Tiago Soares Lima

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Pró-Reitoria de Graduação
Curso de Psicologia
Trabalho de Conclusão de Curso II
REPENSANDO O PROCESSO DIAGNÓSTICO DOS
TRANSTORNOS DE ESPECTRO AUTISTA.
Autora: Tiago Soares Lima
Orientadora: Profª. Msc Fabíola Gomide Baquero
Carvalho
Examinadora: Profª. Drª Erenice Natalia Soares de
Carvalho
Brasília - DF
2013
TIAGO SOARES LIMA
REPENSANDO O PROCESSO DIAGNÓSTICO DOS TRANSTORNOS DE
ESPECTRO AUTISTA.
Monografia apresentada ao curso de
graduacao
em
Psicologia
da
Universidade Católica de Brasília,
como requisito para obtencao do
Título de Bacharel em Psicologia.
Orientador: Msc. Fabíola Gomide
Baquero Carvalho.
Brasília
2013
Monografia de autoria de Tiago Soares Lima, intitulada “REPENSANDO
O PROCESSO DIAGNÓSTICO DOS TRANSTORNOS DE ESPECTRO
AUTISTA”, apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de
Bacharel em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, em
/
defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada:
________________________________________________
Prof. Msc. Fabíola Gomide Baquero Carvalho
Orientadora
Psicologia - UCB
________________________________________________
Prof. Dra. Erenice Natalia Soares de Carvalho
Psicologia - UCB
Brasília
2013
/
,
AGRADECIMENTO
Grato a Deus pelo dom da vida, pelo seu amor infinito, Sua presença em
mim me foi sustento e me deu coragem para questionar realidades que
encontrei ao longo do caminho e propor sempre um novo mundo de
possibilidades principalmente para as pessoas com quem pude realizar esse
trabalho.
Dedico esta, bem como todas as minhas demais conquistas, aos meus
amados pais Julio e Lourdes, a quem tudo devo, por suas renúncias,
sacrifícios e afeto, os quais jamais consiguirei retribuir com a mesma
intensidade, obrigado por cada incentivo e orientação, pelas orações em meu
favor, pela preocupação para que estivesse sempre andando pelo caminho
correto. Minhas irmãs, Luciana, Juliana e Camila, por todo amor, apoio e
carinho. Aos irmãos que a vida me deu, Afonso e Handerson, por sempre
torcerem pelo meu sucesso.
À Carolina, pessoa com quem amo partilhar a vida. Com você tenho me
sentido mais vivo de verdade. Obrigado pelo carinho, paciência e por sua
capacidade de me trazer paz na correria de cada semestre.
Aos meus futuros colegas de profissão, em especial Laura, Jardel,
Bárbara, Melissa, Carine e Reginaldo, a quem aprendi a amar e construir laços
eternos. Obrigado por todos os momentos em que fomos estudiosos,
brincalhões e cúmplices. Porque em vocês encontrei verdadeiros irmãos.
Obrigado pela paciência, pelo sorriso, pelo abraço, pela mão que sempre se
estendia quando eu precisava. Esta caminhada não seria a mesma sem vocês.
À professora Fabíola Gomide que, com muita paciência e atenção,
dedicou do seu valioso tempo para me orientar em cada passo deste trabalho.
À professora Gerciane Máximo Alves, agradeço as duas pela contribuição na
minha vida acadêmica e por tanta influência na minha futura vida profissional.
A todos aqueles que de alguma forma estiveram e estão próximos de
mim, fazendo esta vida valer cada vez mais a pena.
“A escola tem que ser esse lugar em
que as crianças tem a oportunidade
de ser elas mesmas e onde as
diferenças não são escondidas, mas
destacadas.” (Mantoan)
RESUMO
Referência: LIMA, Tiago Soares. Repensando o Processo Diagnóstico dos
Transtornos de Espectro Autista. 2013. 41f. Monografia (Psicologia) –
Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2013.
No presente trabalho foram acompanhadas experiências terapêuticas com
duas crianças com suspeita de autismo, além de observar o papel do psicólogo
frente ao processo de diagnóstico que, segundo a própria literatura, deve
basear-se em um trabalho multidisciplinar, envolvendo inúmeras áreas de
atendimento. Durante a realização de pesquisas bibliográficas foi percebido
que no meio acadêmico já existem estudos sobre o desenvolvimento de
processos de diagnóstico, embora no Brasil, a precocidade no diagnóstico
ainda se configura um desafio aos profissionais envolvidos na área. O autismo
é classificado como transtorno invasivo do desenvolvimento, envolvendo
dificuldades nas habilidades sociais e comunicativas. Pessoas com autismo
apresentam atraso no seu desenvolvimento em geral, e demonstram
comportamentos repetitivos, estereotipados e limitados. Na realização deste
estudo de caso acompanhou, durante 1 ano, duas crianças de 3 anos de idade
em processo de diagnóstico, que eram atendidas no programa de educação
precoce da Secretaria de Educação do DF. Foram realizadas entrevistas com
as mães e professores, e diversas observações de atendimento das crianças
citadas no estudo. Os resultados indicaram que as suspeitas de diagnóstico
levantadas pela equipe da escola estavam corretas, pois ao longo do período
em que esse trabalho foi realizado, as famílias conseguiram concluir o
diagnóstico junto a uma equipe médica. Alguns questionamentos surgiram ao
longo desse diagnóstico, pois foi percebida uma queixa comum nas duas
famílias, ambas em nenhum momento, se sentiram participantes de todo o
processo e não souberam informar quais informações sobre o processo foram
utilizadas pelos profissionais para chegar a tal diagnóstico. Acompanhar as
duas famílias permitiu compreender que o processo diagnóstico se baseia na
percepção clínica dos médicos, e que o transtorno e evidenciado pela relação
dos comportamentos presentes nos manuais de classificação, restando pouco
espaço para compreensão da subjetividade de cada criança ou família.
ABSTRACT
Referência: LIMA, Tiago Soares Repensando o Processo Diagnóstico dos
Transtornos de Espectro Autista. 2013. 41f. Monografia (Psicologia) –
Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2013.
This study followed therapeutic experience with two children with suspected
autism, and to observe the role of psychologists across the diagnostic process
which according to literature itself should be based on a multidisciplinary
involving many service areas. While conducting literature searches was noticed
that already exist in the academic studies on the development of diagnostic
procedures although in Brazil early diagnosis still represents a challenge for
professionals involved in the field. Autism is classified as a pervasive
developmental disorder involving difficulties in social and communication skills
people with autism have delays in their development in general and show
repetitive behaviors and stereotyped limited. This case study was followed for
one year two children from 3 years in the diagnostic process which were served
in early education program of the Education Department of the DF. Interviews
were conducted with mothers and teachers, and several observations of care.
The results indicated that the suspected diagnosis raised by school staff were
correct because during the period in which this work was carried out and were
able to make the diagnosis with a medical team. Some questions arose over
this diagnosis because it was perceived a common complaint in the two families
both at no time felt participants of the process and not inform what tools were
used by the pros to get that diagnosis. Follow the two families allowed for an
understanding of how this diagnostic process happens in the public health of
the Federal District showing mainly the complaints of the families who
depended this system.
Keywords: Autism. Diagnosis. Proposals Psychoeducational.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO……………………………………………………………………....8
2 REFERENCIAL TEÓRICO……………………………………………………….10
2.1 TRANSTORNOS INVASIVOS DO COMPORTAMENTO............................10
2.2 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA.............................................11
2.2.1 A teoria afetiva........................................................................................12
2.2.2 A teoria cognitiva...................................................................................13
2.2.3 Isolamento autístico..............................................................................15
2.2.4 Condutas motoras.................................................................................15
2.2.5 Linguagem e habilidades verbais........................................................16
2.2.6 Alterações afetivas................................................................................16
2.3 PROCESSO DE DIAGNÓSTICO...............................................................17
2.3.1 Papel do psicólogo no processo de diagnóstico...............................18
3 PROPOSTAS DE INTERVENÇÕES.............................................................20
3.1 INTERVENÇÕES PSICOEDUCACIONAIS................................................20
3.2 TERAPIA AUXILIADA PELO ANIMAL........................................................21
4 OBJETIVOS...................................................................................................25
4.1 OBJETIVO GERAL.....................................................................................25
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS.......................................................................25
5 METODOLOGIA............................................................................................26
5.1 RECURSOS METODOLÓGICOS...............................................................26
5.2 PARTICIPANTES........................................................................................26
5.3 INSTRUMENTOS........................................................................................28
5.4 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS..............................................29
5.5 PROCEDIMENTO PARA ANÁLISE DE DADOS........................................29
6 RESULTADOS E DISCUSSÕES...................................................................30
6.1 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA............................................................30
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................37
REFERÊNCIAS.................................................................................................39
ANEXOS............................................................................................................42
10
1. INTRODUÇÃO
No presente trabalho foram acompanhadas experiências terapêuticas de
crianças com suspeita do diagnóstico de autismo, além de observar o papel do
psicólogo frente ao processo de diagnóstico, que segundo a literatura deve
basear-se em um trabalho multidisciplinar, nas áreas de atendimento. Durante a
realização de pesquisas bibliográficas para a elaboração deste trabalaho, foi
percebido que no meio acadêmico já existem estudos sobre o desenvolvimento
de processos de diagnóstico, embora no Brasil, a precocidade no diagnóstico
ainda se configura um desafio aos profissionais envolvidos na área.
A incidência de casos de autismo tem crescido de forma significativa em
todo o mundo, especialmente durante as últimas décadas (BARBARESI;
KATUSIC; VOIGT, 2006). Desse modo, profissionais da saúde, educação e
áreas que tenham a infância como principal especialidade, devem estar cada
vez mais preparados para encontrar casos de autismo nas suas práticas.
Entretanto, ainda hoje existe uma grande barreira em termos de conhecimento e
capacitação profissional em relação às práticas diagnósticas e à implementação
de programas de intervenção. Apesar de ter havido enormes avanços nessas
últimas décadas em relação à identificação precoce e ao diagnóstico de autismo,
como estudos e técnicas auxiliares, muitas crianças, especialmente no Brasil,
ainda continuam por muitos anos sem um diagnóstico ou com diagnósticos
inadequados.
Para compreendermos melhor esse mundo que afeta inúmeras crianças
por todo mundo, devemos compreender primeiro algumas caracteristicas que
compõe cada fase da infância.
A primeira infância, como a fase que compreende o nascimento até os
três anos. O recém-nascido é dependente, porém competente. Todos os
sentidos estão ativados desde o nascimento. O crescimento físico e o
desenvolvimento das habilidades motoras são rápidos. Quanto à compreensão e
à fala, também desenvolvem-se rapidamente. A segunda infância é o período
que compreende dos três aos seis anos, a força e as habilidades motoras
11
simples
e
complexas
predominantemente
aumentam
egocêntrico,
gradativamente,
a
criatividade
e
o
a
comportamento
imaginação
é
são
caracteristicas bastante presentes durante as brincadeiras. Outra característica
fundamental nessa fase é o início de idependência da criança para exercer
algumas atividades.
A terceira infância corresponde ao período de seis a doze anos. Nessa
fase, o crescimento físico e o egocentrismo diminuem, enquanto a memória e as
habilidades de linguagem aumentam. A auto-imagem desenvolve-se, afetando a
auto-estima, e os amigos assumem importância fundamental nas atividades
diárias da criança (PAPAIA, 2000).
Conhecido essa proposta de desenvolvimento da criança, é possível,
então, observar quando ocorre um desvio. É nos primeiros anos de vida que os
transtornos invasivos do desenvolvimento se manifestam, como o autismo,
transtornos esses freqüentemente associados a algum grau de deficiencia
intelectual (ELLIS, 1996).
12
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO
Os transtornos invasivos do Desenvolvimento, classificados no Manual
Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV, 2002), caracterizam-se
por prejuízo severo e invasivo em diversas áreas do desenvolvimento:
habilidades de interação social recíproca, de comunicação e atividades
estereotipadas.
Em
geral,
os
transtornos
incidem
sobre
múltiplas
áreas
do
desenvolvimento, aparecem precocemente e provocam disfunção persistente,
incluindo os seguintes transtornos na categoria de transtornos invasivos do
desenvolvimento: Autismo Infantil, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett,
Transtorno Desintegrativo da Infância e transtorno invasivo do desenvolvimento
sem outra especificação. (PLOULLER, apud GAUDERER, 1997).
A definição atual do autismo, tanto na 10ª revisão da Classificação
Internacional das Doenças Mentais, quanto no Manual Diagnóstico e Estatístico
da Associação Americana de Psiquiatria (DSM, 1995), se refere a um transtorno
de desenvolvimento complexo, caracterizado por prejuízos em três esferas do
comportamento: interação social, comunicação e padrões de interesses e
comportamentos repetitivos e estereotipados como já relatado acima. As
anormalidades no funcionamento em cada uma dessas esferas devem estar
presentes em torno dos três anos de idade. As manifestações clínicas variam
amplamente em termos de níveis de gravidade.
O diagnóstico de transtorno autístico requer pelo menos seis critérios
comportamentais, um de cada uma das esferas de comportamento alterado. Em
função da complexidade em se diagnosticar o autismo ou Transtornos Globais
do Desenvolvimento (TGD) a Dra. Lorna Wing apresentou o conceito da tríade
de Lorna Winga, um estudo clássico de Wing (1993), com crianças autistas
inglesas, na década de 1970, que lhe permitiu concluir que todas as crianças
13
com diagnóstico de autismo apresentam uma tríade com características
específicas: por envolver transtornos da interação social; da comunicação e da
função simbólica.
O uso da expressão espectro do autismo, criada por Wing (1985) em
substituição ao termo autismo, deve-se à constatação da existência de amplas
variações entre as condições dos portadores do transtorno revelando, segundo
Marques (2000), variada caracterização:
•
Maior ou menor gravidade do transtorno;
•
Associação com outras alterações (comorbidade);
•
Diversidade de comportamentos, sinais ou sintomas;
•
Competências
comunicativas,
cognitivas
e
interpessoais
diferenciadas;
•
Variação de condições pessoais em relação ao mesmo transtorno.
Segundo o CID, encontramos o Autismo classificado como F84.0, fazendo
parte de uma outra série de patologias também classificadas com as inicias F84,
que aglomeram os TGD, patologias essas como: Síndrome de Rett (F84.2),
Transtorno desintegrativo da Infância (F84.3), Transtorno com hipercinesia
associada a retardo mental e a movimentos estereotipados (F84.4), Síndrome
de Asperger (F84.5), Outros transtornos globais do desenvolvimento (F84.8),
Transtornos globais não especificados do desenvolvimento (F84.9). Pelas
caracteristicas semelhantes entre o Autismo e a Síndrome de Aspeger,
entenderemos nesse trabalho os dois como sinônimos.
2.2 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Atualmente o autismo é classificado como transtorno invasivo do
desenvolvimento,
comunicativas,
envolvendo
pessoas
com
dificuldades
autismo
nas
habilidades
apresentam
atraso
sociais
em
e
seu
desenvolvimento desde a infância, também como comportamentos repetitivos e
limitados. Uma proposta de alteração dos critérios do DSM V sugere que para se
diagnosticar autismo, estejam presentes as seguintes características:
14
Déficits na comunicação social e na interação social: déficit na
comunicação não verbal e verbal utilizada para a interação social, falta de
reciprocidade social, incapacidade de desenvolver e manter relacionamentos
com seus pares apropriados ao seu nível de desenvolvimento.
Padrões restritos e repetitivos de comportamento: estereotipias ou
comportamentos verbais estereotipados ou comportamento sensorial incomum,
aderência a rotinas e padrões de comportamentos ritualizados, interesses
restritos.Os sintomas devem estar presentes na primeira infância, mas podem
não se manifestar plenamente, até que as demandas sociais ultrapassem as
capacidades limitadas. (DORNELLES, 2013)
Segundo Bosa (2006), a grande maioria dos pais ou cuidadores das
crianças percebem alguma alteração em seu comportamento antes dos 36
meses de vida, o que a autora classifica como sendo muito benéfica, pois
quanto mais cedo o autismo for diagnosticado e
a criança for submetida a
tratamentos especificos, mais chances de uma vida independente a criança terá.
Segundo
Baron-Cohen
(1991),
a
idade
média
de
diagnóstico
é
de
aproximadamente três anos, embora o autor sugira que o diagnóstico já possa
ser bem estabelecido em torno de 18 meses de idade.
Kanner (1943), garante que o Autismo por suas caracteristicas síngulares,
tornou-se um dos trantornos mais estudados e debatidos no meio médico. O
autor denominou de Distúrbios Autísticos Inatos do Contato Afetivo, e tornou-se
um dos pioneiros a identificar entre indivíduos com retardo mental e distúrbios
do
comportamento,
alguns
que
se
diferenciavam
dos
demais
por
comportamentos muito peculiares, separando na época principalmente do grupo
de esquezofrenia, considerando, porém, que tudo não passava do que ele
classificava como “psicose”.
Ritvo (1976), passou a considerar as descobertas de Kanner como uma
síndrome, relacionando-o com um déficit cognitivo e considerando-o não como
uma psicose e sim como um distúrbio do desenvolvimento. Segundo o autor, a
referencia histórica de Kanner faz da síndrome autística uma maneira mais ou
menos específica de estar no mundo e aí formar relações atípicas. Gillberg
15
(1990), não considera a visão do autismo como um dos maiores mistérios e
desafios da psiquiatria contemporânea, mas sim uma síndrome comportamental
definida, com etiologias orgânicas também definidas. Sobre esses conceitos é
que
são
construídos
diagnósticos
diferenciados,
bem
como
aspectos
terapêuticos desse transtorno, da maneira como encaramos nos dias de hoje.
2.2.1 A teoria afetiva
Originalmente proposta por Kanner (1943), a teoria afetiva é uma das
principais propostas de compreensão quando nos referimos ao autismo.
Teóricos que seguiram a linha de compreensão proposta pelo autor, sugerem
quatro caracterisitcas centrais para o diagnóstivo de “Distúrbios Autísticos” como
define Hobson (1990):
•
Crianças autísticas têm falhas constitucionais de componentes de
ação e reação necessários para o desenvolvimento das relações pessoais com
outras pessoas, as quais envolvem afeto.
•
As relações pessoais são necessárias para a continuação do
mundo póprio e com os outros.
•
resultados
Os déficites das crianças autistas na experiência social têm dois
especialmente
importantes:
Primeiro
é
déficit
relativo
no
conhecimento de outras pessoas como portadoras de sentimentos próprios,
pensamentos, desejos, intenções; o segundo seria ao déficit grave na
capacidade para abstrair, sentir e pensar simbolicamente.
•
Grande parte das inabilidades de cognição e linguagem das
crianças autistas pode refletir déficit que tem íntima relação com o
desenvolvimento afeivo e sociais dependentes da incapacidade de simbolização.
A teoria afetiva considera que faltariam as crianças autistas fatores
constitucionais para que desenvolvessem o que Hobson (1997), define como
“recipocidade afetiva”, fundamentais apara a constituição de um mundo próprio,
observando-se, em decorrência, a alteração na experiência intersubjetiva e os
prejuízos significativos em sua capacidade simbólica (Idem).
16
2.2.2 A teoria cognitiva
Em contrapartida a teoria afetiva proposta por Kranner (1943) e
reelaborda por Hobson, Baron-Cohen (1991), propõem uma teoria cognitiva para
o autismo. Tendo como base essa teoria tambem consideram como ponto
central que a principal dificuldade da criança autista é a impossibilidade que
possui para compreender “estados mentais” de outras pessoas. Esssa teoria é
chamada de teoria da mente, porque envolve o conceito da existência de
estados mentais que são utilizados para explicar ou prever o comportamento de
outras pessoas (FRITH,1988).
A teoria cognitiva sugere que no autismo a capacidade de metarepresentação encontra-se alterada, fazendo com que assim os padrões de
interação social sejam modificados. Segundo Baron-Cohen (1991), serão
apresentados algumas caracateristicas presentes em crianças autistas, segundo
a teoria cognitiva:
•
O autismo é causado por déficit cognitivo central;
•
Um desses déficits é referente a capacidade de meta-
representação.
•
Essa meta-representação é requerida nos padrões sociais que
envolvem a necessidade de atribuir estados mentais aos outros. Assim, padrões
que não requerem essa capacidade meta-representacional (como por exemplo o
reconhecimento de gênero, permanência do objeto ou auto-reconhecimento no
espelho) podem estar intactos no autismo;
•
A capacidade meta-representacional é obrigatória em padrões
simbólicos;
•
Os padrões pragmáticos também requerem a presença dessa
meta-representação, razão pela qual se encontram alterados no autismo.
Segundo Baron-Cohen (1991), essa teoria acredita na dificuldade desses
indivíduos em perceber crenças, intenções, emoções, e conceitos de outras
pessoas, elaborando estados mentais a respeito delas. Paralelamente se sugere
17
um déficit em suas funções executivas que lhe dificultariam em relação a sua
flexibilidade mental, a atenção dirigida, o planejamento estratégico e o
raciocínio.
Seguindo a teoria proposta pelo mesmo autor, podemos considerar que a
síndrome autística é uma entidade clínica com características razoavelmente
definidas, principalmente quando falamos no âmbito cognitivo, o que nos
possibilita a avaliação da dinâmica familiar dos pais ou cuidaores, visto que a
educação e o processo de socialização cabem à família, independente do
processo de habilitação e tratamento (1991).
Como já foi visto, durante a pesquisa bibliográfica para elaboração desse
trabalho, foram encontradas inúmeras teorias para explicar o surgimento e
principais
causas
comportamentais
do
que
autismo.
tentam
Por
um
lado
encontramos
explicar
os
sintomas
teorias
comportamentais
caracteristicos desse transtorno, sob outra perspectiva, encontramos as teorias
neurológicas e fisiólogicas, que nos fornecem informações sobre uma possível
base neurológica. Embora sejam teorias que invistam em áreas tão
diversificadas, mas do que conflitos, elas promovem uma completariedade,
possibilitando então um diagnóstico mais completo.
Para uma melhor compreensão dos principais aspectos comportamentais
caracteristicos do autismo, Camargo (2005), nos apresenta um manual
apresentando algumas dessas caracteristicas.
2.2.3 Isolamento autístico
As crianças autistas apresentam, desde seus primeiros anos de vida, uma
incapacidade acentuada de desenvolver relações pessoais, sendo já observada
com a figura materna. Ajuriaguerra e Marcelli (1991), nos chamam atenção que
os principais marcos do despertar psicomotor do primeir ano de vida estão
modificados: ausência de sorriso social (terceiro mês) e ausência de reação de
angústia diante do estranho (oitavo mês). A criança pode ser indiferente aos
18
outros, ignorando-os e não reagindo à afeição e ao contato físico. (CAMARGOS,
2005)
2.2.4 Condutas motoras
Grande parte dos autistas tem uma motricidade perturbada pela
manifestação intermitente ou contínua de movimentos repetitivos e complexos
(estereotipias). Os mais típicos envolvem as mãos e os braços, mexendo-os
frente aos olhos ou batendo palmas no mesmo ritmo. Balanceio do corpo inteiro,
além de bater a cabeça repetidamente, também são condutas observadas.
Quanto ao aspecto da instabilidade, geralmente observa-se um perpétuo estado
de agitação, no qual a criança sobe nas mesas e outros móveis sem temor ou
noção de risco, assim como, em outros casos, pode se notar uma inibição
motora, às vezes acompanhada de uma inabilidade gestual, comportamentos
automutiladores, como arrancar os cabelos, bater-se ou morder-se, são
freqüentes, e está relacionado a uma maior gravidade dos casos (CAMARGOS,
2005).
2.2.5 Linguagem e habilidades verbais
Habilidades linguísticas estão prejudicadas na criança autista, a grande
maioria
não
apresentam
a
imitação
social
tão
importante
para
o
desenvolvimento da linguagem, que se manifesta na reprodução de gestos
como dar “tchau”, jogar beijinhos e não imitar os pais nos afazeres domésticos.
Em todos os casos, o elemento significativo continua sendo que a linguagem
não tem uma verdadeira função de comunicação com o outro. Um aspecto é
característico, quando querem atingir um objeto, os autistas pegam a mão ou o
punho de um adulto (CAMARGOS, 2005).
.
19
2.2.6 Alterações afetivas
O humor dos autistas é imprevisível e pode se alterar de um instante para
outro, passando do riso incontrolável, e aparentemente sem razão, aos choros
inexplicáveis. As emoções entram, freqüentemente, em contradição com a
situação. Intolerância às frustrações e automutilações são reações freqüentes. A
angústia é massiva, acarretando uma ruptura na continuidade psíquica da
criança, que provavelmente experimenta, então, uma vivência de rompimento ou
de aniquilação (CAMARGOS, 2005).
.
2.3 PROCESSO DE DIAGNÓSTICO
O autismo infantil apresenta grandes dificuldades no diagnóstico, uma vez
que engloba, dentro dos conceitos atuais, várias doenças com diferentes
quadros clínicos que têm como fator comum o sintoma autístico. Segundo
Gillberg (1990, apud Schwartzman, 1995), o autismo é considerado uma
síndrome comportamental, com etiologias e curso de um distúrbio de
desenvolvimento, caracterizado por um déficit social visualizado pela inabilidade
em relacionar-se com o outro, usualmente combinado com déficit de linguagem
e alterações de comportamento.
O diagnóstico do autismo infantil, baseado no DSM-IV (1995), é
caracterizado por um comprometimento acentuado no uso de múltiplos
comportamentos não-verbais, tais como: contato visual direto, expressão facial,
posturas corporais e gestos para regular a interação social e acentuado fracasso
em desenvolver habilidades apropriadas ao seu nível de desenvolvimento.
Existe uma falta de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou
realizações com outras pessoas, e não há reciprocidade social ou emocional. O
comprometimento qualitativo na comunicação é acentuado pelo atraso ou
ausência total de desenvolvimento da linguagem falada. Nos casos em que a
20
fala é adequada, existe um acentuado comprometimento da capacidade de
iniciar ou manter uma conversação, é comum o uso estereotipado e repetitivo da
linguagem (SOUSA, 2004).
O uso de questionários de triagem oferece o melhor método para
identificação precoce de crianças com autismo. Vários instrumentos têm sido
utilizados para identificação de autismo, dentre eles: o Childhood Autism Rating
Scale (CARS); o Social Communication Questionnaire (SCQ); o Screening Tool
for Autism in Two Years Old (STAT); o Developmental Behaviour Checklist
(DBC); o Checklist for Autism in Toddlers (CHAT); e o Modified Checklist for
Autism in Toddlers (M-CHAT).
Uma das escalas de avaliação mais usadas é a CARS, que consiste em
uma entrevista estruturada de 15 itens com os pais ou responsáveis de uma
criança autista maior de 2 anos de idade. A escala é composta de 40 questões e
diferencia autismo de retardo mental em maiores de 4 anos. A STAT é uma
avaliação interativa de crianças entre 24 e 35 meses de idade, administrada por
um médico treinado. A DBC é uma escala de 96 itens, com objetivo de avaliar
problemas emocionais e comportamentais em crianças com idade entre 4 e 18
anos, com déficit intelectual.
A CHAT foi desenvolvida para identificar crianças com risco de autismo
aos 18 meses de idade. Um estudo de 6 anos realizado no Reino Unido com
mais de 16.000 crianças rastreadas com o CHAT aos 18 meses de idade
demonstrou sensibilidade de apenas 0,40 e especificidade de 0,98, com valor
preditivo positivo de 0,26. O M-CHAT é uma escala de rastreamento que pode
ser utilizada em todas as crianças durante visitas pediátricas, com objetivo de
identificar traços de autismo em crianças de idade precoce.
Os instrumentos de rastreio são úteis para avaliar pessoas que estão
aparentemente bem, mas que apresentam alguma doença ou fator de risco para
doença, diferentemente daquelas que não apresentam sintomas. A M-CHAT é
extremamente simples e não precisa ser administrada por médicos. A resposta
aos itens da escala leva em conta as observações dos pais com relação ao
comportamento da criança, dura apenas alguns minutos para ser preenchida,
21
não depende de agendamento prévio, é de baixo custo e não causa desconforto
aos pacientes. Essa escala é uma extensão da CHAT. Consiste em 23 questões
do tipo sim/não, que deve ser autopreenchida por pais de crianças de 18 a 24
meses de idade, que sejam ao menos alfabetizados e estejam acompanhando o
filho em consulta pediátrica (LASAPIO, 2011)
2.3.1 Papel do psicólogo no processo de diagnóstico
Como já discutido, para a realização de um diagnóstico completo de
autismo, inúmeros profissionais de diferentes áreas devem estar envolvidos,
entre eles, profissionais em psicologia. Segundo Sousa (2004), o psicólogo, com
sua formação específica e bem definida, deve estar inserido nesse contexto,
sendo também um conhecedor do desenvolvimento humano normal para ter
condições de detectar as áreas defasadas e comprometidas. Ele precisa estar
muito sensível às observações e relatos da família.
É fundamental que o psicólogo esteja atualizado com os trabalhos e
pesquisas recentes relativos à sua especificidade para orientar a família. A sua
sensibilidade diante da criança e do nível de comprometimento desta é
importante para que ele saiba adequar propostas terapêuticas que realmente a
beneficiem (ELLIS, 1996). Segundo o mesmo autor, o psicólogo pode influir em
vários níveis e desenvolver vários papéis, tais como, investigador e pesquisador,
em uma equipe diagnóstica e de avaliação, psicoterapeuta, em uma abordagem
individual,
psicoterapeuta
em
uma
abordagem
institucional,
consultor
institucional e orientador familiar.
De acordo com Windholz (apud SCHWARTZMAN, 1995), nos últimos 30
anos, vários tratamentos foram baseados em orientações teóricas diversas e de
níveis de abrangência diferentes (terapias individual, psicanalítica, orientação
cognitiva e outras). Esses tratamentos foram aplicados na tentativa de ajudar a
pessoa com autismo a adquirir um repertório mais funcional, diminuindo, assim,
os vários distúrbios de conduta. Para Windholz (Idem), atualmente, a terapia
comportamental é considerada a mais bem desenvolvida, confiável e eficaz no
22
atendimento da pessoa com autismo. Ornitz (apud Gauderer, 1997) diz que a
melhor intervenção é uma abordagem flexível, adaptável às mudanças que
ocorrem no nível de desenvolvimento (SOUSA, 2004).
3. PROPOSTAS DE INTERVENÇÕES
3.1 INTERVENÇÕES PSICOEDUCACIONAIS
Bosa (2006),
afirma que o planejamento do tratamento deve ser
estruturado de acordo com as etapas de vida do paciente. Com crianças autistas
os autores afirmam que as prioridades de tratamento devem ser atividades que
estimulam a fala, da interação social-linguagem e suporte familiar. Com
adolescentes, os alvos seriam os grupos de habilidades sociais, terapia
ocupacional e sexualidade. Com adultos, questões como as opções de moradia
e tutela deveriam ser focadas.
Existe hoje em dia uma grande discussão sobre qual seria a melhor
estratégia para oferecer um tratamento para uma criança autista, questiona-se
se o melhor seria um atendimento com uma abordagem individual, realizada por
profissionais com treinamento específico em determinadas áreas, ou aqueles
com uma abordagem multidisciplinar. O que não se questiona é que o
profissional que irá trabalhar com uma criança autista precisa ter um treinamento
e um conhecimento específico sobre o autismo, e se o tratamento envolver mais
profissionais, esse trabalho necessita que haja um consenso e uma boa
23
comunicação entre esses profissionais envolvidos, pois segundo Bosa (Idem),
uma das situações mais estressantes para os pais, ao lidarem com os
profissionais, é a controvérsia que envolve o processo de atendimento. A autora
estabelece quatro requisitos mínimos para um atendimento psicoeducacional
com crianças autistas, que são:
•
Estimular o desenvolvimento social e comunicativo: Crianças com
autismo, podem apresentar inúmeras dificuldades em sua habilidade de
comunicação verbal e podem requerer alguma forma de comunicação
alternativa. A escolha apropriada do sistema depende das habilidades da
criança e do grau de comprometimento. Como o desenvolvimento de sistemas
de sinais e cartões de comunicação, que são os mais utilizados nos dias atuais.
•
Aprimorando o aprendizado e a capacidade de solucionar
problemas: O que mais é destacado em relação ao aprimoramento do
aprendizado em relaçao a crianças autistas, demonstram a importância da
organização do ambiente, do uso de pistas visuais e o trabalho com base nas
habilidades prévias da criança, em vez de focar na tentativa de superar os
principais déficits do autismo.
•
Diminuindo comportamentos que interferem no aprendizado e no
acesso às oportunidades para experiências do cotidiano: Alguns estudos
demonstraram que os comportamentos desafiadores têm funções comunicativas
importantes, que são: indicar a necessidade de auxílio ou atenção; escapar de
situações ou atividades que causam sofrimento; obter objetos desejados;
protestar contra eventos ou atividades não-desejados.
•
Ajudando famílias a lidar com o autismo: Bosa (Ibidem) chamou a
atenção para a importância de aconselhar os pais sobre as vantagens e
desvantagens relativas a diferentes tratamentos. Ainda que seja importante não
parecer tão pessimista, existe também a necessidade de demonstrar que os
tratamentos diferem em seus fundamentos e que avaliações sistemáticas ainda
têm que ser demonstradas para a maioria deles.
24
3.2 TERAPIA AUXILIADA PELO ANIMAL
As possibilidades de intervenção com a participação de animais abrem
para os profissionais de saúde e da educação a perspectiva do uso de recursos
terapêuticos auxiliares (ALTHAUSEN, 2006). A utilização dos animais para
promover um benefício para o ser humano torna-se, uma oportunidade
excelente para o progresso da ciência, proporcionando mais pesquisas que
visam apreender o potencial, ainda não imaginado ou percebido nesta relação e,
espaços
terapêuticos
possíveis.
Sempre
no
acolhimento
às
pessoas
necessitadas, para despertá-las para uma interação mais favorável com o
mundo, e melhorando, assim, sua vida (CAETANO, 2010).
Conforme Latzman (2004), na Atividade Assistida por Animais (AAA) não
há um acompanhamento médico periódico nas visitas, e estas são realizadas
com os animais semanalmente a fim de promover a distração, recreação e o
bem-estar dos pacientes por meio do contato dos animais com essas pessoas.
Já a Terapia Assistida por Animais (TAA) exige que haja um
acompanhamento de profissionais da área da saúde como fisioterapeutas,
psicólogos e médicos dentre outros, que utilizam os animais como parte de um
tratamento. O mesmo autor ainda fala que no caso, a TAA é direcionada para
promover a saúde física, social, emocional e/ou de funções cognitivas. Além dos
profissionais da saúde humana é necessário que haja o acompanhamento de
um médico veterinário para fazer uma avaliação do comportamento e da saúde
dos animais que participam das atividades (ABREU, 2008).
Leal e Natalie (2007) consideram que as intervenções que utilizam a
participação de animais como a AAA e a TAA possuem objetivos diretos de
promover atividades que contribuam para a saúde e o bem-estar dos indivíduos,
tanto com função motivacional, educacional, lúdica ou terapêutica, assim como o
de melhorar o funcionamento físico, social, emocional e cognitivo.
Conforme Chagas (2009), nessas terapias são utilizados todos os tipos de
animais que possam entrar em contato com o homem sem causar perigo. Entre
os escolhidos com mais frequência pelos profissionais envolvidos nos
25
tratamento estão o gato, o coelho, a tartaruga, o pássaro, peixes diversos, o cão,
o cavalo e inclusive animais exóticos como iguana e camaleão, ou diferenciados
como a chinchila, a cobaia, o hamster. Dos mais utilizados entre eles é o cão,
assim como o cavalo, em terapias denominadas de Cinoterapia e Equoterapia
Dotti (2005, p. 80) assinala que os animais podem auxiliar em programas
como a AAA/TAA porque têm a oferecer uma série de requisitos às pessoas, tais
como:
•
Ligação com a natureza;
•
Oportunidade para desenvolvimento de sentimentos positivos;
•
Senso de responsabilidade;
•
Reforço da auto-estima e segurança emocional;
•
Socialização;
•
Contato - troca de afeto, que dá intimidade, essencial na Terapia;
•
Amor incondicional, sem julgamentos;
•
Prazer em rir e brincar com o animal;
•
Sensação de conforto e bem-estar;
•
Estímulo mental, físico e emocional;
•
Lembranças de memórias passadas.
Oliveira (2007), considera que a inserção do animal na AAA e na TAA
efetiva importantes contribuições para o estudo da recuperação do homem
diante dos males da saúde e do comportamento, e é diretamente responsável,
com a melhoria terapêutica e de qualdiade de vida das pessoas, pelo objetivo
maior das organizações, que é a prática de contribuir com o bem ao ser
humano.
Para Chagas (2009), a utilização de animais promove nos pacientes, nos
indivíduos que deste processo usufruem, experiências que possibilitam a
reorganização do comportamento ocupacional das pessoas, por exemplo, de
busca de forças para recuperarem-se ante os males que os afligem e assim
“conseguirem alcançar os máximos níveis possíveis de saúde e bem estar”.
O cão é o animal mais utilizado na AAA/TAA, pois é facilmente adestrado,
sendo suas espécies sociáveis e que buscam interagir espontaneamente; os
26
cães criam respostas positivas ao toque e as pessoas tendem a criar laços
afetivos a eles com facilidade, sendo difícil a não aceitação, por parte das
pessoas, deste contato com os animais, pois esta afeição aproxima as pessoas
dos animais e o processo funciona como um elo entre pessoa e animal.
Conforme Oliveira (2007), os benefícios com a cinoterapia, para as
crianças, principalmente, quando doentes, são enormes:
A cinoterapia é benéfica para crianças que apresentam problemas
psicológicos, sociais e pedagógicos. Nesses casos, as crianças
sentem-se mais a vontade para relatar suas experiências ao cão, pois
elas percebem que o animal é um ser não-crítico e não-julgador. Um
médico, Levinson, acidentalmente deixou seu próprio cão, Jingles,
sozinho em um quarto com uma criança reservada, quando retornou,
percebeu a criança engajada em uma intensa conversa com o cão. Ele
determinou que animais poderiam ser úteis durante o processo de
avaliação com crianças. Embora haja testes para medir traços de
personalidade, QI, e habilidades diversas, é difícil verificar através
desses testes psicológicos como uma criança irá interagir com outros.
Mesmo se um adulto, como um dos pais, está no recinto durante a
avaliação da criança, a criança pode ser induzida a agir de uma
maneira diferente, atípica. Tendo um animal presente durante a
avaliação poderia permitir ao terapeuta apreciar o comportamento da
criança. De certa forma, o terapeuta poderia observar a criança se
expondo mais (Idem, p. 25).
Para Moreno (2009), a criança observa as ações do terapeuta, daqueles
que estão lhe prestando assistência médica e social, a forma com que estas
pessoas tratam o animal, e sente que vai ser tratada da mesma forma, com
carinho, com atenção, com gentileza, e começa a reagir favoravelmente ao
tratamento.
27
4. OBJETIVOS
4.1 OBJETIVO GERAL
•
Acompanhar o processo diagnóstico de duas crianças de 03 anos de
idade e verificar como se dá esse processo.
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
•
Promover uma reflexão sobre o papel do psicólogo durante o processo
de diagnóstico de uma criança autista.
•
Visto que se tratam de crianças que vivem em situação de
vulnerabilidade social devido a pobreza e que são atendidas na rede
educacional e de saúde pública do Distrito Federal.
28
5. METODOLOGIA
5.1 RECURSOS METODOLÓGICOS
O presente trabalho faz parte de um projeto de conclusão de curso, onde
procura-se destacar o papel do psicólogo no processo de diagnóstico de
autismo, analisando o processo diagnóstico de duas crianças com suspeita de
autismo. Para que os objetivos pudessem ser atingidos, o método utilizado foi a
pesquisa-ação, visto ser voltada para a descrição de situações concretas e
intervenção ou ação orientada para resolução de problemas coletivos, no qual
pesquisadores e participantes estão envolvidos Thiollent (1992).
Essa escolha metodológica assemelha-se ao que Creswell (2007) definiu
como “etnografia”. De acordo com essa autor, esta refere-se a uma estratégia de
investigação na qual o pesquisador estuda um grupo cultural intacto em um
cenário natural
durante um
período de tempo prolongado,
coletando
principalmente dados observacionais e de entrevistas.
Esta metodologia divide-se em três fases:
Fase I: elaboração do diagnóstico da situação;
Fase II: proposta de intervenção e implantação;
Fase III: avaliação.
O presente projeto de pesquisa, focará principalmente no processo de
diagnóstico e avaliação de como esse diagnóstico foi elaborado. Este recorte diz
respeito à avaliação das crianças atendidas e seus cuidadores, atendidos pelo
Centro de Ensino Infantil da rede pública de ensino do Distrito Federal.
29
5.2 PARTICIPANTES
Serão participantes da pesquisa duas crianças atendidas em uma
intituição de ensino pública em Brasília, além de seus cuidadores. Todas
residentes no Distrito Federal e entorno.
Chamaremos o primeiro participante de A.F.Q. Ele é filho da primeira
gestação da mãe de 28 anos. Gravidez normal sem complicações na gestação.
Casados a 06 anos, não usuária de droga, cigarro ou álcool. Criança nasceu de
parto normal, sem sofrimento com peso de 3kg e 400gr, 48,5 cm., PC 34 cm,
Apgar 9/10. Amamentou até seis meses, pegou bem no seio. Depois de seis
meses foi introduzida a alimentação, não pegou mamadeira e nem chupeta.
Segundo relatos da mãe criança com boa imunidade. Come de tudo, porém não
gosta de mastigar, a mãe dava comida pastosa ou amassada para evitar
engasgos. Ainda não se alimenta sozinha, necessita de auxílio para segurar os
talheres e leva-los até a boca. Dorme bem. Tem bruxismo. Sorriu com 3 meses,
firmou o pescoço com 6 meses, rolou com 7 meses, segurou objetos com 5
meses, com 6 meses sentou com apoio e com 9 já sentava sem apoio,
engatinhou com 11 meses, não arrastou, com um ano começou a dar os
primeiros passos, com um ano e um mês começou a andar sem apoio. Até o
momento não apresenta controle dos esfíncteres, utiliza fralda diurna e noturna.
Balbuciou com 8 meses, emitiu fonemas com 1 ano e 3 meses e falou as
seguintes palavras: águ, papa(papai). Iniciou a fala, mas depois parou
completamente por volta de um ano e oito meses. Agora no 2º semestre de 2013
retornou a balbuciar algumas palavras. Não estranha pessoas desconhecidas,
não gosta de colo e tem pouco contato com outras crianças. O convívio social é
com adultos, pouca interação com crianças e pouca manifestação de alegria em
situações cotidianas. Não gosta de brincar. Se irrita em ambientes barulhentos e
tapa os ouvidos para não escutar.
O segundo participante chamaremos de V.V.I, Sra tem 41 anos e
relacionamento estável há 12 anos, dois filhos, o mais velho com 12 anos e V.
com 4 anos e 1 mês. Foi encaminhado ao Programa de Educação Precoce com
30
diagnóstico de Atraso de Desenvolvimento NeuroPsicomotor – ADNPM. Na
gestação foi identificada anemia, e a mãe fez uso de medicamentos. Não enjôo,
não fez uso de cigarros e nem de bebidas alcóolicas. V. nasceu no HRPA de 40
semanas, cesário, chorou, peso 2815gr, PC 34,5cm, com Apgar 8/9.
Amamentou no seio materno sem dificuldades. Atualmente se alimenta bem e
necessita de ajuda de adulto. A sua autonomia e independência em relação à
alimentação e aos cuidados pessoais ainda estão em desenvolvimento. Dorme
bem a noite e faz uso da chupeta. Apresentou ao longo do seu desenvolvimento
nervosismo e comportamento de bater a cabeça na parede quando contrariado e
nervoso. Apresentou, também, comportamentos estereotipados com a cabeça e
as mãos. Importante ressaltar que a mãe apresenta quadro de deficiência
intelectual
apresentando
dificuldade
na
compreensão
de
comandos
e
interrogatórios clínicos. Afirma que V. se parece muito com ela quando era
criança, diz que demorou a andar e a falar, não identificando problemática no
desenvolvimento do filho.
Todas as informações acima foram coletadas através de uma entrevista
de anamnese com as mães das crianças, realizada pelos professores
responsáveis.
5.3 INSTRUMENTOS
Foram utilizados para a coleta de dados dos seguintes instrumentos:
•
Entrevista Semiestruturada com os responsáveis e professores;
•
Material de avaliação da Criança; (Histórico de avaliaçoes dos
professores)
•
Verificação dos Inventários e Questionários utilizados pela equipe
médica para conclusão do diagnóstico.
•
Conversas com os cuidadores: Após cada sessão de observação
será discutido com o cuidador, suas impressões acerca de aquisições de
habilidades ou mudanças de comportamento no repertório da criança durante o
dia-a-dia.
31
5.4 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS
Em relação aos procedimentos para a coleta de dados, o projeto de
pesquisa foi divulgado para os cuidadores das crianças autistas, devidamente
matriculados em um Centro de Ensino Infantil, numa cidade satélite do Distrito
Federal, bem como também para toda a equipe da escola.
Os cuidadores foram convidados a colaborar com a pesquisa, de forma
voluntária. Aqueles que aceitaram participar com a pesquisa, foram esclarecidos
sobre os objetivos e metodologia do estudo por meio da assinatura do Termo de
Consentimento Livre
e
Esclarecido.
Em
seguida, foram aplicados os
instrumentos supracitados.
Ao longo do trabalho foi possível observar as interacoes das criancas com
seus professores, assim como com outras da escola, essas oportunidades foram
de bastante importância para a compreensao de alguns comportamentos
estudados,
como
para
que
fosse
possível
comportamentos anteriores relatados pelas mães
uma
comparação
com
e que estavam sendo
trabalhados.
Entrevistas após os atendimentos com os professores foram de
fundamental importância, pois assim era possível elaborar estratégias de
intervenção para os atendimentos seguintes.
32
6. RESULTADOS E DISCUSSÕES
6.1 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA
6.1.2 SUJEITO A.F.Q
Após um longo período de avaliaçao e observacão de A.F.Q, a equipe
composta por psicólogos e pedagogos chegou as seguintes conclusões em
relação às duas crianças já citadas.
A.F.Q iniciou atividades no Programa de Educação Precoce em maio de
2012 (17/05/2012), na época com 2 anos e 2 meses. Apresentava suspeita
diagnóstica de Síndrome de Asperg. Em julho de 2013 a criança, com 3 anos e 6
meses, foi diagnosticada, pela neurologista, com Transtorno do Espectro Autista,
com alteração comportamental grave e atraso da fala – CID F84.0.
As crianças com diagnóstico de TGD/autismo apresentam uma tríade
com características específicas que envolvem: a) transtornos da interação
social; b) transtornos da comunicação e ; c) transtornos da função simbólica. As
manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de
desenvolvimento e da idade cronológica do indivíduo.
Em relação ao desenvolvimento de A.F.Q podemos afirmar que houve
progresso na sua aprendizagem, porém marcados por características autísticas
próprias:
•
Dificuldade
de
relacionamento
com
outras
crianças.
Os
atendimentos foram realizados individualmente, embora durante as atividades
fosse possível contato com outras crianças, Arthur não demonstrou interesse em
estabelecer contato com outras crianças.
•
Apresenta pouco contato visual com professores e familiares; .
Aceita o toque, porém não fixa o olhar, não aceita os comandos dos professores;
•
Aparente insensibilidade à dor;
•
Preferência pela solidão; modos arredios. Não gosta de ficar em
ambientes fechados.
33
•
Rotação de objetos. Apresenta apego grande por CDs e adora ser
girado no colo.
•
Inapropriada fixação em objetos. Fixação no seu próprio carrinho
de locomoção apresentando muita irritação (choro constante) ao ficar longe do
seu carrinho. Gosto por placas de sinalização.
•
Ausência de resposta aos métodos normais de ensino. Atenção em
objetos com três dimensões. Gosto por vídeos, revistas e palavras com desig
atrativo. Criança inteligente, com boa memória espacial, sabe se localizar e se
locomover na escola. Gosta de música e de assistir letrinhas de final de filme em
vídeos.
•
Não tem real medo do perigo, subindo em superfícies e objetos;
•
Age como se estivesse surdo. Corre sem direção com movimentos
desordenados de mãos.
•
Dificuldade em expressar necessidades – ele segura na mão do
adulto e o leva para onde quer ir, não fazendo uso da linguagem oral para se
comunicar. Não fala mas emite som pela boca quando feliz – grunhido – ri
quando está feliz.
•
Acessos de raiva - demonstra extrema aflição sem razão aparente,
com choros frequentes;
•
Irregular habilidade motora – alterna habilidades motoras, ora com
ajuda, ora sem ajuda. Não fica no parque. Gosta de correr.
Em relação ao processo de diagnóstico de A.F.Q, foi realizado uma
entrevista com a mãe da criança, que relatou estar preocupada com o
diagnóstico dado ao filho, pois em nenhum momento ela se recorda de terem
sido realizados testes ou algum questionário sobre o comportamento da criança,
recorda-se apenas de ter realizado apenas duas consultas com a equipe
médica, que logo elaboraram o documento que dava o diagnóstico ao filho.
Durante todo o ano em que esse trabalho foi elaborado, foram feitos
inúmeros atendimentos a mae da crianca, pois via-se a necessidade de um
período de esculta de suas angústias e dificuldades que a família encontrava
34
para se conseguir o diagnóstico ou simplesmente entender um pouco mais
sobre os comportamentos do filho.
Conforme já relatado e baseado no DSM-IV, o autismo é caracterizado
por um comprometimento acentuado no uso de múltiplos comportamentos nãoverbais, tais como: contato visual direto, expressão facial, posturas corporais e
gestos para regular a interação social e acentuado fracasso em desenvolver
habilidades apropriadas ao seu nível de desenvolvimento.
Tendo em vista essas características e o relato da mãe de como foi
realizado o processo de diagnóstico pela equipe médica, foi visto a necessidade
de se aplicar o questionário M-CHAT, que como já dito anteriormente, é um
breve questionário referente ao desenvolvimento e comportamento utilizado em
crianças a partir dos 16 meses, com o objetivo de rastrear as pertubações do
espectro do autismo.
O
questionário
M-CHAT
foi
aplicado
para
que
houvesse
uma
compreensão melhor sobre o diagnóstico dado pelos médicos e para
compreender
se
houve
alguma
aquisição
ou
aperfeiçoamento
dos
comportamentos das crianças enquanto estiveram na escola. É composto por 23
perguntas e apresenta um quadro de correções com 6 respostas que são
consideradas criticas. A correçao sugere que se for apresentado 2 ou mais
respostas iguais aos itens criticos, verifica-se então a necessidade de um
acompanhamento próximo a criança, por profissinais capazes de identificar
transtornos especificos no desenvolvimento.
O questionário foi respondido com a mãe de A.F.Q, no dia 20/09/2013 e
encontra-se em anexo. O resultado obtido com o questionário mostrou que a
criança apresenta 04 comportamentos, dos 06 considerados críticos pelo teste.
Os pontos críticos que chamaram atenção foram: A criança não se interessa por
outras crianças, a criança não aponta para mostrar interesse em alguma coisa, a
criança não imita o adulto (ex: faz uma careta e ela imita) e a criança não
responde quando chamada pelo nome.
Quando analisamos o dados trazidos pelo questionário puramente,
percebemos um sério comprometimento da criança, porém após uma entrevista
35
com mãe pode-se perceber um grande avanço no desenvolvimento da criança,
avanço esse que a mãe percebe que passou a acontecer após a entrada do filho
na escola. A mãe relata que recentemente o filho passou a ter iniciativa de pegar
a colher ou o copo quando deseja comer ou beber água, passou a falar “não”,
‘mamãe” e “ai”, a mãe relata que o filho não gosta mais de ficar sozinho, quando
percebe que está, logo a procura pela casa para ficar próximo a ela. Tais
caracteristicas comportamentais não eram percebidas pela mãe antes da
entrada do filho na escola.
6.1.3 SUJEITO V.V.I
Em relação a V.V.I, a criança iniciou atividades no Programa de Educação
Precoce em março de 2011 (10/03/2011), na época com 2 anos e 6 meses.
Apresentava diagnóstico de Atraso de Desenvolvimento NeuroPsicomotor. Em
maio de 2013 a criança, com 4 anos e 1 mês, foi diagnosticada, pela
neurologista, com Atraso Global do Desenvolvimento e da Linguagem – CID
F84.0.
Em relação ao desenvolvimento de V.V.I, podemos afirmar que houve
progresso na sua aprendizagem, porém marcados por características autísticas
próprias:
•
Dificuldade
de
relacionamento
com
outras
crianças.
Os
atendimentos foram realizados individualmente, embora durante as atividades
fosse possível contato com outras crianças, Vitor não demonstrou interesse em
estabelecer contato com outras crianças.
•
Apresenta pouco contato visual com professores e familiares;
Aceita o toque, porém não fixa o olhar, não aceita os comandos dos professores;
•
Não tem real medo do perigo, subindo em superfícies e objetos; No
mês de setembro caiu da cama e fraturou o braço direito evidenciando a
inabilidade de prever acidentes e perigo de lugares altos, além de evidenciar a
sua agitação motora.
36
•
Aparente insensibilidade à dor. Chora quando é contrariada ou
sente dor.
•
Preferência pela solidão; modos arredios. Não gosta de ficar em
ambientes fechados
•
Rotação de objetos.
•
Inapropriada fixação em objetos.
•
Ausência de resposta aos métodos normais de ensino. Explora
brinquedos de forma diferenciada, virando carrinhos e girando as rodas, coloca
muitos objetos na boca e não se interessa pela maioria dos objetos típicos do
gosto das crianças de sua idade. Gosta de explorar vibrações oriundas de
superfícies e objetos encostando as mãos e a cabeça. Apresentou avanços em
relação a permanência em atividades de mesa, mas com pouca exploração dos
brinquedos e materiais.
•
Corre sem direção sem se atentar aos percursos.
•
Dificuldade em expressar necessidades – Não segue comandos e
nem atende quando é chamado pelo nome. Não faz uso da linguagem oral para
se comunicar. Sorri quando algum adulto faz som onomatopaicos. Em algumas
ocasiões emite alguns fonemas aleatórios sem significado.
•
Acessos de raiva - demonstra extrema aflição sem razão aparente,
com choros frequentes. Tendência em morder;
•
Irregular habilidade motora – alterna habilidades motoras, ora com
ajuda, ora sem ajuda.
•
Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade.
Em relação ao processo de diagnóstico de autismo, a mãe de V.V.I relata
que o filho atualmente é acompanhado por uma neurologista e um psiquitara
que avaliaram durante um período de seis meses a criança e recentemente
chegaram ao diagnóstico de autismo. A mãe relata que o fato de terem chegado
a uma conclusão em relação ao diagnóstico do filho é um grande alívio, pois
mesmo percebendo que a criança apresentava várias carcaterísticas o fato de
ter um laudo ajuda agora na escolha do melhor método de tratamento para o
filho.
37
Assim como no estudo de caso anterior, foi aplicado o questionário MCHAT junto a mãe da criança, como resultado V.V.I apresentou cinco respostas
de seis consideradas críticas pelos autores, como: Não demosntra interesse por
outras crianças, não aponta com indicador para mostrar interesse por alguma
coisa, nunca trouxe brinquedos ou outros objetos para lhe mostrar alguma coisa,
a criança não apresenta qualquer tipo de imitaçao de comportamentos do adulto
e por último não responde quando chamado pelo nome, o que sugere um
comprometimento no desenvolvimento da criança e a necessidade de um
acompanhamento por profissionais capacitados para identificação de qualquer
transtorno.
Após a aplicação do teste foi realizado uma entrevista com a mãe da
criança,
para
que
pudéssemos
identificar
avanços
na
aquisição
ou
aperfeiçoamento de comportamentos. Já no inicio a mãe relatou que existem
inúmeros casos de autismo na família, incluindo primos e tios, a mãe relatou que
também teve bastante atraso em seu desenvolvimento e que conseguiu andar
apenas quando já havia completado cinco anos, essa dificuldade a acompanhou
durante toda sua vida escolar, onde apesar de ter tido acesso a escola, nunca
conseguiu aprender ler ou escrever. Na última sessão com o neurologista a mãe
foi acompanhada da professora de educação física para auxiliá-la na
compreensão das perguntas e melhor responder sobre a história de vida da
criança. Evienciando o seu comprometimento em relação ao cuidado com o
filho.
Quando questionada em relação a alguns comportamentos do filho, a
mãe relata que o filho não se alimenta sozinho, porém quando está com fome
fica olhando para as panelas no fogão, a criança tambem necessita de auxílio
para tomar banho, pois se ninguem acompanhar ela passa o dia todo embaixo
do chuveiro. Relatou também que a criança apresentava bastante dificuldade
para dormir, porém após o psiquiatra receitar um medicamento ele agora
consegue dormir bem durante toda noite, a mãe acredita também que o
medicamento é responsável pela diminuição do comportamento de bater a
cabeça na parede.
38
Durante
a
entrevista
a
mãe
passou
a
relatar
uma
série
de
comportamentos que o filho apresentava e que ela julgava serem diferentes das
demais crianças, relatou que a criança não procura o olhar quando alguém fala
com ela, não demonstra interesse por outras crianças, apenas por seu irmão
mais velho, que atualmente dedica boa parte do seu tempo para brincar com
V.V.I. A criança não apresenta sensibilidade a dor, pois recetemente caiu
durante uma brincadeira e apenas durante a madrugada os pais percebram que
o braço estava bastante inchado, quando levado ao médico a criança havia
quebrado o braço. Geralmente procura a solidão, sempre tem preferência por
objetos que rodam ou apresentam movimentos circulares. Não atende quando é
chamado pela primeira vez. Faz todas as necessidades fisiológicas na roupa.
Recentemente passou a falar ‘papai” e “mamãe” e o que a mãe chamou de
comportamneto mais inapropriado, a criança apresenta risadas longas e
espontâneas sem motivo aparente.
No final a mãe relata que percebe um grande avanço no desenvolvimento
da crianças desde sua entrada na escola, e que agora com o diagnóstico de
autismo fechado eles poderão auxiliar ainda mais no desenvolvimento de seu
filho.
Como já relatado todos os dados apresentados acima, fazem parte de um
longo período de avaliação e observação das crianças por profissionais
capacitados.
Além
do
acompanhamento
dos
fundamentais para nos fornecer algumas informações.
cuidadores,
que
foram
39
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por se tratar de uma trabalho de conclusão de curso que tem como
principal objetivo acompanhar o processo diagnóstico de duas crianças que
vivem em situação de vulnerabilidade social e verificar como se dá este
processo em Brasilia, Com que o objetivo foi alcançado.
Alguns questionamentos em relação a postura de alguns profissionais
envolvidos nesse processo de diagnóstico surgiram, como ficou bastante
evidente a falta de esclarecimentto para as mães do que se estava sendo
investigado no filho, ou quais ferramentas estavam sendo utilizadas para chegar
a tal diagnóstico, ou seja, as famílias em nenhum momento se sentiram
participantes ou entenderam como o diagnóstico foi feito, apenas receberam
uma folha que constava um laudo que dizia que seus filhos eram autistas.
É necessário também evidenciar um avanço em relação ao diálogo entre
os profissionais de saúde e de educação no processo diagnóstico (nestes
casos), visto que a participação dos professores vem sendo solicitada ou via
relatório ou via presença física, no sentido de subsidiar a avaliação médica. O
que não descarta a crítica em relação a forma como o diagnóstico é transmitido
para as famílias, em que o sujeito é visto enquanto objeto da doença e negada a
sua subjetividade.
Ficou bastante evidente também com a realização desse trabalho, que
quando as crianças que apresentam alguma característica de atraso no seu
desenvolvimento e são submetidas a um processo de estimulação precoce,
tendem a desenvolver habilidades dentro de suas limitações, que de alguma
maneira auxiliam nas tarefas diárias das crianças, informações essas trazidas
pelas própias mães.
Um trabalho de socialização é essencial, no sentido de evitar o
preconceito e a discriminação ainda existentes, proporcionando uma prevenção
primária, através de elucidações junto às escolas e pessoas afins. Deixar esses
indivíduos viverem no seu mundo particular é muito cômodo e parece ser uma
40
maneira de negar responsabilidade para com esses seres humanos e suas
famílias angustiadas, necessitadas de esperança.
Segunsdo Sousa (2004), o trabalho do psicólogo e da equipe
multidisciplinar, com a família, resulta em melhor qualidade de vida para a
pessoa com a síndrome. Todos podem ajudar a construir esse caminho e, em
especial, o psicólogo, que poderá atuar diretamente com os sentimentos,
expectativas e desejos de uma vida menos dolorosa e mais suave.
Foi uma enorme satisfação como futuro profissional em psicologia realizar
esse trabalho por esse longo período, pois pude conhecer profissionais que
dedicam suas vidas a um tratamento humanizado para crianças que dificilmente
teriam acesso devido a sua realidade social, conheci profissionais que mesmo
com todas adversidades encontram forças para realizar suas atividades de
maneira ética e humana.
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ANEXOS
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