COMO VEJO O MEU RIO: INTERDISCIPLINARIDADE, CONTEXTUALIZAÇÃO E PERTENCIMENTO(1) Jean Rodrigo Thomaz(2), Marli Spat Taha(3), Fabiane Ferreira da Silva(4) (1) Este trabalho recebeu apoio material e financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes – Brasil; (2) Estudante de Ciências da Natureza – Licenciatura e bolsista de iniciação à docência do PIBID/CAPES; Universidade Federal do Pampa; Uruguaiana, Rio Grande do Sul; [email protected]; (3) Estudante de Ciências da Natureza – Licenciatura e bolsista de iniciação à docência do PIBID/CAPES; Universidade Federal do Pampa; Uruguaiana, Rio Grande do Sul; [email protected]. (4) Professora Adjunta da Universidade Federal do Pampa, Campus Uruguaiana, [email protected]. RESUMO: O presente trabalho apresenta uma atividade de ensino que possibilitou o exercício da interdisciplinaridade entre as áreas de ciências da natureza, linguagem, matemática e ciências humanas. A atividade foi desenvolvida em uma escola de Educação Básica do município de Uruguaiana e envolveu professores de ciências, história, geografia, matemática e português. A atividade interdisciplinar teve culminância com uma expedição de estudos à beira do rio Uruguai, rio que banha a cidade de Uruguaiana. O objetivo do trabalho, portanto, foi suscitar conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais a partir de um tema gerador que possibilitou um processo de ensino aprendizagem contextualizado em que os estudantes reconheceram a aplicabilidade dos conteúdos estudados e, consequentemente, se perceberam enquanto sujeitos capazes de solucionar os problemas relacionados ao meio ao qual estão inseridos. Palavras-Chave: Interdisciplinaridade, Contextualização, Tema Gerador, Pertencimento INTRODUÇÃO Os projetos e atividades interdisciplinares representam boa parte do interesse dos alunos nos objetos de estudo apresentados pelos professores em sala de aula. A interdisciplinaridade, por sua vez, está relacionada ao envolvimento de educadores que escolhem como metodologia de abordagem conceitual uma interação entre as disciplinas do currículo escolar, seja ele oculto ou não (LUCK, 2004). Da mesma forma, a interdisciplinaridade faz uso da interação das disciplinas escolares com a realidade da comunidade escolar, visando o objetivo principal que é a formação integral do aluno (ibid.). Baseando-se nessas premissas, surge o projeto interdisciplinar Como Vejo o Meu Rio que é uma parceria entre professores de ciências, matemática, português, história e geografia e que têm o interesse de propiciar um estudo mais interdisciplinar e contextualizado a realidade de seus alunos, apostando, assim, na formação e preparação integral dos educandos. Desse modo, a escola como instância que corrobora para a consolidação da práxis, tenta desenvolver estratégias que venham ao encontro dessa perspectiva de ensino. Essas estratégias tentam fazer abordagens que façam com que os alunos possam interagir com o meio em que estão inseridos e assim possam intervir nos processos de construção social de forma ativa e independente. No contexto da cidade de Uruguaiana/RS, o rio Uruguai apresenta-se enquanto importante fonte de conhecimento, tendo em vista que é um dos rios mais importantes na hidrografia do sul do Brasil, servindo de fronteira entre o Brasil e a Argentina, banhando inúmeras cidades gaúchas e representando a principal fonte de coleta de recursos hídricos para a manutenção e consumo de água potável para a cidade de Uruguaiana/RS. Sendo assim, o rio Uruguai serviu de contexto para este projeto interdisciplinar. O objetivo do trabalho, portanto, foi suscitar conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais a partir de um tema gerador que possibilitou um processo de ensino aprendizagem contextualizado em que os estudantes reconheceram a aplicabilidade dos conteúdos estudados e, consequentemente, perceberam-se enquanto sujeitos capazes de solucionar os problemas relacionados ao meio ao qual estão inseridos. METODOLOGIA A atividade interdisciplinar “Como Vejo Meu Rio”, que teve o objetivo de suscitar conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais a partir de um tema gerador condizente com o ambiente de estudo/moradia dos estudantes, foi realizado em parceria com professores de ciências, história, geografia, matemática e português. Ao longo de seis semanas, participaram da atividade interdisciplinar alunos dos 6º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental José Francisco Pereira da Silva, com faixa etária de 10 a 12 anos, professores da respectiva escola e bolsistas de Iniciação à Docência (ID) do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID do subprojeto Ciências da Natureza – Licenciatura da Universidade Federal do Pampa – Unipampa – Campus Uruguaiana. Anais do VII Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa O projeto contou com a participação de diversas áreas do conhecimento. A área de Ciências da Natureza discutiu as questões relacionadas a água, banhados e sua diversidade de fauna e flora, a área de Linguagem e Suas Tecnologias aproveitou o projeto para o estudo da construção de textos na modalidade relato de atividade, na qual os alunos tiveram que relatar a expedição de estudos que fizeram até as margens do rio Uruguai, que banha a cidade de Uruguaiana, que é divisa com a Argentina e de onde o município retira os recursos hídricos para o abastecimento e uso contínuo de água potável pelos moradores da cidade. A área de Ciências Humanas utilizou o projeto interdisciplinar como respaldo para substancializar o estudo das cidades mesopotâmias, a construção cartográfica e o estudo do relevo da cidade de Uruguaiana. Dessa forma, os estudantes puderam comparar a origem e o desenvolvimento da cidade em que moram, com os mesmos aspectos de civilizações mesopotâmias à beira do rio Nilo, o maior rio do mundo, no nordeste do continente africano. A área de Matemática fez estudos a respeito do consumo de água, seu desperdício e as unidades de medidas que são utilizadas para realizar o registro doméstico desse consumo. A culminância do projeto deu-se com a realização de uma expedição de estudos em que os alunos foram convidados a exercitar seus olhares críticos para o entorno do rio Uruguai. Nessa expedição, bolsistas ID do PIBID acompanharam a professora de ciências e a ajudaram a problematizar o entorno do rio, com perguntas orientadoras como “as margens do rio estão limpas?”. Os alunos também foram convidados a observar e comparar as margens do rio Uruguai do lado brasileiro com as margens do lado argentino, fazendo observações pertinentes à manutenção do rio. Nesse sentido, os alunos perceberam que o lado argentino contém, visivelmente, um maior número de árvores que compõem a chamada mata ciliar. Foi possível, então, problematizar não só a importância da mata ciliar para a preservação do entorno do rio, como também problematizar o impacto ambiental decorrente de ações urbanas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Entende-se que projetos interdisciplinares como este impulsionam o estudo das ciências e estão em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais, que normatizam para a formação da cidadania dos estudantes, contribuindo para sua formação humana e postura frente aos desafios sociais e ambientais da sociedade da qual fazem parte. Ainda, notou-se que alguns objetos de estudo extrapolam as limitações das áreas do conhecimento, como o caso do estudo da água – Ciências Naturais e Matemática e Suas Tecnologias, que não só possibilitou o estudo das propriedades químicas da água, como também possibilitou um estudo numérico, portanto, matemático em relação ao consumo consciente de nossos recursos hídricos. Salienta-se que esta constatação não foi considerada um ponto negativo durante esse processo, tendo em vista que fazem parte do processo interdisciplinar como um todo. CONCLUSÕES Compreende-se que projetos interdisciplinares são bem aceitos pela comunidade escolar, uma vez que proporcionam aos alunos a oportunidade de vivenciar os conteúdos conceituais e favorecem o processo de ensino-aprendizagem. Nota-se que os alunos sentem-se motivados a realizar as tarefas propostas pelos professores, uma vez que se percebem parte do processo de ensino aprendizagem e conseguem estabelecer relações entre diversas áreas do conhecimento. REFERÊNCIAS LÜCK, Heloisa. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teórico-metodológicos. 12 ed. Petrópolis,RJ: Vozes, 1994. BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Conselho Nacional da Educação. Câmara Nacional de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. 562p. Disponível em <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152>. Acesso em 14 ag. 2015. Anais do VII Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa