Fundamentos da Ecologia

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UNIVERSIDADE VALE DO ACARAÚ - UVA
UNIVERSIDADE ABERTA VIDA - UNAVIDA
CURSO: PEDAGOGIA
DISCIPLINA:
ENSINO DE CIÊNCIAS
FUNDAMENTOS DA ECOLOGIA
Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA – Disciplina: Ensino de Ciência – Pedagogia – Professor: Tibério Mendonça
FUNDAMENTOS DA ECOLOGIA
Em qualquer momento no tempo, um ser vivo ocupa apenas um local no espaço e tem
uma determinada idade e tamanho. Os membros de uma população, contudo, distribuem-se no
espaço e diferem em idade e tamanho. A distribuição de idade dos indivíduos de uma população
e a maneira como estes indivíduos espalham-se pelo ambiente definem a estrutura populacional.
Os ecólogos estudam a estrutura populacional porque a distribuição espacial dos indivíduos e as
suas idades influenciam a estabilidade das populações e afetam como estas populações
interagem com outras espécies.
O número de indivíduos de uma população por unidade de área (ou volume) constitui sua
densidade populacional. A densidade populacional exerce fortes influências sobre como os
indivíduos de uma população interagem uns com os outros e com populações de outras espécies.
A estrutura de uma população se modifica continuamente porque eventos demográficos
– nascimento, mortes, imigração (movimento de indivíduos para dentro de uma área) e
emigração (movimento de indivíduos para fora de uma área) – são fatos comuns. O
conhecimento de quando os indivíduos nascem e morrem fornece uma quantidade
surpreendente de informações sobre uma população. O estudo das taxas de nascimento, óbito e
movimentação, que criam a dinâmica populacional (mudanças na densidade e estrutura das
populações), denomina-se demografia.
Assim, pode-se observar que as populações apresentam um comportamento dinâmico,
continuamente mudando no tempo por causa dos nascimentos, mortes e movimentos de
indivíduos. Estes processos são influenciados pelas interações entre indivíduos e seus ambientes
e uns com os outros.
Curvas de crescimento populacional
Qualquer população tem potencial para crescer indefinidamente. Se a mortalidade fosse
zero, uma única bactéria, reproduzindo-se a cada 20 minutos, levaria apenas 36 horas para
produzir descendência suficiente para cobrir toda a superfície da Terra. Um único paramécio
poderia produzir, em alguns dias, uma massa de indivíduos correspondente a 10 mil vezes a
massa da Terra. Um único casal de pássaros, chocando de 5 a 6 ovos por ano, ao final de 15 anos
produziria 10 milhões de descendentes. Essa capacidade máxima de crescimento de uma população biológica denomina-se potencial biótico.
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Gráfico que mostra a curva de potencial biótico para uma população de
microrganismos com índice de mortalidade zero, no período considerado, e na
qual a população duplica a cada hora. Gráficos com curva semelhante são
esperados para qualquer população biológica. Esse tipo de curva é
característico de um crescimento em progressão geométrica, em que, a
intervalos iguais de tempo, o número de indivíduos da população dobra. Em
progressão geométrica, em que, a intervalos iguais
de tempo, o número de indivíduos da população dobra.
Em condições naturais, o potencial de crescimento de uma população é limitado pela
disponibilidade de recursos como alimento, de espaço e de abrigo bem como pela ação de
possíveis predadores, parasitas e populações competidoras. A esse conjunto de fatores que
limitam o crescimento de uma população dá-se o nome de resistência do meio.
A resistência do meio cresce proporcionalmente ao aumento da densidade populacional,
até atingir um ponto em que as taxas de natalidade e de mortalidade são equivalentes e o
número de indivíduos da população permanece mais ou menos constante ao longo do tempo.
A curva de crescimento real de uma população, portanto, resulta da interação entre seu
potencial biótico (isto é, sua capacidade de crescer) e a resistência imposta pelo habitat onde ele
vive. Em uma representação gráfica, o crescimento de uma população a partir de uns poucos
indivíduos iniciais descreve uma curva em forma de S (curva sigmóide), que ascende até o limite
máximo de indivíduos que o ambiente consegue suportar. Denomina-se esse limite carga biótica
máxima do ambiente.
Gráfico que apresenta a curva de crescimento de uma população a partir de
um pequeno número de indivíduos iniciais. O aspecto da curva resulta da
interação entre o potencial biótico da espécie e a resistência do meio.
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Relações ecológicas
São interações que ocorrem entre organismos de uma comunidade biológica. Podem ser
classificadas em intraespecíficas que são as relações estabelecidas entre indivíduos da mesma
espécie e interespecíficas que se estabelecem entre indivíduos de espécies diferentes. São
classificadas também como harmônicas, que são caracterizadas pelo benefício mútuo de ambos
os seres vivos, ou de apenas um deles, sem o prejuízo do outro; e desarmônicas as quais são
caracterizadas pelo prejuízo de um de seus participantes em benefício do outro.
Relações intra-específicas harmônicas
Sociedades - são associações entre indivíduos da mesma espécie, organizados de um
modo cooperativo e não ligados anatomicamente. Ex: abelhas, cupins e formigas.
As sociedades de insetos são dominadas por uma ou poucas fêmeas poedeiras,
denominadas rainhas. As rainhas nas colônias de formigas, abelhas e vespas se acasalam
somente uma vez durante toda a vida, e armazenam espermatozóides suficientes para produzir
todos os seus filhotes, até cerca de 1 milhão ou mais durante 10-15 anos em algumas formigas
ceifeiras. A prole não reprodutora de uma rainha coleta alimento e cuida dos irmãos e irmãs em
desenvolvimento, alguns dos quais se tornam sexualmente maduros, deixam a colônia para se
acasalar e estabelecem novas colônias.
Abelhas
Em todas as sociedades sempre observamos a existência de hierarquia, uma divisão de
funções para cada membro participante da sociedade, o que gera indivíduos especialistas em
determinadas funções dentro da sociedade o que aumenta a eficiência do conjunto e
sobrevivência da espécie, a ponto de os animais serem adaptados na estrutura do corpo às
funções que realizam, por exemplo: formigas-soldados são maiores e possuem mais veneno
(mais ácido fórmico) que as formigas-operárias; a abelha-raínha é grande e põe ovos, enquanto
que as abelhas operárias são menores e não põem ovos.
Colônias - é o agrupamento de indivíduos da mesma espécie ligados anatomicamente uns
aos outros e com interdependência fisiológica. Nas colônias pode ou não ocorrer divisão do
trabalho. Quando as colônias são constituídas por organismos que apresentam a mesma forma,
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não ocorre divisão de trabalho, todos os indivíduos são iguais e executam todos eles as mesmas
funções vitais, nesses casos as colônias são denominadas colônias isomorfas como as colônias de
corais. Quando as colônias são constituídas por indivíduos com formas e funções distintas ocorre
uma divisão de trabalhos, então essas colônias são denominadas colônias heteromorfas. Ex:
algas coloniais Volvox, corais e caravelas (Physalia physalis)
Corais
Relações intra-específicas desarmônicas
Canibalismo - é uma relação de predatismo intra-específico em que seres de uma mesma
espécie comem outros seres da sua própria espécie. Ex: Muitas espécies de peixes devoram os
alevinos de sua própria espécie, jacarés e crocodilos também devoram filhotes das suas espécies;
a aranha viúva-negra e os insetos louva-a-deus, logo após acasalamento, a fêmea devora o
macho para obter as proteínas de seu organismo, necessárias para desenvolver os ovos no seu
organismo.
Viúva-negra
Competição intra-específica - é uma relação de competição entre indivíduos da mesma
espécie, que concorrem pelos mesmos fatores do ambiente, que existem em quantidade
limitada. Ex: Machos de uma mesma espécie precisam competir entre si pelas fêmeas dessa
mesma espécie, fenômeno esse chamado "seleção sexual". Na verdade existe muito
exibicionismo evidente nos comportamentos relacionados à competição que ocorre durante a
seleção sexual nas populações das espécies em geral.
Relações interespecíficas harmônicas
Simbiose: o termo simbiose significa literalmente viver junto. Usualmente é empregado
para descrever a biologia de pares de organismos que vivem juntos e não se maltratam. Logo, a
simbiose incluiria o mutualismo, a protocooperação e o comensalismo
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Mutualismo: é uma relação obrigatória que envolve benefício mútuo. O mutualismo é
uma das relações mais harmônicas da natureza. Nesta relação ocorre um benefício mútuo como
na cooperação, no entanto as espécies necessariamente precisam viver conjuntamente, isto quer
dizer que caso sejam separadas não conseguiram viver livremente. Exemplos clássicos incluem os
térmitas e sua fauna intestinal de protozoários capazes de produzir enzimas celulolíticas e os
líquens que são o resultado de uma associação entre fungos e algas.
Os líquens
Outro exemplo são os cupins que são organismos que vivem comendo madeira, seja de
árvores ou mesmo de construções humanas, sendo que o principal componente das estruturas
vegetais é a celulose, presente em suas paresdes celulares. Enquanto algumas espécies de
protozoários, principalmente do gênero triconinfa apresentam em seu intestino enzimas
especializadas para digerir a celulose.
Um fato muito interessante é que apesar dos cupins comerem muita madeira são
incapazes de digeri-la. Mas ao se associar com os protozoários passa a ocorrer uma relação de
troca, visto que os cupins abrigam em intestino os protozoários que digerem a celulose, e,
portanto, se beneficiam, enquanto os próprios protozoários conseguem alimento
abundantemente e de forma fácil, já que os cupins não param de comer a madeira.
Esta associação é indissolúvel, pois caso ocorra a separação ambos não conseguiriam
sobreviver e terminariam por morrer.
Comensalismo: apenas uma das partes envolvidas beneficia-se enquanto a outra nada
perde e nada ganha por meio desta relação. É incomum. As plantas epifíticas de florestas
tropicais (bromélias e orquídeas) e suas árvores hospedeiras constituem em exemplos desta
interação ecológica. Além disso, a relação de comensalismo evoluiu entre grandes herbívoros e
algumas espécies de aves predadoras de insetos. Aves como as garças-vaqueiras normalmente
forrageiam no chão ao redor da cabeça e dos pés dos mamíferos, onde capturam insetos
afugentados pelos cascos e boca. As garças-vaqueiras que forrageiam próximo aos mamíferos
pastejadores capturam mais alimentos com menos esforço do que as garças que forrageiam mais
longe. O benefício para as garças é claro; os mamíferos não ganham nem perdem.
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Tubarão e rêmora
Um outro exemplo clássico é o que ocorre entre os tubarões e a rêmora, dois peixes
carnívoros, apenas diferenciando o tamanho e ferocidade dos tubarões com relação às rêmoras.
A rêmora é um pequeno peixe que apresenta ventosas em sua região dorsal e que facilmente
prende-se a outros animais maiores. No entanto, costumamos vê-las presas à região ventral de
tubarões, prende-se aí com o objetivo de conseguir um pouco das sobras deixadas pelo grande
carnívoro, esta relação em nada atrapalha o tubarão em suas atividades, por isso apenas a
rêmora se beneficia.
Protocooperação - Nesse tipo de relação, embora as duas espécies envolvidas sejam
beneficiadas, elas podem viver de modo independente, sem que isso as prejudique. Ex:
associação entre anêmona-do-mar e caranguejo-eremita. Este tem o corpo mole e costuma
ocupar o interior de conchas abandonadas de gastrópodes. Sobre a concha, costumam instalarse uma ou mais anêmonas-do-mar (actínias). Dessa união, surge o benefício mútuo: a anêmona
possui células urticantes, que afugentam os predadores do paguro, e este, ao se deslocar,
possibilita à anêmona uma melhor exploração do espaço, em busca de alimento.
É uma relação não-obrigatória que envolve benefício mútuo. Constituem exemplos as
plantas e seus polinizadores ou seus agentes dispersores. A leguminosa Acacia cornigera e suas
formas formigas, pássaros que comem piolhos, formigas e ectoparasitas em vertebrados (boca
de crocodilo, dorso de grandes mamíferos). Uma outra relação de protocooperação evoluiu
entre o rinoceronte e outra espécie de ave; as aves conhecidas como búfulas arrancam os
carrapatos que se alimentam de sangue da pele dos mamíferos pastejadores. A ave ganha uma
refeição e o mamífero ganha alguma proteção contra o parasito.
Crocodilo e pássaro palito
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A relação entre o crocodilo e o pássaro palito é um exemplo como a natureza é sábia, pois
são organismos que a princípio um se encaixa como presa e o outro como predador, no entanto,
devido às necessidades serem maiores, estes se associam em cooperação.
Os crocodilos são animais piscívoros, ou seja, se alimentam de peixes e por consequência
de seu hábito alimentar e a estrutura de sua arcada dentária uma grande quantidade de carne
fica presa nos seus dentes, o que acaba incomodando. Já os pássaros palitos, apresentam hábitos
alimentares à base de peixes.
Outro fato é que os crocodilos como são animais heterotérmos, precisam aquecer a
temperatura de seus corpos constantemente, pois quando estão mergulados perdem muito
calor, então uma forma de acelerar este processo é abrindo bem a sua enorme boca permitindo
que sua atividade respiratória auxilie o mecanismo.
Então, quando está com suas bocarras abertas e com muitos pedaços de peixe presos em
seus dentes posteriores, o pássaro palito aproveita a oportunidade e rapidamente retira esse
material, se beneficiando diretamente pela aquisição de alimento de forma abundante e rápida e
o crocodilo por sua vez se livra de uma possível “dor de dente”.
Relações interespecíficas desarmônicas
Predação: a predação pode ser genericamente definida como sendo o ato de um animal
consumir outro organismo para dele alimentar-se. Esse ato envolve, na maioria dos casos, a
morte da presa. A predação é um dos fatores ecológicos mais importantes, pois afeta não
somente as populações mas também toda a comunidade.
A relação predador-presa em comunidades estáveis evolui de modo a estabelecer
equilíbrio entre os indivíduos da relação. A população de predadores pode determinar a
densidade de presas, assim como o inverso também pode ocorrer.
Um exemplo próximo, da ação do predador sobre a população de presas, é o que está
acontecendo no pantanal mato-grossense. Ali havia muitos jacarés que controlavam a população
de suas presas: as piranhas. Atualmente, a matança de jacarés nas regiões do pantanal, movida
por interesses humanos pela exploração de couro, reduziu a população desses animais. Com isso,
houve aumento da população de piranhas.
Um exemplo clássico da relação predador-presa no controle populacional tanto do
predador quanto da presa é dado pelas lebres e pelos linces que vivem nas regiões frias do
Canadá. A Companhia da Baía de Hudson acompanhou, de 1845 a 1935, a quantidade de peles
desses animais que eram caçados. Os dados estão no gráfico a seguir.
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À medida que aumenta o número de lebres, aumenta o número de linces, que passam a
ter mais alimento. O aumento do número de linces reduz o número de lebres, pois estas serão
mais predadas. Quando a população de lebres diminui, a população de linces também diminui.
Havendo menos linces, um menor número de lebres é predado e a população de lebres aumenta, recomeçando o ciclo.
Parasitismo: é uma relação desarmônica entre seres de espécies diferentes, em que um
deles é o parasita que vive dentro ou sobre o corpo do outro que é designado hospedeiro, do
qual retira alimentos.
Cachorro com carrapato
Competição interespecífica - é uma relação de competição entre indivíduos de espécies
diferentes, que concorrem pelos mesmos fatores do ambiente, fatores existentes em
quantidades limitadas. Exemplos: Corujas, cobras e gaviões são predadores que competem entre
sí pelas mesmas espécies de presas, principalmente por pequenos roedores (ratos, preás,
coelhos etc.) que são as presas prediletas destes diferentes predadores, portanto, é uma
competição por alimento; Árvores de diferentes espécies crescendo umas muito próximas das
outras competem entre sí pelo espaço para as copas das árvores se desenvolverem e assim
obterem mais luz solar para realizarem a fotossíntese, portanto é uma competição por luz solar;
Durante os períodos de estiagem ou seca prolongada fica sem chover durante meses fazendo
com que a oferta de água potável se reduza drásticamente no ambiente e fazendo com que
animais de diversas espécies diferentes sejam obrigados a competir pela água que ainda resta
em pequenas poças d´água que ainda existem num lugar ou noutro mas que não são suficientes
para matar a sede de todos eles, portanto, uma competição por água potável.
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A Tabela 1 resume os principais tipos de associações ecológicas entre as espécies.
Tipo de interação
Espécie A
Espécie B
Natureza da interação
Competição
Mutualismo
Protocooperação
Predação
Parasitismo
Comensalismo
+
+
+
+
+
+
+
0
Inibição mútua
É obrigatória
Facultativa
B é destruído por A
B é explorado por A
Hospedeiro não é afetado
Habitat e Nicho ecológico
O meio ambiente é o palco onde se desenrola todo o estudo da ecologia. Neste, cada
espécie considerada tem um ‘endereço’ – habitat, e desenvolve uma ‘profissão’ – nicho
ecológico.
Habitat
O habitat de um organismo é o local onde ele vive; ou ainda, é o ambiente que oferece
um conjunto de condições favoráveis ao desenvolvimento de suas necessidades básicas –
nutrição, proteção e reprodução.
Na natureza, as espécies são encontradas em lugares determinados. É como se fosse um
endereço. Por exemplo: a onça e o gambá vivem na floresta e não no deserto; o camelo e o ratocanguru vivem no deserto e não em uma floresta; a curimatá vive no rio e não no mar; a sardinha
vive no mar e não no rio. Esses exemplos mostram que cada espécie está adaptada para viver em
um determinado ambiente: floresta, deserto, água doce, água salgada, etc. Assim, podemos
dizer que o tubarão tem habitat aquático (água salgada) e a onça tem hábitat terrestre. Dentro
da água e sobre a terra, podemos ainda diferenciar inúmeros habitat. E em um mesmo habitat
pode haver diferentes espécies.
Teoricamente, o habitat seria aquele ambiente em que as condições ambientais atingem
o ponto ótimo e uma espécie consegue reproduzir em toda a sua plenitude, ou seja, consegue
desenvolver o seu potencial biótico. Porém, a reprodução sem oposição não pode manter-se por
muito tempo em um ambiente de recursos limitados. Desse modo, o ambiente se encarrega de
controlar o crescimento da população através da resistência ambiental, o que pode fazer com
que a população retorne ao ponto de partida.
A resistência ambiental compreende todos os fatores – fome, enfermidades, alterações
climáticas, competição, etc. – que impedem o desenvolvimento do potencial biótico. O processo
funciona do seguinte modo: quando a densidade populacional aumenta, aumenta também a
resistência ambiental, que por sua vez origina uma diminuição da densidade populacional. A
interação entre o potencial biótico e a resistência ambiental resulta num aumento, ou numa
diminuição, do número total de organismos de uma população, ou seja, o seu crescimento
populacional. O habitat é então a região onde a resistência ambiental para a espécie é mínima,
ou seja, onde ela encontra melhores possibilidades de sobrevivência.
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Nicho
O nicho ecológico é o papel de uma espécie numa comunidade – como ela faz para
satisfazer as suas necessidades. As algas, por exemplo, têm o seu habitat na água superficial de
um lago (zona iluminada), e parte do seu nicho ecológico é a produção de matéria orgânica,
através da fotossíntese, a qual serve de alimento para sua população e para alguns animais.
O nicho não inclui apenas o espaço físico ocupado por um organismo, mas também seu
papel funcional na comunidade (sua posição trófica, por exemplo) e sua posição nos gradientes
ambientais de temperatura, umidade, pH, solo e outras condições para a sua existência. É o
modo de vida de uma espécie em um ecossistema, ou seja, é o conjunto de atividades ecológicas
desempenhadas por uma espécie no ecossistema. Compreende o que a espécie faz no meio
ambiente: como utiliza a energia circulante; o que come, onde, como e em que momento do dia
isso ocorre; como procede em relação às outras espécies e ao próprio ambiente; em que horas
do dia ou em que estação do ano tem maior atividade; quando e como se reproduz; de que
forma serve de alimento para outros seres ou contribui para que naquele local se instalem novas
espécies.
A palavra nicho começou a ganhar sua conotação científica atual quando Charles Elton
escreveu em 1933 que o nicho de um organismo é seu modo de vida “no sentido em que falamos
de ocupações ou empregos ou profissões em uma sociedade humana”. O nicho de um organismo
começou a ser usado para descrever como, em vez de onde, um organismo vive.
O conceito moderno de nicho foi proposto por Evelyn Hutchinson em 1957 e se refere às
maneiras pelas quais tolerâncias e necessidades interagem na definição de condições e recursos
necessários a um indivíduo (ou espécie) a fim de cumprir seu modo de vida. A temperatura, por
exemplo, é uma condição que limita o crescimento e a reprodução de todos os organismos, mas
organismos distintos toleram faixas diferentes de temperatura. Esta faixa é uma dimensão de um
nicho ecológico de um organismo. Existem muitas dimensões para o nicho de uma espécie: sua
tolerância a várias outras condições (umidade relativa, pH, velocidade do vento, fluxo de água e
assim por diante) e sua necessidade de recursos variados (nutrientes, água, alimento e assim por
diante).
Como se conhece o nicho ecológico de uma espécie? Para conhecer o nicho ecológico de
determinada espécie, precisamos saber do que ela se alimenta, onde se abrigam, como se
reproduz, quais os seus inimigos naturais, etc. Vamos ver alguns exemplos: a cutia e a onça
podem ser encontradas na Mata Atlântica; possuem, então, o mesmo habitat. No entanto, os
nichos ecológicos desses animais são diferentes. A cutia é herbívora, alimentando-se de frutos,
sementes e folhas; abriga-se em tocas ou em tocos de árvores e serve de alimento para animais
diversos, como a própria onça. Já a onça é carnívora, alimenta-se de animais diversos, como
cobras e macacos, e não vive em tocas. Como se vê, cutias e onças têm modos de vida
diferentes, isto é, desempenham diferentes atividades dentro de um mesmo ecossistema. Logo,
o nicho ecológico da cutia é diferente do nicho ecológico da onça. Assim, cada habitat,
proporciona muitos nichos diferentes.
Duas espécies de animais e plantas que ocupam o mesmo habitat não podem ter
exatamente o mesmo nicho ecológico por muito tempo. Quando isso ocorre, as duas espécies
competem, o que leva uma delas a desaparecer, cedendo lugar à outra. Essa ideia é chamada de
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princípio Fe Gause, em homenagem ao biólogo russo Georgyi Frantsevich Gause (1910-1986),
que a formulou.
De modo geral, pode-se dizer que existem duas estratégias diferentes quanto ao modo
como se dá a exploração do ambiente por uma espécie, isto é, o seu nicho ecológico. Algumas
espécies, ditas generalistas apresentam nichos mais amplos, o que lhes confere maior chance de
sobrevivência frente às mudanças que ocorrem no ambiente. Outras, as espécies especialistas,
possuem nichos mais estreitos, isto é, utilizam de forma estrita um determinado recurso. Há
vantagens e desvantagens em cada uma dessas estratégias. A especialização implica menor
competição com outras espécies; por outro lado, a generalização permite maior flexibilidade
quanto às possibilidades de alimentação, abrigo, etc.
Pelas mãos da espécie humana, voluntária ou involuntariamente, muitas espécies de
animais e de plantas se dispersaram pelo globo, principalmente nos últimos quinhentos anos (a
partir das Grandes Navegações). Nesse caso, deram-se melhor as espécies generalistas, capazes
de explorar novos territórios e descobrir novas fontes de alimento onde quer que fossem
levadas. É o caso dos ratos, dos pardais, de certas espécies de formigas e de alguns tipos de
gramíneas. Muitas das espécies especialistas, por sua vez, tendem a desaparecer atualmente,
pois não conseguem sobreviver às mudanças ambientais provocadas pelo ser humano.
Níveis de organização biológica
A melhor maneira de entender o campo de estudo da ecologia moderna é utilizando-se
do conceito de níveis de organização dos seres vivos. Nestes, um arranjo hierárquico agrupa os
seres vivos partindo de sistemas biológicos simples para biossistemas cada vez mais complexos,
formando um todo unificado.
A ecologia estuda fundamentalmente os quatro últimos níveis desta sequência.
Entendendo-se por:
 População: conjunto de indivíduos de uma mesma espécie que ocupa uma determinada
área;
 Comunidade: conjunto de populações que interagem de forma organizada, vivendo numa
mesma área;
 Ecossistema: conjunto resultante da interação entre a comunidade e o ambiente inerte;
 Biosfera ou ecosfera: sistema que inclui todos os organismos vivos da Terra, interagindo
com o ambiente físico, como um todo.
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População
População é definida como o conjunto de indivíduos da mesma espécie (ou seja, seres
vivos de um mesmo grupo que são capazes de se reproduzirem, produzindo descendentes
férteis) vivendo numa mesma região.
As populações reúnem os indivíduos de uma mesma espécie que
podem interagir entre si em um determinado habitat. Suas fronteiras
naturais são determinadas principalmente pela capacidade de
dispersão, pelo fluxo de indivíduos, tolerância ecológica e pelas
interações com outros indivíduos da mesma população ou mesmo de
outras espécies.
Uma população tem diversas propriedades que, embora mais bem expressas como
variáveis estatísticas são propriedades únicas do grupo e não são características dos indivíduos
no grupo. Algumas dessas propriedades são: densidade, natalidade (taxa de nascimento),
mortalidade (taxa de morte), distribuição etária, potencial biótico, dispersão e formas de
crescimento e selecionadas. As populações também possuem características genéticas que estão
diretamente relacionadas a suas ecologias, ou seja, a capacidade de adaptação, sucesso
reprodutivo e persistência (a probabilidade de deixar descendentes durante longos períodos de
tempo).
Comunidade
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É o conjunto de populações coexistindo numa mesma região.
Numa comunidade, os seres vivos interagem, isto é, estabelecem
relações entre si. Diz-se que existe uma interdependência entre os seres
vivos. Se, por exemplo, os vegetais desaparecessem, toda a comunidade
ficaria ameaçada, pois os animais não encontrariam mais alimentos e
acabariam morrendo. Outro exemplo: O extermínio de cobras em uma
determinada região pode favorecer um aumento excessivo no número de ratos e outros
roedores, que servem de alimento às cobras. O aumento exagerado das populações de ratos e
outros roedores podem provocar na região uma grande redução na população de gramíneas e
vegetais herbáceos, que servem de alimento a esses animais. Sem a cobertura vegetal, o solo fica
exposto à erosão pelas águas das chuvas e tende a ficar estéril, dificultando o desenvolvimento
de plantas nessa área. Da mesma forma, se os microrganismos decompositores presentes no
solo desaparecessem, não haveria a decomposição dos cadáveres dos animais e dos restos
vegetais. Sendo assim, não haveria também a formação do humo que fertiliza o solo e fornece
sais minerais aos vegetais.
Diferentes populações pertencentes a um conjunto de espécies de plantas e animais
coexistem dentro de determinadas combinações de condições ambientais formam as
comunidades ecológicas. Em maior ou menor escala, a performance de cada espécie (que pode
ser inferida pelo tamanho de sua população) influencia e é influenciada, seja direta ou
indiretamente, pela presença das demais espécies. É claro que algumas têm efeitos bem mais
marcantes que outras, sejam devido à sua representatividade que pode ser somada à
importância da função que desempenham. Estas espécies de maior importância, conhecidas
como espécies-chave, são fortes reguladoras do funcionamento e, por conseguinte, da estrutura
e da própria evolução das comunidades. Em função disso, alterações nas abundâncias das
espécies componentes provocam modificações de diferentes magnitudes que se propagam no
espaço e no tempo, alterando o funcionamento e o destino das comunidades a que pertencem.
Assim, cada população deve se restringir a uma determinada região de um “espaço de
recursos e condições”, que define seu nicho ecológico, e que combina corretamente faixas de
temperatura, disponibilidade de água, nutrientes e luz, de modo a promover o crescimento, a
manutenção e a reprodução dos indivíduos constituintes de suas populações.
As comunidades estruturam-se gradualmente através da colonização, permanência ou
substituição de diferentes espécies de animais e plantas no tempo, no processo conhecido como
sucessão ecológica. A presença ou não de uma determinada espécie será determinada pela sua
capacidade de dispersão, sua tolerância ecológica, habilidade competitiva e interações com seus
predadores, parasitoides e patógenos.
Ecossistema
É o conjunto de uma comunidade de diferentes espécies
interagindo umas com as outras e com seu meio físico de matéria e
energia. Os ecossistemas podem variar de tamanho, de uma poça d’água
a um riacho, de um trecho de uma mata a uma floresta inteira ou um
deserto. Os ecossistemas são formados pelos componentes biótico e
abiótico.
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Os seres vivos de uma comunidade são os componentes bióticos de um ecossistema. Os
fatores físico-químicos do ambiente (luz, água, calor, oxigênio, etc.) são os componentes
abióticos de um ecossistema. Os organismos vivos e o seu ambiente não vivo estão
inseparavelmente inter-relacionados e interagem entre si. Os ecossistemas podem ser naturais
ou artificiais.
Se considerarmos cuidadosamente qualquer parte de qualquer das comunidades – uma
parte de floresta, uma lagoa ou um recife de coral – começaremos a ver que nenhum dos
organismos vivos nessas áreas existe isoladamente; ao contrário, cada um está envolvido em
numerosas relações, com outros organismos e com fatores do ambiente físico. Os pormenores
desse relacionamento variam segundo o lugar.
Biosfera
O conjunto de todos os ecossistemas terrestres forma a biosfera. É a região do planeta
que contém todo o conjunto dos seres vivos e na qual a vida é permanentemente possível. O
termo ‘permanentemente possível’ é atrelado ao conceito de biosfera significando “ambiente
capaz de satisfazer às necessidades básicas dos seres vivos de forma permanente”. Neste
contexto, a biosfera não passa de uma delgada casquinha em torno do planeta, uma vez que as
condições de vida vão diminuindo à medida que nos afastamos da superfície, até que cessam a,
aproximadamente, 7 km acima do nível do mar e abaixo deste não ultrapassa a 6 km. No total a
biosfera não vai além de 13 km de espessura.
Para satisfazer as necessidades dos seres vivos, são necessários, por um lado, a presença
de água, luz e calor e matéria para a síntese dos tecidos vivos e, por outro, ausência prejudiciais à
vida como substâncias tóxicas, radiações ionizantes e variações extremas de temperaturas. A
biosfera apresenta todas essas condições: uma fonte externa de luz e calor – o Sol; água que
chega a cobrir ¾ da superfície do planeta e substâncias minerais em contínua reciclagem nos
seus vários ambientes. Apresenta ainda um escudo contra radiação ionizantes provenientes do
Sol – a camada de ozônio – e grandes massas de água que se encarregam de manter a
temperatura média do planeta em torno de 15°C, sem grandes variações.
Na realidade o termo correto para biosfera seria ecosfera (eco = oikos = casa),
correspondendo ao conjunto de biosfera, atmosfera, litosfera e hidrosfera. Porém, popularizou-
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se o termo biosfera que é usado no seu sentido funcional e não descritivo, ficando esta dividida
em três regiões físicas distintas:
 Litosfera – camada superficial sólida da Terra, constituída de rochas e solos, acima do
nível das águas. Compreende ¼ da biosfera, apresenta variações de temperatura,
umidade, luz, etc. e possui enorme variedade de flora e fauna;
 Hidrosfera – representada pelo ambiente líquido: rios, lagos e oceanos. Recobre ¾ da
superfície total do planeta, apresenta condições climáticas bem mais constantes do que
na litosfera, salinidade variável (nos oceanos chega a 35 gramas/litro) e possui menor
variedade de plantas (20 para 1) e de animais (9 para1) que a litosfera;
 Atmosfera – camada gasosa que circunda toda a superfície da Terra, envolvendo,
portanto, os dois ambientes acima citados.
A história da Terra começou há 4,6 bilhões de anos e o início da vida remota a
aproximadamente 1,1 bilhão de anos depois – o ser vivo mais antigo conhecido, uma bactéria,
formou-se há cerca de 3,5 bilhões de anos. Nas eras posteriores, a vida foi se diversificando cada
vez mais: o padrão de evolução assemelha-se a uma árvore com uma espécie na ponta do ramo.
De um tronco único, os seres vivos evoluíram e formaram os reinos do mundo vivo: monera,
protista, fungi, vegetais e animais. Os primeiros exemplares do reino vegetal datam de cerca de
1,5 bilhão de anos – estes foram para a terra firme há cerca de 420 milhões de anos. Os insetos
surgiram há 250 milhões de anos, os mamíferos há cerca de 170 milhões de anos e o homem há
46 milhões de anos. Comparando com a idade da Terra, a espécie Homo sapiens está na sua
infância, principalmente se considerarmos os seus impulsos destrutivos.
Sucessão ecológica
Todas as comunidades mudam sua estrutura e composição ao longo do tempo em
resposta às mudanças das condições ambientais.
As comunidades biológicas não são entidades estáticas ao longo do tempo. Na realidade,
os conjuntos das populações passam constantemente por alterações graduais e contínuas. O que
hoje é uma exuberante floresta, um ecossistema estável, cheio de espécies vegetais de grande
porte interagindo com populações de animais, pode ter sido um ecossistema mais simples, frágil,
composto por poucas espécies de gramíneas. A esse processo de contínua alteração dos
ecossistemas se dá o nome de sucessão ecológica.
Uma das mais interessantes características observadas nas comunidades é o fato de que
elas mudam continuamente de estado, como por exemplo, a sua composição específica. Esse
fato é muito evidente quando há um distúrbio externo, como fogo ou enchente. Mesmo quando
as comunidades estão em equilíbrio, tal estado é dinâmico. Há uma constante troca de espécies,
que estão continuamente saindo e entrando no sistema.
A sucessão ecológica refere-se a uma sequência de mudanças estruturais e funcionais que
ocorrem nas comunidades, mudanças essas que, em muitos casos, seguem padrões mais ou
menos definidos. Trata-se de uma mudança que se superpõe a flutuações e ritmos mais breves,
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com progressiva ocupação do espaço e aumento da complexidade estrutural. À medida que
avança a sucessão, a intensidade dos ritmos e flutuações tende a diminuir.
Os ecólogos reconhecem dois tipos de sucessão ecológica, definidos conforme o tipo de
ambiente em que a sucessão se origina.
A sucessão primária tem início em terrenos que nunca foram habitados anteriormente
por uma comunidade composta das mesmas espécies presentes durante a sucessão. É o caso,
por exemplo, da sucessão que ocorre na superfície de rochas nuas e em dunas de areia. O tempo
necessário para que uma sucessão primária atinja o clímax pode contar milhares de anos.
A sucessão primária normalmente leva um longo tempo – milhares ou dezenas de
milhares de anos. Antes que uma comunidade possa se estabelecer em terra, é preciso haver
solo. Dependendo em grande parte do clima, os processos naturais precisam de várias centenas
a vários milhares de anos para produzir solo fértil.
Em um outro tipo mais comum de sucessão ecológica, a sucessão secundária, uma série
de comunidades com diferentes espécies pode se desenvolver em alguns lugares que têm solo
ou sedimento de fundo. Esse desenvolvimento começa em uma área onde a comunidade natural
de organismos foi perturbada, removida ou destruída, mas o solo ou sedimento de fundo
permanece.
Entre os candidatos à sucessão secundária estão fazendas abandonadas, florestas
queimadas ou desmatadas, riachos poluídos e terra represada ou inundada. Como há algum solo
ou sedimento presente, é possível que a nova vegetação germine em algumas semanas. As
sementes podem estar presentes nos solos ou podem ser transportadas de plantas próximas
pelo vento ou por aves e outros animais.
Durante a sucessão primária ou secundária, perturbações como desmatamento,
incêndios naturais ou causados pelo homem podem transformar um estágio específico de
sucessão em um estágio anterior. Tais perturbações criam novas condições que incentivam
algumas espécies e desincentivam ou eliminam outras.
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De acordo com o período considerado da sucessão, as comunidades apresentam
características específicas, razão pela qual é comum dividir em três categorias: comunidades
pioneiras, intermediárias e clímax.
Comunidades pioneiras
Alguns ambientes são extremamente impróprios ao estabelecimento de seres vivos, pois
não apresentam as propriedades mínimas exigidas por muitas espécies. Esse tipo de ambiente,
com baixíssima capacidade de suporte, é comumente referido como ambiente inóspito.
Em geral, um ambiente inóspito apresenta solo nu, exposto a intenso intemperismo,
como é o caso das superfícies rochosas e das dunas de areia. Nesses ambientes, a intensa
exposição à radiação solar resulta em altas taxas de luminosidade e de temperatura e baixa
umidade; a água das chuvas escorre ou logo evapora, e a ação dos ventos também pode ser
muito intensa.
Apesar das características adversas desses ambientes, eles podem ser colonizados por
algumas espécies, resistentes às altas intensidades de luz e temperatura e à baixa disponibilidade
de água e sais minerais, denominadas espécies pioneiras. Os liquens e as gramíneas são bons
exemplos dessas espécies, que, ao colonizar ambientes inóspitos, constituem a comunidade
pioneira, assim chamada por ser aquela que coloniza o ambiente primeiro, iniciando a sucessão
ecológica.
Intermediária
Com o estabelecimento da comunidade pioneira, o ambiente inicialmente inóspito
começa a sofrer transformações que favorecem o aparecimento de novas populações. O
substrato, inicialmente infértil, recebe matéria orgânica dos organismos pioneiros que morrem e
sofre a ação dos ácidos orgânicos, o que forma os primeiros vestígios de solo.
A presença das espécies pioneiras facilita a retenção da umidade, diminui a temperatura
da superfície e protege-a contra a ação do vento.
À medida que as espécies pioneiras se reproduzem, o ambiente torna-se lentamente
favorável à instalação de outras espécies, menos resistentes às adversidades do ambiente inicial.
Essas comunidades, denominadas comunidades intermediárias, são constituídas por estratos
vegetais mais altos que se sucedem na medida em que também alteram as propriedades do
ambiente, favorecendo a instalação das populações compostas por indivíduos ainda mais
exigentes quanto aos recursos ambientais.
Clímax
Em certo momento, as espécies naquele ambiente se tornam relativamente estáveis e
compõem a denominada comunidade clímax, constituída pelo maior estrato vegetal observado
ao longo da sucessão ecológica, incluindo grandes arbustos e árvores, e grande diversidade de
espécies.
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Níveis tróficos
Os ecologistas atribuem um nível alimentar, ou nível trófico (do grego trophos, que
significa “nutrição”), a cada organismo em um ecossistema, dependendo se ele é um produtor ou
consumidor, e se ele come ou decompõe. Os produtores pertencem ao primeiro nível trófico, os
consumidores primários ao segundo nível trófico, os consumidores secundários ao terceiro nível,
e assim por diante.
Todos os organismos, vivos ou mortos, são fontes de alimentos para outros organismos.
Uma lagarta come uma folha, um pássaro come a lagarta, o gavião come o pássaro. Os
decompositores consomem a folha, a lagarta, o pássaro e o gavião, depois de mortos. Como
resultado, existe pouco desperdício nos ecossistemas naturais.
Uma sequência de organismos, na qual cada um serve como fonte de alimento para o
próximo, recebe o nome de cadeia alimentar. Ela determina como a energia e os nutrientes
passam de um organismo ao outro pelo ecossistema.
Obviamente, os ecossistemas de verdade são mais complexos. A maioria dos
consumidores se alimenta de mais de um tipo de organismo que, por sua vez, são consumidos
por mais de um tipo de consumidor.
Como a maior parte das espécies participa de diversas cadeias alimentares, os organismos
da maioria dos ecossistemas formam uma complexa rede de cadeias alimentares interligadas
denominada teia alimentar.
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Uma das características fundamentais de todos os ecossistemas é o fluxo de matéria e
energia que configura as relações tróficas entre seus componentes bióticos. O estudo dos
ecossistemas sob esse ponto de vista tem contribuído para compreender as frequentes
alterações nos ecossistemas, decorrentes de intervenções humanas.
Os Consumidores
A energia entra no mundo animal pela atividade dos herbívoros, animais que comem
plantas (inclusive frutas e outras partes dos vegetais). Cada ecossistema possui seu conjunto
característico de herbívoros. Grande parcela do material consumido pelos herbívoros é
excretada sem digestão. Parte da energia química é transformada em outros tipos de energia –
calorífica e cinética - ou consumida no próprio processo de digestão. Uma parte do material é
convertida em biomassa animal.
O nível seguinte em uma cadeia alimentar, o nível do consumidor secundário, implica um
carnívoro, animal comedor de carne, que devora o herbívoro. O carnívoro pode ser um leão, um
peixe, um pássaro ou uma aranha. Em todos esses casos, somente uma pequena parte da
substância orgânica presente no corpo do herbívoro é incorporada ao corpo do consumidor.
Algumas cadeias têm níveis de consumidores terciários e quaternários, mas cinco elos são
geralmente o limite absoluto, principalmente por causa da perda implicada na passagem de
energia de um nível trófico para outro. Consumidores importantes em uma cadeia alimentar são
também os decompositores e os parasitas.
Pirâmides ecológicas
São diagramas usados para expressar o número de indivíduos, a quantidade de biomassa
e energia nos níveis tróficos. Nelas, cada nível trófico está representado por uma barra, cujas
dimensões são equivalentes aos valores representados.
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Cada nível trófico na cadeia ou teia alimentar contém certa quantidade de biomassa, o
peso seco de toda a matéria orgânica contida nesses organismos. A energia química armazenada
na biomassa é transferida de um nível trófico ao outro.
A porcentagem de energia transferida em forma de biomassa de um nível trófico ao outro
denomina-se eficiência ecológica. Ela varia de 2% a 40% (ou seja, uma perda de 60% a 98%),
dependendo dos tipos de espécies e do ecossistema envolvido, mas 10% é o valor típico.
Supondo uma eficiência ecológica de 10% (90% de perda) em cada transferência trófica,
se as plantas de uma área conseguir capturar 10 mil unidades de energia do Sol, isso significa que
apenas cerca de mil unidades estarão disponíveis para alimentar os herbívoros e somente cem
unidades para os carnívoros.
Quanto maior o número de etapas ou níveis tróficos em uma cadeia ou teia alimentar,
maior a perda cumulativa de energia à medida que ela flui para os níveis tróficos. A pirâmide de
fluxo de energia ilustra essa perda de energia em uma cadeia alimentar simples, supondo 90% de
perda energética em cada transferência.
As pirâmides de fluxo de energia explicam porque a Terra pode manter mais pessoas se
elas se alimentarem em níveis tróficos menores, ingerindo grãos, vegetais e frutas diretamente,
em vez de submeter tais plantações a outro nível trófico, e se alimentar dos consumidores de
grãos, como o gado.
A grande perda energética entre níveis tróficos sucessivos também explica porque é raro
as cadeias e teias alimentares terem mais de três ou quatro níveis. Na maioria dos casos, resta
pouquíssima energia, ao final de quatro ou cinco transferências, para suprir os organismos que
se alimentam em níveis tróficos maiores. Como consequência, existem relativamente poucos
carnívoros de topo, como a águia, o falcão, o tigre e o tubarão branco.
Tão fenômeno também explica o porquê de essas espécies serem geralmente as
primeiras a sofrer quando seus ecossistemas são destruídos e tão vulneráveis à extinção.
O fluxo de energia por uma cadeia alimentar é frequentemente representada por um
gráfico de relações quantitativas entre os diferentes níveis tróficos. Como são dissipadas grandes
quantidades de energia e de biomassa em cada nível trófico, de tal modo que cada um conserva
quantidade menor que o precedente, esses digramas quase sempre assumem a forma de
pirâmides. A pirâmide ecológica – nome de um diagrama desse tipo - pode ser uma pirâmide de
números, uma pirâmide de biomassa, ou pirâmide de fluxo de energia.
A pirâmide de números mostra o número de organismos individuais presentes em cada
nível.
A pirâmide de biomassa apresenta ou o peso seco total dos organismos em cada nível ou
o número de calorias em cada nível. Quase sempre a massa de produtores é maior do que a de
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consumidores. Às vezes, no entanto, uma pirâmide de biomassa pode apresentar-se invertida.
No esquema a seguir, lado direito, percebe-se que no momento da medição, a biomassa de
fitoplâncton é bem menor que a de zooplâncton. Isso pode parecer estranho; ocorre, porém, que
a taxa de reprodução do fitoplâncton é muito mais elevada que a do zooplâncton, e a velocidade
de consumo do fitoplâncton pelo zooplâncton é muito grande. Fica fácil compreender, assim,
que uma biomassa aparentemente pequena de produtores possa sustentar uma biomassa
grande de consumidores de primeira ordem.
Uma pirâmide de fluxo de energia mostra a produtividade dos diferentes níveis tróficos.
São o modo mais satisfatório de representação. Essas pirâmides nunca são invertidas: elas
mostram sempre, de forma clara, o princípio da perda de energia que ocorre a cada nível trófico.
Um dos inconvenientes de qualquer tipo de pirâmide é o fato de não estarem retratados
nelas os decompositores, que são importantes componentes dos ecossistemas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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167p. [Apostila] – UFCG.
COELHO; MOTTA. Fundamentos em ecologia. Porto Alegre: Artmed, 2000.
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MILLER, G. TYLER. Ciência Ambiental. 11ª ed. São Paulo: Thomson Learning, 2007.
ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.
ODUM, EUGENE P.; BARRETT, GARY W. Fundamentos de Ecologia. 5ªed. São Paulo: Thomson
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PURVES, WILLIAM K. et al. Vida, a Ciência da Biologia. 6ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
RICKLEFS, R. A Economia da Natureza. 5a ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2003.
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TOWNSEND, C.; BEGON, M.; HARPER, J. Fundamentos de Ecologia. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed,
2008.
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