Pierre Bourdieu Arquivo

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Pierre Bourdieu
Espaço social
Para Bourdieu o «espaço social» é hierarquizado pela
desigual distribuição de diferentes capitais.
Deste modo, as «diferentes formas de capital» (o capital
econômico, o capital cultural, o capital social e o capital
simbólico)...
...permitem estruturar o espaço social.
Bourdieu, Pierre (2005), O campo econômico. Política & Sociedade, 6: 15-58 (tradução de "Le champ économique". Actes de la
Recherche en Sciences Sociales, 119: 48-66, 1997).
As «diferentes formas de capital» em Bourdieu | 1
• Segundo Bourdieu o que permite estruturar o «espaço
social» é a posse de diferentes tipos de capital.
• A posição dos agentes no espaço das classes depende do
«volume» e da «estrutura» de seu capital.
• A analogia com a abordagem econômica se explica pelas
propriedades reconhecidas do capital: ele se acumula por
meio de operações de investimento, transmite-se pela
herança, permite extrair lucros segundo a oportunidade que
o seu detentor tiver de operar as aplicações mais rentáveis.
BOURDIEU, Pierre. As regras da Arte. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
As «diferentes formas de capital» em Bourdieu | 2
• Estas características fazem dele um conceito
heurístico e, como faz Bourdieu, seu uso não é
limitado apenas à área econômica.
• Bourdieu distingue quatro tipos de capital:
•
•
•
•
(1) capital econômico;
(2) capital cultural;
(3) capital social;
(4) capital simbólico.
BOURDIEU, Pierre. As regras da Arte. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
As «diferentes formas de capital» em Bourdieu | 2
1. O capital econômico é constituído pelos diferentes fatores de
produção (terras, fábricas, trabalho) e pelo conjunto de bens
econômicos: renda, patrimônio, bens materiais.
2. O capital cultural corresponde ao conjunto das qualificações
intelectuais produzidas pelo sistema escolar ou transmitidas pela
família. Pode existir sobre três formas:
1. em estado incorporado, como disposição duradoura do
corpo (p. ex, a facilidade de expressão em público);
2. em estado objetivo, como bem cultural (a posse de
quadros, de obras);
3. em estado institucionalizado, isto é, socialmente
sancionado por instituições (como títulos acadêmicos).
BOURDIEU, Pierre. As regras da Arte. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
As «diferentes formas de capital» em Bourdieu | 2
3. O capital social é definido pelo conjunto das
relações sociais de que dispõe um indivíduo ou
um grupo. A posse deste tipo de capital implica a
instauração e manutenção das relações de
sociabilidade: convites recíprocos, lazer em
comum etc. (Idem).
4. O capital simbólico correspondente ao
conjunto de rituais (como as boas maneiras ou o
protocolo) ligados à honra e ao reconhecimento.
BOURDIEU, Pierre. As regras da Arte. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
A «Enquete operária» e a «Sociologia do trabalho» de
Pierre Bourdieu
Enquete operária
Sociologia de Pierre Bourdieu
(sociologia do trabalho)
•
•
•
•
“Objeto” da pesquisa: operários
Técnicas: análise descritiva,
questionário
Itens: condições materiais de vida
•
•
“Objeto” da pesquisa: comparação
entre grupos profissionais.
Técnicas: questionário, técnicas
estatísticas
Itens: condições materiais de vida,
capital cultural e simbólico, habitus.
BOURDIEU, Pierre.1979. La distinction, critique sociale du jugement. Paris, Les Editions de Minuit, 1979.
HUNECKE, Volker. 1973. Statistiche operaie borghesi e proletarie nel secolo XIX. Studi Storici, Anno 14, No. 2 (Apr. - Jun.,
1973), pp. 373-403.
THIOLLENT, Michel J.M. Enquete operária e tradição socialista. In: _________. Crítica metodológica, investigação social e
enquete operária; com textos selecionados de Pierre Bourdieu, Liliane Kandel, Guy de Michelat, Jacques Maitre, Raniero Panzieri e
Dario Lanzardo. São Paulo, Polis, 1980. Capítulo IV. p. 101-126.
Conceito de «Habitus» de classe | 1
• Ao caracterizar um processo de estruturação social, Bourdieu
introduz o seu conceito de «habitus» de classe e o relaciona ao seu
entendimento de classe social.
• Para Bourdieu, a classe social deve ser tratada em relação não com
o indivíduo ou com uma população (i.e., um agregado de
indivíduos), mas sim com o habitus de classe, que é definido como
um sistema socialmente constituído de disposições (tendências,
aptidões, inclinações, talentos) que orientam pensamentos,
percepções, expressões e ações...
• O conceito de habitus foi desenvolvido com o objetivo de pôr fim à
antinomia indivíduo/sociedade dentro da sociologia estruturalista: o
conceito, relaciona-se à capacidade de uma determinada estrutura
social ser incorporada pelos agentes por meio de disposições para
sentir, pensar e agir.
Bourdieu, 1983b, (1983b) Sociologia, org. por Renato Ortiz), São Paulo: Ática.»
Conceito de «Habitus» de classe | 2
Habitus é compreendido como:
« [...] um sistema de disposições duráveis e
transponíveis que, integrando todas as
experiências passadas, funciona a cada
momento como uma matriz de percepções,
de apreciações e de ações – e torna possível
a realização de tarefas infinitamente
diferenciadas, graças às transferências
analógicas de esquemas [...]»
Bourdieu, 1983b, (1983b) Sociologia, org. por Renato Ortiz), São Paulo: Ática.»
Conceito de «Habitus» de classe |
«Economia» e «sociologia»
[...]
«Certos defensores da teoria das antecipações racionais
sugerem que a melhor utilização da informação
disponível, tendo em vista o objetivo que se trata de
maximizar, é obtida progressivamente ao termo de uma
aprendizagem por tentativas e erros.
A teoria das disposições (do habitus) permite
fundamentar a existência de antecipações razoáveis na
ausência mesma de qualquer cálculo racional».
Bourdieu, Pierre (2005, p. 23), "O campo econômico". Política & Sociedade, 6: 15-58 (tradução pt. de “Le champ
économique”. Actes de la Recherche en Sciences Sociales, 119: 48-66, 1997).
BOURDIEU, Pierre. 1979. La distinction, critique sociale du jugement. Paris, Les Editions de Minuit.
BOURDIEU, Pierre. 1979. La distinction, critique sociale du jugement. Paris, Les Editions de Minuit.
BOURDIEU, Pierre. 1979. La distinction, critique sociale du jugement. Paris, Les Editions de Minuit.
BOURDIEU, Pierre. 1979. La distinction, critique sociale du jugement. Paris, Les Editions de Minuit.
Quais as diferenças entre Pierre Bourdieu, Karl Marx, Max Weber e Emile Durkheim?
BOURDIEU, Pierre. 1979. La distinction, critique sociale du jugement. Paris, Les Editions de Minuit.
A «sociologia econômica» de Bourdieu | 1
• Bourdieu afirma, no quadro de mais uma crítica à ciência
econômica, que «o cálculo estritamente utilitarista não pode
dar conta completamente de práticas que permanecem
imersas no não-econômico».
• Nesse sentido, a ciência econômica, tal como é praticada,
não é legítima e deve ser substituída por uma «sociologia
econômica»:
• [...] a imersão da economia no social é tal que, por legítimas
que sejam as abstrações realizadas para as necessidades da
análise, é preciso ter claro que o verdadeiro objeto de uma
verdadeira economia das práticas não é outra coisa, em
última análise, senão a economia das condições de produção
e de reprodução dos agentes e das instituições de produção
e de reprodução econômica, cultural e social, isto é, o próprio
objeto da sociologia na sua definição mais completa e mais
geral (2000, pp. 25-26).
BOURDIE, Pierre (2000), Les structures sociales de l'économie. Paris, Seuil.
A «sociologia econômica» de Bourdieu | 2
• Num dos primeiros textos em que tentou sistematizar
suas reflexões a respeito das modalidades e dos
condicionantes da ação social, ele afirmava que convém
[...] abandonar a dicotomia do econômico e do nãoeconômico que proíbe apreender a ciência das práticas
‘econômicas’ como caso particular de uma ciência capaz
de tratar todas as práticas [...] (Bourdieu, 1980, p. 209).
BOURDIEU, Pierre (1980), Le sens pratique. Paris, Minuit.
O mercado como um «mito inteligente»
• Bourdieu caracteriza o mercado como um ‘mito inteligente’ e
sublinha que, como já foi notado frequentemente, «a noção
de mercado quase nunca é definida, e menos ainda
discutida» (2005, p. 20).
• Mas reconhece que essa ausência não é tão ilógica, devido à
abstração progressiva da noção de mercado no decorrer da
revolução marginalista: «Na verdade, essa acusação ritual
não faz muito sentido, na medida em que, com a revolução
marginalista, o mercado cessa de ser algo concreto para se
tornar um conceito abstrato sem referência empírica» (Idem,
p. 20).
• Rompendo com essa tradição, e no quadro da orientação
atual da sociologia contemporânea, Bourdieu define o
mercado como uma «construção social» (2005, p. 40): é o
lugar de encontro entre a demanda e a oferta, ambas
socialmente construídas.
Bourdieu, Pierre (2005), O campo econômico. Política & Sociedade, 6: 15-58 (tradução de "Le champ économique". Actes de la
Recherche en Sciences Sociales, 119: 48-66, 1997).
Link: https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/1930/1697
O mercado como «construção social» | 1
«Revelou-se, de fato, que o mercado das casas próprias (como, provavelmente, em
graus diferentes, todo mercado) é o produto de uma dupla construção social, para a
qual o Estado contribui de maneira decisiva a construção da demanda, através da
produção das disposições individuais e, mais precisamente, dos sistemas de
preferências individuais – em matéria de propriedade ou de locação, notadamente –
e, também, através da atribuição dos recursos necessários, isto é, das ajudas do
Estado à construção ou à habitação definidas pelas leis e regulamentações, das
quais se pode também descrever a gênese; e a construção da oferta, através da
política do Estado (ou dos bancos), em termos de crédito aos construtores, o qual
contribui, com a natureza dos meios de produção utilizados, para definir as
condições de acesso ao mercado e, mais precisamente, a posição na estrutura do
campo, extremamente espalhado, dos construtores de casas e, portanto, as
pressões estruturais que pesam sobre as escolhas de cada um deles, em matéria de
produção e de publicidade.»
Bourdieu, Pierre (2005), O campo econômico. Política & Sociedade, 6: 15-58 (tradução de "Le champ économique". Actes de la
Recherche en Sciences Sociales, 119: 48-66, 1997). Link: https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/1930/1697
O mercado como «construção social» | 2
«Foi somente muito progressivamente que a esfera das
trocas de mercado se separou dos outros âmbitos da
existência e que se afirmou seu nomos específico
(“negócios são negócios”); que as transações
econômicas cessaram de ser concebidas com base no
modelo das trocas domésticas – comandadas, portanto,
pelas obrigações sociais ou familiares – e que o cálculo
dos lucros individuais – portanto o interesse econômico
– impôs-se como princípio de visão dominante [...]»
Bourdieu, Pierre (2005, P. 17), "O campo econômico". Política & Sociedade, 6: 15-58 (tradução de "Le champ
économique". Actes de la Recherche en Sciences Sociales, 119: 48-66, 1997).
O mercado como «construção social» | 3
«Propensões – ao trabalho, à poupança, ao investimento, etc. – não
são exógenas, isto é, dependentes de uma natureza humana
universal, mas endógenas e dependentes de uma história, que é
aquela mesma do cosmo econômico onde elas são exigidas e
recompensadas».
Bourdieu, Pierre (2005, P. 17), "O campo econômico". Política & Sociedade, 6: 15-58 (tradução de "Le champ
économique". Actes de la Recherche en Sciences Sociales, 119: 48-66, 1997).
Conceito de «Campo»
• Segundo Bourdieu, a sociedade é formada por um
conjunto de “campos sociais” (tais como o campo
acadêmico, o campo do direito, o campo desportivo, o
campo político, etc.), mais ou menos autônomos,
atravessados por lutas entre grupos ou classes.
• A evolução das sociedades tende a fazer com que
apareçam universos, áreas (campos) produzidos pela
divisão social de trabalho.
• Os campos não são espaços com fronteiras
estritamente delimitadas, totalmente autônomas. Eles
se articulam entre si, e a forma como se articulam
compõe o universo de socialização (espaço social).
Bourdieu, Pierre. 1988. Le Pouvoir Symbolique, tr. Pt. O Poder Simbólico, Lisboa, Edições Difel, 1989.
Conceito de «Campo»
• Desta maneira, um espaço social se apresenta como um
espaço estruturado de posições cujas propriedades
dependem das posições nestes campos, podendo ser
analisadas independentemente das características de
seus ocupantes.
Bourdieu, Pierre. 1988. Le Pouvoir Symbolique, tr. Pt. O Poder Simbólico, Lisboa, Edições Difel, 1989.
O conceito de «Campo político»
• «Por que falar de campo político? O que isso
acrescenta do ponto de vista da
compreensão da política?»
• «Fala-se frequentemente de arena política,
de jogo político, de lutas políticas... A noção
de campo político tem muitas vantagens: ela
permite construir de maneira rigorosa essa
realidade que é a política ou o jogo político. »
Grandes Conferencias de Lyon, Universidade Lumiere-Lyon 2, quinta-feira, 11 de
fevereiro de 1999.
Do original “Conference: le champ politique”, publicado no livro Propos sur le champ
politique. Direitos autorais concedidos pela Presses Universitaires de Lyon. Traduzido
por Andre Villalobos.
O conceito de «Campo político»
• «Um campo é um campo de forças, é um
campo de lutas para transformar as relações
de forças. Em um campo como o campo
politico ou o campo religioso, ou qualquer
outro campo, as condutas dos agentes são
determinadas por sua posição na estrutura
da relação de forcas característica desse
campo no momento considerado. »
BOURDIEU, Pierre. O campo político. Rev. Bras. Ciênc. Polít. 2011, n.5, pp. 193-216.
O conceito de «Campo político»
• «Isso coloca uma questão: qual e a definição
da forca? Em que consiste ela e como e
possível transformar essas relações de
forcas? Outra questão importante: quais são
os limites do campo politico? »
• «Uma das transformações mais importantes
da politica, de uns vinte anos para cá, esta
ligada ao fato de que agentes que podiam
considerar-se, ou ser considerados, como
espectadores do campo politico, tornaram-se
agentes em primeira pessoa.»
BOURDIEU, Pierre. O campo político. Rev. Bras. Ciênc. Polít. 2011, n.5, pp. 193-216.
O conceito de «Campo político»
• «Quero referir-me aos jornalistas e,
especialmente, aos jornalistas de televisão e,
também, aos especialistas em pesquisa de
opinião. Para descrever o campo politico
atualmente, é preciso incluir essas categorias de
agentes, pela simples razão de que eles
produzem efeitos nesse campo. »
• «Vê-se, pois, que o campo politico tem uma
particularidade: nunca pode se autonomizar
completamente; está incessantemente referido à
sua clientela, aos leigos, e estes tem de alguma
forma a ultima palavra nas lutas. »
BOURDIEU, Pierre. O campo político. Rev. Bras. Ciênc. Polít. 2011, n.5, pp. 193-216.
O conceito de «Campo político»
• «As lutas pelo monopólio do principio legitimo de visão e
de divisão do mundo social opõem pessoas dotadas de
poderes desiguais. Há, no campo politico, lutas simbólicas
nas quais os adversários dispõem de armas desiguais, de
capitais desiguais, de poderes simbólicos desiguais. O poder
politico e peculiar no sentido de se parecer com o capital
literário: trata-se de um capital de reputação, ligado a
notoriedade, ao fato de ser conhecido e reconhecido, notável.
Dai o papel muito importante da televisão, que introduziu algo
extraordinário, [...]»
• «O capital politico e, portanto, uma espécie de capital de
reputação, um capital simbólico ligado a maneira de ser
conhecido. »
BOURDIEU, Pierre. O campo político. Rev. Bras. Ciênc. Polít. 2011, n.5, pp. 193-216.
O conceito de «Campo político»
Portanto, o campo político é uma área de atividade social, entendido
em quanto o espaço social de lutas estratégicas, em constante
dinâmica, no qual os agentes procuram melhorar a sua posição, por
um lado, através da apropriação e acumulação de determinadas
espécies de capital existentes no grande mundo social, e, por outro, os
agentes políticos procuram ainda lutar pela apropriação da definição
das normas e das regras próprias do jogo, a fim do melhorar a sua
posição. Desde logo, o relevo assumido por estas lutas estratégicas é
de grande importância, na medida em que as posições dos vários
agentes no campo político são determinadas quer pelo montante, quer
pelo peso relativo do capital que possuem.
Lourenço, Vítor (2006). «O Campo Político em África: as relações de (inter)dependência entre
Estado e Autoridades Tradicionais», Occasional Papers Series, Lisboa, CEA-ISCTE, 16.
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