Se o amor pudesse gritar

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Não sei dizer se é a falta de tempo, ou não querer
perdê-lo, que nos leva a buscar coisas prontas ou
pelo menos que nos dêem o menor trabalho
possível. É como se quiséssemos cortar caminho
para chegar ao mesmo ponto que o coração visa.
No nosso relacionamento com outras pessoas
temos também uma certa tendência a, ao invés
de construir relações, querer encontrar coisas
feitas, situações prontas e que nos dêem
segurança. Construir significa ter trabalho,
empenhar-se, dar de si e, por que não, ceder e
perder-se um pouco na busca de um
encontro profundo.
Nos lamentamos pelo que não foi construído para
nós e nos esquecemos do nosso poder de reparar,
recuperar e reconstruir. Se temos um sonho, por
que esperar que outros ponham as escadas no
caminho para que subamos às nuvens?
Colocando, nós, cada degrau, saberemos onde
estaremos pisando.
Aquilo que exige de nós tempo e esforço merecerá
uma alegria muito maior no dia da conquista.
Uma das histórias reais e mais bonitas que
conheço é essa dessa filha que foi abandonada
pela mãe quando criança. Ela cresceu com o
sonho de ter uma mãe e já na idade adulta
procurou pela mesma, colocando de lado todos os
porquês de tanto abandono, de tantos anos de
dor e solidão. Ela "decidiu" ter a mãe e tem.
Cuida dela como se fosse a flor mais linda e
preciosa do mundo, por que ela conhece o que é
desejar e não ter e escolheu não viver a vida
lamentando-se pelo tempo perdido. Constrói
álbuns à partir do tempo que recuperou, vai
acumulando lembranças para o dia do amanhã e
saudade sincera para o possível dia da partida.
Penso que abençoada é essa mãe e preciosa é essa
filha. Precioso é esse ser humano.
Nossas razões nos colocam limitações. Os erros
alheios nos parecem imperdoáveis e punidos
somos nós pela rejeição da construção de uma
vida diferente e nova, os quais seríamos o
arquiteto, pedreiro e feliz proprietário.
Quando deixamos de falar com uma pessoa porque
nosso coração ficou ferido, vamos colocando a
felicidade num passo a frente e aquele momento
de zanga fica perdido. Se tínhamos dez
oportunidades de sermos felizes, teremos apenas
nove porque nosso coração foi orgulhoso demais e
isso falou mais alto.
Toda felicidade não é utopia. Utopia é pensar que
permanecendo na nossa dureza e guardando
nossas razões estaremos ganhando alguma coisa.
Sonhos não são quimeras, são desejos que nosso
coração pode realizar.
Se o amor pudesse sempre gritar, se ele pudesse
segurar nosso rosto para a direção do sol e das
flores, seríamos mais felizes, menos sérios,
menos graves, mais leves, mais próximos do céu.
Créditos:
Texto: Letícia Thompson
www.leticiathompson.net
Imagens: Internet
Música: Zamphir - Gypsy melody
Formatação: Beth Norling
E-mail: [email protected]
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