Semana de Pedagogia da UEM

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Anais da
Semana de Pedagogia da UEM
ISSN Online: 2316-9435
XXI Semana de Pedagogia
IX Encontro de Pesquisa em Educação
20 a 23 de Maio de 2014
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ANÁLISE NEUROPSICOLÓGICA DAS ATIVIDADES ESCOLARES: UM BOM
CAMINHO PARA IDENTIFICAR O TDA/H
CORDEIRO, Suzi Maria Nunes
[email protected]
YAEGASHI, Solange Franci Raimundo
[email protected]
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Psicologia da Educação
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, tem crescido o número de crianças encaminhadas à clínicas como a
de Psicopedagogia e Neurologia. Em muitos casos, as queixas dos pais e professores estão
relacionadas à agitação, impulsividade e outras características do Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade que as crianças apresentam. De fato, cada vez mais encontramos em
sala de aula alunos com essas características, mas será que todos possuem TDA/H? Quais os
possíveis casos existentes para que uma criança se apresente agitada e desatenta? Pesquisas
revelam que apenas 3% das crianças na faixa etária de 6 a 12 anos possuem de fato o referido
transtorno, mesmo assim muitas crianças e adolescentes têm recebido esse diagnóstico
(BENCZIK, 2010).
Levando-se em consideração tais informações e questionamentos, investigaremos
alguns aspectos do TDA/H e como é realizado seu diagnóstico. Dessa forma, a problemática
que pretendemos abordar neste estudo pode ser sintetizada nas seguintes questões: O que é
TDA/H? Qual é a base que os especialistas utilizam para realizarem o diagnósticos?
Nessa perspectiva, o presente estudo tem o objetivo de investigar o Transtorno do
Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade e a fragilidade em que se pautam os
especialistas na hora de avaliarem clinicamente uma criança, por exemplo, utilizando apenas
o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Para tanto, realizamos
uma pesquisa bibliográfica. Foram utilizados como fontes primordiais, o texto de Luria
(1981) em que o autor apresenta sua pesquisa sobre o cérebro humano, o livro de Silva (2005)
que apresenta conhecimentos relevantes sobre TDA/H e outros autores que abordam a
temática em questão.
O estudo justifica-se pela necessidade de melhor compreendermos o que é o TDA/H,
uma vez que acreditamos que o professor em sala de aula pode ajudar a reduzir o número de
crianças que frequentam clínicas, principalmente com as queixas de caráter comportamental.
A escola deve se voltar mais para a aprendizagem do aluno e se preocupar com os resultados
que aparecem em suas atividades escolares, fazendo uma avaliação neuropsicológica destas, o
professor pode observar onde aparecem os problemas, por que e quais as estratégias que ele
deve usar para que a criança atinja seu desenvolvimento. Caso seja necessário o
encaminhamento para outro especialista, o professor após fazer esta análise das atividades de
seu aluno pode auxiliar este profissional a realizar um trabalho mais preciso.
AFINAL, O QUE É TDA/H?
Cada pessoa é única. Possui o corpo diferente da outra, a mente, o funcionamento
cerebral e tudo mais de modo singular. Esta particularidade também está presente nos que
possuem TDA/H pois as características que um apresenta o outro pode não apresentar. Tudo
depende do motivo que levou aquele sujeito a ter o referido transtorno, o que nos faz salientar
que existem diversos motivos para se chegar a este parecer, mas que não se trata de algo que
aparece “do nada”, quem possui TDA/H já nasce com ele.
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Alexander Romanovich Luria, realizou estudos mostrando que o cérebro possui três
unidades (as quais ele se refere como “as três unidades funcionais do cérebro humano”) e que
algumas têm diferentes áreas, cada uma com suas especificidades. Quando se trata de TDA/H,
as unidades descobertas por Luria que mais nos interessa são a Primeira Unidade localizada
na face medial do cérebro que é responsável por dois tipos de atenção: atenção seletiva e
estado de alerta e a Terceira Unidade localizada no lobo frontal, que é responsável por regular
o comportamento, atenção voluntária, antecipação ativa, dentre outras funções. (LURIA,
1981)
As unidades citadas são responsáveis por diferentes tipos de atenção, uma disfunção
ou lesão em algumas dessas partes, pode fazer com que o indivíduo tenha um déficit de
atenção (DA), sem contar que pode acarretar outros problemas. A maior dificuldade
enfrentada por quem tem DA é de entrar e manter-se em estado de alerta (concentrado), sendo
assim, todos os estímulos que chegam até este sujeito são considerados por ele principais, sem
diferenciação com os secundários. Por isso, ele se perde durante as atividades prestando
atenção em vários aspectos sem se focalizar e resolver um de cada vez. Neste sentido, Silva
(2003) ressalta que a mente de quem possui Déficit de Atenção funciona “a mil por hora” e
que não se trata da ausência de atenção, mas uma instabilidade dessa função superior, já que o
tempo de concentração é baixo e a pessoa se prende a vários aspectos ao mesmo tempo.
Rotta (2006) apresenta uma rápida definição de TDA/H que inclui especificidades
sobre o cérebro de uma pessoa que sofre com esse transtorno. Para o autor, nestes casos há
[...] a presença de disfunção em uma área frontal do cérebro conhecida como
região orbital frontal localizado logo atrás da testa. Constitui-se uma das
regiões cerebrais mais desenvolvidas no ser humano e é responsável pela
inibição de comportamentos, pelo controle da atenção, pelo planejamento
futuro e pelo autocontrole. Nos sujeitos que apresentam sintomas de TDA/H,
há uma alteração no funcionamento dos neurotransmissores, substâncias que
permitem a comunicação entre os neurônios. (ROTTA, 2006, apud CRUZ,
2008, p. 330).
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Analisando o cérebro de quem tem a hiperatividade devemos levar em consideração
que o lobo frontal (Terceira Unidade), exerce uma função de caráter inibitório (capacidade de
se conter) descrito por Lúria (1981). Silva (2003) nos lembra que é por meio desta que
realizamos, dentre outras funções, o planejamento de nossas ações, tendo como exemplo o
controle dos impulsos, a velocidade das atividades físicas e mentais; que é justamente o que
falha no cérebro da pessoa com TDA/H, pois este controle cede lugar ao impulso, uma vez
que o filtro perde a eficácia reguladora. Podemos considerá-lo uma doença de base
neurobiológica, com repercussão comportamental. Assim, “[...] a clássica tríade que a define
inclui impulsividade, falta de concentração e hiperatividade ou excesso de energia”
(HALLOWELL; RATEY, 1999, p. 18).
Esses comportamentos a que Argollo (2003) se refere são as características descritas
pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) para ajudar os
profissionais a diagnosticarem o sujeito com TDA/H. Neste podemos observar a fragilidade
que há no processo de avaliação para um diagnóstico. As características descritas não são
sintomas, mas sim comportamentos. Benczik (2010), nos revela que em 1994 a Associação
Americana de Pesquisa publicou o DSM-IV em que a classificação do Déficit de Atenção era
dividida em três segmentos: 1- Déficit de Atenção: DA (predominantemente desatento); 2Déficit de Atenção: DA/HI (predominantemente hiperativo/impulsivo); e 3- Déficit de
Atenção: DA/C (misto). Cada grupo tem nove itens a serem analisados. As crianças que se
enquadram
no
grupo
de
Déficit
de
Atenção:
DA/HI
(predominantemente
hiperativo/impulsivo) são diagnosticadas quando seis (ou mais) dos seguintes sintomas de
hiperatividade e impulsividade estão presentes por mais de seis meses na vida da criança:
a) Frequentemente agita as mãos ou os pés e se remexe na cadeira; b)
Frequentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações
nas quais se espera que permaneça sentado; c) Frequentemente corre em
demasia, em situações nas quais isto é inapropriado; d) Frequentemente tem
dificuldades para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de
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lazer; e) Está frequentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse
“a todo vapor”; f) Frequentemente fala em demasia; Impulsividade; g)
Frequentemente dá respostas precipitadas antes das perguntas terem sido
completadas; h) Com frequência tem dificuldade para aguardar sua vez; i)
Frequentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo:
intromete-se em conversas ou brincadeiras) (BENCZIK, 2010, p. 58-59).
Com base nas características descritas acima, o especialista muitas vezes acaba
fazendo um questionário para a família e elencando os itens que o sujeito possui, sem levar
em consideração outros aspectos importantes para um diagnóstico (como o meio social e
outros fatores). Se o trabalho não for bem realizado pode comprometer a fidelidade do
diagnóstico que já não tem uma base muito sólida, uma vez que as características
apresentadas são frágeis e de caráter comportamental. Quantas crianças agitam os pés na
cadeira? Isso pode ser devido ao fato de muitas escolas não terem a cadeira adequada para a
altura da criança. Quantas crianças não saem do lugar durante a aula? Afinal, quem aguenta
ficar pelo menos três horas sentado e ouvindo a professora falar, sem poder se mexer? E assim
podemos observar que em cada item há uma resposta que não tem necessariamente uma
ligação com o TDA/H.
Precisamos de meios mais eficazes para um diagnóstico, que pode mudar (positiva ou
negativamente) a vida de quem possui o transtorno e de quem possui outro aspecto que pode
se assemelhar com o TDA/H mas que não tem o mesmo encaminhamento.
Apesar de não ter a função de diagnosticar, o professor é quem pode melhor identificar
o problema do aluno pois, seja qual tipo de transtorno ou dificuldade que a criança possui,
esta deve e vai aparecer nas atividades escolares, caso contrário não há nenhum problema. A
instituição escolar deve saber que o mais importante é a questão da aprendizagem, se o aluno
não possui dificuldades neste aspecto, qual o motivo de se atentar ao comportamento e fazer
um encaminhamento que pode prejudicar a criança caso seja mais uma que “terá que fazer uso
de medicamentos”?
Sabemos que são os professores juntamente com a equipe pedagógica que
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encaminham esse número absurdo de crianças para os consultórios. Sendo assim, se os
educadores se atentarem mais para a aprendizagem e meios de fazer com que sua mediação
seja eficaz e ajude seu aluno a alcançar os conhecimentos científicos, o número de crianças
que frequentam especialistas como psicólogos, psicopedagogos, neuropsicólogos, dentre
outros, diminuirá assim como a quantidade de diagnósticos com TDA/H principalmente os
que recebem equivocadamente este rótulo e ainda com prescrições inacreditáveis de cloridrato
de metilfenidato.
ENCAMINHAMENTOS EQUIVOCADOS
Muitas vezes as características de um TDA/H aparecem em crianças com problemas
de processamento auditivo. Nesses casos, elas podem interpretar a fala de um professor de
maneira equivocada, como é possível observar no exemplo abaixo:
A professora está explicando sobre presidentes e diz:
“- George Washington foi o primeiro presidente dos Estados Unidos.”
A criança entende como: “George Washington é o presidente dos Estados Unidos.”
Caso esse tipo de interpretação ocorra mais de uma vez, a professora provavelmente
encaminhará a criança para um psicopedagogo que, se não desenvolver muito bem as
avaliações, pode diagnosticá-la como um sujeito com Déficit de Atenção, quando na verdade
ela possui dificuldades de audição, o que exigiria o acompanhamento de um otorrino
(HALLOWELL; RATEY, 1999).
O mesmo equívoco tende a ocorrer com pessoas que apresentem problemas na visão,
como a miopia. O aluno com essa enfermidade tem dificuldade para copiar o que está no
quadro, especialmente se estiver em uma carteira localizada no fundo da sala. Nessa situação,
a criança sofrerá um desgaste para conseguir realizar a tarefa de cópia e levará muito tempo,
isso tende a provocar um incômodo que a faz desviar a atenção para outras atividades como
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conversar, sair do lugar; o que pode ser confundido também como um Déficit de Atenção e
Hiperatividade.
O psicopedagogo ou qualquer outro profissional que esteja avaliando a criança, deve
pensar na hipótese de TDA/H só quando os sintomas persistem por mais de seis meses. Esse
transtorno não surge de repente. A criança já nasce com ele e o carrega pela vida toda, isso
significa que ela apresenta desde a tenra idade as características do TDA/H, mas antes dos
seis anos não é aconselhável um diagnóstico, muito menos com prescrições medicamentosas,
visto que a criança ainda está em desenvolvimento.
Há questões voltadas para a própria fase em que a criança se encontra que podem
justificar sua agitação, instabilidade de atenção e impulsividade, como o fato de não estar
amadurecida o suficiente para escutar e seguir ordens de um adulto. Segundo Luria (1981), o
lobo frontal que tem como uma de suas responsabilidades regular o comportamento do
sujeito, vai se desenvolvendo ao longo de nossas vidas, terminando seu desenvolvimento
biológico por volta dos dezesseis anos.
Segundo Silva (2003, p. 56), “[...] algumas crianças podem causar a falsa impressão de
serem DDAs se estiverem passando por problemas, constantes ou passageiros, que podem
contribuir para deflagrar ou intensificar comportamentos agitados ou falta de concentração e
atenção.” O ambiente onde a criança vive é muito importante e determina seus
comportamentos.
Vivemos na “Era digital”, na qual as informações são disseminadas rapidamente,
nosso trabalho deve ser ágil e nossa vida, em geral, muito veloz. Cada vez estamos tentando
realizar nossas atividades o mais depressa possível, perder tempo é intolerável. Como as
crianças reagem a esse meio? É certo que nos adaptamos ao ritmo que devemos seguir, com
as crianças não é diferente. Em uma casa em que todos são acelerados, a criança aprende a
fazer tudo rapidamente. Sendo assim, qual criança vai ter tempo de ficar sentada escutando a
professora que está explicando um conteúdo por determinado tempo? Quem vai esperar a hora
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de brincar se isso faz com que “se perca o tempo da brincadeira”? Se para o adulto está difícil
esperar, imaginem para uma criança. Elas estão cada vez mais agitadas porque nós as estamos
tornando assim com o nosso ritmo de vida (CORDEIRO; SILVA, 2013).
Outro motivo que pode fazer com que a criança esteja agitada são os problemas
familiares que possa ter, ou algo que a esteja a incomodando. Por isso, o profissional que
avaliar a criança deve sempre levar em consideração o ambiente em que o sujeito se encontra,
pois ele pode apresentar características do transtorno por
[...] não estar recebendo atenção suficiente ou sofrendo maus tratos. O
importante é que todos os fatores que possivelmente possam estar
contribuindo para algum comportamento inadequado por parte da criança
devem ser cuidadosamente investigados e considerados como fatores de
exclusão para um diagnóstico de DDA [...]. (SILVA, 2003, p. 56)
Uma criança que passa por separação dos pais, perda de um ente querido, ou outras
situações difíceis, pode apresentar por um determinado período algumas características do
TDA/H. O profissional que acompanhar esse sujeito não pode desvincular essas informações
das queixas de falta de atenção ou agitação, afinal as crianças se expressam mais por meio do
comportamento do que propriamente por palavras. (CORDEIRO; YAEGASHI, 2012)
O aluno que não consegue se adaptar bem a determinada escola ou professor também
pode apresentar atitudes desafiadoras que lembrem um Hiperativo. O profissional deve
investigar a relação professor-aluno para verificar se há uma possível antipatia por parte dos
sujeitos que estejam atrapalhando o vínculo e, também, a aprendizagem escolar. Muitas vezes
a visão romântica que o professor tem de alunos comportados, que pedem permissão para
falar, escutam tudo em silêncio, dentre outros aspectos, atrapalha o ato de lidar com a
realidade das salas de aula que vemos atualmente, com crianças cada vez mais ativas e
falantes. Por isso, é comum o encaminhamento equivocado de várias crianças para as clínicas
psicopedagógicas, neuropsicológicas, dentre outras cuja intenção é esperar do profissional um
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“milagre” no sentido de tornar tais crianças mais quietas.
Levando em consideração todos os aspectos citados, entendemos porque o especialista
que avaliará a criança deve estar muito bem preparado em termos teórico e prático, e no caso
do psicopedagogo contar com o apoio de outras áreas como a Medicina, a Psicologia, a
Fonoaudiologia, a Pedagogia, dentre outras. Um encaminhamento equivocado pode prejudicar
muito o sujeito, tanto no que se refere à sua saúde física e mental quanto à sua aprendizagem.
ANÁLISE NEUROPSICOLÓGICA DAS ATIVIDADES ESCOLARES
Não é papel do professor realizar diagnósticos e o mesmo nem tem permissão para
isso. No entanto, é ele o profissional que mais convive com a criança e que melhor pode
identificar seus problemas. No caso do TDA/H podemos observar estes problemas que
aparecem nas atividades escolares. É muito importante que o professor observe os erros e os
acertos dos alunos. Veremos a seguir um exemplo de atividade e a resolução do mesmo:
ASSINALE A ALTERNATIVA QUE PREENCHA AS LACUNAS CORRETAMENTE,
LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO A ORDEM DAS RESPOSTAS:
O grande escritor _______ criou a história em quadrinhos da Turma da Mônica. No HQ
trabalhado em sala, vimos que ____ ficava o tempo todo criando estratégias para a Mônica cair em
suas armadilhas que nunca davam certo. Um belo dia, seu amigo Cascão ajudou a capturar o ____
da Mônica e finalmente ele conseguiu fazer sua amiga cair em uma armadilha e ficar muito brava.
A) Maurício de Souza- Cebolinha- gatinho.
B) Ziraldo- Anjinho- coelho.
C) Maurício de Souza- Anjinho- coelho.
D) Maurício de Souza- Cebolinha- coelho.
E) Ziraldo- Cebolinha- coelho.
A resposta correta para este exercício é a opção “D”, porém o aluno assinalou “C”. Qual seria
o motivo para este erro? Falta de atenção? Desinteresse com o conteúdo? A não assimilação
do conteúdo? Todas as hipóteses devem ser levadas em consideração e para melhor identificar
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o problema o professor deve sempre ter em mente o seu objetivo com determinado exercício.
Por meio de uma análise neuropsicológica o educador pode observar na atividade o erro do
aluno e constatar o que está por trás deste erro.
No caso deste exercício o aluno precisa da atenção seletiva para selecionar a lacuna e a
palavra da alternativa, selecionando também o estímulo principal e gradativamente
aumentando os estímulos sem deixar de lado o outro. Sendo assim, um dos objetivos que o
professor poderia ter com esta questão é o de trabalhar e ajudar a desenvolver no aluno a
Primeira Unidade do cérebro, responsável pela atenção seletiva. Esse tipo de exercício seria
muito difícil para uma criança com TDA/H, sendo assim, o que o professor deve fazer neste
caso é levantar a hipótese sobre o motivo do erro, conforme fizemos a pouco. Posteriormente,
analisar as demais atividades do aluno e comparar os erros, elencando quais os de maior
frequência e a relação dos mesmos. Assim é possível identificar qual o problema.
Suponhamos que em todas as atividades este aluno tenha apresentado dificuldades de
atenção seletiva, logo, o professor deve criar estratégias para desenvolvê-la e verificar o que
pode estar relacionado com essa dificuldade: TDA/H? Problemas respiratórios? Ou qualquer
outro tipo de problema que possa ter como consequência a falta de atenção como vimos
anteriormente.
Acreditamos que este trabalho dará mais credibilidade do que um diagnóstico pautado
em características comportamentais. Portanto, é importante que o professor analise estes
aspectos e se preciso encaminhe a criança para um especialista mas entregando um relatório
constando todo seu trabalho de análise neuropsicológica das atividades escolares. Por sua vez,
o profissional deve ler este relatório, fazer a parte que lhe cabe da profissão, não se baseando
apenas no DSM, realizando um trabalho conjunto com a escola e a família, possibilitando um
diagnóstico com menos erros e cada vez mais justo.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observamos que o TDA/H é uma doença de base neurobiológica com repercussão
comportamental que afeta a aprendizagem e a vida social de quem o possui, a principal tríade
que o acompanha é a distração, impulsividade e hiperatividade, no entanto, esses mesmos
sintomas também podem estar presentes em crianças com adenóide, naquelas que estão
passando por situações familiares críticas, como a separação dos pais, ou podem até ser
confundidos com falta de limites.
É possível que o professor faça uma análise neuropsicológica das atividades escolares
do aluno, pois assim poderá ajudar a criança criando novas estratégias de ensinoaprendizagem. Caso seja necessário, o professor poderá encaminhar a criança para outro
especialista, a fim de obter um diagnóstico completo.
Por sua vez, o profissional que realizará o diagnóstico precisa estar sempre atualizado
e aplicar as avaliações necessárias para constatar o problema que está impedindo a
aprendizagem do indivíduo. Para isso, deve-se fazer uso de relatórios do professor, analisar o
contexto da criança e aproveitar diferentes áreas que possam auxiliar em seu trabalho.
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CORDEIRO, Suzi Maria Nunes; YAEGASHI, Solange Franci Raimundo Yaegashi. As
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