e na vida adulta.
A utilização da horta escolar
pode atuar como instrumento de
aprendizagem,
sendo
possível
despertar o maior interesse dos
alunos em consumir as hortaliças na
merenda escolar, pois é fruto do
trabalho dos próprios alunos.
Para Recine et al, (2001), a
horta pode ser um laboratório vivo
para diferentes atividades didáticas.
Além disso, seu preparo oferece
várias
vantagens
para
a
comunidade.
Dentre
elas
proporciona uma grande variedade
de alimentos a baixo custo, no
lanche das crianças, permite que
toda comunidade tenha acesso a
essa variedade de alimentos por
doação ou compra e também se
envolva
nos
programas
de
alimentação e saúde desenvolvidas
na escola.
A manipulação dos alimentos
cultivados na horta pelas próprias
crianças, é uma opção de ensino
para educação nutricional na
pratica, estimulando a curiosidade
pelo experimentar.
O objetivo deste trabalho foi
aplicar educação nutricional para
crianças do ensino infantil utilizando
a horta escolar como ferramenta de
ensino.
2 MATERIAL E METODOS
A presente pesquisa pode ser
definida como quali-quantitativa, foi
realizado com 65 crianças em fase
pré – escolar, de baixa renda e de
ambos os sexos, com idade entre 4
anos e 11meses matriculadas no
Infantil V.
O trabalho foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa do
Centro de Ensino Superior dos
Campos Gerais – CESCAGE, tendo
o protocolo de pesquisa nº 233.078.
Os escolares foram autorizados a
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participar da pesquisa por seus
pais ou responsáveis, mediante o
Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido.
Todas as etapas da pesquisa
foram realizadas no Centro de
Ensino Infantil (CEI), localizado no
Bairro Castanheiras, no município
de Ponta Grossa, Paraná, com a
devida autorização da instituição.
Foi utilizada a infraestrutura
da escola como a horta e a cozinha
já disponíveis.
Antes do contato com os pré
–escolares foi realizado uma
seleção das espécies cultivadas de
acordo com a sazonalidade e a
execução media para a realização
do trabalho. A horta foi preparada
de
acordo
com
conceitos
agronômicos.
As atividades de educação
nutricional foram aplicadas em dias
diferentes, os escolares foram
divididos em grupos de vinte alunos
para melhor desenvolvimento das
atividades.
Cada grupo participou de seis
atividades de educação nutricional,
visando o maior conhecimento
sobre alimentação saudável e a
importância do consumo de frutas e
hortaliças, com duração de 60
minutos cada aula.
Os
temas
das
aulas
abordadas foram aplicados na
seguinte seqüência:
A atividade I iniciou com tema
sobre Pirâmide Alimentar. Após a
explicação detalhada, os alunos
receberam o desafio de montar a
pirâmide nutricional composta de
material E.V.A ( Espuma Vinílica
Acetinada) no qual os alimentos
teriam que ser colocados nos
grupos corretos.
Na atividade II ocorreu o
conhecimento da horta escolar,
onde os alunos foram levados ate a
horta para observar as hortaliças
que estavam sendo cultivadas e
fazer o reconhecimento de cada
uma.
A atividade III abordou a
produção na horta escolar. Cada
aluno recebeu uma muda de
hortaliça para plantar e cultivar de
maneira adequada até o momento
da colheita.
A atividade IV abordou o
tema cultivo da horta escolar. Os
alunos retornaram à horta para
regar com água as hortaliças que
foram plantadas e observarem o
crescimento.
Na atividade V foi realizada a
colheita e consumo das hortaliças
plantadas. Nesta aula cada aluno
realizou a colheita da hortaliça que
plantou e cultivou. Em um segundo
momento, após finalizar as colheitas
os alunos foram direcionados para a
cozinha onde realizaram a atividade
de incentivo ao consumo.
Foi apresentado um teatro
com o tema “Sanduíche da
Maricota”, um conto infantil clássico
de Avelino Guedes. Após o conto os
escolares foram convidados a
montar o “sanduíche da criança
saudável” com alguns ingredientes
dispostos em uma bancada. As
crianças foram chamadas um a um
para escolher dentre os ingredientes
oferecidos (cenoura, beterraba,
alface, tomate e queijo) o qual era
do seu gosto e colocar no
sanduíche.
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Na atividade VI foi realizado a
entrega de uma cartilha educativa
(Apêndice D) aos pais e/ou
responsáveis dos alunos. A cartilha
abordou todas as atividades que os
alunos realizaram nesse trabalho de
educação nutricional, incluindo fotos
dos alunos plantando as hortaliças e
consumindo-as.
Para finalizar o trabalho foi
aplicado aos pais e responsáveis
via agenda escolar, um questionário
semiestruturado (Anexo A), cujo
objetivo foi avaliar a motivação dos
alunos para as aulas de educação
nutricional, comentários sobre os
assuntos abordados, mudanças no
hábito
alimentar
através
do
interesse por consumir novos
alimentos e observar a concepção
dos pais e/ou responsáveis perante
o trabalho desenvolvido.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados foram obtidos
através
da
observação
do
comportamento
e
do
desenvolvimento dos pré-escolares
perante as atividades propostas.
A atividade sobre pirâmide
alimentar envolveu os alunos de
forma que todos participaram
espontaneamente. No momento de
montar a pirâmide colocando os
alimentos no lugar adequado de
acordo com os grupos alimentares,
85% dos pré-escolares colocaram
os alimentos no grupo correto. Os
outros 15% que não acertaram os
grupos dos alimentos relataram não
ter entendido a divisão dos grupos.
Phillippi et al,(1999), ressalta
que a Pirâmide Alimentar é um
instrumento
de
orientação
nutricional
utilizados
por
profissionais com o objetivo de
promover mudanças de hábitos
alimentares visando a saúde global
do individuo e a prevenção de
doenças.
A Pirâmide Alimentar é um
guia nutricional o qual tem função
de facilitar o entendimento de uma
alimentação
saudável,
sendo
constituída por oito grupos de
alimentos, divididos em quatro
níveis, apresentados da base ao
topo da pirâmide.
Os guias nutricionais são
diferenciados para adultos e
crianças devido as diferentes
necessidades nutricionais.
Barbosa et al, (2006) cita a
divisão dos grupos da pirâmide
alimentar infantil, sendo os grupos
assim formados: grupo (1): cereais,
pães e tubérculos (3-5 porções);
grupo (2): verduras e legumes (3
porções); grupo (3): frutas (3-4
porções); grupo (4): leites, queijos e
iogurtes (3 porções); grupo (5):
carnes e ovos (2 porções); grupo
(6): leguminosas (1 porção); grupo
(7): óleos e gorduras (2 porções);
grupo (8): açúcares e doces (1
porção).
Apesar da pirâmide alimentar
ser hoje um dos guias alimentares
mais divulgados para realização da
educação nutricional, um estudo
realizado por Barbosa, Colares e
Soares (2008), revela que a
pirâmide
alimentar
não
foi
compreendida em uma pesquisa
realizada com americanos, devido
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dificuldade de compreender a
divisão dos grupos e os conceitos
de porções.
Os autores ressaltam ainda,
que a roda e o prato alimentar são
muito utilizados na Inglaterra e
Portugal, esses guias são em
formatos de círculos divididos por
grupos
de
vários
tamanhos,
contribuindo
para
que
na
visualização
se
observe
a
importância nutricional de todos os
grupos, porem, nos diferentes
tamanhos de porções, sem estarem
em ordem hierárquica como a
pirâmide, permitindo assim uma
melhor compreensão.
É importante que os préescolares conheçam e entendam
sobre os grupos alimentares e seus
respectivos alimentos, para que
dessa
forma
seja
possível
compreender melhor o
tema
alimentação saudável.
As crianças de 2 a 6 anos de
idade
constituem
uma
faixa
populacional de grande importância,
devido ao processo de maturação
biológica por que passam durante
essa fase, a qual a alimentação
desempenha papel decisivo, quer
pelo
desenvolvimento
sócio
psicomotor, para o qual contribuem
fundamentalmente
os
meios
familiares e comunitários ao em que
vivem e, complementarmente as
instituições
que
os
assistem
(GRANDA, 1981).
No conhecimento da horta
escolar e no reconhecimento das
hortaliças cultivadas, 70% dos
alunos conheciam as hortaliças pela
observação.
Já no plantio da horta, onde
cada aluno recebeu uma muda de
hortaliça para plantar, todos os
alunos participaram com muita
animação. Durante essa atividade
surgiu alguns comentários como:
“Nossa Professora mais
essa planta tão pequena vai
crescer tanto para comermos?”.
(A1)
Todos plantaram e ficaram
ansiosos
para
observar
o
desenvolvimento das hortaliças.
Para
Magalhães
(2003),
utilizar a horta escolar como
estratégia de ensino, visa estimular
o
consumo
de
hortaliças
melhorando
a
qualidade
da
alimentação da criança. Ressalta
ainda que, as hortaliças cultivadas
na horta escolar, quando presentes
na alimentação escolar, faz muito
sucesso, ou seja, todos querem
provar, pois é fruto do trabalho dos
próprios alunos.
A horta escolar é uma ótima
ferramenta para aplicar educação
nutricional, pois possibilita aos
alunos aulas praticas e recreativas,
além de oferecer hortaliças frescas
e saudáveis a produção da horta é
de baixo custo.
A dificuldade é fazer com que
a criança aceite uma alimentação
variada,
aumentando
suas
preferências e adquirindo um hábito
alimentar mais adequado, uma vez
que muitas crianças têm medo de
experimentar novos alimentos e
sabores,
fenômeno
este
denominado de neofobia alimentar.
(RAMOS et al., 2000).
Na atividade do cultivo das
hortaliças, os alunos observaram o
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desenvolvimento e regaram
todas as mudas plantadas. Todos
os pré-escolares participaram da
atividade com grande entusiasmo.
Na aula da colheita das
hortaliças 100% dos pré-escolares
participaram, inclusive levaram para
casa algumas das hortaliças
colhidas. Para que a educação
nutricional possa ser efetiva em
seus objetivos, deve estar aliada ao
emprego
de
metodologias
dinâmicas em sala de aula ou não,
explorando
na
criança,
sua
criatividade e imaginação, o que
proporcionará um ambiente de
ensino favorável à convivência
saudável, iniciando assim um
processo
de
afirmação
da
identidade alimentar (ALBIERO et
al., 2007).
A atividade de montar o
sanduíche com as hortaliças
colhidas envolveu 100% dos alunos,
permitir que os pré-escolares
manipulem as hortaliças cultivadas
na horta escolar, estimula a
curiosidade pelo experimentar as
hortaliças
que
eles
mesmos
cultivaram.
Para Ramos et al.(2000), a
aprendizagem na alimentação tem
relevados métodos baseados no
paradigma do condicionamento,
para aumentar as preferências
alimentares como a aprendizagem
pela exposição repetida e pela mera
exposição, aprendizagem saborsabor, e aprendizagem nutrientesabor.
O consumo do sanduíche foi
imediato, 90% dos pré-escolares
consumirão toda a porção oferecida,
60% repetiram a porção do
sanduíche, conforme representa a
figura 01.
Figura 01: Consumo do sanduíche natural
oferecido
100%
80%
60%
40%
20%
0%
Consumiram o
Sanduiche
Repetiram a Porção
Não consumiram
Fonte: O Autor.
Os
10%
que
não
consumiram a porção do sanduíche
oferecido relataram não gostar do
sabor.
Um estudo realizado por
Gabriel (2008) observou mudanças
no comportamento e na escolha
alimentar de escolares após a
intervenção nutricional através de
atividades
lúdica
na
escola,
comprovando desta forma que a
educação
nutricional
quando
aplicado nos primeiros anos de vida
traz resultados para o longo prazo.
Dos
65
questionários
enviados
aos
pais
e/ou
responsáveis para verificação da
influência da educação nutricional
aplicado
na
escola,
foram
analisados 48 devido a nem todos
os
pais
e/ou
responsáveis
retornarem o questionário à escola.
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Os questionários foram
analisados de acordo com cada
questão.
A primeira questão perguntou
aos pais/responsáveis se a criança
estava animado com as atividades
de educação nutricional, 97% dos
pais responderam ter percebido
animação dos filhos para as
atividades,
3%
dos
pais
responderam não ter notado
diferença.
A
segunda
questão
perguntou se os alunos comentaram
em casa alguma coisa sobre as
atividades de educação nutricional e
quais eram os comentários.
Das
65
crianças
que
participaram das atividades 62
fizeram comentaram positivos com
os pais sobre as atividades
desenvolvidas, sendo os principais
comentários:
“As balas, doces e pizzas
não são saudáveis e frutas e
verduras fazem bem e são
saudáveis”
(A2)
“Existem muitos tipos de
alimentos que não comemos e
fazem bem à saúde”
(A3)
“Faz bem para a saúde e
para crescer comer frutas e
verduras”
(A4)
Uma das crianças pediu até
para que os pais que façam uma
horta em casa.
Desta forma, é possível
observar que os pré-escolares tem
intensão de levar aos pais o
conhecimento aprendido na escola,
de maneira à envolver toda a família
para
uma
alimentação
mais
saudável através de práticas
simples, como por exemplo realizar
a horta em casa.
A terceira questão perguntou
aos pais/responsáveis se a criança
mudou de alguma forma a
alimentação, 98% responderam que
perceberam algumas mudanças,
apenas 2% dos pais/responsáveis
não notaram mudança.
A quarta questão perguntou
se em algum momento as crianças
quiseram
experimentar
algum
alimento que antes não comiam, e
qual seria esse alimento. O
resultado foi sim para 98% dos préescolares, os alimentos mais
citados foram alface, tomate,
beterraba, cenoura e abobrinha.
Martins et al. (2010), fez uma
pesquisa com escolares após
aplicar educação nutricional em
uma escola e constatou que 70% da
amostra que participou do trabalho
apresentou mudanças em seus
hábitos alimentares.
A educação nutricional pode
ser definida como várias atividades
que facilitam a adoção voluntária de
hábitos alimentares mais saudáveis
que conduzem a saúde e o bem
estar (CORDERO, 2006).
A
última
questão
foi
direcionada para observar a opinião
dos pais e/ou responsáveis sobre as
atividades de educação nutricional
aplicadas na escola e se as mesma
eram importantes ou não, se
positivo deveriam justificar.
Todos
os
pais
e/ou
responsáveis, ou seja, 100%
responderam que acham muito
importante realizar esse trabalho na
escola,
sendo
as
principais
justificativas: “Em casa a gente
fala muito para comer frutas e
verduras, mas na maioria das
vezes os filhos não escutam e
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falando na escola eles se
interessam em experimentar”
(R1)
“Essas atividades são
importantes para conscientizar as
crianças sobre uma alimentação
mais saudável”
(R2)
“Ensinar sobre alimentação
saudável na escola com verduras
é importante porque as crianças
ficam entusiasmadas e acabam
praticando o que o professor
falou”
(R3)
“É muito importante incentivar as
crianças a cuidar e a cultivar as
hortaliças”
(R4)
A família é o primeiro campo
de
aprendizagem
e
modelo
alimentar que os pré-escolares
vivenciam. Para Rossi, Moreira,
Rauen (2008), os pais e outros
membros da família estabelecem
um ambiente partilhado em que o
convívio pode ser propicio à
alimentação excessiva e um estilo
de vida sedentário ou a uma
alimentação equilibrada e saudável
com atividade física.
Pontes et al, (2009), ressalta
que no ambiente familiar é
fundamental que os pais e/ou
responsáveis participem ativamente
das escolhas alimentares de seus
filhos desde a primeira infância.
Participar desse momento é muito
mais do que preparar a comida; é
incentivar que as refeições sejam
feitas à mesa, tornando o momento
de alimentação prazeroso a criança
e ao adolescente.
Vários
programas
de
educação nutricional estão sendo
desenvolvidos nas escolas para
tentar minimizar no futuro doenças
crônicas não transmissíveis e
melhorar a qualidade de vida da
população. Para Rahal, Russeff et
al. (2007), a escola tem papel
indispensável para trabalhar e
valorizar práticas de vida mais
saudáveis, permitindo que todas as
crianças tenham acesso a essas
informações para melhorar a saúde
alimentar.
Nesse
contexto
torna-se
indispensável
à
atuação
do
profissional
nutricionista
no
ambiente escolar, já que, para Bizzo
et al.(2005), o conhecimento técnico
- cientifico deve ser compartilhado
ao ritmo da própria problematização
dos conhecimentos e vivências da
criança, uma vez que a mudança
dos hábitos alimentares requer mais
que uma prescrição ou proibição de
alimentos, mas principalmente a sua
compreensão.
4 CONCLUSÃO
Diante
dos
resultados
conclui-se que o objetivo do
trabalho foi alcançado através das
atividades de educação nutricional
utilizando a horta escolar como
principal ferramenta de ensino. Esse
trabalho envolveu todos os préescolares de forma prática, com
atividades lúdicas dentro e fora da
sala de aula.
Através
do
questionário
respondido pelos pais/responsáveis
foi possível observar o quanto as
crianças se envolveram e ficaram
entusiasmadas com esse trabalho,
fazendo inclusive comentários com
os familiares. O interesse dos pais
por esse tipo de atividade realizado
na escola também ficou claro,
devido aos comentários descritos
nos questionários.
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Esse trabalho concretizou e
reafirmou dados que muitos estudos
já comprovaram, onde a educação
nutricional aplicada para préescolares atuam na modificação e
na formação de bons hábitos
alimentares, que se estendem
também ao ambiente familiar.
REFERENCIAS
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BIZZO,
M.L.G.;
LEDER,
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Educação
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