A INSERÇÃO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO

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A INSERÇÃO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO: MUDANÇAS NO PAPEL
DOCENTE.
GT5 EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E TECNOLOGIAS.
José Wagner dos Anjos1
Sérgio de Assumpção Oliveira2
José Adailton Barroso da Silva3
RESUMO
O presente artigo tem por escopo analisar a inserção da tecnologia na educação e as mudanças no
papel docente. Uma vez que, as tecnologias da comunicação e informação são fatores que de forma
decisiva e rápida mudaram a sociedade, contribuíram para a formação da chamada sociedadeplanetária
e reflete de forma significativa na educação. Desta forma, o objetivo geral desta pesquisa consiste em
analisar a inserção da tecnologia na educação bem como também as mudanças no papel docente. Os
procedimentos metodológicos realizados foram pesquisa bibliográfica em livros e internet. Com isso,
o presente trabalho constitui-se numa pesquisa bibliográfica.Justifica-se a pesquisa, tendo em vista a
relevância social-cultural em que vive os indivíduos na atual sociedade.
PALAVRAS-CHAVES:Tecnologia.Educação.Sociedade.Papel docente.
ABSTRACT
This article has the purpose to analyze the integration of technology in education and changes in the
teaching role. Since the technologies of information and communication are factors that decisively and
quickly changed the company, contributed to the formation of so-called planetary society and reflects
significantly in education. Thus, the objective of this research is to examine the inclusion of
technology in education and its implications in contemporary society, as well as changes in the
teaching role. The methodological procedures were performed search on books and internet. Thus, this
paper presents a literature search. Justifies the research, with a view to social and cultural relevance in
individuals living in contemporary society.
KEYWORDS: Technology. Education.Society.Teaching role.
1INTRODUÇÃO
1
José Wagner dos Anjos, licenciado em Geografia. Pós-graduando em Tecnologias Educacionais na
Universidade Tiradentes, [email protected].
2
Sérgio de Assumpção Oliveira, licenciado em Geografia, pós-graduando em Tecnologias Educacionais na
Universidade Tiradentes, [email protected].
3
Jose Adailton Barroso da Silva, Doutorando em Geografia pela UFS/SE, docente da Universidade Tiradentes,
coordenador do programa UCA - Um computador por aluno na rede estadual de ensino, pesquisador do Grupo
Sociedade, Educação, História e Memória (UNIT), [email protected].
2
As técnicas são tão antigas quanto à espécie humana. Na verdade, foi à
engenhosidade humana, em todos os tempos, que deu origem às mais diferenciadas técnicas.
Desta maneira, desde o início dos tempos, o domínio de determinados tipos de técnicas, assim
como o domínio de certas informações, distinguem os seres humanos dos animais irracionais.
Um momento revolucionário deve ter ocorrido quando alguns grupos primitivos
deixaram de lado os machados de madeira e pedra e passaram a utilizar lanças de metal para
guerrear. Entretanto, a posse de instrumentos mais potentes abriu espaço para a organização
de exércitos que subjugaram outros povos por meio de guerras de conquista ou pelo domínio
cultural.
Novas técnicas foram sendo aperfeiçoadas, não mais para a defesa, mas para o
ataque e dominação.Assim, sucessivamente, com o uso de um conjunto de várias técnicas, as
quais resultaram na tecnologia, cada vez mais poderosa, os homens buscavam ampliar seus
domínios e acumular cada vez mais riquezas.
Já na Guerra Fria, após a Segunda Guerra Mundial 1945 em diante, o mundo ficou
dividido em dois grandes blocos de poder, capitalistas liderados pelos (EUA) e Socialistas
liderados pela antiga (URSS), os quais impulsionaram a ciência e a tecnologia de forma
jamais vista na história da humanidade. Muitos equipamentos, serviços e processos foram
descobertos durante a tensão que existiu entre Estados Unidos e União Soviética pela ameaça,
de ambos os lados, de ações bélicas, sobretudo com o uso de bomba atômica.
Com isso, as novas tecnologias da informação desempenharam papel decisivo ao
facilitarem o surgimento desse capitalismo flexível e rejuvenescido proporcionando
ferramentas para a formação de redes e comunicação. A partir dessas redes o capital é
investido por todo o globo e em todos os setores de atividades: informação, negócios da
mídia, serviços avançados, transportes, tecnologias e, sobretudo, educação. Dessa maneira, a
interação de todos esses processos e as reações por eles desencadeadosfez surgir uma nova
estrutura social denominada, a sociedade em rede.
Acredita-se que a educação sempre foi marcada por processos históricos e culturais que
conduziram e guiaram modelos de instrução nas famílias, nas comunidades, nas escolas e,
atualmente, podemos pensar também em ambientes fora dela, isto é, hoje a construção do
conhecimento independe de espaço e tempo, ou seja, a apropriação do conhecimento se dá a
qualquer hora e em qualquer lugar.
Os padrões tradicionalmente conhecidos de ensino estão dando lugar a novas
formas de construir conhecimentos. Tal alteração é característica significativa da inserção das
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novas tecnologias ao ensino. Porém, educação e novas tecnologias, caminhando juntas,
deixam rastros como indicadores de infinitas questões como: mudanças econômicas no ritmo
de produção; mudanças na sociedade, influenciando a forma de pensar, agir, consumir e
comportamentos, mudanças no processo construção do conhecimento, que se torna mais
dinâmico e global entre outras.
A sociedade contemporânea vem apresentando diversas formas de conduzir o
ensino sistematizado. As inovações tecnológicas exigem do profissional docente constante
aperfeiçoamento, principalmente em termos da inserção dos recursos tecnológicos aplicados
ao ensino. Logo, entende-se que é necessário haver professores capacitados e qualificados
para inserir na sua prática educativa recursos que auxiliem a aprendizagem do aluno.
Assim sendo, o objetivo geral desta pesquisa, consiste em analisar a inserção da
tecnologia na educação e as mudanças no papel docente. Já os objetivos específicos são: a)
identificar a inserção da tecnologia na educação; b)apontar as implicações dorecurso
tecnológicona educação; d) identificar as contribuições do recurso tecnológico na educação;
e) caracterizar os impactos da tecnologia na educação; f) caracterizar o papel do professor
como mediador do processo de construção do conhecimento. Os procedimentos
metodológicos realizados foram pesquisa bibliográfica em livros e internet. Desta forma o
presente trabalho constitui-se numa pesquisa bibliográfica.
Justifica-se a pesquisa,tendo em vista a importância da inserção da tecnologia na
educação e suas implicações na sociedade contemporânea.Uma vez que, estamos imersos em
uma sociedade informacional, onde a relação existente entre os indivíduos é cada vez
maisatravés das tecnologias da informação e comunicação.
2TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO
Ao longo de sua evolução, o ser humano foi desenvolvendo ferramentas que lhe
permitiram dominar o meio ambiente físico que o rodeava. Estes instrumentos e as técnicas
atuavam como prolongamentos de seus sentidos, ampliando os limites que a natureza lhe
impôs. Biologicamente dependente e indefeso, o homem sobrepõe-se a esse estado por meio
de suas criações. Sendo assim,
Homem é um ser tecnológico, em continua relação de criação e de controle
com a natureza. No Ocidente, o afã do homem moderno por construir
máquinas e conquistar a natureza levou-o a elaborar a tese de que a
fabricação e utilização de ferramentas tem sido o fator determinante e
essencial de sua evolução. (LITWIN, 1997, p. 26).
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Dessa maneira, a evolução social do homem confunde-se com as tecnologias
desenvolvidas e empregadas em cada época. Diferentes períodos da história da humanidade
são historicamente reconhecidos pelo avanço tecnológico correspondente.
Segundo Castells (1999, p. 82) cada grande avanço em um campo tecnológico
específico amplifica os efeitos das tecnologias da informação conexas. A convergência de
todas esses tecnologias eletrônicas no campo da comunicação interativa levou a criação da
Internet, talvez o mais revolucionário meio tecnológico da Era da Informação.
No entanto,
A criação e o desenvolvimento da Internet nas três últimas décadas do século
XX foram conseqüência de uma fusão singular de estratégia militar, grande
cooperação cientifica, iniciativa tecnológica e inovação contracultural. A
internet teve origem no trabalho de uma das mais inovadoras instituições de
pesquisa do mundo: a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA)
do Departamento de Defesa dos EUA. A ARPA empreendeu inúmeras
iniciativas ousadas, algumas das quais mudaram a história da tecnologia e
anunciaram a chagada da Era da Informação em grande escala (CASTELLS,
1999, p. 82).
Hoje os meios de comunicação e de transporte encurtaram de tal forma as
distâncias que as noções de espaço passam a ser repensadas. A Internet e os demais meios de
comunicação possibilitam que povos de diferentes culturas troquem informações em tempo
real gerando profundas modificações nas sociedades.
As novas tecnologias da informação estão integrando o mundo em redes globais
de instrumentalidade. A comunicação mediada por computadores gera uma gama enorme de
comunidades virtuais. Os primeiros passos históricos das sociedades informacionais parecem
caracterizá-los pela preeminência da identidade como seu princípio organizacional
(CASTELLS, 1999).
A revolução da tecnologia da informação foi essencial para a implementação de
um importante processo de reestruturação do sistema capitalista.Nesse processo, o
desenvolvimento e as manifestações dessa revolução tecnológica foram moldados pelas
lógicas e interesses do capitalismo avançado.
O surgimento da escola paroquial no começo da Idade Média, modelo essencial
de escola tal como hoje a conhecemos, apresenta, em si mesmo, uma primeira revolução
tecnológica na história do ensino. Desde aquele momento e até agora, a sala de aula, com tudo
o que significa em termos de organização dos processos de ensino e aprendizagem e produção
5
de capital cultural, se estabelecerá como “a tecnologia predominante na educação”
(TEDESCO, 2004).
Segundo Tajra (2001, p. 44) no início da introdução dos recursos tecnológicos de
comunicação na área educacional, houve uma tendência a imaginar que os instrumentos iriam
solucionar os problemas educacionais, podendo chegar, inclusive, a substituir os próprios
professores. Com o passar do tempo, não foi isso que se percebeu, mas a possibilidade de
utilizar esses instrumentos para sistematizar os processos e a organização educacional e uma
reestruturação do papel do professor.
Visto que,
Cabe a educação formar esse profissional e para isso, esta não se sustenta
apenas na instrução que o professor passa ao aluno, mas na construção do
conhecimento pelo aluno e no desenvolvimento de novas competências,
como: capacidade de inovar, criar o novo a partir do conhecimento,
adaptabilidade ao novo, criatividade, autonomia, comunicação. É função da
escola, hoje, preparar os alunos para pensar, resolver problemas e responder
rapidamente às mudanças contínuas. (MERCADO, 2002, p. 12).
Estas mudanças implicam um reposicionamento da profissão docente e um
convite a refletir sobre o papel dos educadores em um contexto marcado pelas mudanças
aceleradas. O que significa que os professores devem compreender o que ensinam, de maneira
bem diferente de como aprenderam quando eram estudantes (SANCHO; HERNÁNDEZ,
2006).
Portanto,
Muitas crianças e jovens crescem em ambientes altamente mediados pela
tecnologia, sobretudo a audiovisual e a digital. Os cenários de socialização
das crianças de hoje são muito diferentes das vividas pelos pais e
professores. O computador, assim como o cinema, a televisão e os
videogames atrai de forma especial a atenção dos mais jovens que
desenvolvem uma grande habilidade para captar suas mensagens.
(SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006, p. 19).
SegundoLitwin (1997, p. 23) a tecnologia aparece, na cena educacional, como
algo imprescindível e temível ao mesmo tempo.É preciso ensinar informática, que, é preciso
dinamizar as classes porque as crianças seguem o ritmo do zapping, etc.Percebe-se que,
O uso da informática, de forma positiva dentro de um ambiente educacional,
irá variar de acordo com a proposta que está sendo utilizada em cada caso e
com a dedicação dos profissionais envolvidos. É importante que as pessoas
incorporadas nesses projetos estejam dispostas aos novos desafios[...] além
6
de a escola direcionar as fontes de pesquisas para os recursos já existentes,
tais como: livros, enciclopédias, revistas, jornais e vídeos, ela pode optar por
mais uma fonte de aprendizagem: o computador. (TAJRA, 2001, p. 61).
Com isso, nota-se a necessidade de qualificação e atualização tanto de professores
quanto dos alunos, no sentido de acompanhar as inovações no campo da educação e de outras
áreas afins.
Assim, para Mercado (2002, p.14) o acesso às redes de computadores
interconectadas à distância permitem que a aprendizagem ocorra frequentemente no espaço
virtual, que precisa ser inserido às praticas pedagógicas. A escola é um espaço privilegiado de
interação social, mas este deve interligar-se aos demais espaços de conhecimento hoje
existentes e incorporar os recursos tecnológicos e a comunicação via internet, permitindo
fazer as pontes entre conhecimentos e tornando um novo elemento de cooperação e
transformação.
A aprendizagem e a mudança são processos que começam com a
desaprendizagem. As mudanças provocadas pelas novas tecnologias na organização são tão
radicais que, para que deem certo é necessário desaprender os hábitos adquiridos, ideias e
modelos mentais. Por isso, o modo peculiar de conceber a organização e o trabalho no setor
das tecnologias são apresentados como paradigmas (SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006, p. 124125).
Considerando que,
Com relação aos docentes, a aprendizagem dos mais jovens deixará de ser
responsabilidade dos lugares chamados escolas, mas tampouco o será de um
grupo particular de profissionais chamados docentesas redes de
aprendizagem põem em contato grupos diferentes segundo as necessidades
[...]. A educação se tornará algo muito menos formal e organizado, com o
desaparecimento da sala de aula, e vai ocorrer por inúmeras vias, em
diferentes ambientes, com um papel muito maior para a aprendizagem
baseada na comunidade e na experiência.(SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006,
p. 193).
Segundo Demo (2001, p. 24) “[...] entre outras perspectivas, educação assume
a função de um dos fatores positivos em termos de conduzir o crescimento econômico no
rumo da melhoria da qualidade de vida e da consolidação da democracia”.
Para Litwin (1997, p. 39) “[...] numa sociedade interdependente, na qual a
informação transmitida globalmente por uma tecnologia sofisticada e cada vez mais
7
abrangente adquire caráter estruturante, aumenta a importância da educação”. Vale ressaltar
que,
A tecnologia não resolve sozinha os problemas da educação. Desta forma, o
professor ganha ainda mais importância. É bobagem imaginar que essas
“máquinas que ensinam” vão substituir os professores, o que existe é uma
complementação. O educador que adota as novas tecnologias perde o posto
de dono do saber, mas ganha um novo e importante posto, o de mediador da
aprendizagem. Ele passa a dirigir as pesquisas dos alunos, apontar caminhos,
esclarecer dúvidas, propor projetos e sem dúvida aprender muito mais.
(MERCADO, 2002, p. 138).
No entanto, a principal dificuldade para transformar os contextos de ensino com a
incorporação de tecnologias diversificadas de informação e comunicação parece se encontrar
no fato de que a tipologia de ensino dominante na escola é a centrada no professor
(SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006,p. 19).Assim,
Esta situação se torna particularmente problemática em um momento em que
a escola tem de enfrentar as demandas não diferentes, mas às vezes até
mesmo contraditórias. De um lado, diferentes organismos internacionais
(Unesco, OCDE, Comissão Europeia, etc.) advertem sobre a importância de
educar os alunos para a sociedade do conhecimento, para que possam pensar
de forma crítica e autônoma, saibam resolver, comunicar-se com facilidade,
reconhecer e respeitar os demais, trabalhar em colaboração e utilizar,
intensiva e extensivamente, as TIC (Tecnologias da Informação e
Comunicação). (SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006, p. 19-20).
Assim sendo, as tecnologias da comunicação e informação são fatores que de
forma decisiva e rápida mudaram a sociedade, contribuíram para a formação da chamada
sociedade planetária e interferem de forma significativa na educação.Desta forma,
Com as Novas Tecnologias da Informação abrem-se novas possibilidades à
educação, exigindo uma nova postura do educador. Com a utilização de
redes telemáticas na educação, pode-se obter informações em fontes, como
centros de pesquisa, universidades bibliotecas, permitindo trabalhos em
parceria com diferentes escolas; conexão com alunos e professores a
qualquer hora e local, favorecendo o desenvolvimento de trabalhos com
troca de informações entre escolas, estados e países, através de cartas,
contos, permitindo que o professor trabalhe melhor o desenvolvimento do
conhecimento. (MERCADO, 2002, p. 13).
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Para Tajra (2001, p. 22) é necessária à formação de um novo homem. O perfil do
novo profissional não é mais o especialista. O importante é saber lidar com diferentes
situações, resolver problemas, ser flexível e multifuncional e estar sempre aprendendo.
Não se pode negar que, durante as últimas décadas, a revolução tecnológica vem
tendo um impacto considerável e está mudando o cotidiano. O desenvolvimento das TIC
abriu, em especial, novos horizontes e possibilidades inimagináveis há vinte anos. O impacto
que a revolução tecnológica causa nas visões tradicionais do conhecimento é mais do que
significativo. Isto tem levado governos a fazer investimentos sem precedentes em
equipamentos e formação para a educação (SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006).
Assim, a sociedade atual passa por profundas mudanças caracterizadas por uma
profunda valorização da informação. Na chamada Sociedade da Informação, processos de
aquisição do conhecimento assumem um papel de destaque e passam a exigir um profissional
crítico, criativo, com capacidade de pensar, de aprender a aprender, de trabalhar em grupo e
de se conhecer como indivíduo (MERCADO, 2002, p. 12).
Segundo Kenski (2009, p. 63) todo mundo vai para a escola para aprender. Na
visão tradicional, a educação escolar serve para preparar para a vida social, a atividade
produtiva e o desenvolvimento técnico-científico. A escola é uma instituição social, que tem
importância fundamental em todos os momentos de mudanças na sociedade.
Corroborando com essa visão, Sancho e Hernández (2006, p. 52-53) afirmam que:
A visão predominante em nossas escolas é a que procede da narrativa
civilizatória gerada com a expansão colonizadora europeia desde o século
XVI e, de maneira especial, desde o século XVII com os Impérios britânico
e Francês. Um dos resultados desta narrativa é a construção de uma visão de
nós e do outros determinada pela hegemonia do homem branco, cristão e
ocidental (europeu). Esta narrativa se projeta na escolha de conhecimentos
escolares em que o outro (o que não faz parte do nós hegemônico) é
apresentado em uma situação de subordinação – por isso, deve ser civilizado
e, justificadamente, explorado e despojado de seus saberes. Vem daí, em boa
medida, a visão da escola sobre o conhecimento e os saberes, mediada pela
ideia da dominação cultural que faz ver tratar o outro como subalterno. Este
outro seria no âmbito da proposta [...] a criança e até mesmo os professores.
Segundo Sancho e Hernández (2006, p. 53) para construir esta representação,
tornou-se necessário elaborar uma ideiado “nós” como pessoas autônomas não esqueçamos
que a palavra autonomia é uma das referências do discurso da modernidade, em que se acolhe
o projeto nacional da escola e que se transmite às pessoas, fazendo com que sejam autônomas
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em uma instituição que tem como uma de suas missões submetê-las em sua maneira de
pensar, atuar e ser.
A educação também é um mecanismo poderoso de articulação das relações entre,
poder, conhecimento e tecnologias. Desde pequena, a criança é educada em um determinado
meio cultural familiar, onde adquire conhecimentos, hábitos, atitudes, habilidades e valores
que definem a sua identidade social. A forma como se expressa oralmente, como se alimenta e
se veste, como se comporta dentro e fora de casa são resultado do poder educacional da
família e do meio em que vive (KENSKI, 2009).
O mundo da educação, em função das mudanças sociais, econômicas e políticas
que, aceleradamente, se produzem, especialmente desde a etapa final do século XX, vive
transformações significativas. No âmbito do ensino, as propostas curriculares se sucedem
nestes anos em busca de soluções válidas que permitam o alcance das metas educativas, as
quais, por sua vez, evoluem com as próprias mudanças socioeconômicas (SANCHO E
HERNÁNDEZ, 2009, p. 19).
Desta forma, Kenski (2009, p. 19) defende que:
A escola representa na sociedade moderna o espaço de formação não apenas
das gerações jovens, mas de todas as pessoas. Em um momento
caracterizado por mudanças velozes, as pessoas procuram na educação
escolar a garantia de formação que lhes possibilite o domínio de
conhecimentos e melhor qualidade de vida. Essa educação escolar, no
entanto, aliada ao poder governamental, detém para si o poder de definir e
organizar os conteúdos que considera socialmente válidos para que as
pessoas possam exercer determinadas profissões ou alcançar maior
aprofundamento em determinada área do saber.
Para Sancho e Hernández (2006, p. 80) os professores devem sensibilizar-se a
respeito das mudanças de papeis vinculados à presença das tecnologias de informação e
comunicação no marco docente, avaliando que podem liberá-los, em certa medida, da tarefa
de transmitir informação e conhecimentos, para torná-los dinamizadores e referentes do
processo de aprendizagem. Assim sendo,
Na atual proposta liberal, a escola é instituição social da maior importância.
É ali que se formam os quadros de profissionais que, mais do que dar vida,
continuidade e inovação à produção, irão formar um exército de usuários
para o consumo de bens e serviços da informação. Para a aquisição e o uso
dos novos produtos oferecidos no atual estágio de desenvolvimento
econômico-social, é preciso que o sujeito tenha um mínimo de escolaridade.
E, neste momento social em que a principal mercadoria em circulação é a
informação, as pessoas precisam ter um mínimo de conhecimento formal
para serem consumidoras. (KENSKI, 2009, p. 63).
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No entanto, a maioria das pessoas que vive no mundo tecnologicamente
desenvolvido tem um acesso sem precedentes à informação: isso não significa que dispunha
de habilidade e do saber necessários para convertê-los em conhecimento. “A produção de
bens e riquezas aumentou exponencialmente; mas sua distribuição entre a população mantém
e agrava as desigualdades socioculturais” (SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006, p. 18).
O impacto das tecnologias informacionais na sociedade é insuficientemente
estudado pela academia científica. Os cientistas sociais não abordam de forma sistêmica as
diferentes esferas (social, política e econômica) que envolvem a sociedade “informacional”. A
teoria da sociedade pós-industrial da primeira metade do século XX concebe a sociedade
conforme a lógica do capital, onde conhecimento e informação são fatores geradores de
riqueza e poder gerando duas divisas sociais: os que detêm o poder na sociedade são os que
dominam e controlam o conhecimento e a informação; os dominados na sociedade são os
alienados (CASTELLS, 1996).
Torna-se difícil negar a influência das tecnologias da informação e comunicação
na configuração do mundo atual, mesmo que esta nem sempre seja positiva para todos os
indivíduos e grupos.
Vivemos em um mundo em constante transformação no qual as novas tecnologias
se fazem presentes no cotidiano das pessoas, sejam no ambiente social, familiar, de trabalho e
educacional. No entanto, a educação não pode se colocar à margem dos avanços tecnológicos
que permeiam a sociedade, a educação deve repensar a sua lógica para acompanhar a
velocidade com que estes avanços ocorrem.
3 CONCLUSÃO
Estamos vivendo em um mundo em constante transformação no qual as novas
tecnologias se fazem presentes no cotidiano de muitas pessoas, sejam no ambiente social,
familiar, de trabalho ou até mesmo educacional. Assim, muito se tem falado da necessidade
de modernização das nossas escolas de aproximá-las das inovações tecnológicas ocorridas na
sociedade, dotando-as de infraestrutura capaz de responder de forma satisfatória as exigências
de sua clientela. Assim, percebe-se que o mundo da educação, em função das mudanças
sociais, econômicas e políticas que aceleradamente se produzem, especialmente desde a etapa
final do século XX, vive transformações significativas.
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Fica evidente que a educação não pode ficar à margem dos avanços tecnológicos
que permeiam a sociedade, a educação deve repensar a sua lógica para acompanhar a
velocidade com que estes avanços ocorrem.
Assim, a inserção do sistema educacional no contexto atual planetário em que
vive a nossa sociedade é uma condição inexorável, pois, os padrões tradicionalmente
conhecidos de ensino estão dando lugar a novas formas de construir conhecimentos. As
tecnologias da comunicação e informação são fatores que de forma decisiva e rápida
mudaram a sociedade, contribuíram para a formação da chamada sociedade planetária e
interferem de forma significativa na educação e por conseguinte no papel docente.
4REFERÊNCIAS
CASTELLS, Manuel. Fluxos, Redes e Identidades: uma teoria crítica da sociedade
informacional, novas perspectivas críticas em educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
CASTELLS, Manuel. A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e
Terra, 1999.
DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. 11. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.
LITWIN, Edith. Tecnologia educacional: política, histórias e propostas. Porto Alegre: Artes
Mádicas, 1997.
MERCADO, Luís Paulo Leopoldo. Novas tecnologias na educação: reflexões sobre a
prática. Maceió: Edufal, 2002.
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. Campinas,
SP: Papiros, 2007.
SANCHO, Juana María; HERNÁNDEZ, Fernando. Tecnologias para transformar a
educação. Porto Alegre: Artmed, 2006.
TAJRA, Sanmya Feitosa. Informática na educação: novas ferramentas pedagógicas para o
professor na atualidade. 3. ed. São Paulo: Érica, 2001.
TEDESCO, Juan Carlos. Educação e novas tecnologias. São Paulo: Cortez, 2004.
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