O Sr. Silas Câmara (PSC-AM) pronuncia o seguinte discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, A telefonia celular chegou no Brasil há quinze anos, e somente agora o telefone celular, o meio de comunicação com maior penetração no País, está atingindo a totalidade dos municípios. A cobertura universal da telefonia móvel, por mais que o brasileiro não consiga viver sem um aparelho celular, não se deveu à boa vontade das empresas. O que ocorreu foi uma regulação do governo, que amarrou metas de cobertura à autorização das licenças do móvel de terceira geração. Há empresas hoje que chegam a um município novo por dia. O avanço da Internet no Brasil deve produzir o mesmo impacto que o telefone móvel teve. O número de celulares ativos, de 174 milhões, é um pouco menor do que o da população brasileira. Levando-se a parcela que está na infância, significa que temos mais de um celular por 2 habitante, dependendo da idade. A explicação é simples: celular é essencial para se comunicar na vida moderna. Com menos de uma década de vida no País, a Internet deu sinais de que será a sucedânea da telefonia celular no rol dos serviços indispensáveis ao cidadão. Na verdade, a própria mobilidade será envolvida pela Internet, como mais um fator catalizador da sua expansão, por meio das redes wireless. Mas o índice de penetração da banda larga no Brasil está bem atrás dos países desenvolvidos. Relatório da OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Communications Outlook 2009, demonstra que os 30 países mais ricos do mundo possuem mais de 260 milhões de assinantes de banda larga, sem contar os acessos discados. No Brasil, o número de conexão em alta velocidade não passa de 10 milhões de pontos, e a estatística varia conforme a fonte. Além da baixa penetração, o acesso é totalmente desigual. Em recente evento em Brasília, o secretário de 3 Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, traduziu em números a disparidade na oferta de serviços de telecomunicações, inclusive a banda larga. Segundo ele, há 64 municípios com competição, 235 monopolistas e 2 mil e 245 municípios excluídos, esquecidos pelas empresas. Os próprios programas governamentais de inclusão digital, baseados na política dos telecentros, ou seja, postos de acesso públicos à Internet, reproduzem a desigualdade econômica e social existente entre as regiões do Brasil: somando 97 programas de inclusão digital, entre federais, estaduais e municipais, temos um total de 5.449 telecentros. Destes, 46,96% estão na região Sudeste e apenas 25,53% na região Nordeste. O Norte reúne apenas 4,90% dos telecentros públicos no Brasil. Os dados são do sítio Observatório Nacional de Inclusão Digital. O Plano Nacional de Banda Larga, que está sendo elaborado pelo governo federal, não deve atacar apenas o problema de cobertura, penetração e velocidade. Além de 4 cara, lenta e de baixa qualidade, a Internet é hoje fator de exclusão social. O direito à informação é mais do que virtual nas comunidades recôndidas ou distantes dos grandes centros. É ficção. No final do ano passado, o site Convergência Digital publicou matéria em que retrata o apagão digital da Amazônia brasileira. Em Manaus, capital do meu Estado, uma das dez cidades mais ricas do país e pólo de indústrias eletroeletrônicas, a Internet é precária e o preço, abusivo. Segundo a matéria, a Prodam, órgão estadual de processamento de dados, paga nada menos que 5 mil reais por megabyte por mês, mil vezes mais do que a RNP, Rede Nacional de Pesquisas, paga por cada gigabyte mensal. Essa realidade não mudará, nem mesmo nos próximos dez anos, se não houver a intervenção imediata do Poder Público, como estão fazendo os Estados Unidos, a Austrália, a Alemanha e tantos outros países que estão 5 investindo bilhões de dólares na expansão da banda larga para áreas rurais, remotas ou de baixo poder aquisitivo. Levantamento “Information and Communications for Development 2009”, do Banco Mundial, envolvendo 120 países, demonstrou que, a cada 10 pontos percentuais no aumento da penetração da banda larga em países em desenvolvimento, a economia cresce 1,3 ponto percentual. A Economia do Conhecimento não chegará aos lugares ribeirinhos e limítrofes sem cooperação, colaboração ou a competição estimulada pelo Estado. Essa discussão, ainda restrita aos gabinetes do Palácio, deve envolver de forma imediata o Congresso Nacional, a Comissão de Ciência e Tecnologia e as bancadas das regiões e dos estados menos assistidos, como os da região amazônica. O esforço para tornar realidade o acesso à informação de maneira justa e real é tão grande, que não será possível sem, como dizem os países da Nova Economia, uma grande “corrida armada pela banda larga”, numa analogia 6 aos tempos em que a Guerra Fria era a marca de um tempo. No mundo contemporâneo, a guerra também será vencida pela força: não das armas físicas, mas da informação e do conhecimento. Muito obrigado! 2010_631.doc