Artigo Completo

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PATRIMÔNIO IMATERIAL: UMA REFLEXÃO HISTÓRICA SOBRE
REPRESENTAÇÕES CULTURAIS NO PONTAL DO TRIÂNGULO MINEIRO
André Luis Parreira (FACIP/UFU)1
[email protected]
Andréa Azevedo Oliveira (FACIP/UFU)2
[email protected]
Thaís Parreira de Freitas Oliveira (FAPEMIG/UFU)3
[email protected]
INTRODUÇÃO
Este artigo se insere nas reflexões concernentes ao Patrimônio Imaterial no
ensino escolar, que tem como objeto de estudo uma escola pública de Educação Básica,
situada no município de Ituiutaba/MG, que completou quatorze anos e tem como missão
a formação integral e prática dos valores morais, preparando o aluno cidadão para uma
vida feliz e participativa.
O estudo se justifica pela valorização da cultura popular, pelo significado dado à
arte, por meio da prática pedagógica que se estende além da sala de aula, com atividades
prazerosas que despertem o interesse e a expectativa do educando e dos membros
envolvidos e comprometidos com a educação.
A pesquisa tem como objetivo geral: tecer reflexões sobre o patrimônio
imaterial, principalmente na perspectiva histórico-cultural no Pontal do Triângulo
Mineiro.
E, assim, tem como objetivos específicos: contribuir no processo educativo
inserindo os alunos na realidade cultural; compreender as historicidades das
representações culturais seja voltado para as artes, teatro ou dança; buscar um ensino
direcionado para sujeitos históricos, propiciando um conhecimento mais amplo da
realidade em que vivem, com atividades prazerosas e fora do âmbito da sala de aula.
A pesquisa se justifica tendo em vista que o espaço escolar é um multiplicador
dos aspectos relevantes do conhecimento, da valorização e da conscientização do
Patrimônio Imaterial, assim pode-se afirmar que é importante mostrar aos educadores e
educandos a necessidade do desenvolvimento deste estudo para proporcionar um melhor
entendimento, uma melhor conscientização e fortalecimento de uma memória local,
enaltecendo a cultura popular.
Dessa forma, a instituição escolar, como unidade social, ímpar, única, possui
formas de organização e funcionamento com peculiaridades próprias, a qual busca sua
identidade construída em sua trajetória histórica, com o intuito de proporcionar um
sistema de ensino que possa ser um fator de mudança social dentro do limite socialinstitucional, objetivando, também, valorizar a memória da cultura de um modo geral.
A metodologia utilizada constituiu-se da pesquisa bibliográfica, de acordo com a
fundamentação de alguns teóricos citados ao longo do artigo e ainda, por meio de
leituras de alguns acervos literários do IPHAN e UNESCO; permitiu-se na investigação
1
Graduando do Curso de História - FACIP/UFU. [email protected]
Graduanda do Curso de Pedagogia – FACIP/UFU. [email protected]
3
Graduanda do Curso de Pedagogia – FACIP/UFU. [email protected]
2
a análise documental e entrevista semi-estruturada que trouxeram relevância para o
estudo em coerência com a práxis dos graduandos, autores deste estudo.
PATRIMÔNIO IMATERIAL NO ENSINO ESCOLAR NA PERSPECTIVA
HISTÓRICO-CULTURAL NO PONTAL DO TRIÂNGULO MINEIRO
O patrimônio imaterial no ensino escolar e seus programas viabilizam projetos
de identificação, reconhecimento, salvaguarda e promoção da dimensão imaterial do
patrimônio cultural que busca estabelecer parcerias com instituições dos governos
federal, estadual e municipal, universidades, organizações não-governamentais,
agências de desenvolvimento e organizações privadas ligadas à cultura, à pesquisa,
revelando a abertura da escola para a comunidade, gerando um sentimento de identidade
e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à
criatividade humana.
A instituição escolar investe no patrimônio cultural, novas abordagens
metodológicas são exigidas na área educacional e, assim, reconhece-se o interesse
social, a atitude de preservação e investigação. Nesse contexto, ampliam-se os estudos e
o ensino da história da educação e da história cultural, divulgando o patrimônio escolar
e educativo.
Tem-se a escola como uma unidade social, que possui formas de organização e
funcionamento com peculiaridades próprias, construídas em sua trajetória histórica na
busca de sua identidade escolar e pretende a construção de um sistema de ensino em que
possa constituir em fator de mudança social dentro do limite institucional social que
possui.
E, nessa práxis pedagógica, promove-se a apropriação da cultura humana em que
a escola, como instituição social, provê a educação sistematizada que difere da
administração capitalista na busca da lucratividade, a administração escolar torna os
processos educacionais mais abertos e democráticos.
O patrimônio cultural imaterial é transmitido de geração em geração e,
constantemente, está sendo recriado pelas comunidades e grupos em função de seu
ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história nada mais é que todo
registro e toda a produção humana no contexto histórico, que devem ser preservada,
mas acima de tudo respeitada.
Isso pode ser visualizado na explicitação do IPHAN (2006):
O registro é antes de tudo, uma forma de reconhecimento e busca a
valorização desses bens, sendo visto mesmo como instrumento legal
que, ”resguardadas as suas especificidades e alcance, equivale ao
tombamento. Tombam-se objetos, edificações e sítios físicos;
registram-se saberes e celebrações, rituais e formas de expressão e os
espaços onde essas práticas se desenvolvem. (IPHAN, 2006, p.272)
A história contribui na construção de uma memória mais democrática do
passado, como afirma Thompson (1992, p. 20): “toda história depende, basicamente, de
sua finalidade social”. Assim, o patrimônio histórico-cultural instaura um tipo de
mediação entre a cultura herdada e a cultura reconstruída, percebe-se um elo entre o
passado e o presente.
A educação como apropriação da cultura humana e, a escola como instituição
que provê a educação sistematizada, difere da administração capitalista que busca a
lucratividade, enquanto a administração escolar busca mudanças significativas nas
relações de poder em todas as áreas de ação política e cultural tornando os processos
educacionais mais abertos e democráticos. Neste sentido, compreendem-se os tipos de
relações existentes frente às diversidades culturais, econômicas, políticas e sociais.
Assim, a educação básica como “direito de todos”, tem como missão criar
oportunidades para que os educandos se desenvolvam, construam e reconstruam o
saber, resultados da prática pedagógica e de sua gestão democrática. “É na conjugação
entre as lutas políticas de largo alcance e a qualificação de cada uma das nossas escolas
que estaremos construindo a democratização da escola pública” (BUENO, 2001, p.
107).
Nesse sentido, a educação brasileira há de se pautar pela liberdade e pelos ideais
de solidariedade humana, o que poderá possibilitar a unidade escolar com o seu espaço
de autonomia para a construção de práticas. Portanto, em relação à melhoria da
qualidade do ensino no Brasil, o sistema educacional busca atualizar-se diante às
inovações, despertando o seu interesse em direção aos critérios para um ensino de
qualidade, abordagens dinâmicas e interativas, oportunidades aos professores para sua
formação de forma crítica-reflexiva, uma liderança estimulante, com compromisso para
resgatar o processo do ensino-aprendizagem.
A escola, em seu papel de transformação, que mudou a sua função social,
também passou a exigir mudança na sua organização, no seu funcionamento bem como
no seu projeto político e pedagógico em que o trabalho em equipe e a participação de
todos os profissionais da educação têm objetivos comuns e definidos pelo coletivo da
escola.
A educação, no momento atual, revela a importância da escola com abertura
para a comunidade, espaço para que todos possam opinar, sugerir, que as vozes se
manifestem com liberdade. Desse modo, os envolvidos tornam-se conscientes de que as
mudanças na área educacional são essenciais para a concretização de uma gestão
democrática, descentralizada e que a autonomia da escola se constrói com a participação
efetiva, de toda a comunidade.
A escola pública presta serviço à comunidade, reforça sua identidade cultural e
legitima o seu papel social. Assim, percebe-se uma coerência no processo pedagógico,
oportunizando o educando a compreensão do valor da escola e de sua cultura para a sua
formação integral. Entende-se que a gestão democrática trata-se da participação crítica
na construção do projeto político-pedagógico e na sua gestão.
Desse modo, o projeto político-pedagógico busca a melhoria da qualidade do
ensino e fortalece as relações entre a escola e o sistema pedagógico e é através deste
documento elaborado pelos profissionais da educação e sua comunidade que é
construído e vivenciado pelos envolvidos com o processo educativo.
Segundo Veiga (1997):
O projeto político-pedagógico tem sido objeto de estudos para
professores, pesquisadores e instituições educacionais em nível
nacional, estadual e municipal, em busca da melhoria da qualidade do
ensino. [...] A escola é o lugar de concepção, realização e avaliação de
seu projeto educativo, uma vez que necessita organizar seu trabalho
pedagógico com base em seus alunos. Nessa perspectiva, é
fundamental que ela assuma suas responsabilidades, sem esperar que
as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa, mas que
lhe dêem as condições necessárias para levá-la adiante. Para tanto, é
importante que se fortaleçam as relações entre escola e sistema de
ensino (VEIGA, 1997, p. 11).
O projeto político-pedagógico é fundamental nas escolas para a melhoria da
qualidade do ensino, como um compromisso definido coletivamente. O projeto políticopedagógico constitui-se em processo democrático de decisões para a organização do
trabalho pedagógico na escola como um todo e na sala de aula, e sua relação com o
contexto social e atualmente os projetos políticos e pedagógicos das escolas foram
reformulados abordando disciplinas direcionadas ao patrimônio imaterial.
Desse modo, o papel do professor envolvido nessa área é percebido em sua
prática pedagógica e o relacionamento com a comunidade escolar é de grande
importância. No momento da elaboração e construção do projeto político-pedagógico,
deve ser reforçada a necessidade de realçar o espaço para a cultura.
No que concerne ao professor deve haver uma interação com a equipe
profissional, no sentido de contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e sua
rotinização, passar por reflexões e análises da ação educativa, da estrutura
organizacional, do currículo, do tempo escolar, e das relações de trabalho.
Para Veiga (1997):
O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com
um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente.
Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto
político, cultural e social por estar intimamente articulado ao
compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da
população majoritária. É político no sentido de compromisso com a
formação do cidadão para um tipo de sociedade (VEIGA, 1997, p.
13).
As ações educativas e as características necessárias para o cumprimento das
mesmas são definidas no projeto político-pedagógico. No projeto político-pedagógico
pode-se visualizar a intencionalidade da escola, a preparação para que o educando torne
um cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo.
O envolvimento de todos que participam, direta ou indiretamente, do processo
educacional buscarão alcançar os objetivos propostos, de acordo com o empenho
coletivo, para a realização das ações e das relações culturais. A participarem da
organização escolar sentem-se responsáveis pelos resultados conquistados e, assim,
constroem a sua autonomia e preservam sua cultura.
Somente por meio da participação em equipe que os profissionais “culturais”
podem superar o exercício do poder individual e promover a competência, respeitando
os demais profissionais e aceitando a diversidade de posicionamentos.
Outro avanço relevante, em relação à preservação do Patrimônio Imaterial, é a
promulgação do Decreto nº 3.551, de 04 de agosto de 2000, que institui o Registro de
Bens Culturais de Natureza Imaterial, define um programa voltado especialmente para
estes bens.
Nesses termos, institui o Artigo 1º do Decreto 3.551/2000:
Art. 1º - Fica instituído o Registro de Bens Culturais de Natureza
Imaterial que constituem patrimônio cultural brasileiro. § 1º - Esse
registro se fará em um dos seguintes livros: I - Livro de Registro dos
Saberes, onde serão inscritos conhecimentos e modos de fazer
enraizados no cotidiano das comunidades; II - Livro de Registro das
Celebrações, onde serão inscritos rituais e festas que marcam a
vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de
outras práticas da vida social; III - Livro de Registro das Formas de
Expressão, onde serão inscritas manifestações literárias, musicais,
plásticas, cênicas e lúdicas; IV - Livro de Registro dos Lugares, onde
serão inscritos mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços
onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas. § 2º - A
inscrição num dos livros de registro terá sempre como referência a
continuidade histórica do bem e sua relevância nacional para a
memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira. § 3º Outros livros de registro poderão ser abertos para a inscrição de bens
culturais de natureza imaterial que constituam patrimônio cultural
brasileiro e não se enquadrem nos livros definidos no parágrafo
primeiro deste artigo (BRASIL, 2000, p.1).
O decreto rege o processo de reconhecimento de bens culturais como patrimônio
imaterial, institui o registro e, com ele, o compromisso do Estado em inventariar,
documentar, produzir e registrar conhecimentos apoiando a dinâmica dessas práticas
socioculturais. É dada a importância de promover e proteger a memória e as
manifestações culturais representadas, em todo o mundo, por monumentos, sítios
históricos e paisagens culturais.
A Constituição Federal de 1988 trouxe para o nosso ordenamento jurídico a
vanguarda dos conceitos internacionais de patrimônio cultural e a preservação dos
valores culturais brasileiros, conforme a transcrição do Artigo 216:
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de
natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em
conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se
incluem: I. as formas de expressão; II. os modos de criar, fazer e
viver; III. as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV. as
obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados
às manifestações artístico-culturais; V. os conjuntos urbanos e sítios
de
valor
histórico,
paisagístico,
artístico,
arqueológico,
paleontológico, ecológico e científico (BRASIL, 1988, p. 98).
Dessa forma, não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo, há
muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em
diversos outros aspectos e manifestações, transmitidos oral ou gestualmente, recriados
coletivamente e modificados ao longo do tempo e o espaço escolar abre as portas para a
preservação e valorização desse patrimônio, onde a docência está desmotivada e busca
uma melhoria no setor educacional.
A ESCOLA MUNICIPAL “AURELIANO JOAQUIM DA SILVA – CAIC:
OBJETO DE ESTUDO
A Escola Municipal “Aureliano Joaquim da Silva” – CAIC foi criada através do
Decreto Lei Municipal 3.181 de 09/01/1996, tendo sido o seu funcionamento autorizado
através da portaria SEE nº 1057/96, MG: 26/10/96. Esta Escola está sediada no CAIC –
Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente, no Bairro Novo Tempo II, na
Rua Áurea Muniz de Oliveira, 175, para atender ao subprograma da Educação Escolar e
da Educação Infantil. Com isto, busca oferecer condições para que o processo de
atendimento às crianças e adolescentes e de integração dos vários serviços públicos
indispensáveis ao pleno desenvolvimento da infância e da adolescência ocorra, com o
envolvimento da família e da comunidade, na responsabilidade conjunta do Estado, da
Sociedade e da Família. Sendo assim, a Escola Municipal “Aureliano Joaquim da Silva”
– CAIC é um subprograma da Unidade de Serviço (U. S.).
A Escola Municipal “Aureliano Joaquim da Silva” - CAIC surgiu com o início
da terraplanagem em 1994 e prosseguiu sua construção até janeiro de 1996. O CAIC
iniciou suas atividades em fevereiro de 1996, com seis turmas de 4, 5 e 6 anos e doze
turmas de Ensino Fundamental, na Escola Estadual Maria de Barros, no período
vespertino, até a data de sua inauguração.
Em 1993 foi institucionalizado o Programa Nacional de Atenção Integral à
Criança e ao Adolescente – PRONAICA, que tem como referência básica, o disposto no
Artigo 227, da Constituição Federal. O PRONAICA é entendido como um conjunto de
ações básicas de caráter sócio-educativo, orientadas pela concepção da Atenção
Integral, em ambientes previamente planejados, preparados e organizados.
O CAIC foi construído em comunidades onde não existem serviços sociais,
foram desenvolvidos oito subprogramas, que são: Proteção Especial à criança e à
Família; Promoção da Saúde da Criança e do Adolescente; Esportes; Cultura; Educação
para o Trabalho; Alimentação; Educação Infantil; Educação Escolar.
Na gestão do Presidente Itamar Augusto Cautiero Franco e do Ministro da
Educação e do Desporto Maurílio de Avelar Hingel, a pedido do Deputado Federal
Romel Anízio Jorge e com o apoio do Prefeito João Batista Arantes, Ituiutaba integra-se
ao Programa do PRONAICA, para atender a pedagogia do PRONAICA em Ituiutaba.
O CAIC se tornou grande, graças ao trabalho de uma competente equipe,
transformando sonhos em realidade, trabalhando com os pequeninos da Educação
Infantil com amor e carinho, iniciando os pequenos no mundo das letras e dos sonhos
dos livros. O Ensino Fundamental a cada dia vence os desafios e desafia as crianças e
adolescentes a descobrir um mundo cheio de maravilhas, o mundo do conhecimento.
Os núcleos diversificados assim se apresentam e mostram a sua eficiência:
- Núcleo da cultura - transforma sonho em realidade, movimento em arte, som
em beleza, e através da dança, teatro, música e arte enche os olhos de cor, beleza e
alegria, como se pode visualizar nas fotos 1 a 3.
Foto 1 – Atividade cultural: música
Foto 2 – Atividade cultural: dança
Fonte: Registro da Escola (2010)
Fonte: Registro da Escola (2010)
Foto 3 – Atividade cultural: teatro
Fonte: Registro da Escola (2010)
- Núcleo do trabalho - ensina o caminho do aprendizado para todos em qualquer
idade e das mãos vazias faz brotar o trabalho que ao homem faz muito bem;
- Núcleo do esporte - descobre e incentiva talentos, mostra que o corpo é um
instrumento de trabalho e que pode vencer limites, mostra um lado da vida lindo e cheio
de oportunidade;
- Núcleo da alimentação e manutenção - preparam com amor e cuidado o
alimento, proporciona um ambiente limpo e adequado, para que educadores e
educandos possam usufruir de tantas coisas e que, às vezes, nem dão conta de sua
presença;
- Núcleo da saúde - cuida de cada um, não apenas alunos, mas de todos os
moradores do bairro, com seu trabalho melhora a qualidade de vida.
Tem, ainda, o projeto Pequenos Horticultores, que trabalha para a formação de
adolescentes, mostrando o quanto é importante o trabalho dos que produzem, com isso
moldando caráter e formando cidadãos conscientes.
O suporte tecnológico proporciona o acesso a um mundo mágico e
desconhecido, aproximando alunos, professores e comunidade às novas tecnologias.
E, também, o projeto “entre na roda”, através da arte, enche a estrutura física de vida
nos finais de semana.
A missão do CAIC é preparar o aluno cidadão para uma vida feliz e
participativa,através da educação integral e da prática de valores morais, resgatando a
dignidade do ser humano, garantindo-lhe o direito à cidadania.
PROCESSOS METODOLÓGICOS
A construção do estudo desenvolvido foi direcionada a leituras de alguns
acervos literários do IPHAN e da UNESCO, bem como a utilização de uma vasta
bibliografia acadêmica, de autores elencados no decorrer do presente artigo que nos
proporcionaram certo grau de compreensão da realidade.
A partir das reflexões analisadas, visitamos o Centro de Atenção Integral à
Criança e ao Adolescente (CAIC), fundamentando-se na proposição adotada e elaborada
pelo coordenador e orientador Professor Dr. Eduardo Giavara, integrante do corpo
docente do curso de História, da Universidade Federal de Uberlândia bem como
conhecer e vivenciar o projeto apresentado que visa o aperfeiçoamento do conceito de
sujeito histórico em seu processo educacional e os sujeitos históricos ativos,
responsáveis.
Durante as visitas ao CAIC, onde foram difundidas várias atividades do
Patrimônio Imaterial, pode-se observar o trabalho desenvolvido pelo Núcleo da Cultura
da Escola, onde os alunos buscaram proporcionar a verdadeira valorização do referido
patrimônio, embora falte a presença de política local para essa e outras questões
relevantes à educação.
Atualmente, no núcleo da cultura, oficinas de músicas, teatro, artes plásticas,
pintura, danças em estilos variados, dança afro, capoeira e congada são oferecidas e tem
em sua biblioteca um acervo literário para a prática de leituras e pesquisas referentes a
essa área.
O pressuposto básico para o trabalho foi de apresentar um projeto, bem como
preparar e contextualizar o patrimônio histórico cultural, em forma de Seminário, onde
o foco principal englobava a produção e desenvolvimento do projeto. A prioridade foi o
debate acerca do projeto em andamento e através de leituras projetadas em datashow,
promoveu-se um diálogo que possibilitou um aprofundamento do tema e a compreensão
da importância de se preservar os bens culturais no espaço escolar bem como a
importância do trabalho desenvolvido pela escola, no que tange o Patrimônio Imaterial.
Prosseguindo as visitas ao CAIC, esta última, teve como objetivo a finalização
do projeto em questão, ressaltando que além deste objetivo, deve-se ir além, ajudar na
construção de um saber criativo e reflexivo, discutir e retomar sempre a relação da
construção da identidade, da educação patrimonial e a prática da cidadania.
No que concerne às atividades educativas, as produções escritas relacionadas aos
textos analisados e à avaliação do processo ensino-aprendizagem realizou-se,
posteriormente, pelo docente responsável da disciplina.
A entrevista foi realizada na escola, com a participação de cinco profissionais.
Seguiu-se um roteiro com cinco questões sobre a importância do trabalho desenvolvido.
Estes sujeitos foram denominados de Sujeito 1 a 5, para preservar as suas identidades.
No momento da entrevista nos foi oferecido um material muito rico, com fotos das
atividades culturais realizados nesta escola, com os alunos aqui matriculados e com a
participação da comunidade escolar.
RESULTADO E DISCUSSÃO DOS DADOS
Os resultados obtidos na entrevista apresentaram a percepção dos profissionais
da educação desta escola, objeto de estudo deste trabalho, que muito contribuiu para a
concretização do mesmo.
E, assim, quanto à questão referente à pergunta 1:“Quais os fatores positivos que
esse trabalho envolvendo o patrimônio imaterial vem trazendo para a educação de
nossas crianças em Ituiutaba”, obteve-se a seguinte resposta:
Um fator positivo desse trabalho tem sido a valorização dos
profissionais envolvidos com a educação em suas várias
possibilidades e o destaque na aquisição de uma aprendizagem rica e
interessante através das atividades culturais (Sujeito 3).
Percebe-se, o papel reconhecido do patrimônio cultural imaterial e o que
propicia ao ambiente escolar, como o conhecimento e a compreensão da preservação da
identidade e memória e da relevância que o processo representa para a comunidade
escolar.
A questão 2: “Como se dá a relação do professor-aluno com essa cultura
popular?” Esta questão contribuiu significativamente para os objetivos de nosso estudo
diante da resposta:
Nossa cultura brasileira é aberta a todos sem distinção, é criativa e
atraente. Ao professor cabe instigar e aperfeiçoar o potencial dos
alunos. Os jovens e as crianças são curiosos e aprendem rápido e, ao
final, todos saem com algo novo na bagagem, incluindo, claro, os
profissionais envolvidos no processo criativo (Sujeito 5).
O Sujeito 5 atua como professora neste processo mostra grande responsabilidade
e entusiasmo ao desempenhar seu papel, conhecimento quanto à importância das
atividades culturais na escola e no envolvimento que atinge a todos. Esclarece, ainda,
sobre o interesse que causa nas crianças e nos jovens e, mais, a facilidade que os
mesmos têm em aprender. Percebe-se, assim, que todos participam efetivamente e, ao
mesmo tempo, aprendem; não só os discentes como os docentes.
Outra questão que merece destaque em sua resposta é a de número 3: “Quais são
as maiores dificuldades encontradas pelo núcleo da cultura do CAIC, para manter viva
essas aulas e, principalmente, o interesse e a motivação das crianças?”
Entre as respostas dos sujeitos entrevistados pode-se perceber nas palavras
abaixo uma compreensão construída na prática pedagógica como se pode visualizar:
Profissionais especializados para contratações de determinadas aulas
como, por exemplo, violão, teclado, dança, capoeira; a volta do aluno
extra-turno às vezes é impedida por alguns pais que definem outras
tarefas para os filhos no horário que não estudam regularmente
(Sujeito 1).
Na resposta obtida pelo Sujeito 1 pode-se constatar que nem sempre o núcleo da
cultura desta escola é compreendido pelos pais como deveria, o que dificulta aos
profissionais darem continuidade aos seus projetos educativos. Ao mesmo tempo
percebe-se a dificuldade de profissionais especializados para atuarem na escola, sendo
estas aulas as mais procuradas pelos alunos, como exemplifica a entrevista, a falta de
professores especializados de violão, teclado, dança, capoeira, que se apresentam como
dificuldades para o bom andamento dos projetos culturais.
Dentre as perguntas, esta se apresentou muito significativa para o estudo, a
questão de número 4: “Você acha importante trabalhar esse eixo (patrimônio imaterial)
dentro do âmbito escolar? Por quê?”
Pode-se constatar na resposta do entrevistado que assim respondeu: “Sim. Para
destacar outros valores que envolvem o ser humano: habilidades, emoções, sentimentos,
criatividade, envolvimento com o outro, expansão de conhecimentos” (Sujeito 2).
Percebe-se a amplitude desse eixo no contexto escolar e a sua abrangência no
que se refere aos valores que envolvem o ser humano, como as emoções necessárias ao
processo de aprendizagem, que os profissionais da educação souberam, dentro da
metodologia aplicada, viabilizar a inserção da aprendizagem no processo emocional
como parte integrante da vivência de cada um.
A Coordenadora do Núcleo da Cultura do CAIC, professora Débora Azevedo de
Oliveira salienta que
“Cidadania é melhorar as condições desses alunos, e nós professores
tem o dever de fazer essa questão chegar a sua totalidade e sensibilizar
esses educandos da importância do projeto político pedagógico no seu
dia-a-dia em prol da melhoria dos mesmos perante a sociedade. Isso é
que nos move, é acreditar no trabalho do educando nesse Projeto de
grande importância para essa comunidade”(2010)
Além da observância aos princípios e fins da Educação Nacional, a Escola tem
suas atividades centradas na Pedagogia da Atenção Integral, isto é, um conjunto de
ações e atividades articuladas que objetiva garantir à infância e à adolescência de baixa
renda, seus direitos fundamentais, seu desenvolvimento integral, com vistas ao preparo
para o exercício da cidadania.
Outra questão que se tornou relevante é a de número 5: “Deixe uma mensagem
para os futuros historiadores e educadores que visam preservar esse tipo de cultura”. E,
a resposta que veio de encontro com nossos anseios e objetivos do estudo pode-se
realçar no discurso abaixo:
Nós, educadores, temos a obrigação de acreditar no ser humano e em
todas as suas possibilidades. Temos em nossas mãos a
responsabilidade de formar cidadãos e, acima de tudo, pessoas
valorosas que acreditam em si mesmas e num mundo melhor (Sujeito
4).
Mais uma vez, os sujeitos entrevistados mostraram com sabedoria o resultado de
seu trabalho e o valor do mesmo para a sociedade em que se insere; respeitando as
habilidades e capacidade de cada um, acreditando e valorizando o ser humano, e, assim,
mostrando o seu compromisso com a educação e a função social da escola.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As principais conclusões deste estudo mostraram que os profissionais da
educação são influências positivas e essenciais para o bom desempenho dos programas,
sentindo-se motivados a aceitar as responsabilidades cabíveis em sua atuação, bem
como encontrar caminhos diante da pouca valorização e conhecimento do Patrimônio
Imaterial na sociedade.
Entre as principais conclusões apontam que, atualmente,os programas sobre o
Patrimônio Imaterial Cultural alcançaram em suas funções uma dimensão bastante
abrangente, pois orienta, analisa, avalia o andamento da escola, de sua responsabilidade,
estendendo à realização do processo em toda área pedagógica.
Pode-se perceber nas falas dos sujeitos entrevistados que os fatores que
envolvem o patrimônio imaterial traz para a educação fatores positivos, dentre eles, a
valorização dos profissionais, o respeito à capacidade dos educandos, a diversidade das
atividades e a flexibilidade na prática educativa, a aquisição de uma aprendizagem
envolvendo as emoções vivenciadas por cada participante, por cada envolvido no
projeto e nas atividades culturais.
Evidencia-se, também, a importância desses projetos na escola democrática, de
profissionais que participam efetivamente, com compromisso e responsabilidade, que se
envolvem com a organização escolar por um todo, sem fragmentar a estrutura
institucional.
O comprometimento com a organização e o funcionamento das áreas culturais e
pedagógicas, de todos os profissionais em exercício, devem se desenvolver com
competência a serviço dos objetivos da escola, e, assim, exercerem o seu papel com a
qualidade do ensino que todos desejam.
Nesta perspectiva, a escola se define pelas relações sociais que desenvolvem e,
como instituição social, ímpar, fruto da própria trajetória histórica tem como atividade
educacional a preparação do cidadão para a vida da cidadania e uma efetiva
conscientização desta ação humana no fazer histórico e social.
Como instituição social, além do acesso à cultura do conhecimento, socialmente
valorizado, deve-se constituir um espaço de convivência social que favoreça e estimule
a formação da cidadania.
Constata-se, ainda, que o ser humano possui habilidades diferenciadas de
aprendizagem. O aluno adquire na música, no teatro, na dança ou em outra arte, a
capacidade de concentração, descontração, socialização, memória, coordenação motora
dentre outros, tudo isso colabora positivamente com seu desenvolvimento.
Uma escola democrática e participativa e voltada para a cultura é um horizonte a ser
buscado, e este caminho é um aprendizado coletivo, um trabalho realizado por todos
numa interação dos concretos e das pessoas da unidade escolar.
Dentre os objetivos propostos e pensando no seu contexto mais amplo, concluise que no espaço escolar, um multiplicador dos aspectos relevantes do conhecimento, da
valorização e da conscientização do Patrimônio Imaterial pode-se afirmar e mostrar aos
educadores e educandos que se torna necessário o desenvolvimento deste estudo,
proporcionando um melhor entendimento, uma melhor conscientização e fortalecimento
de uma memória local, enaltecendo a cultura popular.
REFERÊNCIAS
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Campinas, SP: Papirus, 1995 (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico).
OBRAS CONSULTADAS:
ABREU, R.; CHAGAS, M. (Org.). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos.
Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p. 56-76.
ARANTES, A. A. Patrimônio imaterial e referências culturais. Tempo Brasileiro. v. 1,
n. 147, p. 129-139, 2001.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e
métodos.SP: Cortez, 2004.
CASTRO Maria Laura Viveiros de, FONSECA, Maria Cecília Londres. Patrimônio
imaterial no Brasil. Brasília: UNESCO, Educarte, 2008, 199 p.
FONSECA, M. C. L. O patrimônio em processo: trajetória da política federal de
preservação no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, IPHAN, 1997.
HORTA, Maria de Lourdes Parreira; GRUNBERG, Evelina; MONTEIRO, Adriane
Queiroz. Guia de educação patrimonial. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, Museu Imperial, 1999.
UNESCO. Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. Paris:
UNESCO,
2003.
Disponível
em:
<http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001325/132540por. pdf.>. Acesso em: 10 Dez.
2011.
FONTE DOCUMENTAL:
ESCOLA MUNICIPAL AURELIANO JOAQUIM DA SILVA-CAIC. Histórico.
Ituiutaba, 2006. Arquivo da Escola Municipal Aureliano Joaquim da Silva.
FONTES ORAIS:
Débora Azevedo de Oliveira-2010
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