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MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA E NOVAS RELAÇÕES CAMPOCIDADE NO ATUAL PERÍODO DA GLOBALIZAÇÃO: ALGUMAS
ANÁLISES A PARTIR DO AGRONEGÓCIO CAFEEIRO NO MUNICÍPIO DE
ALFENAS - MG
HENRIQUE FARIA DOS SANTOS1 e ANA RUTE DO VALE2
[email protected], [email protected]
1 Discente
do curso de Geografia – Unifal-MG
2 Professor
do curso de Geografia – Unifal-MG
Palavras-chave: modernização da agricultura; relações campo-cidade; globalização; agronegócio
cafeeiro; município de Alfenas.
Introdução
A modernização da agricultura brasileira tem promovido nos últimos 40 anos uma
profunda reestruturação territorial dos espaços em função da difusão cada vez mais intensa
dos fatores técnicos e científicos nos modos de produção. Tanto o campo quanto a cidade
são alvos das transformações socioeconômicas encadeadas pelas mudanças no período
atual da globalização, o qual impõe novos usos, vínculos e funções aos agentes e espaços
em detrimento da nova ordem hegemônica mundial. A presença dos novos modos de
produção característicos do meio técnico-científico-informacional é causa e conseqüência do
aumento da circulação e do movimento espacial, proporcionada pelos adventos dos meios
de transportes e comunicação, que também é responsável por mudanças sociais,
econômicas, políticas e culturais nos espaços produtivos.
Assim, as relações entre campo-cidade têm sido cada vez mais intensas devido a
maior interdependência funcional entre esses espaços, principalmente em regiões com
predomínio de uma agricultura moderna. Tal fato pode ser bem analisado em áreas
dinâmicas de produção de café no Sul de Minas, maior região produtora de café do Brasil. O
agronegócio do café favoreceu a modernização das atividades do campo e ao mesmo
tempo fez dinamizar vários municípios economicamente com as novas demandas da
cafeicultura, cujas cidades cada vez mais se adaptam a nova realidade regional e se tornam
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funcionais ao campo moderno. Entre essas, podemos citar o município de Alfenas – MG,
grande produtora de café na região e detentora de uma rede de serviços e infraestruturas
especializadas no ramo produtivo. Neste recorte espacial, foi possível fazer uma breve
análise sobre as novas relações campo-cidade associadas à dinâmica da globalização
produtiva atual e da consolidação do agronegócio cafeeiro. Os principais resultados deste
trabalho são frutos de pesquisas realizadas durante a elaboração do Trabalho de Conclusão
de Curso, relativo à conclusão do curso de Geografia Licenciatura em 2011.
Objetivos
O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma breve análise sobre as novas
relações campo-cidade estabelecidas pela consolidação do agronegócio globalizado do café
a partir da modernização das atividades agrícolas, bem como algumas das conseqüências
socioespaciais ocasionadas por estas relações. Para isto, o trabalho se foca em três
aspectos básicos: a) breve discussão sobre a modernização das atividades agrícolas no
campo brasileiro e as mudanças nas relações campo-cidade na era da globalização; b)
análise da consolidação da cafeicultura moderna no município de Alfenas – MG e os
reflexos nas relações campo-cidade; c) algumas conseqüências socioespaciais inerentes a
estas novas relações campo-cidade a partir da modernização da agricultura.
Metodologia
A metodologia empregada para a realização das pesquisas consistiu na revisão
bibliográfica de textos (livros, artigos, dissertações e teses) relacionados a teorias da
geografia agrária e regional, ao processo de modernização da agricultura brasileira, ao
agronegócio do café, as relações campo-cidade e as desigualdades socioespaciais
provocadas pela modernização do campo; pesquisas na internet em sites governamentais
para obtenção de dados relacionados à produção e comércio do café, de aspectos
fundiários e demográficos; e o aproveitamento de alguns resultados do Trabalho de
Conclusão de Curso (SANTOS, 2011) sobre dados e informações levantamentos a respeito
de empresas e instituições associados ao agronegócio do café, obtidas através de trabalho
a campo.
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Fundamentação Teórica
O processo de modernização da agricultura brasileira se deu a partir da
reestruturação produtiva do território ocasionado a partir de profundas mudanças na base
técnica de produção, com o incremento de inovações tecnológicas nas atividades do campo.
Este novo momento é favorecido pela industrialização do campo, cuja elevação da
produtividade favorece um aumento substancial de novos fixos e fluxos (SANTOS, 1996) no
espaço, dinamizando tanto o campo quanto a cidade. Segundo Muller (1989, p. 27) “a
aplicação das conquistas da ciência moderna na agricultura provoca uma revolução na
organização rural, suprimindo o divórcio entre agricultura e indústria.” Silveira (2007)
denomina este processo de industrialização da agricultura e da integração de capitais
(agrário, comercial, industrial e financeiro) como a consolidação dos chamados Complexos
Agroindustriais.
Milton Santos (1997, p. 139) afirma que a medida que o campo se moderniza,
requerendo máquinas, implementos, insumos materiais e intelectuais, ao crédito, à
administração pública e privada, oferta e demanda de bens e serviços; o consumo produtivo
tende a expandir-se e representar uma parcela importante das trocas entre lugares da
produção agrícola e as localidades urbanas. A partir disto, o campo fica cada vez mais
dependente e subordinada ao setor industrial, de serviços, financeiros, científico, etc, ou
seja, de atividades urbanas, o que propicia uma “aproximação” e uma relação mais intensa
do campo a cidade. Essas novas relações, segundo Mondardo (2006, p. 67), se
caracterizam pela “circulação de pessoas, mercadorias, informações e idéias que as
estradas, o comércio, a indústria, as redes de telecomunicação, dentre outras formas de
conexão, permitem, assim, relações dialéticas entre campo e cidade.” A partir disto, Elias
(2007) nos complementa ao dizer que o agronegócio globalizado promove o processo de
urbanização e de crescimento das áreas urbanas, principalmente das cidades médias e
locais, cujos vínculos principais se devem às inter-relações cada vez maiores entre o campo
e a cidade, fortalecendo-as seja em termos demográficos ou econômicos.
Estes fatos ocorrem em Alfenas – MG, fruto dos impactos causados pelo
agronegócio nas relações campo-cidade, que se tornam mais intensas devido às
interdependências entre esses espaços, expressas pelo aumento dos fluxos, trocas e
circulações. Tanto a cidade depende das atividades do campo moderno, como a
cafeicultura, para a manutenção das oportunidades trazidas pelas novas empresas e a
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geração de capital comercial e industrial; como o campo depende das atividades da cidade,
para poder adquirir os produtos e serviços necessários a produção, industrialização,
distribuição e comercialização do café (SANTOS, 2011).
Podemos dizer então que existe hoje uma interdependência e complementaridade
socioeconômica e funcional cada vez maior entre os espaços rurais e urbanos, que além de
progresso econômico e dinamismo regional, podem revelar também contradições e
desigualdades socioespaciais diversas. A concentração de terras e o desemprego no
campo, ocasionada pela mecanização agrícola, desencadeia o aumento do êxodo rural e o
alojamento da massa populacional camponesa principalmente nas áreas periféricas das
cidades. Estes acabam que muitas vezes reproduzindo a mesma marginalização social que
existia no campo, ao não conseguirem se inserir plenamente no mercado de trabalho
urbano.
Resultados finais e conclusões
Alfenas é o 14º maior município produtor de café no estado de Minas Gerais e o 7º
maior produtor no Sul de Minas, tendo produzido em 2010, 21.225 toneladas de café tipo
arábica, o equivalente à aproximadamente 353.736 sacas de 60 kg. A maior parte da
produção destina-se à exportação através das cooperativas, armazéns e empresas de
exportação espalhados pela cidade, sendo o restante submetido às torrefadoras do
município e região, para atender a demanda do mercado interno.
Além do potencial produtivo, Alfenas pode ser considerado ainda município funcional
ao agronegócio cafeeiro no Sul de Minas por oferecer uma gama de serviços e
infraestruturas que atendem as necessidades de centenas de produtores e empresas
associadas à atividade regional. Grandes e modernas propriedades agrícolas, grandes
beneficiadoras e torrefadoras de café, vários armazéns, transportadoras e cooperativas
especializadas, produtores e revendedores de insumos agrícolas, casas de maquinários e
implementos agrícolas, centros de assistência técnica especializada e de apoio aos
pequenos produtores, instituições de crédito e financiamentos, etc.
A modernização do campo, sobretudo a cafeicultura, principal cultura agrícola da
região, desencadeou também diversas transformações nas relações de produção e de
trabalho. Como nem todos os produtores conseguiram se modernizar eficientemente e
muitos trabalhadores foram gradativamente substituídos pela mecanização nas lavouras,
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principalmente em épocas de colheita, houve uma expressiva marginalização social no
campo. Para se ter uma idéia, houve uma eminente concentração de terras em
propriedades que cultivam café no município, onde 81,2% dessas áreas eram constituídas
por médias e grandes propriedades, ou seja, por estabelecimentos rurais com acima de 100
hectares, sendo que constituem somente 13,4% do total do número de fazendas de café no
município (IBGE, 2006).
Este e outros fatos contribuíram para que um grande contingente populacional da
zona rural se deslocasse para a cidade de Alfenas e outras cidades da região em busca de
novas oportunidades de trabalho e renda. A intensificação do êxodo rural tem reduzido
drasticamente o percentual de população rural nos últimos 40 anos, cuja participação no
total da população passou de 25,6% em 1970 (7.264) para 6,2% em 2010 (4.595),
considerando um aumento de quase 3 vezes da população absoluta (de 28.331 para 73.722
habitantes) no mesmo período (IBGE, 2011).
Referências Bibliográficas
MONDARDO, Marcos L. A relação campo-cidade no município de Francisco Beltrão –
PR. Revista Agrária, núm. 5, 2006, p. 65-86.
SANTOS, H. F. A outra face do agronegócio globalizado e as desigualdades
socioespaciais: estudo de caso com a cafeicultura moderna no município de Alfenas
– MG. 2011. 60 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Geografia Licenciatura) – Instituto
Ciências da Natureza da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), Alfenas/MG, 2011.
SANTOS, M. Técnica, espaço, tempo; globalização e meio técnico-científico
informacional. 5ª ed. São Paulo: Ed. Edusp, 1997.
SANTOS, M. A natureza do espaço, técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo:
Hucitec, 1996.
MÜLLER, G. Complexo Agroindustrial e Modernização Agrária. São Paulo:
Hucitec,1989.
SILVEIRA, Rogério, L.L. 2007. Complexo Agroindustrial, rede e território. In: DIAS, Leila;
SILVEIRA, Rogério, L.L. Redes, Sociedades e Territórios. 2º ed. Santa Cruz do Sul:
EDUNISC. P. 215-253.
ELIAS, Denise. 2007. Agricultura e produção de espaços urbanos não metropolitanos: notas
teórico-metodológicas. In: SPOSITO, Maria Encarnação B. (Org.) Cidades médias:
espaços em transição. São Paulo: Expressão Popular.
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