Slide 1 - Paulo Margotto

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Uso Terapêutico da
albumina
Hospital Materno Infantil de
Brasília
Larissa Caetano
(residente em Pediatria)
Orientador: Doutor Bruno
Vaz
Brasília, 25 de Julho de 2012
www.paulomargotto.com.br
Albumina

Estrutura






Proteína plasmática
Cargas negativas
Centro hidrofóbico
Periferia hidrofílica
Concentração plasmática:
40-50g/l
50% das proteínas totais do
plasma
• 1/3 intravascular
• 2/3 extravascular

70% da pressão oncótica
Albumin therapy in clinical practice.
Mendez CM, McClain CJ, Marsano LS. Nutr Clin
Pract. 2005 Jun;20(3):314-20.
Albumina

Funções
Manter pressão oncótica
 Transportar substâncias incluindo
bilirrubinas, ácidos graxos, íons,
hormônios e drogas exógenas
 Alterar função das plaquetas
 Neutralizar radicais livres

Albumin Usage in Clinical Medicine: Tradition or Therapeutic?
Albert Farrugia. Transfusion Medicine Reviews, Vol 24, No 1 January, 2010.
Albumina

Metabolismo

Síntese:
•
•
•
•
•


Células hepáticas
15 g/dia
Não é armazenada
Pode ser aumentada em 200 a 300%
Regulação por estado nutricional, insulina,
glucagon, cortisol e hormônios tireoidianos
Meia-vida: 21 dias
Degradação:
• 4%/dia
Albumin Usage in Clinical Medicine: Tradition or Therapeutic?
Albert Farrugia. Transfusion Medicine Reviews, Vol 24, No 1 January, 2010
Hipoalbuminemia

Causas






Desnutrição proteica
Defeitos na síntese
• Cirrose
• Perda de parênquima hepático
Perda de proteína para o espaço extracelular
• Síndrome nefrótica
• Enteropatia perdedora de proteínas
• Queimaduras extensas
• Bloqueio linfático
• Doença em mucosas
Hemodiluição
• Ascite
Insuficiência cardíaca congestiva
Maioria dos casos: doenças inflamatórias agudas ou crônicas
• Aumento da permeabilidade vascular
• Degradação aumentada
• Síntese diminuída
Albumin therapy in clinical practice. Mendez CM, McClain CJ,
Marsano LS. Nutr Clin Pract. 2005 Jun;20(3):314-20.
Hipoalbuminemia

História
Avaliar história de falência hepática
ou renal, hipotireoidismo, neoplasias,
síndromes disabsortivas
 Analisar dieta apropriada para o
paciente
 Procurar causas potenciais de
inflamação aguda ou crônica

Albumin therapy in clinical practice.
Mendez CM, McClain CJ, Marsano LS. Nutr Clin Pract. 2005 Jun;20(3):314-20.
Hipoalbuminemia

Tratamento

Níveis de albumina plasmática são importante
indicador prognóstico
• Em pacientes hospitalizados, baixos níveis de albumina
estão associados a maior morbimortalidade

Foco:
• causa subjacente
• não reposição de albumina


Albumina exógena não é usada com objetivo de
aumentar seus níveis plasmáticos
Indicações e uso da albumina exógena são tema de
controvérsia em vários estudos recentes
TRANSFUSION OF PLASMA DERIVATIVES: FRESH-FROZEN PLASMA, CRYOPRECIPITATE, ALBUMIN,
AND IMMUNOGLOBULINS. Cassandra D. Josephson and Christopher D. Hillyer. Transfusion Medicine. Chapter 149.
Apresentação



No Brasil apenas as apresentações de
albumina a 20% possuem registro na
ANVISA e estão disponíveis para uso
clínico.
Frascos com 10 gramas de albumina em 50
mL de solução diluente.
Extremamente seguro, sendo raríssimos ou
mesmo inexistentes os casos de
transmissão de vírus pela infusão de
albumina
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Novembro de 2003.
Indicações do uso da
albumina

INDICAÇÕES INDISCUTÍVEIS








PRIMING DA BOMBA DE CIRCULAÇÃO EXTRACORPÓREA NAS CIRURGIAS
CARDÍACAS.
TRATAMENTO DAS ASCITES VOLUMOSAS POR PARACENTESES
REPETIDAS/ APÓS PARACENTESES NAS ASCITES VOLUMOSAS.
COMO LÍQUIDO DE REPOSIÇÃO NAS PLASMAFÉRESE TERAPÊUTICAS DE
GRANDE MONTA (RETIRADA DE MAIS DE 20 ML/KG DE PLASMA POR
SESSÃO).
CIRROSE HEPÁTICA E SÍNDROME NEFRÓTICA, QUANDO HOUVER
EDEMAS REFRATÁRIOS AOS DIURÈTICOS E QUE COLOQUEM EM RISCO
IMINENTE A VIDA DOS PACIENTES.
GRANDES QUEIMADOS, APÓS AS PRIMEIRAS 24 HORAS PÓSQUEIMADURA.
PÓS-OPERATÓRIO DE TRANSPLANTE DE FÍGADO, QUANDO A ALBUMINA
SÉRICA FOR INFERIOR A 2,5g%.
PREVENÇÃO DA SÍNDROME DE HIPERESTIMULAÇÃO OVARIANA NO DIA
DA COLETA DO ÓVULO PARA
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta
FERTILIZAÇÃO IN VITRO.
Pública nº 99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Novembro de 2003.
Indicações do uso da
albumina

INDICAÇÕES DISCUTÍVEIS


EM PACIENTES CRÍTICOS COM HIPOVOLEMIA,
HIPOALBUMINEMIA E MAL DISTRIBUÍDOS.
HIPERBILIRRUBINEMIA POR DOENÇA HEMOLÍTICA DO
.
RECÉM-NASCIDO
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. Novembro de 2003.
Indicações do uso da
albumina

INDICAÇÕES NÃO FUNDAMENTADAS




CORREÇÃO DE HIPOALBUNIMEMIA.
CORREÇÃO DE PERDAS VOLÊMIVCAS AGUDAS INCLUINDO
CHOQUE HEMORRÁGICO.
TRATAMENTO CRÔNICO DA CIRROSE HEPÁTICA OU DA
SÌNDROME NEFRÓTICA.
PERI-OPERATÓRIO, EXCETO NOS CASOS MENCIONADOS
ANTERIORMENTE.
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

HIPOALBUMINEMIA
 Maioria, senão a totalidade, dos estudos
randomizados:
• hipoalbuminemia é um fator de mau prognóstico em
pacientes com doenças crônicas ou em pacientes
cirúrgicos
• albumina não diminui a mortalidade neste grupo de
pacientes
• caso se opte pela correção da hipoalbuminemia: níveis
séricos de albumina de pelo menos 3g%

Não há elementos que justifiquem a utilização da
albumina para correção de hipoalbuminemia
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta
Pública nº 99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

REPOSIÇÃO VOLÊMICA NAS PERDAS
AGUDAS

Colóides x cristalóides
• maioria dos trabalhos controlados: sem diferença
significativa
• albumina pode diminuir a filtração glomerular ou
levar a uma sobrecarga volêmica
• albumina aumenta a pressão coloidosmótica e a
pressão hidrostática, levando a uma melhoria do
estado geral do paciente

As evidências disponíveis sugerem que não
há vantagens significativas e pode haver
desvantagens
Schierhout G, Roberts I. Fluid resuscitation with colloid or crystalloid solutions in critically ill patients: a systematic review
of randomised trials. BMJ. Mar 28 1998;316(7136):961-4.
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

ASCITE



Tratamento de escolha para as ascites
volumosas: paracentese com administração
de albumina
Tratamento das ascites refratárias ao uso de
diuréticos
Algumas metanálises:
• Maior sobrevida após peritonite bacteriana
espontânea


Exceção: ascites de origem neoplásica
Pode ser recomendado o uso de albumina
nesses casos
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

GRANDES QUEIMADOS
 Infusão da albumina de 24 a 48 horas depois da
queimadura
• manter a pressão osmótica do plasma, compensando
as abundantes perdas protéicas

Metanálises
• risco relativo de morte 2,4 vezes maior nos pacientes
queimados que usam albumina
• sem aumento do risco relativo de morte pelo uso de
albumina; trabalhos com maior amostragem com
discreto efeito benéfico com o uso da albumina

As evidências até agora publicadas parecem
insuficientes; a utilização de albumina a 20 ou 25%
em grandes queimados pode estar recomendada.
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Novembro de 2003.
TRANSFUSION OF PLASMA DERIVATIVES: FRESH-FROZEN PLASMA, CRYOPRECIPITATE, ALBUMIN, AND
IMMUNOGLOBULINS. Cassandra D. Josephson and Christopher D. Hillyer. Transfusion Medicine. Chapter 149.
Análise de indicações da
albumina

SÍNDROME NEFRÓTICA

Grandes edemas refratários aos
diuréticos
• volumosos derrames pleural ou
pericárdico, ascite ou anasarca
Associação albumina-furosemida: o
ganho, se existir, parece ser pequeno
 Não há indicação para o uso de
albumina na síndrome nefrótica

DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

CIRROSE HEPÁTICA
Pacientes com grandes edemas, com
risco de vida, que sejam refratários ao
uso de diuréticos
 Não há indicação para o uso
generalizado de albumina na cirrose

DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária. Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

PLASMAFÉRESE
Maioria dos guidelines: albumina
como líquido de reposição nas
plasmaféreses terapêuticas de grande
volume (>20 mL/Kg por sessão)
 Esta indicação da albumina
permanece bem fundamentada

DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

HIPERBILIRRUBINEMIA DO
RECÉM-NASCIDO

Doença hemolítica perinatal (DHPN):
administração de albumina enquanto
se aguarda a exsanguineotransfusão
• Ligação à bilirrubina não-conjugada evita
a encefalopatia (kernicterus)

A albumina pode estar indicada em
RN com DHPN e hiperbilirrubinemia
de grande vulto, antes ou durante a
exsanguineotransfusão
DIRETRIZES PARA O USO DE ALBUMINA. Consulta Pública nº 99 da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária. Novembro de 2003.
Análise de indicações da
albumina

USO EM TERAPIA INTENSIVA

Pacientes com hipovolemia,
hipoalbuminemia e má distribuição hídrica,
com perda de líquidos para terceiro espaço
• Sepse
• Choque
• SARA

A análise da literatura médica sugere que
ainda não há elementos suficientes para
recomendar ou contra-indicar
definitivamente o uso da albumina neste
grupo de pacientes
Albumin administration improves organ function in critically ill hypoalbuminemic patients: A prospective, randomized, controlled,
pilot study. Dubois MJ, Orellana-Jimenez C, Melot C, De Backer D, Berre J, Leeman M, et al. Crit Care Med. Oct
2006;34(10):2536-40.
Relevance of albumin in modern critical care medicine. Vincent JL. Best Pract Res Clin Anaesthesiol. Jun 2009;23(2):183-91
Perspectivas
Estudos padronizados são
necessários para se estabelecer com
segurança os riscos e benefícios do
uso terapêutico da albumina.
 Até o momento, seu uso mantém-se
restrito conforme evidências da
literatura.

Albumin Usage in Clinical Medicine: Tradition or Therapeutic?
Albert Farrugia. Transfusion Medicine Reviews, Vol 24, No 1 January, 2010
Do Editor do site
www.paulomargotto.com.br, Dr.
Paulo R. Margotto
Hiperbilirrubinemia neonatal
Autor(es): Paulo R. Margotto, Liu Campelo Porto, Ana
Maria C. Paula

Considerar o uso de albumina 1g/kg
(como Tratamento de choque na
fase aguda). Há diminuição
significativa dos níveis de bilirrubina
livre com 6 e 24 horas após o uso da
albumina.
II Congresso Paraibano de Saúde Materno-Infantil(Campina Grande 30 de
maio a 2 de junho de 2012):Icterícia no período neonatal-novos recursos
terapêuticos (Kernicterus, ainda um desafio!)
Autor(es): Paulo R. Margotto
Kernicterus, ainda um desafio
• Uso de Albumina: Tratamento de Choque
• Hosono S et al (Japão): 2001
• 58 RN (39,4 sem; peso: 3245 g):
• 20 – fototerapia apenas
• 38 – fototerapia + albumina (1g/Kg) – 2h
• Resultado:
• Sem diferença na Bilirrubina Total
• Menor nível de bilirrubina livre no grupo com
albumina (de 0,4 µg% → 0,2 µg%)
www.paulomargotto.com.br
Shapiro SM, 2006
Kernicterus, ainda um desafio
Uso de Albumina: Tratamento de Choque
• Hosono S, et al (Japão): 2002
58 RN ( 39,4 sem; peso 3245g):
Bilirrubina Livre ≥ 0,9 µg%
20 – fototerapia apenas
38 – fototerapia + albumina
Potencial evocado (6 meses):
Anormal: 3 (albumina) x 6 (fototerapia)
www.paulomargotto.com.br
Shapiro SM, 2006
A administração de albumina no pós-operatório de pacientes
de Gastrosquise melhora o resultado?
Autor(es): Tanurri ACA et al. Apresentação: Marcelo Almeida,
Raquel Silva Rodrigues, Paulo R. Margotto

A administração de albumina nos RN
no pós-operatório seguindo ao reparo
da gastrosquise aumentou os níveis de
sódio sérico, MAS Não melhorou os
resultados.
 A introdução precoce de enteral
mínima e o aumento controlado de
elementos nutricionais após a
reintegração intestinal melhorou
significativamente o prognóstico dos
RN após o reparo cirúrgico da
gastrosquise
Clique aqui!
A controvérsia da albumina
Martha Vieira
(The albumin controversy)
Michael R. Uhing
Clin Perinatol 2004; 31:475-488


Há relativamente poucos estudos do uso de albumina em neonatos e crianças,
com a maioria mostrando nenhum benefício consistente comparado com o uso de
soluções cristalóides. Certamente, a terapêutica com albumina não está indicada
para o tratamento da hipoalbuminemia isoladamente. Estudos também mostraram
que a albumina não está indicada em neonatos como tratamento inicial de
hipotensão, desconforto respiratório ou exsanguineotransfusão parcial. Em
adultos, a albumina não é considerada tratamento inicial para hipovolemia,
queimaduras ou suplemementação nutricional (92).
Baseado na evidência, a albumina deveria ser raramente usada na UTI neonatal. A
albumina pode estar indicada no tratamento da hipovolemia apenas depois que a
infusão de cristalóide falhou. Em pacientes com choque hemorrágico agudo, a
albumina pode ser usada com cristalóides quando hemoderivados não estiverem
prontamente disponíveis. Em pacientes com perdas agudas ou contínuas de
albumina e com permeabilidade capilar e função linfática normal, como na
drenagem torácica persistente ou em sítios de drenagem cirúrgica, a
suplementação de albumina impedirá a instalação de hipoalbuminemia e
possivelmente a formação de edema. Isso, no entanto, não foi estudado
sistematicamente. Em pacientes com hipoalbuminemia e aumento da
permeabilidade capilar, a suplementação de albumina freqüentemente leva a maior
extravasamento de albumina através da membrana capilar, contribuindo para a
formação do edema sem melhora no prognóstico. À medida que o processo
mórbido melhora e a permeabilidade capilar se normaliza, a suplementação de
albumina pode acelerar a recuperação, mas os benefícios ao longo prazo do
tratamento não podem ser demonstrados. Esses pacientes irão se recuperar
independentemente da albumina ser administrada ou não.
Ensaio randomizado de solução salina versus solução de albumina 5%
para o tratamento da hipotensão neonatal
Autor(es): Oca MJ, Nelson M, Donn SM. Realizado por Paulo R. Margotto
Concluindo, os resultados deste
ensaio evidenciou que a solução
salina foi tão efetiva quanto a
solução de albumina no tratamento
da hipotensão em RN criticamente
doentes. Pela sua segurança,
eficácia e baixo custo, a solução
salina deveria ser a primeira opção
no tratamento destes pacientes.

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